Pesquisadores descobrem substância capaz de impedir reprodução do vírus da zika

Por G1 PE

 

Através de testes em laboratório, pesquisadores da Fiocruz Pernambuco descobriram uma substância capaz de bloquear a reprodução do vírus da zika. Divulgada na terça-feira (15) pela entidade, a descoberta foi publicada na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents na sexta-feira (11).

De acordo com o pesquisador Lindomar Pena, que coordenou o estudo, a substância sintética 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) foi testada em células neurais e da pele. Nos dois casos, houve o bloqueio de 99,6% da reprodução do material genético viral.

“Principalmente as células nervosas afetadas pelo vírus tiveram uma boa resposta à substância. Isso é muito bom, porque são essas células que levam às consequências mais graves da infecção [por zika], tanto em crianças quanto em adultos”, detalha Pena ao G1.

Ainda segundo o pesquisador, foram experimentados diferentes tempos e dosagens da substância nas células. “Fizemos os testes de forma muito rigorosa, antes e depois de infectarmos as células, e houve resultados positivos nos dois casos”, explica, sinalizando que a substância pode ser usada na prevenção e no tratamento das doenças causadas pelo vírus.

Feita ao longo de um ano por pesquisadores em Pernambuco, a pesquisa chegou à substância 6MMPr após testes feitos para combater um vírus que ataca cães. “Devido à similaridade dos vírus, resolvemos testar para zika”, comenta Pena. De acordo com o pesquisador, o próximo passo é aplicar a substância em camundongos para observar o comportamento do vírus em seres vivos.

A expectativa, segundo o coordenador do estudo, é de iniciar os testes nos animais até o fim do ano. “Na forma nativa, essa substância tem uma eficácia muito boa, mas nós pretendemos fazer novos estudos para melhorar quimicamente o potencial dela”, ressalta.

Zika transmitida por pernilongo

Na quarta-feira (9), um artigo publicado na revista científica Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature, revelou que o pernilongo comum, popularmente conhecido como muriçoca, pode atuar como um transmissor do vírus da zika, além do mosquito Aedes aegypti. A constatação foi feita por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco, que realizaram pesquisas e coletas de insetos em áreas de circulação de pessoas que contraíram a doença.

Após a descoberta, os pesquisadores planejam ampliar a pesquisa, coletando os pernilongos também em áreas de morro, de planície e verticalizadas da capital pernambucana. Com o aprofundamento dos estudos, os profissionais buscam compreender se a transmissão pode ocorrer em outras áreas da cidade e se os insetos atuam como vetores primários ou secundários do vírus.

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Pacientes denunciam problemas estruturais no Hospital dos Servidores do Estado de PE

Por Bianka Carvalho, TV Globo

Paredes com infiltração e mofo, buracos no forro do teto, ventilador cheio de poeira e acompanhantes de pacientes dormindo em pedaços de espuma no chão são algumas denúncias feitas sobre a estrutura do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), localizado na Zona Norte do Recife. As imagens enviadas para o WhatsApp da TV Globoforam feitas pelo parente de um idoso que foi submetido a uma cirurgia na unidade de saúde.

A equipe de reportagem não teve a entrada autorizada pelo hospital. A unidade atende somente pessoas que contribuem com o plano de saúde no estado. O HSE é responsável por 4.500 pronto-atendimentos, 1.600 atendimentos ambulatoriais, 100 mil exames e 400 cirurgias por mês.

Na enfermaria localizada no terceiro andar do hospital, um ventilador cheio de poeira é a única forma de aliviar o calor dos pacientes internados no setor. Em outro andar, é possível ver telas de proteção das janelas rasgadas. Do lado de fora, há muitos pombos, o que sinaliza um perigo à saúde.

O aspecto do banheiro também não é bom. Box quebrado e sujeira. O sabão líquido é armazenado em uma garrafa de água. Não tem barras de apoio nas paredes, item que facilitaria a vida de quem está em recuperação. Em determinado momento da gravação, a acompanhante de um dos pacientes aparece tendo apenas um pedaço de espuma no chão para descansar.

A denúncia, no entanto, não menciona nada de ruim sobre o tratamento dado pelas equipes médicas e auxiliares. A reclamação aborda os problemas estruturais do local. A Defensoria Pública do Estado foi acionada pelos pacientes.

