Pesquisa desenvolvida no Recife busca nova forma de tratar o câncer de estômago

Por Beatriz Castro, TV Globo

Um estudo de pesquisadores do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), no Recife, pode sinalizar um novo tratamento para combater o câncer de estômago, um dos tipos mais graves e com maior incidência entre os brasileiros. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, apenas em 2018, a previsão é de que mais de 20 mil brasileiros tenham o diagnóstico de câncer de estômago.

A pesquisa foi feita com 58 pessoas. Dessas, 24 eram pacientes do HCP e 34 não tinham a doença. Durante dois anos, os pesquisadores buscaram alternativas para o tratamento do câncer de estômago, que tem pouca eficácia, principalmente para os tumores em estágio avançado.

Segundo o pesquisador e cirurgião oncológico Mario Rino, os médicos utilizaram um caminho diferente para investigar a doença. “A grande ideia dessa pesquisa foi partir não da doença, do mecanismo da doença, e sim da forma como as pessoas se defendem do tumor. Ou seja, entender os mecanismos de defesa e tentar achar alternativas que possam estimular esse sistema de defesa para destruir as células tumorais”, disse o cirurgião.

Pesquisadores do Recife desenvolveram pesquisa que pode melhorar tratamento contra o câncer de estômago (Foto: Reprodução/TV Globo)

Pesquisadores do Recife desenvolveram pesquisa que pode melhorar tratamento contra o câncer de estômago (Foto: Reprodução/TV Globo)

Para entender o sistema imunológico, eles estudaram uma proteína presente nos linfócitos, que são as células de defesa do organismo. A proteína OX-40 apresentou os melhores resultados na ativação do sistema imunológico, e a ativação dela é um passo importante para provocar uma reação mais eficiente do organismo.

Segundo a diretora da pesquisa, Leuridan Torres, os pesquisadores comprovaram que o sangue das pessoas saudáveis tem uma quantidade muito maior dessa proteína do que o sangue das pessoas doentes. “Isso significa que o organismo da pessoa doente está reagindo menos ao tumor do que deveria. Isso deve ser consequência do tumor. Ele pode levar à alteração dessa proteína”, afirmou.

De acordo com Mario Rino, a pesquisa é importante para entender os mecanismos de defesa do organismo e ajudar a combater os tumores. “Isso vai ajudar muito, porque certamente vai haver uma revolução na área médica em geral, e especialmente na oncologia. A pesquisa vai ser disseminada não só para o câncer gástrico, mas para os outros tumores e vai certamente permitir mais chances de cura”, contou.

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