Promotora pede que Alepe investigue Uchoa

Depois da repercussão nacional negativa gerada pela censura ao JC, Diario de Pernambuco e TV Clube, movida por uma ação na Justiça, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Guilherme Uchoa (PDT), pode responder, agora, a uma investigação de conduta na Comissão de Ética da Casa, relativa à denúncia de suposto tráfico de influência em esquema de adoção ilegal de criança, que teria envolvimento da sua filha, a advogada Giovanna Uchoa.

O episódio está sob investigação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e acompanhamento do Conselho Nacional de Justiça. Nessa quinta-feira, a promotora da Infância e Juventude de Olinda, Henriqueta de Belli, encaminhou ofício aos membros da Comissão de Ética Parlamentar da Assembleia pedindo a apuração da conduta do presidente da Casa e a eventual participação de funcionários da Alepe no processo de adoção ilegal.

“Protocolei hoje (quinta-feira) pedido de investigação do deputado (Uchoa) na Comissão de Ética. Sei dos envolvimentos políticos, do corporativismo e não tenho esperanças que ele perca o mandato ou coisa do tipo. Por uma questão moral, de ter identificado as irregularidades, não posso fazer vista grossa. Eles (os deputados da Comissão) estão, inclusive, com provas documentais, se quiserem apurar”, explicou.

INVESTIGAÇÕES
No ofício, a promotora afirma que as investigações apontaram que o advogado Joaquim Pessoa Guerra Filho, que teria ajuizado o pedido de adoção em favor do casal, pertencente aos quadros da Alepe, assim como o médico Aldo Mota, o qual teria, a pedido, se deslocado ao Hospital Tricentenário de Olinda para examinar a criança a ser adotada. O médico, segundo a promotora, registrou o fato nos autos da guarda.

A promotora ironiza “a presteza” do serviço realizado, ao considerar que não havia risco de morte para a criança, uma vez que ela já havia sido medicada pelo hospital, conforme relato do próprio Aldo Mota. “Além disso, é relevante reconhecer que o serviço médico da Alepe não possui natureza itinerante, sendo o deslocamento do médico uma situação bastante questionável”, destaca.

Com relação ao advogado, a promotora diz que ele tinha conhecimento dos “interesses políticos atuando no caso” e que, por este motivo, não deveria ter-se envolvido no processo, “especialmente considerando os vínculos de amizade com Giovanna Uchoa e com a assessora da juíza (Andréa Calado, de Olinda, responsável pela adoção, que será investigada pelo TJPE)”.

A Promotoria enfatiza que há indícios apontando uma “trama, da qual Guilherme Uchoa faz parte”, no sentido de privilegiar o casal na adoção. “A conduta do tráfico de influência ataca os princípios da moralidade, da ética, da impessoalidade e da isonomia que devem estar presentes no exercício de um cargo público, especialmente considerando se tratar da liderança do Poder Legislativo no Estado”, diz.

 

 

Jornal do Commercio

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