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Presos no Jacarezinho relatam socos, chutes, pisões e golpes com fuzil por policiais, diz MP

MPRJ investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho. Relatório da polícia detalha ficha de 25 dos 27 mortos no Jacarezinho – 12 têm passagens por tráfico, e outros 12, por outros crimes.

Por Alexandre Henderson, Bom Dia Rio

Ministério Público investiga se houve abuso na operação policial do Jacarezinho

O Ministério Público do Rio (MPRJ) investiga se houve abuso na operação que terminou com 28 mortos, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, entre eles o policial civil André Farias, de 48 anos.

MPRJ já começou a ouvir parentes e testemunhas para saber se houve excesso das forças de segurança. Três presos na ação já disseram em audiência de custódia que foram agredidos por policiais.

Patrick Marcelo da Silva Francisco e Max Arthur Vasconcellos de Souza disseram que foram agredidos pelos policiais civis com socos, chutes, pisões e golpes de fuzis. Eles falaram ainda que as agressões teriam deixado marcas em seus corpos.

O preso Vinícius Pereira da Silva também disse ter sido agredido com socos e chutes pelos policiais. O RJ2 teve acesso ao resultado do exame de corpo de delito feito por ele.

No documento, há fotos do olho inchado e de um ferimento na coxa de Vinicius. Em resposta à pergunta do investigador se há vestígios de lesão à integridade corporal ou à saúde da pessoa examinada com possíveis relações ao fato narrado pelo preso, o legista respondeu que “sim”.

Relatório detalha fichas de 25 dos 27 mortos

Um relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSinte) da Polícia Civil do Rio detalhas as fichas criminais dos mortos e aponta que só dois suspeitos não tinham anotações criminais.

Na semana passada, ao divulgar informações sobre a operação, a polícia disse que todos os mortos na operação, que é considerada a mais letal da história do estado, tinham antecedentes criminais e que entraram em confronto com os agentes.

Nesta segunda-feira (10), o RJ2 mostrou o relatório com as fichas criminais dos baleados – dos 27 mortos, 25 tinham passagens pela polícia.

Detalhamento de supostos crimes

  • O documento aponta que 12 deles tinham envolvimento com o tráfico de drogas no Jacarezinho;
  • Outros 12 tinham registros por outros crimes, como posse e uso de drogas, furto, roubo, porte ilegal de armas, ameaça e lesão corporal. Um foi fichado por desacato;
  • Dos 12 mortos sem denúncia de envolvimento com o tráfico, a polícia afirma que, em três casos, parentes confirmaram em depoimento a ligação deles com facções criminosas;
  • No caso dos outros nove, a polícia justificou o envolvimento deles com o tráfico a partir de fotos e mensagens publicadas em redes sociais;
  • Em relação aos dois sem antecedentes criminais, a polícia afirmou que eles tinham envolvimento com o tráfico confirmado em depoimento por parentes. Um deles era menor de idade;
  • O relatório traz, ainda, fotos dos mortos retiradas de redes sociais. Em muitas, eles aparecem portando armas. Em outras, não.

Depoimento

O relatório não fala como as 27 pessoas foram mortas. Em um dos casos, em depoimento à polícia, uma parente relata o que diz ter visto o que aconteceu com Francisco Fábio Araújo Chaves dentro da comunidade.

A mulher contou que ele saiu de casa informando que iria até a boca comprar maconha e que às 8h15 avisou por telefone que tinha fugido pra uma casa com os traficantes depois que a polícia chegou e houve troca de tiros. Segundo a mulher, ele contou que estava ferido com um tiro na mão e por estilhaços no pé.

A mulher diz que foi até a casa em que ele estava e viu dois corpos e dois presos vivos, um deles Francisco, que foi colocado no interior do caveirão, como é chamado o blindado da polícia, e percebeu que ele apresentava apenas ferimentos na mão. O relatório não mostra o fim do depoimento da mulher.

Três citados em denúncia

Também no documento, dos 27 mortos, só três eram citados na denúncia oferecida pelo Ministério Público, que orientou a Justiça nos mandados de prisão e motivou a polícia a entrar na favela.

Anotações criminais de mortos no Jacarezinho — Foto: Reprodução/TV Globo

Anotações criminais de mortos no Jacarezinho — Foto: Reprodução/TV Globo

O pesquisador do Núcleo de Justiça Racial da Fundação Getúlio Vargas – São Paulo, Felipe da Silva Freitas, afirmou que “a eventual participação das pessoas no crime não autoriza qualquer tipo de ação estatal em face de execução”.

“A operação realizada no Jacarezinho foi, na prática, uma execução. Foi uma operação não justificada sob qualquer critério técnico”, disse.

O Instituto Médico Legal terminou a necropsia dos corpos.

