Anvisa alerta que uso de hidroxicloroquina contra o coronavírus não é recomendado

Presidente dos EUA pediu rapidez na liberação de remédios contra o novo coronavírus; agência reguladora defende continuidade dos testes clínicos.

Por G1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou nesta quinta-feira (19) que não tem recomendação para uso de medicamentos que contém hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da Covid-19.

A agência afirma que esses medicamentos são registrados para o tratamento da artrite, lupus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

“Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da COVID-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde.” – Anvisa

Ao menos quatro medicamentos apresentaram resultados positivos – mas ainda preliminares – em pesquisas científicas no tratamento da Covid-19. A cloroquina foi testada em um grupo muito pequeno em Marselha, na França, em 20 pacientes. O vírus desapareceu depois de seis dias.

O teste com o kevzara vai começar com pacientes em Nova York e vai ser expandido para 16 lugares. A intenção é estudar a reação em 400 pacientes em estado grave para entender o impacto na febre e falta de ar.

A China prometeu publicar em breve um estudo detalhado do uso do favipiravir, desenvolvido no Japão que, segundo médicos chineses, mostrou resultados promissores em 340 pacientes.

O Remdesivir salvou a vida de um paciente com a Covid-19 nos Estados Unidos, segundo o New England Journal of Medicine. Na Universidade de Nebraska, o médico brasileiro André Kalil lidera os testes com essa droga e espera ter um resultado preliminar nos próximos meses.

Apesar dos testes trazerem esperança, ainda é muito cedo para saber se esses remédios realmente serão eficazes no tratamento da Covid-19. Os especialistas são unânimes no alerta de que a automedicação pode causar um problema ainda maior do que o próprio coronavírus.

“Se simplesmente as pessoas começarem a receber qualquer tipo de medicação, não só vai haver o risco de pessoas morrerem em função das drogas em vez de morrerem em função do vírus, mas também, no final do surto, nós não vamos saber o que funciona e o que não funciona”, explicou Kalil.

Sem estoques

Nos EUA, farmácias independentes e a Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde (ASHP) dizem que os estoques da hidroxicloroquina – droga para tratar malária – estão agora com oferta pequena com o aumento da demanda no meio da propagação do novo coronavírus.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira aos reguladores de saúde do país para acelerar a aprovação de terapias potenciais com o objetivo de tratar a Covid-19, para a qual ainda não há tratamentos ou vacinas aprovadas.

Trump disse que o governo avalia a hidroxicloroquina e o medicamento antiviral exprimental da Gilead Sciences, o Remdesivir, que passa por testes clínicos para a doença respiratória.

“Atualmente trabalhamos com quatro distribuidores diferentes e desde hoje temos impossibilidades de encomendar tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina”, que estão em atraso, disse David Light, chefe executivo da farmácia online Valisure, em um comunicado por e-mail.

“Kaletra e losartan estão sendo racionados, o que significa que podemos pedir apenas quantidades limitadas”, acrescentou.

Kaletra, medicamento que faz parte do coquetel de tratamento para o HIV e é vendido pela AbbVie, e o genérico para tratamento de pressão arterial losartan também foram considerados com potencial para tratar o vírus, embora investigadores chineses tenham reportado que o Kaletra fracassou em melhorar os resultados para os pacientes da Covid-19 em estado grave.

Jeff Bartone, dono da Hock’s Pharmacy em Ohio, disse que conseguiu comprar cinco frascos de hidroxicloquina nesta quinta, mas que em um intervalo de uma hora seu distribuidor já estava sem estoque do medicamento. Ele disse ter quatro fornecedores reserva mas que todos também estavam sem o medicamento.

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Quanto tempo o coronavírus sobrevive nas superfícies? Estudo aponta que plástico e aço ampliam a sobrevida

Plástico e aço inox são os materiais onde o vírus resiste por mais tempo.

Por Marcelo Valadares, G1

Ilustração feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, mostra a morfologia do novo coronavírus, conhecido cientificamente como 2019-nCoV — Foto: Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via Reuters

Ilustração feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, mostra a morfologia do novo coronavírus, conhecido cientificamente como 2019-nCoV — Foto: Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via Reuters

Um estudo publicado na terça-feira (17) na revista científica “New England Journal of Medicine” afirma que o coronavírus responsável pela doença Covid-19 consegue sobreviver até 3 dias em algumas superfícies, como plástico ou aço.

