Fome de bola e sede de vitória: é hora de recomeçar, Central de Caruaru

Por Lafaete Vaz Caruaru, PE

Escudo Central (Foto: Vital Florêncio / GloboEsporte.com)
Temporada não tem sido fácil para o Central (Foto: Vital Florêncio / GloboEsporte.com)

A temporada 2017 não tem sido fácil para o torcedor alvinegro – as últimas também não foram. O Central terminou o Hexagonal do Título do Campeonato Pernambucano na lanterna da competição, com apenas três pontos conquistados em trinta disputados. Pior defesa, segundo pior ataque e menor saldo de gols. Uma participação para esquecer. Mas, não para por aí.

Um dos fatores que mais atrapalhou a Patativa no Estadual foi o extracampo. Jogadores em greve, salários atrasados em até seis meses, dívidas trabalhistas de outros anos e, acredite, fome. A declaração do zagueiro Sanny Rodrigues, após a derrota de 5 a 0 para o Náutico, foi o ápice da crise: “Só almoçamos”.

Sanny Central (Foto: Reprodução)
Sanny Rodrigues expôs a situação interna da Patativa no Pernambucano (Foto: Reprodução)

Após o episódio, a diretoria – sumida até então -, apareceu para dar esclarecimentos e desmentir o defensor. Mas outros jogadores apoiaram o companheiro e expuseram os problemas internos. Além de tentar limpar a imagem do clube, o presidente Lícius Cavalcanti fez outro pronunciamento: o time feminino está fora do Pernambucano por não ter condições financeiras.

O torcedor mais desligado questiona: “E a renda dos jogos em casa?”. A Patativa não teve ninho. A crise hídrica do Nordeste e a falta de planejamento do clube fizeram com que os jogos como mandante fossem disputados longe de Caruaru. Arquibancadas vazias e mais dívidas. As rendas das partidas não foram suficientes para pagar nem mesmo os custos dos duelos.

O que esperar de um clube que não valoriza o maior patrimônio? O Estádio Lacerdão foi castigado. Com sede, a grama morreu. O gramado também sentiu falta de um dos maiores centralinos que já existiu. Pela primeira vez em 37 anos, a grama não recebeu o toque delicado de Severino Celestino, o Pinto, que nos deixou há um ano. Mesmo sem receber – morreu com salários atrasados -, cuidava do lugar como se fosse a própria vida. Se ainda estivesse entre nós, talvez, o Luiz José de Lacerda não estivesse tão maltratado.

Situação gramado Lacerdão (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com)
Central não mandou jogos em casa no hexagonal do Título (Foto: Reprodução/GloboEsporte.com)

“Tem coisas que só acontecem com o Central”. O bordão é antigo, mas não falha. O centralino sofreu, chorou, xingou, se revoltou, mas nunca deixou de apoiar o time em um dos piores inícios de ano da história. E agora, alvinegro caruaruense? Lícius Cavalcanti permanece na presidência? Um parceiro americano vai ajudar a montar um time para a Série D?Um novo grupo vai assumir o futebol? O torcedor quer apenas voltar a vibrar com o gingado tão malandro, tão matuto. O que ele menos quer saber é de problemas fora do campo – nesse quesito o Central já foi campeão em 2017.

Seja na terra, ou em outras terras: dias melhores virão. Como diz o Moska, jovem poeta carioca, “tudo que acontece de ruim é para melhorar”. A temporada 2017 está apenas começando. Não jogue a toalha, vista o manto. A Série D do Campeonato Brasileiro vem aí, começa dia 21 de maio. Que a Patativa volta a cantar, a fome seja de bola, a sede de vitória e a grama verde como a esperança do tão sonhado acesso a Série C

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