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Em meio à disparada da inflação, governo anuncia corte de imposto para importação de 11 produtos

Entre produtos que tiveram imposto reduzido estão carne bovina e de frango, trigo, farinha, milho e aço. Especialista aponta que efeito da medida deve ser nulo.

Por Alexandro Martello e Fábio Amato, g1 — Brasília

Em meio à disparada da inflação, o Ministério da Economia anunciou nesta quarta-feira (11) que decidiu cortar o imposto de importação de 11 produtos.

De acordo com o ministério, os produtos que terão imposto reduzido são:

  • carnes desossadas de bovinos congeladas: de 10,8% para zero
  • pedaços de frango: de 9% para zero
  • farinha de trigo: de 10,8% para zero
  • trigo: de 9% para zero
  • bolachas e biscoitos: de 16,2% para zero
  • outros produtos de padaria e pastelaria: de 16,2% para zero
  • produtos do aço, vergalhão CA 50: de 10,8% para 4%
  • produtos de aço, vergalhão CA 60: de 10,8% para 4%
  • ácido sulfúrico: de 3,6% para zero
  • mancozeb técnico (fungicida): de 12,6% para 4%
  • milho em grãos: de 7,2% para zero.

Ao cortar o imposto de importação, o governo barateia a compra de produtos fabricados no exterior. O objetivo dessa medida é tentar atenuar o forte aumento de preços verificado nos últimos meses.

Entretanto, não há garantias de que a medida levará à queda de preços no Brasil ou que um eventual desconto possa chegar aos consumidores.

Ao comentar a decisão nesta quarta, o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, disse saber que “essas medidas não revertem a inflação”.

Ele apontou a expectativa de haja desestímulo a novos aumentos de preços no Brasil, já que o corte no imposto de importação torna o produto comprado no exterior mais competitivo.

De acordo com Guaranys, com o corte do imposto de importação “empresários pensam duas vezes antes de aumentar os preços”.

Efeito nulo

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, avaliou que a decisão do governo tende a ter efeito prático nulo no preço dos produtos.

Isso ocorre, segundo ele, porque o preço dos itens importados avançou, em média, 34% em abril deste ano. Ou seja, os produtos importados também estão mais caros.

“Se você reduz em 10%, vai reduzir pouco sobre o preço total do produto. Matematicamente, não acontece nada. Ninguém vai importar um produto pela diferença, que é pequena. A inflação tem muito mais força do que essa decisão política”, declarou ele.

No acumulado dos últimos 12 meses até abril, a inflação teve alta de 12,13%, segundo dados oficiais.

Entre os fatores que provocam essa alta de preços estão problemas enfrentados pelas cadeias de produção mundial, reflexo de restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus; efeitos da guerra na Ucrânia na produção e transporte de alimentos; e a valorização do petróleo no mercado internacional.

Miriam Leitão sobre inflação: ‘Continua pesadíssima’

De acordo com a nota do Ministério da Economia, a redução nas tarifas de importação foi decidida em reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex).

Histórico

Em outubro do ano passado, os governos do Brasil e da Argentina entraram em acordo para reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul – bloco econômico que também inclui os vizinhos Paraguai e Uruguai.

Em março deste ano, o governo anunciou uma redução de 10% na alíquota do imposto de importação cobrado sobre eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos. A medida atingiu bens utilizados por todos os setores da economia brasileira, desde celulares e computadores até equipamentos médicos, máquinas para panificação, guindastes e escavadeiras.

Em fevereiro, o governo anunciou a redução em até 25% do Imposto Sobre Produtos Industrializados para a maioria dos produtos e, no fim de abril, ampliou o corte para 35%.

Entretanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Federal (STF), suspendeu na semana passada a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de todo o país que também são produzidos pela Zona Franca de Manaus.

Para tentar frear a alta nos preços do diesel, o presidente Jair Bolsonaro sancionou em abril projeto aprovado pelo Congresso que zerou, até 31 de dezembro, as alíquotas do PIS/Cofins sobre diesel, biodiesel, querosene de aviação e gás liquefeito derivado de petróleo e de gás natural.