De acordo com o Instituto de Recursos Humanos do Estado (IRH), responsável por administrar a unidade de saúde, em 2015 foi iniciada uma obra com previsão de término em dois nesses. Porém, falta reformar e climatizar 16 leitos. Até o momento, a reforma se deu em 84 leitos. Em nota, o IRH alega que tem tentado resolver os problemas, mas que não podem interromper o funcionamento do hospital.

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Zika custou 4,6 bilhões de dólares ao Brasil nos últimos dois anos, diz ONU

Por Elielton Lopes, G1 DF

Entre 2015 a 2017, o zika custou ao Brasil US$ 4,6 bilhões, o que representa 0,09% do PIB. Já a longo prazo, o custo das anomalias associadas ao vírus poderá chegar a US$ 10 bilhões. Os dados são do primeiro relatório sobre a avaliação socioeconômica do zika lançado em Brasília nesta terça-feira (15).

A ONU aponta que o custo do tratamento de cada criança com microcefalia associada ao zika ao longo da vida pode chegar a US$ 890 mil. Até o momento, 48 países confirmaram casos do vírus. O maior número de infecções nos países foi registrado durante o ano de 2016. Neste ano, houve queda.

Ainda, a estimativa das Nações Unidas é que o impacto socioeconômico da doença na América Latina e Caribe chegue a R$ 18 bilhões de dólares – aproximadamente R$ 56 bilhões.

“O zika se assemelha à mobilização durante a epidemia de ebola na África. Tivemos uma geração de crianças infectadas”, afirma João Paulo Toledo, diretor da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Representante da Organização Panamericana de Saúde, Joaquin Molina explica que o Brasil se articulou para identificar a síndrome e ainda será importante para a busca de respostas.

“O Brasil é hoje e vai ser possivelmente o país mais importante para ajudar a responder as perguntas que ainda temos”, disse Molina.

O relatório, elaborado pelas Organização das Nações Unidas e pelo Ministério da Saúde, analisou o impacto causado pela doença no Brasil, Colômbia e Suriname desde 2015, quando o vírus zika começou a se espalhar.

Preparado por especialistas, pesquisadores, organizações de saúde e universidades internacionais, os valores foram calculados com base em avaliação de impacto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

Especialista observa exame de imagem de um bebê com microcefalia em hospital do Recife, em foto de 26 de janeiro de 2016 (Foto: Reprodução TV Globo)

Especialista observa exame de imagem de um bebê com microcefalia em hospital do Recife, em foto de 26 de janeiro de 2016 (Foto: Reprodução TV Globo)

Impacto será significativo

O relatório concluiu que haverá impacto socioeconômico significativo nos países afetados a curto e longo prazo. As perdas devem ser sentidas no Produto Interno Bruto dos países, bem como as consequências poderão ser sentidas no desenvolvimento social, podendo até “desacelerar” o avanço nos objetivos de desenvolvimento sustentável, como avalia a ONU.

O zika afeta os países mais pobres da América Latina e Caribe em escala desproporcional, por mais que os governos tenham se esforçado para controlar a disseminação da doença. Entre as dificuldades enfrentadas, o documento aponta a “modesta capacidade em sistemas de vigilância e diagnóstico e em esforços de prevenção”.

A desigualdade na cobertura da saúde também contribui para que a parcela mais pobre da população fique mais vulnerável.

Situação grave no Caribe

O Caribe é a região mais afetada com o problema. O impacto no local é cinco vezes maior que em toda a América Latina. Estima-se que o país tenha perdido aproximadamente R$ 28 bilhões em três anos, devido à redução no turismo interacional. No Brasil, os custos devem ser maiores, embora o impacto geral seja sentido com mais intensidade nos países mais pobres.

O relatório conclui que as estratégias locais e nacionais dos países precisam ser fortalecidas no combate à doença. De acordo com a ONU, os governos devem estar prontos para reagir em casos de doenças que podem ser transmitidas com rapidez. Outra recomendação é o controle do mosquito transmissor de forma “integrada e multissetorial”.

Programas de proteção e sistemas de saúde também devem ser reforçados e adaptados para atingir as vítimas da doença, o que inclui mulheres, crianças e pessoas com necessidades especiais.

“O desafio que a gente tem é avaliar os danos causados pelo zika e suas consequências, seja do ponto de vista social, econômico ou do impacto no sistema de saúde”, disse Alberto Beltrame, secretário executivo do Ministério do Planejamento.

