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Socorro à vítima de ataque de tubarão no Recife foi equivocado, afirma médico

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24 de julho de 2013

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Socorro à vítima de ataque de tubarão no Recife foi equivocado, afirma médico

Cenas fortes do resgate da estudante paulista Bruna Silva Gobbi, 18 anos, vítima de ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, nessa segunda-feira (22), se espalharam pela internet horas depois do acidente. Acompanhando, através das imagens gravadas por populares, o socorro prestado à turista que veio a Pernambuco de férias, o cirurgião especializado em emergências João Veiga viu falhas no atendimento inicial. “Foi um procedimento extremamente equivocado, uma conduta que merece críticas. Há perda de tempo porque não foi feito de maneira esquematizada. Agora, já que não podemos mais resgatá-la da morte, temos que usar o exemplo para aprender”, afirma.

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Bruna Gobbi iria voltar para São Paulo nesta quarta (Foto: Reprodução/Facebook)

Para o médico, algumas medidas poderiam ter minimizado a gravidade do estado de saúde da garota, que acabou falecendo aproximadamente 12 horas depois de ter parte da sua perna esquerda dilacerada por um tubarão enquanto tomava banho no mar com uma prima, também de São Paulo. “O bombeiro deveria ter feito um torniquete para evitar a perda de sangue logo quando saiu da praia. O procedimento correto também é agasalhar o paciente, aquecendo-o imediatamente, e colocar os membros para cima, com tronco e cabeça para baixo, para o pouco de sangue que sobra ir para o coração e a cabeça”, explica. O cirurgião lembra que atendeu uma vítima de ataque de tubarão em Pau Amarelo, no Grande Recife, há dez anos com as mesmas características e, de acordo com ele, o torniquete feito por um amigo foi capaz de salvá-lo.
“Nosso atendimento deve melhorar e aprender com esse caso para, mais adiante, não errar novamente”

“Além disso, um paciente nesse estado deve ser levado imediatamente para um ambiente hospitalar, não pré-hospitalar, como ocorreu”, acrescenta o médico. Depois de ser atacada pelo tubarão, Bruna Gobbi foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, também na Zona Sul, em uma viatura policial. Devido à gravidade dos ferimentos, a jovem precisou ser transferida para o Hospital da Restauração (HR), na área central, referência nesse tipo de atendimento em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com João Veiga, é melhor esperar o transporte adequado do paciente para a unidade hospitalar. “Às vezes, a remoção mal feita pode piorar o quadro. Sou a favor de aguardar o transporte, já que é uma conduta máxima do atendimento de urgência”, explica.

Ao contrário do cirurgião, o coordenador da Central de Leitos do Estado, o médico Thiago Azevedo, defende que o protocolo indica as equipes de saúde a levar o paciente para o primeiro local que tenha estrutura mínima para estabilização das condições respiratórias e cardiovasculares. “Se o procedimento fosse outro, talvez ela tivesse perdido menos sangue, mas não sei se seria um ponto tão determinante. Depois que acontece um desfecho pior, é muito fácil apontar erros no atendimento”, diz o médico que reconhece que, do ponto de vista técnico, a vítima do ataque deveria ter sido mantida deitada, embora afirme que há “pormenores que precisam ser considerados” e não pode julgar o trabalho de outra equipe de saúde que ele acredita “ter feito o que pode”. Enquanto aguardava o transporte para a unidade de saúde, Bruna foi mantida sentada.


 

O comandante geral do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, Carlos Eduardo Casanova, afirmou, em entrevista à Rede Globo concedida essa tarde, que Bruna Gobbi foi levada para a unidade de saúde devido ao trânsito geralmente enfrentado na capital pernambucana no início da tarde. Casanova também ressaltou que, quando a garota foi transferida da UPA, o HR foi informado antes de sua chegada, deixando uma equipe cirúrgica da emergência a postos para recebê-la. O comandante frisou ainda a agilidade dos bombeiros que resgataram a estudante.

O ATAQUE – Bruna Gobbi foi à Praia de Boa Viagem com uma prima também paulistana e dois primos pernambucanos na manhã dessa segunda-feira. As jovens vieram de São Paulo com a mãe de Bruna e uma tia-avó na última quinta (18) e voltariam para casa nesta quarta (24), mesma data em que a vítima será sepultada, no município de Escada. Bruna já havia passado pelo município, na Zona da Mata, onde vive a avó materna, além de Surubim, no Agreste. A estudante, filha de pais separados, vivia na capital paulista com a mãe e uma irmã de apenas 8 anos. No dia em que sofreu o ataque de tubarão, estava no mar com os primos quando começaram a se afogar. De acordo com o tio que a hospedava em Olinda, na Região Metropolitana, o ataque só foi percebido pelos parentes quando a garota foi retirada da água pelo Corpo de Bombeiros. Veja o depoimento de um comerciante local:

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Foto: Guga Matos/JC Imagem

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Marcos Lima

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