Ministro da Justiça espanhol diz que prisão de ativistas catalães não é questão política

Por G1

Líderes separatistas catalães Jordi Sánchez e Jordi Cuixart acenam ao chegar na Suprema Corte em Madri nesta segunda-feira (16) (Foto: GABRIEL BOUYS / AFP)

Líderes separatistas catalães Jordi Sánchez e Jordi Cuixart acenam ao chegar na Suprema Corte em Madri nesta segunda-feira (16) (Foto: GABRIEL BOUYS / AFP)

A detenção de ativistas catalães, a primeira prisão de figuras importantes da campanha separatistas desde o referendo de 1º de outubro sobre a secessão da região, foi uma questão judicial, e não política, disse o ministro da Justiça da Espanha, Rafael Catala, nesta terça-feira (17), segundo a Reuters.

Na segunda-feira (16), um tribunal espanhol determinou que Jordi Cuixart, líder da Òmnium Cultural, e Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã, fossem presos sem direito a pagar fiança durante investigações sobre suspeita de insubordinação.

“Eles não são presos políticos porque a decisão de prisão de ontem foi devido a um crime”, disse o ministro em um evento em Madri.

Na crise catalã, as duas associações separatistas emergiram como poderosos atores políticos capazes de mobilizar rapidamente muita gente.

A Assembleia Nacional Catalã foi formada em 2011 e conseguiu colocar a tradicional marcha da Diada, o dia da Catalunha, em 11 de setembro de 2012 sob o marco do separatismo. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas de Barcelona naquele dia, inaugurando uma série de Diadas marcadas pelo clamor separatista.

A Òmnium Cultural foi criada em 1961 para defender a língua catalã, cujo uso oficial foi proibido pela ditadura de Francisco Franco (1939-1975). Conta com aproximadamente 75 mil membros e é a maior associação cívico-cultural da Catalunha, segundo seu presidente, Jordi Cuixart.

Sobe a tensão

As prisões aumentam ainda mais a tensão entre o governo espanhol e a região autônoma. Para o presidente catalão, Carles Puigdemont, as prisões tiveram motivação política. “Infelizmente, temos presos políticos outra vez”, afirmou, segundo a France Presse.

Nesta terça, a Catalunha deve viver mais um dia de manifestações – desta vez contra a prisão dos líderes do movimento independentista.

A prisão e os protestos desta terça-feira acontecem em um momento de bloqueio na disputa pela declaração de independência.

Indefinição

O chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, pediu formalmente esclarecimentos ao presidente catalão sobre o pronunciamento que ele fez no parlamento regional para anunciar a vitória no referendo do “sim” à independência da Catalunha. Para o governo espanhaol, o pronunciamento deixou dúvidas se a região declarou de fato independente na semana passada.

Na segunda, Carles Puigdemont propôs nesta segunda-feira (16) ao governo espanhol dois meses de negociações, mas evitou responder claramente se declarou ou não a independência da Catalunha. Para Madri, a carta não foi uma resposta ao pedido de esclarecimento solicitado pelo primeiro-ministro espanhol, e deu até quinta-feira (19) para que a situação seja esclarecida.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.