Mancha escura surge no mar por causa de obra em condomínio em Muro Alto

Por Luna Markman, TV Globo

Mancha escura surge no mar de Muro Alto, em Ipojuca, por causa de obra em residencial

Mancha escura surge no mar de Muro Alto, em Ipojuca, por causa de obra em residencial

Moradores e turistas que frequentam a Praia de Muro Alto, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco, reclamaram de uma obra feita em um condomínio, que tem derramado um líquido escuro e prejudicado o banho de mar no local. O serviço chegou a ser embargado pela prefeitura, em dezembro de 2019, por, supostamente, fazer descarte irregular de resíduos de construção..

Nesta segunda-feira (13), a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) informou que notificou o condomínio Ekoara Residence, responsável pela obra, para que apresente laudos conclusivos e laudos laboratoriais da mancha sedimentar constatada na praia.

Imagens enviadas ao WhatsApp da TV Globo mostram uma mancha escura no mar. Os moradores disseram que a cor da água mudou desde que o condomínio começou uma obra no local. Na praia, há uma máquina despejando um líquido na areia, que escorre até o mar.

É possível ver a diferença na colocação da água, que vai de azul até o marrom, com uma espuma amarelada. Apesar da cor alterada, a água que escorre não tem cheiro forte. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Francisco Nelinho da Silva, a água escura não traz nenhum risco à população.

“Isso nada mais é que um material orgânico. Como aqui existe mangue e é aterrado, num certo nível de escavação que a gente faz, atinge essa parte da areia escura. Consequentemente, com a água, ela fica com essa coloração diferente, justamente pela areia de mangue. Mas ela não oferece risco. A única coisa que acontece é ficar escuro, o que esteticamente não é legal, mas em 24 horas já está tudo transparente”, afirmou o engenheiro.

A prefeitura de Ipojuca disse, por meio de nota, que a fiscalização e o licenciamento ambiental da obra, que é de contenção do mar, são de responsabilidade do governo do estado.

Informou, ainda, que a gestão municipal embargou o serviço de forma preventiva, no ano anterior, e que notificou a CPRH sobre o caso, mas “não obteve resposta nem orientação sobre a condução estadual sobre o assunto.

A prefeitura afirmou também que a obra foi retomada após um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), já que a empresa responsável pela obra possui todas as licenças exigidas. Ficaram determinados, então, “horários e procedimentos adequados para realização da escavação”.

“Fizemos um TAC para limitar a construção para não trazer um transtorno maior para os banhistas e para a população que vive nos arredores. Eles trabalham em horários específicos para trazer resultados não só para a construção, que a gente quer que termine o mais rápido possível, como também não trazer déficit para a população”, disse o secretário de Meio Ambiente e Controle Urbano da cidade, Erivelto Lacerda.

“A gente tem o cuidado de não trabalhar no fim de semana, por causa dos turistas. Não existe nenhum insumo, essa obra é totalmente limpa, esses blocos já vêm pré-moldados, de fora do país. A obra não gera entulho”, declarou o engenheiro responsável pela obra.

CPRH

Por meio de nota, a CPRH informou que a obra de contenção da erosão marinha é licenciada pela CPRH e mais diversos órgãos, como Superintendência do Patrimônio da União, Capitania dos Portos e tem a anuência da prefeitura, “utilizando uma tecnologia limpa, com blocos pré-moldados de encaixe para formar um muro de contenção em forma de escada, que não possui nenhum tipo de insumos e, consequentemente, sem geração de resíduos”.

Mesmo assim, a CPRH informou que, já que as manchas têm aparecido ao longo de até 1,5 quilômetro, “notificou o empreendimento, através do Auto de Intimação nº 01422/2019, para que dentro de 15 dias apresente laudos conclusivos e laudos laboratoriais da mancha sedimentar constatada na praia”.

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