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Tragédia no Canecão Mineiro completa 20 anos com vítima ainda à espera de indenização: ‘Não tem dinheiro que pague’

Incêndio na casa de shows deixou sete mortos e 197 feridos e completa 20 anos nesta quarta-feira (24).

Por Leonardo Milagres*, g1 Minas — Belo Horizonte

Canecão Mineiro pegou fogo em 2001 e sete pessoas morreram; outras 197 ficaram feridas — Foto: TV Globo/Acervo pessoal

Canecão Mineiro pegou fogo em 2001 e sete pessoas morreram; outras 197 ficaram feridas — Foto: TV Globo/Acervo pessoal

“Eu senti um descaso muito grande, porque eu quase perdi a minha vida. Eu paguei para entrar numa casa de show para me divertir e quase acabei com a minha vida. Apesar de eu saber que não tem dinheiro que pague, é uma forma de mostrar que existe, sim, justiça.”

O relato é de Janaína Helen Basílio Paixão, de 42 anos, uma das 197 pessoas feridas no incêndio na casa de shows Canecão Mineiro, que funcionava na Região Oeste de Belo Horizonte.

A tragédia, que causou a morte de outras sete pessoas, completa 20 anos nesta quarta-feira (24). As chamas começaram com uma cascata de fogos de artifício no palco, semelhante à tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013.

Em duas décadas, vários processos foram movidos contra os organizadores do evento e a prefeitura da capital, mas algumas vítimas nunca foram, de fato, reparadas.

Janaína e o filho, Nicolas, de um ano e nove meses  — Foto: Arquivo pessoal

Janaína e o filho, Nicolas, de um ano e nove meses — Foto: Arquivo pessoal

Auxiliar de serviços gerais desempregada e mãe do Nicolas, de um ano e nove meses, Janaína conta que o acidente marcou a sua vida, negativamente, para sempre.

“Fui tão pisoteada que me quebraram três costelas. O cabelo saía da cabeça, de tão puxado que foi. Foi um dia infernal, que queria esquecer pelo resto da minha vida”, diz.

Além das sequelas físicas e das dores de costelas, pé e braço quebrados, queimaduras pelo corpo, sendo algumas de terceiro grau, e 45 dias de internação em estado grave, o acidente deixou marcas psicológicas, com quadros de síndrome do pânico e ansiedade.

“Fiquei muito tempo sem estudar, fiquei muito tempo sem trabalhar. Agora eu até consigo pegar um ônibus, mas se o ônibus encher de gente, não dou conta”, afirma.

20 anos depois

Maria José mostra a foto do irmão Geraldo, morto no incêndio — Foto: Reprodução/TV Globo

Maria José mostra a foto do irmão Geraldo, morto no incêndio — Foto: Reprodução/TV Globo

As vítimas buscaram reparação na Justiça por danos materiais, estéticos e morais.

Nas ações, as despesas de cirurgias corretivas e estéticas seriam custeadas pelos réus, assim como sessões fisioterápicas e psicológicas. Quem ficou incapacitado para o trabalho também deveria receber pensão vitalícia.

Wil Brener é um dos sobreviventes do incêndio no 'Canecão Mineiro' — Foto: Reprodução/TV Globo

Wil Brener é um dos sobreviventes do incêndio no ‘Canecão Mineiro’ — Foto: Reprodução/TV Globo

Brener mostra queimadura na barrigad — Foto: Reprodução/TV Globo

Brener mostra queimadura na barrigad — Foto: Reprodução/TV Globo

Em 2013, sete pessoas foram condenadas por homicídio culposo, entre os donos da boate e músicos da banda “Armadilha do Samba”, que se apresentava no momento em que as chamas se alastraram.

A casa não tinha saídas de emergência, e catracas faziam o controle de acesso à porta principal, dificultando a entrada e a saída do público.

No caso de Janaína, ela e mais sete pessoas são autoras de um processo coletivo, que aguarda o julgamento de um recurso interposto pela Prefeitura de Belo Horizonte, desde dezembro de 2020, no Tribunal de Justiça de Minas, segundo a Defensoria Pública, que representa essas pessoas.

g1 procurou a PBH para saber o andamento dos processos que têm a administração municipal como ré, principalmente pela negligência na fiscalização do espaço, que não tinha alvará de funcionamento.

Em nota, a prefeitura disse que “ainda aguarda decisões judiciais decorrentes do acidente na casa de shows Canecão Mineiro e, por isso, não irá se manifestar sobre os processos”.

Relembre o caso

Tragédia em Santa Maria traz lembranças de incêndio no Canecão Mineiro, em BH

Na madrugada do dia 24 de novembro de 2001, um incêndio na casa de shows “Canecão Mineiro”, que ficava na Avenida Teresa Cristina, no bairro Prado, na Região Oeste de Belo Horizonte, deixou sete pessoas mortas e ao menos 197 feridas.

As chamas começaram com uma cascata de fogos de artifício no palco. Na hora, a banda “Armadilha do Samba” se apresentava.

A casa não tinha saídas de emergência, e catracas faziam o controle de entrada e saída na porta principal. Naquela noite, 1,5 mil pessoas assistiam ao show.

Fogo destrói casa de shows 'Canecão Mineiro', em 2001, em Belo Horizonte — Foto: Reprodução/TV Globo

Fogo destrói casa de shows ‘Canecão Mineiro’, em 2001, em Belo Horizonte — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo a Defensoria Pública de Minas Gerais, a tragédia teria causado danos físicos e morais a cerca de 360 pessoas, incluindo os responsáveis pelo acidente.

Em poucos dias, o órgão formou um grupo de trabalho para estudar o caso e providenciar o acolhimento jurídico das vítimas.

Inicialmente, três réus foram indiciados nas acusações judiciais: a Prefeitura de Belo Horizonte, a Betti e Lopes Ltda., registro de pessoa jurídica do “Canecão Mineiro”, e Rubens Resende Martins e Reinaldo Martins Resende, donos da boate.

No caso do município, o prefeito em exercício, Fernando Pimentel, constituiu uma comissão de alto nível, presidida pelo procurador-geral de BH, que constatou a ausência de alvará de funcionamento por parte do negócio.

Fogo atinge teto do 'Canecão Mineiro' — Foto: Reprodução/TV Globo

Fogo atinge teto do ‘Canecão Mineiro’ — Foto: Reprodução/TV Globo

Além disso, a fiscalização da Regional Oeste teria falhado em não averiguar a atividade de um estabelecimento sem alvará. Após uma mudança na legislação em dezembro de 2000, as condições do imóvel também não autorizariam a concessão da licença.

Em relação à danceteria, ela tinha o “dever de respeitar e cumprir a legislação referida, de forma a assegurar a segurança e a incolumidade dos autores”. Os proprietários foram condenados criminalmente, assim como alguns membros da banda.

*Estagiário com supervisão de Cristina Moreno de Castro

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