Seu Vídeo Aqui!!!

————————————————————————————-

————————————————————————————

Mauna Loa, maior vulcão ativo do mundo, entra em erupção no Havaí

Os moradores foram colocados em alerta e avisados inicialmente sobre o risco de queda de cinzas.

Por BBC

O maior vulcão ativo do mundo, o Mauna Loa, no Havaí, entrou em erupção pela primeira vez em quase 40 anos.

O fluxo de lava está contido principalmente no cume, mas os moradores foram colocados em alerta e avisados sobre o risco de queda de cinzas.

O Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) disse que a situação pode mudar rapidamente.

O nível de alerta do vulcão também foi atualizado de “advertência” para “alerta” — a classificação mais alta.

Nenhuma ordem para deixar o local foi emitida — e é improvável que áreas povoadas sejam afetadas nesta fase, de acordo com as autoridades de emergência.

O Mauna Loa, localizado dentro do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí, cobre metade da ilha. O vulcão se eleva a 4.169 m acima do nível do mar e abrange uma área de mais de 5.179 quilômetros quadrados.

Ele entrou em erupção às 23h30 de domingo (27) no horário local (6h30 de segunda-feira, no horário de Brasília) em Moku’āweoweo, a caldeira do cume do vulcão. As caldeiras são cavidades que se formam abaixo do cume no final de uma erupção.

Isso aconteceu após uma série de alertas de que uma erupção era possível em decorrência da onda de terremotos recentes na região, incluindo mais de uma dúzia de tremores reportados no domingo.

Um aviso de queda de cinzas — que pode contaminar o abastecimento de água, matar a vegetação e irritar os pulmões — estava em vigor na área ao redor do vulcão durante a noite, mas já foi suspenso.

“Com base em eventos anteriores, os estágios iniciais de uma erupção do Mauna Loa podem ser muito dinâmicos, e a localização e o avanço dos fluxos de lava podem mudar rapidamente”, diz o USGS.

Se a erupção migrar para além das paredes da caldeira do cume, os fluxos de lava podem “descer rapidamente”, acrescentou o órgão.

De acordo com o USGS, o Mauna Loa entrou em erupção 33 vezes desde 1843. A última erupção, em 1984, enviou fluxos de lava a 8 km de Hilo, a cidade mais populosa da ilha.

Mas a população do Havaí mais do que dobrou desde 1980, chegando a cerca de 200 mil habitantes, e o departamento de defesa civil alertou que os moradores podem enfrentar um “desastre de lava”.

“Esses fluxos de lava raramente representam um risco à vida, mas podem ser extremamente destrutivos para a infraestrutura”, explica Jessica Johnson, geofísica britânica de vulcões que trabalhou no Observatório de Vulcões do Havaí.

Ela alertou que os fluxos de lava representam um risco para Hilo e Kona, outro grande centro populacional, acrescentando que os gases vulcânicos podem causar problemas respiratórios nos moradores.

O Mauna Loa é o maior vulcão ativo do mundo. Existem outros vulcões maiores, mas estes são classificados como adormecidos, o que significa que não entram em erupção há muito tempo, ou extintos, o que quer dizer que é quase certo que não entrarão em erupção no futuro.

O Mauna Loa compartilha a ilha com o Mauna Kea, que é a montanha mais alta do mundo quando medida a partir de sua base submarina, a quase 6 mil metros abaixo da superfície do oceano.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63791672

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Os segredos revelados em carta de 500 anos do imperador mais poderoso da Europa

Uma equipe francesa decodificou uma carta de Carlos 5º, revelando rumores de uma tentativa de assassinato.

Por Hugh Schofield, BBC

Cientistas franceses finalmente decifraram o código de carta escrita há 500 anos por Carlos 5º — Foto: BIBLIOTHÈQUE STANISLAS DE NANCY

Cientistas franceses finalmente decifraram o código de carta escrita há 500 anos por Carlos 5º — Foto: BIBLIOTHÈQUE STANISLAS DE NANCY

Uma carta codificada assinada em 1547 pelo governante mais poderoso da Europa foi decifrada por cientistas franceses, revelando que ele temia os rumores de que um mercenário italiano tentaria assassiná-lo.

Enviada pelo imperador romano Carlos 5º a seu embaixador na corte real francesa — um homem chamado Jean de Saint-Mauris —, a carta oferece uma perspectiva sobre as preocupações dos governantes da Europa em meio a uma perigosa instabilidade causada por guerras religiosas e interesses estratégicos rivais.

Para os historiadores, é também um raro vislumbre da obscura arte da diplomacia em ação: o sigilo, a falsidade e a desinformação eram evidentemente tão presentes quanto são hoje.

A criptógrafa Cecile Pierrot ouviu pela primeira vez um boato sobre a existência da carta em um jantar em Nancy, há três anos. Após uma longa pesquisa, ela a localizou no porão da biblioteca histórica da cidade.

Impondo a si mesma o desafio de decodificar o documento em poucos dias, ela ficou desconcertada ao descobrir que a tarefa era mais difícil do que pensava.

A carta de três páginas — composta por cerca de 70 linhas — foi escrita usando principalmente cerca de 120 símbolos criptografados, mas também há três seções em francês contemporâneo simples.

“A primeira coisa foi categorizar os símbolos e procurar padrões. Mas não era só o caso de um símbolo representando uma letra — era muito mais complexo”, diz Pierrot.

“Colocar simplesmente no computador e dizer ao computador para resolver, levaria literalmente mais tempo do que a história do universo!”

Aos poucos, ela e sua equipe começaram a avançar. Havia, ela descobriu, dois tipos de símbolos: simples e complexos.

As vogais em sua maioria não eram escritas como letras, mas adicionadas como sinais diacríticos, como em árabe. A vogal “e”, ​​embora não tivesse sinal diacrítico, estava praticamente ausente.

