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Da febre de 40°C ao recorde do Pan: o turbilhão de Darlan Romani até o ouro em Lima

Por Edgar Alencar e Marcel Merguizo — Lima, Peru

Globo Esporte

A comemoração foi enorme ao ver no placar a marca 22,07m. Darlan Romani já tinha a certeza do ouro no arremesso do peso de Lima, mas ainda quebrou o recorde dos Jogos Pan-Americanos no apagar das luzes, na quarta-feira. Um prêmio para coroar o esforço do brasileiro de 28 anos, que viveu um turbilhão às vésperas de competir no Peru e quase desistiu da disputa.

– Quase pedi dispensa. Não foi uma semana fácil, mas batalhei bastante. Várias pessoas acreditaram em mim quando eu já não acreditava nesta semana. A gente batalha bastante. Superei os 22m de novo. É muito gratificante – disse Darlan.

O primeiro obstáculo do brasileiro foi chegar à Lima. Ele estava em período de treinamento em Madri junto com o técnico cubano Justo Navarro. Por uma questão de logística, a viagem que poderia ser feita em pouco menos de 12 horas durou 29 horas, segundo Darlan.

A maior barreira, porém, foi uma infecção nas amídalas que derrubou o gigante de 1,90m de altura e 155kg. Darlan precisou de atenção total do coordenador médico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), André Guerreiro Gonçalves. A febre do atleta superou os 40°C. Ele transpirou tanto que teve de trocar de camiseta sete vezes em uma noite.

– Foi um fato inusitado o que aconteceu. Tivemos que tratar intensivamente, com antibiótico. Foi um desafio muito grande. Chegou a ter 40,2°C de febre. Um atleta que passa com febre praticamente 24 horas acaba ficando debilitado, se alimenta mal. Conseguimos controlar com medicamento. Demos a confiança para competir que é importante para o atleta – contou o médico André Guerreiro Gonçalves.

Só o tratamento médico não foi o suficiente para reerguer Darlan. Foi preciso acionar um anjo da guarda. A esposa Sara Romani, que também é atleta, foi chamada de última hora para viajar do Brasil para o Peru.

– Na segunda-feira pela manhã ele me mandou mensagem falando que estava com a garganta ruim. Eu já fiquei preocupada, mas fiquei sabendo que o doutor estava cuidando dele, estava dando medicamento. À tarde ele mandou: “Amor, vou pedir baixa, vou para casa, que estou muito mal”. Eu sei que ele fica muito mal, já teve outros quadros de infecção. Ele fica totalmente debilitado. Quando ele falou “vou dar baixa”, eu falei: “Não, você não vai embora. Fica aí que eu estou indo”. Ele falou: “Não, tem a nenê”. A gente tem uma filha de quatro anos. Eu disse: “Ela fica e eu vou”. Estava preocupada, mas deu tudo certo – contou Sara.

Após a chegada de sua esposa, Darlan deixou a Vila Pan-Americano e foi hospedado em hotel para poder receber os cuidados de Sara. O atleta não conseguiu treinar em Lima e só na noite de terça-feira conseguiu melhorar.

– Por mim eu teria pedido baixa. Minha esposa me segurou. Mas os resultados estão aí – disse Darlan.

Dono da segunda melhor marca da temporada e do recorde sul-americano com 22,61m, Darlan sobrou no Pan de Lima. Foi crescendo durante a competição, mas todos os seus seis arremessos foram superiores ao do americano Jordan Geist, prata com 20,67m.

Apesar do turbilhão vivido em Lima, Darlan ainda venceu com um arremesso de 22,07m que o colocaria no pódio de toda competição, inclusive Olimpíadas. O próximo grande desafio do atleta é o Mundial de Doha, no fim de setembro. Lá ele espera não ter de passar pelo sufoco que viveu no Peru para buscar sua primeira medalha da competição.

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