Coronavírus: como a Covid-19 danifica o cérebro

Cientistas se surpreenderam ao descobrir evidências de que o vírus Sars-Cov-2 invade o cérebro; entre possíveis efeitos estão doenças neurológicas, que causam sintomas como confusão mental, fadiga, depressão, afasia e convulsões.

Por BBC

Para Julie Helms, tudo começou com um punhado de pacientes da unidade de terapia intensiva (UTI) no Hospital Universitário de Estrasburgo, no nordeste da França, no início de março de 2020.

Em poucos dias, todos os internados na UTI tinham Covid-19 — e não eram apenas os problemas respiratórios que causavam preocupação.

“Eles estavam extremamente agitados e muitos tinham problemas neurológicos, principalmente confusão e delírio”, diz ela.

“Estamos acostumados a ter alguns pacientes assim na UTI, que necessitam de sedação, mas isso foi completamente anormal. Foi muito assustador, especialmente porque muitos eram bem jovens, com 30 a 40 anos ou até mesmo com 18 anos de idade.”

Helms e seus colegas publicaram um estudo no periódico “New England Journal of Medicine” documentando os sintomas neurológicos em pacientes com Covid-19, que variavam de simples dificuldades cognitivas a confusão mental.

Todos são sinais de encefalopatia, o termo mais comum para danos ao cérebro, algo que os pesquisadores de Wuhan, na China, onde a pandemia surgiu, haviam notado em pessoas infectadas pelo novo coronavírus em fevereiro.

Agora, mais de 300 estudos de todo o mundo descobriram uma prevalência de anormalidades neurológicas em pacientes com Covid-19, incluindo sintomas leves — como dores de cabeça, perda de olfato (anosmia) e sensações de formigamento — e graves — como afasia (incapacidade de falar), derrames e convulsões.

Além das descobertas recentes, o vírus, que causa majoritariamente uma doença respiratória, também pode afetar rins, fígado, coração e praticamente todos os sistemas do organismo.

“Ainda não sabemos se a encefalopatia é mais grave com a Covid-19 do que com outros vírus, mas posso dizer que temos visto bastante disso”, diz a neurologista Elissa Fory, da Fundação Henry Ford, nos Estados Unidos.

“À medida que o número de casos aumenta, você começará a ver não apenas as manifestações comuns da doença, mas também as incomuns — e as vemos de uma só vez, o que não é algo com que qualquer um de nós se deparou em nossas vidas.”

As estimativas da prevalência exata variam, mas aproximadamente 50% dos pacientes infectados pelo Sars-Cov-2, o vírus responsável pela Covid-19, tiveram problemas neurológicos.

A extensão e a gravidade desses problemas ficaram sob o radar da maioria das pessoas, inclusive dos médicos, porque essas anormalidades neurológicas podem não ser reconhecidas como tal quando aparecem.

Alguém que sofre uma convulsão pode simplesmente parecer atordoado e não tremer por inteiro, por exemplo.

Com suas máquinas, sedações e isolamento, um ambiente de UTI pode exacerbar e induzir delírios, prejudicando nossa capacidade de vincular qualquer sintoma ao vírus.

Para complicar ainda mais, muitas pessoas com sinais do Sars-Cov-2 nunca são realmente testadas para o vírus, especialmente se não têm tosse ou febre. Isso significa que, se elas tiverem sintomas neurológicos, talvez nunca saibam se isso está relacionado à Covid-19.

“De fato, existe uma porcentagem significativa de pacientes de Covid-19 cujo único sintoma é confusão mental”, diz Robert Stevens, professor de anestesiologia e medicina intensiva na Faculdade de Medicina Johns Hopkins, nos Estados Unidos, acrescentando que eles não têm tosse ou fadiga.

“Estamos diante de uma pandemia secundária de doenças neurológicas.”

Uma doença diferente

Desde o início da pandemia, tornou-se cada vez mais claro que o Sars-Cov-2 não é apenas uma versão turbo do vírus que causa o resfriado comum: ele tem várias características peculiares, incomuns e, às vezes, aterrorizantes.

Por exemplo, a maioria das pandemias virais, incluindo as de gripe, têm uma curva de mortalidade em “U”, matando os mais jovens e os mais velhos. Mas o Sars-Cov-2 normalmente causa apenas sintomas leves em crianças.

O novo coronavírus também afeta desproporcionalmente os homens: eles são até 70% dos internados em UTI em todo o mundo, embora homens e mulheres tenham sido infectados em taxas iguais.

hipóxia silenciosa é outro mistério. Nosso sangue normalmente apresenta níveis de saturação de oxigênio de cerca de 98%. Qualquer coisa abaixo de 85% pode nos fazer levar à perda de consciência, coma ou até morte.

Mas um grande número de pacientes com Covid-19 apresenta níveis de saturação de oxigênio abaixo de 70%, mesmo abaixo de 60%, mas permanece totalmente consciente e cognitivamente funcional.

Depois, há o fato de que uma porcentagem enorme de pessoas portadoras do vírus não apresenta sintomas. As estimativas variam, mas um relatório de testes em massa da Islândia descobriu que 50% da população que carregava o vírus era assintomática.

Talvez o mais irritante: enquanto cerca de 80% das pessoas que desenvolvem a Covid-19 se livram do coronavírus com facilidade, uma pequena porcentagem piora rapidamente e em poucos dias morre de fraqueza respiratória e falência de vários órgãos.

Muitos desses pacientes são idosos ou têm outras condições de saúde específicas, mas não todas elas de uma vez só.