Eles também descobriram que, embora a maioria dos símbolos representasse letras ou combinações de letras, outros representavam palavras inteiras — como uma agulha para o rei inglês Henrique 8º. E havia símbolos que aparentemente não tinham nenhuma função.

Finalmente, a grande revelação se deu quando a historiadora Camille Desenclos indicou à equipe outras cartas codificadas escritas pelo imperador e enviadas para ele. Em uma delas, guardada em Besançon, o destinatário havia feito uma tradução informal.

“Esta foi a nossa Pedra de Roseta”, diz Pierrot, se referindo às inscrições que ajudaram a decodificar os hieróglifos egípcios.

“Era a chave. No final, teríamos chegado lá sem ela, mas economizou muito tempo.”

O código era muito mais complexo do que se pensava inicialmente — Foto: BIBLIOTHÈQUE STANISLAS DE NANCY

O código era muito mais complexo do que se pensava inicialmente — Foto: BIBLIOTHÈQUE STANISLAS DE NANCY

A escassez da letra “e” é um sinal de que os criadores dos códigos sabiam muito bem o que estavam fazendo.

Como “e” é a letra mais comum (tanto no francês antigo, quanto no moderno), é a que os decifradores procurariam primeiro. E os símbolos falsos foram simplesmente colocados para semear mais confusão.

“Claro que, para os padrões de hoje, é bastante básico”, diz Pierrot, que passa normalmente seu tempo pensando em física quântica e números primos gigantes.

“Mas, dadas as ferramentas que eles tinham, eles certamente nos deram trabalho.”

Mas, afinal, o que está escrito na carta?

A equipe ainda não divulgou a tradução completa, que está guardando para um artigo acadêmico. Mas nesta semana eles anunciaram seu tema.

Fevereiro de 1547 foi uma época rara de relativa paz entre as potências rivais da França e do Sacro Império Romano.

O imperador Carlos 5º — governante de vastas áreas, incluindo Espanha, Holanda, Áustria-Hungria e sul da Itália — não estava mais em guerra com o rei Francisco 1º. Mas a desconfiança ainda prevalecia.

Dois eventos recentes estavam na mente de ambos os governantes. O primeiro era a morte de Henrique 8º apenas algumas semanas antes. E o segundo era a rebelião na Alemanha por uma aliança protestante chamada Liga Schmalkaldic.

Na carta, Carlos 5º revela sua preocupação em manter a paz com a França para poder concentrar suas forças contra a Liga.

Ele diz ao embaixador para se manter a par dos pensamentos da corte francesa, em particular de qualquer reação à morte do rei Henrique 8º.

O que ele quer evitar, acima de tudo, é que franceses e ingleses se unam para prestar mais assistência aos rebeldes protestantes.

Carlos 5º fala então sobre um rumor que está circulando — que ele, o imperador, será alvo de uma tentativa de assassinato do condottiere (líder mercenário) italiano Pierre Strozzi.

Saint-Mauris deve descobrir o máximo que puder sobre essa história. Será apenas um boato ou uma ameaça genuína?

E, finalmente, na parte mais longa da carta, Carlos 5º explica ao embaixador a atual situação de sua campanha contra a Liga.

Houve um novo surto de rebelião em Praga, e o sobrinho do imperador, Fernando do Tirol, foi forçado a fugir.

Mas Carlos 5º dá instruções sobre como Saint-Mauris deve “distorcer” a notícia na corte francesa.

A rebelião de Praga é um assunto sem relevância, ele foi orientado a dizer, e Fernando deixou a cidade porque quis se juntar ao pai — o irmão do imperador — na campanha.

Para a historiadora Camille Desenclos, é significativo o fato de algumas partes da carta estarem criptografadas, e outras não.

“Todos eles sabiam que havia 50% de chance de a carta ser interceptada. Nesse caso, havia mensagens que valiam a pena ser passadas para os franceses”, diz ela, como o fato de o imperador estar cooperando em medidas para reforçar a confiança no norte da Itália.

“Estas (mensagens) foram deixadas em linguagem simples. Mas havia outros assuntos que tinham que permanecer em segredo — como a verdadeira situação em relação à rebelião protestante, e foram colocados em código.”

O que aconteceu a seguir? Apenas algumas semanas depois, o rei francês Francisco 1º morreu, sendo substituído por seu filho Henrique 2º.

Carlos 5º derrotou a Liga no ano seguinte, mas o protestantismo tinha chegado na Alemanha para ficar. Em 1552, Henrique 2º formou uma nova aliança contra o imperador com os príncipes protestantes.

E não houve tentativa de assassinato. Carlos 5º morreu em um mosteiro espanhol em 1558.

Este texto foi publicado em www.bbc.com/portuguese/geral-63779065

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Um retrato de Kherson após o fim da ocupação russa

Cidade no sul da Ucrânia ficou nove meses sob domínio russo. Correspondente da DW descreve como está a vida no local onde nasceu, com moradores divididos entre a alegria da libertação e o medo de uma nova fase da guerra.

Por Ihor Burdyga, Deutsche Welle

Passei um ano sem ir a Kherson. Voltar para casa depois de tanto tempo teria sido emocionante, mesmo em tempos de paz. Mas minha cidade natal é um lar no meio da guerra. Em meados de novembro, o Exército ucraniano voltou a Kherson, e as forças russas recuaram para a outra margem do rio Dnipro.

Desde então, moradores da cidade têm abraçado os soldados ucranianos todos os dias, pedindo autógrafos, esperando em filas por água e ajuda humanitária. Aprendendo a se esconder sob fogo de artilharia e contando como foram os nove meses de ocupação.

Caminho cheio de postos de controle

Kherson continua sendo uma cidade fechada, o acesso é restrito. Os militares e a polícia falam de “medidas de estabilização”. Jornalistas e trabalhadores humanitários só podem entrar e sair sob escolta militar.

