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‘Procurei minha irmã por 30 anos, mas a Covid a levou’

Quando criança, Steve Ellis descobriu um segredo de família e, 60 anos depois, a descoberta levou a uma amizade inesperada.

Por BBC

No verão de 1988, Steve Ellis recebeu uma notícia chocante que afetaria sua vida por mais de 30 anos e levaria a uma amizade inesperada.

Ellis estava trabalhando nos escritórios londrinos da revista feminina Bella, quando uma carta chegou para ele. O envelope tinha um carimbo postal de Halifax, no Reino Unido, e Steve reconheceu a caligrafia imediatamente – era de sua mãe.

“Querido Stephen, não tenho orgulho do meu passado e, às vezes, ainda dói muito”, começava a carta.

“Acredite, ninguém sabe da angústia que passei por muitos anos. As pessoas perdoaram a mim e a ele pelo que fizemos, mas posso dizer que o mais difícil é perdoar a si mesmo.”

Steve, um dos editores fundadores da revista, tinha 37 anos quando recebeu a carta. Ele foi criado como filho único por sua mãe solo, Dorothy. Mas em sua carta, Dorothy revelou que ela também deu à luz outra criança – uma menina nascida dois anos depois de seu filho.

Steve e sua irmã tinham o mesmo pai, escreveu Dorothy, mas ele era casado e tinha sua própria família.

“Foi a primeira vez que ela mencionou que teve outro filho”, diz Steve. “Isso estourou uma bolha de silêncio, de algo não dito entre mãe e filho.”

“Stephen, por favor, me perdoe pelo passado, pois não consigo explicar o desgosto que foi para mim”, escreveu Dorothy. “Eu te amo muito.”

Embora a carta de sua mãe tenha sido um choque, Steve não ficou surpreso ao saber que ele tinha uma irmã. Na verdade, ele havia descoberto o segredo de sua mãe mais de 25 anos antes, quando um dia encontrou um maço de cartas no quarto dela.

Entre os documentos estava uma certidão de nascimento de uma pessoa chamada Susan Ellis, nascida em dezembro de 1953 – dois anos depois dele.

“Fiquei tão surpreso. Senti que eu não era a única pessoa no mundo”, diz Steve.

Também havia cartas da Sociedade de Adoção Ashton-under-Lyne, que diziam coisas como: “Sentimos muito por sua ação”, “Este é um ato muito pecaminoso” e “Espero que sua família a perdoe”.

Steve, na época com 10 anos, sabia o que significava adoção, mas havia outras palavras que ele não entendia, e descobrir os segredos de sua mãe o fez se sentir culpado. Ele nunca disse uma palavra à mãe sobre o que havia encontrado.

No dia seguinte ao recebimento da carta, Steve foi de carro encontrar a mãe no apartamento dela em Halifax. Em meio às lágrimas, Dorothy contou a ele como havia amamentado sua filha por 10 semanas em casa, antes de levá-la embora.

“Um segundo filho ‘ilegítimo’, nascido em uma casa geminada de dois quartos com sete ocupantes era demais para ela”, diz Steve.

Na época, ele e a mãe moravam com os pais de Dorothy e três ou quatro irmãos dela. A avó de Steve era faxineira, enquanto seu avô alimentava caldeiras em uma fábrica de tapetes. Dorothy não tinha emprego e eles simplesmente não podiam se dar ao luxo de alimentar outra boca.

Dorothy vivia com um “horrível fardo de culpa”, ela disse a ele, além de ter que suportar o estigma de ser uma mãe solo que doou um de seus filhos. Tinha sido difícil encontrar trabalho porque muitos empregadores não aceitavam mães solteiras, e alguns dos amigos de Dorothy não falavam com ela há anos.

“As pessoas atravessaram a rua e se recusavam a falar com ela porque ela teve um filho ilegítimo”, diz Steve. “Ela era uma mulher rejeitada.”

Steve sempre se perguntou sobre o paradeiro de sua irmã Susan. Ele perguntou a Dorothy se ela gostaria que ele tentasse encontrá-la, e sua mãe disse que sim.

Em poucos dias, Steve estava preenchendo formulários em um serviço público para localizar pessoas no Reino Unido. Ele entrou em contato com advogados, falou com uma agência de detetives particulares e até colocou um anúncio no jornal Manchester Evening News com um palpite de que Susan estava morando naquela área.

“Não recebi nenhuma resposta”, diz Steve.

Com o passar dos anos, Steve muitas vezes se perguntava se sua irmã poderia ser uma estranha que passava por ele na rua. Ele ansiava por encontrar Susan, não apenas para seu próprio bem, mas também para sua mãe.

“Não consigo imaginar que houve um dia em que ela não tivesse pensado na filha”, diz ele.

“De certa forma, é pior do que a morte. Alguém que você deu à luz está lá fora, mas você não sabe como ela é, se os pais adotivos foram legais ou desagradáveis, se ela foi bem-sucedida. Ela está lá, mas também não está.”

Em 2019, Steve estava com quase 70 anos e se resignou ao fato de que talvez nunca encontrasse sua irmã. Mas durante os anos seguintes, a lei mudou para permitir que agências intermediárias ajudassem a rastrear pessoas separadas por adoção antes de 30 de dezembro de 2005.