A gasolina, porém, continua sendo tributada. Em março, o secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, afirmou que uma política de redução de tributos sobre a gasolina não seria boa, pois atenderia, principalmente, à classe média alta.

Ministério da Economia tem avaliado que as reduções de tributos que vêm sendo implementadas são possíveis porque parte da arrecadação federal tem registrado um crescimento estrutural. Ou seja, de forma permanente.

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Bolsonaro troca comando do Ministério de Minas e Energia

Bento Costa Lima Leite de Albuquerque foi exonerado, a pedido, e foi nomeado como titular da pasta Adolfo Sachsida.

Por g1 — São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Ministério de Minas e Energia nesta quarta-feira (11). Bento Costa Lima Leite de Albuquerque foi exonerado, a pedido, e foi nomeado como titular da pasta Adolfo Sachsida. As informações estão na edição desta quarta do “Diário Oficial da União (DOU)”.

A mudança ocorre após recentes críticas do presidente à política de preços da Petrobras, estatal ligada à pasta.

Bento Albuquerque foi exonerado, a pedido, do Ministério de Minas e Energia. Foi nomeado como titular da pasta Adolfo Sachsid.  — Foto: Reprodução / Diário Oficial da União

Bento Albuquerque foi exonerado, a pedido, do Ministério de Minas e Energia. Foi nomeado como titular da pasta Adolfo Sachsid. — Foto: Reprodução / Diário Oficial da União

No último dia 5 (quinta-feira), Bolsonaro citou o ministro Bento Albuquerque e o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, ao reclamar de reajuste no preço do Diesel para as refinarias.

“Vocês não podem, ministro Bento Albuquerque e senhor José Mauro, da Petrobras, não podem aumentar o preço do diesel. Não estou apelando, estou fazendo uma constatação levando-se em conta o lucro abusivo que vocês têm. Vocês não podem quebrar o Brasil. É um apelo agora: Petrobras, não quebre o Brasil, não aumente o preço do petróleo. Eu não posso intervir. Vocês têm lucro, têm gordura e têm o papel social da Petrobras definido na Constituição”, disse.

O presidente fez apelos para que a Petrobras não voltasse a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil. Aos gritos, durante uma transmissão ao vivo por redes sociais, afirmou que os lucros registrados recentemente pela empresa são “um estupro”, beneficiam estrangeiros e quem paga a conta é a população brasileira.

Bolsonaro fez as críticas pouco antes da divulgação pela Petrobras do resultado do primeiro trimestre, quando a empresa teve lucro de R$ 44,561 bilhões. Esse valor é 3.718% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2021, a empresa, que tem a União como maior acionista, registrou lucro líquido recorde de R$ 106,6 bilhões.

“O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais os preços dos combustíveis”, airmou Bolsonaro na ocasião.

Cinco dias depois, a estatal reajustou em 8,87% o Diesel para as distribuidoras. O valor médio do litro vendido pela petroleira subiu de R$ 4,51 para R$ 4,91.

Inflação

A alta nos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha tem contribuído para pressionar os preços dos demais produtos, o que gera críticas ao governo e a Bolsonaro, que é pre-candidato à reeleição. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 11,3% no acumulado em 12 meses até março. Já são 7 meses seguidos com a inflação anual acima dois dígitos.

A taxa registrada no Brasil permanece bem acima da média observada nas maiores economias do mundo.

Adolfo Sachsida

Adolfo Sachsida estava na equipe de Paulo Guedes no Ministério da Economia, como assessor especial. Doutor em Economia e advogado, é autor de livros e artigos técnicos sobre políticas econômica, monetária e fiscal, avaliação de políticas públicas, e tributação. Foi professor em diversas universidades brasileiras, entre as quais a Universidade Católica de Brasília, onde foi diretor da graduação e do mestrado em economia. Também foi professor de economia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

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Bolsonaro mira no TSE por ‘golpismo permanente’ que enfraquece confiança nas eleições, avalia Carlos Andreazza

Para jornalista, convite do TSE para Forças Armadas integrarem Comissão de Transparência Eleitoral foi erro que poderia ter sido evitado: ‘Golpe fundamental não é o que precisa de tanques nas ruas. É o que transforma república em algo do que se desconfiar’.

