Criminosos invadem contas de WhatsApp para aplicar golpes em nome das vítimas

Por Mônica Silveira, TV Globo

A Polícia Civil investiga um golpe aplicado por meio do WhatsApp e que foi denunciado por, pelo menos, sete pessoas que tiveram a conta no aplicativo de mensagens invadida por bandidos. Eles fingem ser as vítimas para pedir dinheiro emprestado a conhecidos delas, convencendo-os a fazer depósitos bancários.

Os casos foram registrados na Delegacia de Crimes Cibernéticos, na Rua da Aurora, no Centro do Recife. Uma das vítimas é enfermeira e não quis se identificar. Ela fez um boletim de ocorrência, mas afirma que está com medo de enfrentar ainda mais problemas.

Após receber uma mensagem supostamente de uma colega de trabalho, perguntando se queria entrar em um grupo sobre roupas de grife. A enfermeira aceitou e recebeu, por SMS, um código que supostamente daria acesso ao grupo.

O alerta, em inglês, diz que o código não deveria ser compartilhado com ninguém. Ela tirou um print da tela e enviou para a pessoa que pensava ser a colega de trabalho. Dez minutos depois, veio o pedido de um empréstimo.

“Eu recebi o código do SMS, não prestei atenção ao que estava escrito, fiz o print da tela e encaminhei. Em seguida, ele [o golpista] começou uma conversa me pedindo para transferir uma quantia em dinheiro. Foi nesse momento que eu desconfiei e achei que não era aquela pessoa, porque ela não teria essa intimidade de me fazer esse pedido”, afirma a vítima.

Vítimas de golpe aplicado por meio do WhatsApp denunciaram crime no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Vítimas de golpe aplicado por meio do WhatsApp denunciaram crime no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Pouco tempo depois, ela já tinha perdido o controle sobre a própria conta do WhatsApp. O ladrão já tinha acessado os contatos dela, inclusive a cunhada, que também acabou compartilhando com ele o código que chegou pelo SMS.

“Fiquei sem o WhatsApp durante algumas horas, porque, quando tentei reinstalar, o aplicativo informava que eu já tinha ido lá recentemente e um novo código de verificação só podia ser fornecido depois de algumas horas. Eu só consegui recuperar minha conta no fim do dia”, declara.

Usando o nome da enfermeira e com a foto dela no perfil do WhatsApp, o ladrão pediu empréstimos a vários contatos dela. Todos, distraídamente, informaram a ele o código que chegou por SMS e também tiveram suas contas invadidas.

“Conheço, ao menos, dez pessoas. Não houve depósito em dinheiro, mas tiveram suas contas levadas e passaram a receber mensagens da mesma forma que eu”, diz a enfermeira.

Cuidado

De acordo com o delegado Eronides Meneses, da Delegacia de Crimes Cibernéticos, em caso de pedidos de empréstimo, as vítimas precisam ficar atentas antes de transferir dinheiro para contas de terceiros.

“A mensagem que o WhatsApp manda com o código já informa ‘não compartilhe esse código’. Então, códigos de SMS nunca devem ser compartilhados com ninguém. Seja de e-mail, redes sociais ou bancos. Chegou um código para você, ele é privativo seu. Não deve ser falado, copiado ou colado para ninguém, jamais”, explica.

Na delegacia, além do aplicativo de mensagens, também há casos de linhas telefônicas roubadas. A polícia investiga mais de 20 casos de pessoas que, repentinamente, viram suas linhas desabilitadas. Alguém usou documentos falsos para fazer isso, provavelmente em lojas de operadoras de celular, e habilitou as linhas em outros chips.

Com isso, o ladrão toma posse não somente da linha telefônica, mas das redes sociais e dos aplicativos de mensagens dela. Os golpistas, segundo o delegado, estariam usando essas informações para roubar dinheiro dos contatos das vítimas.

“Percebemos que a linha das pessoas parava de funcionar. As pessoas iam na operadora horas depois e conseguiam resgatar, mas seus contatos começavam a ligar dizendo ‘já fiz a transferência’. Aí a pessoa percebia que seu WhatsApp ou redes sociais haviam sido furtadas também. O criminoso entrava em contato com as pessoas pedindo pagamento de boletos, transferência para conta de terceiros e os contatos de pessoas acabavam caindo nesse golpe”, afirma.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.