Pai de Assange quer retorno do filho à Austrália

Por G1

O pai de Julian Assange quer que o governo da Austrália que solicite a extradição de seu filho e fundador do WikiLeaks. Ele foi preso na quinta-feira (11) pela polícia britânica na embaixada do Equador, em Londres.

John Shipton visitava Assange todos os anos no Natal na embaixada do Equador em Londres, onde o criador da plataforma que divulga documentos confidenciais de governos e empresas estava desde 2012.

“O Departamento de Relações Exteriores (DFAT) e o primeiro-ministro deveriam fazer algo”, afirmou ao jornal de Melbourne “Sunday Herald Sun”.

“É possível resolver de maneira simples para que todos fiquem satisfeitos. Aconteceram algumas conversas em uma reunião entre um senador e um funcionário do DFAT para extraditar Julian à Austrália”, completou.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse na sexta-feira que Assange não receberia um tratamento especial de seu governo, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI).

Autoridades britânicas disseram a prisão do australiano tem relação com um pedido de extradição feito por autoridades norte-americanas e um processo que ele responde no Reino Unido por ter deixado de se apresentar à Justiça britânica.

Os policiais entraram na embaixada após o presidente equatoriano, Lenín Moreno, suspender o asilo que concedia a ele. O Tribunal de Westminster, em Londres, considerou o australiano culpado por violar as condições de sua libertação provisória no Reino Unido, um crime que pode levá-lo a ser sentenciado a um ano de prisão.

‘Estou chocado’

John Shipton afirmou ainda que ficou chocado com o aspecto físico do filho no momento da detenção. “Eu vi, a maneira como os policiais o arrastaram pela escada. Não tinha um bom aspecto. Tenho 74 anos e estou com um aspecto melhor que ele, que tem 47. Estou chocado”, disse.

“Durante meses e meses viveu como um prisioneiro de segurança máxima. Não podia ira ao banheiro, havia câmeras vigiando todos os seus movimentos”, afirmou o pai.

Resumo:

  • Julian Assange foi preso nesta quinta (11) na embaixada do Equador em Londres, onde estava desde 2012.
  • Ele tentava evitar sua extradição para a Suécia, onde respondia por uma denúncia de assédio, que já foi arquivada.
  • Ele também responde um processo sobre divulgação de documentos sigilosos americanos.
  • O governo equatoriano suspendeu nesta quinta-feira seu asilo e sua cidadania.
  • Governo americano emitiu um pedido de extradição para Assange.
  • Juiz do Equador ordenou a prisão de cidadão sueco próximo a Assange neste sábado.
  • Equador denunciou ataques cibernéticos após prisão de Assange.

Colaborar com autoridades suecas

Assange se abrigou na embaixada equatoriana para escapar de uma ordem de detenção britânica por acusações de estupro e agressão sexual na Suécia, que ele sempre negou. A denúncia foi arquivada em 2015.

Ele sempre temeu ainda a extradição para os Estados Unidos, onde a justiça o acusa de ter ajudado a ex-analista de inteligência Chelsea Manning a obter uma senha de acesso a milhares de documentos sigilosos.

A advogada de Assange afirmou que ele está disposto a cooperar com as autoridades suecas caso decidam reabrir o processo de estupro contra ele, mas que sua prioridade continua sendo evitar a extradição para os Estados Unidos.

“Estamos absolutamente felizes de responder a estas perguntas se e quando forem apresentadas. A questão chave no momento é (o pedido de) extradição dos Estados Unidos”, declarou Jennifer Robinson ao canal Sky News neste domingo.

Uma audiência sobre o pedido de extradição dos Estados Unidos será no dia 2 de maio.

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