Zika vírus

Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.  (Foto: Divulgação / Prefeitura de Ipatinga)

Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. (Foto: Divulgação / Prefeitura de Ipatinga)

Zika é uma doença causada por um vírus do gênero Flavivírus. Identificada pela primeira vez em 1947 em um macaco rhesus na floresta Zika, da Uganda, foi diagnosticada no Brasil em abril de 2015. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue e a febre chikungunya.

Os principais são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. A evolução da doença costuma ser benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em um período de 3 até 7 dias.

O quadro de zika é muito menos agressivo que o da dengue, por exemplo, e cerca de 80% dos pacientes não têm manifestações clínicas. O que assusta é sua possível relação com outras condições mais graves, como microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.

Não há tratamento específico para a doença. Segundo o Ministério da Saúde, os casos devem ser tratados com o uso de paracetamol ou dipirona para controle da febre e da dor. Assim como na dengue, o uso de ácido acetilsalicílico (aspirina) deve ser evitado por causa do risco aumentado de hemorragias.

Prevenção

Como o vírus da zika é transmitido pelo Aedes aegypti, a prevenção segue as mesmas regras aplicadas a essas doenças. Evitar a água parada, que os mosquitos usam para se reproduzir, é a principal medida.

Colocar telas de proteção nas janelas e instalar mosquiteiros na cama também são medidas preventivas. Vale também usar repelentes e escolher roupas que diminuam a exposição da pele. Em caso da detecção de focos de mosquito que o morador não possa eliminar, é importante acionar a Secretaria Municipal de Saúde do município.

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Conselho Federal de Medicina altera regras para cirurgia em doenças mentais

Por G1

Imagem de ressonância magnética mostra localização da amígdala direita no cérebro. Cirurgias para a agressividade profunda têm por alvo essa região (Foto: Wikimedia Commons)

Imagem de ressonância magnética mostra localização da amígdala direita no cérebro. Cirurgias para a agressividade profunda têm por alvo essa região (Foto: Wikimedia Commons)

O Conselho Federal de Medicina estabeleceu que a neuropsicocirurgia poderá ser feita em pacientes com menos de 5 anos de diagnóstico de doença mental. Antes, texto da resolução não especificava que a cirurgia poderia ser feita antes desse período em casos excepcionais.

A mudança do texto foi publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (15). Nos casos especiais, o pedido deverá ser aprovado por junta médica formada por psiquiatra e neurocirurgião.

A neuropsicocirurgia só é usada em último caso na psiquiatria — quando foram consideradas todas as opções não invasivas de tratamento. Ela também não pode ser realizada em pacientes internados compulsoriamente, exceto com autorização judicial.

Quando é usada

Uma das aplicações da cirurgia é para o tratamento da agressividade em pacientes com retardo mental profundo e clara caracterização de que a doença gera sofrimento substancial para o paciente e sua família.

Segundo o CFM, nesses casos, a cirurgia tem por alvo lesões bilaterais na amígdala temporal, região do cérebro responsável pelo controle das emoções e também um importante regulador da agressividade.

Após a cirurgia, o resultado esperado é a redução significativa ou mesmo a abolição da agressividade. O procedimento, entretanto, é irreversível.

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Pacientes com HIV enfrentam falta de kits para fazer exame de carga viral no Recife

Por Danielle Fonseca, TV Globo

Em Pernambuco, uma média de 1.500 novos casos de Aids é registrada por ano e, até março de 2017, o estado reunia 24 mil pessoas com a doença. Alguns pacientes com HIV têm enfrentado apreensão e dificuldades devido à falta de kits, que são distribuídos pelo Ministério da Saúde, para fazer o exame de carga viral, um teste importante para verificar se o tratamento está fazendo efeito.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, depois do diagnóstico, que pode ser feito em postos de saúde, ONGs e centros de testagem e aconselhamento, os pacientes são encaminhados para os serviços de referência para serem acompanhados. “Fui ao laboratório do hospital para fazer os exames e lá foi comunicado que não havia kits para a realização do exame e mandaram a gente ficar ligando, mas já se passam dois meses sem muitas respostas”, relata um rapaz de 29 anos que prefere não ser identificado.

