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NUVEM DE TAGS

Não há evidências de que a vitamina D atue na prevenção contra a Covid-19; uso indiscriminado traz riscos

Até o momento, não há nenhum medicamento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus; suplemento vitamínico não garante melhor resposta à doença.

Por G1

Ainda não há evidências científicas suficientes que possam garantir ou afastar totalmente o papel da vitamina D na imunidade e no combate ao coronavírus. Entretanto, o consumo deste suplemento sem acompanhamento médico pode ser prejudicial.

recomendação para uso de suplemento de vitamina D é feita apenas para pacientes com deficiência desta substância, após consulta e avaliação médica.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) disseram, ainda em abril, que não havia nenhuma indicação aprovada para prescrição de suplementação de vitamina D para a Covid-19.

As entidades alertaram para os riscos do consumo indiscriminado desta substância, sem qualquer acompanhamento profissional. Segundo o comunicado, o excesso de vitamina D sintética pode causar:

  • aumento da reabsorção óssea
  • risco de quedas e fraturas
  • hipercalcemia (níveis altos de cálcio no sangue)
  • hipercalciúria (excesso de cálcio na urina)
  • insuficiência renal
  • crises convulsivas
  • morte

A produção de vitamina D pelo corpo, de forma natural, é ativada a partir da exposição ao sol. O consumo de sua versão sintética é apenas prescrita para pacientes com deficiência neste mecanismo do corpo.

A vitamina D, ao contrário de outras vitaminas – como a vitamina C –, não é eliminada pelo corpo em caso de consumo exagerado. Por ser lipossolúvel, acaba se acumulando no organismo e não deve ser consumidas sem recomendação médica.

Pesquisas recentes

No mês passado, uma pesquisa publicada pela revista “BMJ Nutrition, Prevention & Health” indica que tomar altas doses de suplementos de vitamina D não ajuda na prevenção ou tratamento da Covid-19. O artigo é assinado por pesquisadores dos EUA, Reino Unido e União Europeia e indicou que não há provas científicas suficientes de que haja benefícios para evitar a infecção pelo patógeno.

Por outro lado, um outro estudo ainda em pré-print – que aguarda a publicação após a avaliação da comunidade científica – indica que a substância é uma “candidata promissora” para a profilaxia. O artigo de pesquisadores chineses ainda é preliminar e mostra bons resultados nos testes in vitro.

O que diz a OMS

G1 perguntou à Organização Mundial da Saúde (OMS) qual é a recomendação da agência de saúde da ONU para o uso profilático de vitaminas na proteção contra a Covid-19. Em nota, a instituição citou uma fala do diretor-executivo do programa de emergências, Mike Ryan, no início de junho, que citava não ter evidências específicas sobre o uso de vitaminas contra o coronavírus.

“Sobre a questão das vitaminas, não acredito que exista evidência específica de que as vitaminas previnam ou possam tratar a Covid-19, disse Ryan em entrevista coletiva. “No entanto, existem muitas coisas que podemos fazer para manter nosso corpo saudável e permitir que lidemos com qualquer doença infecciosa de maneira mais eficaz, de modo que uma dieta saudável e, às vezes, suplementar essas dietas com vitaminas apropriadas sejam uma maneira muito positiva de se manter saudável.”

Prevenção contra a Covid-19

Para evitar se contaminar ou transmitir o vírus, as formas mais importantes de prevenção ainda são distanciamento social e medidas de higiene como lavar bem as mãos com água e sabão ou com álcool 70%.

Também é necessário tomar cuidado para não tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas. Evitar aglomerações e usar máscara em público também são formas de se prevenir e para evitar espalhar o vírus, cobrir a boca ao tossir ou espirrar com a parte interna do cotovelo.

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Brasil tem 51.406 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Há 1.113.606 de casos confirmados no país. Segundo diretor da OMS, Brasil provavelmente tem mais casos de Covid-19 do que os relatados.

Por G1

Brasil tem mais de 51 mil mortes pela Covid-19, aponta consórcio de veículos de imprensa

O Brasil tem 51.406 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (23), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou na segunda (22), às 20h, o 15º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta terça-feira (23):

  • 51.406 mortos
  • 1.113.606 casos confirmados

(Na segunda-feira, 22, às 20h, o balanço indicou: 51.407 mortes, 748 em 24 horas; e 1.111.348 casos confirmados. Depois disso, Roraima informou que um óbito teve a causa alterada após avaliação epidemiológica, e deixou de ser contabilizado como causado pelo coronavírus.)

Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Na segunda-feira, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que, mesmo com os altos números registrados nos últimos dias, o Brasil provavelmente tem mais casos de Covid-19 do que os que são oficialmente relatados.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

Na segunda (22), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 654 novos óbitos e 21.432 novos casos, somando 51.271 mortes e 1.106.470 casos desde o começo da pandemia.

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Vacina de Oxford contra Covid-19 começa a ser testada em profissionais de saúde de SP

A vacina é uma das 141 cadastradas na Organização Mundial de Saúde (OMS) e está entre as 13 que já estão em fase clínica de testes em humanos no mundo. A testagem em profissionais de saúde de São Paulo começou na sexta-feira (19).

Por Rodrigo Rodrigues, Mariana Timóteo e Viviane Sousa, G1 SP e GloboNews — São Paulo

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Fundação Lemann confirmaram nesta segunda-feira (22) que começaram os testes em São Paulo da vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A vacina é uma das 141 candidatas cadastradas na Organização Mundial de Saúde (OMS) e está entre as 13 que já estão em fase clínica de testes em humanos no mundo.

Os testes da vacina em São Paulo começaram na sexta-feira (19) e prosseguiram nesta segunda-feira(22), segundo o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Unifesp, que coordena a aplicação da vacina em São Paulo.

Informações da Universidade de Oxford apontam que pelo menos 5 mil profissionais da saúde participarão das testagens no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A Unifesp afirma que, na capital paulista, o Hospital São Paulo está responsável pela análise do perfil dos profissionais de saúde aptos a receberem o teste da vacina.

