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Veja como a seca na Índia, 2º maior produtor de trigo, pode impactar o Brasil e o mercado mundial

Índia passa por onda de calor intenso, afetando a agricultura. Para diminuir efeito nos preços locais, o governo indiano bloqueou a exportação de trigo – o que pode beneficiar o agronegócio brasileiro.

Por Aline Macedo, g1

Na Índia, a onda de calor intenso levou os termômetros a registrarem 50°C. Com pássaros caindo do céu e relatos de moradores não conseguindo respirar por causa da fumaça de incêndios naturais, fenômeno apontado como o mais quente nos últimos 100 anos. Ocorrendo desde março, as altas temperaturas têm prejudicado produções de trigo do país.

Para diminuir os impactos dos preços locais do produto, o governo indiano anunciou nesta sábado (14) o bloqueio das exportações de trigo.

Segundo o comunicado, serão permitidas apenas as exportações lastreadas em cartas de crédito já emitidas e também para países que solicitem suprimentos “para atender às suas necessidades de segurança alimentar”.

O governo alerta que a medida não é definitiva e pode ser revisada, disseram funcionários do governo em entrevista coletiva.

Efeitos da seca na produção de trigo

A escassez da matéria-prima no mercado internacional, pode pressionar os países produtores de grãos a aumentar os preços da fabricação externa. O que significa que os cidadãos firam pagar mais caro na hora da compra.

Para além dos alimentos feitos à base de trigo, como pães, massa e farinha a falta do grão pode trazer efeitos para o consumidor na compra da carne.

O encarecimento do trigo, impacta indiretamente na criação de animais que se alimentam com rações à base de trigo, como é o caso boi.

Efeitos positivos para o Brasil

A cadeia de desabastecimento global de grãos ainda sofre com a crise geopolítica causada pelo conflito na Ucrânia.

Segundo autoridades mundiais de agricultura, com o bloqueio das exportações indianas, a tendência é provocar um desabastecimento global — o que, para o Brasil, pode ser favorável, já que é um grande exportador de trigo.

Neste ano, a exportações do agronegócio brasileiro ultrapassaram US$ 10 bilhões em fevereiro e bateram recorde para o mês. As exportações do cereal superaram as importações: US$ 246,3 exportados (836,6 mil toneladas), contra US$ 141,58 milhões importados (498,8 mil toneladas).

Em janeiro e fevereiro de 2022, as exportações recordes de trigo, em valor e em volumes (1,48 milhão de toneladas; + 184,2%), apresentaram como principais destinos: Arábia Saudita (US$ 85,63 milhões; 19,6% de participação); Marrocos (US$ 68,16 milhões; 15,6%); e Indonésia (US$ 65,70 milhões; 15%). O Paraná responde por quase metade da produção de trigo brasileira e 30% do volume de moagem.

Com o passar dos anos, a plantação brasileira começou a ser aperfeiçoada melhorando a qualidade das variedades de diferentes cultivos do trigo, também chamada de “cultivares ” .

“As nossas cultivares no Brasil melhoraram muito em termos de qualidade nos últimos anos então a gente espera um ganho de produtividade e um aumento da área plantada. Então estamos otimistas que a safra seja excelente”, analisa Paloma Venturelli, vice-presidente do Sinditrigo-PR.

Desabastecimento global

Considerado o segundo maior produtor de trigo do mundo, atrás apenas da China, a decisão da Índia pode elevar preços mundiais para novos patamares e atingir países mais pobres, como Ásia e África.

Os índices do trigo na Índia subiram para patamares recordes, em alguns mercados spot atingindo 25.000 rúpias (320 dólares) por tonelada, bem acima do preço mínimo do governo de 20.150 rúpias.

Mesmo sendo uma medida provisória, ministros de agricultura do G7 criticaram a decisão e disseram que a medida “agravará a crise” de abastecimento mundial de grãos provocada pela guerra na Ucrânia.

“Se todos começarem a restringir suas exportações ou a fechar seus mercados, a crise se agravará e isso também prejudicará a Índia e seus agricultores”, disse o ministro alemão, Cem Özdemir, após uma reunião com os representantes do grupo em Stuttgart.

“Instamos a Índia a assumir suas responsabilidades como membro do G20”, acrescentou.

Os compradores globais estavam apostando no fornecimento do segundo maior produtor de trigo do mundo depois que as exportações da região do Mar Negro caíram após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro. Antes da proibição, a Índia pretendia embarcar um recorde de 10 milhões de toneladas este ano.

As autoridades acrescentaram que não houve queda dramática na produção de trigo este ano, mas que as exportações não regulamentadas levaram a um aumento nos preços locais.

O aumento dos preços de alimentos e energia empurrou a inflação anual no varejo da Índia para perto do maior nível em oito anos em abril, fortalecendo as expectativas de que o banco central aumentará as taxas de juros de forma mais agressiva.

Em fevereiro, o governo previu produção de 111,32 milhões de toneladas, sexta safra recorde consecutiva, mas reduziu a previsão para 105 milhões de toneladas em maio.

Um aumento nas temperaturas em meados de março significa que a safra pode ficar em torno de 100 milhões de toneladas ou até menos, disse um trader de Nova Délhi.

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Os riscos que a Europa corre ao se endividar com a China

Ofertas de investimento de Pequim precisam ser ponderadas pelos países europeus.

Por BBC

Bilhões de dólares em dinheiro chinês estão impulsionando algumas economias europeias — mas alguns dos acordos que estão sendo fechados têm um problema.

Os críticos dizem que muitos projetos são “armadilhas da dívida”, em que a China tem poder para decidir o que acontece quando os empréstimos não são pagos. Pequim insiste, no entanto, que é um parceiro de investimento confiável.

Há também acusações de exploração de trabalhadores e danos ambientais em empreendimentos com participação chinesa.

Um caso ocorre no porto grego de Pireu, perto de Atenas. É um daqueles momentos de câmeras de segurança em que logo se percebe que um desastre está prestes a acontecer.

Um trabalhador portuário pode ser visto caminhando pelo cais ao lado de uma enorme pilha de contêineres.

De repente, o estivador olha para cima e vê um deles caindo em sua direção, e logo depois outro contêiner cai. Ele corre e escapa por pouco de ser esmagado pelas duas caixas enormes — que desabam com força em um caminhão vazio.

No ano passado, outro trabalhador em Pireu não teve tanta sorte. Dimitris Dagklis, de 45 anos, não escapou e morreu em um acidente com um guindaste.

“Sua morte foi resultado da intensificação do nosso trabalho e do fato de não haver medidas de segurança suficientes”, lamenta Markos Bekris, presidente do sindicato dos estivadores do porto.

Desde a morte de Dagklis, os sindicatos entraram em greve contra a redução de pessoal no porto, que pertence majoritariamente à estatal chinesa Cosco.

Em toda a Europa, enquanto os governos se preocupam com a invasão da Ucrânia pela Rússia no pós-pandemia, Pequim está expandindo seu portfólio. Gerindo portos e minas na Europa, construindo estradas e pontes e investindo onde outros não investem.

Mas os países estão tendo que pesar as recompensas — e os riscos — de assinar acordos com a China.

Muitos governos estão cada vez mais cautelosos com as chamadas “armadilhas da dívida”, em que os credores — neste caso o governo chinês — podem extrair concessões econômicas ou políticas se o país receptor do investimento não puder pagar.

As reclamações sobre funcionários que seriam explorados por empresas chinesas passam por remuneração, condições e pessoal suficiente para o trabalho.

Fizemos perguntas a Cosco sobre a morte de Dimitris Dagklis, a quantidade de empregados no Pireu e preocupações ambientais sobre a expansão do porto. A empresa respondeu que não nos daria uma entrevista.

O presidente do sindicato dos estivadores do porto não culpa apenas Pequim pelo que ele chama de erosão dos direitos trabalhistas.

