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‘Santa Elena está destruída’, diz moradora sobre confronto que deixou mortos na fronteira com o Brasil

Por Valéria Oliveira, G1 RR — Boa Vista

Uma venezuelana de 39 anos moradora de Santa Elena de Uairen, cidade na fronteira com o Brasil, relatou que os conflitos na cidade entre guardas nacionais e civis pareciam uma zona de guerra: “havia muitas pessoas feridas e ouvíamos muitos barulhos de tiro”. Segundo ela, a cidade amanheceu deserta e destruída neste domingo (24), e o clima ainda é de tensão.

Um vídeo feito por ela nesta manhã mostra ônibus e outros veículos queimados e a cidade vazia. O conflito em Santa Elena deixou ao menos três mortos e 15 feridos no sábado (23).

A moradora, que não quis se identificar por questões de segurança, afirmou não ter visto feridos no sábado e que não presenciou nenhuma morte, mas viu pessoas machucadas no hospital da cidade na sexta (22).

“Ontem [sábado, 23] foi terrível. Ouvíamos muitos tiros, gritos de pessoas feridas na rua. Ficamos com muito medo, medo de morrer”, relatou ela, afirmando que mora a cerca de 2 km do Centro, onde os confrontos foram mais intensos.

Ela disse que a confusão se intensificou perto do meio dia, quando moradores da cidade decidiram seguir a pé até a fronteira para tentar buscar ajuda humanitária na fronteira do Brasil, levada em dois caminhões, mas foram impedidos por guardas venezuelanos.

“Começaram esses confrontos quando vários moradores decidiram ir pegar a ajuda que entraria. Não sei se em algum momento os moradores fizeram alguma coisa, mas os guardas começaram a atirar contra as pessoas. Foram jogadas bombas de gás lacrimogêneo. Era muita confusão. Parecia uma guerra”, afirmou.

O hospital de Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, recebeu no sábado (23) nove baleados em estado grave no conflito de Santa Elena. O diretor da unidade classificou a situação como um “cenário guerra”, atípico aos dias comuns desde que a imigração de intensificou.

A moradora disse ainda que ela, o esposo e os dois filhos, de 15 e 14 anos, cogitaram fugir para o Brasil a pé, atravessando pelas montanhas, mas ainda não sabe se vai seguir com a ideia por temer novos confrontos.

“Passeamos hoje pela cidade, e Santa Elena está destruída. Não teve conflito hoje, a cidade está tranquila, não há mais barulho de nada e nem pessoas na rua. Mas temos medo, porque esse silêncio não é bom. Eles [guardas] ainda podem estar por aqui e eles estão armados”, afirmou.

Durante o conflito, chegou a faltar energia em Santa Elena. Os telefones ficaram sem sinal e a internet caiu. “Hoje, tudo voltou. A internet às vezes falha, mas temos conseguido nos comunicar”.

A moradora contou ter ouvido de colegas que trabalham no hospital de Rosario Vera Zurita que lá não tem energia, água ou qualquer outra estrutura para atender os feridos.

As ambulâncias que transportam as vítimas têm conseguido passar pelo bloqueio da Guarda Nacional na fronteira. O acesso, no entanto, segue fechado para veículos e pedestres, e venezuelanos se arriscam entrando no Brasil por rotas clandestinas.

Moradora disse que cogitou fugir de Santa Elena pela floresta, mas ainda não sabe se seguirá com a ideia — Foto: Arquivo pessal

Moradora disse que cogitou fugir de Santa Elena pela floresta, mas ainda não sabe se seguirá com a ideia — Foto: Arquivo pessal

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