No Santa Cruz, Roberto minimiza passado alvirrubro e rebate críticas por estilo

Por Rômulo Alcoforado, Recife

Havia uma pergunta inescapável na entrevista coletiva de apresentação do técnico Roberto Fernandes no Santa Cruz, nesta quinta-feira. Identificado com o Náutico e torcedor declarado do Timbu, o treinador afirmou que seu passado alvirrubro não interferirá no novo planejamento em um rival. Ele garantiu muito trabalho, comprometimento e respeito à camisa tricolor. Afirmou, ainda, que viveu várias vezes a situação de trabalhar em clubes da mesma cidade e rebateu críticas ao temperamento.

– Não é a primeira vez que isso acontece na minha carreira. A vez que aconteceu com mais firmeza foi na troca do América-RN pelo ABC. Troquei um pelo outro, e a estreia foi contra o América. Repare o nível de rivalidade. Trabalhei em Remo e Paysandu. Torcedor não é bobo. O que o torcedor quer é que você tenha dignidade, respeito, comprometimento. Isso tive em todos os clubes em que passei – disse.

O exemplo do futebol potiguar foi utilizado outras vezes pelo técnico.

– Se você chegar para um torcedor do América-RN, ele vai jurar que eu sou torcedor do América-RN. Mas todo torcedor do ABC me respeita. O Santa não foi contratar um torcedor. Não. O Santa Cruz foi em busca de um profissional do mercado, conhecedor da competição, conhecedor dos jogadores, e acharam meu nome.

Outro assunto abordado na entrevista com o treinador foi o temperamento. Conhecido por ser um técnico duro, turrão e explosivo, Roberto rebateu as críticas.

– Não existe trairagem. Cada um tem seu temperamento. Admito que não tenho temperamentozinho “paz e amor”, mas não faço trairagem com jogador.

Roberto até criticou a insistência com que os dois assuntos são abordados (o passado de torcedor alvirrubro e a relação com os jogadores).

– Se o cara é temperamental, como se contrata o cara de novo? E de novo, de novo? A única coisa que me incomoda nisso é me tratar diferente dos demais. Teve ano passado aqui Luxemburgo. Tentaram polemizar numa entrevista, ele deu uma resposta e nunca mais se falou nesse assunto. Comigo toda coletiva é assim. Como se só tivesse tido infância, juventude e um time para torcer. Mas com Roberto Fernandes o foco nunca são os resultados, os títulos. O foco sempre é ser torcedor ou temperamento, como se isso fosse o carro-chefe da minha carreira.

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