Ele argumenta que o sistema capitalista pós-crise financeira global teria permitido que qualquer empresa estrangeira entrasse e maximizasse o lucro às custas dos trabalhadores.

Não há dúvida de que o investimento de Pequim impulsionou um renascimento no porto desde que o governo grego foi forçado a vendê-lo, assim como outros ativos públicos, após a turbulência econômica que atingiu a Grécia em cheio em 2008.

À medida que percorremos a costa em uma pequena lancha, logo encontramos uma fila de enormes navios porta-contêineres alinhados no horizonte aguardando ancoradouros — um gigantesco estacionamento aquático, cheio de centenas de milhares de toneladas de mercadorias, principalmente chinesas, que em breve serão enviadas para todos os cantos da Europa.

O boom no Pireu — incluindo oportunidades de emprego para os habitantes locais — reflete uma transformação mais ampla nas fortunas financeiras da Grécia. O país tem agora uma das economias da União Europeia que mais crescem.

Mas, como todos os seus vizinhos europeus, a Grécia também está lutando para lidar com o impacto da guerra na Ucrânia.

As nações estão reavaliando o que significa fazer negócios com Pequim — que em fevereiro declarou uma nova ordem global, em conjunto com sua aliada Moscou.

No dia de abertura de seus próprios Jogos Olímpicos de Inverno, a China declarou uma parceria “sem limites” com a Rússia e prometeu colaborar mais em uma posição contra o Ocidente. Desde então, a China se recusou a condenar o ataque do presidente Putin à Ucrânia.

Em Pireu, os supostos danos ambientais causados pela expansão do porto levaram a uma ação legal da população local contra os chineses da Cosco. Existem preocupações em especial com a dragagem descontrolada do fundo do mar e a poluição tóxica, bem como o aumento do tráfego marítimo e terrestre.

A advogada Anthi Giannoulou, que brincava no litoral rochoso quando criança, teme pelo futuro de sua comunidade a longo prazo.

“[O investimento] não vai beneficiar o Pireu. Vai beneficiar outras pessoas que não moram aqui. Pireu é uma cidade muito pequena e as pessoas que ainda vivem aqui estão aqui há muitas gerações. Portanto, não podemos ser expulsos por um investimento sem sermos questionados sobre isso.”

No saguão de mármore de um prédio do governo no centro de Atenas, somos recebidos pelo ministro das Relações Exteriores da Grécia, Nikos Dendias.

Ele explica que o investimento no Pireu foi mutuamente benéfico, e lembra que a China foi o único investidor a se apresentar no momento em que o governo grego foi forçado a vender o porto.

“Em nossas relações econômicas, acho que ambas as partes se beneficiam. A China tem um ponto de entrada para seus produtos na União Europeia, nos Bálcãs e na Europa Central e Oriental. E nós temos um grande porto comercial moderno.”

Após o crash de 2008, a chamada “troica europeia”, formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, foi inflexível quanto à venda do porto para ajudar a pagar as dívidas crescentes da Grécia.

“A verdade é que a China assumiu o Pireu e agora o Pireu é um dos maiores portos da Europa e — se o que eles dizem for verdade, e não tenho motivos para duvidar — provavelmente será o número um, ou o número dois, em toda a Europa. Portanto, isso é uma grande melhoria e o investimento é substancial.”

Mas e as potenciais “armadilhas da dívida” que podem vir com qualquer futuro investimento chinês na Grécia? O porto de Pireu é o ponto alto das relações de Atenas com Pequim?

O ministro admite que seu governo não assinou outros grandes acordos, mas sugere que avaliará oportunidades futuras caso a caso.

“Não há nenhum investimento chinês mais substancial na Grécia, mas julgamos o investimento em termos comerciais. Quero dizer, se os chineses querem investir, somos um país livre e uma economia livre.”

Chineses na Sérvia

A Grécia não é a única parte da Europa onde os bilhões de Pequim estão sendo investidos.

De pé em uma colina com vista para a cidade de Bor, na Sérvia, é possível pensar que fomos transportados para uma província chinesa. Os trabalhadores gritam instruções em mandarim, as bandeiras são vermelhas e os escritórios administrativos lembram templos.

A China está despejando dinheiro na mina de cobre que define a cultura local há décadas. A extração do metal deixou a água de alguns lagos e reservatórios próximos com um tom de ferrugem.

Isso serve também uma metáfora de como o vermelho do Partido Comunista Chinês está deixando sua marca em todo o continente.

Na Europa, mas fora da UE, a Sérvia não tem o mesmo nível de direitos trabalhistas de lugares como Dublin, Madri ou Viena.

Isso ficou bem claro quando encontramos um vietnamita de 35 anos nas sombras de um prédio abandonado na cidade de Zrenjanin, ao norte da capital Belgrado.

“A empresa chinesa nos trata muito mal. Eles não nos respeitam”, diz o pai de três filhos em voz baixa.

Dung (nome fictício) disse que recebeu o equivalente a R$ 7.500 para ir à Sérvia, em um trabalho de construção na fábrica de pneus Ling Long. Mas logo se arrependeu.

“Eles nos forçaram a trabalhar mais, mas não forneceram suprimentos suficientes. Quando cheguei aqui, eles davam o dobro de comida [do que recebo hoje].”

Dung explicou que os cerca de 400 trabalhadores vietnamitas recrutados ganhavam menos do que os funcionários chineses no mesmo local.

“Há 20 ou 30 trabalhadores morando juntos em cada contêiner. Eles nos tratam como escravos.”

Ele tentou deixar o emprego depois de cinco meses, mas alega que seu empregador lhe disse que não havia chance de um voo de volta ao Vietnã. Ele ficou preso a milhares de quilômetros de casa.

Desde então, ouvimos que Dung conseguiu voltar para sua família — mas somente depois de tomar um empréstimo de mais de R$ 8 mil para a viagem.

Não são apenas as condições precárias que estão alarmando algumas entidades. Os contratos que os trabalhadores são solicitados a assinar também são ruins.

Documentos de emprego que vimos na Sérvia, um país com ambições de aderir à UE, parecem cópias idênticas daqueles usados para trabalhadores estrangeiros em países do Oriente Médio que têm pena de morte.

Organizações sem fins lucrativos sérvias que nos avisaram sobre as condições na fábrica de pneus Ling Long dizem que ficaram chocadas quando perceberam o que estava acontecendo lá.

“É o caso mais visível de tráfico de pessoas e exploração de trabalhadores que tivemos no país até agora”, diz Danilo Curcic, da ONG A 11 Initiative. Ele diz que o que aconteceu na fábrica serve como um alerta para o restante da Europa, na medida em que os negócios chineses se expandem pelo continente.

“Se você está recebendo empresas chinesas e não tem instituições fortes o suficiente para impedir violações de direitos humanos ou violações de normas trabalhistas, provavelmente haverá uma precarização também nas outras empresas.”

A fábrica de Ling Long não respondeu às alegações feitas por Dung. Mas a imprensa local na Sérvia noticiou que a empresa disse que estava comprometida com altos padrões de bem-estar dos trabalhadores.

O governo sérvio argumenta que o investimento da China acelerou seu crescimento econômico. O presidente Aleksandar Vucic diz que mais investimentos chineses não devem ser prejudicados por um pequeno número de trabalhadores vietnamitas.

Essas supostas violações de direitos humanos na Europa pela China ecoam o tratamento dado aos muçulmanos uigures na China, na província de Xinjiang.

Mas há outras coisas preocupantes.

Richard Moore, chefe da agência de espionagem estrangeira do Reino Unido MI6, alerta não apenas sobre as armadilhas da dívida da China, mas também sobre as “armadilhas de dados”. Ele disse à BBC no ano passado que a China tinha a capacidade de “coletar dados de todo o mundo”.