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Três garimpeiros morrem e quatro ficam feridos após conflito na Terra Yanomami, diz Condisi-Y

Um indígena também foi ferido na cabeça, mas não corre risco de morrer. Conflito aconteceu depois que garimpeiros em barco atiraram contra indígenas da comunidade Palimiu, na Terra Indígena Yanomami.

Por Vanessa Fernandes e Valéria Oliveira, G1 RR — Boa Vista

PF vai apurar confronto entre garimpeiros e yanomamis em Roraima

Três garimpeiros morreram e quatro ficaram feridos no conflito armado na Terra Indígena Yanomami, nesta segunda-feira (10). Um indígena também ficou ferido com um tiro na cabeça, mas sobreviveu. A informação é do presidente do Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-Y), Junior Hekurari Yanomami.

O conflito aconteceu na comunidade do Palimiú, no município de Alto Alegre, no Norte de Roraima. Segundo Hekurari, o indígena ferido não corre risco de morrer. A Polícia Federal investiga o caso.

Indígenas da Comunidade Palimiu, na Terra Indígena Yanomami — Foto: Condisi-YY/Divulgação

Indígenas da Comunidade Palimiu, na Terra Indígena Yanomami — Foto: Condisi-YY/Divulgação

O presidente do Condisi-Y foi até a comunidade na tarde desta segunda-feira para acompanhar a situação de perto. O relato é que os indígenas foram atacados após apreenderem materiais que iriam para o garimpo.

“É um local de passagem dos garimpeiros, onde levam gasolina e alimentam todos os locais dos garimpos. As próprias comunidades fizeram barreiras, estão colocando dificuldade e estão sofrendo retaliação”, disse Hekurari.

Cápsulas de munições deflagradas encontradas pelo Condisi-YY após conflito na Terra Ianomami — Foto:  Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

Cápsulas de munições deflagradas encontradas pelo Condisi-YY após conflito na Terra Ianomami — Foto: Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

A comunidade fica às margens do rio Uraricoera, trajeto usado pelos invasores para chegar até os acampamentos no meio da floresta.

Na ida à comunidade, Hekurari, relatou ter encontrado cartuchos de espingardas calibres 12, 28 e 20, além de munições deflagradas de fuzis e de pistolas. Dois quadriciclos foram apreendidos pelos indígenas.

“Está um clima tenso, estão com muito medo. Não sei como vai ficar hoje. Todos estão com medo. Homens vão fazer o possível para manter a segurança deles”.

Conflito armado deixou três garimpeiros mortos e cinco feridos na Terra Yanomami, afirma Condisi-YY — Foto:  Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

Conflito armado deixou três garimpeiros mortos e cinco feridos na Terra Yanomami, afirma Condisi-YY — Foto: Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

Um relatório da visita do Condisi-Y foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF), à Fundação Nacional do Índio (Funai) e Polícia Federal (PF). No documento, Hekurari pede uma ação por parte dos órgãos, após a situação entre indígenas e garimpeiros se agravar “diante da inércia da União, de seus órgãos e autarquias”.

“Diante de todos esses danos potenciais e previsíveis, que acabaram por se confirmar com o passar do tempo, e diante da inércia da União, de seus órgãos e autarquias, solicitamos que seja ajuizada alguma ação, uma vez que a situação se agravou de tal forma que o caos social se instalara e a atividade criminosa caminha para sair do controle das forças de segurança”, diz trecho do relatório.

Ainda de acordo com Hekurari, os corpos foram levados pelos próprios garimpeiros. Um dos invasores foi deixado para trás pelo grupo e foi detido pelos indígenas. O homem foi retirado da região pelo Condisi-Y e entregue à PF e a Funai, em Boa Vista.

Quadriciculo apreendido pelos indígenas — Foto: Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

Quadriciculo apreendido pelos indígenas — Foto: Júnior Hekurari Yanomami/Condisi-YY/Divulgação

Procurado, o procurador do MPF, Alisson Marugal diz que órgão está agindo para apurar o que aconteceu e identificar os responsáveis.

“Apurando as informações e em contato com os órgãos de segurança para as providências cabíveis e urgentes para garantir a segurança das comunidades indígenas e identificar os autores do ataque”, procurador do MPF, Alisson Marugal.

Terceiro conflito

O conflito desta segunda na região do Palimiú, entre garimpeiros e indígenas, foi o terceiro em menos de 15 dias, segundo Hekurari.

Uma dos ataques foi relatado pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) em ofício enviado em 30 de abril. Segundo o documento, ocorreu uma troca de tiros entre um grupo de Yanomami e oito garimpeiros no dia 27 do mesmo mês, após os indígenas interceptarem uma carga de 990 litros de combustível. Não houve feridos.

“As lideranças estão indignadas com a continuidade da invasão garimpeira em suas terras e com a violência e ameaça praticada pelos invasores. Temendo que novas retaliações por parte dos garimpeiros resultem em mais conflitos violentos e mortes, os indígenas exigem uma resposta dos órgãos públicos para garantir a segurança das comunidades”, cita trecho do ofício da Hutukara.