A rodovia para a vizinha capital regional, Mykolayiv, está ficando cada vez mais movimentada. Veem-se colunas de caminhões com alimentos, combustível, geradores de emergência e ajuda humanitária. Em alguns lugares, a estrada foi danificada por bombardeios. Os desvios levam por estradas de terra mal transitáveis por causa das chuvas típicas de novembro. “Queridos, para onde vocês vão, há muita lama”, diz uma mulher idosa na vila de Kisseliwka, apontando para uma van dos correios atolada.

Os restos da famosa ponte Antonivsky, a maior de Kherson, ainda pendem sobre o rio Dnipro. As tropas russas entraram na cidade por essa ponte no final de fevereiro e a explodiram quando saíram. Um grafite mais antigo invoca a “vitória” russa, uma inscrição mais recente insulta os ocupantes.

Se você ficar aqui desprotegido em campo aberto apenas por um curto período de tempo, é baleado diretamente a partir do outro lado do rio. Os soldados russos montaram suas posições lá, perto da pequena cidade de Oleshki. Soldados ucranianos de um posto de controle próximo nos escondem sob uma ponte e nos aconselham a seguir em frente rapidamente.

Com colete à prova de balas pela cidade

Cercados por postos de controle, os habitantes de Kherson estão divididos: entre a alegria da libertação e o medo de uma nova fase da guerra. Afinal, a cidade está agora próxima à linha de frente.

Nem todos os residentes, dizem os soldados, já entenderam o que isso significa. Não há um sistema de alerta operacional contra ataques aéreos, nem abrigos seguros.

O Exército russo vem bombardeando Kherson. Explosões podem ser ouvidas com cada vez com mais frequência. Infraestrutura civil, edifícios do Exército e residenciais são alvo. O número de civis mortos ou feridos aumenta com o passar dos dias.

Enquanto isso, na rua Perekopska, dois homens derrubam um grande cartaz elogiando a anexação russa. Eles dizem que os russos colocaram tais cartazes por toda a cidade. “Pelo menos mais uma semana de trabalho para nós”, diz um deles.

Yuri Savchuk dobra cuidadosamente partes do cartaz. Ele é diretor de um museu dedicado à participação da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial. Savchuk retornou a Kherson nos primeiros dias após a libertação para documentar a guerra atual. “Já fiz 50 entrevistas sobre o assunto”, diz o historiador orgulhosamente.

E a vontade de falar é realmente grande. Quase todos, de boa vontade, contam sua história de resistência. Serhij Anatolijovitsh, um médico aposentado, oferece-se para me mostrar uma “câmara de tortura” russa onde os ocupantes aprisionaram dissidentes.

Ela fica numa numa antiga cadeia. Na entrada, há policiais. Lá dentro, investigadores documentam vestígios de tortura. Após a libertação, alguém escreveu na porta: “Glória à Ucrânia e a suas forças armadas”.

“De manhã você podia ouvir o hino russo, os detentos foram obrigados a cantá-lo. À noite, havia gritos terríveis”, lembra a vendedora de uma loja vizinha.

Advertências de minas na cidade

Antes de sua retirada, os militares russos colocaram minas muitas casas. Agora as equipes de remoção de minas estão trabalhando em vários prédios públicos, inclusive na biblioteca da cidade, onde estava instalado o serviço secreto russo. Uma delegacia de polícia foi explodida por precaução.

Outros objetos de infraestrutura crítica foram explodidos pelo próprio Exército russo antes da sua retirada. Em Kherson, não há água corrente, não há eletricidade.As pessoas fazem fila com baldes e garrafas nos poços privados ainda intactos. Sinal de celular e o acesso a internet estão voltando gradualmente. Nos primeiros dias, foram fornecidos terminais Starlink em alguns pontos de acesso público. “Apenas 64 pessoas podem se conectar ao mesmo tempo”, avisa uma placa num parque.

Os russos também explodiram a torre de radiodifusão em Kherson. Ela havia sido ocupada logo por eles para interromper as transmissões da televisão ucraniana. Agora, Vladimir, um homem idoso com uma jaqueta de camuflagem, vigia o que resta da torre. Vladimir sofre de hérnia de disco, mas não quer ir para o hospital de jeito nenhum. “Se não for eu, quem vai cuidar de tudo isso? Há aqui equipamentos valiosos, metais. Eu não quero que ninguém roube.”

Vladimir diz que antes da invasão russa ele havia se registrado em um subúrbio de Kherson para a defesa territorial. Depois, diz, ele informou o lado ucraniano sobre a movimentação das tropas russas para um aeroporto estrategicamente importante nas proximidades.

“Eu me agachei em um cemitério e fingi estar de luto por minha esposa”, diz ele. “Memorizei tudo e o transmiti aos nossos oficiais de reconhecimento ucranianos. Eu disse que havia dois ventiladores e cinco latas de carne em uma loja. Esse era nosso código secreto para helicópteros e transportadores de tropas.”

Filas para tudo

Em Kherson, a maior parte dos serviços públicos ainda não foi restaurada. Os residentes passam seu tempo em filas de espera para obter água, acesso à internet ou cartões de telefone ucranianos. No primeiro dia após a libertação, houve celebrações na praça principal.

Ainda há concertos diários, mas a maioria das pessoas agora prefere fazer fila para obter gratuitamente produtos de higiene, alimentos, roupas quentes e remédios. Restam alguns produtos russos nas lojas, especialmente bebidas e cigarros, mas cada vez menos. Desde outubro, dizem os fornecedores, não há mais reabastecimento.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Alta dos preços e falta de apoio internacional agravarão fome no Afeganistão durante inverno, diz Cruz Vermelha

Desde a saída dos norte-americanos do país, em 2021, e a retomada do Talibã, Afeganistão sofre com sanções internacionais que afetam diretamente a população.