“Se aprendemos alguma coisa nos últimos dois meses, é que esta doença é extremamente heterogênea na sua apresentação”, diz Stevens.

“A doença afeta muitos sistemas vitais diferentes: os pacientes podem morrer não só por insuficiência pulmonar, mas por insuficiência renal, coágulos sanguíneos, anormalidades hepáticas e manifestações neurológicas. Tive pacientes na UTI se recuperando em dois a três dias. Outras pessoas estão no hospital há meses.”

Existem outras peculiaridades que Stevens notou, mas não pôde explicar.

“Os pacientes de Covid-19 parecem ter falta de sensibilidade aos medicamentos que normalmente usamos. Tivemos que aplicar de cinco a dez vezes a quantidade de sedação que normalmente usamos”, diz ele.

Os virologistas passarão anos tentando entender a biomecânica desse invasor.

E, embora os pesquisadores examinem o vírus e suas vítimas há seis meses, publicando estudos científicos a uma taxa nunca antes vista com qualquer doença, ainda temos mais perguntas do que respostas.

O mais novo enigma a ser adicionado é: o vírus pode infectar o cérebro?

Sintomas cerebrais

A maioria dos pesquisadores acredita que o efeito neurológico do vírus é um resultado indireto da falta de oxigênio no cérebro (a hipóxia silenciosa exibida por muitos pacientes) ou o subproduto da resposta inflamatória do corpo (a famosa “tempestade de citocinas”).

Fory e Helms acreditam que os efeitos neurológicos são “mediados por citocinas”.

Outros não têm tanta certeza: as evidências estão começando a se acumular de que o vírus pode realmente invadir o cérebro.

“Se você tivesse me perguntado há um mês se havia alguma evidência publicada de que o Sars-Cov-2 poderia atravessar a barreira hematoencefálica, eu teria dito que não. Mas agora existem muitos relatórios mostrando que isso é possível”, diz Stevens.

No Japão, pesquisadores relataram o caso de um homem de 24 anos que foi encontrado inconsciente no chão em uma poça de seu próprio vômito. Ele sofreu convulsões generalizadas ao ser levado às pressas para o hospital.

Uma ressonância magnética de seu cérebro revelou sinais agudos de meningite viral (inflamação do cérebro) e uma punção lombar detectou o Sars-Cov-2 em seu líquido cefalorraquidiano.

Pesquisadores chineses também descobriram traços do vírus no líquido cefalorraquidiano de um paciente de 56 anos que sofre de encefalite grave.

E, em uma necrópsia de um paciente de Covid-19 na Itália, os pesquisadores detectaram partículas virais nas células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos do próprio cérebro.

Em alguns países, como a França, as autópsias de pacientes com Covid-19 são altamente restritas (ou totalmente proibidas), tornando o achado italiano ainda mais importante — e preocupante.

De fato, alguns cientistas agora suspeitam que o vírus cause insuficiência respiratória e morte, não por danos nos pulmões, mas por danos no tronco cerebral, o centro de comando que garante que continuemos respirando, mesmo quando inconscientes.

O cérebro é normalmente protegido de doenças infecciosas pelo que é conhecido como barreira hematoencefálica — um revestimento de células especializadas dentro dos capilares que atravessam o cérebro e a medula espinhal. Elas bloqueiam micróbios e outros agentes tóxicos de infectar o cérebro.

Se o Sars-Cov-2 puder atravessar essa barreira, isso indica que não só o vírus pode penetrar no núcleo do sistema nervoso central, mas também permanecer ali, com o potencial de retornar anos depois.

Embora raro, esse comportamento não é desconhecido entre esses micro-organismos: o vírus da catapora, o herpes zoster, por exemplo, geralmente infecta as células nervosas da coluna vertebral, reaparecendo mais tarde na idade adulta.

Aproximadamente 30% das pessoas que têm a doença na infância a irão desenvolver em algum outro momento de suas vidas.

Outros vírus causaram impactos de longo prazo muito mais devastadores. Um dos mais notórios foi o vírus influenza responsável pela pandemia de gripe espanhola, em 1918, que causou danos permanentes e profundos aos neurônios dopaminérgicos do cérebro e do sistema nervoso central.

Embora se presuma que a gripe não pode atravessar a barreira hematoencefálica, alguns cientistas agora acham que pode.

Estima-se que 5 milhões de pessoas em todo o mundo foram prejudicadas por uma forma de extrema exaustão conhecida como doença do sono ou encefalite letárgica.

Entre os que sobreviveram, muitos permaneceram em estado de animação suspensa.

“Eles não transmitiam nem experimentavam nenhum senso de vida; eles eram tão insubstanciais quanto fantasmas e passivos como zumbis”, escreveu o neurologista britânico Oliver Sacks em seu livro de memórias.

Ele descreveu os pacientes que permaneceram nesse estupor por décadas até serem revividos pelo medicamento L-DOPA, reabastecendo os níveis do neurotransmissor dopamina.

David Nutt, professor de neuropsicofarmacologia do Imperial College em Londres, diz que ele próprio tratou muitos pacientes nas décadas de 1970 e 1980 que sofriam de depressão clínica grave desde a pandemia de gripe de 1957 no Reino Unido.

“A depressão deles era duradoura e sólida. Era como se todos os circuitos emocionais tivessem sido desligados”, diz ele, alertando que poderemos ver a mesma coisa acontecer novamente, mas em uma escala muito maior.

“As pessoas que recebem alta da UTI depois de ter Covid-19 precisam ser monitoradas sistematicamente a longo prazo para qualquer evidência de dano neurológico — e receber tratamento, se necessário.”