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região, alvo de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro.

O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras reportadas em estudo, segundo a Funai.

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Filha de mulher morta com tiro na cabeça após sair de igreja em São Gonçalo desabafa: ‘A gente não sabe se vai voltar para casa’

Segundo a polícia, traficantes balearam a mulher. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) está investigando o caso.

Por Fernanda Rouvenat, Bom Dia Rio

A filha da mulher morta ao voltar da igreja no domingo (9) do Dia das Mães, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, fez um desabafo sobre a insegurança que sente. A cozinheira Janaína Peres, de 39 anos, foi atingida com um tiro na cabeça na presença do filho, de 13 anos.

“Ele falou que estava com a minha mãe e os dois estavam conversando e rindo quando ele falou: ‘Mãe, é tiro!’ e sentiu a moto levantar e ela cair para trás. A gente não pode mais transitar. A gente não tem mais o direito de ir e vir. A gente não pode mais ir na esquina da nossa casa que a gente não sabe vai voltar. É uma tristeza muito grande”, disse Mariana Duarte, filha mais velha de Janaína.

Segundo a polícia, traficantes balearam a mulher. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) está investigando o caso. Ela chegou a dar entrada no Hospital Estadual Alberto Torres por volta das 7h e recebeu atendimento, mas morreu horas depois.

Mariana conta que almoçou com a mãe e elas tiraram várias fotos e que Janaína estava muito feliz, mas parecia que sentia que algo ia acontecer. À noite, quando ela voltava da igreja com o filho mais novo, foi atingida. De acordo com os filhos da vítima, nenhum tiroteio ocorria na região.

O adolescente pilotava a moto quando sentiu a mãe cair da garupa. Segundo a família, ele está em estado de choque.

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Prefeitura de SP reativa nove postos de vacinação drive-thru nesta terça

Locais vão funcionar apenas para aplicação de primeira dose nos grupos elegíveis. Nesta terça (11), capital começou a vacinar contra a Covid púerperas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente com idade entre 55 e 59 anos e metroviários e ferroviários. Imunização de grávidas com comorbidades foi suspensa.

Por G1 SP — São Paulo

Tendas de vacinação drive-thru montadas no Memorial da América Latina  — Foto: Reprodução/TV Globo

Tendas de vacinação drive-thru montadas no Memorial da América Latina — Foto: Reprodução/TV Globo

A Prefeitura de São Paulo reabre nesta terça-feira (11) nove dos 27 postos para vacinação sistema drive-thru. Os locais vão funcionar apenas para aplicação de primeira dose nos grupos elegíveis.

A partir de quarta-feira (12), os 27 drives serão reabertos, assim com os postos montados em farmácias parceiras da campanha.

As vacinação nas unidades tinha sido suspensa nesta segunda (10) pela gestão municipal. A medida gerou reclamação.

Parentes de pessoas com Síndrome de Down relataram que a imunização sem precisar sair do carro facilita no caso de quem tem dificuldade de locomoção.

Nesta terça (11), a capital, assim como demais cidades do estado, começou a vacinar contra a Covid puérperas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente com idade entre 55 e 59 anos e metroviários e ferroviários.

A vacinação de grávidas com comorbidades, que também deveria ser iniciada nesta terça (11), foi suspensa preventivamente em todo o estado de São Paulo após a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar que a vacina da AstraZeneca/Fiocruz não seja aplicada nesse grupo.

A vacina vinha sendo usada em gestantes com comorbidades. Agora, só podem ser aplicadas nas grávidas a Coronavac e a Pfizer.

Na segunda-feira (10), pessoas com Síndrome de Down, pacientes transplantados e pacientes renais em diálise, de 18 a 59 anos, também começaram a ser vacinados.

Novos públicos

O próximo grupo no calendário estadual será o de pessoas com comorbidades com idade entre 55 e 59 anos, a partir da quarta-feira (12).

Na sexta-feira (14), começa a vacinação de pessoas com idade entre 50 e 54 anos com doenças preexistentes ou deficiência permanente.

E na próxima terça, dia 18, motoristas e cobradores de ônibus municipais e intermunicipais começarão a ser imunizados. Segundo o governo estadual, 165 mil pessoas vão receber a vacina nesta etapa.

Vacinação na capital

468 Unidades Básicas de Saúde (UBS)

De segunda a sexta, das 7h às 19h.

Os endereços das unidades básicas de saúde podem ser acessados pela ferramenta Busca Saúde.

AMAS/UBS Integradas

De segunda a sábado, inclusive feriados, 7h às 19h.

