Tradicional no Nordeste, técnica da xilogravura é repassada de pai para filho

Por Penélope Araújo, G1 PE

Nos corredores da 20ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em Olinda, é comum ver jovens artesãos nos estandes de peças criadas com xilogravura. A técnica, que ficou popular no Nordeste quando passou a ser a forma de ilustrar literatura em cordel, é uma tradição familiar repassada de pai para filho.

O artesão Pablo Borges é filho de José Francisco Borges, o Mestre J. Borges, e expõe seus trabalhos junto aos do pai, na Alameda dos Mestres, na entrada da Fenearte. Com 25 anos, Pablo conta que decidiu ser artesão para perpetuar a obra da família, em Bezerros, no Agreste do estado.

“Cresci vendo meu pai fazer cordel e xilogravura. Quando era adolescente, estava dividido entre continuar esse trabalho ou escolher outra profissão. Acabei escolhendo trabalhar com as gravuras para manter o legado dele”, conta o jovem.

Para aprender o ofício, Pablo contou também com a ajuda de outros três irmãos, que também se dedicam à técnica. “Meu pai diz que eu sou autodidata como ele, mas na verdade, eu aprendi olhando, eles me dando dicas de como fazer”, explica ainda.

As peças produzidas pela família retratam diversas imagens, como cenas do cotidiano nordestino. Além das gravuras, elas também ornamentam objetos como canecas, quadrinhos e porta-chaves. No estande, é possível encontrar até mesmo as matrizes, que servem para confeccionar os desenhos.

O artesão José Jefferson, por sua vez, é neto de J. Borges e filho de José Miguel, também xilogravurista. Aos 27 anos, o jovem está começando a se dedicar ao artesanato tradicional da família, também em Bezerros.

Para ele, o passo a passo é simples. “Os desenhos são feitos na madeira, que a gente corta e entalha depois. Daí, é só pintar e reproduzir a figura. A técnica precisa de treino, mas eu acho fácil, porque sempre vi todo mundo fazendo”, afirma J. Jefferson, como assina suas peças.

Visitantes da Fenearte aprenderam os passos básicos da xilogravura — Foto: Sérgio Figueirêdo/Divulgação

Visitantes da Fenearte aprenderam os passos básicos da xilogravura — Foto: Sérgio Figueirêdo/Divulgação

Oficina

Na Fenearte, a xilogravura virou também tema para oficina. A designer Gabriela Carvalho, responsável pelas aulas, conta que se interessou pela xilogravura durante a faculdade, estudando cultura popular.

“Sendo daqui, já conhecia as figuras, mas quando fui pesquisando e descobrindo cada vez mais artesãos e trabalhos diferentes, me apaixonei”, comenta.

Durante a aula, que dura cerca de três horas, os visitantes aprendem todas as etapas para a confecção de matrizes e das gravuras já prontas.

“Apresento aos participantes as ferramentas para criar as matrizes, como ‘cavar’ na madeira, como criar as imagens. Depois, eles fazem também uma impressão da figura em duas cores. É realmente para colocar a mão na massa”, diz Gabriela.

A artesã Josina Barbosa, que participou da oficina, conta que se encantou com a produção da xilogravura. “Trabalho com um monte de coisas, como garrafas PET, jornais, fuxico. Mas já saio daqui feliz, porque hoje aprendi algo novo”, celebrou.

Também artesã, a olindense Márcia Carneiro aprovou a aula. “Eu não sabia como mexer com madeira, e agora tenho noção de como fazer. Vou investir mais”, comentou a visitante.

A Fenearte conta com uma programação de oficinas e palestras, que seguem até o domingo (14), último dia da feira. Nos dias úteis, o evento funciona das 14h às 22h, enquanto nos fins de semana o horário é das 10h às 22h.

No fim de semana, os ingressos custam R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Os tíquetes são vendidos pela internet, em pontos descentralizados e na bilheteria do evento.

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