Os pacientes que apresentam sintomas devem ser encaminhados para estudos de intervenção, como antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou interferons beta (proteínas de ocorrência natural, frequentemente administradas como medicamento para condições como esclerose múltipla) para mitigar os danos e prevenir mais efeitos de longo prazo.

Mas isso simplesmente não está sendo feito, diz Nutt: “O que realmente me incomoda é que todos no Reino Unido estejam analisando os sintomas do Covid, mas ninguém está analisando os mecanismos neurológicos, como a quantidade de serotonina no cérebro.”

Nutt planeja analisar 20 pacientes que tiveram Covid-19 e desenvolveram depressão ou outra condição neuro-psiquiátrica em um estudo no qual scanners de última geração buscarão sinais de inflamação cerebral ou anormalidades nos níveis de neurotransmissores.

Em Baltimore, Stevens também está planejando um estudo de longo prazo com pacientes de Covid-19 que recebem alta da UTI. Ele também realizará exames cerebrais, bem como testes cognitivos detalhados sobre funções como capacidade de memória.

E, no Estudo do Consórcio Global de Disfunção Neurológica em Covid-19, Sherry Chou, neurologista da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, coordena cientistas de 17 países para monitorar coletivamente os sintomas neurológicos da pandemia, inclusive através de exames cerebrais.

Sintomas neurológicos são menos comuns com a Covid-19

Embora o impacto do vírus nos pulmões seja a ameaça mais imediata e aterrorizante, o impacto duradouro no sistema nervoso é muito maior e muito mais devastador, diz Chou.

“Embora os sintomas neurológicos sejam menos comuns na Covid-19 do que os problemas pulmonares, a recuperação de lesões neurológicas geralmente é incompleta e pode levar muito mais tempo em comparação com outros sistemas orgânicos (por exemplo, o do pulmão) e, portanto, resultar em uma incapacidade geral muito maior e possivelmente mais mortes”, diz ela.

Na França, Helms sabe bem quão intensos os impactos neurológicos da Covid-19 podem ser.

Ela teve de adiar a entrevista para esta reportagem depois que um de seus pacientes de Covid-19 — que recebera alta do hospital havia dois meses, mas ainda sofria de fadiga pós-viral e depressão grave — precisou de uma consulta urgente, por risco de suicídio.

E essa paciente não é única — Helms já viu muitas pessoas em estados semelhantes de angústia.

“Ela está confusa, não pode andar e só quer morrer, é realmente horrível. Ela tem só 60 anos, e disse ‘a Covid me matou’ — o que significa que matou seu cérebro. Ela simplesmente não quer mais viver. Isso tem sido especialmente difícil porque não sabemos como evitar esse dano. Apenas não temos tratamentos que impeçam danos ao cérebro”, diz Helms.

Pacientes com insuficiência pulmonar podem ser colocados em um respirador, e os rins podem ser ajudados por uma máquina de diálise — e, com alguma sorte, os dois órgãos se recuperam.

Mas não existe uma máquina de diálise para o cérebro.

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Pesquisadores investigam quanto tempo infectados pela Covid-19 ficam imunes

Do Jornal Nacional G1

Por ser uma doença nova, muitas questões sobre a Covid-19 ainda estão sem respostas. Como as vacinas ainda estão em testes e não há certeza sobre a duração da imunidade adquirida com a infecção pelo novo coronavírus, especialistas recomendam a manutenção dos cuidados.

Pesquisadores investigam quanto tempo infectados pela Covid-19 ficam imunes

Por ser uma doença nova, muitas questões sobre a Covid-19 ainda estão sem respostas. Uma delas é por quanto tempo a pessoa que foi infectada fica imune.

Com ou sem sintomas, já são milhares os brasileiros que sobreviveram ao coronavírus. Uma pesquisa feita pelo Hemocentro de São Paulo mostrou que, em abril, 2,6% dos doadores de sangue já tinham anticorpos contra a Covid-19. Em maio, eles já eram 5% e, em junho, 12% dos doadores já tinham imunidade contra o vírus.

Mas a ciência está em busca de uma resposta fundamental: quanto tempo dura a proteção de quem já teve o vírus? O nosso sistema imunológico funciona com duas linhas principais de defesa: a primeira delas é inata, já nascemos com os glóbulos brancos no sangue, responsáveis por dar o primeiro combate a invasores como os vírus. A segunda linha de defesa é a dos anticorpos. Eles se formam quando a primeira linha falhou e a doença já se instalou. São como soldados mais especializados que analisaram e descobriram os pontos fracos do inimigo.

“A maior parte das pessoas tem uma forma muito leve, assintomática. Porque eles têm uma resposta imune dos glóbulos brancos muito boa, muito forte. Então, isso quer dizer que as pessoas não vão pegar de novo a infecção? Muito provavelmente, porque eles continuam com essa imunidade boa. Eles têm células de memória. A gente só não sabe quanto tempo vai durar”, explica Celso Granato, infectologista e diretor do Grupo Fleury.

Descobrir quanto tempo dura a imunidade de quem já teve a doença ou o vírus no organismo poderia significar um certo alívio para essa parcela da população. Já se pensou até em criar uma espécie de passaporte de liberação para o trabalho e algumas atividades, mas as dúvidas ainda são muitas e os cuidados necessários também.

Pesquisadores chineses relatam queda acentuada de anticorpos de dois a três meses depois da doença. O estudo publicado na revista Nature foi com um grupo pequeno de 74 pacientes, com e sem sintomas, mas acendeu o alerta. A grande proteção, aquela que as vacinas buscam, é a dos anticorpos.