O estudo foi realizado por cientistas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), da Universidade da Califórnia, de Los Angeles e de Princeton. O trabalho avalia a resistência do vírus em cinco materiais diferentes, e mostra que o novo coronavírus fica “mais estável” em plástico e aço inoxidável, que são materiais bastante utilizados no dia a dia da população.

Veja o tempo de sobrevivência do novo coronavírus em cada material, de acordo com este estudo.

Sobrevida do coronavírus em cinco superfícies e materiais — Foto: Arte/G1

Sobrevida do coronavírus em cinco superfícies e materiais — Foto: Arte/G1

  • Aço inoxidável: 72 horas
  • Plástico: 72 horas
  • Papelão: 24 horas
  • Cobre: 4 horas
  • Aerossolizada/ Poeiras: 40 minutos a 2:30 horas

A pesquisa simulou pessoa tossindo ou espirrando usando um nebulizador, e descobriu que o vírus se tornou uma espécie de poeira – suas partículas ficam suspensas no ar – tornando-o detectável por quase três horas.

Segundo a AFP, um artigo feito por cientistas chineses descobriu que uma forma aerossolizada do novo coronavírus estava presente nos banheiros de pacientes de um hospital de Wuhan. Segundo estudos, o novo coronavírus é eliminado nas fezes.

Ainda segundo a agência, uma forma aerossolizada de SARS foi responsável por infectar centenas de pessoas em um complexo de apartamentos em Hong Kong, em 2003, quando uma rede de esgoto vazou para um ventilador de teto, criando uma fumaça carregada de vírus.

Comparativo entre Sars

Por isso, o estudo norte americano, comparou o tempo de sobrevivência do vírus SARS-CoV-2 e do SARS-CoV-1. O primeiro é o coronavírus, responsável pela Covid-19. O segundo, é o vírus que provoca a Influenza. Os vírus foram testados por 7 dias em diferentes superfícies a uma temperatura entre 21 e 23ºC, com 40% de umidade.

A comparação entre os dois vírus demonstrou que eles possuem características semelhantes, apesar de, em algumas superfícies, variar o tempo de sobrevivência.

“Isso indica que as diferenças nas características epidemiológicas desses vírus provavelmente surgem de outros fatores, incluindo altas cargas virais no trato respiratório superior e o potencial de pessoas infectadas com SARS-CoV-2 transmitirem o vírus enquanto assintomáticas”, aponta o estudo.

Sobre os velhos coronavírus e suas resistências

Em um outro trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de medicina de Greifswald, na Alemanha, foi feita a revisão de estudos já divulgados sobre os outros tipos de coronavírus o SARS-CoV e o MERS-CoV.

Neste estudo, foi verificado que estes vírus sobrevivem da seguinte maneira as superficies:

  • Aço – a 21°C – 5 dias
  • Alumínio – a 21°C – 4 a 8 horas
  • Vidro – a 21°C – 5 dias
  • Plástico – temperatura ambiente – 2 a 6 dias
  • PVC – a 21°C – 5 dias
  • Borracha de silicone – a 21°C – 5 dias
  • Luva de latex – a 21°C – 8 horas
  • Cerâmica – a 21°C – 5 dias
  • Teflon- a 21°C – 5 dias

Segundo o estudo, que ainda não tem os resultados do novo coronavírus, em diferentes tipos de materiais, ele pode permanecer infeccioso por entre 2 horas e até 9 dias. Como o estudo considerou diferentes tipos de coronavírus, observou-se que alguns deles têm menos resistência a temperatura mais alta, como 30°C ou 40 °C.

Entendendo o vírus

Flavio Fonseca, virologista e integrante do centro de pesquisa em vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explicou ao G1 que o tempo de sobrevida do vírus depende, também, do material orgânico que ele tem contato.