Em nota, a Fundação Lemann, que é uma das financiadoras do projeto no Brasil, celebrou o início dos testes no país e disse que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que resultados positivos sejam conhecidos.

“Há um caminho importante a ser percorrido agora pelos especialistas antes de podermos celebrar bons resultados. O que virá depois, ainda não sabemos. Enquanto isso, o foco da Fundação Lemann está em acompanhar a iniciativa. Há muitas pessoas e organizações trabalhando colaborativamente para o sucesso e, junto delas, esperamos dar nossa contribuição para que a pandemia seja superada, com foco e atenção ao Brasil e sua gente, nosso maior compromisso”, disse a nota da fundação (veja íntegra abaixo).

Os testes da vacina de Oxford em São Paulo estão sendo coordenados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com a coordenação das infectologistas Dra. Lily Yin Weckx e pela Dra. Sue Ann Costa Clemens, responsável pela articulação que colocou o Brasil como o primeiro país da América Latina a integrar a fase de testes da vacina, para além do Reino Unido.

Infectologista comenta teste de vacina no Brasil feito pela Universidade de Oxford

Vacina de Oxford – Fase 3

A vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a empresa AstraZeneca, que utiliza princípios semelhantes de estudos de vacinas contra ebola e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio causada por outro tipo de coronavírus) é uma das vacinas em estágio mais avançado no mundo.

Ao todo, 50 mil pessoas serão testadas em todo o planeta — 30 mil nos Estados Unidos e outras em países da África e Ásia. No Brasil, pelo menos 5 mil voluntários entre 18 e 55 anos serão vacinados. A ideia é anunciar os resultados até setembro e, se tudo correr bem, entregar as vacinas já em outubro.

Em São Paulo, os testes em mil voluntários estão sendo conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e contam com a viabilização financeira da Fundação Lemann em toda infraestrutura médica e equipamentos.

No Rio de Janeiro, os testes em mil voluntários serão feitos pela Rede D’Or São Luiz, com R$ 5 milhões bancados pela própria Rede, e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

São recrutadas pessoas da linha de frente do combate à Covid-19, em situação de maior exposição à contaminação. Eles precisam ser soronegativos, ou seja, que não contraíram a doença anteriormente.

A vacina utiliza uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Ela é produzida a partir de uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés — e que não causa doença em humanos. A esse imunizante foi adicionado o material genético usado na produção da proteína “spike” do Sars-Cov-2 (a que ele usa para invadir células), induzindo os anticorpos.

É considerada uma vacina moderna e “segura” por não utilizar o vírus e sim uma sequência genética.

Oxford recruta mais de 10 mil voluntários para testes com vacina para Covid-19

Entraves

Apesar de participar da fase de testes em humanos, o Brasil corre o risco de ficar de fora das primeiras levas de compra da vacina de Oxford, caso o governo brasileiro não assine um acordo com a universidade para ter prioridade de compra do produto, caso ele tenha resultados positivos no controle da Covid-19.

O acordo está em análise no Ministério da Saúde e no Ministério da Economia, mas a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca, responsáveis pela pesquisa da vacina no Reino Unido, não receberam qualquer sinalização de que ele será apreciado no curto prazo.

Segundo fontes envolvidas nos testes em solo brasileiro, o atraso para firmar o acordo pode colocar o Brasil no fim da fila de prioridades para receber os primeiros lotes de produção em massa da vacina.

G1 procurou o Ministério da Saúde para entender os entraves que impediram a assinatura do acordo até aqui, mas ainda não recebeu retorno do órgão.

Íntegra da nota da Fundação Lemann:

“Neste final de semana, a Fundação Lemann teve a oportunidade de celebrar com os parceiros envolvidos e especialistas responsáveis, o início dos testes em São Paulo para a vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford. Em São Paulo, onde a iniciativa contou com o financiamento da Fundação Lemann, os estudos clínicos estão sob responsabilidade do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na liderança da Dra. Lily Yin Weckx e com o apoio da Dra. Sue Ann Costa Clemens, responsável pela articulação que colocou o Brasil como o primeiro a integrar a fase de testes para além do Reino Unido. Há um caminho importante a ser percorrido agora pelos especialistas antes de podermos celebrar bons resultados. O que virá depois, ainda não sabemos. Enquanto isso, o foco da Fundação Lemann está em acompanhar a iniciativa. Há muitas pessoas e organizações trabalhando colaborativamente para o sucesso e, junto delas, esperamos dar nossa contribuição para que a pandemia seja superada, com foco e atenção ao Brasil e sua gente, nosso maior compromisso”.

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Ministério da Saúde está há 38 dias sem titular em meio ao crescimento de mortes por Covid

Desde que o general Eduardo Pazuello assumiu o cargo interinamente, o ministério tentou restringir o acesso aos dados sobre a pandemia e vem reduzindo cada vez mais a importância das entrevistas diárias sobre ações do governo.

Do Jornal Nacional

Ministério da Saúde está há 38 dias sem titular em meio a crescimento de mortes por Covid

O Ministério da Saúde está há 38 dias sem um titular. Desde que o general Eduardo Pazuello assumiu o cargo interinamente, o ministério tentou restringir o acesso aos dados sobre a pandemia e tem reduzido cada vez mais a importância das entrevistas diárias sobre ações do governo.

O país já ultrapassou um milhão de casos confirmados de Covid-19 e 50 mil mortes e o Ministério da Saúde ainda não se manifestou. Em entrevista, rede social, nada.

Tem sido assim há mais de um mês, desde que Eduardo Pazuello assumiu o ministério, interinamente, no lugar de Nelson Teich.

No início de junho, as informações sobre a Covid no país começaram a sair cada vez mais tarde. O ministério mudou o modelo dos boletins encaminhados à imprensa e publicados no site oficial. Passou a omitir os números totais de infectados e de mortes registradas desde o início da pandemia. O que gerou uma onda de críticas.

O ministério só voltou atrás depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, exigindo que os dados fossem divulgados de forma completa.

