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Operação da PF e MPRJ mira organização criminosa que atua no tráfico na Região dos Lagos do Rio

Operação Maleficus foi realizada na manhã desta quinta-feira (13) com o objetivo de cumprir 19 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão nas cidades de Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Macaé e Campos dos Goytacazes.

Por G1 — Região dos Lagos

Armas e munições apreendidas durante investigações contra organização criminosa que atua no tráfico da Região dos Lagos do Rio — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Armas e munições apreendidas durante investigações contra organização criminosa que atua no tráfico da Região dos Lagos do Rio — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Uma operação da Polícia Federal em conjunto com o MPRJ contra uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas na Região dos Lagos do Rio foi realizada na manhã desta quinta-feira (13). A operação Maleficus tinha objetivo de cumprir 19 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão nas cidades de Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Macaé e Campos dos Goytacazes.

A ação conta com a presença de 80 policiais federais. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Rio das Ostras/RJ.

De acordo com a PF, durante as investigações foram presos 40 criminosos em flagrante, e com eles apreendidas substâncias ilícitas como maconha e cocaína, 12 armas de fogo de diversos calibres, um veículo clonado e dinheiro em espécie. A operação desta quinta-feira busca prender os demais envolvidos que ainda não foram encontrados.

Drogas e dinheiro foram apreendidos durante investigações contra organização que atua no tráfico na Região dos Lagos do Rio — Foto: Divulgação/PF

Drogas e dinheiro foram apreendidos durante investigações contra organização que atua no tráfico na Região dos Lagos do Rio — Foto: Divulgação/PF

As investigações apontam que os carregamentos contendo drogas saíam de comunidades da cidade do Rio de Janeiro, dominadas pela mesma facção criminosa que atuava em Rio das Ostras, onde passavam a ser distribuídas para outros municípios vizinhos.

Os presos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Macaé para os procedimentos de praxe e responderão por diversos crimes como tráfico de drogas, associação ao tráfico ilícito de entorpecentes e porte ilegal de arma de fogo. As penas podem ultrapassar os 20 anos de prisão.

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Eletrobras registra lucro de R$ 1,6 bilhão no 1º trimestre, alta de 31%

Receita operacional líquida teve crescimento de 8%, para R$ 8,2 bilhões.

Por G1

A Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre, valor 31% superior ao mesmo período de 2020, segundo balanço divulgado na noite desta quarta-feira (13), apoiada por melhores resultados em seus negócios de transmissão após uma revisão tarifária e com influências dos índices de inflação que reajustam contratos.

“O resultado do trimestre foi impactado positivamente pela receita de transmissão, em decorrência da Revisão Tarifária Periódica com efeitos a partir de julho de 2020, e negativamente pelas provisões para contingências, no valor de R$ 932 milhões”, informo a estatal.

O Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) apresentou crescimento anual de 11%, ficando em R$ 3,8 bilhões.

Já a receita operacional líquida teve acréscimo de 8%, alcançando R$ 8,2 bilhões.

A receita de geração da companhia atingiu 5,8 bilhões, perto dos 5,9 bilhões do ano anterior, enquanto em transmissão houve salto de 25% para 3,8 bilhões.

Já os custos com pessoal, material, serviços e outros (PMSO) recuaram 5%, para R$ 2 bilhões. Do lado negativo, a estatal registrou aumentou nas provisões operacionais, para R$ 1,1 bilhão, ante R$ 392 milhões no ano anterior.

Investimentos e dívida

Os investimentos no período foram de R$ 519 milhões, alta de 58% frente aos R$ 329 milhões do ano anterior, mas bem abaixo dos R$ 1,29 bilhão orçados para o trimestre.

A elétrica encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 20,56 bilhões, enquanto caixa e equivalentes somavam R$ 14,65 bilhões.

A companhia informou que encerrou o trimestre com 83 Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e tem a meta de chegar a 49 até o fim de 2021.

O governo federal entregou no final de fevereiro ao Congresso Nacional uma medida provisória (MP) que busca acelerar a privatização da Eletrobras, mediante a capitalização da companhia. Estimativas dentro do governo são de que a venda do controle da estatal pode render à União cerca de R$ 100 bilhões.

A Eletrobras detém 43% das linhas de transmissão do país, num total de 76.230 km, e é responsável por cerca de 29% da geração do Brasil, com 50.676 MW de capacidade instalada.

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Assassino de crianças e profissionais de creche em SC tem alta e vai para presídio

Como Saudades não tem unidade prisional, ele ficará detido em Chapecó, a 70 km de distância. Ataque a creche aconteceu na manhã de 4 de maio; três crianças e duas mulheres morreram.

