Turquia indicia presidente de mina onde morreram mais de 300 pessoas

O presidente executivo da mina de Soma, oeste da Turquia, onde morreram 301 trabalhadores, foi detido e indiciado, o que eleva a oito o número de funcionários da empresa detidos na investigação sobre a tragédia.

Can Gürkan, que é filho do proprietário da empresa Soma Kmür Isletmeleri, foi indiciado por homicídios culposos pela promotoria da cidade e detido, segundo a agência Dogan.

Além de Gürkan, no domingo foram detidos e indiciados o diretor geral da mina, Ramazan Dogru, o diretor operacional, Akin Celik, dois engenheiros, dois supervisores e um técnico.

Outros funcionários da empresa foram indiciados, mas deixados em liberdade sob controle judicial.

A direção da empresa anunciou na sexta-feira que respeitaram as normas de segurança.

Segundo um relatório preliminar da investigação, citado pela imprensa turca, o nível de monóxido de carbono, um gás letal, registrado no momento do acidente era muito superior ao limite estabelecido pelas normas de segurança. O documento também destaca o forte calor nas galerias e que os trabalhos não foram suspensos.

O procurador de Soma, Bekir Sahiner, descartou a possibilidade do incêndio que destruiu a mina ter sido provocado por uma falha no sistema elétrico, como sugeriram algumas testemunhas, e destacou a possibilidade de uma “combustão de carvão que entrou em contato com o ar”.

As operações de resgate e recuperação dos corpos foram concluídas no sábado.

A catástrofe, a tragédia com o maior número de mortos na história da Turquia, provocou a revolta da população contra o governo islamita-conservador do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, acusado de negligência e falta de sensibilidade.

Equipe de resgate retira corpo de uma das vítimas do soterramento em mina na Turquia (Foto: Osman Orsal/Reuters)
Equipe de resgate retira corpo de uma das vítimas do soterramento em mina na Turquia
(Foto: Osman Orsal/Reuters)
Da France Presse

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