“A maior parte das vacinas, quase a totalidade, elas focam no desenvolvimento de anticorpos neutralizantes, né? Agora, se esses anticorpos neutralizantes, que vão ser gerados nessas pessoas imunizadas, vacinadas, vão durar bastante tempo, isso a gente ainda não sabe. Todas essas perguntas estão lá, estão sendo respondidas justamente pelos testes com vacina”, destaca Renato Astray, diretor do laboratório Multipropósito do Instituto Butantan.

Como as vacinas ainda estão em testes e não há certeza sobre a duração da imunidade adquirida com a infecção pelo novo coronavírus, os especialistas recomendam a manutenção do distanciamento social, uso de máscara e a lavagem das mãos para quem teve ou não o vírus.

“Se ninguém sabe por quanto tempo a pessoa fica imune e vai ficar nessa situação, realmente o mais adequado é que todos continuem tomando as atividades de prevenção”, destaca Astray.

É o que faz a Juliana. Ela e os pais tiveram Covid-19 há um mês. “A gente continua se preocupando da mesma forma, porque a gente não tem certeza se a gente fica imune. Então não tem como contar com isso. A gente continua usando máscara, passa álcool. Isso aí que todo mundo está vendo o tempo todo”, conta.

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Casos e mortes por coronavírus no Brasil, 24 de junho, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Levantamento aponta que país tem 52.951 mortes, mais que o dobro de Índia, China, Paquistão e Indonésia juntos; e 1.157.451 casos confirmados.

Por G1

O Brasil tem 52.951 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h desta quarta-feira (24), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Veja os dados atualizados às 13h desta quarta-feira (24):

  • 52.951 mortos
  • 1.157.451 casos confirmados

Antes da atualização das 13h, o consórcio divulgou um primeiro boletim, às 8h. Naquele horário, o Brasil contava 52.788 mortos e 1.152.066 casos confirmados.

Às 20h de terça-feira (23), o consórcio divulgou o 16º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, CE, DF, GO, MG, MS, PE e RR divulgaram novos dados.

(Na terça-feira, 23, às 20h, o balanço indicou: 52.771 mortes, 1.364 em 24 horas; e 1.151.479 casos casos confirmados. Esse foi o 2º maior registro de mortes divulgadas pelas secretarias estaduais de Saúde em 24 horas desde o início da pandemia. O recorde anterior foi de 1.470 mortes no dia 4 de junho)

O número de mortes no Brasil é mais que o dobro de Índia (14.476), China (4.640), Paquistão (3.755) e Indonésia (2.535) somados, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Na segunda-feira, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que, mesmo com os altos números registrados nos últimos dias, o Brasil provavelmente tem mais casos de Covid-19 do que os que são oficialmente relatados.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

Na terça (23), o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a pasta, houve 1.374 novos óbitos e 39.436 novos casos, somando 52.645 mortes e 1.145.906 casos desde o começo da pandemia.

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Pandemia na América Latina ainda não chegou ao pico e deve resultar em mais casos e mortes contínuas nas próximas semanas, alerta OMS

Afirmação foi feita pelo diretor de emergências da organização, Michael Ryan. Questionado sobre o ápice da pandemia no Brasil, ele respondeu que os picos são difíceis de prever e dependem de ações governamentais: ‘não há respostas mágicas’.

Por Lara Pinheiro, G1

O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, reforçou nesta quarta-feira (24) que a pandemia de Covid-19 na América Latina ainda não chegou ao pico e que ela deve resultar em “número sustentado de casos e mortes contínuas” nas próximas semanas.

“Eu caracterizaria a situação na América Latina como ainda em evolução, não atingiu seu pico. Deve resultar, provavelmente, em número sustentado de casos e morte contínua nas próximas semanas”, declarou Ryan.

Questionado especificamente sobre quando o ápice da pandemia ocorreria no Brasil, ele respondeu que os picos são difíceis de prever, mas a altura e a duração deles depende de ações dos próprios governos e da sociedade.

“O que você faz afeta o pico: afeta a altura do pico, afeta a duração do pico. E afeta a trajetória de descida [do número de casos]. Tem tudo a ver com a intervenção do governo para responder, com a cooperação da comunidade com a intervenção e com a capacidade de atuação dos sistemas de saúde”, respondeu o diretor de emergências.

“O vírus não age sozinho, o vírus explora uma vigilância fraca. O vírus explora os sistemas de saúde fracos. O vírus explora a má governança. O vírus explora falta de educação, falta de empoderamento das comunidades. Essas são as coisas que precisamos abordar”, enfatizou.

“Essa é a realidade dessa pandemia. Não há respostas mágicas, não existem feitiços aqui. Não podemos usar adivinhação para acabar com isso. Temos que agir em todos os níveis, temos que usar os recursos à nossa disposição. E sabemos de muitos exemplos de países: olhem para os países que tomaram medidas, olhem para os países que contiveram e controlaram esta doença. E vocês encontrarão as respostas”, declarou.

O levantamento do consórcio de veículos de imprensa, do qual o G1 faz parte, apontava às 13h desta quarta-feira mais de 1,1 milhão de casos e quase 53 mil mortes pela Covid-19 no Brasil. Os números estão entre os maiores do mundo, atrás apenas dos registrados nos Estados Unidos.

Aumento de casos

Segundo os dados mais recentes da OMS, entre a última terça-feira (16) e a desta semana (23), houve um aumento de 15% nos casos e de 10% nas mortes registradas no continente americano. Para o mundo, esse aumento foi de 13% nos casos e 8% nas mortes.