Centros de Saúde

  • CS Escola Barra Funda – Alexandre Vranjac – Av. Dr. Abrãao Ribeiro, 283 – Bom Retiro
    Atendimento para vacinação: de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h
  • CS Escola Geraldo de Paula Souza – Av. Dr. Arnaldo, 925 – Sumaré
    Atendimento para vacinação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
  • CS Escola Samuel Barnsley Pessoa – Av. Vital Brasil, 1.490 – Butantã
    Atendimento para vacinação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

17 SAEs – Serviços de Atenção Especializada

De segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

Postos drive-thru

Horário: 8h às 17h
Apenas para vacinação de primeiras doses

  • CENTRO DE EXPOSIÇÕES DO ANHEMBI: Rua Olavo Fontoura, portão 38 – Santana
  • CLUBE HEBRAICA: Rua Ibiapinópolis, 781, na parte superior do Clube – Pinheiros
  • HOSPITAL DOM ALVARENGA: Av. Nazaré, 1.361 – Ipiranga
  • MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA: Rua Tagipuru, 500 (referência Portão 2) – Barra Funda
  • NOVARTIS: Av. Professor Vicente Rao, 90 – Santo Amaro
  • SHOPPING ANÁLIA FRANCO: Av. Regente Feijó, 1.739 – Tatuapé
  • SHOPPING ARICANDUVA: Av. Aricanduva, 5.555, Estacionamento Auto Shopping Acesso pelo Portão P4 – Aricanduva
  • SHOPPING INTERLAGOS: Av. Interlagos, 2.255 – Estacionamento Subsolo, portão5 – Interlagos
  • SHOPPING JARDIM SUL: R. Itacaiúna, 61 – Vila Andrade

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Rio tem madrugada mais fria do ano; termômetros marcaram 14,7 ºC em Jacarepaguá

À tarde, temperatura deverá subir, chagando aos 30 ºC.

Por Bom Dia Rio

A madrugada desta terça-feira (11) foi a mais fria do ano no Rio de Janeiro – os termômetros marcaram 14,7 ºC em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade.

A expectativa é que a temperatura aumente ao longo do dia. Entre 6h e 7h a temperatura na capital fluminense estava em torno de 15 ºC.

Previsão é que os termômetros cheguem a 30 ºC durante a tarde.

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Na contramão do país, cidades mineradoras de MG vivem boom de empregos e recorde de arrecadação

Alta do dólar e aumento do valor do minério de ferro impulsionam o orçamento dos municípios.

Por Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte

“Nós abrimos quatro mil vagas no ano passado”, disse o prefeito de Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, Orlando Caldeira (Cidadania). A cidade – que tem pouco mais de 52 mil pessoas, segundo estimativa do IBGE – teve uma variação de empregos oito vezes maior que a do Brasil nos últimos 12 meses.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), enquanto o país teve variação positiva na criação de empregos de 2,18% no período, Itabirito apresentou índice de 16,70%.

Assim como Itabirito, outras cidades mineradoras de Minas Gerais também têm colhido os frutos do aumento no preço do minério de ferro e da alta do dólar.Variação de emprego nos últimos 12 meses em porcentagemCidades mineradoras registram aumento nas vagas com alta do valor do minério de ferro.

Em abril deste ano, a tonelada da commodity com teor de 62% de ferro avançou 4,3%, alcançando US$ 189,61, o maior nível desde fevereiro de 2011. No acumulado de 2021, os ganhos chegam a 18,2%. O preço do minério com 65% de pureza avançou US$ 6,50, para US$ 222,80 por tonelada.

Os municípios que têm exploração mineral recebem das mineradoras 60% da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que é atrelada ao preço do minério de ferro. Com isso, o orçamento destas cidades aumentou. Os outros 40% da Cfem são distribuídos para estado e União.

A Cfem não pode ser usada em folha de pagamento, mas é fundamental nos investimentos em educação, saúde e infraestrutura destas cidades.

“O aquecimento da commodity, com a volta da demanda da China, aumentou a arrecadação do Cfem. Houve aumento da oferta de empregos, e a gente vive uma situação de pleno emprego aqui na cidade. Especialmente no setor de mineração e no da construção civil”, disse o prefeito de Conceição do Mato Dentro e presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Zé Fernando (MDB).

A cidade, que vive da mineração e também do turismo, tem cerca de 17 mil pessoas. A variação de empregos foi de 13,7% nos últimos 12 meses.

A alta do dólar também explica o bom momento do minério de ferro e o consequente crescimento na arrecadação dos municípios mineradores. No início de maio, a moeda americana fechou cotado a R$ 5,36.

“Nós tivemos um aumento de 90% no Cfem em 2020, em relação a 2019”, disse o prefeito de Itabirito.

E em 2021, o aumento continuou. Segundo a Amig, a Cfem de Minas Gerais acumulou R$ 392,1 milhões, no 1º trimestre de 2020. No mesmo período deste ano, houve um salto para R$ 881,3 milhões.