A China rejeita essas acusações.

No Reino Unido, a gigante chinesa de telecomunicações Huawei foi banida da infraestrutura 5G britânica. A empresa também enfrenta um escrutínio contínuo sobre suas práticas de segurança e sobre supostas ligações com o governo chinês, o que ela nega.

Os EUA impuseram sanções à Huawei.

De volta a Belgrado, vemos algumas das 8 mil câmeras de segurança que foram instaladas nas ruas. Grupos de direitos humanos estão preocupados que a tecnologia biométrica da Huawei possa ser usada junto com as câmeras, mas o governo sérvio diz que recursos de reconhecimento facial não serão introduzidos tão cedo.

Quanto às armadilhas da dívida chinesa, os críticos de Pequim apontam para outro grande projeto na Europa. Tal como acontece com a Sérvia, ele está fora da órbita das regras e regulamentos da UE: em Montenegro.

Dirigir pela única autoestrada do país é uma experiência surreal. Temos a estrada só para nós, além de um rebanho de ovelhas.

A ideia da via rápida para impulsionar o comércio — ligando o porto de Bar, no mar Adriático, no sul, à fronteira com a Sérvia, no norte — é antiga. Mas sucessivos estudos de viabilidade europeus concluíram que o projeto seria complexo e caro demais.

Mas a China se apresentou com US$ 1 bilhão. Não foi um presente para Montenegro, mas sim um empréstimo a ser reembolsado.

No entanto, seis anos após o início das obras, apenas cerca de 40 km foram construídos, tornando-se uma das autoestradas mais caras do mundo.

Depois de passar por pontes e túneis escavados no trecho que foi construído, chegamos literalmente ao fim da estrada. O projeto é repleto de acusações de corrupção e propinas, e já está com dois anos de atraso. Alguns se perguntam se um dia o projeto será concluído.

Os termos do acordo com a China afirmam que, se Montenegro não pagar as parcelas do empréstimo, a decisão sobre reparações caberá a Pequim. A China poderia apreender outros ativos, incluindo o porto de Bar.

Um ministro do governo montenegrino que herdou este projeto é Milojko “Mickey” Spajić, de 34 anos. Ele conta que garantiu um acordo de reembolso que impedirá seu país de decretar falência por causa do projeto.

Para ele, a posição de Montenegro é emblemática de muitos países menores que buscam financiamento para iniciar projetos de infraestrutura e impulsionar suas economias.

“Nós precisamos de investimentos. Se os chineses são os únicos interessados em investir, eu digo: vamos em frente. Mas é preciso tomar cuidado com os termos desses investimentos, as condições e tudo precisa estar de acordo com nossas políticas gerais.”

Na semana passada, porém, Spajić perdeu o emprego quando um novo governo minoritário foi formado. Construir o restante da rodovia, e pagar a dívida chinesa, agora será um problema para seu sucessor.

Apesar de todas as críticas dirigidas à China, há um projeto que alguns consideram um exemplo de boas práticas de construção e cooperação efetiva entre Oriente e Ocidente, na Croácia.

Embora seja um domingo quando visitamos, o trabalho na ponte de Pelješac está em pleno andamento — com caminhões passando por cima dela e vigas sendo colocadas.

Este é o maior projeto de infraestrutura da Croácia e unirá a península de Pelješac ao continente croata. Atualmente, para chegar ao continente, os croatas da península precisam passar por um trecho de costa pertencente à vizinha Bósnia.

A maior parte da conta da nova ponte foi paga pela UE (a Croácia é membro), mas foi construída em Pequim, até o último parafuso. O exército de trabalhadores na obra é todo chinês.

No entanto, este projeto não está livre de polêmicas.

A licitação da estatal chinesa The China Road and Bridge Corporation foi 20% mais barata que seu concorrente mais próximo. Rivais europeus acusaram irregularidades, mas não conseguiram impedir o negócio.

Para Branimir Vidmarovic, professor da Universidade de Pula, na Croácia, a Ponte Pelješac é um exemplo de onde os países europeus podem encontrar um equilíbrio entre Oriente e Ocidente sem alienar os EUA, o maior mercado do mundo.

“Se excluirmos tecnologias críticas, se cooperarmos em coisas físicas como ferrovias, projetos de infraestrutura, não acho que haja problema em satisfazer tanto a UE, a Otan, os EUA e a China”, diz ele.

Mas a Casa Branca de Biden, herdando uma guerra comercial com a China do governo de Donald Trump, não suavizou sua posição sobre Pequim em muitas áreas e pediu à Europa que se afaste do financiamento da China.

Esperávamos falar com um diplomata chinês de alto escalão para descobrir mais sobre o que pensa Pequim. Mas nenhum dos cinco embaixadores chineses que abordamos estava disponível.

Seja dentro da UE, como Grécia e Croácia, ou em sua periferia, como Sérvia e Montenegro, as nações europeias terão que pesar os prós e os contras de firmar acordos com os chineses.

O fato de o melhor amigo declarado do presidente Xi Jinping ser Vladimir Putin — o homem que mergulhou a Europa em sua maior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial — é um fator que pesará em todas as decisões tomadas.

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Associação que presta serviço gratuito de auxílio a brasileiros em Portugal completa 30 anos

Criada em 1992, a ‘Casa do Brasil’ oferece informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas, além de orientar como ter acesso a serviços de saúde, educação e segurança social.

Por RFI

Casa do Brasil, em Lisboa — Foto: Reprodução/Instagram

Casa do Brasil, em Lisboa — Foto: Reprodução/Instagram

A Casa do Brasil chega a três décadas de atividades como a maior associação da comunidade brasileira em Portugal, onde residem, legalmente, cerca de 210 mil brasileiros, que representam a maior comunidade migrante no país. Para os próximos anos, um dos desafios da Casa do Brasil de Lisboa é ser um espaço de todas as nacionalidades. 

Associação de imigrantes sem fins lucrativos, a Casa do Brasil de Lisboa foi criada em 1992 por um grupo de brasileiros e portugueses que discutiam a regularização dos profissionais que chegavam do Brasil. Eram “publicitários, dentistas, que tinham essa dificuldade de reconhecimento da profissão” em Portugal, conta Cyntia de Paula, presidente da Casa. 

Desde então, a grande missão da Casa do Brasil é a garantia de direitos às pessoas migrantes de todas as nacionalidades. Além disso, a associação tem um trabalho muito forte na “luta contra todos os tipos de discriminação, contra o racismo, a xenofobia e outros sistemas opressores como o machismo, a LGBTfobia e tantos outros”, destaca de Paula.

Orientação e encaminhamento

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

A sede da Casa do Brasil fica no Bairro Alto, localizado na parte antiga e central da capital portuguesa. Tem quase 6 mil associados e atende cerca de 2 mil pessoas por ano. Para isso, conta com nove funcionários e 15 voluntários. Parte da equipe trabalha no Gabinete de Orientação e Encaminhamento (GOE), criado para ser fonte de informação segura para quem chega a Portugal.

O gabinete “auxilia a pessoa migrante que chega e que precisa de informações mais variadas para desvendar o que é ser imigrante”, diz Cyntia.

O GOE oferece, por exemplo, informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas em Portugal, além de orientar migrantes a como ter acesso a serviços de saúde, educação, segurança social e muitos outros.

Apoio ao emprego

Para os migrantes que buscam trabalho, a Casa do Brasil também dispõe do Gabinete de Informação Profissional (GIP).

“Além de ajudar a entender o mercado de trabalho português, [o GIP] auxilia na busca de vagas, na elaboração de currículos, na preparação de entrevistas de trabalho, faz esse match com as empresas, também com formações, diálogo com as ordens profissionais”, explica a presidente da associação.