Por g1

Nesta segunda-feira (9), o TSE respondeu aos questionamentos sobre as urnas eletrônicas feitos pelo Ministério da Defesa na Comissão de Transparência Eleitoral.

As Forças Armadas, que integram a comissão, foram convidadas a participar do processo pelo então presidente do TSE Luís Roberto Barroso como um gesto de ampliação da transparência das eleições, uma atitude que foi avaliada pelo jornalista Carlos Andreazza como um erro que poderia ser evitado.

“Estava evidente que havia má intenção das Forças Armadas, em um claro gesto de se infiltrar a partir do convite.”

“A partir desse convite, elas [as Forças Armadas] se empoderam. Aquela ideia de suposto ‘poder moderador’ ganha materialidade e se arma uma tocaia”, diz.

Para o jornalista, não é por acaso que o governo Bolsonaro mire em instituições como o sistema eleitoral e no programa de vacinação, dois pilares de exercício da República.

“O ataque à democracia deriva do enfraquecimento da República. Nosso programa de vacinação, que vacina todos igualmente, e o nosso sistema de eleitoral – que oferece para todo mundo as mesmas condições de exercer a cidadania – são materializações de sucesso da República.”

“Ele não ataca isso à toa. O golpe fundamental não precisa de tanques na ruas . É o golpe que vai transformando essa república em algo do que se desconfiar.”

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Senado aprova elevar para 70 anos idade limite para nomeação no STF e em tribunais superiores

Hoje, Constituição prevê idade máxima de 65 anos; mudança abre caminho para aliados do governo serem indicados às cortes. PEC será promulgada pelo Congresso.

Por Sara Resende e Gustavo Garcia, TV Globo e g1 — Brasília

Senado aprovou nesta terça-feira (10), em dois turnos, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que aumenta de 65 para 70 anos a idade máxima permitida para que alguém seja indicado aos tribunais superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF).

A nova regra será promulgada pelo Congresso Nacional – emendas constitucionais não passam pela sanção presidencial.

A aprovação foi resultado de um acordo entre deputados da base e o Palácio do Planalto e abre caminho para beneficiar a indicação de aliados em cargos estratégicos na Justiça.

A PEC altera sete artigos da Constituição que, antes, limitavam a 65 anos a idade para nomeação aos tribunais superiores. Com a nova redação, passa a ser 70 anos a idade limite para a escolha de ministros dos seguintes tribunais:

A idade mínima para ingressar tanto nos tribunais regionais federais quanto nos tribunais regionais do Trabalho é 30 anos. Nas demais cortes, 35 anos. Esses dois pontos foram mantidos no texto.

A PEC começou a tramitar no Congresso em fevereiro deste ano.

Senado recebe PEC que eleva limite de idade para indicação de ministros de Tribunais Superiores

Adequação à ‘PEC da Bengala’

Parlamentares explicam que a PEC é necessária para adequar a regra após a aprovação da chamada PEC da Bengala, de 2015, que elevou a aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores e do TCU de 70 para 75 anos.

“Entendemos que deve ser mantida a lógica anterior de que era possível ao Estado indicar pessoas até cinco anos antes de sua aposentadoria compulsória para o desempenho de funções relevantes no STF, STJ, TST, TRFs, TRTs e TCU e se valer de seu conhecimento e experiência acumulados”, apontou o relator no Senado, Weverton (PDT-MA).

O autor da matéria, deputado Cacá Leão (PP-BA), ressaltou que “juízes e desembargadores que completam 65 anos deixam de ter acesso às cortes e, por não terem perspectiva de ascensão na carreira, muitos acabam pedindo aposentadoria precoce”.

“Como desfecho desse cenário, elevam-se os gastos do Erário e se perde em experiência e moderação, ambas necessárias ao bom magistrado e conquistadas às custas de muitos anos de trabalho”, escreveu Cacá Leão.

Aliados do governo

Alguns deputados afirmam reservadamente que a alteração permitiria, por exemplo, a indicação ao STF de aliados do governo Jair Bolsonaro que, pela regra atual, já não podem ser alçados aos postos.

