Oposição traça estratégia contra Crivella, enquanto base quer vitória ‘sólida’ contra impeachment

Por Gabriel Barreira, G1 Rio

A aprovação de uma sessão extraordinária para interromper o recesso parlamentar da Câmara Municipal do Rio e discutir um possível impeachment do prefeito, obtida com as 17 assinaturas recolhidas na tarde de terça (10) na Casa, foi só o primeiro passo de uma cruzada da oposição parlamentar em sua batalha contra Marcelo Crivella (PRB).

De acordo com a presidência da Casa, a Procuradoria ainda analisa se a admissibilidade do impeachment deve ser votada nesta quinta (12). A decisão cabe ao presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB).

De qualquer forma, mesmo se o pedido for votado, a oposição precisaria duplicar o número de apoiadores em praticamente 48h. Isso porque a admissibilidade do impeachment necessita de 34 votos: exatamente o dobro do número de signatários do pedido de interrupção do recesso.

G1 ouviu membros da oposição, que reconhecem a tarefa “muito difícil”, e da base do governo, que desejam uma “vitória sólida” para fortalecer a Prefeitura apesar do momento de “fragilidade”, nas palavras dos próprios aliados. Estes consideram o impeachment irrealizável.

“Não só porque faltam 48 horas. Mesmo que fosse até o fim do governo, não conseguiriam”, ironiza um importante membro do governo Crivella, na condição de anonimato.

A ideia, diz ele, é lotar o plenário com deputados favoráveis a Crivella para mostrar a força do governo. Mas o aliado reconhece que nem todos os 51 parlamentares devem aparecer em meio às férias. Os faltosos serão penalizados com a perda dos vencimentos equivalente a um dia de trabalho.

“Muitos estão viajando, mas acredito que tenhamos por volta de 30 votos. Queremos uma vitória sólida, enfrentar de frente”.

Já Tarcísio Motta, do PSOL, não acredita que o governo tenha facilidade. “Na votação da Previdência, eles conseguiram 28 votos contra 20. A margem do governo foi pequena. A base está enfraquecida”.

Para seus correligionários, a votação vai depender também do “calor das ruas”. Em entrevista coletiva na terça-feira, eles pediram várias vezes para que a sociedade civil participe da sessão na quinta e prometeram marcar atos em redes sociais.

David Miranda, também do PSOL, disse que vai pedir para que todos os vereadores – e não somente os que votarem pelo impeachment – defendam seu voto no púlpito. Um outro parlamentar diz que a intenção é deixar “constrangidos” aqueles que defendam as atitudes do Executivo vistas como impopulares.

Plenário cheio ou plenário vazio?

Em um primeiro momento, os signatários do pedido de sessão extraordinária chegaram a temer um arquivamento-relâmpago. Segundo esta hipótese, a sessão poderia ficar esvaziada somente com os 17 que assinaram o documento. Sem os 34 participantes necessários na sessão, a questão seria “enterrada” em minutos.

Por conta disso, um dos vereadores da oposição não descarta nem mesmo a possibilidade de evitar a votação. Ele se baseia no próprio requerimento assinado pelos 17 vereadores, que não cita nominalmente o impeachment. Fala em “apreciação de possível infração político-administrativa e crime de responsabilidade”.

Na noite de terça, o governo informou que recebia a notícia da sessão extraordinária com “muita tranquilidade”. “Hoje cedo, inclusive, o prefeito Marcelo Crivella aconselhou sua base a abrir um pedido de mesmo teor àquele apresentado pela oposição”.

Até a manhã desta quarta, o tal pedido já havia sido protocolado com o mesmo número de assinaturas da oposição: 17. Conforme o G1 apurou, a base aliada espera que os signatários cheguem a 26 até esta tarde. De acordo com políticos ligados ao prefeito, vereadores ainda não compareceram à Câmara para assinar somente por conta do recesso.

O documento tem o mesmo efeito do protocolado pela oposição: discutir possíveis irregularidades de Crivella. Ele foi protocolado, no entanto, como uma quebra de braço para demonstrar que a base, em pouco tempo, conseguiu responder o pedido de impeachment desejado pelos oposicionistas.

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