Ativismo

Para garantir os direitos das pessoas migrantes, a Casa do Brasil de Lisboa organiza sessões informativas, promove campanhas e reuniões e cria muitos projetos que contribuem para a integração, como o que orienta brasileiros que estão no Brasil e que planejam migrar, e o que promove o combate ao discurso de ódio. Cyntia de Paula também chama a atenção para o que a associação tem feito no campo do ativismo.

“Há toda uma participação em termos de reivindicações políticas, de melhoria para a vida das pessoas migrantes, desde que nos posicionarmos nas questões dos feminismos, do racismo e das múltiplas discriminações como um todo, desde o nosso diálogo muito constante com os diferentes governos que já passaram nesses 30 anos da Casa do Brasil”, resume a presidente da associação. 

Cyntia lembra que, em 2003, a Casa teve um papel muito importante no que ficou conhecido como “Acordo Lula”. “Foi um ato de ativismo e de lobby. Foi um acordo que possibilitou que mais de 20 mil pessoas do Brasil se regularizassem porque, nessa época, ainda não tínhamos uma lei de migração, em Portugal, nos moldes em que temos hoje.”

Vertente artística

No campo das artes, a Casa tem procurado ser um espaço de acolhimento e convívio de pessoas que trabalham com diversas manifestações artísticas. Tem sido palco para sessões de filmes, exposições, trabalhos literários e aulas de dança.

“Todas as semanas temos aulas de forró, de samba, de expressão corporal, de salsa”, completa Cyntia, que faz questão de esclarecer que a programação da Casa “não está focada na cultura brasileira; ela está focada na cultura como um todo. “

Mudanças

Nos últimos anos, a Casa do Brasil de Lisboa tem passado por mudanças, inclusive com a presença mais forte de mulheres na equipe de trabalho, o que, segundo a presidente da associação, tem sido muito importante “porque temos trazido um olhar na perspectiva de gênero”. Cyntia de Paula é a terceira mulher a presidir a Casa desde a sua criação.

Além de mais espaços ocupados por mulheres, a Casa do Brasil também ganhou um novo modelo de atendimento, que permite chegar aos migrantes que vivem longe de Lisboa. “Construímos um atendimento à distância, que antes não tínhamos. Ou seja, a pessoa já não precisa vir, necessariamente, à nossa sede. Já fazemos atendimento via e-mail, via telefone, via WhatsApp, via Zoom”, afirma de Paula, com entusiasmo.

Desafios

Há quatro anos na presidência da Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia reconhece que há desafios para o futuro. Um deles é reforçar o apoio para o surgimento de mais associações, para que haja mais coletivos. “Poderia ser muito mais, muito mais movimentos associativos pelo país afora”, vislumbra.  

De Paula também planeja tornar a Casa um espaço forte de presença de migrantes de todos os cantos.

“Eu quero que a Casa seja um espaço de representação de todas as pessoas. Não só brasileiras. Que as pessoas possam ver a Casa como, também, um espaço do seu trabalho, da sua luta, e de todas as lutas. Que o movimento feminista, que o movimento LGTBQIA+, que o movimento antirracista e outros também encontrem dentro da Casa o seu lugar. Eu acho que esse também é um grande desafio para os próximos anos”, pontua.

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Conheça as novas regras para obter cidadania de Portugal e veja quem se enquadra nas categorias

Mudanças buscam dar mais acesso a quase todos os grupos —menos aos judeus sefarditas, que agora têm que apresentar vínculos com uma comunidade com origem em Portugal.

Por g1

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Portugal passou a adotar novas regras para conceder a cidadania do país a descendentes de portugueses e cônjuges —brasileiros interessados devem ser beneficiados.

Para ser beneficiado é preciso pertencer a alguma dessas categorias;

  • Filhos de portugueses;
  • Netos de portugueses;
  • Bisnetos de portugueses que tenham antepassados vivos e com cidadania;
  • Cônjuges de portugueses;
  • Judeus sefarditas;
  • Pessoas que moram legalmente em Portugal há mais de 5 anos;
  • Pessoas que nasceram em Portugal, mas são filhas de estrangeiros;
  • Pessoas que já tiveram a cidadania, mas perderam;
  • Filhos adotivos de portugueses;
  • Pessoas que prestaram serviços relevantes a Portugal

A nova lei entrou em vigor já com um novo sistema, eletrônico.

Até a mudança das regras, os netos de portugueses só podiam obter cidadania se os pais deles também tivessem a nacionalidade reconhecida. Agora, é possível “pular” uma geração.

Cônsul português mostra dicas para brasileiros que buscam a cidadania portuguesa

A advogada Raquel Brito, do escritório Abreu Advogados, de Lisboa, diz que notou que com a nova regra há mais brasileiros que querem ter informação.

O prazo do processo inteiro não se alterou, segundo ela —eram cerca de 2 anos e continua a ser.

Filhos de imigrantes

Até a mudança da regra, mesmo crianças nascidas em Portugal podiam não ter cidadania, mas agora isso foi alterado.

Para que uma pessoa que nasça em Portugal seja considerada portuguesa, os pais precisam estar no país há pelo menos um ano —não importa se isso acontece de forma legal. O prazo vem caindo nos últimos anos: até 2015, se os pais não morassem em Portugal de forma regular há cinco anos, o filho não tinha cidadania.

O sentido da mudança é dar mais importância aos laços com o país do que aos vínculos de sangue, de acordo com a advogada Raquel Brito.

“Ainda não notei um aumento dos títulos de nacionalidade, mas há muitos (brasileiros) que viajam para que os filhos nasçam em Portugal, isso tem se verificado muito —brasileiros que viajam para parir. Agora (os filhos) já nascem regularizados, e isso é significativo”.

Cônjuges

Há dois casos de cônjuges de portugueses que podem obter cidadania:

  • Os que são casados;
  • Os que têm união estável por pelo menos três anos;
  • Os que têm filho português

Nesses casos, é possível pedir cidadania se a união for reconhecida em Portugal.

Judeus sefarditas

O sentido geral das novas regras é facilitar a concessão da cidadania, mas em um dos casos aconteceu o inverso: para os descendentes de judeus sefarditas (aqueles que têm antepassados que viveram na Península Ibérica), está mais difícil.

Eles precisam comprovar a sua ascendência e mostrar um certificado de uma comunidade sefardita de origem portuguesa. Depois disso, devem comprovar vínculos com Portugal.

O russo Roman Abramovich conseguiu cidadania portuguesa em 2021. Depois da guerra na Ucrânia, Portugal foi entender o que havia acontecido. O rabino que avalizou cidadania para Abramovich chegou a ser detido, mas foi liberado após uma interrogação.

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Partido no poder na Suécia aprova candidatura à Otan

Decisão permitirá que o governo apresente um pedido de adesão junto com a Finlândia.

Por France Presse

O Partido Social-Democrata, que governa a Suécia, deu sinal verde neste domingo (15) para a candidatura do país a ingressar na Otan, o que permitirá que o governo apresente um pedido de adesão junto com a Finlândia.

Durante reunião extraordinária realizada neste domingo, a direção decidiu que o partido “colaboraria em uma candidatura da Suécia à Otan”, informaram os social-democratas em um comunicado que manifestava uma mudança em sua posição.

O partido explica que é contrário à instalação de bases permanentes da Otan e de armas nucleares no território sueco, o que não é exigido para integrar a aliança.

Uma consulta interna revelou as divisões no partido, com vozes críticas que denunciaram o que consideram uma decisão precipitada, apenas para seguir o calendário da Finlândia.

Mas a autorização da direção do partido continua sendo aguardada.

A primeira-ministra sueca e líder do partido, Magdalena Andersson, concederá uma entrevista coletiva nas próximas horas em Estocolmo.

Com a mudança de postura do partido, a maioria a favor da entrada na Otan está garantida no Parlamento.

