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NUVEM DE TAGS

Vacinas da Pfizer e Moderna são ‘altamente eficazes’ no controle da Covid após 1ª dose, aponta estudo do CDC

Risco de infecção caiu 80% após a primeira dose em profissionais da linha de frente, segundo análise de dados feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

Por G1

As vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna se mostraram “altamente eficazes” no controle da Covid-19 logo após a aplicação da primeira dose, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (29) pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Os pesquisadores do principal órgão de saúde norte-americano analisaram os números da vacinação dos profissionais da linha de frente e concluíram que, em “condições de vida real”, o risco de infecção caiu 80% após a primeira dose.

A análise preliminar do centro norte-americano aponta também que a efetividade da vacina na proteção contra a infecção pelo coronavírus chegou a 90% quando as duas doses foram aplicadas corretamente.

Resumo do estudo:

  • 3.950 pessoas se voluntariaram, nenhuma delas tinha histórico de infecção pelo Sars-Cov-2
  • 2.479 (62,8%) receberam duas doses da vacina do tipo mRNA (genética)
  • 477 (12,1%) receberam apenas uma dose de vacina do tipo mRNA
  • 994 ainda não receberam nenhuma dose da vacina
  • Todo o estudo acompanhou as primeiras 13 semanas de vacinação (dezembro – março)
  • O diagnóstico das infecções foi feito por meio de testes RT-PCR

Os dados reforçam os resultados apresentados durante os ensaios clínicos. As duas vacinas são seguras e eficazes no combate à pandemia da Covid-19. Além delas, os EUA começaram também a aplicação da vacina da Janssen, de dose única – que não entrou nesta análise.

“Este estudo mostra que nossos esforços para uma vacinação nacional estão funcionando”, disse em nota a diretora do CDC, Rochelle Walensky.

A equipe do CDC avaliou também os dados dos pacientes não vacinados e encontrou uma taxa diária de 1,38 infecções a cada mil pessoas por dia.

Entre os vacinados, depois de 15 dias da primeira dose, houve uma taxa de 0,04 infecções por dia a cada mil, e o número despencou ainda mais 15 dias depois da segunda dose, e foi para 0,19 infecções por dia a cada mil pessoas.

“Nossas descobertas indicam que as vacinas de mRNA contra a Covid-19 são eficazes na prevenção de infecção pelo Sars-Cov-2, entre os adultos trabalhando em condições do mundo real”, escrevem os cientistas. “A vacinação contra a Covid-19 é recomendada para todos aqueles que puderem.”

Tecnologia de RNA mensageiro

As vacina produzidas pela Pfizer/BioNTech e Moderna usam a tecnologia chamada de RNA mensageiro, diferente das tradicionais (veja no infográfico abaixo).

Nesse caso, a vacina leva para o nosso organismo uma cópia de parte do código genético do vírus. É uma espécie de mensagem, uma receita para que nosso corpo produza uma proteína do vírus. A presença dessa proteína desencadeia a produção de anticorpos.

Ganha-se um tempo que pode ser decisivo nessa luta de vida e morte. Se a pessoa vacinada for infectada, terá um exército de anticorpos prontos para neutralizar o corona, impedindo a sua multiplicação.

Infográfico mostra como funciona uma vacina genética — Foto: Arte G1

Infográfico mostra como funciona uma vacina genética — Foto: Arte G1

Qual é qual?

A vacina BNT162 – da Pfizer/BioNTech – usa o mRNA para codificar proteínas virais. Essa foi a primeira vacina a ser aprovada para o uso emergencial no ocidente. Ela exige temperaturas baixíssimas de armazenamento e transporte, e devem ser mantidas a -70ºC (veja mais no vídeo abaixo).

Que vacina é essa? Pfizer Biontech

A vacina mRNA 1273 – da Moderna – é feita como RNA mensageiro (mRNA), capaz de codificar a proteína S da coroa do vírus, e o introduz no corpo com a ajuda de uma nanopartícula de gordura para induzir a proteção natural do corpo. Ela precisa ser armazenada em temperaturas baixas, inferiores a -20ºC 

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São Lourenço da Mata suspende vacinação contra Covid para idosos entre 65 e 69 anos por falta de doses

Município apontou que recebeu 25% das doses para esse grupo e que expectativa é retomar imunização ainda nesta semana. Outros grupos prioritários seguem sendo vacinados.

Por G1 PE

O município de São Lourenço da Mata, no Grande Recife, suspendeu a vacinação contra a Covid-19 para idosos entre 65 e 69 anos. A comunicação da prefeitura afirmou, nesta terça-feira (30), que recebeu cerca de 25% dos imunizantes que seriam necessários para esse grupo e, devido à alta procura, as doses acabaram no primeiro dia de vacinação.

São Lourenço recebeu 1.090 doses destinadas para esses idosos e aplicou todas na segunda-feira (29), segundo a prefeitura. Quando a Secretaria Estadual de Saúde faz a divisão das doses, informa aos municípios quantas são para cada grupo. Por isso, a vacinação continua para outros grupos.

A expectativa da prefeitura de São Lourenço da Mata é de que uma nova remessa para os idosos de 65 a 69 anos chegue até a quarta-feira (31) e a vacinação seja retomada.

De acordo com a Secretaria de Saúde da cidade, 7.301 doses da vacina contra a Covid-19 já foram aplicadas até a segunda-feira (29) em moradores da cidade de diferentes grupos. Do total, 6.515 corresponderam a primeira dose e 786 da segunda dose do imunizante.

Para se vacinar é necessário estar em posse de documento oficial com foto, CPF e comprovante de residência.No caso de idosos acamados, é preciso fazer o agendamento do atendimento domiciliar pelo telefone (81) 98997-4119.