Por Caroline Borges, G1 SC

O homem de 18 anos que invadiu uma creche e matou cinco pessoas há cerca de uma semana em Saudades, no Oeste catarinense, recebeu alta hospitalar na manhã desta quarta-feira (12). Segundo o Departamento de Administração Prisional (Deap), ele está detido no Presídio Regional de Chapecó, na mesma região — Saudades, onde o crime ocorreu, não tem unidades prisionais.

O ataque a creche aconteceu na manhã de 4 de maio. Três crianças e duas mulheres, sendo uma professora e a outra agente educacional, morreram. Uma quarta criança ficou ferida, foi hospitalizada e recebeu alta no domingo (9).

O assassino foi preso em flagrante no dia do ataque e levado ao hospital após dar golpes contra o próprio corpo. Ele estava internado no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, na mesma região. Dias depois, a Justiça determinou a prisão preventiva dele.

Em nota, o Deap informou que ele ficará em isolamento cumprindo os protocolos de prevenção à Covid-19. A Polícia Civil informou que não há previsão de quando ele será ouvido novamente. O inquérito policial deve ser encerrado nesta semana.

“Por questão de segurança do interno, não fornecemos detalhes sobre as celas ou localização dentro da unidade. Nos próximos 14 dias ele ficará em isolamento cumprindo o protocolo sanitário”, informou o Deap.

Na segunda segunda-feira (10), ainda no hospital, ele prestou depoimento. Segundo a Polícia Civil, a conversa durou cerca de uma hora, mas detalhes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações.

Familiares e amigos das cinco vítimas mortas no ataque a creche em Saudades, no Oeste catarinense, realizaram uma homenagem em frente à unidade infantil nesta terça-feira (11), uma semana após as mortes.

Veja quem são as vítimas do atentado

Keli Adriane, Sarah Luiza, Anna Bela, Murilo Massing e Mirla Renner são as vítimas do atentando a creche em Saudades (SC) — Foto: Reprodução/Redes Sociais; Reprodução/NSC TV

Keli Adriane, Sarah Luiza, Anna Bela, Murilo Massing e Mirla Renner são as vítimas do atentando a creche em Saudades (SC) — Foto: Reprodução/Redes Sociais; Reprodução/NSC TV

  • Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, era professora e dava aulas na unidade havia cerca de 10 anos
  • Mirla Renner, de 20 anos, era agente educacional na escola
  • Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses
  • Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses
  • Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses.
  • Um homem de 18 anos invadiu a escola Aquarela com duas facas às 10h de terça (4).
  • A creche fica na cidade de Saudades (SC), 600km de Florianópolis, e atende crianças de 6 meses a 2 anos.
  • 20 crianças estavam no local sob os cuidados de 5 professoras.
  • A primeira pessoa que o assassino atacou foi a professora Keli Adriane Aniecevski. Mesmo ferida, ela correu para uma sala, onde estavam quatro crianças e a agente educativa Mirla Renner, de 20 anos.
  • O homem chegou até a sala e continuou os ataques, matando Keli e três crianças. Mirla chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
  • Todas as vítimas foram atingidas com, pelo menos, cinco golpes de facão.
  • O assassino tentou entrar em todas as salas da creche, mas professoras conseguiram se trancar e proteger as crianças.
  • Na casa do assassino, a polícia encontrou R$ 11 mil e duas embalagens de facas novas.
  • O velório e o sepultamento das cinco vítimas foram coletivos.
  • O homem foi autuado em flagrante por cinco homicídios triplamente qualificados, além de uma tentativa de homicídio contra a criança que foi ferida.
  • A Justiça de Santa Catarina converteu a prisão em flagrante do autor para prisão preventiva.
  • A polícia está analisando computadores encontrados na casa de autor, ouviu testemunhas
  • O autor do ataque foi ouvido pela polícia ainda no hospital seis dias após invadir a creche com facão. O teor do depoimento não foi detalhado.

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Revisão de casos antigos faz número de infectados por Covid disparar no RJ, dizem secretários de Saúde

Média móvel em maio tem passado de 5 mil; aumento, no entanto, não reflete situação da pandemia.

Por Cristina Boeckel e Eduardo Pierre, G1 Rio

Secretário municipal de Saúde fala do aumento de 81% dos casos de Covid no Rio

revisão de casos antigos fez a média móvel de casos de Covid no Estado do Rio bater recorde. Um mutirão nas últimas semanas avaliou a ficha de pacientes que tinham quadro sugestivo para a doença, mas que não tinham entrado nas estatísticas.

A avaliação desses casos agora confirmados elevou a média móvel para 5 mil na última semana — mas secretários de Saúde afirmam que a Covid está regredindo no estado.