“Uma gotícula de saliva, por exemplo, ela não tem só água, ela tem proteínas da saliva. Uma gotícula de secreção respiratória tem muco, que tem proteína, tem resto de célula. Todo esse material orgânico protege o vírus. Esse material orgânico consegue formar uma capa ao redor do vírus. Quando tem muco, catarro, essas coisas, o vírus fica viável por muito tempo, em qualquer superfície, é claro que se a superfície for porosa ele pode durar muito mais” – Flavio Fonseca, virologista e integrante do centro de pesquisa em vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

O professor Júlio Borges, do Grupo de Bioquímica e Biofísica de proteína da Universidade de São Paulo(USP) de São Carlos, explica que o tempo de sobrevivência dos vírus é variável e depende do tipo, da superfície e das condições ambientais.

“Quando o vírus é exposto ao ambiente ele sofre desidratação e isto pode ocasionar danos à estrutura das biomoléculas e levá-lo ao desmonte e à sua inviabilidade em infectar as células do hospedeiro” – Júlio Borges, do Grupo de Bioquímica e Biofísica de proteína da Universidade de São Paulo(USP) de São Carlos.

O professor ressalta a importância da constante higienização das superfícies com desinfetantes em geral: álcool em gel 70%, água sanitária, sabão.

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Últimas notícias de coronavírus de 19 de março

Pela primeira vez desde o início do surto, China anunciou que não registrou qualquer novo caso de transmissão local do novo coronavírus. Austrália e da Nova Zelândia suspenderam a entrada de pessoas não residentes no país.

Por G1

Números de casos da Covid-19 praticamente estabiliza, na China

Números de casos da Covid-19 praticamente estabiliza, na China

Pela primeira vez desde o início do surto, a China anunciou nesta quinta-feira (19) que não registrou qualquer novo caso de transmissão local do novo coronavírus (Sars-Cov-2) , mas teve 34 novos casos de infectados que vieram do exterior.

Também nesta quinta, os governos da Austrália e da Nova Zelândia anunciaram a suspensão da entrada de pessoas não residentes no país, para reforçar as medidas destinadas a conter a propagação da pandemia de Covid-19.

Até o momento, os países não determinaram o fechamento das escolas nem adotaram medidas de confinamento. A Austrália registra 642 casos confirmados do novo coronavírus e a Nova Zelândia, 28.

Destaques desta quinta:

  • A China não registrou qualquer novo caso de transmissão local do novo coronavírus
  • Austrália e da Nova Zelândia suspendem a entrada de pessoas não residentes no país
  • México e a Rússia registraram as primeiras mortes relacionadas ao coronavírus
  • Portugal declarou estado de emergência

O México e a Rússia registraram as primeiras mortes relacionadas ao coronavírus. A vítima mexicana sofria de diabetes e apresentou os primeiros sintomas da doença em 9 de março, de acordo com o Ministério da Saúde do país, que registra mais de 90 casos de Covid-19.

Já a vítima russa era uma 79 anos que estava hospitalizada desde 13 de março. Ela também sofria de doenças com hipertensão, diabete e arteriosclerose. A Rússia, que implantou restrições na entrada de estrangeiros, tem 147 casos da doença.

Estado de emergência

Portugal declarou estado de emergência. A situação se agravou no país nos últimos dias e medidas restritivas para tentar conter o avanço do coronavírus no país devem ser aprovadas nas próximas horas. Até o momento, foram confirmados 642 casos de infecção e duas mortes.

O francês Michel Barnier, negociador-chefe da União Europeia para o Brexit e relações com o Reino Unido, anunciou, via Twitter, que está infectado com o novo coronavírus. Em vídeo, disse estar bem e confinado em casa após ser diagnosticado com Covid-19.

Coronavírus: quais os sintomas e quando devo procurar um médico?

França e Itália devem estender o período de quarentena. Nesta quinta, autoridades francesas anunciaram que será preciso prolongar o confinamento no país além dos 15 dias inicialmente previstos. Na Itália, o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, afirmou que o período será maior do que 3 de abril, também data inicial.

A Grã-Bretanha colocou nesta quinta-feira reservistas militares em espera, na tentativa de combater o surto de coronavírus. De acordo com o ministro das Forças Armadas, James Heappey, em carta escrita ao parlamento, eles “estarão de prontidão para fornecer soluções defensivas” de combate ao vírus. Os reservistas também podem ser chamados para dar apoio às Forças Armadas Britânicas.