É o caso dos atuais ministros do STJ Humberto Martins e João Otávio de Noronha, ambos com 65 anos.

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Governo planeja novos cortes de impostos e mira aço, conta de luz e cesta básica

TOPO

Por Ana Flor

Blog Ana Flor / g1

Jornalista e comentarista da GloboNews. Acompanha as notícias de Brasília, da política econômica aos bastidores do poder.

A área econômica do governo Jair Bolsonaro se encaminha para determinar novos cortes em impostos e tarifas de importação. As medidas são uma tentativa de conter a alta persistente da inflação – 11,3% no acumulado de 12 meses até março pelo IPCA.

Estão em estudo no governo, atualmente:

  • uma nova redução de 10% na Tarifa Externa Comum (TEC) aplicada à maior parte dos produtos que vêm de fora do Mercosul (ou seja, que não são importados de Argentina, Paraguai e Uruguai);
  • uma redução a zero dos tributos de importação para 11 produtos, como aço e itens da cesta básica.

O governo quer colocar essa nova rodada de medidas econômicas em prática para tentar segurar a inflação em pleno ano eleitoral.

Pesquisas têm mostrado que a alta dos preços é um dos aspectos mais mal avaliados do governo Jair Bolsonaro até aqui, em razão de efeitos como a redução do poder de compra e a elevação do custo de vida.

O pacote anti-inflação inclui, ainda, medidas em estudo para baratear a conta de luz e amenizar a alta do diesel. Em razão do calendário eleitoral – que impõe restrições aos governantes nos cargos –, o governo teria desistido de aumentar a faixa de isenção da tabela do Imposto de Renda para pessoas físicas.

Projeção da inflação sobe para 7,89% e segue acima do teto da meta

Tarifa do Mercosul

No caso da Tarifa Externa Comum do Mercosul, integrantes da área econômica e do Itamaraty já negociam com os países do bloco para tentar uma redução conjunta. No Ministério da Economia, entretanto, a tendência é defender o corte mesmo sem o consenso regional.

Uma redução semelhante foi definida no fim de 2021. Naquele momento, parte do governo defendia um corte maior na tarifa – a proposta final ficou em 10% para não atrapalhar outras negociações com os países vizinhos.

A área econômica aposta na medida como um instrumento para combater a inflação, que fugiu das expectativas iniciais para o ano após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Para custear as medidas, o governo diz que há recursos em caixa em razão da arrecadação recorde que vem sendo registrada nos últimos meses.

Em março de 2021, o presidente Jair Bolsonaro defendeu em discurso na Cúpula do Mercosul a necessidade de ampliar o comércio com países fora do bloco econômico

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‘Bolsonaro, seus dias estão contados. Não adianta desconfiar de urna. O que você tem é medo de perder as eleições e ser preso’, diz Lula em Belo Horizonte

Pré-candidato do PT à presidência esteve em evento no Expominas, na tarde desta segunda-feira (9) em BH.

Por Maria Lúcia Gontijo, g1 Minas — Belo Horizonte

Lula discursa em BH

O ex-presidente Lula, pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (9) em Belo Horizonte que o presidente Jair Bolsonaro está com os “dias contados” no cargo e que faz ataques às urnas eletrônicas porque teme ser preso. Lula (PT) esteve no Expominas, no bairro Gameleira, Região Oeste da capital, em evento que reuniu líderes de partidos, músicos e artistas.

‘Bolsonaro, seus dias estão contados. Não adianta desconfiar de urna. O que você tem é medo de perder as eleições e ser preso’, disse Lula em discurso.

O ex-presidente oficializou a sua pré-candidatura no último sábado em São Paulo. O vice será o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB).

Lula afirmou também que Bolsonaro representa a “ignorância”, a “violência” e o “fascismo” no Brasil. E que será necessário reconstruir o Brasil. Ele disse que é possível aumentar o salário mínimo e incentivar a pequena e média agricultura.

