Mães de bebês com microcefalia protestam contra preconceito, no Recife

Cartazes pediam respeito e o fim do preconceito contra os bebês com microcefalia / Bobby Fabisak/ JC Imagem

Cartazes pediam respeito e o fim do preconceito contra os bebês com microcefalia
Bobby Fabisak/ JC Imagem
Da Editoria de Cidades
JC Onlie

Uma nova geração que cresce sem amparo e vítima do preconceito. Esta é a realidade dos bebês que nascem com microcefalia em Pernambuco. Com cartazes, faixas e balões brancos, um grupo de mães de bebês com a malformação realizou, na tarde de hoje (05), uma caminhada pelo fim do preconceito no Parque 13 de Maio, bairro de Santo Amaro, área central do Recife.

Cerca de 10 mulheres, que participam do grupo União das Mães de Anjos (UMA), se reuniram no parque e saíram em caminhada pela Rua Princesa Isabel, pedindo respeito. “Respeite minhas limitações, tenho menos de um ano e já lutei mais do que você”, dizia um dos cartazes; outro, mais direto, defendia que “Respeito é um dever”.

Os seis meses de vida do pequeno Pedro Henrique já foram suficientes para que ele conhecesse o preconceito. A mãe, Juliana Diniz, 22, teve zika durante o terceiro mês de gravidez e conta que a situação é muito difícil. “Tem vezes que eu choro, as pessoas na rua ficam olhando e perguntando”, revela.

“Esse é um daqueles que não crescem?”, ouviu Andréa Avelino, 33, mãe de Antônio, de 11 meses de idade. Além de microcefalia, o bebê tem paralisia cerebral, causada por uma hipóxia grave, quadro clínico em que a criança tem baixa concentração de oxigênio nos tecidos. Segundo Andréa, as pessoas não entendem a condição de Antônio. “O médico disse que é normal os bebês com microcefalia serem mais irritados, mas as pessoas se incomodam com o choro dele”, conta. Emilly, a irmã de 7 anos do bebê, participou da passeata levando um cartaz feito por ela, que dizia: “Somos lindos, feio é o seu preconceito”.

Germana Soares é presidente da UMA e mãe de Guilherme, de 5 meses, portador de microcefalia. Assim como Juliana, Germana também foi diagnosticada com zika no início da gravidez. O grupo surgiu a partir do contato que ela tinha com outras mães nos hospitais e já conta com 250 pessoas. “É um cenário de solidão. Cada uma sabe das tristezas, angústias e da vontade de desistir da outra”, desabafa.

De 1º de agosto de 2015 até 30 de abril passado, 1.912 casos de microcefalia foram notificados em Pernambuco, sendo 153 relacionados ao vírus zika.

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