A vacinação em São Lourenço acontece em quatro pontos, com funcionamento de segunda a sexta, das 8h às 12h:

  • Posto Aristeu Chaves, próximo ao Terminal Parque Capibaribe;
  • Sesc de Tiuma, no bairro de Tiúma;
  • Centro Social Urbano, no bairro de Chá da Tábua;
  • Em frente à antiga Fiat Lux, em Capibaribe.

No caso do Centro Social Urbano, a prefeitura informou que vacinação é feita no esquema drive-thru, sem precisar descer do veículo.

Covid-19 em Pernambuco

Pernambuco confirma mais 390 casos e 38 mortes por Covid-19

Na segunda (29), foram confirmados 390 casos e 38 óbitos por Covid-19 em Pernambuco, elevando o total de infectados pelo novo coronavírus para 344.567 e o número de mortes provocadas pela doença para 12.044 (veja vídeo acima). Os registros são feitos no estado desde março de 2020.

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Mesmo com mais 500 leitos abertos em 28 dias, ocupação de UTIs fica em 97% em Pernambuco

Desde 25 de fevereiro, taxa de ocupação está acima de 90%, perto do limite do sistema de saúde. Atualmente, há 1.506 vagas, sendo que 1.461 delas estão ocupadas.

Por G1 PE e TV Globo

Ocupação de UTIs em Pernambuco continua acima de 90% mesmo com abertura de novos leitos

Em 28 dias, o governo de Pernambuco abriu mais 500 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na rede estadual de saúde, para dar conta do aumento do número de pacientes com Covid-19. Mesmo assim, a ocupação desses leitos está em 97%. Das 1.506 vagas disponíveis, 1.461 estão ocupadas.

Os dados mais recentes foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) no domingo (29). Havia, no total, 2.673 leitos dedicados a pacientes com suspeita de Covid-19 ou diagnóstico para a doença. As 1.167 enfermarias estavam com ocupação de 87%, com cerca de 1.015 vagas ocupadas.

O governo informou que, em março, abriu 500 leitos de UTI. É o maior volume de leitos dedicados aos pacientes com essa doença já registrado desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano. Isso significa que nunca houve tantas pessoas doentes internadas ao mesmo tempo no estado.

Mesmo assim, no pior momento da pandemia, o governo informou que, a partir da quinta-feira (1º), haverá reabertura gradual das atividades econômicas, após 14 dias de quarentena em todo o estado.

Diferentemente da quarentena implementada em 2020, em cinco cidades do Grande Recife, desta vez não houve restrição de circulação e mais serviços puderam funcionar em meio às medidas.

A taxa de ocupação de UTIs de Pernambuco está acima dos 90% desde 25 de fevereiro, perto do limite de atendimento do sistema de saúde. Nesse dia, havia mil leitos disponíveis e 910 estavam ocupados, totalizando 91% ocupados.

Os dias mais críticos foram 19 de março, com 1.359 dos 1.387 leitos ocupados e uma taxa de 98%, e a quarta-feira (24), quando havia 1.423 leitos ocupados dos 1.452 disponíveis, também com ocupação de 98%.

Pandemia em Pernambuco

Pernambuco confirma mais 390 casos e 38 mortes por Covid-19

Foram confirmados, nesta segunda-feira (29), 390 casos da Covid-19 e 38 óbitos provocados pela infecção em Pernambuco. Com esses registros, o estado passou a totalizar 344.567 diagnósticos da doença e 12.044 mortes de pessoas infectadas pelo novo coronavírus

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Entenda ponto a ponto a vacina contra a Covid-19 que será produzida pelo Butantan

Vacina vai usar tecnologia semelhante à da CoronaVac e de vacinas contra a gripe. Expectativa é de produção a partir de maio.

Por G1

G1 em 1 Minuto: Governo de SP diz que pedirá à Anvisa autorização para testes da Butanvac

Instituto Butantan, em São Paulo, anunciou, nesta sexta-feira (26), que está desenvolvendo a Butanvac, nova candidata a vacina contra a Covid-19. A vacina é a primeira, contra qualquer doença, a ser desenvolvida completamente no Brasil.

Nesta reportagem, você vai entender, ponto a ponto, alguns detalhes sobre a Butanvac:

  1. Por que a Butanvac é relevante para o Brasil?
  2. Como será a vacina? Qual tecnologia ela vai usar?
  3. Quantas doses a vacina terá?
  4. A vacina será segura?
  5. A vacina vai funcionar contra as novas variantes?
  6. Quando começarão os testes? Quem vai poder se candidatar?

1.Por que a Butanvac é relevante para o Brasil?

A pesquisadora Ester Sabino, da USP, que liderou a equipe a fazer o primeiro sequenciamento genético do coronavírus no Brasil, avalia que uma vacina nacional é importante porque é necessário pensar a longo prazo no combate ao vírus – inclusive para futuras epidemias.

“É muito importante ter uma vacina nacional porque o problema ainda não acabou e, para o coronavírus, vai ser necessário pensar a longo prazo”, explica.

“Nos últimos 20 anos, este é o terceiro coronavírus que entra na espécie humana”, lembra Sabino. “Tudo indica que podem acontecer outras transmissões, e a gente precisa estar preparado para responder a essas novas epidemias que virão. Temos que começar agora desenvolvendo novas vacinas que, se não forem usadas nessa pandemia, serão usadas nos problemas que certamente virão no futuro”.

O infectologista Leonardo Waissmman, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca que, com uma vacina totalmente nacional, o Brasil não dependerá de importação de matéria-prima, conhecida como Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). O IFA utilizado nas vacinas que estão sendo testadas e aplicadas no Brasil até o momento são importados da China.