Com os dias contados

A dependência das cidades mineradoras em relação à Cfem é alta. Muitas não têm atividades que possam competir com a mineração em relação ao retorno financeiro. Mesmo sendo um recurso finito, poucos municípios têm se preparado para isso.

Itabira, primeira cidade explorada pela Vale (maior produtora de minério de ferro do mundo), criada em 1942, já vive contagem regressiva para o fim da exploração. A expectativa é que a exaustão mineral aconteça em 2031.

“Nossa expectativa é usar o recurso do Cfem para nos prepararmos. A ideia é investir em outros setores, capazes de sustentar a cidade, vista a dependência que Itabira tem do minério de ferro”, disse o prefeito Marco Antônio Lage (PSB).

Com o boom do preço da commodity, a variação de postos de trabalho dos últimos 12 meses foi de 12,51%. A arrecadação da Cfem pode ser recorde.

“A projeção deste ano é quase o dobro do ano passado. Nesse ritmo, 2021 vai ser o melhor ano da história”, falou o prefeito.

A cidade arrecadou mais de R$ 41 milhões nos primeiros três meses de 2020. Em 2021, até agora, a Cfem foi para 69,2 milhões. Com este capital, o município pretende investir em outras atividades. Transformar Itabira em cidade turística, polo universitário da região, centro hospitalar e até referência na produção de bananas são algumas das opções.

“O desafio é desenvolver uma política de construção de uma cidade sustentável. O minério de ferro é finito. Isto é um fato. Ele vai acabar”, disse o prefeito.

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Butantan entrega 2 milhões de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta segunda

Instituto deve concluir entrega das 46 milhões de doses previstas no primeiro contrato com o governo federal até quarta (12). Envase de vacina foi suspenso na semana passada e deve ser retomado após o dia 15, quando instituto receberá novo lote de insumo importado da China.

Por G1 SP — São Paulo

O Butantan entrega nesta segunda-feira (10) mais 2 milhões de doses CoronaVac, vacina contra Covid produzida pelo Instituto em parceria com o laboratório Sinovac, ao Ministério da Saúde.

Com o novo carregamento, o total de vacinas oferecidas por São Paulo ao Plano Nacional de Imunizações (PNI) chega a 45 milhões de doses desde o início das entregas, em 17 de janeiro.

Na quarta (12), serão enviados mais 1 milhão de doses. Os novos lotes foram envasados com insumo recebido pelo Butantan em abril.

As novas entregas permitirão ao Instituto concluir o primeiro contrato firmado com o governo federal para o fornecimento de 46 milhões de doses, que sofreu atraso de algumas semanas após problemas com a entrega de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) vindos da China.

10 mil litros de insumo à espera

O governador João Doria (PSDB) esteve no local e acompanhou o carregamento dos caminhões. Durante coletiva de imprensa nesta manhã, Doria e o diretor do Instituto, Dimas Covas, voltaram a criticar as falas do presidente Jair Bolsonaro em relação ao governo chinês.

Segundo o governador, cerca de 10 mil litros de insumo produzidos pela Sinovac aguardam liberação para serem enviados ao Brasil.

“Já existem 10 mil litros de insumos prontos nas Sinovac aguardando autorização do governo da China para embarque, e cada vez que manifestações são feitas aqui de forma desagradável em relação à China, isso cria dificuldades claramente para autorização do governo chinês para o embarque desses insumos para o Brasil”, afirmou Doria.

“É muito claro que há uma limitação determinada pelo governo da China dadas as circunstâncias das constantes manifestações inapropriados inadequadas e absolutamente inoportunas do governo brasileiro através das suas autoridades”, disse o diretor Dimas Covas.

Na semana passada, Dimas Covas havia alertado sobre o risco de o país ficar sem receber o insumo e que tal problema seria consequência das declarações desastrosas da gestão Bolsonaro.

A China é fornecedora de insumos para a produção tanto da CoronaVac, do Instituto Butantan, como da vacina de Oxford, produzida pela Fiocruz.

A CoronaVac representa mais de 75% das vacinas aplicadas no país.

Cronograma de produção

Até o dia 15 de maio, o Butantan deve receber um novo lote de insumo para retomar a produção da CoronaVac, que foi suspensa na última quinta (6), por conta de atrasos na chegada da matéria-prima.

O Instituto é parceiro do laboratório chinês Sinovac, e responsável pela etapa final de produção do imunizante no país, que consiste no envase, rotulagem e testes de qualidade.

Segundo o Butantan, foi solicitado à Sinovac o envio de 6 mil litros, que daria para produzir aproximadamente 10 milhões de doses.

Desse montante, 3 mil já deveriam ter sido entregues no final de abril, mas não foram liberados no prazo por conta de questões burocráticas do sistema de exportação chinês.