O infectologista Jamal Suleiman diz que falta clareza nas estratégias de combate à doença: “Qual é a estratégia de testagem? O que que é esse papel do teste rápido e testagem de massa, né? Como é que o ministério pensa em identificar essas pessoas que estão contaminadas ou são positivas? E qual a estratégia de bloqueio? Esse papel de articulação do Ministério da Saúde não está sendo feito”.

A Sociedade Brasileira de Infectologia reclama também da falta de orientação sobre o avanço da Covid para cidades menores: 48% dos mortos estão fora das capitais.

“Está faltando total transparência como a gente tinha no início da pandemia. Esse é o primeiro ponto. Existe uma dificuldade desse interfaceamento do governo federal com os estados e os municípios dificultando em número e deixando a população também à deriva, né, sem uma informação precisa e correta”, comenta o coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia Sérgio Cimerman.

Os especialistas criticam também outra mudança na atuação do ministério: as entrevistas coletivas, que no começo da pandemia eram diárias, agora, não têm periodicidade. E são temáticas. O ministério escolhe sobre o que vai falar e nem sempre responde a todas as perguntas.

“Eu acho que as recomendações e a recuperação da credibilidade do ministério são importantíssimas pra que a gente possa tem melhores resultados que não estão bons, os resultados são muito ruins nesse momento. Você precisa de análise, você precisa de parâmetro, você precisa conhecer melhor qual é a realidade das grandes cidades, qual a realidade dos estados, de que maneira eu posso apoiar, por que essas diferenças tão de testagem tão grande entre estados?”, diz o epidemiologista Antônio Lima Neto.

O presidente Jair Bolsonaro já disse várias vezes que prefeitos e governadores é que devem ser cobrados pelos resultados das medidas de combate ao novo coronavírus. Segundo ele, porque o Supremo Tribunal Federal decidiu que as ações são de responsabilidade de estados e municípios.

Nesta segunda (22), o vice presidente do Supremo, Ministro Luiz Fux, afirmou que a decisão do tribunal não livrou o governo federal de responsabilidades sobre a pandemia.

“Não eximiu. Pelo contrário: reforçou a competência dos Executivos. O Supremo não exonerou o Executivo Federal das suas incumbências, porque a Constituição prevê que nos casos de calamidade, as normas federais gerais devem existir. Entretanto, como a saúde é um direito de todos e um dever do estado, no sentido genérico, o Estado Federativo Brasileiro escolheu, como forma de estado, o estado federado em que as unidades têm autonomia política, jurídica e financeira. Então, os estados têm Legislativo, Executivo e Judiciário, a União também tem. E às vezes o que serve para a União, não serve para municípios, e como eu comparei aqui municípios com necessidades diversas. A União Federal continuará com a sua responsabilidade”, afirmou.

Outra questão que preocupa é a discussão sobre a economia no período de pandemia. Segundo o economista Ricardo Henriques, esse debate já deveria ter sido superado.

“Após 50 mil mortes, é incompreensível seguir se fazendo oposição entre saúde e economia. São as famílias das pessoas mais vulneráveis que estão sendo punidas por essa irresponsabilidade. É fundamental que haja coordenação da política pública a partir do governo federal para garantir que a desigualdade seja um parâmetro da estratégia de enfrentamento da pandemia”, afirmou.

O Jornal Nacional questionou o Ministério da Saúde sobre as críticas dos especialistas. Em nota, a assessoria afirmou que vem aprimorando as ferramentas de informação sobre a Covid. Que a atual plataforma permite a análise da evolução da doença por região e por município. E ainda que outros aprimoramentos estão sendo preparados.

A assessoria do ministério declarou que lamenta cada morte – e se solidariza com as famílias.

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Pernambuco volta a registrar alta no número semanal de novos casos de Covid-19

Estado reduzia total de casos em sete dias nas últimas três semanas. Entre o domingo (14) e este sábado (20), foram 6.447 confirmações da doença.

Por G1 PE

Número de casos confirmados por semana em Pernambuco desde o começo da pandemia — Foto: Reprodução/TV Globo

Número de casos confirmados por semana em Pernambuco desde o começo da pandemia — Foto: Reprodução/TV Globo

Pernambuco voltou a registrar alta no número semanal de casos confirmados de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em meio ao processo de reabertura das atividades econômicas. Nas três semanas anteriores, o estado vinha registrando diminuição desse número. Entre o domingo (14) e este sábado (20), foram 6.447 confirmações da doença.

O maior número de casos registrados em uma semana no estado foi entre os dias 17 e 23 de maio, com 8.298 novas pessoas com a doença. Nesse período, foi decretada quarentena mais rígida por 15 dias no Recife e outras quatro cidades da Região Metropolitana e os números começaram a diminuir, até esta semana.

Pernambuco ultrapassa 50 mil casos de Covid-19

Somente neste sábado (20), a Secretaria Estadual de Saúde contabilizou 1.398 novos casos de Covid-19, maior número registrado desde o dia 29 de maio, quando foram registrados 1.542 casos em um único dia.

Desde o começo da pandemia, em março, a maior confirmação de casos em um dia foi registrada em 16 de maio, quando foram 2.279 pacientes.

Neste sábado (20), as praias e parques do Recife foram liberados para exercícios individuais. Mesmo com o banho de mar proibido, muitas pessoas foram vistas entrando na água em Boa Viagem, na Zona Sul da capital .

Praias são reabertas para exercícios e recifenses aproveitam o mar, desrespeitando regras

Reabertura

O processo de flexibilização das atividades econômicas no estado foi iniciado no começo de junho, com liberação da construção civil e comércio atacadista, mas não tem sido o mesmo em todas as regiões. Cada etapa é ditada pelo monitoramento de número de casos.

Oitenta e cinco municípios do Agreste e da Zona da Mata de Pernambuco não avançaram para a terceira etapa do Plano de Convivência com a Covid-19, iniciada na segunda-feira (15), porque não mostraram tendência de queda do número de casos. Nessa fase, puderam abrir o comércio de rua e atividades como salões de beleza.