Por Riazat Butt, Associated Press

Mais afegãos lutarão pela sobrevivência à medida que as condições de vida se deteriorarem no próximo ano, disse um alto funcionário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em entrevista, enquanto o país se prepara para seu segundo inverno sob o domínio do Talibã.

A tomada do poder pelo grupo em agosto de 2021 colocou a economia em parafuso e transformou fundamentalmente o Afeganistão, levando milhões à pobreza e à fome, já que a ajuda estrangeira parou quase da noite para o dia.

“A dificuldade econômica existe. É muito sério e as pessoas vão lutar por suas vidas”, disse Martin Schuepp, diretor de operações da Cruz Vermelha, em entrevista.

Sanções aos governantes do Talibã, suspensão de transferências bancárias e bilhões congelados nas reservas monetárias do Afeganistão já restringiram o acesso a instituições globais e ao dinheiro externo que sustentava a economia dependente de ajuda do país antes da retirada das forças dos EUA e da Otan.

O início do inverno aumentará as necessidades humanitárias agudas que metade do país já enfrenta, apontou Schuepp.

“Os preços estão disparando devido a uma série de razões, mas também a questão das sanções levou a enormes consequências”, disse ele. “Vemos cada vez mais afegãos tendo que vender seus pertences para sobreviver, onde precisam comprar materiais para aquecimento e, ao mesmo tempo, enfrentar custos crescentes com alimentos e outros itens essenciais.”

Schuepp explicou que as sanções são um desafio para levar ajuda e os suprimentos necessários ao país em tempo hábil, e é fundamental que todas as sanções tenham isenções humanitárias para que organizações como o CICV possam continuar seu trabalho.

A Cruz Vermelha já está pagando os salários de 10.500 médicos todos os meses para garantir que os serviços básicos de saúde continuem funcionando. “Estamos muito conscientes de que não é nosso papel principal pagar os salários da equipe médica. Como organização humanitária, não estamos em melhor posição para fazer isso. Fizemos isso excepcionalmente para garantir que os serviços continuem a ser prestados”, afirmou o diretor da instituição.

Schuepp, que, quando entrevistado, fazia sua primeira visita ao Afeganistão como diretor de operações desde a tomada do Talibã, disse que a agência estava alimentando a maior parte da população carcerária do país. Ele não conseguiu dizer imediatamente quantos prisioneiros havia no território afegão.

“Intensificamos o nosso apoio às prisões e aos reclusos, garantindo que a alimentação será fornecida nas prisões de todo o país”, disse. “Hoje, cerca de 80% da população carcerária se beneficia desse apoio alimentar.”

O diretor descreveu o papel da Cruz Vermelha como uma “medida temporária” que se tornou necessária após o colapso do governo afegão apoiado pelos EUA, uma vez que Washington iniciou sua retirada final de tropas do território afegão em agosto de 2021.

De acordo com Schuepp, a Cruz Vermelha tenta “garantir que os serviços básicos continuem” nas prisões sob domínio do Talibã.

Nenhum país do mundo reconheceu o Emirado Islâmico do Afeganistão, como os talibãs chamam sua administração, deixando-os isolados internacionalmente. O grupo religioso governou o Afeganistão na década de 1990 e foi derrubado por uma invasão dos EUA em 2001.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

EUA avaliam fornecer à Ucrânia nova bomba de longo alcance capaz de atingir retaguarda russa

Sistema fabricado pela Boeing poderia ser usado para atingir alvos a 150 km de distância. Kiev vem ampliando pedidos de armas, mas estoques de aliados ocidentais estão diminuindo.

Por Deutsche Welle

Militares dos Estados Unidos estão avaliando fornecer à Ucrânia pequenas bombas baratas de precisão instaladas em foguetes que poderiam permitir às forças ucranianas executar ataques atrás das linhas russas, revelou a agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (28/11).

O sistema em questão, fabricado pela Boeing, é chamado Ground-Launched Small Diameter Bomb (GLSDB, ou bomba de pequeno diâmetro lançada do solo) e permitiria que Kiev atingisse alvos distantes até 150 quilômetros, quase o dobro do alcance dos foguetes Himars que os EUA já vêm fornecendo para os ucranianos.

Segundo a agência Reuters, o GLSDB poderia ser entregue no início de 2023, e combina uma bomba de pequeno diâmetro GBU-39 (SDB) com o motor de foguete M26, ambos comuns nos estoques dos Estados Unidos.

Embora os Estados Unidos tenham rejeitado os pedidos de Kiev para fornecer o míssil ATACMS de alcance de 297 km, o alcance de 150 km do GLSDB já seria suficiente para permitir à Ucrânia atingir alvos militares que permanecem fora de alcance no momento.

A proposta vem sendo avaliada em um momento em que os aliados ocidentais da Ucrânia enfrentam dificuldades logísticas para atender à demanda de Kiev por mais armas. No momento, os estoques de armas dos EUA e dos aliados europeus estão em baixa. Os EUA, por exemplo, já enviaram 25% do seu arsenal de mísseis antiaéreos Stingers para a Ucrânia.

Doug Bush, chefe do setor de compras de armas do Exército dos EUA, disse a repórteres na semana passada que os EUA ainda buscam acelerar a produção de projéteis de artilharia de 155 milímetros – atualmente fabricados apenas em instalações do governo – permitindo que empresas de defesa também os construíssem.

A invasão da Ucrânia aumentou a demanda por armas e munições fabricadas nos Estados Unidos, enquanto os aliados dos EUA na Europa Oriental estão “fazendo muitos pedidos” de diversos tipos armas à medida que fornecem material à Ucrânia, acrescentou Bush.

“Trata-se de obter quantidade a um custo barato”, disse Tom Karako, especialista em armas e segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Ele disse que a queda nos estoques dos EUA ajuda a explicar a pressa para obter mais armas agora e que os estoques estão “ficando baixos em relação aos níveis que gostamos de manter à mão e certamente aos níveis que precisaremos para deter um conflito com a China”.