Nesta terça-feira (11), a média móvel de casos estava em 5.477, com um aumento de 81% em relação a duas semanas atrás — a maior porcentagem entre os estados brasileiros.

Média móvel no Rio chegou a 5.477 casos de Covid nesta terça (11) — Foto: Reprodução

Média móvel no Rio chegou a 5.477 casos de Covid nesta terça (11) — Foto: Reprodução

Eram 792 mil casos nesta terça, 289 mil só na capital.

“A gente vem vendo uma diminuição do número de casos na cidade e também de óbitos na última semana”, afirmou o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, ao Bom Dia Rio.

O secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, confirmou a informação ao G1.

Soranz admitiu que “parece que tem esse aumento”. “O que aconteceu é que a secretaria fez um mutirão para avaliar casos antigos, do ano passado e também do início deste ano, que não tinham sido classificados como Covid e que, de fato, eram Covid e que precisavam de atualização”, detalhou.

O secretário municipal ressalvou, porém, que “ainda é uma média muito alta”.

“Ainda temos 1.300 internados com Covid na cidade. As pessoas precisam manter todas as precauções, utilizar máscara, evitar aglomeração e manter o distanciamento social, porque ainda tem uma disseminação alta”, reforçou Soranz.

Entenda os números

Existem três datas atreladas a cada caso de Covid confirmado.

  1. A de divulgação: boletins diários são publicados pelas secretarias de Saúde, que informam quantos casos entraram nas tabelas nas últimas 24 horas.
  2. A de notificação: o dia em que o caso foi avisado às autoridades.
  3. A de início dos sintomas: é o dado mais fiel para entender o estado da disseminação do coronavírus.

Quase nunca essas três coincidem, e muitas vezes um caso pode demorar meses para aparecer.

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Rio volta a vacinar gestantes e puérperas com comorbidades, mas só com CoronaVac e Pfizer

Segundo a Anvisa, investigação sobre morte de gestante de 35 anos levou à suspensão do uso da vacina AstraZeneca. Secretário municipal de Saúde do Rio disse que, além de comorbidade, grávida devem ter ‘indicação médica expressa e detalhada’ recomendando a vacinação.

Por Rogério Coutinho, Bom Dia Rio

Rio volta a vacinar gestantes e puérperas com comorbidade

A Prefeitura do Rio retoma nesta quarta-feira (12) a vacinação contra a Covid de grávidas e puérperas com comorbidades (mulheres que acabaram de dar à luz), que havia sido suspensa na terça-feira (11).

Mas, por orientação do Ministério da Saúde, serão aplicadas no Rio as vacinas Pfizer e CoronaVac, de acordo com a disponibilidade de doses (veja abaixo a nota enviada pela Secretaria Municipal de Saúde).

Até a publicação desta reportagem não havia informações sobre a vacinação desses dois grupos no estado nesta quarta-feira.

Em Belo Horizonte, a vacinação de grávidas com comorbidade continua, mas a prefeitura suspendeu a imunização das que não têm comorbidades.

Gestantes devem ter indicação médica

Em entrevista ao Bom Dia Rio, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, disse que somente grávidas com comorbidade e com indicação médica expressa e detalhada devem ser imunizadas nesse momento porque “ainda tem que se avaliar o risco/benefício da vacinação de grávidas”.

Soranz explica que a Pfizer, a CoronaVac e a AstraZeneca ainda não têm todos os testes necessários para gestantes.

“Mesmo a vacina da Pfizer ainda não tem todos os testes completos para gestantes. Então, aqui no Rio de Janeiro, o médico deve avaliar se aquela gestante deve fazer a vacina ou não. O médico que está fazendo o pré-natal deve ver a comorbidade que ela tem e considerar o risco de ela ter Covid grave com o risco de ela fazer a vacinação”.

O secretário explica que o médico precisa preencher uma declaração médica recomendando a vacinação.

“E a gestante, também aqui na cidade do Rio de Janeiro, assina uma declaração de que ela conhece os riscos daquela vacina”.

Segundo Soranz, a capital não tem, no momento, nenhuma grávida no prazo para tomar a segunda dose de AstraZeneca. Segundo ele, só daqui a um mês elas devem retornar ao posto e, até lá, a expectativa é que o Ministério da Saúde já tenha uma recomendação mais objetiva sobre o assunto.

Soranz disse ainda que o Ministério da Saúde já está reservando em seu almoxarifado central a segunda dose da vacina da Pfizer para evitar desabastecimento nos municípios.

“A segunda dose vai ser enviado por eles [Ministério da Saúde] na época correta de vacinação, que foi definida no Brasil para 12 semanas”.