Essas cidades também não vão para a próxima etapa, que é a reabertura para clientes dos shoppings e grandes lojas, bem como podem ser retomadas as celebrações religiosas presenciais em templos e igrejas, a partir da segunda-feira (22).

Passageiros enfrentam longas esperas e coletivos lotados em dia de protesto de rodoviários

Também a partir de segunda, os supermercados da capital não precisam mais limitar os estacionamentos, nem a entrada de pessoas de uma mesma família. Entretanto, a lotação segue restrita a 50% da capacidade dos locais e medidas de distanciamento precisam ser respeitadas.

Desde o início da retomada das atividades, um dos problemas mais frequentes no Grande Recife foi a superlotação de ônibus. Mesmo com reforço na frota, a retomada de mais setores na segunda-feira (15) foi marcada por mais dificuldades para quem depende do transporte (veja vídeo acima).

Projeções

Pesquisadores de PE e dos EUA apontam que números de casos e mortes devem voltar a crescer

Projeções do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, no oeste dos Estados Unidos, mostram que Pernambuco pode ter cerca de 8 mil mortes por Covid-19 no dia 4 de agosto. De acordo com o estudo, divulgado nesta semana, o número de mortes segue uma tendência de queda, mas pode começar a subir novamente a partir da primeira quinzena de julho

As previsões são coordenadas pelo médico Theo Vos, que é doutor em Epidemiologia e Economia da Saúde. Ele afirma que os dados são previsões e que contêm uma margem de erro que faz o valor variar para mais ou para menos, ou seja, poderiam ser entre 6 mil e 11,6 mil.

Em entrevista à TV Globo, o médico demonstrou preocupação com a situação dos ônibus lotados na Região Metropolitana durante o processo de reabertura. Ele afirmou que é importante as autoridades estarem atendas à variação dos números e perceberem quando houver aumento da quantidade de pessoas doentes.

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Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

País ultrapassou a marca de 50 mil vítimas no sábado (20), pouco mais de três meses após o primeiro óbito. Há 1.087.185 de casos confirmados.

Por G1

Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa

O Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (22), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou no domingo (21), às 20h, o 14º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta segunda-feira (22):

  • 50.667 mortos
  • 1.087.185 casos confirmados

(No domingo, 21, às 20h, o balanço indicou: 50.659 mortes, 601 em 24 horas; e 1.086.990 casos confirmados.)

A marca das 50 mil vítimas foi ultrapassada no sábado (20), pouco mais de três meses depois da primeira morte, ocorrida na cidade de São Paulo. Desde então, a doença se alastrou pelo país e, atualmente, avança pelo interior.

O Brasil é o 2º país do mundo com mais casos e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo um levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

No domingo (21), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 641 novos óbitos e 17.459 novos casos, somando 50.617 mortes e 1.085.038 casos desde o começo da pandemia.

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Maioria dos estados não tem informação sobre raça das vítimas de Covid-19; parte não divulga quantidade de testes sem resultado

Levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa mostra que apenas oito estados divulgam dados raciais dos doentes e mortos pelo coronavírus. Para especialistas, informação é fundamental para que seja pensada uma política pública de saúde com equidade. Em 12 estados, o boletim não informa os testes inconclusivos, ou seja, sem resultado definitivo, o que impossibilita traçar panorama preciso da Covid-19. Raio X mostra principais informações coletadas.

Por G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL

A maioria dos estados não divulga à população os dados sobre as raças das vítimas de Covid-19 no Brasil. Apenas oito têm os dados disponíveis e acessíveis. É o que mostra um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa formado por G1, O Globo, Extra, Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL.

Para especialistas, a informação é fundamental para que seja pensada uma política de saúde com equidade.

Além disso, 12 estados não divulgam, em seus boletins, informações sobre testes inconclusivos, ou seja, sem resultado definido. Trata-se de um dado relevante, especialmente para o acompanhamento do panorama da Covid-19 no país.

Considerando que há subnotificação e falta testagem em massa, o número de exames na fila, isto é, aguardando definição é um dos componentes que pode revelar com maior precisão a situação de cada estado. Mostrar um eventual aumento de casos suspeitos e os gargalos na testagem podem apontar, por exemplo, se o ritmo de avanço da pandemia é mesmo o apresentado nas notificações diárias.

“Como é que a gente se planeja sem saber o tamanho do problema? Se falta informação, é difícil planejar qualquer coisa. Aliás, planejamento estratégico é algo que falta desde o começo: tem que olhar os dados e construir algum tipo de política, mas está difícil. Mesmo testando pouco, chegamos a 1 milhão [de casos]. E neste momento de relaxamento é quando deveríamos fazer ainda mais testes, e de forma integrada: se achar um caso em uma família, isolar e acompanhar estes outros contatos diretos, para quebrar a cadeia de transmissão. Isso não está sendo feito. Esta seria a hora de aumentar muito o número de testes, e é o que outros países estão fazendo”, afirma Diego Xavier, epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz.

O Brasil passou de 50 mil mortes neste sábado (20).

Raio X da transparência

O levantamento feito pelo consórcio teve como objetivo fazer um raio X sobre a divulgação dos dados de Covid-19 por cada estado do país.

Foram pesquisadas as seguintes informações:

  • Existe um portal com os dados?
  • A divulgação é feita só no portal ou por algum outro meio?
  • Quantas vezes os números são atualizados por dia?
  • Qual o horário dessa divulgação?
  • Há informações consolidadas de casos e mortes desde o início da pandemia?
  • Há dados por município?
  • Há informações sobre a idade das vítimas?
  • Há informações sobre o sexo das vítimas?
  • Há informações sobre a raça das vítimas?
  • Há informações atualizadas sobre o número de testes feitos?
  • Há informações atualizadas sobre a quantidade de testes inconclusivos ou não processados?
  • Há informações atualizadas sobre a ocupação de leitos de UTI?
  • Os dados disponíveis podem ser baixados em formato de planilha?

O levantamento mostra que todos os 26 estados e o Distrito Federal contam com um portal na internet para divulgação dos dados. E que, além disso, uma boa parte ainda publica os dados nas redes sociais e envia por e-mail e WhatsApp.

