Dez anos depois, Santa Cruz repete roteiro e é rebaixado para a Série C

Por Lucas Liausu, Recife

Nos seus 103 anos de vida, o Santa Cruz talvez nunca tenha vivido uma crise tão grande quanto a que se iniciou na segunda metade dos anos 2000. Mais precisamente em 2007, quando caiu da Série B do Campeonato Brasileiro para a Série C e depois ainda foi parar na Série D. Passado o calvário, o Tricolor jogou a Série A no ano passado, mas aos poucos parece repetir o passado. Rebaixado para a Série B logo de cara, acaba de confirmar a segunda queda seguida, desta vez novamente para a Série C e justamente dez anos depois da primeira.

Agonizando na Série B desde a sua metade, o Santa Cruz vinha preparando a queda há algum tempo e ela aconteceu neste sábado, em Varginha, na derrota por 4 a 2 para o Boa Esporte. Para que isso ocorresse, o Guarani precisou vencer o CRB.

O rebaixamento do Santa Cruz é ainda mais doloroso por conta dos objetivos do clube. Quando caiu da Série A no ano passado, o discurso era para conseguir a volta já nesta temporada. Isso foi repetido até metade da atual temporada, quando consideravam o acesso viável.

A queda, no entanto, começou a ser escrita desde o começo da Série B. O técnico Vinícius Eutrópio, que começou a trabalhar em janeiro no clube, entrou no campeonato nacional bastante contestado por não ter nem sequer chegado às finais do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. Ele foi demitido apenas na sexta rodada e a crise financeira, que já era clara, ficou ainda mais evidenciada.

Quando demitiu Eutrópio, o Santa devia dois meses de salários aos jogadores e ao tentar contratar outro treinador, ouviu de um deles que não aceitaria justamente por conta disso. A dica ouvida para manter Adriano Teixeira, ex-zagueiro e auxiliar da casa, foi colocada em prática, mas a equipe continuou a despencar na tabela.

Apegado ao passado, o clube foi em busca de Givanildo Oliveira, que chegou com fama de “Rei do Acesso” e ainda falando em recolocar o Santa Cruz na Série A. No entanto, ele esteve longe de atingir o objetivo e chegou a ficar sete jogos seguidos sem vencer até ser demitido.

Já com um discurso diferente – enfim falando em livrar o time do rebaixamento -, Marcelo Martelotte chegou em setembro com uma difícil missão. Fazer o time voltar a jogar um bom futebol e acalmar os ânimos nos bastidores, por conta dos constantes atrasos salariais. Num primeiro momento, os objetivos até foram atingidos, mas durou pouco tempo e o Santa voltou a ser presa fácil para os seus adversários.

Na semana passada, já com o rebaixamento em iminência, a maior crise interna do ano se instalou no clube. Os jogadores ameaçaram parar de treinar e nem jogar as últimas rodadas, caso parte dos salários não fossem pagos. O grupo deu um prazo até a próxima segunda-feira ao presidente Alírio Moraes e os diretores. Caso os pagamentos não sejam efetivados, o elenco promete fazer greve.

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