A direita já era favorável à adesão e o partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD) afirmou que também é favorável se a iniciativa acontecer em conjunto com a Finlândia.

O governo da Finlândia anunciou neste domingo sua candidatura “histórica” de adesão à Otan, que será apresentada ao Parlamento na segunda-feira.

A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um aumento considerável do apoio à Otan na opinião publica, tanto na Suécia como na Finlândia.

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Economia sob bloqueio: brasileiros contam como têm ‘driblado’ os impactos das sanções à Rússia

Problemas passam por reflexos diretos do conflito, como o reforço à inflação de produtos básicos, mas chegam ao sumiço de marcas e à dificuldade de enviar dinheiro depois do bloqueio ao universo financeiro russo.

Por Raphael Martins, g1

15/05/2022 08h00  Atualizado há 9 horas


Russos fazem fila para tirar dinheiro após sanções de outros países por causa da guerra na Ucrânia — Foto: Victor Berzkin/AP Photo

Russos fazem fila para tirar dinheiro após sanções de outros países por causa da guerra na Ucrânia — Foto: Victor Berzkin/AP Photo

Restrições a transferências bancárias, falta de produtos nas prateleiras, preços em alta: a guerra na Ucrânia, que se arrasta há mais de 2 meses, também provoca efeitos sobre a economia da Rússia.

Para quem vive no país, foi preciso se adaptar aos impactos do conflito no preço de produtos russos, como petróleo e trigo, mas também às severas sanções econômicas impostas ao país como retaliação à invasão ao país vizinho.

Na semana passada, os Estados Unidos e seus aliados na União Europeia anunciaram que desejam aplicar uma sanção ainda mais forte contra a Rússia, banindo a compra do óleo de Moscou até o final do ano.

SAIBA MAIS

Essas sanções atingem não só a economia local, mas também os cidadãos – e brasileiros que moram ou têm relações com o país.

‘Triangulação’ de dinheiro

As dificuldades impostas pelas sanções podem desafiar a consagrada criatividade brasileira.

Caio Nascimento, de 32 anos, tem uma filha de 4 anos, Jasmine, que mora na Rússia. Mensalmente, ele enviava apoio financeiro à mãe da criança em Moscou.

Antes da guerra, o dinheiro circulava por meio de plataformas comuns de remessa internacional. Quando foi anunciado o bloqueio da Rússia ao Swift, os serviços saíram do ar.

Caio Nascimento foi obrigado a 'triangular' com outro brasileiro o envio de dinheiro para a filha de 4 anos, que mora em Moscou — Foto: Arquivo pessoal

Caio Nascimento foi obrigado a ‘triangular’ com outro brasileiro o envio de dinheiro para a filha de 4 anos, que mora em Moscou — Foto: Arquivo pessoal

Swift é o serviço global de telecomunicações entre instituições financeiras no mundo e a retirada da Rússia dessa cadeia tem o objetivo de “desligar” o comércio do país do resto do mundo.

Na prática, a medida impede a transferência de dinheiro e paralisa os pagamentos entre produtores russos e seus compradores. Impossibilitados de transacionar no Swift, um lado não pode faturar e o outro não pode pagar pelas mercadorias. O mesmo vale para remessas de pessoas físicas.

“Fiz um acordo com um jogador de futsal brasileiro que também não consegue enviar dinheiro para o Brasil. Ele envia os rublos para minha filha e eu mando reais para a família dele”, diz Nascimento.

Além de “triangulações” do tipo, a comunidade brasileira tem se articulado em redes sociais e apps de mensagens para criar soluções.

Alguns partiram para o mercado de criptomoedas. Mas há um sério risco de desvalorização do dinheiro, pois esses ativos são marcadas pelos preços muito voláteis no mercado internacional.

O bitcoin, por exemplo, ronda as cotações mínimas em quase 1 ano. Em meados de fevereiro, quando a guerra começou, a criptomoeda valia cerca de US$ 40 mil. Hoje, gira em torno dos US$ 30 mil. Quem converteu parte do patrimônio nesse intervalo pode ter acumulado uma perda de até 25%.

União Europeia anuncia sexta rodada de sanções à Russia por invasão da Ucrânia

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União Europeia anuncia sexta rodada de sanções à Russia por invasão da Ucrânia

Saída de empresas

Danilo Ribeiro está livre dos entraves do Swift, pois não precisa enviar dinheiro aos familiares em São Paulo. Nem por isso está imune aos aborrecimentos financeiros.

Dentre as mais de 1 mil empresas que suspenderam ou reduziram operações na Rússia — como registra um relatório recente da Universidade de Yale — estão as principais bandeiras de cartão de crédito e alguns bancos.

“Até fui ao McDonald’s no último dia de operação. Descobri depois que eles ainda funcionam em aeroportos e estações de trem”, diz ele, que mora em Moscou.

Mais que o fechamento de empresas, os primeiros impactos das sanções causaram uma corrida por dólares no país e uma severa desvalorização do rublo. Com medo do aperto econômico, Ribeiro pensou em voltar ao Brasil.

“Quando anunciaram as sanções, houve um pânico geral. Muitas coisas sumiram das prateleiras e o preço dos alimentos subiu muito. Com o tempo, a vida voltou ao normal, mas mais cara”, diz.

Danilo Ribeiro é professor de inglês e mora na Rússia desde 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Danilo Ribeiro é professor de inglês e mora na Rússia desde 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Ribeiro desistiu de voltar porque sua clientela como professor de inglês é majoritariamente russa. Seria necessário, portanto, refazer toda a carteira de clientes do zero. O jeito foi aguentar o aumento de custo de itens básicos — sem esquecer que em terras brasileiras o fenômeno também acontece.

Na sua cesta de produtos, ele destaca o café e o papel para a preparação de aulas, que dobraram de preço. Mesmo com a queda do poder de compra, avaliou que ainda teria melhor rendimento ao ficar na Rússia, apesar de alguns incômodos.

“Eu fazia pagamentos internacionais em uma plataforma que parou de funcionar e não consigo mais pagar meu terapeuta, que fica no Brasil. E também sinto falta de marcas de roupa. Ficaram só as russas, que não atendem ao meu biotipo”, conta.

Segundo ele, a perspectiva para os próximos meses, ainda assim, é boa. Ribeiro diz que a chegada do verão faz a economia russa se reaquecer, o que abastece o país com produtos domésticos. “Quando chegar no próximo inverno, as sanções podem pesar mais, porque o país precisa de mais importações e o preço pode complicar a situação”, afirma.

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O polêmico muro que divide dois países em ilha no Caribe

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, viajou para a fronteira entre a República Dominicana e o Haiti, dois países que compartilham uma ilha e que em breve serão separados por um muro.

Por Daniel García Marco, BBC

Não era um dia comum na República Dominicana.

Em 20 de fevereiro de 2022, o presidente do país, Luis Abinader, vestindo um colete amarelo sobre uma camisa branca, apontou uma betoneira cheia de concreto para uma vala sobre a qual foram levantadas finas hastes de aço. O público ao redor tirou muitas fotos dele.

Esse foi o primeiro passo para a construção da “cerca perimetral inteligente”, estrutura que vai separar a República Dominicana do Haiti e que todos chamam de “muro” na fronteira. Ao fundo, a música de Juan Luis Guerra, dois bispos e a liderança militar acompanhavam atentamente as ações do presidente e da betoneira.

A construção é um novo episódio na conflituosa e histórica relação entre os dois países que compartilham a Ilha de Hispaniola (também conhecida como Ilha de São Domingos), além de uma fronteira porosa de mais de 390 quilômetros.

“A República Dominicana não pode assumir a crise política e econômica daquele país (Haiti) ou resolver o resto de seus problemas”, disse Abinader em um ato com forte simbolismo patriótico em que o hino nacional foi cantado vigorosamente a poucos metros do Haiti, o país mais pobre das Américas.

