Professores do Recife não foram notificados e continuam greve

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Apesar da greve dos professores municipais do Recife ter sido considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), os docentes ligados ao Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere) se reuniram, na manhã desta quinta (17), para organizar os piquetes pelas escolas da cidade. Em frente ao Centro Paulo Freire, no bairro da Madalena, Zona Norte da capital, eles alegam que ainda não foram notificados oficialmente sobre a ilegalidade da mobilização. De acordo com o TJPE, o oficial de Justiça ainda não conseguiu localizar o responsável pelo Sinpere para entregar a notificação.

“Mesmo não tendo um comunicado oficial, sabemos que fazer greve não é ilegal. Mais de 90% dos professores aderiram ao movimento. Nós estamos em greve porque a Prefeitura descumpriu o acordo de campanha salarial. No primeiro semestre, na mesa de negociação, saimos com acordos assinados por essa gestão, e enquanto nós estávamos em recesso, a Prefeitura do Recife elaborou uma outra lei e mandou para a Câmara dos Vereadores, desconfigurando aquilo que havia sido acordado na mesa de negociação, cortando qualquer diálogo. No interior desses acordos estão o plano de aula atividade, o plano salarial e o Plano de Cargos e Carreiras”, explica a diretora do Simpere, Cláudia Ribeiro.

Mais cedo, alguns dos alunos da Escola Municipal Pedro Augusto, na rua Barão de São Borja, no Centro do Recife, deram viagem perdida à unidade de ensino. Dos mais de 300 alunos da escola, apenas três turmas puderam ter aula com a professora de português, que não aderiu ao movimento. “A gente não vai fechar a escola durante a greve. Temos um total de 15 docentes trabalhando aqui, mas somente uma professora está cumprindo o horário. Muitos estudantes continuam vindo para usar a quadra de esportes, por exemplo”, relata a diretora da instituição,  Marisa Dias.

Segunda ela, os alunos foram avisados pelos professores para não vir na terça, primeiro dia da paralisação. Os estudantes, por sua vez, tentam entender os motivos da greve. Muitos deles ouviram na rádio e TV que a Justiça determinou que os docentes voltassem a trabalhar na quinta, e por isso foram para a escola. “Alguns professores conversaram nas reuniões semanais com os representantes de sala. Uma parte dos alunos apoia a greve, porque, de qualquer modo, não estamos aqui apenas para aprender e eles também têm que garantir os direitos deles”, conta uma estudante do oitavo ano. A opinião é dividida com colegas do colégio. “Não gosto da greve, ela está nos prejudicando, até porque começamos o ano letivo atrasados já e tem prova semana que vem, não sei como vai ser”, diz outra aluna.

“A parte boa é que eles estão lutando pelos direitos, a ruim é que a gente fica sem aula, mas o que eles conquistam melhora o dia a dia dos alunos também. Eu sou a favor da greve. Minha mãe está pensando em me tirar daqui mas eu gosto do colégio. A gente fica gastando passagem à toa, eu moro no Curado e demoro muito para chegar. Dei sorte de ter aula hoje, de português, mas quem veio e não teve aula se deu mal”, relata uma estudante do sexto ano.

Os corredores sem estudantes e salas de aula vazias também fazem parte do cenário do Colégio João Alfredo, na Ilha do Leite. Segundo o diretor Sandro Morett, a unidade permanece aberta durante a greve, mas nenhum estudante chegou no local, já sabendo que não haveria aula. Dos 38 docentes que ensinam no João Alfredo, apenas dois bateram ponto nesta quinta.

Paralisação
Os professores da rede de ensino do Recife decretaram greve em assembleia realizada na manhã da terça-feira (15). O Simpere já havia aprovado o indicativo de greve na semana anterior. Com a paralisação, cerca de 90 mil estudantes ficaram sem aula. O quadro da Secretaria de Educação do Recife conta com 6 mil docentes e 323 unidades escolares.

Ainda na terça, à noite, a greve foi considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). A decisão foi do desembargador Frederico Ricardo de Almeida Neves, presidente do TJPE, que determinou o retorno imediato dos profissionais ao trabalho. A multa diária no caso do não cumprimenro da determinação foi fixada em R$ 100 mil para o sindicato que representa a categoria.

Na decisão, o magistrado alega que a paralisação dos docentes é ilegal e abusiva “à vista da essencialidade do serviço público de educação”. Segundo o desembargador, a greve foi deflagrada antes do esgotamento das negociações com a Prefeitura do Recife.

 

 

 

G1 PE

Foto: Moema França / G1

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