Embora várias unidades do GLSDB já tenham sido produzidas, existem muitos obstáculos logísticos para a aquisição formal do sistema pela Ucrânia. A proposta da Boeing ainda exige uma análise aprofundada que garanta que o Pentágono esteja obtendo o melhor custo-benefício possível. Qualquer acordo também exigiria pelo menos seis fornecedores para acelerar o envio de suas peças e serviços para produzir a arma rapidamente.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

China registra quinta alta seguida nos casos diários de Covid-19

No fim de semana, manifestantes foram às ruas contra o lockdown e a política de ‘Covid zero’ adotada pelo governo chinês. Protestos também pediram saídas do presidente Xi Jinping e do Partido Comunista.

Por Reuters

China registrou a quinta alta consecutiva no número de casos diários de Covid-19. No domingo (27), foram 40.052 novas infecções de cidadãos locais, pouco acima dos 39.506 casos informados no sábado (26).

Não foram notificadas novas mortes por Covid-19 no país, que até o momento registra 5.233 vítimas fatais pela doença desde o início da pandemia.

No fim de semana, manifestantes foram às ruas de várias cidades cgubesas para pedir a saída do presidente Xi Jinping e o fim do modelo de lockdown e da política de “Covid zero” adotado no país.

Em Xangai, cidade mais populosa da China e principal centro econômico do país, foram registrados 144 novos casos de Covid-19 no domingo, 14 acima do notificado no sábado.

Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra as restrições impostas pelo governo. Os atos ocorrem depois de um incêndio matar 10 pessoas num bloco de apartamentos em Urumqi, capital da região autônoma de Xinjiang.

Houve acusações de que os bombeiros tiveram o trabalho dificultado por portas trancadas e outros controles, o que foi negado por autoridades.

Nesta segunda (28), um grupo de manifestantes gritou contra os testes de Covid-19 enquanto segurava papéis em branco, o que se tornou um símbolo de protesto na China nos últimos dias.

No sábado, autoridades informaram que restrições seriam flexibilizadas em algumas cidades chinesas. Com a decisão, serviços que tinham sido interrompidos, como táxis, trens e ônibus, serão retomados.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Gata de quase 27 anos ganha título de mais velha do mundo pelo Guinness

A gatinha britânica Flossie tem o equivalente a 120 anos de um ser humano. Espécie vive, em média, de 12 a 18 anos.

Por g1

Gata de quase 27 anos ganha título de felina mais velha do mundo — Foto: Guinness World Records

Gata de quase 27 anos ganha título de felina mais velha do mundo — Foto: Guinness World Records

Pouco antes de seu aniversário de 27 anos, uma gata britânica chamada Flossie foi oficialmente reconhecida, no último dia 24, como a mais velha de sua espécie pelo Guinness World Records, o Livro dos Recordes, em português.

Um gato vive, em média, de 12 a 18 anos.

Flossie nasceu em 1995 e tem, atualmente, 26 anos e 316 dias, o equivalente a 120 anos de um ser humano.

Segundo o Guinness, a gata está com boa saúde, embora tenha deficiência visual e auditiva.

Flossie, que tem coloração marrom e preta, conheceu diferentes lares ao longo de sua longa vida. Apesar disso, tem um temperamento gentil e adora carinho e comida, diz a sua atual dona Vicki Green.

Vicki, diz que, apesar da idade avançada, Flossie ainda é brincalhona e curiosa e não se incomoda com a surdez, além de se adaptar rapidamente a novos ambientes, mesmo com a falta de visão.

Ela cochila junto com a sua dona, gosta de ficar enrolada em seu cobertor amarelo e de desfrutar de uma bela e grande tigela de comida. “Ela nunca torce o nariz para a chance de uma boa refeição”, diz Vicki.

Flossie, contudo, ainda não ultrapassou o recorde do gato que ficou por mais tempo vivo. Este foi batido por Creme Puff, um gato que viveu 38 anos e 3 dias. Nascido no Texas, ele morava com o seu dono, Jake Perry no Texas, EUA.

Puff nasceu em 3 de agosto de 1967 e morreu no dia 6 de agosto de 2005.

Trajetória de Flossie

Depois de passar por diferentes lares, Flossie foi entregue em agosto de 2022 aos cuidados da Cats Protection, a principal instituição de caridade para gatos do Reino Unido.

“Ficamos boquiabertos quando vimos que os registros veterinários de Flossie mostravam que ela tinha 27 anos”, disse Naomi Rosling, coordenadora da filial da Cats Protection, após a descoberta.

Recentemente, o futuro de Flossie tomou um rumo incerto: em 2022 ela se viu sem teto, após mais de 26 anos em diferentes lares.

Como a maioria dos donos de gatos prefere adotar um gato mais jovem, Flossie parecia destinada a ficar com a Cats Protection, enfrentando a possibilidade de passar o resto de sua vida procurando um lar.

No entanto, ela conheceu a sua atual dona Vicki, uma assistente executiva, que, apesar de ter experiência em cuidar de gatos idosos, não tinha ideia de que receberia em sua casa uma recordista.

O encontro marca um feliz, e talvez inesperado, próximo capítulo da longa vida de Flossie.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Guerra na Ucrânia: como Alemanha deixou de depender de gás russo em poucos meses

Em apenas 200 dias, a Alemanha construiu o primeiro de seus seis terminais para processar GNL do Oriente Médio.

Por BBC

Quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fechou as torneiras de gás para a Europa, a Alemanha temeu um inverno atormentado por apagões mais do que qualquer outro país.

Mas as autoridades alemãs foram rápidas em garantir suprimentos alternativos, cientes de que a forte dependência do gás russo havia deixado o motor econômico da Europa consideravelmente exposto.

Hoje, poucos meses depois, as luzes brilham nos mercados de Natal e nota-se um tímido otimismo em meio ao ar temperado com Glühwein (vinho quente).