Todos também informam os casos e mortes por município.

Apesar de não haver uma padronização, todos têm ainda algum tipo de dado sobre a idade e o sexo das vítimas. Em Roraima, por exemplo, há apenas dados referentes a grupos etários, e não as idades em si. No Pará, há apenas gráficos com essa informação. E no Amazonas, não há um detalhamento, apenas números gerais dispostos. No geral, porém, a informação é coletada e divulgada.

O horário dos boletins das secretarias da Saúde varia muito, o que impede que exista uma consolidação numa hora específica. No consórcio, são feitas três divulgações diárias: às 8h, às 13h e às 20h. A ideia é justamente conseguir obter os números mais atualizados, já que não há um padrão por parte dos órgãos estaduais.

São 17 estados que divulgam os dados apenas uma vez ao dia, nos horários mais variados possíveis. Enquanto Minas Gerais publica sempre às 10h, Roraima sempre passa os dados após as 19h30, por exemplo.

Já Goiás divulga os dados de hora em hora. No Ceará, há três boletins por dia. E no DF, um às 12h e um às 18h.

São poucos os estados também que não têm informações atualizadas sobre a ocupação de leitos na UTI. O que acontece é que parte não possui a distinção entre os leitos públicos e privados. E alguns simplesmente não têm os dados dos particulares.

Seis estados (AL, BA, DF, MT, RR e SC) não permitem que os dados sejam baixados em formatos de planilha. Outros três (PA, PB e SE) possibilitam, mas para apenas parte das informações.

Para a diretora-executiva da Open Knowledge Brasil, Fernanda Campagnucci, houve uma melhora por parte dos estados durante a pandemia. A entidade faz uma avaliação do nível de transparência de cada um dos estados.

“Três meses depois do início da crise, apenas 64% dos estados estão divulgando microdados, formato que permite fazer as análises mais aprofundadas e as projeções. Embora tenham melhorado, dados de ocupação de leitos e de capacidade de testagem seguem sendo gargalos — o que é grave, agora que os estados estão reabrindo suas atividades”, afirma.

“Há problemas de frequência de atualização e de inconsistência entre diferentes fontes, entre governo federal e estados e às vezes dentro do próprio estado, entre bases e plataformas distintas. Há muito pouca transparência ainda sobre as metodologias de coleta de dados e as definições sobre o que o dado considera”, diz Fernanda. Segundo ela, a Open Knowledge Brasil fará uma próxima fase da avaliação no início de julho e também vai passar a incluir capitais.

Raça e saúde

O levantamento feito pelo consórcio aponta que apenas oito estados (AL, AM, CE, ES, PR, RN, RO e RS) divulgam dados raciais sobre as vítimas da Covid-19.

A pesquisadora Emanuelle Góes, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, afirma que é importante coletar dados sobre raça, gênero, faixa etária, entre outras informações, para que seja possível entender o perfil populacional das pessoas atingidas pela pandemia, avaliar as políticas públicas em curso e planejar novas estratégias de atendimento.

“Desagregação por raça e cor tem a ver com pensar política de saúde com equidade e com superação das desigualdades. Na pandemia, isso se torna urgente”, afirma Góes.

“É uma estratégia de superação do racismo na saúde e das desigualdades raciais no país. Só pode pensar essas coisas se tiver essas informações desagregadas. Então a importância é nesse sentido de evidenciar o racismo na saúde e pensar política de saúde para superar ou mesmo para mostrar que a gente superou o racismo em alguns sentidos.”

Por isso, para a pesquisadora, essa falha é grave, já que dificulta o acompanhamento da doença, das mortes e dos acessos aos serviços de saúde pelos diferentes grupos raciais. Consequentemente, não é possível avaliar se alguma política específica surtiu efeito nos atendimentos prestados nem é possível determinar quais políticas devem ser implementadas.

“É importante ter a informação de taxa de mortalidade por raça. Tem que ter essa variável [raça] não só em determinadas situações, mas em várias etapas do atendimento. Testagem, notificação, hospitalização e o óbito”, afirma.

A maior parte dos estados com dados disponíveis sobre raça, porém, apresenta informações básicas sobre o assunto, como o total de casos confirmados e de óbitos por raça. Não há informações sobre testes e hospitalizações.

Já muitos dos que não possuem nenhuma informação afirmam que raça não é uma variável que consta dos boletins preenchidos pelas unidades de saúde.

Fernanda Campagnucci diz que o preenchimento do dado de raça/cor/etnia é muito falho. “Quando a sociedade cobra e os governos orientam na ponta, isso pode ser melhorado.”

“A inserção depende da autonomia e do engajamento dos municípios e dos estados. (…) Então, além de cobrar visibilidade, tem que cobrar também [a inserção] desse quesito”, diz Emanuelle Góes.

“Quando não há a percepção por parte dos profissionais que estão na ponta preenchendo esse dado que essa informação é fundamental para as políticas públicas, não há um incentivo para a coleta adequada. Cabe aos gestores fazerem essa sensibilização. Mas não vemos por parte do Ministério da Saúde uma liderança nesse sentido”, completa Fernanda.

Procurado, o ministério afirma que o campo raça/cor é indicado como essencial no preenchimento das notificações de casos e óbitos da Covid-19 no Brasil pelas secretarias de Saúde. “No momento estão sendo feitos ajustes para que essas informações sejam de preenchimento obrigatório a partir da semana que vem.”

Uma portaria do próprio órgão, de 2017, estabelece que “a coleta do quesito cor e o preenchimento do campo denominado raça/cor são obrigatórios aos profissionais atuantes nos serviços de saúde”.

Para o infectologista Hélio Bacha, do Hospital Albert Einstein, a ausência dos dados revela “uma tentativa de esconder” o preconceito racial.

“Nós precisaríamos estudar as desigualdades, porque esta condição desigual é acima de tudo antiética. Se as secretarias tivessem estes dados, a desigualdade ficaria mais do que clara. A única forma que temos de avançar neste assunto é primeiro medir, conhecer o problema.”