SÉRIE DE VÍDEOS: coronavírus, perguntas e respostas

No Brasil

A Prefeitura de Ilhabela vai bloquear a entrada de turistas no arquipélago a partir desta sexta-feira (20). A medida foi tomada por meio de decreto, que restringe a entrada de veículos pela balsa. A entrada de pedestres também será restrita a moradores e trabalhadores do local.

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Anvisa aprova 8 novos testes diagnósticos para o coronavírus

Produtos estão divididos em dois grupos: os que usam amostras de sangue e os que retiram material das vias respiratórias.

Por Carolina Dantas, G1

Equipe embala cotonetes de novo teste de coronavírus  — Foto: Eco Dianóstica/Divulgação

Equipe embala cotonetes de novo teste de coronavírus — Foto: Eco Dianóstica/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oito novos testes de coronavírus. Os produtos são para uso profissional durante a triagem e diagnóstico da doença. A medida será publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19).

Os produtos estão divididos em dois grupos, os que usam amostras de sangue, soro ou plasma (6 deles) e os que retiram material das vias respiratórias (2). Os resultados deverão ser interpretados por um médico e com o auxílio de dados clínicos e laboratoriais. De acordo com a agência, a oferta e produção dos kits dependerá da capacidade de cada empresa que recebeu o registro.

Uma delas, a Eco Diagnóstica, diz que está entre os oito projetos aprovados. O teste rápido é feito com coleta de amostras por meio de um cotonete no nariz e garganta. A empresa aguarda a chegada de insumos da Coreia do Sul. José Artur Moreira Chaves, diretor comercial, diz que a capacidade de produção é de 40 mil testes por dia.

A Medlevensohn, empresa brasileira, protocolou um kit com o uso de sangue – uma picada no dedo faz a retirada, e o reagente mostra a presença do anticorpo contra o coronavírus em até 30 minutos. A empresa informou que, de acordo com informação disponível no site da Anvisa, o requerimento para a comercialização do teste rápido está concluído. A companhia aguarda publicação do número de registro no Diário Oficial da União.

Folder mostra kit de detecção do coronavírus da Eco Diagnóstica — Foto: Eco Diagnóstica/Divulgação

Folder mostra kit de detecção do coronavírus da Eco Diagnóstica — Foto: Eco Diagnóstica/Divulgação

Situação dos testes da Fiocruz

Nesta terça-feira (17), o Ministério da Saúde admitiu a falta de testes para confirmação do coronavírus no Brasil e no mundo. Como resposta à demanda, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou 5,5 mil testes e promete 40 mil extras em abril, além dos outros 30 mil já disponibilizados no início deste mês. A soma passa de 75 mil.

“A Fiocruz já se comprometeu em aumentar a produção. Hoje entregou 5,5 mil testes e ela se comprometeu já em abril a fazer uma entrega de 40 mil. E também se comprometeu ao longo dos próximos três, quatro meses, produzir mais de 1 milhão de testes”, disse Júlio Croda, diretor do departamento de Vigilância em Saúde.

Os testes produzidos pela Fiocruz são do tipo PCR. O tipo já estava aprovado no Brasil e precisa de uma estrutura e um tempo maior para o resultado. Os kits liberados pela Anvisa nesta quarta-feira serão rápidos, para que as pessoas possam fazer e começar imediatamente em isolamento.

PCR

A infectologista Tânia Vergara, da Sociedade de Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, explica que o teste do tipo PCR, o mesmo distribuído pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e feito pelo SUS nos laboratórios de referência, é o “padrão ouro”. Ela defende que seja feito sempre para confirmação da doença.

“Eles pegam o genoma do vírus, sequenciam, tiram um pedacinho da sequência e quando você coloca na presença do vírus, ele sinaliza”, explica.

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China autoriza teste em humanos de vacina contra o coronavírus

Os EUA, por sua vez, começaram a testar sua vacina esta semana em voluntários.

Por G1

A China deu o aval para que pesquisadores iniciem testes de segurança em humanos de uma vacina experimental contra o novo coronavírus, em meio à corrida para desenvolver uma imunização contra a Covid-19.

Cientistas da Academia de Ciências Médicas Militares da China, ligada ao exército, receberam a aprovação para iniciar os ensaios clínicos em estágio inicial dessa potencial vacina a partir desta semana, informou nesta terça-feira (17) o “Diário do Povo”, jornal oficial do Partido Comunista chinês, citado pela agência de notícias Reuters.