A estratégia que a Alemanha montou às pressas para sobreviver sem o gás russo parece estar funcionando, pelo menos por enquanto.

“A segurança energética para este inverno está garantida”, disse o chanceler social-democrata Olaf Scholz no Parlamento alemão na quarta-feira (23/11).

Buscando outros fornecedores

As jazidas de gás do país são preenchidas, em parte, por uma frenética — e cara — operação de compra nos mercados mundiais de hidrocarbonetos.

Da mesma forma, na costa varrida pelo vento do Mar do Norte da Alemanha, engenheiros acabam de construir, em tempo recorde, seu primeiro terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL).

O GNL é o gás natural resfriado na forma líquida para reduzir seu volume e facilitar seu transporte. E volta a se tornar gás ao chegar a seu destino.

Na Alemanha, esse tipo de projeto costuma levar anos, devido à excessiva burocracia. No entanto, as autoridades eliminaram entraves para que a obra fosse concluída em menos de 200 dias.

A parte mais importante do terminal, uma “unidade flutuante de armazenamento e regaseificação” (FSRU), ainda não foi garantida. O FSRU, que é essencialmente um navio especializado no qual o GNL é convertido de volta ao estado gasoso, será alugado por US$ 207.259 (R$ 1,1 milhão) por dia.

Dentro de algumas semanas, petroleiros de países como Estados Unidos, Noruega ou Emirados Árabes Unidos poderão começar a entregar suas cargas no porto de Wilhelmshaven.

A operadora do terminal, a Uniper, que agora é controlada quase inteiramente pelo governo alemão, se recusou a divulgar seus fornecedores, mas reforçou que os contratos já estão em vigor.

Berlim planeja construir outros 5 terminais de GNL. A maioria deve ser concluída no ano que vem.

Uma corrida contra o tempo

A poderosa indústria alemã prendeu a respiração enquanto o governo executava sua arriscada estratégia.

“Se não temos gás, temos que fechar o forno”, diz Ernst Buchow, dono de uma olaria a meia hora de Wilhelmshaven, à BBC.

Os tijolos que produz devem ser queimados em um forno gigante a temperaturas de até 1.200 graus Celsius. Num futuro próximo, o empresário espera poder mudar para o hidrogênio verde, mas neste momento ainda está totalmente dependente do gás.

“Não é apenas culpa dos políticos. A indústria queria os contratos de gás russos “, acrescenta.

Há apenas um ano, os acordos com Moscou forneciam à Alemanha 60% do gás consumido, grande parte por meio do gasoduto Nordstream.

Apesar da significativa oposição política e cidadã, o governo esperava colocar em operação o controverso Nordstream 2, que teria dobrado a quantidade de gás russo que chegava à Europa via Alemanha. No entanto, a invasão da Ucrânia enterrou esses desejos.

A agência federal de rede de energia diz que hoje a Alemanha administra sem combustível russo.

Mas, para evitar desabastecimento durante o inverno, seus especialistas dizem que os terminais de GNL devem entrar em operação no início do próximo ano e que o consumo de gás deve ser reduzido em 20%.

Chegar até aqui pode ser considerado uma grande conquista nacional, mas não veio de graça.

Outro lado

Alemanha, um peso pesado da economia mundial, muitas vezes consegue o que quer. Mas seu novo apetite por GNL está intensificando a demanda global.

E isso pode colocar países mais pobres como Bangladesh e Paquistão em uma posição vulnerável.

“Existem muitos países, especialmente economias emergentes, que estão fora do mercado e não podem mais se abastecer com o GNL de que precisam, porque têm menos poder aquisitivo do que a Alemanha“, diz o professor Andreas Goldthau, da Escola Willy Brandt de Relações Públicas na Universidade de Erfurt, na Alemanha.

Goldthau alerta que isso coloca essas nações em maior risco de sofrer apagões ou ter que recorrer a energias “mais sujas”, como o carvão, justamente para evitar esse cenário.

E os planos da Alemanha para completar sua transição para um modelo verde? Afinal, o GNL é um combustível fóssil.

Todos os envolvidos no projeto Wilhelmshaven insistem que o GNL é um combustível de “transição”.

A Uniper prometeu construir uma infraestrutura para lidar com hidrogênio verde junto com o terminal de GNL.

Isso alimentou os planos ambiciosos do conselho municipal de Wilhelmshaven. O prefeito, Carsten Feist, garantiu que o terminal de GNL não trará muitos empregos para a cidade. Mas isso vai acontecer com seus planos de criar um centro de energia verde.

“Grande parte da transformação energética de que precisamos para que nosso planeta tenha um clima habitável em 50 a 100 anos, muito do que é necessário na Alemanha, ocorrerá em e através de Wilhelmshaven”, diz ele.

Custo volumoso

Mas o custo mais impressionante da estratégia de Berlim para cortar sua dependência do gás russo é monetário.

Os seis terminais de GNL obrigaram o governo alemão a gastar cerca de US$ 6,3 bilhões. Isso é mais que o dobro do que os ministros haviam inicialmente orçado e pode aumentar ainda mais no próximo ano.

Alemanha aprendeu tarde demais o valor de um abastecimento seguro de energia e agora está pagando caro por isso.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Afeganistão: as famílias que vendem órgãos e as próprias filhas para ter o que comer

População diz que está sendo forçada a vender órgãos e filhas para sobreviver após a volta do Talibã ao poder.

Por BBC

Famílias afegãs estão dando medicamentos aos filhos que passam fome para sedá-los. Outros estão vendendo filhas e órgãos para sobreviver. No segundo inverno desde que o Talibã retomou o poder — o que levou ao congelamento de fundos de ajuda estrangeiros — milhões de pessoas estão a um passo da fome.

“Nossos filhos continuam chorando e não dormem. Não temos comida”, disse Abdul Wahab.