“A falta de preocupação ao coletar estes dados mostra como governos estaduais não estão empenhados em combater o racismo”, afirma Manoel Galdino, diretor-geral da Transparência Brasil, organização que combate a corrupção e promove o controle social do poder público. “Essa informação é muito importante para fazer políticas públicas que enfrentam a desigualdade racial. A gente sabe que as pessoas negras são proporcionalmente mais afetadas pela Covid-19, isso fica claro nos estados que coletam esses dados.”

População negra é historicamente mais vulnerável — Foto: Reprodução/TV Globo

População negra é historicamente mais vulnerável — Foto: Reprodução/TV Globo

População negra: mais vulnerável

A diferenciação racial é importante, segundo Emanuelle Góes, porque negros e brancos têm indicadores sociais, contextos econômicos e habitacionais diferentes.

“A gente observa que o número de hospitalizações para pessoas brancas é maior, mas o de mortalidade é maior para a população negra”, diz. “A população negra, em geral, está nas franjas das cidades, nas periferias, e periferia não tem acesso a serviço de saúde, principalmente de média e alta complexidade, que é o que a Covid-19 tem demandado.”

Outro motivo, segundo a pesquisadora, é que muitas pessoas negras têm resistência a procurar serviços de saúde. “É um espaço que discrimina, que pratica o preconceito racial. As pessoas podem até não ter a consciência de que é por isso que estou falando, mas esperam mais tempo para procurar o serviço por conta disso”, diz.

Além disso, a pesquisadora afirma que o tratamento em si também pode ser diferente entre os grupos raciais. “Falando de outras experiências e outros estudos sobre saúde pública, posso dizer que o serviço não é resolutivo para a população negra por conta do racismo institucional.”

Por conta dessas características, Góes afirma que é essencial considerar a análise de dados raciais no acompanhamento das políticas públicas — e das de saúde, especificamente. “Racismo é uma questão central no nosso país. A gente o vivencia no sistema que estrutura a vida das pessoas no país. Por isso, a gente precisa da informação a nível populacional.”

Em um comunicado feito no início deste mês, a própria Organização das Nações Unidas fez um alerta para o “impacto desproporcional” da pandemia em minorias raciais.

“Os dados nos mostram um impacto devastador da Covid-19 sobre pessoas de ascendência africana, bem como minorias étnicas em alguns países, incluindo Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos”, disse a alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet.

Segundo ela, este impacto resulta de múltiplos fatores relacionados à marginalização, discriminação e acesso à saúde destas populações.

Em São Paulo, dados apontam que pessoas pretas têm 62% mais chance de morrer pela doença do que pessoas brancas.

Outro estudo da PUC-Rio também mostra que as chances de um paciente preto ou pardo e analfabeto morrer em decorrência do novo coronavírus no Brasil são 3,8 vezes maiores do que as de um paciente branco e com nível superior.

A comparação feita pelos pesquisadores mostra que, entre os pacientes internados de cor branca, 62,07% se recuperaram, enquanto 37,93% morreram. Entre pretos e pardos, a situação se inverte: são 54,78% de mortes e 45,22% de recuperados.

Vidas negras importam

Discussões sobre racismo e raça ganharam destaque nas últimas semanas em todo o mundo, capitaneadas principalmente pela onda de protestos que tomou os Estados Unidos após a morte do ex-segurança negro George Floyd por um policial em Minneapolis, em 25 de maio.

O americano morreu asfixiado após ter o pescoço prensado pelo joelho do policial Derek Chauvin por 8 minutos e 46 segundos. Um vídeo que mostra o momento da sua morte circulou pela internet, aumentando a visibilidade do caso e gerando indignação.

Nos dias seguintes, diversas cidades do país registraram protestos por conta da violência policial cometida contra a população negra.

Chauvin foi expulso da polícia e foi acusado de homicídio em segundo grau (assassinato intencional não premeditado, quando o autor tem intenção de causar danos corporais à vítima). Os protestos, porém, continuaram ganhando força, ampliando suas reivindicações para reformas dos sistemas de segurança e vigilância vigentes nas cidades americanas.

Assim como diversos outros países do mundo, o Brasil também registrou protestos antirracistas nas últimas semanas, destacando não apenas o assassinato de Floyd, mas casos de violência policial cometidas no próprio país.

Um deles resultou na morte do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, em 18 de maio.

De acordo com relatos de parentes de João Pedro, a polícia invadiu a casa do adolescente e “saiu atirando”. Um dos presentes gritou que só havia crianças na residência, deitadas no chão e com as mãos para cima.

Outros casos também levantaram discussões sobre o racismo existente no Brasil nas últimas semanas, como o do menino Miguel da Silva, de 5 anos. A criança morreu ao cair do 9º andar de um edifício de luxo no Recife, após a mãe, que trabalhava como empregada no local, descer para passear com o cachorro da família e deixar o menino aos cuidados da patroa, Sari Côrte Real.

Em um dos protestos realizados para cobrar justiça pelo caso, manifestantes seguravam cartazes com frases como “vidas negras importam” e “cinco unhas valem mais do que cinco anos de um preto”.

A última frase é uma alusão ao fato de que Sari Real estava com uma manicure em seu apartamento quando deixou Miguel entrar no elevador para procurar a mãe.

Os casos geraram discussões sobre racismo não apenas nos protestos e nas ruas, mas na imprensa. Em uma dessas discussões, publicada pelo G1, o psicólogo e doutor em educação Hugo Monteiro afirma que casos como o de Miguel, de João Pedro e de George Floyd mostram “nitidamente uma ideia de inferioridade em relação à posição étnica e racial dessas pessoas”.

“O racismo é extremamente violento e está no nosso dia a dia, no nosso cotidiano. Cotidianamente, nós negros passamos por situações racistas. É uma estrutura que nos afeta e violenta muito a nossa natureza mental, provoca sofrimento diverso em quem passa pela situação. Precisamos enfrentar com lucidez, com sabedoria, com compreensão.”