Suspensão da Anvisa

Na noite de segunda-feira (10), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota recomendando a suspensão imediata da aplicação da vacina AstraZeneca em grávidas, uma vez que a prescrição atual do fabricante não recomenda o uso desta vacina em grávidas sem orientação médica.

Para receber os imunizantes recomendados para grávidas ou puérperas com comorbidade, é necessário apresentar laudo médico detalhado justificando a recomendação e avaliação da relação risco-benefício para a vacinação, além da assinatura do termo de esclarecimento disponível em coronavirus.rio/vacina.

Após a recomendação da Anvisa, Estados e prefeituras mudaram a vacinação de grávidas.

Investigação sobre morte de gestante

A Anvisa informou em nota, na terça-feira (11), que a recomendação para suspender a aplicação da vacina AstraZeneca contra Covid-19 em grávidas foi feita pelo órgão após a notificação da morte suspeita de uma gestante de 35 anos.

“Foi notificada à Anvisa, na última sexta (07 de maio de 2021), pelo próprio fabricante da vacina Oxford/AstraZeneca/Fiocruz, a Fiocruz, a suspeita de evento adverso grave de acidente vascular cerebral hemorrágico com plaquetopenia ocorrido em gestante e óbito fetal”, informou a Anvisa.

A gestante morreu em 10 de maio e o caso ainda é investigado. Segundo a Anvisa, o “evento adverso grave de acidente vascular cerebral hemorrágico foi avaliado como possivelmente relacionado ao uso da vacina administrada na gestante”.

Nota da SMS

“A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informa que retomará nesta quarta-feira, 12 de maio, a vacinação contra a covid-19 de gestantes e puérperas com comorbidade. Por orientação do Ministério da Saúde, serão aplicadas apenas as vacinas Pfizer e CoronaVac, de acordo com a disponibilidade. Para receber a aplicação, é necessário apresentar laudo médico detalhado justificando a recomendação e avaliação da relação risco-benefício para a vacinação, além da assinatura do termo de esclarecimento disponível em coronavirus.rio/vacina”.

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‘Estou irada pelo sufoco que passamos aqui’, desabafa moradora após casa ser invadida pela água em Manaus

G1 esteve no Bairro do Céu e constatou cenas de desespero de quem vive na área. Enchente já é considerada uma das maiores dos últimos anos.

Por Matheus Castro, G1 AM

Moradores relatam drama vivido no Bairro do Céu após subida do Rio Negro

Moradores do Bairro do Céu, na Zona Central de Manaus, já estão com as casas – a maioria palafitas – dentro d’água. A situação crítica é somada com a falta de estrutura de pontes, que foram construídas pelos próprios moradores, e também da falta de ajuda do poder público, como denuncia quem mora por lá.

G1 esteve no local nesta terça-feira (11) e constatou cenas de desespero de quem vive na área há mais de 40 anos. Como é o caso da aposentada Cleonice Pereira, de 62 anos. Ela mora em uma palafita com o marido e os filhos, e já está com a água dentro de casa. Com o marido doente, a situação fica ainda pior e ela disse estar indignada.

“Veja o sofrimento da gente, das nossas crianças, dos animais. A gente precisa de ajuda, chega de mentiras. No tempo de política nos prometem muitas coisas, mas não tem nada. Eu estou irada. Todo mundo fecha o olho, se finge de cego e diz que não conhece aqui. Como não conhece? No tempo da campanha política estavam aqui. Moro aqui há 40 anos e todo tempo nessa peleja. Prosamim passou. ‘Vai sair, vai sair’, e nada. Só mentiras”, desabafou.

“A gente vive na mentira. Me desculpe, mas estou irada pelo sufoco que estamos passando aqui”.

A situação é a mesma vivida pela aposentada Lucidalva Silva, de 67 anos. Ela dividia a casa com dois filhos e os netos, e agora precisa dividir também com a água, que avança cada dia mais.

“Estamos na água. E com a subida dos rios isso aqui fica cheio de bichos. Tem sucuriju, tem jacaré. Estamos pedindo que as autoridades olhem pela gente. Até agora não chegou nada, nem kit madeira, nem auxílio… É uma humilhação, muito difícil. Aqui são muitas promessas, mas quem pega promessa é santo e não somos santos. Somos seres humanos”.

Moradora da área há 30 anos, a aposentada contou que todos os anos a situação é a mesma, mas com a pandemia e os efeitos da crise econômica, os moradores sequer tem dinheiro para comprar comida.

“Toda vez é assim. Nos outros anos, eles vinham e até faziam a ponte. Esse ano não vieram. Fomos nós que construímos. A dúzia da madeira é R$ 350. Estamos abandonados. As crianças doentes, tossindo, com febre. Estamos com medo”.