“Então vamos à farmácia, compramos comprimidos e damos aos nossos filhos para sedá-los.”

Ele mora nos arredores de Herat, a terceira maior cidade do país, em um assentamento de milhares de pequenas casas de barro que cresceu ao longo de décadas, cheio de pessoas deslocadas e atingidas por guerras e desastres naturais.

Abdul está entre um grupo de mais de dez homens que se reuniram ao nosso redor. Perguntamos: quantos estavam dando medicamentos a seus filhos para sedá-los?

“Muitos de nós, todos nós”, responderam.

Ghulam Hazrat apalpou o bolso de sua túnica e tirou uma cartela de comprimidos. Eram de alprazolam — tranquilizantes geralmente prescritos para tratar transtornos de ansiedade.

Ghulam tem seis filhos. O mais novo tem um ano de idade. “Eu também dou para ele”, diz.

Outros nos mostraram cartelas de escitalopram e comprimidos de sertralina dados para os filhos. Eles geralmente são prescritos para tratar depressão e ansiedade.

Os médicos dizem que, quando administrados a crianças pequenas sem alimentação adequada, medicamentos como esses podem causar danos ao fígado, além de uma série de outros problemas, como fadiga crônica, distúrbios do sono e de comportamento.

Em uma farmácia local, descobrimos que é possível comprar cinco comprimidos desses medicamentos usados pelas famílias pelo equivalente a 10 centavos de dólar — ou o preço de um pedaço de pão.

A maioria das famílias que conhecemos dividia alguns pedaços de pão entre eles todos os dias. Uma mulher nos disse que eles comiam pão seco pela manhã e à noite mergulhavam em água para ficar úmido.

A ONU disse que uma “catástrofe” humanitária está em curso no Afeganistão.

A maioria dos homens nessa área nas cercanias de Herat trabalha fazendo bicos de um dia. Eles levam uma vida difícil há anos.

Quando o Talibã assumiu o poder em agosto passado, sem obter reconhecimento da comunidade internacional, fundos estrangeiros destinados ao Afeganistão foram congelados, provocando um colapso econômico que deixou os homens sem trabalho na maioria dos dias.

Nos raros dias em que encontram trabalho, ganham cerca de 100 afeganes, ou pouco mais de US$ 1 (cerca de R$ 5,50).

Em todos os lugares que fomos, encontramos pessoas sendo forçadas a tomar medidas extremas para salvar suas famílias da fome.

Ammar (nome fictício), que está na casa dos 20 anos, disse que fez uma cirurgia para remover o rim há três meses e nos mostrou uma cicatriz com as marcas dos pontos atravessando seu abdômen até as costas.

“Não havia saída. Ouvi dizer que você poderia vender um rim em um hospital local. Fui lá e disse a eles que estava disposto. Algumas semanas depois, recebi um telefonema pedindo que eu fosse ao hospital”, disse ele.

“Fizeram alguns exames, depois injetaram em mim algo que me deixou inconsciente. Fiquei com medo, mas não tive opção.”

Ammar afirma ter recebido o equivalente a US$ 3.100 (cerca de R$ 17 mil) pelo rim. A maior parte do dinheiro foi usado para saldar a dívida contraída para comprar comida para sua família.

“Se comemos uma noite, não comemos na próxima. Depois de vender meu rim, sinto que sou metade de uma pessoa. Sinto-me sem esperança. Se a vida continuar assim, sinto que posso morrer”, disse ele.

A venda de órgãos em situação de necessidade não é algo inédito no Afeganistão. Costumava acontecer mesmo antes do Talibã retomar o poder.

Mas, mesmo após tomar uma decisão tão difícil, as pessoas seguem com dificuldades para encontrar os meios para sobreviver.

Em uma casa vazia e fria, conhecemos uma jovem mãe que disse ter vendido seu rim há sete meses. A família também teve que saldar dívidas — dinheiro usado para comprar um rebanho de ovelhas. Os animais morreram em uma enchente há alguns anos e eles perderam seus meios de subsistência.

A quantia que ela obteve pelo rim, equivalente a US$ 2.700 (R$ 14.600), não é suficiente para a família sobreviver.

“Agora estamos sendo forçados a vender nossa filha de dois anos. As pessoas de quem pegamos dinheiro emprestado ficam em cima todos os dias, dizendo: nos dê a sua filha se não puder nos pagar”, disse ela.

“Sinto-me tão envergonhado da nossa situação. Às vezes sinto que é melhor morrer do que viver assim”, disse o marido.

Ouvimos várias vezes a respeito de pessoas que vendem as filhas.

“Vendi minha filha de cinco anos por 100 mil afeganes [cerca de US$ 1.150]”, disse Nizamuddin, uma pessoa da comunidade. Isso é menos da metade do valor de um rim, de acordo com o que soube de pessoas que negociam. Ele morde o lábio e os olhos se enchem de lágrimas.

A dignidade com que as pessoas levavam suas vidas foi quebrada pela fome.

“Entendemos que é contra as leis islâmicas e que estamos colocando a vida de nossos filhos em perigo, mas não há outro jeito”, disse Abdul Ghafar, um dos líderes da comunidade.

Em uma casa, conhecemos Nazia, de quatro anos, uma garotinha alegre que fazia caretas enquanto brincava com seu irmão Shamshullah, de 18 meses.

“Não temos dinheiro para comprar comida, então anunciei na mesquita local que quero vender minha filha”, disse seu pai, Hazratullah.

Nazia foi vendida para se casar com um menino de uma família da província de Kandahar, no sul. Aos 14 anos, ela deixará a sua família. Até agora, Hazratullah recebeu dois pagamentos por ela.

“Usei a maior parte para comprar comida e um pouco para remédios para meu filho mais novo. Olhe para ele, está desnutrido”, disse Hazratullah, puxando a camisa de Shamshullah para nos mostrar sua barriga inchada.