“Toda tecnologia nova e brasileira é bem vinda, principalmente quando se trata de tecnologia nova de imunizantes, como no caso do coronavírus. A Butanvac vai usar matéria-prima brasileira e utilizar tecnologia semelhante à da vacina contra a gripe, que já é produzida pelo próprio Butantan. É diferente de dependermos de insumos de fora do Brasil”, avalia.

Waissmman lembra, ainda, que não temos vacinas suficientes no país e que a Butanvac já considera a variante identificada pela primeira vez em Manaus.

“[A Butanvac] tem relevância, principalmente porque as vacinas que estão no país ainda estão em quantidade escassa. Por estar sendo produzida nacionalmente, essa vacina também considera nossa realidade”.

Kfouri também avalia que o desenvolvimento de uma vacina em solo brasileiro é positiva.

“Eu acho que nós termos na cesta de opções mais uma vacina 100% nacional, mais uma vacina que nos dá independência, é muito bom. Então, se nós conseguirmos ter 3 vacinas produzidas aqui no Brasil, de diferentes tecnologias, sermos exportadores de vacinas é um grande avanço para a nossa ciência”, destaca.

Tanto a CoronaVac e a vacina de Oxford, aplicadas hoje no país, têm acordos de transferência de tecnologia para serem produzidas no Brasil. Nenhuma das duas, entretanto, foi desenvolvida no país, como a Butanvac.

2. Como será a vacina? Qual tecnologia ela vai usar?

Butanvac será feita com as tecnologias de vírus inativado e de vetor viral.O modo de produção é semelhante ao da vacina da gripe que é produzida pelo Butantan – usando ovos no processo.

Entenda cada parte, explicada pelo diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri:

  • A plataforma de vírus inativado é a usada nas vacinas da gripe, que tomamos todos os anos, e na CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e que está sendo envasada no próprio Butantan. Nesse tipo de vacina, o vírus é colocado inteiro dentro dela (veja infográfico), mas não é capaz de causar a doença.
Infográfico mostra como funcionam vacinas inativadas contra o coronavírus — Foto: Anderson Cattai/G1

Infográfico mostra como funcionam vacinas inativadas contra o coronavírus — Foto: Anderson Cattai/G1

  • Já a tecnologia de vetor viral é usada na vacina de Oxford – que, assim como a CoronaVac, está sendo aplicada no Brasil. Nesse tipo de vacina, um outro vírus, o vírus vetor, é modificado geneticamente para “carregar” uma parte do código genético do coronavírus dentro dele (veja infográfico).
  • Nas vacinas de vetor viral, nenhum dos dois vírus tem o poder de causar doença. Nenhuma vacina contra o coronavírus pode causar a Covid-19.
Infográfico mostra como funcionam vacinas de vetor viral contra o coronavírus — Foto: Anderson Cattai/G1

Infográfico mostra como funcionam vacinas de vetor viral contra o coronavírus — Foto: Anderson Cattai/G1

  • Butanvac vai usar as duas plataformas. Um outro vírus – o da doença de Newcastle, da família do sarampo, neste caso – vai ser modificado geneticamente para “carregar” um pedaço do coronavírus dentro dele. Esse vírus será o vetor.
  • O pedaço do coronavírus que o vetor vai carregar é o código genético que dá as instruções de como fazer a proteína S. A proteína S é a que o vírus usa para infectar as nossas células.
  • Esse vírus (da doença de Newcastle + pedaço do coronavírus) será colocado em ovos de galinha. No ovo, as células que estão ali vão “ler as instruções” para fabricar a proteína S e replicar o vírus: ou seja, vão produzi-lo em maior quantidade.
  • O vírus precisa ser colocado no ovo porque ele não consegue se replicar sozinho, ele precisa das células.
  • Quando houver vírus em grande quantidade dentro do ovo, esses vírus serão retirados dali, inativados fragmentados.
  • A proteína S será purificada e é o que vai para a vacina. Esse é o chamado ingrediente farmacêutico ativo (IFA). O que será injetado na pessoa é uma espécie de concentrado da proteína. O vírus de Newcastle não entra na composição da vacina.

A vacina contra a gripe é feita de forma semelhante a esse processo. A diferença é que, no caso da gripe, o vírus que é colocado dentro do ovo não tem vetor. Esse tipo de produção é seguro e de baixo custo.

“É uma ideia que existe em uma ou outra plataforma já de vacinas em desenvolvimento no mundo, mas que o Butantan sai na frente em termos de estudos em humanos”, explica Kfouri.

3. Quantas doses a vacina terá?

Os pesquisadores ainda não sabem. Existe a chance de que ela seja aplicada em apenas uma dose, mas isso ainda precisa ser testado.

Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, a vacina é mais imunogênica do que as anteriores. Isso significa que ela tem capacidade de fazer o sistema de defesa do corpo criar defesas de forma mais eficiente contra o coronavírus. Por causa disso, é possível que seja dada em apenas uma dose, mas isso ainda não está determinado.

Hoje, as duas vacinas aplicadas no Brasil para a Covid-19 (CoronaVac e Oxford) são dadas em duas doses.

4. A vacina será segura?

Segundo o anúncio do Butantan, sim. O diretor do instituto, Dimas Covas, disse que o perfil de segurança da vacina é “excelente”. “É seguro e é uma tecnologia tradicional”, completou o diretor.

5. A vacina vai funcionar contra as novas variantes?

Também de acordo com o anúncio do Butantan, vai. A Butanvac já foi desenvolvida levando em consideração as novas variantes – inclusive a P.1, que foi detectada pela primeira vez em Manaus.

O diretor também afirmou que a vacina pode ser rapidamente adaptada para o caso de surgirem novas variantes do coronavírus.