Veja abaixo as entregas de doses do Butantan ao ministério:

  • Janeiro: 8,7 milhões
  • Fevereiro: 4,583 milhões
  • Março: 22,7 milhões
  • 5 de abril : 1 milhão
  • 7 de abril : 1 milhão
  • 12 de abril : 1,5 milhão
  • 14 de abril: 1 milhão
  • 19 de abril: 700 mil
  • 22 de abril: 180 mil
  • 30 de abril: 420 mil
  • 6 de maio: 1 milhão
  • 10 de maio: 2 milhões
  • 12 de maio: previsão de entrega de 1 milhão
  • 14 de maio: previsão de entrega de 1,1 milhão

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Agronegócio brasileiro pode perder até R$ 5,7 bilhões por ano com desmatamento na Amazônia, diz estudo

Desmatamento diminui a capacidade do bioma amazônico de regular padrões de chuva, colocando os sistemas agrícolas do país em perigo, dizem cientistas da UFMG. Pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (10) na ‘Nature Communications’.

Por Viviane Sousa, GloboNews

Em artigo publicado na revista científica “Nature Communications” nesta segunda-feira (10), cientistas brasileiros apontam que a falta de chuva e a perda da biodiversidade provocadas pelo desmatamento na região sul da Amazônia já causam queda de produtividade e de receita ao agronegócio brasileiro.

A estimativa é de que o prejuízo, mantidos os níveis de desmatamento, chegue até US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) por ano até 2050.

Os autores do estudo são do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que trabalharam em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Eles avaliaram que, com menos árvores, há menos umidade no ar e menos chuvas. Logo, o avanço do desflorestamento impacta a produtividade do agronegócio brasileiro. Altos níveis de desmatamento resultam em menor volume de chuvas e menor produção agrícola.

Em 2019, um quarto do sul da Amazônia brasileira – nos estados de AcreAmazonasRondôniaParáTocantins e Mato Grosso do Sul – já havia atingindo o limite crítico de redução de chuvas por perda de floresta. Em algumas regiões, a redução das chuvas devido ao desmatamento já chega a comprometer 48% do volume total das chuvas anuais.

O engenheiro florestal que coordenou o estudo, Argemiro Teixeira Leite Filho, diz que o desmatamento está diminuindo a capacidade do bioma amazônico de regular os padrões de chuva, colocando os sistemas agrícolas do país, grande parte de agricultura de sequeiro (alimentada por chuvas), no caminho do “agro-suicídio”.

“Da forma que o desmatamento vem avançando, não conseguimos manter o sistema produtivo na Amazônia da forma com que ele vem crescendo ao longo do tempo, ou seja: é uma situação autodestrutiva”, disse Leite Filho em entrevista à GloboNews (veja vídeo no topo desta reportagem).

Desmatamento da Amazônia: Agronegócio pode ter prejuízo anual de R$ 5,7 bilhões, diz pesquisa

O valor da perda pode aumentar ou diminuir daqui até 2050, mas os prejuízos já são reais, embora muitos produtores ainda não se deem conta disso. O que pode variar daqui para frente é o quanto será perdido e isso depende de políticas efetivas de controle do desmatamento a serem adotadas. Quanto menos efetivas as políticas, maiores serão os prejuízos.

“O que pode ser feito é, basicamente, o controle do desmatamento. Não há como resolver o problema controlando pontualmente. O combate do desmatamento da Amazônia precisa ser considerado uma política nacional, mas não somente ambiental: ele também é uma política a favor do agronegócio”, explicou Argemiro Teixeira Leite Filho.

Considerando o cenário atual de políticas de combate ao desflorestamento, as perdas na produção de soja até 2050 podem ser R$ 32,2 bilhões (US$ 5,6 bilhões). Já para a produção de carne seria de R$ 1,03 trilhão (US$ 180,8 bilhões) nas próximas 3 décadas. Com uma política eficaz para o combate ao desmatamento na Amazônia até 2050, a diminuição das perdas seria de R$ 111,15 bilhões (US$ 19,5 bilhões).

Na última sexta-feira, a medição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou que a área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal em abril foi a maior para o mês desde 2016: 581 km² até o dia 29. É o segundo mês consecutivo em que os índices batem recordes históricos mensais.

Como o cálculo foi feito

O estudo durou três anos e levou em conta o aumento do desmatamento e a diminuição da chuva no período de vinte anos, entre 1999 e 2019. A cada 10% mais de desmatamento, a quantidade de chuva anual diminui aproximadamente 49,2 mm por ano.

A pesquisa também considerou dados de produtividade da Projeção do Agronegócio de 2019 a 2029, feita pelo Ministério do Meio Ambiente, que demonstram a área total de hectares ocupados pelo agronegócio em 2019.

Na produção de soja, a cada hectare de terras se produz 3,7 toneladas de soja; cada tonelada vale R$ 1.721 (US$ 302). Em toda a região do sul da Amazônia, em 2019, eram 4,8 milhões de hectares onde são produzidos mais de 17 milhões de tonelada de soja, com volume total de receita de cerca de R$ 5,3 bilhões.