Enquanto isso, cientistas norte-americanos realizaram o primeiro teste da vacina contra o coronavírus em humanos. Autoridades de saúde dos Estados Unidos disseram na segunda-feira (16) que voluntários de Seattle, um dos estados mais afetados pela Covid-19 no país, começaram a ser imunizados.

Jennifer Haller foi a primeira pessoa a receber uma dose da vacina contra coronavírus nos EUA — Foto: Ted S. Warren/AP

Jennifer Haller foi a primeira pessoa a receber uma dose da vacina contra coronavírus nos EUA — Foto: Ted S. Warren/AP

Por meio de comunicado, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) informou que o teste faz parte de um estudo que vai acompanhar 45 voluntários adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, e deve durar ao menos seis semanas.

Segundo a agência France Presse, todo o processo de criação da vacina deve durar entre 1 ano a 18 meses, isso porque serão necessários mais testes. Neste momento, os pesquisadores querem saber qual é o impacto de diferentes doses administradas por injeção e quais são seus efeitos colaterais.

Jennifer Haller foi a primeira pessoa no mundo a receber uma versão teste de vacina contra a Covid-19 — Foto: Ted S. Warren/

Jennifer Haller foi a primeira pessoa no mundo a receber uma versão teste de vacina contra a Covid-19 — Foto: Ted S. Warren/

Uma das voluntárias, a norte-americana Jennifer Haller, disse à rede de notícias MSNBC que tem sua temperatura tirada durante várias vezes por dia e que é acompanhada por uma equipe médica constantemente.

“Há grandes chances de que eu esteja envolvida na descoberta da vacina, mas ainda que não seja dessa vez, pelo menos estou contribuindo como parte do processo de descoberta”, disse Haller.

Haller trabalha como gerente de operações em uma pequena empresa de tecnologia e recebeu liberação do trabalho para participar do estudo que ela ficou sabendo a partir de uma postagem no Facebook.

“Todos nos sentimos tão impotentes. Esta é uma oportunidade incrível para eu fazer algo “, disse Jennifer Haller, uma das voluntárias a receber as vacinas.

O segundo a ser testado foi o engenheiro de redes, Neal Browning, quem disse à agência Associated Press que resolveu ser testado por causa de suas filhas pequenas, que disseram estar orgulhosas do pai.

O engenheiro Neal Browning é um dos primeiros a ser testado com a vacina contra o coronavírus — Foto: Ted S. Warren/AP

O engenheiro Neal Browning é um dos primeiros a ser testado com a vacina contra o coronavírus — Foto: Ted S. Warren/AP

Esforço internacional

A vacina americana foi desenvolvida por cientistas e colabores do NIH, num trabalho conjunto com empresa de biotecnologia Moderna, com sede em Cambridge, Massachusetts. A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), com sede em Oslo, Noruega, também direcionou fundos para a implementação do medicamento.

“Encontrar uma vacina segura e eficaz para prevenir a infecção de Sars-CoV-2 é uma prioridade para a saúde pública” – Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas.

Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos aprovados para a Covid-19, que infectou mais de 175.000 pessoas em todo o mundo desde que surgiu na cidade chinesa de Wuham (centro), no final de dezembro.

Corrida por uma solução

Laboratórios farmacêuticos e de pesquisa em todo o mundo competem para desenvolver tratamentos e vacinas para o novo coronavírus.

Por exemplo, um tratamento antiviral chamado remdesivir, desenvolvido pela American Gilead Sciences, já está nos estágios finais de testes clínicos na Ásia, e médicos na China relataram que ele demonstrou ser eficaz no combate à doença.

Mas apenas testes aleatórios permitem aos cientistas saber se é realmente eficaz ou se os pacientes se recuperariam sem ele.

Outra empresa americana, a Inovio, que está criando uma vacina baseada em DNA, comunicou que iniciará testes clínicos no próximo mês.

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OMS recomenda não usar ibuprofeno para tratar Covid-19

Recomendação vem depois que o ministro da Saúde francês alertou contra o uso da substância com base em pesquisa publicada na semana passada. Especialistas ouvidos pelo G1 também não aconselham o remédio.