A gente não tem dinheiro nem para comprar comida, onde vamos achar para comprar a madeira?

Além de levantarem os assoalhos das próprias casas com as chamadas marombas, os moradores do bairro também construíram pontes de madeiras com restos de madeiras antigas. Segundo eles, a estrutura anterior, montada pela prefeitura, já está submersa e eles temem que essa também fique, com a rápida subida da água. Além disso, uma lixeira a céu aberto deixa ainda mais vulnerável quem já não tem sequer o mínimo para viver com dignidade.

A situação também é crítica na Rua Frei José dos Inocentes, que fica a menos de 500 metros do Palácio Rio Branco, uma das sedes da administração municipal, e também do Paço. Por lá, a água, que estava ameaçando há duas semanas entrar na casa dos moradores, já conseguiu acessar a da doméstica Luana Nogueira, de 27 anos.

“Estamos há quatro dias nessa situação. Já perdi meu guarda-roupas, meu fogão. Foi muito rápido. Saí para ir almoçar na casa da avó do meu marido, quando eu voltei já estava alagado. Esse é o meu primeiro ano aqui. Já tem quatro dias que ligo para a Defesa Civil e nada. Já vimos cobra, tem jacaré. Tenho dois bebês e só eu que venho para cá para ver, esperando para ver se alguém me dá uma resposta, mas até agora nada”, contou.

Na casa ao lado, preocupados, os moradores já providenciaram paletespara suspender móveis e eletrodomésticos com medo da rápida subida da água. A última vez que a medida foi necessária foi em 2012, ano da cheia recorde em todo o estado.

G1 questionou a prefeitura de Manaus e o governo do Amazonas sobre a situação das famílias que moram no local. O governo do estado não se posicionou.

Em nota, a prefeitura de Manaus informou que vai disponibilizar Auxílio Aluguel no valor de R$ 300, por três meses, podendo ser prorrogado, para as famílias atingidas pela subida das águas que precisam deixar as suas residências. A expectativa é que os recursos sejam liberados ainda em maio. O texto diz ainda que foram cadastradas mais de 2 mil famílias de 12 bairros de Manaus e da área rural ribeirinha. Também serão distribuídas às famílias: cestas básicas, colchões (casal e solteiro), lençóis e redes.

A prefeitura informa também que está construindo pontes em áreas alagadas para o deslocamento da população. Ao todo, já foram construídos mais de 600 metros de ponte e o bairro Aparecida está no cronograma de atendimento.

Situação de emergência

Na semana passada, o prefeito de Manaus, David Almeida, decretou situação de emergência devido a cheia do Rio Negro. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município e tem vigência de 90 dias.

Nesta terça (11), o nível do Rio Negro atingiu a cota de 29,52 metros, segundo o site do Porto de Manaus. Isso significa que o nível do rio está apenas 45 centímetros abaixo da cheia histórica de 2012, quando houve o pico de 29,97 metros. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a previsão é de que neste ano o nível do rio chegue até a 30,35 metros, ultrapassando a cheia histórica de 2012.

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Garimpeiros atiram contra Polícia Federal em região de conflito da Terra Yanomami

Agentes da Polícia Federal estavam na comunidade Palimiú para investigar conflito registrado na segunda-feira (10) quando garimpeiros começaram disparos. Ninguém se feriu.

Por Valéria Oliveira e Vanessa Fernandes, G1 RR — Boa Vista

Garimpeiros atiraram contra policiais federais na tarde desta terça-feira (11) quando agentes estavam na Terra Yanomami para levantar informações sobre o conflito armado registrado na comunidade Palimiú na segunda (10).

A Polícia Federal revidou e, durante cerca de cinco minutos, houve intensa troca de tiros. Não houve feridos, segundo a PF. Assista no vídeo acima.

Os garimpeiros estavam em barcos e atiraram todo o tempo direto do rio. Houve confusão e correria entre os indígenas.

A comunidade fica às margens do rio Uraricorera, onde garimpeiros exploram o ouro ilegalmente.

Com a troca de tiros entre a PF e garimpeiros, a localidade registrou o sexto conflito em menos de 15 dias. O clima é de tensão na região.

A PF investigava o tiroteio que aconteceu na segunda (10), um dia antes, e resultou na morte de três garimpeiros e cinco feridos, além de um indígena baleado de raspão na cabeça.

A informação dos óbitos foi repassada ao Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-Y) pelos indígenas da região, mas a PF não confirma as mortes.