Segundo os últimos dados do Banco Mundial e do governo dominicano, 60% da população haitiana vive na pobreza, contra 24% na dominicana. A pobreza extrema chega a 24% no Haiti enquanto é de 3,5% do outro lado da fronteira.

54 quilômetros

Os primeiros metros da cerca já podem ser vistos em Dajabón, no noroeste da República Dominicana, um dos principais pontos de fronteira com o Haiti.

Oito dias após o início da construção, a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, visitou o local. O trabalho havia sido interrompido. Apenas uma escavadeira permaneceu com o motor ligado. Dois soldados entediados guardavam a área. Vacas mugiam e lixo plástico foi armazenado no terreno ao lado.

A poucos passos do muro e do lugar de onde Abinader discursou, algumas crianças haitianas tomavam banho e algumas mulheres lavavam suas roupas no rio Masacre, cuja escassa corrente de água forma uma fronteira flexível entre os dois países.

O muro promete ser muito mais firme.

Em uma primeira fase, com conclusão prevista para o primeiro semestre deste ano, segundo o governo dominicano, serão construídos 54 quilômetros de betão armado e estrutura metálica, como o traçado em Dajabón. Além disso, haverá 19 torres de vigia e 10 portões de acesso. O muro não vai cobrir toda a extensa fronteira territorial, mas se elevará acima das “áreas mais populosas e sensíveis”.

Na segunda fase, que deve começar assim que a primeira estiver concluída, serão construídos mais 110 km de muro, com um investimento total de cerca de US$ 30 milhões (R$ 145,1 milhões), segundo dados do governo.

“É um muro que vai beneficiar os dois países. Vai controlar o comércio bilateral, regular os fluxos migratórios para combater as máfias que traficam pessoas, além de lidar com o narcotráfico e a venda ilegal de armas, e proteger a criação e as colheitas de pecuaristas e produtores agrícolas”, disse Abinader.

‘Não gosto do muro’

Nenhum membro do governo haitiano esteve presente no ato de 20 de fevereiro. Também não comentou a construção do muro, erguido em solo dominicano.

Mapa da Ilha de São Domingos — Foto: BBC

Mapa da Ilha de São Domingos — Foto: BBC

Haiti tem um governo interino desde que o presidente Jovenel Moise foi assassinado, em julho do ano passado. As eleições para um novo presidente foram adiadas devido ao elevado nível de violência no país, segundo o atual Poder Executivo chefiado por Ariel Henry.

A crise econômica em curso no Haiti, os desastres naturais e os conflitos políticos historicamente fizeram com que muitos haitianos buscassem uma vida melhor, ou pelo menos uma maneira de ganhar dinheiro, no país com o qual compartilham a ilha.

Uma dessas pessoas é Novilia, uma haitiana que mora na República Dominicana. Ela vive uma casa feita de chapa e piso de areia, a poucos metros da primeira vala da cerca que Abinader inaugurou.

“Os haitianos fazem negócios com os dominicanos aqui. Por que temos que erguer um muro? Não temos presidente no Haiti e as coisas estão difíceis”, diz a mulher, que está no país vizinho há 12 anos.

“Eu não gosto (do muro), é ruim para os negócios, todo mundo tem dificuldade, todo mundo está procurando alguma coisa aqui (na Dominicana)… Não é bom”, diz, ao lado de um vizinho e amigo, também haitiano. O rapaz afirma ser capaz de limpar três casas dominicanas em uma única manhã.

Como centenas de haitianos em Dajabón e milhares em toda a República Dominicana, a dupla reflete os laços econômicos que unem os dois povos, especialmente ao longo da fronteira.

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Imigrantes na República Dominicana, em 2017 havia meio milhão de haitianos no país, representando 87% da população estrangeira. Mas, cinco anos depois e com o acirramento dos problemas no Haiti, especialistas dizem que esse contingente de imigrantes pode ser 25% maior.

Esses haitianos são fundamentais para a economia dominicana, a segunda que mais cresceu na América Latina e no Caribe na última década. Estima-se que 80% da força de trabalho nos setores agrícola e de construção civil na República Dominicana seja haitiana.

Em 2021, o Haiti foi o terceiro maior destino das exportações dominicanas depois da Suíça e dos Estados Unidos, segundo dados da Direção Geral de Alfândegas.

Mas a balança comercial é extremamente favorável à República Dominicana, algo de que se queixa o Haiti, que pede mais ajuda financeira para exportar rum, cerveja e tabaco, sobretudo, para o outro lado da fronteira.

Em 2021, a República Dominicana gastou US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões) em importações de produtos haitianos. Por outro lado, exportou US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em produtos nacionais ao país vizinho.

Necessidade mútua

Para além da economia, a relação entre haitianos e dominicanos acontece em um nível mais modesto na fronteira.

“O dominicano precisa do haitiano, o haitiano precisa do dominicano”, resume Novilia em sua humilde casa.

Apesar dessa realidade ser aceita por quase todos na ilha, muitos haitianos enfrentam problemas para regularizar sua situação imigratória e, às vezes, convivem com hostilidade de seus vizinhos do leste.

Em um pasto com dezenas de gados, Ernesto Alfonso Martínez Peña destaca a necessidade mútua de ambos os lados da linha.

“O presidente (Abinader) deve canalizar legalmente quem vem trabalhar na fazenda. Se os haitianos não vierem, a produção de leite, a agricultura e a construção vão cair”, diz Martínez, que é a favor do muro porque sofreu com roubos de gado – crime que ele atribui aos haitianos.

Um mercado sem muro

Ernesto Peña, o fazendeiro, não é o único que defende a construção do muro.

Santos tem 58 anos, é dominicano e dirige uma das milhares de barracas do Mercado Binacional de Dajabón, que abre todas as segundas e quintas-feiras para reunir comerciantes dos dois lados da fronteira.

Às 8h da manhã, a ponte sobre o rio Masacre se enche de haitianos que, carregando fardos de mercadorias nos ombros, cruzam o local e correm diante do olhar vigilante e às vezes ameaçador de soldados dominicanos armados e vestidos com terno de campanha marrom-claro.

“Há muito tempo somos invadidos. Há mais haitianos aqui do que no Haiti“, exagera Santos, que vende molhos e conservas no mercado.

“Quem tem trabalho aqui são os haitianos. É ruim para nós. O que podemos ganhar está sendo ganho por eles”, reclama.

No entanto, ele também admite que “viver junto é bom”.

“É isso que você vive na fronteira: negócios com haitianos”, ele nos conta.

Ela divide sua barraca no mercado – onde a música alta esconde o burburinho das compras e vendas na fronteira – com um amigo haitiano, que troca dinheiro.

Santos é uma das muitas pessoas na fronteira que se beneficiam do comércio com os haitianos, mas ao mesmo tempo se distanciam deles.

A acadêmica britânica Bridget Wooding, pesquisadora da imigração haitiana na República Dominicana, resume essa forma do dominicano de se relacionar com o vizinho, que oscila entre a convivência e o repúdio. “Os haitianos são necessários, mas indesejados”, diz.

Outras paredes

Wooding vê o muro como um elemento “extremo” na dura história dominicana em relação aos haitianos, em sua maioria negros. Essa história remonta aos tempos do ditador Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961) e seu projeto do branqueamento da sociedade dominicana.

Mais recentemente, continuou com a polêmica decisão de 2013 que “desnacionalizou” mais de 130 mil dominicanos de ascendência haitiana.

O Tribunal Constitucional dominicano entendeu que pessoas nascidas no país desde 1929 e cujos pais estrangeiros não tivessem personalidade jurídica não correspondiam à nacionalidade dominicana.

Em maio de 2014, o Congresso dominicano aprovou uma lei de naturalização em resposta a essa decisão que causou críticas internacionais. No final de 2013, também foi decretado um plano de regularização para estrangeiros.