Por Fabio Manzano e Lara Pinheiro, G1

Entenda por que o uso de ibuprofeno não é recomendado

Entenda por que o uso de ibuprofeno não é recomendado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou, nesta terça-feira (17), que as pessoas não usem ibuprofeno para tratar possíveis sintomas de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

“Em casos suspeitos, recomendamos paracetamol, e não ibuprofeno”, declarou um dos porta-vozes da organização, Christian Lindmeier. A orientação serve para casos em que a ingestão dos medicamentos é feita sem orientação médica.

A recomendação da entidade veio depois que o ministro da Saúde francês alertou, no sábado (14), contra o uso da substância, que é encontrada em anti-inflamatórios. Especialistas ouvidos pelo G1 também não aconselharam o remédio para tratar a Covid-19.

As orientações foram feitas depois da publicação de uma pesquisa, na semana passada, sugerindo que pacientes com diabetes e hipertensão que eram tratados com ibuprofeno tinham mais riscos de desenvolver quadros severos da doença.

Para o infectologista Celso Granato, professor da Unifesp e diretor clínico do grupo Fleury, em São Paulo, a evidência mostrada na pesquisa não é forte, mas, mesmo assim, significa que precisa haver cuidado.

“A orientação que nós temos é: procure não usar ibuprofeno. Existem vários outros anti-inflamatórios, antitérmicos – por exemplo, paracetamol – que têm o mesmo efeito e não têm evidência de que têm esse problema”, lembrou Granato.

Além do ibuprofeno, os especialistas também não recomendam o uso de aspirina corticoides.

Antes da declaração da OMS, o Ministério da Saúde brasileiro afirmou que não há comprovação que justifique a substituição do ibuprofeno. Segundo o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, se os pacientes que são infectados pelo coronavírus usam o medicamento por alguma outra doença, ele passa a ter um efeito reduzido sobre a sua doença base.

“Não é que o medicamento vai aumentar a chance de ter coronavírus. Nossa secretaria de ciência e tecnologia fez revisão bibliográfica e, neste momento, não há nenhum motivo, nem comprovação cientifica para que haja substituição do ibuprofeno”, afirmou.

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RJ registra o primeiro paciente com coronavírus em estado grave

Rio chegou a 24 casos de Covid-19 e 76 suspeitos. Secretário afirma que, até sexta (13), todos os leitos intensivos ou semi-intensivos estavam ocupados.

Por Bom Dia Rio

O RJ registrou neste domingo (15) o primeiro paciente com coronavírus em estado gravíssimo. Trata-se de um homem na faixa dos 60 anos internado em um hospital da rede privada.

“O sistema respiratório [está] comprometido. [O paciente] já está entubado, gravíssimo”, afirmou o governador Wilson Witzel na noite deste domingo.

Não há detalhes de como o paciente contraiu o vírus nem de onde ele está internado. Ele é o segundo caso grave de Covid-19 do Brasil. O primeiro é o de uma mulher no Distrito Federal.

No boletim deste domingo da Secretaria Estadual de Saúde, o RJ registrava 24 casos confirmados e 95 suspeitos — 147 foram descartados. Em todo o país, eram 200.

Witzel e as praias cheias

Na sexta-feira (13), Witzel afirmou que a PM poderia interditar as praias para evitar aglomerações. Ao fim de um domingo de sol e orla cheia, o governador baixou o tom.

“Eu, em hipótese alguma, quero pegar uma pessoa arrastar pelo braço e levar para casa. Não acho que seja necessário isso, e não será necessário”, afirmou.

“O momento não é de proibir. Eu quero conscientizar o nosso povo fluminense de que ele pode ser o portador de uma doença que vai matar o seu avô, que vai matar o seu pai. Vai haver um momento de voltar para praia, mas esse momento agora de aglomeração de pessoas vai ser fatal para aquelas pessoas que a gente mais ama”, frisou.

Sem leitos de UTI disponíveis

Uma das preocupações do governo no momento é a falta de leitos. “A gente não tem nada hoje. O sistema de saúde hoje está sobrecarregado”, afirmou Witzel.

O governador afirmou que em 30 dias terá 300 leitos à disposição e, em 60 dias, mais 300. Parte das vagas virão de hospitais hoje desativados.