Lula no Expominas, em BH, no dia 9 de maio de 2022. — Foto: Reprodução TV Globo

Lula no Expominas, em BH, no dia 9 de maio de 2022. — Foto: Reprodução TV Globo

Educação, emprego e comida

“É por isso que eu queria dizer que nós, que pensamos em educação, nós, que pensamos em emprego (…) Nós que pensamos em desenvolvimento da ciência e tecnologia. Nós que queremos aumentar a qualidade de vida do povo, nós que queremos almoçar e jantar, e tomar café todo dia, nós que queremos viver para fazer com que o humanismo prevaleça sob o ódio, haveremos de ganhar as eleições no dia 02 de outubro de 2022”.

“Esse país nós precisamos descontruir para construir o país que nós já tínhamos construído quando eu ganhei as eleições em 2003. É possível aumentar o salário mínimo, nós provamos que é possível cuidar da pequena e média agricultura, nós provamos provar que é possível colocar as pessoas da periferia na universidade brasileira, provamos que é possível colocar as crianças nas escolas técnicas, provamos que é possível mandar os filhos dos trabalhadores estudar no exterior no programa ciências sem fronteira

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Defesa de Silveira pede ao STF para anular exigência de tornozeleira e desbloquear dinheiro do deputado

Daniel Silveira foi condenado a oito anos e nove meses de prisão. Um dia depois, presidente Jair Bolsonaro concedeu perdão da pena. Por isso, advogados querem também extinguir a punição.

Por Fernanda Vivas e Márcio Falcão, TV Globo — Brasília

A defesa do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) recorreu ao Supremo Tribunal Federal a fim de tentar derrubar as restrições impostas ao parlamentar, entre as quais o uso da tornozeleira eletrônica e o bloqueio de recursos para pagamento de multas.

Os advogados de Silveira também querem que seja reconhecida a chamada extinção da punibilidade do deputado, em razão do perdão de pena concedido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Daniel Silveira recusa intimação do STF para colocar tornozeleira eletrônica

No último dia 20, Silveira foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos e nove meses de prisão e multa por estímulo a atos antidemocráticos, ameaças a ministros do tribunal e ataques a instituições, como o próprio STF.

No dia seguinte, o presidente Jair Bolsonaro concedeu perdão de pena ao parlamentar. A medida foi contestada na Corte, em um conjunto de ações sob a relatoria da ministra Rosa Weber.

No texto, o presidente não estabeleceu condições para que Silveira tenha direito ao benefício. Na prática, a chamada “graça” concedida ao deputado impede a aplicação da pena de prisão e o pagamento de multa, mas os efeitos secundários da condenação permanecem — a inelegibilidade e a perda do mandato.

A defesa pediu que o STF reconheça que as medidas cautelares e as multas são ineficazes diante do perdão da pena concedido pelo presidente.

Os advogados reivindicaram ainda o reconhecimento de que Silveira não poderia mais ser punido.

Outro argumento é que a multa pelo descumprimento do monitoramento eletrônico não tem validade porque, segundo a defesa foi fixada pelo ministro Alexandre de Moraes sem requisição do Ministério Público Federal.

Em relação à multa diária de R$ 15 mil, a defesa sustenta que o valor é abusivo e que o valor total já definido supera 16 meses de salário do deputado.

Segundo os advogados, mesmo que a multa pelo descumprimento de cautelares tenha sido aplicada antes da condenação, a restrição teria, na interpretação deles, de ser aprovada pela Câmara para ter validade, uma vez que interfere no exercício do mandato.

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Ministro da Defesa pede a Fachin que retire general de comissão eleitoral e avisa que vai substituí-lo

TOPO

Por Ana Flor

Do Blog da Ana Flor / g1

Jornalista e comentarista da GloboNews. Acompanha as notícias de Brasília, da política econômica aos bastidores do poder.

O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, enviou um ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Edson Fachin, no qual pediu a retirada do general Heber Garcia Portella da Comissão de Transparência das Eleições. Nogueira ainda avisou que, a partir de agora, quer centralizar as demandas da comissão.

O movimento do ministro da Defesa foi visto por integrantes do TSE como uma “demissão” do general Portela, algo que pode ser considerado irregular porque os integrantes da comissão foram nomeados em portaria do TSE. Sem mudança da portaria, entendem integrantes do Judiciário, o ministro da Defesa não poderia se autonomear.