Renato Kfouri, da SBIm, avalia que este parece ser o caso, mas que mais estudos ainda são necessários. Como a Butanvac usa o código genético do coronavírus, ela é, em teoria, potencialmente adaptável, diz.

“Essa é uma tecnologia nova, certamente não temos todas as respostas e provavelmente vamos aguardar um momento para tê-las, mas as vacinas mais adaptáveis às variações do vírus são justamente aquelas genéticas”, explica.

6. Quando começarão os testes? Quem vai poder se candidatar?

O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que vai entregar o dossiê da vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta sexta (26). Segundo ele, se a agência autorizar, os testes podem começar em abril.

Ainda não está totalmente claro quem vai poder participar. De acordo com o Butantan, os voluntários provavelmente terão que ter no mínimo 18 anos e não poderão ser de grupos prioritários.

Renato Kfouri, diretor da SBIm, avalia que os participantes deverão ser pessoas jovens e que não foram vacinadas e nem tiveram Covid.

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Estudo liderado por brasileiros identifica como antidepressivos atuam no cérebro

Pesquisa pode ajudar a desenvolver medicamentos mais precisos, já que mecanismo de funcionamento foi melhor entendido.

Por Bruna de Alencar, G1

Um estudo liderado por cientistas brasileiros traz luz para uma velha questão na psiquiatria: a atuação dos antidepressivos no cérebro humano. Os medicamentos usados em larga escala para tratar depressão e ansiedade no mundo todo ainda se baseiam em diretrizes da tentativa e erro. Médicos receitam doses de fluoxetina, sertralina e amitriptilina que aumentam, diminuem e se somam em busca da combinação ideal, embora incerta, que traga o conforto terapêutico desejado.

O uso dos antidepressivos para o tratamento dessas doenças se baseia, sobretudo, na chamada hipótese monoaminérgica, segundo a qual os distúrbios do humor são causados por uma deficiência no nível de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e dopamina. Esses medicamentos visam aumentar a concentração dessas substâncias no cérebro para eliminar a doença. Entretanto, a melhora diante do tratamento medicamentoso nem sempre é certa.

Considerada o mal do século 21, a depressão atinge cerca de 4,4% da população do planeta e é a principal causa de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). De 10% a 30% das pessoas com depressão não apresentam melhora depois do início do tratamento com remédios, segundo estudos de 2019.

Novas descobertas

A chave para finalmente entender a atuação dos antidepressivos nos neurônios está na identificação da partícula celular responsável por facilitar a atuação dos medicamentos. É o que mostra o estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, que contou com a participação dos neurocientistas brasileiros Plínio Casarotto e Caroline Biojone e do cientista Cassiano Ricardo Alves Faria Diniz, que realiza pós-doutoramento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).

Até então, acreditava-se que a ação terapêutica dos antidepressivos acontecia com a ativação de um receptor chamado BDMF, que é acionado com o acúmulo dos medicamentos nos neurônios, deixando o cérebro mais flexível a novos estímulos para a recuperação da doença.

O estudo publicado na revista científica americana ‘Cell’ mostra que, tanto os antidepressivos clássicos quanto os de efeito rápido são bem sucedidos ao promover a ativação direta de outro receptor, o TRKB. “Antes, acreditávamos que o efeito no receptor TRKB era indireto, e hoje vemos que não. Todos os antidepressivos testados atuaram diretamente sobre essa estrutura. Isso muda o que entendemos sobre as drogas”, explica Cassiano Ricardo Alves Faria Diniz.

Para chegar a esse resultado o grupo se valeu de pesquisas feitas anteriormente que apontam uma relação entre a atuação dos medicamentos e o receptor TRKB, testes in vitro, feitos em laboratório, e in silico, usando simulações computacionais de alta performance.

Essa descoberta é importante porque pode trazer assertividade a um tratamento que foi por décadas incerto. Desde que o primeiro ansiolítico foi utilizado no tratamento de distúrbios de humor, em 1956, as drogas são administradas com doses baseadas em tentativa e erro.

“A partir de agora, a indústria farmacêutica pode desenvolver drogas melhores porque até então eles estavam desenvolvendo drogas baseadas em um mecanismo de ação que não era o correto”, defende Caroline Biojone.

Colesterol no cérebro

O estudo também relevou, pela primeira vez, uma importante relação entre os níveis de colesterol no cérebro com a eficácia do tratamento realizado com drogas antidepressivas. De acordo com a investigação, há uma quantidade considerada ideal de colesterol no cérebro que facilita a ativação do receptor TRKB, o que promoveria um tratamento mais eficaz.

Substâncias alucinógenas são aposta da ciência contra depressão e estresse pós-traumático

“Até então, essa questão do colesterol nunca havia sido levada em conta quando os psiquiatras tratam seus pacientes e nem para investigar a interação que os antidepressivos podem ter com outras drogas que alteram os níveis de colesterol no cérebro também”, explicou Biojone.

De acordo com Plínio Casarotto, um dos pesquisadores que lideraram a investigação, o colesterol encontrado nos neurônios é produzido no próprio cérebro e, a princípio, não possui relação com o colesterol sanguíneo. “Adoraria que fosse provado que comer churrasco ativasse o TRKB, mas não tem a ver”, explica o neurocientista.

Esses resultados abrem caminhos para a ciência, que pode começar a investigar a interação de antidepressivos com outras drogas que modulam o colesterol para descobrir como isso afeta a receptividade do paciente às drogas. “Isso não quer dizer, necessariamente, criar novas drogas, mas, sim, procurar por novos tratamentos com as drogas que já estão sendo usadas”, afirma Biojone.