Quando Steve percebeu que essa ajuda estava disponível, ele entrou em contato com uma agência e contou tudo o que sabia sobre Susan Ellis. Dentro de alguns meses um pesquisador teve notícias dela.

“Minha irmã estava viva”, diz Steve.

O investigador o avisou que teriam que agir com cuidado. Susan podia não saber que havia sido adotada. Eles enviaram uma carta delicada e esperaram, mas a resposta de Susan não foi a que Steve desejava.

“Ela ficou muito zangada e chocada”, diz ele.

Susan havia sido informada pelos pais adotivos de que foi colocada para adoção após a morte de sua mãe biológica. Ela não fazia ideia de que tinha parentes vivos – disse que precisava de tempo para considerar a abordagem de seu irmão.

Steve esperava que Susan voltasse e eles pudessem finalmente construir um relacionamento de irmãos, mas quando mais de cinco meses se passaram sem nenhuma notícia, ele começou a perder a esperança.

Em um dia ensolarado de abril, apenas algumas semanas após o primeiro lockdown no Reino Unido por causa da pandemia de Covid-19, em 2020, o investigador o procurou novamente. Mas não era uma boa notícia. Susan tinha morrido três dias antes.

“Sentei-me no jardim chorando”, diz Steve. “Perdi minha irmã.”

O investigador disse a Steve que Graham, o marido de sua irmã, gostaria de falar com ele, e mais tarde naquela noite os dois homens conversaram.

Sarah – cujo nome havia sido mudado quando foi adotada – estava pensando em entrar em contato com Steve, disse Graham, mas sua saúde estava se deteriorando após uma complicada operação de ponte de safena – ela foi internada em um hospital.

“Como estava ficando mais doente, ela foi mais conciliadora e queria fazer contato”, diz Steve. “Mas então sua saúde se deteriorou a ponto de se tornar tarde demais.”

Sarah morreu isolada. Oficialmente, a causa da morte foi Covid-19.

Em luto, Graham respondeu às perguntas de Steve sobre Sarah e criou uma imagem da irmã que Steve nunca conheceu. Ela era emotiva, calorosa e amigável, disse Graham, e gostava da vida.

“Foram 66 anos de história condensados ​​em 90 minutos de conversa. Foi incrível”, diz Steve.

Sarah foi criada por pais adotivos amorosos. Seu pai era diretor de uma escola e eles moravam em uma casa grande e isolada.

“Há uma ironia maravilhosa nisso, desses contrastes na vida dela e na minha”, diz Steve. “Fui deixado neste casebre lotado em Halifax, enquanto minha irmã partiu para uma vida bastante luxuosa.”

Depois de frequentar uma escola particular, Sarah passou três anos como oficial da RAF (Força Aérea Real) e depois administrou seu próprio café.

Alguns dias depois, Graham enviou a Steve uma fotografia de Sarah – a primeira que ele viu.

“Quando apareceu na tela, eu desabei”, diz Steve. “Acho que foram 60 anos de emoção reprimida. Foi a sensação mais surpreendente, nunca tive isso antes e nunca mais tive desde então. Ela ganhou vida para mim, embora estivesse morta.”

Através de um link de vídeo a partir da casa onde moravam, Steve e sua esposa puderam ver Graham, sozinho, no crematório no dia do funeral de Sarah. Então os dois homens passaram a se falar por telefone todos os dias, e o vínculo entre eles cresceu.

Graham convidou Steve para ficar na casa que ele e Sarah tinham compartilhado. Ao passar um tempo com seu marido de 25 anos, vasculhando fotografias e visitando lugares onde ela esteve, Steve se sentiu mais próximo de sua irmã do que nunca.

Ele descobriu paralelos interessantes também – ambos tocavam piano de ouvido e adoravam cozinhar – e quando Steve viu algumas das pinturas de Sarah, ficou impressionado com a semelhança entre o estilo dela e o dele.

“Você não seria capaz de dizer se foi ela ou eu quem tinha pintado um quadro”, diz ele.

Dorothy, a mãe de Steve, morreu dois anos antes dele encontrar sua irmã, levando sua culpa para o túmulo. Steve se sente triste por não ter sido capaz de tranquilizar sua mãe sobre como as coisas aconteceram para o bebê que ela precisou doar.

“Teria sido maravilhoso se ela soubesse que a filha foi criada por pais gentis e amorosos”, diz ele.

Steve é ​​grato pelo relacionamento com seu cunhado, que cumpriu os desejos de Sarah, tornando possível a “peregrinação” de Steve para conhecer um pouco sua irmã.

“Eu nunca vou conhecê-la pessoalmente, nunca vou conseguir falar com ela, e isso será uma fonte de arrependimento para sempre”, diz Steve, que agora tem 70 anos.

“No entanto, eu conheci Sarah depois de sua morte, porque seu marido Graham abriu seu coração e sua casa para me permitir descobrir o máximo possível sobre minha irmã há muito perdida – foi um ato de incrível generosidade”.

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