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Israel investiga tumulto em festival religioso que deixou 45 mortos

Várias pessoas foram pisoteadas. Evento para judeus ortodoxos reuniu cerca de 100 mil no norte do país, que começa a retomar festivais após controlar a pandemia.

Por G1

A controladoria do Estado de Israel anunciou nesta segunda-feira (3) a abertura de uma investigação sobre o tumulto em um festival religiosoque deixou 45 mortos e mais de 100 feridos na madrugada de sexta-feira (30).

Matanyahu Englman, chefe da controladoria, afirmou em entrevista coletiva que a tragédia poderia ter sido evitada e que instaurou uma “investigação especial” para determinar as causas do incidente.

Responsável por supervisionar o funcionamento das instituições públicas, o órgão do governo israelense já havia alertado duas vezes – em 2008 e 2011 – sobre falhas na organização do evento.

“Se isto tivesse sido solucionado, talvez a catástrofe poderia ter sido evitada”, disse Englman.

O chefe de polícia da região, Shimon Lavi, e o ministro da Segurança Pública, Amir Ohana, disseram que assumem a responsabilidade pelo incidente, mas o segundo rejeita ser culpado pelas mortes.

Já a ministra dos Transportes, Miri Regev, próxima a Netanyahu, é apontada pela imprensa local como um alvo da investigação por ter fretado ônibus para levar peregrinos ao evento.

Mais de 100 feridos

Cerca de 100 mil pessoas — a maioria judeus ortodoxos — participavam da celebração Lag B’Omer, o maior evento desde o controle da pandemia do coronavírus no país.

Relatos apontam que pessoas caíram em uma arquibancada, o que causou um princípio de tumulto. Uma multidão então tentou sair por uma passagem estreita e pessoas foram pisoteadas.

“Infelizmente, encontramos crianças pequenas pisoteadas”, afirmou Eli Beer, diretor de um serviço voluntário de ambulância, a uma rádio local. “Conseguimos salvar algumas delas”.

O Magen David Adom, equivalente israelense à Cruz Vermelha, atendeu 150 feridos. Muitos foram levados a hospitais.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi ao local da tragédia e classificou-a como um “pesado desastre”. O premiê declarou o domingo um dia de luto nacional pelas vítimas da tragédia.

Festival na pandemia

Lag B’Omer é um feriado em homenagem ao rabino Simon Bar Yochai, um religioso do século II cujos restos mortais estão enterrados no Monte Meron.

O evento marca o início da retomada das grandes celebrações (religiosas ou não) em Israel, país que conseguiu controlar a Covid-19 com uma das vacinações em massa mais rápidas do mundo.

Quase todas as atividades já retornaram à normalidade pré-pandemia, e o governo israelense tirou recentemente a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre.

O festival foi cancelado no ano passado devido à pandemia. Em 2019, organizadores calcularam que 250 mil compareceram ao local.

Celebrações após a tragédia

Antes da mortes, a multidão percorria corredores e salões, dançando, cantando, rezando e acendendo velas e fogueiras.

Depois do incidente, alguns religiosos voltaram ao Monte Meron para continuar a celebrar o festival judaico.

MAPA — Local do tumulto que deixou mortos em Israel — Foto: G1 Mund

MAPA — Local do tumulto que deixou mortos em Israel — Foto: G1 Mundo

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