Delegacia da Mulher passa a prender agressores em flagrante e número aumenta no Recife

Especial para o NE10Paulo Trigueiro

Todos os meses são cerca de 200 pedidos de medida protetiva feitos por mulheres no Recife  / Foto: Sérgio Bernardo/JC ImagemTodos os meses são cerca de 200 pedidos de medida protetiva feitos por mulheres no RecifeFoto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

“Meu ex-­marido disse que ia até o meu local de trabalho para me mandar para o inferno”.  A ameaça foi feita há cerca de um mês para a operadora de telemarketing Anair Santos, 27 de anos. Depois de prestar oito boletins de ocorrência por agressão, ela solicitou uma medida protetiva na Delegacia da Mulher de Santo Amaro, área central do Recife. Todos os meses são cerca de 200 pedidos feitos por mulheres como Anair que sofrem agressões físicas e verbais na capital pernambucana.

A  Delegacia da Mulher de Santo Amaro começou a prender agressores em flagrante em  janeiro deste ano. As prisões aumentaram, mas as ameaças e agressões estão longe de ter um fim.

Anair revela que o ex-marido começou a ficar com um ciúme doentio. “Quando falei que não queria mais ficar com ele por causa disso, as agressões começaram”, relata. As cicatrizes de um soco que levou na boca ainda a incomodam e a fazem lembrar do que aconteceu. “Minha mãe sofria agressões do meu pai e quando meu ex-­marido me bateu  na frente dos meus filhos, decidi que ia procurar a polícia. Não queria aquilo para eles. Tomar a decisão da justiça é difícil porque significa expor sua situação para a sociedade. Eu entendo por que tantas mulheres ainda escondem .

Depois de conseguir uma medida protetiva, Anair ligou para a polícia diversas vezes para informar quando o ex se aproximava, mas nunca teve uma resposta que a satisfizesse. “Cheguei a ouvir gracinha dos policiais. Diziam que eu não podia mandar na minha rua. A última vez, na Quarta-­feira de Cinzas, liguei para a Delegacia da Mulher e a delegada plantonista, Ana Mongini, veio pessoalmente me buscar no trabalho, me levou para prestar um boletim de ocorrência e me deu um colchão para dormir lá, enquanto procuravam e prendiam meu ex-marido. Ele parou de me ameaçar e hoje me sinto mais segura.”

Ana Elisa Gadelha foi a responsável pela mudança na delegacia

Ana Elisa Gadelha foi a responsável pela mudança na delegacia

Até janeiro, a Delegacia da Mulher recebia os flagrantes realizados pela Polícia Militar atendendo aos chamados pelo 190 e registrava os boletins de ocorrência. Cerca de oito por mês. De fevereiro para cá, o órgão recebeu quatro mulheres que haviam sofrido agressões domésticas. Os policiais civis foram atrás dos agressores para prendê­los em flagrante. “Os agressores têm tanta certeza que nada vai acontecer, que nem tentam fugir. Estamos tentando mudar essa noção de impunidade. Recentemente uma mulher desmaiou enquanto era agredida e continuou a apanhar do marido. Fomos no local e ele estava lá, como se nada tivesse acontecido”, afirma a delegada titular Ana Elisa Gadelha, responsável pela atitude “proativa” da delegacia.

De acordo com Ana Elisa, os próprios agentes estão tomando a iniciativa de ir atrás dos agressores. “Percebemos uma mudança em relação ao empenho dos policiais. Inicialmente, achavam que não era possível fazer isso por falta de estrutura. Mas mudamos a logística do trabalho, dando prioridade às emergências e, quando eles viram os resultados, ficaram motivados para ir atrás”, conta a delegada, que acumula duas delegacias de plantão, além da distrital.

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