Pacientes denunciam falta de vagas e remédios em hospital psiquiátrico do Recife

Por Bianka Carvalho, TV Globo

Pacientes que precisam de atendimento psiquiátrico no Hospital Ulysses Pernambucano, a antiga Tamarineira, na Zona Norte do Recife, denunciam falta de vagas e atendimento precário na unidade, gerenciada pelo governo do estado. De acordo com médicos, também há carência de remédios, na única emergência psiquiátrica pernambucana. Na madrugada de terça-feira (7), pacientes com distúrbios mais graves queimaram um colchão e quebraram pias no local.

Contando com os leitos de enfermaria, há 115 vagas no Ulysses Pernambucano. No início da semana, na recepção da emergência, havia 10 pacientes aguardando vaga para internação. Pessoas que receberam alimento foram medicadas e dormiram na recepção, deitadas em bancos ou sentadas em cadeiras.

Uma pessoa esperava vaga desde o dia 1º de novembro. Familiares do paciente, que preferiram não se identificar, afirmam que o homem, que mora em Chã de Alegria, na Zona da Mata, está em crise e não tem assistência psiquiátrica.

Uma das psiquiatras do hospital, Jádia Poggi afirmou à TV Globo que trabalha no local há dez anos e diz ficar angustiada por não poder oferecer aos pacientes o atendimento necessário. “Está faltando medicação na rede. Muitas vezes, o medicamento acaba, alguns chegam ao plantão para mudarmos a medicação, porque além de não ter o remédio, não conseguem atendimento no ambulatório. Às vezes, há uma lista de espera de seis meses”, disse.

Hospital Ulysses Pernambucano fica na Zona Norte do Recife (Foto: Reprodução/TV Globo)

Hospital Ulysses Pernambucano fica na Zona Norte do Recife (Foto: Reprodução/TV Globo)

Ainda segundo Jádia, quando possível, os médicos recorrem aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do Recife, mas, nem sempre é uma alternativa. “Nós temos oito Caps no Recife, três deles funcionam 24 horas por dia. A média de vagas na pernoite de um Caps é de seis pacientes. Então, é muito pouco”, afirma.

À TV Globo, a diretora do hospital, Ruth Bonow Theil, afirmou que o fim de semana em que pessoas dormiram na recepção e pacientes depredaram a unidade foi um período atípico. Ela afirma que o hospital funciona em caráter emergencial e que não há mais internações prolongadas. O paciente em crise é atendido, trata a situação mais aguda e é encaminhado a serviços da rede de saúde, especialmente os Caps.

Segundo ela, a unidade tem conseguido dar uma rotatividade de tal maneira que a emergência não fique como aconteceu nesse fim de semana. A diretora justificou que houve um feriado prolongado e os serviços públicos não funcionaram, como Caps, que é para onde a maioria desses pacientes é encaminhada.

“Raramente, tem faltado medicação. Eventualmente, é uma questão de fornecedor. Às vezes, a medicação é deixada de fabricar, mas não é um problema do hospital, mas do fornecimento para a rede”, disse Ruth.

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