Mas nada disso gerou processos eficazes ou simples para milhares de haitianos e descendentes nascidos na República Dominicana.

“Eles tiveram que se registrar como estrangeiros no país onde nasceram e, depois de dois anos, naturalizar-se como dominicanos”, explica Wooding, que conhece os trâmites burocráticos.

Uma dessas pessoas é Zuleica Jiménez.

Ela mora com o marido Rafael e seus filhos na comunidade rural de Pinzón, perto de Comendador, na província dominicana de Elías Piña, centro do país.

Seus pais haitianos foram documentados na República Dominicana, onde ela nasceu. Zuleica, no entanto, nunca foi registrada e agora não possui os documentos que comprovem sua nacionalidade.

“Nasci e cresci em Elías Piña, mas não tenho documentos e me sinto mal porque tenho meus filhos sem declarar”, diz Zuleica, ao lado do marido, em sua precária casa à beira de uma estrada de terra, a poucos metros da fronteira – área em que Haiti e República Dominicana se misturam até se fundirem.

Após a lei de 2014, Zuleica tentou regularizar sua situação. “Gastei muito dinheiro com isso em vão… Depois de levar os papéis para Santo Domingo (capital dominicana), nada aconteceu.”

Ela é a favor do muro, mas preferiria que o governo de seu país, que não a reconhece e a mantém apátrida, gastasse o dinheiro de forma diferente.

“Estou mais interessado em gastá-lo no processo. O muro é importante, mas estou interessado no processo.”

Por que agora?

Em 2019, o então presidente Danilo Medina já havia construído alguns quilômetros de um muro na província de Elías Piña, que agora será superado pela moderna cerca tecnológica.

Mas Abinader, eleito em julho de 2020, foi mais longe ao apostar no muro como nenhum político local havia feito.

A Presidência e os ministérios da Defesa e de Relações Exteriores não responderam aos inúmeros pedidos de entrevistas da BBC News Mundo para falar sobre o muro e os processos de regularização como o de Zuleica Jiménez, bem como sobre as recentes deportações de mulheres grávidas haitianas.

Bridget Wooding, diretora do Centro de Pesquisa Aplicada em Dinâmica Migratorias (Obmica), afirma que o “muro perimetral faz parte de um projeto que tenta mostrar o haitiano como um invasor”.

“Há muito preconceito contra um grupo étnico e seus descendentes, os haitianos, devido às complexidades da história sociocultural”, diz.

O sociólogo dominicano Juan Carlos Pérez, professor da Universidade Autônoma de Santo Domingo e graduado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, argumenta que há um sentimento anti-hiatiano entre parte da elite dominicana.

“Os políticos tentam ganhar o apoio do voto usando um discurso que divide para que os daqui se sintam protegidos dos de lá. É uma forma de desviar a atenção dos problemas reais de um país, usando uma população migrante como causador do mal”, afirma.

E ele alerta para as consequências do novo.

“Nenhuma política de boa vizinhança pode ser promovida a partir da política do muro. Isso tem um efeito simbólico de agressão, violência e maus-tratos à população que vive do outro lado.”

O muro econômico

Essa opinião é compartilhada por Lesly Theogene, diretor do Ministério do Comércio e Indústria do Haiti, que prefere falar como cidadão e não como membro do governo interino.

“Achamos que Abinader poderia construir um muro econômico, não um muro eletrificado que vai causar mortes”, diz ele, sobre a ponte que liga os dois países em Dajabón, a cidade fronteiriça onde começa o muro e que reflete as tensões, mas sobretudo os laços de benefício mútuo entre os dois povos.

Santiago Riverón, prefeito da cidade fronteiriça dominicana, concorda com ele.

“Um muro não vai separar esses dois países. Bem ou mal, estamos condenados a viver juntos, eles no país deles e nós no nosso.”

Riverón, de chapéu e voz grossa, faz parte do partido do presidente Abinader.

No entanto, ele não concorda que a cerca vai parar a imigração ilegal e diz que o que é necessário é “um muro econômico”, ou seja, um projeto de desenvolvimento empresarial que beneficie os dois países e que torne desnecessária a migração.

Ele cita como exemplo a zona franca, que no meio da fronteira de Dajabón emprega 18 mil trabalhadores haitianos e da qual dependem cerca de 40 mil pessoas na área.

“Essas pessoas que estão trabalhando lá nunca vão deixar sua terra natal.”

Jocelin é um dos haitianos que deixaram o país — ele tinha 12 anos. Como ele, muitas crianças haitianas continuam a atravessar sozinhas a ponte de Dajabón para a República Dominicana todos os dias para trabalhar em qualquer emprego.

“Passei fome no Haiti“, recorda Jocelin, prestes a completar 18 anos, em um centro de acolhimento em Ouanaminthe, no lado haitiano da fronteira, onde se vê claramente o contraste com o lado dominicano: há poucas ruas pavimentadas, muito mais lixo nas ruas e falta de saneamento básico.

Jocelin engraxava sapatos no país vizinho. Ele acabou em um orfanato em Dajabón, onde hoje muitas crianças haitianas são vistas vagando sozinhas ou em grupos, sem nenhum adulto. Elas se oferecem principalmente para engraxar sapatos, mas muitos são vítimas de trabalho e exploração sexual.

De volta ao Haiti, no centro de acolhimento Lakay Jezy (A Casa de Jesus), Jocelin encontrou três refeições por dia, um luxo para muitas crianças haitianas, e a obrigação de sair das ruas e voltar à escola.

Agora ele se tornou costureiro e quer ganhar a vida como alfaiate. Seus colegas adolescentes pedem para ele ajeitar seus jeans para que fiquem mais apertados e elegantes.

“Na República Dominicana há pessoas que nos tratam bem e outras que nos tratam mal”, diz, de maneira tímida.

“Quero trabalhar, ter independência pessoal, quero ficar no Haiti, amo o Haiti“, diz quando questionado sobre o futuro.

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As crescentes mortes e lesões em tentativas de pular ‘muro de Trump’ para entrar nos EUA

Casos de fraturas e ferimentos graves, alguns fatais, aumentaram cinco vezes nos últimos três anos na Califórnia, onde uma cerca de metal de 9 metros foi erguida durante o governo de Donald Trump.

Por BBC

]Quando Héctor Almeida Gil estava no alto da cerca da fronteira entre os Estados Unidos e o México, de repente ele avistou diversas pessoas tentando subir, desesperadas.

O dentista cubano de 33 anos estava com um grupo de imigrantes tentando pular uma das barreiras de 9 metros de altura que separam o México e os EUA no Estado da Califórnia.

A cerca é a mais alta da fronteira erguida durante o governo de Donald Trump, que dizia que esse “belo muro” que ele mandou construir seria “intransponível”.

Mas muitos migrantes tentam pular a cerca quase todos os dias. Alguns conseguem. Outros ficam presos nela e um número preocupante de pessoas fica gravemente ferida ao tentar.

Almeida Gil escalou a cerca no final de abril com ajuda de uma escada usada comumente por traficantes de migrantes.

Quando a polícia mexicana se aproximou do local, várias pessoas subiram correndo as escadas e o cubano só conseguiu se segurar nas barras para evitar uma queda mais forte.

Ele teve um pouco de “sorte”, porque “só” quebrou uma perna. Mas ele viu uma mulher cair e quebrar os dois membros, e outro homem sofrer um grave ferimento na cabeça.

Almeida foi internado em um hospital da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), cidade que possui dois condados que fazem fronteira com o México, onde foram registrados 375 feridos e 16 mortes de 2019 a 2021, a maioria vítimas de quedas do muro.

Isso é cinco vezes mais do que o registrado entre 2016 e 2018, e coincide com a instalação da cerca de 9 metros, que é mais perigosa de escalar do que as que existiam antes, de 3 a 5 metros, segundo um estudo liderado por Amy Liepert, da UCSD.