Veja se o estado divulga informações raciais e dados de testes inconclusivos e a explicação de cada secretaria:

Acre: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há sobre a quantidade de testes ainda sem resultado. A Secretaria de Estado da Saúde diz que, inicialmente, a informação sobre raça não estava sendo coletada. Ela era acrescida ao e-SUS posteriormente. Porém, segundo a secretaria, os dados raciais são fornecidos apenas nos testes rápidos, não tendo esse registro pelo teste RT-PCR, no Mérieux. Por isso, a informação sai incompleta.

Alagoas: As informações sobre raça são informadas nos informes epidemiológicos sobre a doença e nos dados mais detalhados sobre as vítimas, disponibilizados pelo governo em um portal exclusivo sobre o assunto. Não há, porém, dados de testes inconclusivos.

Amapá: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há sobre os testes represados. O levantamento com dados de raças é feito pelos municípios, que nem sempre coletam o dado na ficha de notificação, informa a pasta.

Amazonas: As informações sobre raça são informadas, mas não há detalhamento. Apenas são disponibilizados os números gerais. As informações sobre testes sem resultados são disponibilizadas.

Bahia: Não há informações sobre raça das vítimas, mas é divulgada a informação dos exames detectáveis, inconclusivos e não detectáveis.

Ceará: As informações sobre raça são informadas; a quantidade de testes inconclusivos, também.

Distrito Federal: Não há informações sobre raça das vítimas. A Secretaria de Saúde afirma que não divulga informações pessoais das vítimas e que tal divulgação é vedada, conforme disposto na portaria nº 231, de 8 de abril de 2020.

Espírito Santo: As informações sobre raça são informadas e a de testes inconclusivos, também. A Secretaria de Saúde do Espírito Santo afirma que está em primeiro lugar nos rankings de transparência elaborados pelas ONGs Transparência Internacional Brasil e Open Knowledge Brasil. Diz também que disponibiliza no portal a prestação de contas de gastos emergenciais relacionados à pandemia.

Goiás: Não há informações sobre raça das vítimas. Sobre os testes, diariamente não há divulgação, apenas no boletim epidemiológico semanal. Segundo a Secretaria de Saúde, como os dados sobre raça não constituem um campo obrigatório de preenchimento nos formulários do E-Sus e Sivep-Gripe (no momento da internação), a informação é pouco preenchida. Portanto, trata-se de um dado incompleto. A secretaria afirma que tem atuado junto aos municípios e instituições que notificam os casos para que eles preencham as fichas com a maior quantidade de informações a que tiverem acesso.

Maranhão: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há informações parciais sobre os testes em análise.

Mato Grosso: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há sobre as amostras em análise. Segundo a Secretaria de Saúde, a nota informativa com os dados sobre a Covid-19 é padronizada por meio de um sistema que fornece estritamente as informações que constam do boletim.

Mato Grosso do Sul: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há sobre os testes sem resultado. A Secretaria de Saúde afirma que possui os dados sobre raça, mas que a “plataforma está em construção e em uma próxima etapa de atualização poderá ter essa informação adicionada, assim como outras de relevância”.

Minas Gerais: Não há informações sobre raça das vítimas, apenas sobre os testes. A Secretaria de Saúde de Minas Gerais diz que analisa a possibilidade de divulgar dados separados sobre raça e cor e que fez nota técnica para “sensibilizar e orientar os gestores municipais sobre a importância do preenchimento das características de raça, cor e etnia nas fichas de notificação da Covid-19”.

Pará: Não há informações sobre raça das vítimas. Sobre os teses, há informações parciais.

Paraíba: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há informações parciais sobre os testes inconclusivos ou não processados.

Paraná: As informações sobre raça e testes inconclusivos ou não processados são divulgadas.

Pernambuco: Não há informações sobre raça das vítimas nem sobre os testes sem resultado.

Piauí: Não há informações sobre raça das vítimas nem informações sobre a quantidade de testes inconclusivos.

Rio de Janeiro: Não há informações sobre raça das vítimas nem sobre testes não processados ou inconclusivos. A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro diz que não existe determinação para que sejam disponibilizados dados sobre raça e que informa a taxa de ocupação de leitos de UTI e o número de testes realizados aos veículos de imprensa que solicitam a informação.

Rio Grande do Norte: As informações sobre raça são informadas nos informes epidemiológicos sobre o coronavírus divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública. Há informações de raça tanto entre os casos confirmados, quanto entre as mortes. O boletim, porém, apresenta apenas o percentual de exames com resultados positivos e negativos.

Rio Grande do Sul: Os dados sobre raça não aparecem no painel sobre Covid-19 do governo, mas constam de um boletim semanal que analisa o impacto da doença no Estado. O estado, por outro lado, não divulga informações sobre testes ainda sem resultado.

Rondônia: Não há informações sobre raça das vítimas, mas são especificados os testes à espera do resultado.

Roraima: Não há informações sobre raça das vítimas nem sobre testes represados. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) diz que a construção do boletim epidemiológico sobre a Covid-19 se dá pela consolidação de variáveis similares aos produzidos nos boletins divulgados pelo Ministério da Saúde e outras secretarias, tendo cada Coordenadoria de Vigilância em Saúde autonomia total na condução desta construção e os componentes que estarão presentes no mesmo. Afirma ainda que a utilização das variáveis pertinentes à análise epidemiológica, que são expostas no boletim, são aquelas disponibilizadas pelos sistemas de informações oficiais. “A Sesau tem trabalhado para garantir transparência e agilidade na divulgação de dados no âmbito do coronavírus. Por se tratar de uma situação ímpar, a pasta busca, diariamente, aprimorar a forma com que as informações são passadas à população e imprensa.”

Santa Catarina: Não há informações sobre raça das vítimas, mas há sobre os testes em análise. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina diz apenas que informa diariamente “as ocupações, leitos, casos, óbitos, através de boletins, divulgação em redes sociais e um painel disponível para toda a população”.