O ofício, ao qual o blog teve acesso, é de 28 de abril. No documento, o ministro da Defesa chega a fazer menção ao fato de não ter sido recebido pessoalmente por Fachin.

“Diante da impossibilidade de tê-lo feito pessoalmente, solicito a vossa excelência que, a partir desta data, as eventuais demandas da CTE direcionadas às Forças Armadas, tais como solicitações diversas, participações em reuniões, etc, sejam encaminhadas a este ministro, como autoridade representada naquela comissão”, diz o documento.

O ofício também justifica a saída de Portella pelo fato de já ter sido finalizado o Plano de Ação para Ampliação da Transparência do Processo Eleitoral, em 25 de abril.

“Com a apresentação do plano, entende-se que foi concluída a etapa de planejamento de ações de ampliação da transparência do processo eleitoral, prevista no inciso I do artigo 2º da Portaria TSE no 578, de 8 de setembro de 2021”, afirma o ofício.

Heber Garcia Portella, comandante de Defesa Cibernética , fez uma série de sugestões ao TSE para o processo eleitoral, parte delas não aceita pela comissão.

Os pontos levantados pelo general vão na linha das contestações frequentemente feitas pelo presidente Jair Bolsonaro ao processo eleitoral. Ele foi escolhido para integrar a comissão em 2021 pelo então ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

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Só Brasil e Turquia têm inflação, juros e desemprego de dois dígitos entre as grandes economias

Último registro desta ‘tríplice coroa’ negativa no país tinha sido durante a recessão de 2016. Além de impactar a renda e o consumo, situação rara compromete o ritmo de recuperação da economia, que segue com projeções de crescimento bem abaixo da média mundial e dos emergentes.

Por Darlan Alvarenga, g1

O Brasil é um caso raro de país com taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego. Entre as grandes economias do mundo, apenas a Turquia vive tal situação, aponta levantamento feito para og1 pela agência de classificação de risco Austin Rating.

A Argentina e Rússia também estão no topo dos rankings das maiores taxas de inflação e de juros básicos do mundo, mas mantêm um desemprego abaixo de dois dígitos. Já a África do Sul e a Espanha possuem desemprego superior ao do Brasil, mas inflação e juros bem menores.

levantamento reúne os dados mais atualizados de 23 países, que representam 81,4% do PIB global, além das taxas da zona do euro.

Veja abaixo os rankings:

Rankings de juros, desemprego e inflação — Foto: Arte g1

Rankings de juros, desemprego e inflação — Foto: Arte g1

No Brasil, taxas de dois dígitos nos 3 indicadores não eram registradas desde a recessão de 2016. Considerando os dados oficiais desde 2012, quando começou a série atual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), essa tríplice coroa’ só ocorreu em 4 meses, segundo a Austin.

“Essas 4 ocasiões foram as únicas vezes que houve 2 dígitos nos três indicadores. Agora neste ano que passou a ser recorrente”, afirma o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, autor do levantamento.

Inflação

Já são 8 meses seguidos com a inflação anual acima dois dígitos o Brasil, segundo mostrou a prévia da inflação de abril divulgada pelo IBGE. A Selic superou os 10% em fevereiro e foi elevada na última quarta-feira (4) para 12,75% ao ano – maior patamar desde 2017. Já a taxa de desemprego ficou em 11,1% no 1º trimestre e se mantém em dois dígitos desde o final de 2015.

O que explica essa ‘tríplice coroa’

Mais do que indicar uma situação econômica bastante ruim no Brasil, a conjunção de taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego escancara os efeitos das sucessivas crises dos últimos anos e dos problemas estruturais da economia brasileira, que há anos vem registrando baixo crescimento.

“Temos no Brasil um problema tão crônico, tão estrutural, que a relação dessas variáveis sai do padrão técnico-econômico”, afirma Agostini, destacando que a inflação e o desemprego costumam ter uma relação inversa. Ou seja, quando um aumenta, o outro diminui.

O economista explica que, embora a inflação tenha se tornado um problema global, puxada principalmente pela disparada dos preços da energia e de commodities, em países como os Estados Unidos ela também tem sido alimentada pela situação de praticamente pleno emprego.