Para o Brasil, o aumento foi de 25% no número de casos no mesmo período; nas mortes, houve crescimento de 17%.

Nos Estados Unidos, único país com mais casos e mortes que o Brasil, o aumento percentual foi de 9% nos casos e 3,7% nas mortes.

A OMS já havia sinalizado, há um mês, que a América do Sul havia se tornado o epicentro da pandemia, e que o Brasil era o país mais afetado.

O mesmo alerta foi reforçado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) na semana passada: especialistas da entidade afirmaram que não veem desaceleração dos casos no continente americano.

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Não há evidências de que a vitamina D atue na prevenção contra a Covid-19; uso indiscriminado traz riscos

Até o momento, não há nenhum medicamento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus; suplemento vitamínico não garante melhor resposta à doença.

Por G1

Ainda não há evidências científicas suficientes que possam garantir ou afastar totalmente o papel da vitamina D na imunidade e no combate ao coronavírus. Entretanto, o consumo deste suplemento sem acompanhamento médico pode ser prejudicial.

recomendação para uso de suplemento de vitamina D é feita apenas para pacientes com deficiência desta substância, após consulta e avaliação médica.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) disseram, ainda em abril, que não havia nenhuma indicação aprovada para prescrição de suplementação de vitamina D para a Covid-19.

As entidades alertaram para os riscos do consumo indiscriminado desta substância, sem qualquer acompanhamento profissional. Segundo o comunicado, o excesso de vitamina D sintética pode causar:

  • aumento da reabsorção óssea
  • risco de quedas e fraturas
  • hipercalcemia (níveis altos de cálcio no sangue)
  • hipercalciúria (excesso de cálcio na urina)
  • insuficiência renal
  • crises convulsivas
  • morte

A produção de vitamina D pelo corpo, de forma natural, é ativada a partir da exposição ao sol. O consumo de sua versão sintética é apenas prescrita para pacientes com deficiência neste mecanismo do corpo.

A vitamina D, ao contrário de outras vitaminas – como a vitamina C –, não é eliminada pelo corpo em caso de consumo exagerado. Por ser lipossolúvel, acaba se acumulando no organismo e não deve ser consumidas sem recomendação médica.

Pesquisas recentes

No mês passado, uma pesquisa publicada pela revista “BMJ Nutrition, Prevention & Health” indica que tomar altas doses de suplementos de vitamina D não ajuda na prevenção ou tratamento da Covid-19. O artigo é assinado por pesquisadores dos EUA, Reino Unido e União Europeia e indicou que não há provas científicas suficientes de que haja benefícios para evitar a infecção pelo patógeno.

Por outro lado, um outro estudo ainda em pré-print – que aguarda a publicação após a avaliação da comunidade científica – indica que a substância é uma “candidata promissora” para a profilaxia. O artigo de pesquisadores chineses ainda é preliminar e mostra bons resultados nos testes in vitro.

O que diz a OMS

G1 perguntou à Organização Mundial da Saúde (OMS) qual é a recomendação da agência de saúde da ONU para o uso profilático de vitaminas na proteção contra a Covid-19. Em nota, a instituição citou uma fala do diretor-executivo do programa de emergências, Mike Ryan, no início de junho, que citava não ter evidências específicas sobre o uso de vitaminas contra o coronavírus.

“Sobre a questão das vitaminas, não acredito que exista evidência específica de que as vitaminas previnam ou possam tratar a Covid-19, disse Ryan em entrevista coletiva. “No entanto, existem muitas coisas que podemos fazer para manter nosso corpo saudável e permitir que lidemos com qualquer doença infecciosa de maneira mais eficaz, de modo que uma dieta saudável e, às vezes, suplementar essas dietas com vitaminas apropriadas sejam uma maneira muito positiva de se manter saudável.”

Prevenção contra a Covid-19

Para evitar se contaminar ou transmitir o vírus, as formas mais importantes de prevenção ainda são distanciamento social e medidas de higiene como lavar bem as mãos com água e sabão ou com álcool 70%.

Também é necessário tomar cuidado para não tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas. Evitar aglomerações e usar máscara em público também são formas de se prevenir e para evitar espalhar o vírus, cobrir a boca ao tossir ou espirrar com a parte interna do cotovelo.

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Brasil tem 51.406 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Há 1.113.606 de casos confirmados no país. Segundo diretor da OMS, Brasil provavelmente tem mais casos de Covid-19 do que os relatados.

Por G1

Brasil tem mais de 51 mil mortes pela Covid-19, aponta consórcio de veículos de imprensa

O Brasil tem 51.406 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (23), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou na segunda (22), às 20h, o 15º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta terça-feira (23):

  • 51.406 mortos
  • 1.113.606 casos confirmados

(Na segunda-feira, 22, às 20h, o balanço indicou: 51.407 mortes, 748 em 24 horas; e 1.111.348 casos confirmados. Depois disso, Roraima informou que um óbito teve a causa alterada após avaliação epidemiológica, e deixou de ser contabilizado como causado pelo coronavírus.)

Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Na segunda-feira, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou que, mesmo com os altos números registrados nos últimos dias, o Brasil provavelmente tem mais casos de Covid-19 do que os que são oficialmente relatados.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

Na segunda (22), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 654 novos óbitos e 21.432 novos casos, somando 51.271 mortes e 1.106.470 casos desde o começo da pandemia.