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Novo horário do rodízio noturno da cidade de SP começa a valer a partir desta segunda

Com a mudança da prefeitura, a restrição passa a vigorar de segunda a sexta, das 21h às 5h do dia seguinte, de acordo com o final da placa. Alterações foram feitas para adequar o rodízio às novas regras da fase de transição do Plano SP.

Por G1 SP — São Paulo

O rodízio noturno para carros de passeio na capital paulista sofreu alterações para se adequar às mudanças determinadas pelo governo do estado no Plano São Paulo. A partir desta segunda-feira (10), veículos têm restrição de circulação, a depender do final da placa, de segunda a sexta-feira, das 21h às 5h do dia seguinte, inclusive nos feriados.

Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a medida, adotada desde o dia 22 de março, visa diminuir a circulação de carros à noite, bem como o contágio pelo coronavírus, acompanhando a restrição decretada pelo estado.

Os horários tradicionais do rodízio municipal para carros, das 7h às 10h e das 17h às 20h, seguem suspensos.

Como fica o rodízio, de acordo com o final da placa

  • 1 e 2 – não pode circular das 21h de segunda-feira às 5h de terça;
  • 3 e 4 – não pode circular das 21h de terça-feira às 5h de quarta;
  • 5 e 6 – não pode circular das 21h de quarta-feira às 5h de quinta;
  • 7 e 8 – não pode circular das 21h de quinta-feira às 5h de sexta;
  • 9 e 0 – não pode circular das 21h de sexta-feira às 5h de sábado.

Caminhões e demais restrições

Os caminhões continuam seguindo as regras do rodízio municipal tradicional, das 7h às 10h e das 17h às 20h, de acordo com o final da placa.

Ficam mantidos também o funcionamento da Zona Azul e o horário das demais restrições existentes na cidade: Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) e Zona de Máxima Restrição aos Fretados (ZMRF).

Circular por locais e em horários não permitidos implica infração de trânsito de nível médio, o que equivale a multa de R$ 130,16, além de quatro pontos no prontuário do motorista.

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Demanda por anestésicos para pacientes com Covid faz veterinários adiarem cirurgias em pets; antirrábica está em falta

Anestésicos usados para intubação de humanos são os mesmos utilizados em cirurgias de pets, e procedimentos eletivos foram suspensos em diversas clínicas de SP. Conselho Regional de Medicina Veterinária diz que fornecimento de vacina contra a raiva também foi afetado, e animais estão com a imunização vencida e atraso pode ter impactos negativos no controle da doença.

Por Marina Pinhoni e Patrícia Figueiredo, G1 SP — São Paulo

O aumento na demanda por medicamentos anestésicos, especialmente aqueles usados no kit intubação para tratar pacientes com Covid-19, afetou a realização de cirurgias em animais de estimação em São Paulo. O fornecimento de vacinas contra a raiva de diversas marcas também foi afetado, e a antirrábica está em falta em diversas clínicas na capital.

O Centro Veterinário Seres, marca do Grupo Petz, que tem 117 unidades em todo o país, suspendeu a realização de cirurgias eletivas em todas suas clínicas e hospitais. Veterinários independentes também relataram que procedimentos cirúrgicos foram adiados por conta da escassez de medicamentos.

Segundo o presidente da comissão de clínicos de pequenos animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), Marcio Mota, o abastecimento de clínicas veterinárias passou por um período “muito crítico” entre março e abril, no pico da epidemia no estado.

“Naquele momento mais crítico da pandemia chegamos a ter relato de falta ou limite na distribuidora. Hoje, acha mais facilmente, tem uma distribuição, mas o preço está lá em cima. […] há uma grande dificuldade de adquirir alguns anestésicos”, diz.

O representante do CRMV ressalta que houve um aumento no preço dos insumos, especialmente aqueles usados no kit intubação, como o Propofol, cuja escassez também foi relatada em hospitais para Covid-19 em março.

“O Propofol, por exemplo, as clínicas antes compravam uma caixa por R$ 100. Hoje, a indústria vende a mesma caixa com cinco ampolas por R$ 1 mil”, afirma Marcio Mota.

Não há, no entanto, uma orientação do CRMV para que as cirurgias sejam suspensas.

“A posição oficial do conselho é para que os veterinários tenham bom senso de analisar a questão dos insumos sem prejudicar o bem-estar animal. Se isso não vai atrapalhar a saúde do animal, tudo bem. Mas se a parada de cirurgia for prejudicial, pode haver punição.”

Segundo Vanessa Nishimoto, veterinária na Zona Leste de São Paulo, as cirurgias eletivas ficaram paradas por diversas semanas no pico da pandemia por conta da falta de remédios anestésicos, como Propofol, Azelan e Fentanil.