“Nos Estados Unidos, há renda para absorver a alta da inflação. Então é natural que se tenha um juro também maior. Já no Brasil, a gente não tem um mercado de trabalho para absorver essa inflação alta e o juros tem que subir para combater essa inflação de custos”, observa.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, essa tríplice coroa também é resultado da instabilidade política, da crise fiscal e da falta de avanço na agenda de reformas. Já são oito anos seguidos de contas do governo federal no vermelho.

“Estamos pagando o preço de anos de descaso em relação a uma boa política econômica e também de uma boa política. Temos feito algumas reformas, mas reformas que são insistentemente burladas. Para um país emergente que depende de investimento e da entrada de capital, a incerteza e essa polarização política é a pior coisa que poderia ter”, afirma Vale.

Ele lembra que, em 2016, a aprovação de reformas e de medidas de ajuste fiscal como a criação do teto de gastos foram fatores que contribuíram para a queda do dólar frente ao real e para a inflação desacelerar abaixo dos dois dígitos.

Vale explica que o alto nível de endividamento do setor público é um dos fatores que tem mantido o dólar em patamar elevado no Brasil e obrigado a uma elevação da taxa básica de juros mais acelerada e acentuada no Brasil, que retomou a liderança do ranking mundial de juros reais.

“Dado que a política fiscal entrou no modo eleição, a gente depende quase que exclusivamente do Banco Central para controlar a inflação. O juro está subindo com muito mais intensidade agora muito por conta disso”, afirma o economista, citando a decisão do governo de mudar a regra do teto de gastos e o pacote de “bondades” quem vem sendo adotado pelo presidente Jair Bolsonaro em busca da reeleição.

“São medidas que podem parecer que são positivos no curto prazo, como redução de imposto, mas que tem um custo enorme lá na frente. É um preço alto que a gente já está pagando e vai pagar ainda mais nos próximos anos”, acrescenta.

“O Brasil tem uma inflação persistente”, diz o economista André Perfeito

Inflação persistente, juros ainda ladeira acima e estagnação

Apesar da perspectiva de desaceleração da inflação a partir dos próximos meses, as projeções para o IPCA fechado no ano seguem sendo revisadas para cima e o próprio Banco Central já admitiu que a meta de inflação deve superar pelo 2º ano seguido o teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.

O Itaú revisou nesta sexta-feira (6) sua projeção para o IPCA de 2022, de 7,5% para 8,5%, citando preços administrados como gasolina e energia elétrica mais elevados e desinflação mais lenta de bens no segundo semestre. A estimativa do banco para a Selic é de 13,75% ao ano, com uma extensão do ciclo de alta dos juros por mais dois meses. Já para a taxa de desemprego a previsão é de 12% ao final deste ano.

Para a Austin, porém, ainda há risco do Brasil terminar o ano com taxa de dois dígitos de inflação, juros e desemprego”. “Os juros vão permanecer nesse nível por um bom tempo e a inflação até o final do ano corre o risco de ficar em dois dígitos”, afirma Agostini.

Os analistas destacam, porém, que a pior consequência desta combinação é o impacto direto no emprego e renda, e no ritmo de recuperação da economia brasileira.

“Estamos numa estagnação agora, mas o Brasil pode até entrar numa recessão também”, alerta o economista da Austin, que não descarta eventuais retrações no PIB ao longo do ano, assim como ocorreu nos EUA no 1º trimestre.

O mercado financeiro estima atualmente um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,70% em 2022 e de 1% em 2023. O FMI faz uma projeção um pouco melhor, de avanço de 0,80% neste ano e de 1,4% no ano que vem. Ainda assim, a perspectiva para o Brasil segue bem abaixo da da média mundial e dos emergentes.

Turquia, por exemplo, que está com uma inflação perto de 70% ao ano, tem previsão de crescimento do PIB de 2,7% em 2022 e de 3% em 2023.

“Essa situação de tríplice coroa, com inflação, juros e desemprego de dois dígitos, é um cenário que para desmontar vai ter um elevado custo econômico, que é justamente crescimento baixo de forma mais estrutural e mais longo prazo, e com a consequência de manter a taxa de desemprego alta por mais tempo”, diz Vale.