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Vacina de Oxford contra Covid-19 começa a ser testada em profissionais de saúde de SP

A vacina é uma das 141 cadastradas na Organização Mundial de Saúde (OMS) e está entre as 13 que já estão em fase clínica de testes em humanos no mundo. A testagem em profissionais de saúde de São Paulo começou na sexta-feira (19).

Por Rodrigo Rodrigues, Mariana Timóteo e Viviane Sousa, G1 SP e GloboNews — São Paulo

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Fundação Lemann confirmaram nesta segunda-feira (22) que começaram os testes em São Paulo da vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A vacina é uma das 141 candidatas cadastradas na Organização Mundial de Saúde (OMS) e está entre as 13 que já estão em fase clínica de testes em humanos no mundo.

Os testes da vacina em São Paulo começaram na sexta-feira (19) e prosseguiram nesta segunda-feira(22), segundo o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Unifesp, que coordena a aplicação da vacina em São Paulo.

Informações da Universidade de Oxford apontam que pelo menos 5 mil profissionais da saúde participarão das testagens no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A Unifesp afirma que, na capital paulista, o Hospital São Paulo está responsável pela análise do perfil dos profissionais de saúde aptos a receberem o teste da vacina.

Em nota, a Fundação Lemann, que é uma das financiadoras do projeto no Brasil, celebrou o início dos testes no país e disse que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que resultados positivos sejam conhecidos.

“Há um caminho importante a ser percorrido agora pelos especialistas antes de podermos celebrar bons resultados. O que virá depois, ainda não sabemos. Enquanto isso, o foco da Fundação Lemann está em acompanhar a iniciativa. Há muitas pessoas e organizações trabalhando colaborativamente para o sucesso e, junto delas, esperamos dar nossa contribuição para que a pandemia seja superada, com foco e atenção ao Brasil e sua gente, nosso maior compromisso”, disse a nota da fundação (veja íntegra abaixo).

Os testes da vacina de Oxford em São Paulo estão sendo coordenados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com a coordenação das infectologistas Dra. Lily Yin Weckx e pela Dra. Sue Ann Costa Clemens, responsável pela articulação que colocou o Brasil como o primeiro país da América Latina a integrar a fase de testes da vacina, para além do Reino Unido.

Infectologista comenta teste de vacina no Brasil feito pela Universidade de Oxford

Vacina de Oxford – Fase 3

A vacina da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a empresa AstraZeneca, que utiliza princípios semelhantes de estudos de vacinas contra ebola e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio causada por outro tipo de coronavírus) é uma das vacinas em estágio mais avançado no mundo.

Ao todo, 50 mil pessoas serão testadas em todo o planeta — 30 mil nos Estados Unidos e outras em países da África e Ásia. No Brasil, pelo menos 5 mil voluntários entre 18 e 55 anos serão vacinados. A ideia é anunciar os resultados até setembro e, se tudo correr bem, entregar as vacinas já em outubro.

Em São Paulo, os testes em mil voluntários estão sendo conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e contam com a viabilização financeira da Fundação Lemann em toda infraestrutura médica e equipamentos.

No Rio de Janeiro, os testes em mil voluntários serão feitos pela Rede D’Or São Luiz, com R$ 5 milhões bancados pela própria Rede, e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

São recrutadas pessoas da linha de frente do combate à Covid-19, em situação de maior exposição à contaminação. Eles precisam ser soronegativos, ou seja, que não contraíram a doença anteriormente.

A vacina utiliza uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Ela é produzida a partir de uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés — e que não causa doença em humanos. A esse imunizante foi adicionado o material genético usado na produção da proteína “spike” do Sars-Cov-2 (a que ele usa para invadir células), induzindo os anticorpos.

É considerada uma vacina moderna e “segura” por não utilizar o vírus e sim uma sequência genética.

Oxford recruta mais de 10 mil voluntários para testes com vacina para Covid-19

Entraves

Apesar de participar da fase de testes em humanos, o Brasil corre o risco de ficar de fora das primeiras levas de compra da vacina de Oxford, caso o governo brasileiro não assine um acordo com a universidade para ter prioridade de compra do produto, caso ele tenha resultados positivos no controle da Covid-19.

O acordo está em análise no Ministério da Saúde e no Ministério da Economia, mas a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca, responsáveis pela pesquisa da vacina no Reino Unido, não receberam qualquer sinalização de que ele será apreciado no curto prazo.

Segundo fontes envolvidas nos testes em solo brasileiro, o atraso para firmar o acordo pode colocar o Brasil no fim da fila de prioridades para receber os primeiros lotes de produção em massa da vacina.

G1 procurou o Ministério da Saúde para entender os entraves que impediram a assinatura do acordo até aqui, mas ainda não recebeu retorno do órgão.

Íntegra da nota da Fundação Lemann:

“Neste final de semana, a Fundação Lemann teve a oportunidade de celebrar com os parceiros envolvidos e especialistas responsáveis, o início dos testes em São Paulo para a vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford. Em São Paulo, onde a iniciativa contou com o financiamento da Fundação Lemann, os estudos clínicos estão sob responsabilidade do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na liderança da Dra. Lily Yin Weckx e com o apoio da Dra. Sue Ann Costa Clemens, responsável pela articulação que colocou o Brasil como o primeiro a integrar a fase de testes para além do Reino Unido. Há um caminho importante a ser percorrido agora pelos especialistas antes de podermos celebrar bons resultados. O que virá depois, ainda não sabemos. Enquanto isso, o foco da Fundação Lemann está em acompanhar a iniciativa. Há muitas pessoas e organizações trabalhando colaborativamente para o sucesso e, junto delas, esperamos dar nossa contribuição para que a pandemia seja superada, com foco e atenção ao Brasil e sua gente, nosso maior compromisso”.

