No primeiro dia de greve, fluxo de ônibus é reduzido no Grande Recife

Ônibus circulam em menor quantidade no terminal da Macaxeira / Foto: Amanda Miranda/JCTrânsitoÔnibus circulam em menor quantidade no terminal da MacaxeiraFoto: Amanda Miranda/JCTrânsito

O fluxo de ônibus está reduzido na Região Metropolitana do Recife (RMR) na manhã desta terça-feira (14), primeiro dia da greve dos motoristas e cobradores. Internautas afirmaram que o tempo de espera aumentou nas paradas. Apesar disto, até 6h50 o movimento era tranquilo nas paradas. Os ônibus são responsáveis pelo deslocamento diário de quase 1,8 milhão de passageiros na RMR.

Na segunda (13) pela manhã, o Sindicato dos Rodoviários havia afirmado que 30% do serviço funcionariam. Mas, à tarde, decisão do Tribunal Regional do Trabalho determinou que 70% dos coletivos circulassem no horário de pico (das 6h às 9h e 16h às 20h), acatando medida cautelar feita pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE).
Caso descumpra a decisão, o Sindicato dos Rodoviários será autuado e multado. A maioria dos trabalhadores trabalha sem farda. A adesão à paralisação ainda não foi divulgada.
A reportagem viu linhas das empresas Globo e Pedrosa, na Zona Norte do Recife. No terminal da Macaxeira, o tempo de espera é maior. Do lado de fora, veículos de fretamento e transporte irregular de passageiros apresentam-se como alternativa aos ônibus.
A empregada doméstica Joselita da Penha, 46 anos, mora em Camaragibe, no Grande Recife, e trabalha no bairro de Parnamirim, na Zona Norte da capital pernambucana. Para ir ao trabalho, faz o percurso Camaragibe – integração da Caxangá, onde pega a linha Barro/Macaxeira (Várzea), – terminal da Macaxeira, onde pega a linha Parnamirim/Macaxeira.
Geralmente, chega em 40 minutos. Hoje, saiu de casa às 5h e de 6h30 ainda esperava o último ônibus no TI Macaxeira. Apesar do atraso, ela concorda com o movimento do sindicato. “Se eu pudesse, me juntava com todas as domésticas do prédio que eu trabalho e exigia meus direitos também, então eles estão certos”, afirma.
Já o motorista de caminhão Mário Sérgio Silva, 34, tentava voltar para casa nesta manhã. Ele estava no TI Macaxeira esperando um ônibus para ir ao TI Pelópidas Silveira, em Paulista, no Grande Recife, para ir a Maria Farinha. Silva não estava sabendo da greve, mas também apoia o movimento. “Motoristas estão certos, porque têm que exigir o direito deles”, opina.
Em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, foram vistas as linhas Rio Doce/Piedade, Candeias/Tancredo Neves e Jardim Piedade. O terminal de Cajueiro Seco tem movimento tranquilo, mas usuários também relataram demora para a chegada dos ônibus.
NEGOCIAÇÕES – A greve dos rodoviários começou à 0h desta terça, por tempo indeterminado. Após três rodadas de negociações, os rodoviários pedem reajuste de 12% nos salários. No início, a proposta inicial da categoria era de 30%.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) propôs aumento de 9,5%. Desta forma, o salário dos motoristas passaria de R$ 1.765 para R$ 1.933 e o do cobrador aumentaria de R$ 812 para R$ 889.
Mesmo insatisfeitos com o possível reajuste, a principal reivindicação dos rodoviários é em relação ao ticket alimentação. No início das negociações, a categoria pedia reajuste de 68%, o que aumentaria o valor de R$ 188 para R$ 320. O patronato ofereceu 27%, o que daria R$ 220 por mês. A categoria pede também que o valor seja pago nas férias.
Com a decisão de fazer a greve, a Urbana cancelou as propostas. Agora, cabe ao TRT definir o aumento da categoria.
NE10

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