‘UTI não diminui o crescimento da pandemia’, diz pesquisadora da Fiocruz ao defender ampliação de exames de Covid-19

Segundo Ana Brito, com baixa testagem não é possível monitorar o crescimento da pandemia, o que pode resultar ‘em vários episódios de aceleração sem controle’.

Por Pedro Lins, TV Globo

Pesquisadora da Fiocruz aponta necessidade de testagem dos casos leves de Covid-19

Pernambuco registrou, até o domingo (28), mais de 58,1 mil casos de Covid-19 e de 4,7 mil mortes desde que começaram a ser contabilizados, em março. Segundo Ana Brito, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sem a ampliação de testagem para casos sintomáticos e restruturação das unidades básicas de saúde, será difícil monitorar o crescimento da pandemia. “UTI não diminui o crescimento da pandemia, ela trata os casos graves”, declarou.

“Neste momento, as autoridades tinham que estar preocupadas com um plano para controlar o crescimento da pandemia. Este plano passa, necessariamente, para reestruturação, pela integração das unidades básicas de saúde nos territórios, no enfrentamento, na condução, no isolamento dos casos mais vulneráveis”, defendeu Ana Brito.

De acordo com a pesquisadora, o estado não faz testagem em massa. O que se faz atualmente são as testagens dos casos graves que demandam assistência hospitalar.

“Leitos de UTI são muito importantes para tratar os casos graves, mas não é uma estratégia para diminuir o número de casos. O crescimento da pandemia vai depender de outras ações. Entre elas, o isolamento social, mas, sobretudo, uma articulação muito organizada com a atenção básica de saúde para identificação dos sintomáticos leves e o isolamento dos comunicantes, das pessoas que têm contado direto com essas pessoas, tanto no ambiente de trabalho, quanto no ambiente doméstico”, afirmou

Segundo Ana, os casos sintomáticos leves estão nas comunidades. “Sem testes, não temos como monitorar o crescimento dessa pandemia. Obviamente que essas medidas parciais de isolamento, com flexibilização antes da aceleração dos casos, vão resultar em vários episódios de aceleração da pandemia sem controle”, disse.

Quanto à essa possibilidade, em entrevista ao Bom Dia PE, no dia 22 deste mês, o prefeito do Recife disse que “em qualquer risco de colapso no sistema de saúde” está atento para “mexer novamente” nas restrições da cidade, como ocorreu em Belo Horizonte, capital mineira.

Fiocruz firma acordo para produção de vacinas de Oxford

No domingo (28), a GloboNews divulgou que a Fiocruz é uma das fundações que fizeram parceira com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, para produzir uma vacina contra a Covid-19 (veja vídeo acima). Segundo a pesquisadora, haverá “muita dificuldade de ter uma formulação de vacina ainda neste ano”.

“Ainda há uma ansiedade mundial por essa possibilidade de vacina, mas a população tem que ter cautela, tem que ter um pouco de paciência. Por enquanto, a vacina não é uma realidade, ela está sendo testada. Existem mais de 140 vacinas candidatas e 13 delas estão sendo testadas em seres humanos, uma é da Universidade de Oxford, com colaboração de algumas fundações do Brasil, entre elas a Fiocruz”, explicou a pesquisadora.

Reabertura

Após uma quarentena mais rígida de duas semanas no Recife e outras quatro cidades, Pernambuco iniciou o processo de flexibilização das atividades econômicas no início de junho. Apenas evoluem para as próximas fases as regiões do estado que apresentam redução no número de casos.

Atualmente, parques e praias da Região Metropolitana do Recife estão abrindo de acordo com regras impostas pelas prefeituras. Shoppings e o comércio em geral retomaram o funcionamento, cumprindo restrições e protocolos de segurança e higiene. A construção civil também foi liberada. Templos e igrejas também podem reabrir, com restrições do número de fiéis.

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