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Ministério da Saúde está há 38 dias sem titular em meio ao crescimento de mortes por Covid

Desde que o general Eduardo Pazuello assumiu o cargo interinamente, o ministério tentou restringir o acesso aos dados sobre a pandemia e vem reduzindo cada vez mais a importância das entrevistas diárias sobre ações do governo.

Do Jornal Nacional

Ministério da Saúde está há 38 dias sem titular em meio a crescimento de mortes por Covid

O Ministério da Saúde está há 38 dias sem um titular. Desde que o general Eduardo Pazuello assumiu o cargo interinamente, o ministério tentou restringir o acesso aos dados sobre a pandemia e tem reduzido cada vez mais a importância das entrevistas diárias sobre ações do governo.

O país já ultrapassou um milhão de casos confirmados de Covid-19 e 50 mil mortes e o Ministério da Saúde ainda não se manifestou. Em entrevista, rede social, nada.

Tem sido assim há mais de um mês, desde que Eduardo Pazuello assumiu o ministério, interinamente, no lugar de Nelson Teich.

No início de junho, as informações sobre a Covid no país começaram a sair cada vez mais tarde. O ministério mudou o modelo dos boletins encaminhados à imprensa e publicados no site oficial. Passou a omitir os números totais de infectados e de mortes registradas desde o início da pandemia. O que gerou uma onda de críticas.

O ministério só voltou atrás depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, exigindo que os dados fossem divulgados de forma completa.

O infectologista Jamal Suleiman diz que falta clareza nas estratégias de combate à doença: “Qual é a estratégia de testagem? O que que é esse papel do teste rápido e testagem de massa, né? Como é que o ministério pensa em identificar essas pessoas que estão contaminadas ou são positivas? E qual a estratégia de bloqueio? Esse papel de articulação do Ministério da Saúde não está sendo feito”.

A Sociedade Brasileira de Infectologia reclama também da falta de orientação sobre o avanço da Covid para cidades menores: 48% dos mortos estão fora das capitais.

“Está faltando total transparência como a gente tinha no início da pandemia. Esse é o primeiro ponto. Existe uma dificuldade desse interfaceamento do governo federal com os estados e os municípios dificultando em número e deixando a população também à deriva, né, sem uma informação precisa e correta”, comenta o coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia Sérgio Cimerman.

Os especialistas criticam também outra mudança na atuação do ministério: as entrevistas coletivas, que no começo da pandemia eram diárias, agora, não têm periodicidade. E são temáticas. O ministério escolhe sobre o que vai falar e nem sempre responde a todas as perguntas.

“Eu acho que as recomendações e a recuperação da credibilidade do ministério são importantíssimas pra que a gente possa tem melhores resultados que não estão bons, os resultados são muito ruins nesse momento. Você precisa de análise, você precisa de parâmetro, você precisa conhecer melhor qual é a realidade das grandes cidades, qual a realidade dos estados, de que maneira eu posso apoiar, por que essas diferenças tão de testagem tão grande entre estados?”, diz o epidemiologista Antônio Lima Neto.

O presidente Jair Bolsonaro já disse várias vezes que prefeitos e governadores é que devem ser cobrados pelos resultados das medidas de combate ao novo coronavírus. Segundo ele, porque o Supremo Tribunal Federal decidiu que as ações são de responsabilidade de estados e municípios.

Nesta segunda (22), o vice presidente do Supremo, Ministro Luiz Fux, afirmou que a decisão do tribunal não livrou o governo federal de responsabilidades sobre a pandemia.

“Não eximiu. Pelo contrário: reforçou a competência dos Executivos. O Supremo não exonerou o Executivo Federal das suas incumbências, porque a Constituição prevê que nos casos de calamidade, as normas federais gerais devem existir. Entretanto, como a saúde é um direito de todos e um dever do estado, no sentido genérico, o Estado Federativo Brasileiro escolheu, como forma de estado, o estado federado em que as unidades têm autonomia política, jurídica e financeira. Então, os estados têm Legislativo, Executivo e Judiciário, a União também tem. E às vezes o que serve para a União, não serve para municípios, e como eu comparei aqui municípios com necessidades diversas. A União Federal continuará com a sua responsabilidade”, afirmou.

Outra questão que preocupa é a discussão sobre a economia no período de pandemia. Segundo o economista Ricardo Henriques, esse debate já deveria ter sido superado.

“Após 50 mil mortes, é incompreensível seguir se fazendo oposição entre saúde e economia. São as famílias das pessoas mais vulneráveis que estão sendo punidas por essa irresponsabilidade. É fundamental que haja coordenação da política pública a partir do governo federal para garantir que a desigualdade seja um parâmetro da estratégia de enfrentamento da pandemia”, afirmou.

O Jornal Nacional questionou o Ministério da Saúde sobre as críticas dos especialistas. Em nota, a assessoria afirmou que vem aprimorando as ferramentas de informação sobre a Covid. Que a atual plataforma permite a análise da evolução da doença por região e por município. E ainda que outros aprimoramentos estão sendo preparados.

A assessoria do ministério declarou que lamenta cada morte – e se solidariza com as famílias.

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Pernambuco volta a registrar alta no número semanal de novos casos de Covid-19

Estado reduzia total de casos em sete dias nas últimas três semanas. Entre o domingo (14) e este sábado (20), foram 6.447 confirmações da doença.