Sete agentes da Polícia Federal foram enviados à região para investigar conflito armado  — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Sete agentes da Polícia Federal foram enviados à região para investigar conflito armado — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Correria e movimentação de barcos

O confronto desta terça ocorreu quando garimpeiros atiraram contra os agentes. Também estavam na comitiva o líder indígena e presidente do Condisi-Y, Júnior Hekurari Yanomami, e um servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Quando a equipe de policiais federais estava prestes a embarcar de volta a Boa Vista, uma embarcação de garimpeiros passou no rio Uraricoera efetuando disparos de arma de fogo”, informou a PF em nota.

“A equipe se abrigou e respondeu a injusta agressão, sem contudo haver registro de atingidos de nenhum dos lados”, continuou.

Líder indígena fala sobre troca de tiros entre garimpeiros e PF na Terra Yanomami

Parte do confronto foi registrado em vídeos por Júnior Hekurari Yanomami. As imagens flagraram intensas rajadas de tiros, movimentação dos policiais, de indígenas e dos barcos usados pelos garimpeiros no rio Uraricoera.

“Quando chegamos lá, passaram seis barcos de garimpeiros armados. Depois ouvimos os Yanomami sobre o que havia acontecido e o motivo. Depois que ouvimos todo mundo, aproximadamente 15h20, recebemos os tiros, enquanto estávamos lá com os policiais federais. Os Yanomami atiraram, os garimpeiros atiraram, e os policiais atiraram. É uma situação muito tensa. Só hoje, eles sofreram três ataques”, relatou Júnior Hekurari Yanomami.

Junto com o envio de agentes da PF para a comunidade também estava prevista a ida de tropas do Exército Brasileiro, o que não ocorreu.

Procurada, a assessoria da 1ª Brigada, em Boa Vista, informou que a aeronave com os militares não decolou na capital devido ao mau tempo.

O confronto também foi informado ao vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa Yanomami, no momento em que ocorria.

Ele recebeu a informação por uma ligação feita de um orelhão que há na comunidade. “Ouvi pelo telefone o tiroteio. O mesmo clima de tensão de ontem [no confronto armado], é o de hoje”, disse.

Conflito na TI Yanomami — Foto: Arte/G1

Conflito na TI Yanomami — Foto: Arte/G1

Por que a região é alvo de conflito?

O conflito em Palimiú ocorre porque, segundo a Hutukara e o Condisi-Y, indígenas montaram uma barreira sanitária no rio Uraricoera e têm retido materiais de invasores que seriam levados à garimpos ilegais na região.

Assustado com os conflitos da região, Júnior Hekurari Yanomami disse que é necessário que autoridades enviem tropas de segurança para Palimiú.

“Eles são muitos e estão fortemente armados. A comunidade pediu que as forças policiais ficassem na comunidade pois a qualquer momento eles vão retornar. Corremos o risco de sofrer um massacre”, afirmou, acrescentando ter ficado com “muito medo” pois parecia “cena de filme”.

Garimpeiros atacam agentes federais em área Yanomami

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região, alvo de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro.

O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras reportadas em estudo, segundo a Funai.

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Previsão para colheita de grãos recua com atraso no plantio do milho

Em relação à estimativa de abril, houve queda de 2,1 milhões de toneladas, para 271,7 milhões na estimativa para a safra 2020/21, diz Conab. Apesar disso, volume da colheita ainda é recorde.

Por G1

A produção nacional de grãos deve alcançar 271,7 milhões de toneladas na safra 2020/2021, uma perda de 2,1 milhões de toneladas em relação à projeção de abril, mas, ainda assim, uma quantidade recorde e maior do que a temporada passada (+14,7 milhões de toneladas).

As estimativas são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estatal responsável por gerir políticas agrícolas e garantir o abastecimento de alimentos à população do Brasil.

“A redução deve-se, sobretudo, ao retardamento da colheita da soja e, como consequência, o plantio de grande parte da área do milho segunda safra fora da janela ideal, aliado à baixa ocorrência de chuvas. Portanto, já há redução na produtividade esperada do cereal”, informou a estatal nesta quarta-feira.

Com os atrasos, a projeção para a colheita de milho segunda safra (milho safrinha) teve redução de 3,4% em relação ao previsto em abril, para 79,8 milhões, volume que é, no entanto, 6,3% maior do que foi colhido na safra passada. No total, a colheita do milho deve alcançar 106,4 milhões de toneladas.

Apesar da diminuição da projeção, a Conab diz que o volume será “suficiente para garantir o abastecimento nacional” e cumprir “cumprir os contratos de exportação”.

A soja mantém o seu destaque, com uma produção recorde estimada em 135,4 milhões de toneladas, 8,5% ou 10,6 milhões de toneladas superior à da safra 2019/20.