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Adolescentes que vão votar pela 1ª vez em 2022 contam o motivo de tirarem o título de eleitor

Prazo para retirada ou regularização do título encerrou na última quarta-feira (4). Jovens citam ‘consciência dos problemas do país’, voto como ‘ferramenta da democracia’ e ‘direito’ que devemos honrar.

Por g1

Jovens de todo o Brasil tiveram até a última quarta-feira (4) para retirar a primeira via do título de eleitor. Quem faz 16 anos até o dia da eleição, em 2 de outubro, tem o direito de votar em 2022.

Entre janeiro e abril deste ano, o país ganhou 2.042.817 novos eleitores na faixa etária de 16 a 18 anos, segundo anunciou o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número total em todas as faixas etárias, segundo o TSE, deve ser divulgado em julho.

g1 ouviu adolescentes pelo Brasil para entender o que os motivou a ir atrás do documento mesmo não sendo obrigados a votar – quem tem de 18 a 70 anos é obrigado a participar das eleições.

Jovens de 16 a 17 anos respondem: por que tirei meu título?

Cidadãos em formação do Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Sergipe citaram, entre outras coisas, a vontade de mudar o país e a consciência de que a vida nos próximos anos depende do que será decidido nas urnas.

Distrito Federal

Assistente de marketing em um shopping de Brasília, Miguel Castelo Branco, de 17 anos, conta que tirou o título de eleitor pela vontade de mudar o cenário político do país. Para ele, o voto é uma das ferramentas mais importantes para exercer a democracia. “Dependendo do candidato, das suas intenções, dos seus projetos, ele representa algo que você acredita e tem como ideal, fazendo, assim, o país caminhar de uma forma diferente, ou não”.

O cenário político, segundo Miguel, torna as próximas eleições uma das mais difíceis. “Vem uma geração diferente votar nessas eleições. Uma geração de opinião forte e que não tem medo de expor”, completou. “Talvez a gente pense que nosso voto sozinho não faz diferença alguma, mas, juntamente com o voto vem o poder de influência entre os meios que a gente vive. Se quero mudar algo no meu país, meu voto faz a diferença”.

Minas Gerais

Guilherme Diniz, de 16 anos, é estudante de uma escola pública de Belo Horizonte e vai votar pela primeira vez nestas eleições. Ele tirou o título de eleitor em outubro do ano passado motivado por um desejo de mudança. “Eu sei da importância do meu voto”, disse o estudante.

Para Guilherme, a crise e as consequências da pandemia serão determinantes nestas eleições. Ele defende que as pessoas não desperdicem o poder do voto, escolhendo candidatos que melhor os representam. “Façam valer seu direito de escolha”, defendeu.

São Paulo

Paulo Henrique Bajona, de 17 anos, mora na Zona Sul de São Paulo. O estudante conta que tirou o título de eleitor em 2021 para começar o primeiro emprego e, agora, se prepara para votar pela primeira vez nas eleições de 2022.

“Talvez alguns jovens pensem que um voto não vai mudar nada, mas de um em um chegamos a centenas de milhares ou até milhões de votos. Nós podemos fazer a diferença”, disse.

Sergipe

Ayssa Victória Guanabara Moura – 17 anos, estudante – Aracaju “Eu fiz o meu título de eleitor este ano com o objetivo de mostrar a minha voz e a da minha geração para o resto do mundo. Me expressar politicamente e ser representada finalmente. Porque eu sei o que minha geração deseja”, disse Ayssa sobre a decisão de tirar o título.

Com relação ao pessimismo diante do cenário político, a estudante diz que aposta no voto como ferramenta de mudança. “Apesar de ter ouvido gente na minha escola dizendo que está cansada de política, eu entendo que a gente nasceu e cresceu em um país que foi afundado pela corrupção, e que faz parte do nosso processo se conscientizar politicamente”.

“Entendo que essa eleição é muito importante para o nosso processo no Brasil, e que a gente teve várias pessoas que fizeram a gente chegar a esse ponto. Isso vai representar muita coisa, principalmente pra minha geração”.

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