São Paulo: Não há informações sobre raça das vítimas nem sobre testes inconclusivos ou não processados. Em nota, a Secretaria de Saúde de São Paulo afirma que “nos sistemas oficiais de notificação de coronavírus do Ministério da Saúde (E-SUS e Sivep) não há obrigatoriedade do preenchimento do campo raça/etnia”. Sobre número de testes, diz que os dados são apresentados em entrevistas coletivas e fornecidos aos veículos de imprensa.

Sergipe: Não há informações sobre raça das vítimas nem sobre testes em análise. Segundo a Secretaria de Saúde, “as informações estão com muita má qualidade, por isso, se fez uma opção pela não divulgação, e sim pela orientação para que os municípios preencham esse campo de forma adequada”.

Tocantins: Não há informações sobre raça das vítimas. Mas é disponibilizada a quantidade de testes sem resultado.

Participaram dessa apuração: Clara Velasco, Gustavo Petró e Ricardo Gallo (G1), Arthur Sandes e Wanderley Preite Sobrinho (UOL), Flávia Faria e Diana Yukari (Folha), Daniel Bramatti (Estadão) e Renato Grandelle e Gabriela Oliva (O Globo/Extra)

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Brasil tem 47.897 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Levantamento de consórcio de veículos de imprensa aponta que país tem 984.315 casos confirmados. Nesta quinta-feira (18), pelo 3º dia consecutivo, país teve mais de 1,2 mil mortes no período de 24 horas; é apenas a segunda vez que isso ocorre desde o início da pandemia. Região Sudeste concentra quase metade do total de óbitos.

Por G1

O Brasil tem 47.897 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta sexta-feira (19), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou na quinta (18), às 20h, o 11º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO, MT e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta sexta-feira (19):

  • 47.897 mortes
  • 984.315 casos confirmados

(Na quinta, 18, às 20h, o balanço indicou: 47.869 mortes, 1.204 em 24 horas; e 983.359 casos confirmados. Pelo 3º dia consecutivo, país tem mais de 1,2 mil mortes no período de 24 horas; é apenas a segunda vez que isso ocorre desde o início da pandemia. Região Sudeste concentra quase metade do total de óbitos)

Os dados foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

Nesta quinta-feira (18), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 1.238 novos óbitos e 22.765 novos casos, somando 47.748 mortes e 978.142 casos desde o começo da pandemia.

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Brasil tem 46.679 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Levantamento de consórcio de veículos de imprensa aponta que país tem 960.640 casos confirmados. Na quarta, pelo 2º dia consecutivo, o país teve mais de 1,2 mil mortes registradas no período de um dia.

Por G1

O Brasil tem 46.679 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (18), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou na quarta (17), às 20h, o 10º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta quinta-feira (18):

  • 46.679 mortes
  • 960.640 casos confirmados

(Na quarta, 17, às 20h, o balanço indicou: 46.665 mortes, 1.209 em 24 horas; e 960.309 casos confirmados. Pelo 2º dia consecutivo, o país teve mais de 1,2 mil mortes registradas no período de um dia. É a 7ª vez que o número passa desse patamar desde o início da pandemia)

Os dados foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

Nesta quarta-feira (18), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 1.269 novos óbitos e 32.188 novos casos, somando 46.510 mortes e 955.377 casos desde o começo da pandemia – números totais menores que os apurados pelo consórcio.

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Estudo diz que tipo sanguíneo A pode ser mais suscetível à forma grave de Covid-19

Cientistas de vários países observaram que pacientes com o tipo sanguíneo O eram menos propensos a desenvolver formas graves da doença provocada pelo novo coronavírus.

Por G1

Uma análise genética de pacientes com Covid-19 sugere que o tipo sanguíneo pode influenciar se alguém desenvolve a forma grave da doença provocada pelo novo coronavírus, o Sars-Cov-2.

Os cientistas que compararam os genes de milhares de pacientes na Europa descobriram que aqueles que tinham sangue tipo A eram mais propensos a ter a forma grave da doença, enquanto aqueles com tipo O eram menos propensos.

O relatório divulgado no “New England Journal of Medicine”, na quarta-feira (17), não prova uma conexão do tipo sanguíneo, mas confirma um estudo anterior chinês sobre essa relação.

Parameswar Hari, especialista em sangue da Faculdade de Medicina de Wisconsin, afirmou que a maioria dos especialistas desconsiderou esse primeiro estudo feito na China, mas que com esse novo levantamento ele passou a acreditar.

“Pode ser muito importante [a relação entre o tipo sanguíneo e a evolução da doença]”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

No entanto, outros especialistas pedem cautela. Eric Topol, que chefe do Instituto Translacional de Pesquisa Scripps, em San Diego (EUA), afirmou que o estudo ainda não é suficiente para ter certeza do papel do tipo sanguíneo.

Cientistas na Itália, Espanha, Dinamarca, Alemanha, entre outros países, compararam cerca de 2 mil pacientes em estado grave de Covid-19 com milhares de outras pessoas saudáveis ou que apresentavam apenas sintomas leves ou inexistentes.

Os pesquisadores vincularam variações em seis genes à probabilidade do paciente desenvolver a forma grave da doença, incluindo alguns que poderiam ter um papel na vulnerabilidade das pessoas ao novo coronavírus, o Sars-Cov-2. Eles também vincularam grupos sanguíneos a possíveis riscos.

A maioria dos estudos genéticos como esse é muito mais amplo, por isso, na avaliação de Eric Topol era preciso outros cientistas tenham a oportunidade de avaliar novos grupos de pacientes para constatar se existem as mesmas relações entre sangue e gravidade da Covid-19.

Existem quatro tipos principais de sangue: A, B, AB e O. Mary Horowitz, chefe científica do Centro Internacional de Pesquisa em Transplante de Sangue e Medula, explicou que as pessoas com o tipo O são mais capazes de reconhecer certas proteínas como estranhas.

Parameswar Hari explica que essa propriedade pode se estender às proteínas da superfície do novo coronavírus. O especialista lembra que, durante o surto de SARS, causado por um tipo de coronavírus, observou-se que pessoas com tipo sanguíneo O eram menos propensas a contrair formas grave da doença.

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