As projeções para as demais culturas são:

Algodão: 2,4 milhões de toneladas, redução de 18,6% em relação à safra anterior, puxada, especialmente, pela diminuição de área plantada.

Arroz: 11,6 milhões de toneladas, 3,9% maior que a safra anterior, com alta de 1,3% na área plantada.

Feijão: 3,1 milhões de toneladas, redução de 3,6%, devido a problemas climáticos.

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Homem é baleado durante confronto entre PMs e bandidos no Morro do Borel, na Tijuca

Segundo a Polícia Militar, o ferido estava armado. A PM informou, ainda, que a troca de tiros começou depois que criminosos atacaram a base da Unidade de Polícia Pacificadora local.

Por Guilherme Peixoto, Bom Dia Rio

Logo cedo, moradores do Borel relataram a troca de tiros por meio de publicações em redes sociais. — Foto: Reprodução/TV Globo

Logo cedo, moradores do Borel relataram a troca de tiros por meio de publicações em redes sociais. — Foto: Reprodução/TV Globo

Um homem foi baleado durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local. Segundo a Polícia Militar, o ferido estava armado.

Logo cedo, moradores da região relataram a troca de tiros por meio de publicação em redes sociais.

De acordo com a PM, criminosos atacaram a base da UPP, o que deu início ao tiroteio.

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9% das mulheres brasileiras sofreram violência sexual alguma vez na vida, diz pesquisa de IBGE e Ministério da Saúde

Pesquisa Nacional da Saúde, publicada na última sexta (7), mostra que 7,5 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de violência sexual na vida. Dados revelam que 60% das vítimas tiveram consequências psicológicas, como depressão e ansiedade, em decorrência da agressão.

Por Patrícia Figueiredo, G1 SP — São Paulo

Pelo menos 8,9% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência sexual na vida, segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), divulgada na última sexta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde. As entrevistas foram feitas em 2019 por meio de visitas a mais de 100 mil domicílios selecionados por amostragem em todo o país.

Como a pesquisa questionou se a pessoa sofreu violência sexual alguma vez na vida, e não apenas no período imediatamente anterior à entrevista, foram contabilizadas histórias como a da gerente de operações Juliana*, de 30 anos, que foi vítima de uma agressão sexual na área comum do prédio onde morava quando tinha 14 anos.

“Esses três meninos vieram na minha direção, e um deles puxou meu braço para trás, o outro amarrou um moletom nos meus olhos, e outro sentou no meu colo e começou a se mover. Os três passaram a mão no meu peito, colocaram a mão por dentro da minha calcinha, me apalparam. E eu gritava e chorava, mas ninguém veio na minha direção. Eu não sei quanto tempo durou, mas para mim parece que durou uma eternidade”, conta.

Um dos trunfos da pesquisa, segundo especialistas em violência contra a mulher ouvidas pelo G1, foi utilizar duas perguntas distintas para identificar os diferentes casos de violência sexual. Isso faz com que os dados obtidos incluam desde casos de estupro até situações como a vivida por Juliana, que seria enquadrada no crime de importunação sexual.

Uma das perguntas do questionário é se a pessoa entrevistada “foi tocada, manipulada, beijada ou teve partes do corpo expostas contra a vontade”. Essa questão foi respondida positivamente por 79,7% das vítimas de violência sexual, sendo 76,1% das mulheres e 89,3% dos homens.

A segunda pergunta sobre o tema avalia se a pessoa “foi ameaçada ou forçada a ter relações sexuais ou quaisquer atos sexuais, contra a vontade”. Neste caso, 50,3% das vítimas disseram ter vivido a situação, sendo 57,1% das mulheres e 32,2% dos homens.

Com base nessas respostas, o estudo estima que 9,4 milhões de pessoas de 18 anos ou mais de idade foram vítimas de algum episódio de violência sexual em algum momento da vida.

O número corresponde a 5,9% da população, mas o percentual de vítimas é muito maior entre as mulheres: 2,5% dos homens sofreram agressões sexuais na vida, contra 8,9% das mulheres brasileiras. Só nos 12 meses que antecederam as entrevistas, 1,2 milhão de pessoas foram vítimas de violência sexual, dentre as quais 72,7% eram mulheres (885 mil).

A maior parte das agressões sexuais contra mulheres foi perpetrada por companheiros, namorados, cônjuges ou ex-parceiros, citados em 53,3% das respostas. A violência sexual ocorreu, em 61,6% dos casos, na residência das próprias vítimas.

Para Silvia Chakian, promotora de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo, os dados comprovam que a violência sexual é resultado de um cenário de desigualdade de gênero porque ela afeta de maneira muito mais profunda a vida de meninas e mulheres.