“As lesões mais comuns são as fraturas nas extremidades, principalmente nas pernas. Em geral, são fraturas bastante graves, não uma simples quebra de uma parte do osso”, explica ela à BBC News Mundo.

O muro “impenetrável”

A partir da década de 1990, o governo dos EUA começou a construir vários tipos de barreiras em sua fronteira com o México.

Uma das mais comuns é uma cerca metálica de barras verticais instaladas em áreas urbanas e algumas áreas montanhosas ou desérticas, nos Estados da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas.

Mas há pontos sem qualquer barreira, algo que Donald Trump prometeu mudar com um muro mais alto do que qualquer outro: “É praticamente intransponível”, disse ele, na época que autorizou a construção.

Um dos modelos escolhidos foi uma cerca metálica de 9 metros com placas metálicas no topo, que foi instalada nos Estados da Califórnia e Arizona.

Embora não tenha se provado intransponível para os migrantes, que usam escadas de mais de 9 metros, a barreira mostrou-se perigosa.

“O que descobrimos quando comparamos um período de seis anos é que houve uma grande diferença de 2016, 2017, 2018 em relação a 2019, 2020, 2021. Nesses primeiros três anos, tivemos 67 pacientes com lesões traumáticas por causa do muro”, explica Liepert. “No segundo triênio, foram 375 pacientes.”

Nos últimos três anos, 16 pessoas perderam a vida na fronteira da Califórnia, de acordo com o estudo de Liepert. E no Arizona, em abril passado, um migrante morreu asfixiado depois de ficar pendurado de cabeça para baixo por horas.

Nos três anos anteriores, não houve mortes.

Lesões graves

Liepert explica que as lesões observadas nos últimos anos não são leves e correspondem a quedas graves.

“Os ossos que estamos vendo quebrados costumam estar em vários lugares, com muitas lesões nos tecidos moles, o que é mais condizente com uma queda de grande altura”, explica o médico.

“Mas também vimos fraturas no crânio e lesões cerebrais traumáticas, fraturas faciais, fraturas pélvicas”, continua ele.

Sua investigação é sobre a Califórnia, mas Liepert diz que ouviu falar de casos semelhantes em outros Estados da fronteira dos EUA. “Alguns dados estão começando a sair de outros centros de trauma. Nada disso foi publicado até agora”, aponta.

Do lado mexicano, não houve pesquisa como a publicada no final de abril por Liepert e seus colegas na revista científica JAMA Surgery.

Quando consultada, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA não deu uma resposta.

De acordo com o jornal The Washington Post, o CBP não tem um registro do número de pessoas feridas na tentativa de cruzar a cerca da fronteira.

Mas o número de apreensões de migrantes sem visto atingiu níveis recordes no final de 2020 e nos primeiros nove meses de 2021, o que geralmente serve de indicação de uma onda de migrantes tentando chegar aos EUA.

No ano fiscal de 2021, mais de 1,7 milhão de pessoas foram detidas após cruzar a fronteira, provenientes de 160 países. A maioria eram migrantes da Guatemala, Honduras, El Salvador e México.

Para hospitais como o da UCSD, o tratamento de migrantes em áreas de trauma também se tornou uma despesa crescente pela qual eles não são reembolsados.

“Eles não têm plano de saúde e muitos deles não têm nenhum tipo de autofinanciamento. E, portanto, eles não têm nenhum seguro. Então eu entendo que muitos cuidados não são compensados”, diz a médica.

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Coreia do Norte confirma 1ª morte por Covid-19 desde o início da pandemia

Ao menos mais seis mortes de pacientes que apresentaram febre são investigadas; mais de 187 mil pessoas estão em isolamento sob suspeita de infecção pelo coronavírus.

Por g1

Coreia do Norte confirmou sua primeira morte por Covid-19 desde o início da pandemia nesta sexta-feira (13 local, quinta-feira no Brasil), informaram as autoridades do país.

Ao menos mais seis mortes de pacientes que apresentaram febre são investigadas, mas não há confirmação oficial de que eles foram infectados com a doença.

Segundo as estatísticas oficiais, mais de 187 mil pessoas estão em isolamento sob suspeita de infecção pelo coronavírus.

O anúncio vem um dia após ter sido declarado o primeiro surto de Covid-19 no país desde o início da pandemia.

Surto após dois anos de negação

Coreia do Norte reconheceu na quinta-feira (12) seu primeiro surto de Covid-19 no país desde o início da pandemia e declarou uma “grave emergência nacional”.

O líder norte-coreano Kim Jong-un ordenou o confinamento em todo o país que, desde 2020, fechou ainda mais suas fronteiras para o exterior, o que derrubou sua economia e comércio.

Fábricas, estabelecimentos comerciais e residências devem permanecer fechados e reorganizados para “bloquear de maneira impecável a propagação do vírus maligno”, informou a agência estatal.

Durante toda a pandemia, a Coreia do Norte expressou orgulho por sua declarada capacidade de manter o vírus fora de suas fronteiras.

País pode não ter vacinado população

Analistas acreditam que a Coreia do Norte não vacinou nenhum de seus 25 milhões de habitantes depois de rejeitar as ofertas de doses da Organização Mundial da Saúde (OMS), da China e da Rússia.

Também consideram que o deficiente sistema de saúde do país isolado enfrentaria muitas dificuldades para enfrentar um grande surto de Covid-19.

Coreia do Norte fica próxima de países que enfrentaram ou ainda enfrentam surtos da variante ômicron, como Coreia do Sul e China, onde várias cidades estão em confinamento há várias semanas.

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Após Finlândia, Suécia indica que pedirá ingresso na Otan

Governo entrega ao Parlamento relatório favorável à adesão do país à aliança militar ocidental. País quer neutralizar conflitos no mar Báltico, onde Rússia tem aumentado presença militar desde o ano passado.

Por g1

Um dia depois de a Finlândia anunciar formalmente que irá pedir entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Suécia indicou nesta sexta-feira (13) que fará o mesmo.

A ministra de Relações Exteriores do país, Ann Linde afirmou que seu país está pronto para abandonar a neutralidade e que a entrada da Suécia na Otan vai estabilizar conflitos no mar Báltico.

“A adesão da Suécia à Otan aumentaria o limite para conflitos militares e, portanto, teria um efeito de prevenção de conflitos no norte da Europa”, disse Linde.

Desde o ano passado, Moscou tem aumentado a presença militar e exercícios de suas tropas no mar Báltico, para onde boa parte do território sueco e a costa oeste da Finlândia e da Rússia têm saída.

A expectativa do governo sueco é entregar a candidatura à Otan já na semana que vem.

O ministro da Defesa do país, Peter Hultqvist, disse nesta sexta-feira (13) saber dos riscos para seu país com a adesão à aliança militar, mas afirmou que suas tropas “estão preparadas” para qualquer retaliação de Moscou.

Há duas semanas, o Kremlin prometeu respostas “sem precedentes” caso Finlândia e Suécia se tornem membros da Otan, considerada pelo governo de Vladimir Putin um de seus principais inimigos atualmente.

“Caso a Suécia opte por entrar na Otan, há um risco de reação da Rússia. Mas tenho que frisar que estamos preparados para lidar com qualquer reposta deles”, declarou.

Finlândia

Na quinta-feira (12), a Finlândia formalizou sua intenção de solicitar a entrada na Otan, o que deve acontecer até meados de maio. Os governos dos Estaqdos Unidos, Alemanha e França, que já fazem parte da aliança militar, declararam que vão acelerar os trâmites para que o ingresso do país.

A Finlândia tem uma ampla fronteira, de 1,3 quilômetros, com a Rússia, que já anunciou fortes retaliações caso os dois países escandinavos passem a integrar a Otan.

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