Tratamento combinado

Para tratar a depressão e a ansiedade, entretanto, é necessário mais do que apenas a intervenção medicamentosa. As drogas aumentam a capacidade do cérebro de se adaptar aos novos estímulos, mas para que a recuperação aconteça esses estímulos precisam, obrigatoriamente, ser positivos. Tendo isso em vista, critérios externos, como renda e ambiente, afetam diretamente a recuperação do paciente.

“Nossos dados mostram que terapia ou tratamento com drogas, isoladas, não funcionam muito bem. Quando você combina os dois, você costuma ter resultados muito melhores”, explica Casarotto.

Além dos brasileiros, o estudo também contou com a participação dos pesquisadores das Universidades de Freiburg (Alemanha) e Bergen (Noruega), além do Departamento de Física da Universidade de Helsinque, responsável pela modelagem molecular.

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PF investiga oferta falsa de 200 milhões de doses da vacina contra Covid-19 ao Ministério da Saúde

Suspeitos apresentaram credenciais falsificadas e alegaram ‘exclusividade para comercialização do lote’, diz investigação. Operação cumpre sete mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e Espírito Santo.

Por Gabriel Palma e Marília Marques, TV Globo e G1DF

Polícia Federal cumpre sete mandados de busca e apreensão, na manhã desta quinta-feira (25), contra um grupo suspeito de oferecer ao Ministério da Saúde, de forma fraudulenta, 200 milhões de doses de vacinas contra Covid-19, “em nome de um grande consórcio farmacêutico”.

A denúncia partiu do próprio ministério. O nome do consórcio não foi divulgado. A investigação apontou ao menos dois suspeitos que, por meio de duas empresas, apresentaram credenciais falsas e afirmaram ter exclusividade para a comercialização do lote de vacinas.

G1 aguarda um posicionamento do Ministério da Saúde para saber até qual estágio a negociação avançou.

Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de Paracatu, em Minas Gerais, e Vila Velha, no Espírito Santo, a mando da Justiça do Distrito Federal. Ninguém havia sido preso até a publicação dessa reportagem.

PF investiga oferta fraudulenta de 200 milhões de doses da vacina contra Covid-19 ao Ministério da Saúde — Foto: Polícia Federal/Divulgação

PF investiga oferta fraudulenta de 200 milhões de doses da vacina contra Covid-19 ao Ministério da Saúde — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Ainda de acordo com a PF, além do Ministério da Saúde, a oferta fraudulenta de vacinas também foi feita a outros gestores públicos. O nome dos órgãos onde ocorreu a tentativa de fraude também não foi informado.

A operação, batizada de “Taipan” apura crimes de associação criminosa, estelionato contra entidade pública, além de falsificação de documentos e de produto destinado a fins medicinais.

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Brasil registra 90.504 novos casos de Covid em 24 horas, no dia em que supera marca de 300 mil mortos

País contabilizou 12.227.179 casos e 301.087 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. Marca de diagnósticos no último dia é a segunda maior da série histórica.

Por G1

Brasil ultrapassa 300 mil mortes por Covid

No dia em que bateu a triste marca de 300 mil mortes por Covid-19, o Brasil volta a registrar um número que chama atenção para o ritmo acelerado no contágio pela doença. Foram 90.504 novos casos confirmados nesta quarta-feira (24) o segundo maior registro em um dia até aqui –atrás apenas do anotado no dia 17/3, quando chegou a 90.830. Com isso, desde o começo da pandemia 12.227.179 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 75.250 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +8% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade nos diagnósticos.

(Correção: O G1 errou ao informar que o país havia registrado recorde no número de novos casos de Covid. O registro desta quarta foi o segundo maior da série histórica. A correção foi feita às 20h15.)

É o que mostra novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 20h de quarta.

O Brasil registrou 2.244 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando nesta quarta-feira (24) 301.087 óbitos desde o início da pandemia. A média móvel de mortes no país nos últimos 7 dias chegou a 2.279.Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +34%, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença.

Já são 63 dias seguidos com a média móvel de mortes acima da marca de 1 mil; pelo décimo sétimo dia a marca aparece acima de 1,5 mil; e o país completa agora 8 dias com essa média acima da marca dos 2 mil mortos por dia.

Após 25 recordes seguidos na média móvel de óbitos, o índice aparece menor do que o da véspera, impactado pela alteração implementada na inclusão de dados no sistema do Ministério da Saúde –mudança que foi suspensa no mesmo dia.

Ao menos cinco estados relataram ao consórcio problemas com a mudança do ministério que podem ter impactado na contabilidade dos registros de casos e mortes. São eles: Goiás, Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Em SP, por exemplo, estado com os maiores números, a secretaria afirmou que a alteração “burocratizou” a inserção de dados e foi realizada sem aviso prévio, fazendo com que muitas cidades não conseguissem registrar todos os óbitos. Com isso, foram anotados 281 óbitos no estado, um dia após o recorde de mais de 1 mil em um só dia.

Veja a sequência da última semana na média móvel:

  • Quinta (18): 2.096 (recorde)
  • Sexta (19): 2.178 (recorde)
  • Sábado (20): 2.234 (recorde)
  • Domingo (21): 2.255 (recorde)
  • Segunda (22): 2.298 (recorde)
  • Terça (23): 2.349 (recorde)
  • Quarta (24): 2.279

Vinte estados e o Distrito Federal estão com alta nas mortes: PR, RS, SC, ES, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, AC, TO, AL, BA, CE, PB, PE, PI, RN e SE.

Brasil, 24 de março

  • Total de mortes: 301.087
  • Registro de mortes em 24 horas: 2.244
  • Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 2.279 (variação em 14 dias: +34%)
  • Total de casos confirmados: 12.227.179
  • Registro de casos confirmados em 24 horas: 90.504
  • Média de novos casos nos últimos 7 dias: 75.250 por dia (variação em 14 dias: +8%)

Estados

  • Subindo (20 estados e o Distrito Federal): PR, RS, SC, ES, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, AC, TO, AL, BA, CE, PB, PE, PI, RN e SE
  • Em estabilidade (3 estados): PA, RO e MA
  • Em queda (2 estados): AM e RR
  • Não atualizou (1 estado): AP

Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia).

Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados.

Vacinação

Balanço da vacinação contra Covid-19 desta quarta (24) aponta que 13.389.523 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 6,32% da população brasileira.

A segunda dose já foi aplicada em 4.418.109 pessoas (2,09% da população do país) em todos os estados e no Distrito Federal. No total, 17.807.109 doses foram aplicadas em todo o país.

Variação de mortes por estados

Estados com mortes em alta — Foto: Editoria de Arte/G1

Estados com mortes em alta — Foto: Editoria de Arte/G1

Estados com mortes em estabilidade — Foto: Editoria de Arte/G1

Estados com mortes em estabilidade — Foto: Editoria de Arte/G1

Estados com mortes em queda — Foto: Editoria de Arte/G1

Estados com mortes em queda — Foto: Editoria de Arte/G1

Sul

  • PR: +18%
  • RS: +44%
  • SC: +20%

Sudeste

  • ES: +81%
  • MG: +39%
  • RJ: +28%
  • SP: +46%

Centro-Oeste

  • DF: +167%
  • GO: +18%
  • MS: +43%
  • MT: +85%

Norte

  • AC: +16%
  • AM: -27%
  • AP: não atualizou os dados até as 20h desta quarta-feira (24)
  • PA: -11%
  • RO: +9%
  • RR: -48%
  • TO: +89%

Nordeste

  • AL: +40%
  • BA: +27%
  • CE: +27%
  • MA: -8%
  • PB: +25%
  • PE: +66%
  • PI: +31%
  • RN: +46%
  • SE: +103%

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Anvisa recebe pedido de uso emergencial para vacina da Janssen

Contrato com o Ministério da Saúde prevê entrega de 16,9 milhões de doses no terceiro trimestre de 2021. Entre os imunizantes que estão sendo aplicados no mundo, o da Janssen é o único que requer somente uma dose por pessoa.

Por G1

Que vacina é essa? Janssen (Johnson&Johnson;)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu nesta quarta-feira (24) o pedido de uso emergencial da vacina contra a Covid-19 da farmacêutica Janssen, empresa do grupo Johnson & Johnson.

A agência informou que iniciou a triagem dos documentos enviados pela companhia, processo que ocorrerá durante as próximas 24 horas. Caso esteja faltando algum dado importante, a agência poderá pedir informações diretamente ao laboratório.

“A meta da Agência é fazer a análise do uso emergencial em até sete dias úteis, descontando eventual tempo que o processo possa ficar pendente de informações, a serem apresentadas pelo laboratório”, informou a Anvisa em nota divulgada nesta quarta-feira.

No Brasil, duas vacinas já obtiveram o registro definitivo pela Anvisa para aplicação na população: a da Pfizer e a da AstraZeneca/Oxford. A CoronaVac, em produção pelo Instituto Butantan, recebeu apenas a autorização para uso emergencial.

As vacinas da Pfizer e da Janssen já foram aprovadas também pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para uso emergencial. Entre os imunizantes que estão sendo aplicados no mundo, o da Janssen é o único que requer somente uma dose por pessoa.

Contrato assinado

Antes mesmo da empresa entrar com o pedido junto à Anvisa, o Ministério da Saúde já havia assinado o contrato com a Janssen, com anúncio oficializado na sexta-feira (19).

De acordo com o governo, os prazos para entrega das doses são:

  • terceiro trimestre de 2021 – 16,9 milhões de doses
  • quarto trimestre de 2021 – 21,1 milhões de doses

O contrato da Janssen prevê o valor de US$ 10 por dose, e um pagamento US$ 95 milhões na primeira parcela.

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Médicos relatam choque com UTIs lotadas de jovens com Covid-19: ‘Temem perder olfato, mas perdem a vida’

Sem dados oficiais, profissionais de saúde veem jovens tomando lugares antes ocupados por idosos em UTIs: ‘muitos chegam à UTI só para morrer’.

Por Paula Adamo Idoeta, BBC

Um plantão recente do médico Matheus Alves de Lima, que atende pacientes de Covid-19 em UTIs de dois hospitais de campanha no Distrito Federal e arredores, ilustra uma preocupante, mas ainda pouco compreendida mudança no perfil de pacientes graves do novo coronavírus em meio ao colapso dos sistemas de saúde do país.

“Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante”, explica Alves à BBC News Brasil.

“E outro paciente, de 28 anos, não resistiu a ser extubado (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser intubado novamente e fazer hemodiálise. Se não fosse a Covid-19, ele provavelmente jamais precisaria fazer hemodiálise nessa idade. Nos dois últimos meses, temos visto cada vez mais pacientes entre 25 e 40 anos, o que assusta – são pacientes da minha idade. São jovens e já chegam graves, depois de ficar esperando por vagas (de UTI) em emergências lotadas. A gente intuba, intuba, e não acaba. Eles chegam precisando de diálise de urgência, às vezes em choque. Tudo isso piora muito seu prognóstico. Às vezes, chegam à UTI só para falecer.”

Esse crescimento no número de pacientes mais jovens em situação grave graves foi comentado pelo secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, em uma entrevista coletiva em 1° de março.

“A pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda”, afirmou Gorinchteyn.

“São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia.”

Com o organismo geralmente mais forte do que o de idosos, os mais jovens resistem melhor aos procedimentos que têm sido realizados nas Unidades de Terapia Intensiva, como ventilação mecânica e hemodiálise.