“A violência sexual, além de ser uma das mais graves violações de direitos humanos, é também a que mais escancara a desigualdade [de gênero], porque as vítimas são meninas e mulheres, na sua imensa maioria”, afirma Chakian.

“Estamos falando de uma violência de gênero, que é fruto de uma relação de poder e submissão que foi criada e reforçada historicamente pela sociedade. É essa relação de poder que acarreta tanto desequilíbrio, e que ainda induz a muita violência sexual”, completa.

Consequências da violência sexual

A pesquisa também mostrou que a violência sexual gera consequências psicológicas: 60,2% das vítimas declarou que a agressão provocou “medo, tristeza, desânimo, dificuldades para dormir, ansiedade, depressão ou outras consequências psicológicas”.

Consequências físicas como hematomas, cortes, fraturas, queimaduras ou outras lesões físicas ou ferimentos foram citadas por 19% das vítimas.

Segundo a psicóloga Daniela Pedroso, que há 24 anos é especialista no atendimento a vítimas de violência sexual, as consequências da agressão podem ser imediatas, mas também podem perdurar por anos. Para Pedroso, ao perguntar se a violência ocorreu alguma vez na vida do entrevistado, a pesquisa do IBGE revela abusos que muitas vezes não são contabilizados.

A especialista afirma que é comum que, ao tratar as consequências psicológicas de uma agressão, a mulher revele que foi vítima de outros casos de violência sexual no passado.

“A gente entende a violência sexual como um fenômeno transgeracional, ou seja, que atravessa diferentes períodos da vida de uma mulher. É cada vez mais comum que, quando essa mulher vítima de uma agressão chega para o atendimento, ela traga também o relato daquele abuso que ela sofreu lá atrás na infância, que ela nunca contou pra ninguém, que nunca foi tratado”, explica.

Anos antes do assédio que viveu aos 14, a gerente de operações Juliana* já havia sido vítima de outro episódio de violência sexual. Aos 12 anos, durante uma viagem no metrô em São Paulo, um homem se masturbou na sua frente e ejaculou sobre ela.

“Eu estava voltando do colégio de metrô, sentada, e um cara parou na minha frente. Eu estava lendo um livro e, quando tirei o olho da página, vi que ele estava se masturbando na minha frente. Eu era uma criança, nem sabia o que estava acontecendo, e foi pavoroso. Eu não assimilei o que tinha acontecido”, relembra.

A percepção da violência, para a psicóloga Daniela Pedroso, é prejudicada pela falta de discussão sobre o que caracteriza abuso sexual.

“Às vezes as próprias vítimas não se reconhecem como tal, porque a gente fala sobre violência sexual, mas não nomeia as coisas, e aí fica essa percepção incorreta de que estupro é quando existe a penetração, de que só isso é violência sexual”, afirma.

“Estamos falando de uma violência que pode deixar marcas profundas que podem se manifestar a curto ou a longo prazo. Então é preciso buscar ajuda e entender que a culpa nunca é da vítima”, avalia a promotora Silvia Chakian.

“Não é exigido que haja penetração ou um toque mais invasivo: todo esse comportamento que hoje chamamos de importunação sexual, tudo isso é violência sexual. Então é importante que essa gama mais extensa seja abordada nas pesquisas. Tudo isso é violência, tudo isso tem consequências, e tudo precisa ser notificado”, completa.

Violência física e psicológica

Além de questões sobre violência sexual, a pesquisa do IBGE também avaliou a incidência de violência física ou psicológica na população brasileira. Os dados mostram que a violência atinge mais as mulheres, os jovens e as pessoas pretas ou pardas.

De acordo com a pesquisa, nos 12 meses anteriores à entrevista, 19,4% das mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual, contra 17% entre os homens.

Entre jovens de 18 a 29 anos, o percentual chega a 27%, enquanto é de 20,4% na faixa de 30 a 39 anos; 16,5% entre os adultos de 40 a 59 anos e 10,1% entre os de 60 anos ou mais.

Além disso, as pessoas pretas (20,6%) e pardas (19,3%) sofreram mais com os diversos tipos de violência do que as pessoas brancas (16,6%).

A população com menor renda também teve maior incidência de casos, segundo a pesquisa. Apesar disso, não é possível relacionar a ocorrência da violência somente à renda, porque outros fatores, como o racismo e o machismo, também afetam os números, segundo os pesquisadores.

“Há uma incidência maior de violência entre pessoas com domicílios com menor rendimento. Mas não podemos fazer uma correlação entre pobreza e violência, pois há outras questões envolvidas como a cultural, o machismo e o racismo”, disse a analista da pesquisa, Flavia Vinhaes, à Agência IBGE.

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