“Em breve nós vamos divulgar quais serão esses hospitais. Serão reativados, e nós teremos condições de receber esses pacientes mais graves com respiração ali”, disse.

Secretário de Saúde do RJ, Edmar Santos acrescentou que há “conversas com o setor privado para conseguir abrir mais leitos ainda”.

Segundo a secretaria municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro, a capital fluminense também não dispõe de vagas ociosas. Ao todo, o município tem 1.691 leitos intensivos ou semi-intensivos e a taxa de ocupação até sexta-feira (13) era de 100%. A rede do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital fluminense abrange as esferas municipal, estadual, federal e universitária.

Com a expansão da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), a SMS informou que há possibilidade técnica de abrir 150 novos leitos de internação voltados para atendimento de pessoas diagnosticadas com Covid-19.

A secretaria esclareceu ainda que “normalmente” a Saúde do Rio de Janeiro atua com a capacidade máxima das UTIs para não deixar leitos ociosos.

Apelo

Em entrevista nesta segunda ao Bom Dia Rio, Edmar Santos reforçou o apelo para que se fique em casa.

“As pessoas só devem sair de casa agora se tiver que trabalhar, se não conseguir trabalhar de casa em home office, se for comprar comida ou remédio ou se tiver que ir ao médico. Se não tiver nenhuma dessas situações, tem que ficar em casa”, alertou o secretário Edmar Santos.

Transmissão comunitária

O órgão também identificou os primeiros casos de transmissão comunitária — quando não se sabe a origem de um caso transmitido — na capital fluminense.

Inicialmente, o Rio tinha apenas casos importados, de pessoas que viajam ou têm contato com quem veio de fora. Até esta quinta (12), havia apenas um caso de paciente infectado que não havia saído do estado.

Segundo o Ministério da Saúde, RJ e SP são os únicos estados que já tem a chamada transmissão comunitária.

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Brasil tem 200 casos de coronavírus, segundo relatório do Ministério da Saúde

Ainda há 1.913 casos suspeitos em 25 estados e no Distrito Federal.

Por G1

O Ministério da Saúde divulgou neste domingo (15) novo balanço dos casos confirmados de novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil: são 200 casos. Além disso, o balanço tem os seguintes destaques:

No relatório, São Paulo é o estado com o maior número de casos confirmados, com 136. Isso representa 68% de todos os casos no país. O Rio de Janeiro é o segundo estado com mais casos, com 24.

Ministério da Saúde confirma 200 casos do novo coronavírus no Brasil

Ministério da Saúde confirma 200 casos do novo coronavírus no Brasil

Mais cedo neste domingo (15), o ministério divulgou que eram 176 casos em todo o país. Depois, fez nova atualização, para 191 casos.

Em relação ao relatório divulgado no sábado, Amazonas e Sergipe tiveram os primeiros casos confirmados pelo Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde informou ainda que nas duas cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, há casos de transmissão comunitária. De acordo com a pasta, os casos de transmissão comunitária são aqueles em que não é possível identificar a trajetória de infecção do vírus.

Ministério da Saúde confirma 200 casos, em 15 Estados — Foto: Guilherme Pinheiro/ G1

Ministério da Saúde confirma 200 casos, em 15 Estados — Foto: Guilherme Pinheiro/ G1

Casos de Coronavírus não contabilizados:

O Ministério da Saúde informou, na última sexta-feira (13), que houve mudança no sistema de vigilância com a confirmação de transmissão comunitária. Por isso, os dados divulgados pelo ministério podem entrar em conflito com os dados das secretarias estaduais.

Isso acontece por que partir de agora, as secretaria vão adotar métodos diferentes de registros de casos. Algumas vão relatar apenas casos graves e que gerem internação, outras vão seguir informando todos os casos.

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Manual da limpeza: como se proteger do coronavírus no dia a dia

Seja em casa, no transporte público ou no trabalho, é preciso tomar cuidados para se prevenir contra o coronavírus e também não espalhar o vírus para outras pessoas.

Por Fantástico

Enquanto medidas mais drásticas são tomadas, muita gente tem que seguir a vida normalmente: vai seguir usando o transporte público, tendo contato com outras pessoas no trabalho e vai acabar usando alguns objetos de uso coletivo.

