Negociações sobre programa nuclear iraniano são prolongadas até 30 de junho

Da AFP

Após uma semana de intensas negociações, as grandes potências e o Irã não conseguiram chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e estenderam até 30 de junho o prazo para a conclusão de uma decisão final. “Não foi possível obter um acordo na data limite de segunda-feira, e por isso o prazo será estendido até 30 de junho de 2015”, declarou nesta segunda-feira em Viena o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond.

“Estamos convencidos (…) de que há um caminho real para se encontrar uma solução global”, destacou no comunicado final o chefe da diplomacia iraniana, Mohamed Javad Zarif, e a representante da União Europeia, Catherine Ashton, que presidiu as negociações. “Não precisamos de sete meses, podemos ir mais rápido”, disse Zarif.

Apesar do fracasso, este resultado mantém as chances de diálogo. Neste sentido, o presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que as negociações sobre o programa nuclear de seu país com as grandes potências levarão a um acordo final.

“As discussões permitiram resolver a maioria das diferenças”, declarou à televisão estatal, considerando que “este caminho levará a um acordo final”. Por sua vez, o secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu a prorrogação do prazo para a obtenção de um acordo final, indicando “progressos reais e substanciais” durante a última rodada de negociações.

“Nós fizemos progressos reais e substanciais”, garantiu Kerry em Viena. “Este não é o momento de se levantar e sair”, considerou o chanceler, que pediu ao Congresso dos Estados Unidos apoio às negociações e para que não imponha novas sanções ao Irã.

“Essas discussões não serão mais fáceis simplesmente porque nós as prorrogamos. São difíceis e continuarão a ser difíceis”, disse o chefe da diplomacia americana. “Esperamos seu apoio”, ressaltou Kerry, referindo-se ao Congresso dos Estados Unidos, que terá uma maioria republicana a partir janeiro.

As negociações entre a República Islâmica e as grandes potências do 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) prosseguirão segundo os termos do acordo interino assinado em Genebra em novembro de 2013, segundo Philip Hammond.

O ministro britânico destacou que o Irã seguirá sendo beneficiado com o desbloqueio de 700 milhões de dólares por mês de seus ativos enquanto as negociações forem mantidas.

O anúncio da prorrogação foi feito no momento em que o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, e seus colegas do “5+1” – o americano John Kerry, o chinês Wang Yi, o francês Laurent Fabius, o britânico Philip hammond, o russo Serguei Lavrov e o alemão Frank-Walter Steinmeier – estavam reunidos pela primeira vez desde o início deste último ciclo de negociações, que começou em 18 de novembro.

Isso significa que uma solução política total ainda não foi encontrada nesta questão, alvo de fortes tensões há 12 anos entre o Irã e as grandes potências. Estas exigem que o Irã reduza suas capacidades nucleares para afastar qualquer provável uso militar. Teerã, que afirma com veemência que seu programa nuclear é estritamente pacífico, reivindica seu direito a instalações nucleares civis completas e exige a retirada das sanções ocidentais que asfixiam a economia do país.

Sete dias de negociações ininterruptas não permitiram aproximar totalmente as posições sobre o enriquecimento de urânio por parte do Irã e das sanções ocidentais contra Teerã, os dois pontos-chave para uma solução política. Durante o fim de semana já se especulava sobre uma eventual prolongação das discussões.

Kerry e Zarif, que na manhã desta segunda-feira participaram de sua sétima reunião particular desde quinta-feira passada, já haviam falado das diferentes possibilidades sobre a melhor maneira de prosseguir com as negociações. Os observadores consideravam que seu prolongamento seria uma opção muito delicada politicamente para o presidente moderado iraniano, Hassan Rohani, e para o americano Barack Obama.

Ambos enfrentam o que a analista Kelsey Davenport, consultada pela AFP, chama de “os duros que, tanto em Washington quanto em Teerã, querem sabotar o acordo”. As duas partes negociam em virtude de um acordo interino concluído em Genebra em novembro de 2013, que prevê o congelamento de uma parte das atividades nucleares do Irã em troca de uma suspensão parcial das sanções internacionais.

No entanto, uma fonte iraniana havia dito que prorrogar as negociações era “o mal menor”. “O pior seria um clima de confronto com uma escalada de ambas as partes. Por exemplo, a resposta a novas sanções com um desenvolvimento do programa nuclear”, havia declarado a fonte.

Antes do anúncio do novo prazo, a analista Kelsey Davenport considerou que uma demora de vários meses “não teria chance alguma” de êxito. Essa especialista em não-proliferação nuclear da Arms Control Association (Associação para o Controle das Armas em inglês) considera realista “uma curta prolongação para aperfeiçoar os detalhes de um acordo”.

Um acordo completo permitiria reativar a economia iraniana, graças ao fim do embargo ocidental ao petróleo da República Islâmica. Também apresentaria perspectivas de normalização entre o Irã e o Ocidente, e inclusive de cooperação em questões sobre os conflitos no Iraque e na Síria. Mas a prolongação das negociações pode fazer o jogo dos que, tanto no Ocidente quanto no Irã, se opõem a uma solução para esta crise.

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