No entanto, como consequência, também acabam ocupando os leitos por muito mais tempo. Segundo Gorinchteyn, a média de ocupação de UTIs em São Paulo passou de 7 a 10 dias por paciente, para 14 a 17 dias “no mínimo”.

‘Acham que vão perder o olfato, mas perdem a vida’

“São as pessoas que se sentem à vontade para sair porque acham que (se pegarem Covid-19) só vão perder paladar e olfato, e acabam perdendo a vida”, prosseguiu o secretário.

“Outro aspecto é a gravidade com que eles chegam. Sua oxigenação baixa sem que o indivíduo sinta (se não medir com um oxímetro) e, quando ele chega ao hospital, vê-se o quanto sua saturação (de oxigênio no sangue) está baixa e o quanto ele tem comprometimento de pulmão.”

Embora a chegada de pacientes mais jovens com quadro mais graves seja perceptível, ela não é plenamente entendida, porque o Brasil não dispõe de dados oficiais consolidados de casos e internações de Covid-19 por faixa etária, explica Marcio Sommer Bittencourt, mestre em saúde pública e integrante do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, em São Paulo.

Ele lista diversas causas que, somadas, provavelmente compõem o retrato atual.

A primeira é a mencionada por Gorinchteyn: como as populações mais novas – desde jovens adultos até 59 anos – resistem por mais tempo na UTI, a tendência é que aumente a ocupação de leitos por elas.

A segunda é o fato de a infecção por Covid-19 ter aumentado exponencialmente em todo o país nos últimos meses – o que levaria, portanto, a mais infecções entre mais jovens. A incógnita é se aumentou proporcionalmente mais entre eles, diz Bittencourt.

“Além disso, os mais jovens são mais economicamente ativos do que os idosos, então saem mais para trabalhar. Isso já acontecia antes (da segunda onda), mas agora (o efeito disso) é mais perceptível.”

Por fim, existe o fato de estarmos diante de variantes mais infecciosas do coronavírus, que podem também estar aumentando a gravidade dos casos.

“Provavelmente são todas essas causas juntas, mas não sabemos qual delas impacta mais o momento atual”, afirma Bittencourt. “O que se sabe com certeza é que as novas cepas em circulação aumentaram o número total de internações e de casos mais graves em geral.”

Sistema em colapso

O quadro é completado e agravado por um sistema de saúde em colapso, que não dá conta de atender com a rapidez necessária para prevenir que o estado de saúde dos pacientes se agrave – por exemplo, muitos passam dias em enfermarias lotadas até conseguirem uma vaga de UTI.

“Como o sistema está colapsado, as pessoas podem não estar recebendo a atenção adequada, mesmo com um esforço muito grande nosso”, diz o médico intensivista Edino Parolo, que atende em UTIs de dois hospitais (um público e um privado) em Porto Alegre (RS).

“A intubação de um paciente grave, por exemplo, é algo que poucos médicos conseguem fazer de maneira segura.”

Ele confirma a chegada de cada vez mais pacientes jovens nos hospitais onde atende, com internações prolongadas e “frustrantes”, pelo impacto físico e emocional que impõem em pacientes, equipes médicas e famílias.

“Certamente não é só uma doença de idosos. Desde o início incomodava essa ideia (difundida) de que seria uma doença que afetaria idosos e debilitados. Minha opinião é de que isso foi combustível para vários erros e deixou os jovens saudáveis menos cuidadosos.”

A avalanche de agravamento de casos começa a se formar ainda no pronto-socorro, porta de entrada dos pacientes com Covid-19. “Estou abismado com a quantidade de casos graves. No último sábado, tínhamos 30 pacientes de Covid-19 na emergência. Antes da segunda onda, ter 15 pacientes era (equivalente a) um plantão ruim. E hoje (terça-feira, 23/3) soube que há 48 pacientes ali”, diz Lucas Barroti, médico que atende em pronto-socorro de hospital público na cidade de São Paulo.

“Não tem mais nem espaço físico. Alguns pacientes chegam a ficar três dias na emergência (aguardando transferência), e ali vão piorando: primeiro usam cateter nasal, depois máscara respiratória, depois precisam de intubação. Dá a impressão de que a progressão (piora) é mais rápida do que antes.”

E ali Barroti também se assombra com a idade dos pacientes: “A maioria já não é de idosos. Tem na faixa etária de 40, 50 anos – uma parcela deles sem comorbidades, e mesmo assim em estado tão grave quanto (se tivessem).”

A perigosa aposta no ‘tratamento precoce’

E há ainda os malefícios causados pela falsa crença no chamado “tratamento precoce”, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro a despeito de cientistas alertarem que não há, até o momento, nenhuma evidência de que remédios como hidroxicloroquina ajudem no enfrentamento contra a Covid. Pelo contrário: médicos ouvidos em uma reportagem da BBC News Brasil dizem que os efeitos colaterais dos remédios e a demora em procurar atendimento médico tornam o quadro pior.

“Muitos que acreditam na pataquada do tratamento precoce só procuram atendimento quando já estão muito graves”, conclui Marcio Bittencourt.

Além disso, como a campanha de vacinação avança entre as populações mais idosas, é possível que elas comecem a estar mais protegidas que os mais jovens. Na semana passada, dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo cedidos ao portal G1 apontaram uma queda de 51,3% das mortes de pessoas entre 85 a 89 anos entre janeiro e fevereiro.

Enquanto a campanha de vacinação avança para faixas etárias menores a passos lentos e gestores estaduais e municipais tentam fazer valer restrições à circulação de pessoas, as equipes médicas ainda se veem diante de um número descomunal de pacientes.

Matheus Alves, o médico cujo depoimento abre esta reportagem, conta que a fila de espera por leitos de UTI em hospitais de campanha do Distrito Federal chega a cerca de 400 pacientes.