Lavar as mãos regularmente e usar álcool gel são as principais recomendações para se proteger do coronavírus no dia a dia. Não pegar o transporte público em horários de pico e se alimentar em casa são também recomendações do Ministério da Saúde.

Para lavar as mãos, há todo um ritual: é preciso higienizar as duas palmas, os dorso, os dedos, a região entre os dedos e os punho. Saiba mais no vídeo acima.

Manual da prevenção contra o coronavírus no dia a dia

No transporte público

  • Evitar horários de pico;
  • Higienizar as mãos assim que sair do ônibus ou trem;
  • Cobrir a boca com a parte de dentro do braço ao tossir e espirrar;
  • Usar máscara caso esteja gripado.

No ambiente de trabalho

  • Higienizar objetos de uso comum com álcool líquido 70% e papel toalha;
  • Não cumprimentar as pessoas com aperto de mão, beijo ou abraço;
  • Cobrir a boca com a parte de dentro do braço ao tossir e espirrar;
  • Evitar comer na rua; higienizar as mãos com álcool gel ou sabão antes e depois de pegar a comida.

Em casa

  • Não cumprimentar familiares com aperto de mão, beijo ou abraço – principalmente os mais idosos;
  • Limpar o celular com um lenço umedecido com álcool 70%
  • Álcool líquido pode ser usado para limpar o chão e maçanetas de portas;
  • No banheiro, cuidado especial com o vaso sanitário: uma medida de água sanitária para nove de água e limpar a tampa primeiro com uma escova, depois o interior e por último a escova.

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Vacina contra o novo coronavírus é meta de pesquisa executada por cientistas da USP e do Incor

Pesquisa financiada pela Fapesp aposta em tecnologia diferente da empregada por iniciativas no exterior. Brasileiros têm a meta de fazer testes em animais nos próximos meses.

Por Carolina Dantas, G1

Pesquisadores do Brasil estão desenvolvendo uma vacina contra o novo coronavírus (Sars-Cov-2), o vírus responsável pela doença Covid-19. O modelo é diferente do empregado em projetos por pesquisadores de outros países, e tem perspectiva de testes em animais nos próximos meses.

O projeto é liderado por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Gustavo Cabral é imunologista pela USP e pós-doutor pela Universidade Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de Berna, na Suíça. Ele voltou ao Brasil faz menos de dois meses a convite de Jorge Kalil, diretor do laboratório do Incor.

“Voltei e realmente estou impressionado. O nosso laboratório não perde em nada para o de Oxford”, disse Cabral.

O grupo escolhido por Kalil e que trabalha com Cabral está arquitetando um modelo de vacina com base na plataforma Partículas Semelhantes ao Vírus (VLP, sigla em inglês). A estrutura viral do Sars-Cov-2 é utilizada sem o risco de duplicação do material genético (RNA).

As partículas usadas na vacina são induzidas a carregar fragmentos do novo coronavírus e, assim, gerar uma resposta do corpo humano com segurança.

“Nós pegamos a estrutura geral e incluímos nessa partícula outra partes do coronavírus. O corpo acha que é algo invasor, algo perigoso, e gera uma resposta imunológica”, explica o pesquisador, que também pesquisa estratégias para o chikungunuya e para as bactérias Streptococcus.

Os cientistas brasileiros acreditam que o modelo escolhido deverá ser mais eficiente do que o produzido em outros lugares que utilizam vacinas baseadas fundamentalmente em mRNAm (RNA mensageiro). De acordo com Cabral, esse modelo deve demorar mais tempo e leva em conta uma multiplicidade de fatores que faz com que muitas vezes a vacina obtida não seja eficaz.

Há desenvolvimento de vacinas em andamento nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália e na China.

Testes em animais

Cabral elogia a iniciativa das pesquisadoras brasileiras em sequenciar em tempo recorde (48 horas) o código genético do Sars-Cov-2. Segundo ele, os estudos para criar uma vacina não seriam possível sem esse trabalho anterior. A equipe prevê que nos próximos meses sejam iniciados os testes em animais.

“Espero nos próximos meses fazer experimentos e, em cima disso, delinear novos modelos com o vírus. A gente vai precisar de pelo menos 6 meses e depois, em uma outra etapa, utilizar em humanos”.

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