O aumento vertiginoso das taxas de desnutrição é uma evidência do impacto que a fome tem em crianças menores de cinco anos no Afeganistão.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) viu a taxa de internações aumentar em até 47% em relação ao ano anterior em suas instalações em todo o país.

O centro de alimentação da organização em Herat é a única instalação de desnutrição bem equipada que atende não apenas a região, mas também províncias vizinhas de Ghor e Badghis, onde as taxas de desnutrição aumentaram 55% no ano passado.

Desde o ano passado, o número de leitos teve que ser aumentado em razão das internações elevadas de crianças. Mas, mesmo assim, o local está quase sempre lotado. E as doenças vão além de desnutrição.

Omid está desnutrido e tem hérnia e sepse. Aos 14 meses, ele pesa apenas 4 kg. Os médicos nos disseram que um bebê normal nessa idade pesaria pelo menos 6,6 kg. Sua mãe, Aamna, teve que pedir dinheiro emprestado para fazer a viagem ao hospital quando ele começou a vomitar profusamente.

Perguntamos a Hameedullah Motawakil, porta-voz do governo provincial do Talibã em Herat, quais foram as medidas adotadas no combate à fome.

“A situação é resultado das sanções internacionais ao Afeganistão e do congelamento de ativos afegãos. Nosso governo está tentando identificar quantas pessoas estão nessa situação. Muitos estão mentindo sobre suas condições para obter ajuda”, disse ele.

Ele também disse que o Talibã está tentando criar empregos. “Estamos procurando abrir minas de minério de ferro e um projeto de gasoduto.” Mas não há sinal de que isso aconteça em breve.

As pessoas nos disseram que se sentiram abandonadas pelo governo e pela comunidade internacional.

A fome nem sempre tem efeitos imediatamente visíveis.

Longe das atenções do mundo, a escala da crise no Afeganistão pode nunca vir à tona.

Com reportagem de Imogen Anderson e Malik Mudassir

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Presos na Europa, dois homens são acusados de serem espiões russos que se passavam por brasileiros

O coronel Mikhail Mikhushin se apresentava como o pesquisador brasileiro José Assis Giammaria; já Sergey Vladimirovich Cherkasov era Victor Muller Ferreira. Ele foi devolvido ao Brasil e está preso na carceragem da Polícia Federal.

Por Fantástico

Passaporte falso e aulas de forró: como era a rotina do espião russo preso com passaporte brasileiro na Europa

Dois supostos cidadãos brasileiros — um é cientista político, o outro, especialista em questões de defesa — são presos na Europa. Eles são acusados de serem espiões russos que se passavam por brasileiros com passaporte.

O coronel Mikhail Mikhushin foi preso no fim de outubro em Tromso, extremo norte da Noruega. Ele se apresentava como o pesquisador brasileiro José Assis Giammaria. Sete meses antes, Sergey Vladimirovich Cherkasov foi detido na Holanda e devolvido ao Brasil. Ele se apresentava como Victor Muller Ferreira e está preso na carceragem da Polícia Federal em São Paulo. Já Mikhail segue na Noruega.

Sobre ele, não se sabe tanta coisa. Por exemplo, será que ele chegou a morar no Brasil, ou se só usava o passaporte brasileiro? Mas, a respeito de Sergey, preso na PF, existem mais detalhes. Ele teve de fato uma vida brasileira, principalmente entre 2010 e 2014.

Nas primeiras semanas de prisão no Brasil, Sergey Cherkasov negou que fosse russo. Insistia que era Victor Ferreira, filho de um português com uma brasileira, e criado por uma tia na Argentina. Depois de dois meses de cadeia em São Paulo, e de receber a visita de um diplomata russo, finalmente o suposto Victor confessou que se chamava Sergey Cherkasov. Só continuava negando que fosse espião, mas não era isso que as investigações mostravam.

Nos equipamentos de computação apreendidos com Sergey, os peritos encontraram um arquivo de texto com instruções pra uma atividade conhecida pela expressão em inglês “dead drop”. No “dead drop”, o espião esconde uma encomenda –tipo num tronco de árvore– e, tempos depois, um comparsa passa pra pegar. O texto apreendido com o Victor continha instruções para dois dead drops, aqui no Brasil. Os investigadores foram até os lugares indicados e acharam as encomendas. Em um ponto, um pen drive. Em m outro, um pacote enrolado em fita adesiva.

Para pessoas que acompanham o caso, esses dois “dead drops” comprovados no Brasil mostram que o Sergey não só morou no país, como atuou como espião por aqui. Mas o resultado da perícia sobre essas “encomendas” está sob sigilo. E a Polícia Federal não informa nem mesmo se a investigação sobre espionagem foi adiante.

Por isso, ele está preso não por ser espião, mas pelo uso continuado de passaporte brasileiro falso. Mas, se depender do governo russo, ele não fica no Brasil. A extradição será julgada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e, se for aprovada, a autorização final depende do presidente da República.

Nesta segunda (28) vai ser julgado amanhã um pedido de prisão domiciliar. O domicílio seria o próprio consulado russo em São Paulo, que ofereceu as instalações. O Fantástico perguntou à representação russa se é normal abrigar alguém que eles dizem ser um traficante condenado. Não houve resposta.

Polícia Federal nada informou a respeito da investigação sobre a espionagem de Sergey no Brasil. E não explicou por que, em julho passado, a PF pediu a destruição das provas, alegando que pertenciam a uma pessoa inexistente, no caso, o fictício Victor Ferreira. O juiz negou, entendendo que a destruição atrapalharia a investigação da própria Polícia Federal.

Ministério Público Federal disse que, “como o caso tramita sob sigilo legal, não é possível fornecer informações adicionais”. E o Ministério das Relações Exteriores não respondeu a nossas perguntas sobre o processo de extradição de Sergey Cherkasov.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.