Trabalhador de PE que teve 5 AVCs peregrina em agências do INSS

Luiz Carlos sofreu cinco AVCs e tenta uma resposta do INSS desde o dia 31 de agosto (Foto: Thays Estarque/ G1)
Luiz Carlos sofreu cinco AVCs e tenta uma resposta do INSS desde o dia 31 de agosto
(Foto: Thays Estarque/ G1)

Morador de Moreno, no Grande Recife, o ajudante geral Luiz Carlos Lopes, de 53 anos, sofreu cinco AVCs — acidentes vascular cerebral — e tem dificuldades motoras e de fala. Ele já passou por três agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas não consegue atendimento devido à greve deflagrada há quase dois meses pelos servidores. “É muita humilhação, uma revolta. Olha para mim, você acha que eu gostaria de estar aqui pedindo um benefício?”, diz ele.

A categoria é representada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social no Estado de Pernambuco (Sindsprev-PE) e continua paralisada desde o dia 7 de julho, por tempo indeterminado. A decisão atinge as 69 agências e quatro gerências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Recife, Caruaru, Petrolina e Garanhuns.

“Já fui na da minha cidade, depois em Jaboatão dos Guararapes e agora essa do Recife. O segurança pediu para tentar a de Jaboatão de novo. Estou cansado, vou voltar para casa, é o jeito”, comentou Luiz Carlos.

Diagnosticado com uma anemia grave, o pedreiro José Alves, de 52 anos, tenta receber o benefício desde o dia 7 de julho. Ele diz que conta com empréstimos para sobreviver. “Até isso é difícil. Como estou sem poder trabalhar e sem previsão para voltar a receber meu dinheiro, ninguém quer me ajudar mais”, disse.

A resposta que dão para José é que os documentos estão ilegíveis. “Não tem nada disso, já até tirei outras cópias, mas toda vez que chego aqui é um obstáculo diferente. A impressão que passam é que o trabalhador não vale nada. Nem receber o dinheiro de direito ele pode”, concluiu.

De acordo com o Sindsprev-PE, das 69 agências localizadas em Pernambuco, apenas cinco estão funcionando como determina a lei — com 30% dos serviços, dentre eles perícias médicas, desbloqueio de pagamento e dados cadastrais. “Só tivemos uma proposta por escrito do governo há uma semana. Demos uma contra-proposta e estamos aguardando o posicionamento deles quanto a isto. Nós queremos negociar para voltarmos a trabalhar, pois já são dois meses nisso”, explicou o presidente do Sindsprev-PE, Luiz Eustáquio.

O presidente contou ainda que dos 1,6 mil funcionários no estado – entre técnicos, analistas, engenheiros, psicólogos e assistentes sociais – 1,3 mil aderiram à greve. “Nós queremos atender a população, mas infelizmente sem negociar fica difícil. O governo precisa negociar com os trabalhadores”, completou.

A média de atendimentos diários varia de acordo com o tamanho da cidade e das agências, indo de 50 a 200, por unidade. A maior parte dos atendimentos é na Região Metropolitana do Recife, onde são recebidas cerca de 180 pessoas por dia, em cada agência. Na agência que fica na Avenida Mário Melo, bairro de Santo Amaro, área central do Recife, em média são atendidas 400 pessoas por dia. Hoje, esse número só chega a 120.

Um segurança que não quis se identificar relatou que alguns peritos estão bloqueando o acesso dos funcionários que tentam ajudar. “Outro dia ajudei a sair do carro um rapaz que tinha 25 pontos no braço e uma perna engessada até o quadril. Levei até o atendimento. Ele não conseguiu o benefício e os médicos avisaram que não deixarão ninguém que ajude a entrar no setor”. O segurança ainda disse que a cada dez pessoas que buscam solucionar o problema na agência, apenas duas conseguem.

Reivindicações
A categoria quer um índice de reajuste salarial linear de 27,3% já para o próximo ano. Eles explicam que a inflação deste ano já chega a 8,5% e a correção de 2016 seria apenas 5,5%. Além disso, dizem que já estão com uma perda salarial de 27,3%. Segundo o Sindsprev, o Ministério do Planejamento propôs um reajuste de 21,3%, dividido em quatro anos: 5,5% em 2016; 5% em 2017; 4,75% em 2018 e 4,5% em 2019.

Há também outras demandas, como incorporação das gratificações ao salário – atualmente 50% dessa gratificação é perdida na aposentadoria e muitos servidores com idade para se aposentar continuam trabalhando; realização de concursos públicos para sanar déficit de aproximadamente 10 mil servidores em todo o Brasil, mil em Pernambuco; reestruturação das carreiras e mudança no modelo produtivista de concessão de gratificações por cumprimento de metas.

O INSS divulgou uma nota a respeito da paralisação, confira a íntegra:

“Sobre a paralisação dos seus servidores em algumas Unidades da Federação, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),  informa:

1) Os segurados que possuam agendamento para atendimento em uma Agência da Previdência Social (APS) e que não sejam atendidos em razão da paralisação dos servidores terão sua data de atendimento remarcada. O reagendamento será realizado pela própria APS e o segurado poderá confirmar a nova data ligando para a Central 135 no dia seguinte à data originalmente marcada para o atendimento.

2) O INSS considerará a data originalmente agendada como a data de entrada do requerimento, para se evitar qualquer prejuízo financeiro nos benefícios dos segurados.

3) A Central de Atendimento 135 está à disposição para informar quais as agências onde não há atendimento em virtude da paralisação e para orientar os cidadãos.

4) O Ministério da Previdência Social e o INSS têm baseado sua relação com os servidores no respeito, no diálogo e na compreensão da importância do papel da categoria no reconhecimento dos direitos da clientela previdenciária e, por isso, mantém as portas abertas às suas entidades representativas para a construção de uma solução que contemple os interesses de todos”.

 

Do G1 PE

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