“Quando eram procedimentos mais simples, a gente optou por remarcar, jogar pra frente. A cirurgia que a gente manteve foi, por exemplo, de animal que chega atropelado, coisa que não tem como aguardar mesmo”, explica.

Veterinário na Zona Sul de São Paulo, Tarcísio de Barros Aranha também relatou dificuldade para adquirir uma série de medicamentos usados em cirurgias, além da vacina antirrábica. Em diálogos por WhatsApp, diversos fornecedores lhe confirmaram que os produtos estão em falta.

Um dos pets que ele atende em seu consultório, o gato Terêncio, de 4 meses, teve a cirurgia de castração e a vacinação contra raiva adiadas por conta da falta de insumos.

Cirurgias suspensas ou mais caras

A médica veterinária Vanessa Nishimoto conta que, desde o início de maio, os remédios voltaram ao estoque das distribuidoras, mas a preços muito mais altos, o que deixou as cirurgias eletivas mais caras. Por conta disso, muitos donos de pets não puderem arcar com os novos custos.

“Como teve aumento do custo dessas medicações no mercado, a gente está pagando o triplo do valor e teve que repassar isso pro cliente. Por conta disso, muitos estão desmarcando e desistindo de cirurgias de castração por causa do valor”, conta.

Nas unidades do Centro Veterinário Seres, ligado à rede Petz, as cirurgias eletivas foram suspensas, e apenas “atendimentos clínicos ou cirúrgicos e exames nos serviços de urgência e emergência” estão liberados.

Na rede, cerca de 40% das cirurgias são eletivas e, destas, quase 80% são castrações. Em nota, a empresa afirma que o adiamento das castrações não compromete a saúde dos pets.

“Nós estamos postergando de um a dois meses essas cirurgias, tempo que não compromete a saúde e o bem-estar do animal. Vale frisar que esses pets são domiciliados, o que não causa um descontrole de nascimentos de animais que podem ser abandonados no futuro”, diz a Petz em nota.

No entanto, para a veterinária Vanessa Nishimoto, o adiamento da castração pode trazer problemas de saúde para os cachorros, especialmente às fêmeas.

“Até dá pra esperar para castrar, mas quanto mais você espera, mais predisposto o animal fica a ter outras doenças. Um exemplo é uma infecção que dá no útero do animal, das fêmeas, a chamada piometra. É uma doença grave, e muito comum em cadelas não castradas”, afirma.

Vacina antirrábica

Além da suspensão e adiamento de cirurgias eletivas, a falta de insumos também está causando atrasos na vacinação contra a raiva de cães e gatos em São Paulo.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) afirma que clínicas de algumas regiões de São Paulo, como o ABC, estão com grande dificuldade de encontrar o produto.

Márcio Mota, representante do CRMV-SP, explica que a maior parte das vacinas antirrábicas é importada, mas que mesmo os produtos de origem nacional estão em falta. Ele explica que os motivos para a escassez não foram divulgados pelos laboratórios.

Apesar disso, o CRMV-SP estima que o fornecimento deve ser normalizado em até um mês.

“Alguns falam que é dificuldade de aduana, alguns relatam que é atraso dos Estados Unidos e Europa em mandar os produtos importados. Pode ser uma questão comercial de governos, alguns falam de demora de liberação no porto de Santos também. Mas a gente tem agora uma dificuldade de adquirir a vacina nacional da raiva também, e sem nenhuma justificativa ainda. Mandamos nota para os laboratórios nacionais, mas ainda não obtivemos resposta”, explica Marcio Mota.

Segundo a veterinária Vanessa Nishimoto, as vacinas contra a raiva estão em falta desde o começo de janeiro. Como a imunização deve ser anual, alguns animais já estão com carteirinha de vacinação vencida há meses.

Um dos pets atendidos pela veterinária, o labrador Pingo está com a antirrábica atrasada há mais de dois meses.

“São todas as marcas, estão todas em falta. O problema é que a raiva é uma zoonose, então é uma preocupação. Animais que tomaram no começo de 2020 já estão com mais de 3 meses de atraso”, explica Nishimoto.

O estado de São Paulo não registra casos humanos de raiva pela variante canina desde 1997, e desde 1998 não há casos pela variante felina. No entanto, ainda há casos esporádicos em cães e gatos, além de um número maior de registros em morcegos, cavalos e vacas.

Segundo o CRMV-SP, apesar de não haver grande número de casos de raiva no estado de São Paulo, a doença ainda persiste, e o atraso na vacinação pode ter impactos negativos em seu controle.

“Se começarmos a nos desproteger pode haver risco, sim. Não há problema em adiar a vacinação desses animais em 15 ou 20 dias. Mas, se em dentro de dois ou três meses não conseguirmos normalizar a situação, há um risco nessa falta de vacinação”, avalia Mota.

O veterinário Tarcísio diz que estão priorizando os animais que saem às ruas. “Deixamos os que só vivem em casa para depois”.

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