Nos EUA, quase 800 docentes foram acusados de agressão sexual em 2014

Nicole Dufault, Erica Ann Ginnetti e Kathryn Ronk foram acusadas de terem relações sexuais com seus alunos nos EUA (Foto: Reuteres)
Nicole Dufault, Erica Ann Ginnetti e Kathryn Ronk foram acusadas de terem relações sexuais com seus alunos nos EUA (Foto: Reuteres)

Um levantamento feito por uma consultoria americana mostra que, no ano passado, quase 800 professores e funcionários de escolas dos Estados Unidos foram processados no país pela acusação de agressão sexual. Segundo a agência de notícias Reuters, apesar de apenas cerca de um terço desses processos envolverem professoras e funcionárias, as mulheres adultas têm tido maior participação no número de acusações de relacionamentos impróprios com estudantes. O levantamento, de acordo com a Reuters, foi feito por Terry Abbott, que já foi chefe de gabinete do Departamento de Educação dos Estados Unidos.

Em 2015, o número de professoras acusadas de crimes sexuais envolvendo estudantes também cresceu, diz a agência. Em janeiro deste ano, foram 26 casos, contra 19 casos em janeiro de 2014. Especialistas afirmam que as mulheres têm recebido menos leniência na hora de responder por acusações desse tipo.

A professora Amber Anderson, de 27 anos, foi presa por suspeita de ter tido um relacionamento impróprio com um estudante menor de idade nos EUA (Foto: Divulgação/East Baton Rouge Sheriff's Office)

A professora Amber Anderson (Foto: Divulgação/ East Baton Rouge Sheriff’s Office)

Novo caso
Nesta quarta-feira (22), um novo caso foi registrado. Na cidade de Baton Rouge, no estado americano de Louisiana, Amber Anderson, uma professora da Academia Vida Cristã, foi presa sob a acusação de ter tido uma relação sexual com um menor de idade.

De acordo com o relatório divulgado por uma delegacia local, a mãe do adolescente denunciou aos investigadores um suposto relacionamento que teria acontecido há dois anos entre seu filho, que então tinha 15 anos, e a professora, que hoje tem 27 anos.

“A vítima contou aos detetives que os dois trocaram mensagens de texto sexualmente explícitas e depois tiveram relação sexual na casa dela em 2013”, diz a delegacia.

Casos recentes
Nas últimas semanas, uma juíza sentenciou Kathryn Rock, professora de 30 anos do estado de Michigan, a até 15 anos de prisão por ter feito sexo com um menino de 15 anos. Em Nova Jersey, uma promotora afirmou que o acordo mais leniente que ofereceria à professora Nicole Dufault, de 35 anos, acusada de ter tido relações com seis adolescentes, era de 15 anos de prisão.

Há também outros exemplos, como a da professora Erica Ann Ginnetti, de 35 anos, da Pennsylvania, que recebeu a pena de 30 dias de prisão por ter tido relação sexual com um aluno de 17 anos. “Que jovem não saltaria naquele doce?”, afirmou o juiz, na sessão que determinou a sentença da professora.

Processos contra mulheres

O aumento no número de acusações formais contra professores mulheres por condutas sexuais impróprias com alunos se deve parcialmente ao fato de que há cada vez mais mulheres na força policial. Também há uma consciência maior entre os promotores, juízes e do público em geral de que os estudantes que são vítimas de uma figura de autoridade, independente do gênero, experimentam um trauma com consequências que podem durar a vida inteira.

“A força policial está cada vez mais composta de mulheres, e mulheres têm menos tendência para a velha atitude: ‘oh, é só um garoto que se deu bem'”, afirmou à Reuters David Finkelhor, diretor do Centro de Pesquisa de Crimes contra Crianças. “Elas reconhecem as questões envolvidas e vão atrás das mulheres que violam essas condições.”

Segundo Christopher Anderson, diretor-executivo da Male Surviver, a maior organização do país de advocacia em defesa de homens vítimas de crimes sexuais, essa mudança de cultura é o resultado de dois fatores. “Um é o reconhecimento de que não importa quem é o autor do crime e quais as circunstâncias. Um professor ou professora não tem absolutamente nada que fazer se envolvendo em contato sexual com estudantes”, diz Anderson.

“O segundo é uma mudança na cultura, onde garotos e seus pais estão se sentindo empoderados para se abrir e dizer que algo aconteceu.”

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