Estado bate recorde de doações múltiplas de órgãos

A Semana Nacional de Doação de Órgãos termina amanhã com uma boa notícia para Pernambuco: o Estado bateu o recorde mensal de doações múltiplas em setembro. Até a segunda-feira passada, foram realizados 19 procedimentos. A solidariedade das famílias que vão contra à triste tendência de recusa da doação (44% dos casos) fez com que a Central de Transplantes recebesse 34 córneas, 31 rins, oito fígados, dois corações e um pâncreas. No total, 76 pessoas que estavam na lista de espera por um transplante foram beneficiadas. É gente como Maria das Dores que, aos 56 anos, ganhou uma “vida nova” ao receber um dos dois corações doados.

A senhora que trabalhava na lavoura em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata do Estado, sofria da doença de Chagas e tinha no transplante a única chance de melhora. “Eu sentia muito cansaço, nem podia mais andar direito. Meu coração não funcionava bem, mas agora tenho um novo. Faz só 15 dias que fiz a cirurgia e já me sinto outra pessoa”, revela. Ela está contando os dias para voltar para casa, após quase três meses de internação, mas antes gostaria de agradecer à família que “lhe deu esse coração”. “Se não fossem eles, eu poderia nem estar mais aqui. Graças a Deus, achei quem salvasse a minha”, diz emocionada.

Os outros órgãos doados este mês também já foram transplantados e renovaram a esperança de outras 75 pessoas que estavam na lista de espera por um transplante. Há exatamente uma semana, o ex-serralheiro Renato Rodrigues, 31, também saiu da relação ingrata que somava 1.298 pacientes no início do mês.

Entre o dia 1º e 22 deste mês, 19 doações múltiplas de órgãos foram realizadas no Estado. O mês não acabou e esse número ainda pode crescer, mas este já é o maior número dos 20 anos de funcionamento da Central de Transplantes. O recorde anterior era de exatamente um ano atrás: 17 procedimentos em setembro de 2013. O número ainda supera em 72% a média mensal de doações (11).

“Este mês nem acabou e já superou as expectativas. Se mantivermos só a média nos próximos meses, vamos bater mais um recorde: o anual. Mas este não é nosso objetivo. Queremos que os números de setembro se repitam para continuarmos diminuindo a lista de espera por um transplante”, torce a coordenadora da Central, Noemy Gomes.

Em quatro anos, o número de doações múltiplas de órgãos praticamente dobrou em Pernambuco. Os 59 casos em 2008 saltaram para 116 em 2012. No ano passado, novo recorde: 117. A expectativa é que o número cresça ainda mais este ano, pois até o último dia 22 já foram realizadas 106 doações (11 a menos que em 2013).

 

 

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