Em fevereiro deste ano, ele descobriu que tem HIV. Desde então, fez dois testes de carga viral. O terceiro seria em junho, mas este ele não pôde fazer. “A gente precisa fazer, quando está começando, periodicamente o exame, antes de começar a tomar o remédio, depois que começa para saber se está fazendo efeito. Eu só fiz duas vezes, mas é preciso fazer outras para eu ficar ciente que a carga viral está baixa para mudar os antirretrovirais ou continuar com o que eu estou”, explica.

 Pessoas com HIV podem fazer tratamento no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no bairro de Santo Amaro (Foto: Reprodução/TV Globo)

Pessoas com HIV podem fazer tratamento no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no bairro de Santo Amaro (Foto: Reprodução/TV Globo)

O médico infectologista Demetrius Montenegro, que acompanha pacientes que receberam o diagnóstico, explica o quão fundamental é esse teste da carga viral. “É um exame para quantificar o vírus naquela pessoa que está tomando a medicação. A pessoa que toma remédio tem que ter a carga viral indetectável, isto é, não ter vírus no sangue. Se a gente consegue identificar vírus de 500, 1.000 ou 10.000, é preciso avaliar para saber o que houve de errado”, ressalta.

Para fazer o exame, é necessário um kit fornecido pelo Ministério da Saúde, que é distribuído para todos os estados. “Tem um aparelho onde faz a identificação do material genético do vírus e, para fazer isso, tem que colocar o sangue em algumas cápsulas com reagentes. Isso é o que a gente chama de kit e, sem ele, o exame não pode ser realizado”, explica Demetrius Montenegro.

Por causa do problema da falta de abastecimento dos kits em todo o Brasil, o Ministério da Saúde determinou que fossem priorizados os testes apenas nas grávidas e nas crianças de até um ano e seis meses. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a última remessa do kit enviada a Pernambuco chegou no mês de junho.

Tratamento

No Recife, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no bairro de Santo Amaro, e o Hospital Correia Picanço, na Tamarineira, são unidades de saúde onde pessoas com HIV podem fazer tratamento. Nas duas unidades de saúde, os pacientes têm acesso ao controle do vírus e ao combate a outras doenças que atingem os pacientes com HIV.

De acordo com os pacientes, se for feito de maneira particular, o teste de carga viral custa entre R$ 800 e R$ 1 mil. Segundo a coordenadora de programas institucionais da ONG Gestos, que oferece apoio a quem foi diagnosticado com HIV, a entidade ajuda os pacientes com assistência psicológica e jurídica.

“A gente estranha porque o Ministério da Saúde preconiza que é um direito do paciente e um dever do estado as questões relativas a testar e tratar. Testar significa que você está verificando se tem o HIV ou não e aí você precisa tratar. E tratar não é só receber a medicação, porque, para receber, você precisa dos exames. Então os exames também fazem parte do tratamento”, afirma Josineide Meneses.

Respostas

A Secretaria Estadual de Saúde informou que ainda tem estoque para fazer o teste de carga viral. De acordo com o Ministério da Saúde, foi finalizada uma nova compra de exames de carga viral para o HIV. O volume total do primeiro lote está previsto para ser distribuído a todos os laboratórios até sexta-feira (18) e a quantidade deve atender a demanda nos estados.

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Pernambuco atualiza diretrizes para notificar casos de síndrome congênita de zika

Por G1 PE

Através das diretrizes, Pernambuco busca facilitar as investigações posteriores sobre os casos de síndrome congênita de zika (Foto: Reprodução/British Medical Journal)

Através das diretrizes, Pernambuco busca facilitar as investigações posteriores sobre os casos de síndrome congênita de zika (Foto: Reprodução/British Medical Journal)

Buscando atualizar as recomendações de notificação e classificações de casos e de mortes relacionadas a infecções congênitas pelo vírus da zika, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) lançou, nesta segunda-feira (14), as Diretrizes de Vigilância Epidemiológica da Síndrome Congênita relacionada à Infecção pelo Vírus Zika. O documento foi elaborado com base em discussões com especialistas e profissionais dos serviços de saúde locais, com base em evidências científicas recentes e em diretrizes nacionais e internacionais.

O documento foi apresentado a profissionais de saúde de Pernambuco no auditório do órgão, no bairro do Bongi, na Zona Oeste do Recife, durante a tarde. A apresentação também foi transmitida para as 12 unidades da Gerência Regional de Saúde (Geres), localizadas no interior do estado.