Ele tem trabalhado 72 horas por semana para dar conta de casos cuja gravidade exige cada vez mais atenção. “Uma coisa é ter uma UTI de pacientes com máscaras (de oxigênio, respirando por conta própria). Outra é ter uma só de pacientes intubados, em diálise ou choque séptico. Trabalho ligado a 200 por hora.”

O caso mais marcante que atendeu até hoje foi há algumas semanas, de um paciente na casa dos 40 anos – o primeiro não idoso que Alves teve de intubar nesta segunda onda de pandemia.

“É um jovem, sem comorbidades e não obeso. Iria prestar concurso público dentro de um mês, porque sonhava em dar um futuro melhor para sua família. Ele não queria ser intubado. Os jovens resistem mais à intubação, não se conformam. Depois do procedimento nele, cheguei em casa e desabei: chorei igual a uma criança. É um homem que tinha sonhos, assim como eu tenho. Aquele medo dele entrou em mim. A maioria de nós médicos ficamos muito sensibilizados com casos tão jovens. Passado mais de um mês, o paciente continua intubado. Mas ele está resistindo.”

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Vacina de Oxford tem 79% de eficácia contra casos sintomáticos de Covid-19, apontam testes nos EUA, no Chile e no Peru

Eficácia é de 100% contra casos graves da doença e de 80% em idosos com mais de 85 anos, segundo estudo com mais de 30 mil participantes.

Por G1

Vacina de Oxford é 79% eficaz contra casos sintomáticos da Covid-19

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca teve 79% de eficácia na prevenção de casos sintomáticos da doença, anunciaram a empresa e a universidade nesta segunda-feira (22). Entre participantes com mais de 85 anos, a eficácia foi de 80%.

A vacina também se mostrou segura e teve 100% de eficácia contra casos graves e contra aqueles que exigem hospitalização dos pacientes.

Com os novos dados, a AstraZeneca deve solicitar autorização para uso emergencial nos Estados Unidos (veja detalhes ao final da reportagem). No Brasil, a vacina teve o registro definitivo concedido há dez dias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já é aplicada desde janeiro.

Os dados significam que, nos testes, a vacina conseguiu reduzir em 79% a proporção de casos sintomáticos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas. Da mesma forma, significa que conseguiu evitar todos os casos graves da doença, além de hospitalizações no grupo vacinado que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas.

Que vacina é essa? Oxford/AstraZeneca

Os testes, de fase 3, foram feitos com 32.449 voluntários nos Estados Unidos, no Chile e no Peru. Na fase 3, os cientistas analisam a segurança e a eficácia de uma vacina em larga escala, normalmente com milhares de voluntários.

A vacina de Oxford é dada em duas doses. Nesses testes, elas foram aplicadas com 4 semanas de diferença, mas outros ensaios, anteriores, mostram que, se as doses forem dadas com um intervalo de até 12 semanas, a eficácia da vacina pode ser ainda maior. Esse intervalo de 12 semanas é o que está sendo feito na vacinação no Brasil.

Os testes

A cada duas pessoas que receberam a vacina, uma recebeu um placebo (substância inativa) para servir de grupo controle. Nem os cientistas nem os participantes sabiam quem estava recebendo a vacina e quem recebia o placebo. As pessoas foram distribuídas de forma aleatória (randomizada) em cada grupo.

Dos 32.449 voluntários que participaram dos testes, 141 tiveram sintomas de Covid-19.

Cerca de 20% dos voluntários tinham 65 anos ou mais, e cerca de 60% tinham comorbidades associadas a um risco maior de complicação para a Covid-19, como diabetes, obesidade severa e doenças cardíacas.

Um estudo preliminar feito por pesquisadores brasileiros e da Universidade de Oxford divulgado na quinta-feira (18) apontou que as vacinas de Oxford e da Pfizer foram eficazes contra a variante brasileira do coronavírus, identificada pela primeira vez em Manaus, a P.1.

Sem relação com coágulos

A AstraZeneca afirmou, na divulgação dos resultados da pesquisa, que não encontrou “nenhum risco maior de trombose [formação de coágulos]” entre os 21.583 participantes que receberam pelo menos uma dose da vacina.

Há cerca de duas semanas, a aplicação da vacina de Oxford foi suspensa em alguns países da Europa por causa de casos suspeitos de formação de coágulos após a vacinação.

Após uma análise, entretanto, a agência de medicamentos da União Europeia concluiu que a vacina era segura e eficaz”.A agência também disse que vai continuar a acompanhar e analisar os dados de vacinação no continente, mas que os benefícios da aplicação da vacina superam os riscos.

Na sexta-feira (19), o Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um parecer afirmando que nenhuma relação havia sido estabelecida entre qualquer vacina contra a Covid e trombose.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu aos países que continuassem usando a vacina.

Uso nos EUA

Com os novos dados, a AstraZeneca deve pedir aprovação de uso emergencial da vacina nos Estados Unidos. O país já tem três vacinas aprovadas contra a Covid-19: a da Pfizer, a da Moderna e a da Johnson.

Se a vacina de Oxford obtiver autorização de uso, é improvável que fique disponível antes de maio, avaliou o jornal americano “The New York Times”. Até então, as autoridades americanas preveem que as outras três fabricantes estarão produzindo doses suficientes para todos os adultos do país. Por isso, as doses da vacina britânica poderão não ser necessárias.

Até a manhã de domingo (21), 44 milhões de pessoas haviam sido completamente vacinadas (com ambas as doses de alguma vacina) contra a Covid-19 nos EUA, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) do país. No Brasil, 4,1 milhões de pessoas receberam as duas doses de algum imunizante.

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