Por G1 PE

Número de casos confirmados por semana em Pernambuco desde o começo da pandemia — Foto: Reprodução/TV Globo

Número de casos confirmados por semana em Pernambuco desde o começo da pandemia — Foto: Reprodução/TV Globo

Pernambuco voltou a registrar alta no número semanal de casos confirmados de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em meio ao processo de reabertura das atividades econômicas. Nas três semanas anteriores, o estado vinha registrando diminuição desse número. Entre o domingo (14) e este sábado (20), foram 6.447 confirmações da doença.

O maior número de casos registrados em uma semana no estado foi entre os dias 17 e 23 de maio, com 8.298 novas pessoas com a doença. Nesse período, foi decretada quarentena mais rígida por 15 dias no Recife e outras quatro cidades da Região Metropolitana e os números começaram a diminuir, até esta semana.

Pernambuco ultrapassa 50 mil casos de Covid-19

Somente neste sábado (20), a Secretaria Estadual de Saúde contabilizou 1.398 novos casos de Covid-19, maior número registrado desde o dia 29 de maio, quando foram registrados 1.542 casos em um único dia.

Desde o começo da pandemia, em março, a maior confirmação de casos em um dia foi registrada em 16 de maio, quando foram 2.279 pacientes.

Neste sábado (20), as praias e parques do Recife foram liberados para exercícios individuais. Mesmo com o banho de mar proibido, muitas pessoas foram vistas entrando na água em Boa Viagem, na Zona Sul da capital .

Praias são reabertas para exercícios e recifenses aproveitam o mar, desrespeitando regras

Reabertura

O processo de flexibilização das atividades econômicas no estado foi iniciado no começo de junho, com liberação da construção civil e comércio atacadista, mas não tem sido o mesmo em todas as regiões. Cada etapa é ditada pelo monitoramento de número de casos.

Oitenta e cinco municípios do Agreste e da Zona da Mata de Pernambuco não avançaram para a terceira etapa do Plano de Convivência com a Covid-19, iniciada na segunda-feira (15), porque não mostraram tendência de queda do número de casos. Nessa fase, puderam abrir o comércio de rua e atividades como salões de beleza.

Essas cidades também não vão para a próxima etapa, que é a reabertura para clientes dos shoppings e grandes lojas, bem como podem ser retomadas as celebrações religiosas presenciais em templos e igrejas, a partir da segunda-feira (22).

Passageiros enfrentam longas esperas e coletivos lotados em dia de protesto de rodoviários

Também a partir de segunda, os supermercados da capital não precisam mais limitar os estacionamentos, nem a entrada de pessoas de uma mesma família. Entretanto, a lotação segue restrita a 50% da capacidade dos locais e medidas de distanciamento precisam ser respeitadas.

Desde o início da retomada das atividades, um dos problemas mais frequentes no Grande Recife foi a superlotação de ônibus. Mesmo com reforço na frota, a retomada de mais setores na segunda-feira (15) foi marcada por mais dificuldades para quem depende do transporte (veja vídeo acima).

Projeções

Pesquisadores de PE e dos EUA apontam que números de casos e mortes devem voltar a crescer

Projeções do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, no oeste dos Estados Unidos, mostram que Pernambuco pode ter cerca de 8 mil mortes por Covid-19 no dia 4 de agosto. De acordo com o estudo, divulgado nesta semana, o número de mortes segue uma tendência de queda, mas pode começar a subir novamente a partir da primeira quinzena de julho

As previsões são coordenadas pelo médico Theo Vos, que é doutor em Epidemiologia e Economia da Saúde. Ele afirma que os dados são previsões e que contêm uma margem de erro que faz o valor variar para mais ou para menos, ou seja, poderiam ser entre 6 mil e 11,6 mil.

Em entrevista à TV Globo, o médico demonstrou preocupação com a situação dos ônibus lotados na Região Metropolitana durante o processo de reabertura. Ele afirmou que é importante as autoridades estarem atendas à variação dos números e perceberem quando houver aumento da quantidade de pessoas doentes.

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Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

País ultrapassou a marca de 50 mil vítimas no sábado (20), pouco mais de três meses após o primeiro óbito. Há 1.087.185 de casos confirmados.

Por G1

Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus, mostra consórcio de veículos de imprensa

O Brasil tem 50.667 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (22), aponta um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

O consórcio divulgou no domingo (21), às 20h, o 14º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento. Desde então, GO e RR divulgaram novos dados.

Veja os dados atualizados às 8h desta segunda-feira (22):

  • 50.667 mortos
  • 1.087.185 casos confirmados

(No domingo, 21, às 20h, o balanço indicou: 50.659 mortes, 601 em 24 horas; e 1.086.990 casos confirmados.)

A marca das 50 mil vítimas foi ultrapassada no sábado (20), pouco mais de três meses depois da primeira morte, ocorrida na cidade de São Paulo. Desde então, a doença se alastrou pelo país e, atualmente, avança pelo interior.

O Brasil é o 2º país do mundo com mais casos e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo um levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Parceria

A parceria entre os veículos de comunicação foi feita em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia da Covid-19. Personalidades do mundo político e jurídico, juntamente com entidades representativas de profissionais e da imprensa, elogiaram a iniciativa.

Mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia reduziram por alguns dias a quantidade e a qualidade dos dados. Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificultou ou inviabilizou a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite de 4 de junho. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No dia 7 de junho, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

No domingo (21), mais uma vez o Ministério da Saúde divulgou os dados completos, obedecendo a ordem do STF. Segundo a pasta, houve 641 novos óbitos e 17.459 novos casos, somando 50.617 mortes e 1.085.038 casos desde o começo da pandemia.

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