De acordo com o setor de Controle de Doenças e Agravos da SES, as diretrizes contêm critérios considerados atuais para a notificação e classificação de casos e óbitos sugestivos de infecção congênita pelo vírus da zika. Ainda no documento, as recomendações voltadas para o atendimento aos pacientes têm o objetivo de qualificar e fortalecer ações de detecção, registro, investigação e encerramento dos casos relacionados à enfermidade.

O documento, segundo a SES, reforça a importância do registro correto de casos nos sistemas de informações de nascidos vivos e de óbitos, para facilitar as investigações posteriores sobre os casos e a qualificação de dados. As diretrizes também contêm mais elementos que podem auxiliar na classificação da síndrome e reforçam a notificação, classificação e investigação laboratorial de casos em crianças com 28 dias ou mais de vida.

Zika transmitida por pernilongo

Na quarta (9), um artigo publicado na revista científica Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature, revelou que o pernilongo comum, popularmente conhecido como muriçoca, pode atuar como um transmissor do vírus da zika, além do mosquito Aedes aegypti. A constatação foi feita por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco, que realizaram pesquisas e coletas de insetos em áreas de circulação de pessoas que contraíram a doença.

Após a descoberta, os pesquisadores planejam ampliar a pesquisa, coletando os pernilongos também em áreas de morro, de planície e verticalizadas da capital pernambucana. Com o aprofundamento dos estudos, os profissionais buscam compreender se a transmissão pode ocorrer em outras áreas da cidade e se os insetos atuam como vetores primários ou secundários do vírus.

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Vacina contra zika do Instituto Evandro Chagas deverá ser testada em humanos em 2018

Por Monique Oliveira, G1

Consuelo Oliveira (Foto: Monique Oliveira/G1)

Consuelo Oliveira (Foto: Monique Oliveira/G1)

Uma das iniciativas de vacina contra o vírus da zika, em testes no Instituto Evandro Chagas, sediado no Pará, já apresentou resultados promissores em camundongos e primatas, e deverá ser testada em humanos em 2018. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (11) na XIX Jornada Nacional de Imunizações, evento organizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações, em São Paulo.

O desenho do estudo em humanos será definido neste ano pelo instituto, que está desenvolvendo a vacina em parceria com a Universidade do Texas e com apoio da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde no Brasil.

“As iniciativas com a vacina de zika estão andando mais rápido porque não foram identificados outros sorotipos do vírus, como é na dengue. Com isso, a complexidade é menor”, diz Consuelo Oliveira, pesquisadora clínica do Instituto Evandro Chagas.

Os resultados em camundongos já foram publicados em julho na revista científica “Cell Reports”. Já os resultados em primatas também foram promissores, mas ainda não foram publicados em revista científica e, por esse motivo, não estão sendo divulgados.

 Fetos de fêmeas de camundongos que receberam vacinas experimentais contra zika (embaixo) são comparados a fetos de fêmeas que não foram imunizadas (em cima). Todas as fêmeas foram expostas ao vírus  (Foto: Cell/Divulgação)

Fetos de fêmeas de camundongos que receberam vacinas experimentais contra zika (embaixo) são comparados a fetos de fêmeas que não foram imunizadas (em cima). Todas as fêmeas foram expostas ao vírus (Foto: Cell/Divulgação)

Consuelo diz, no entanto, que os resultados foram positivos em ambos os testes. No estudo em camundongos, 46 cobaias foram testadas. Metade recebeu o imunizante e o restante recebeu uma “vacina falsa”. Nessa primeira fase do estudo, camundongos que receberam o imunizante apresentaram anticorpos contra o vírus zika.

Já na segunda fase do estudo, após o acasalamento das fêmeas, pesquisadores observaram que o vírus da zika sequer chegou até a placenta — o que trouxe a expectativa de que a vacina pode proteger o grupo mais vulnerável ao vírus: as mulheres em idade fértil, exatamente o grupo definido pela OMS como prioritário para receber a vacina.

“O que foi interessante é que, nas cobaias não vacinadas, vimos que o vírus fez o mesmo percurso observado em humanos. A placenta com déficit de nutrição, os bebês nascendo pequenos, as malformações…”, explica Consuelo.

“Esse trabalho tem sido objeto de muita expectativa e nos deu base para analisar o estudo multicêntrico em humanos”, diz a pesquisadora. “Queremos reproduzir o que de maneira fantástica encontramos nessa primeira parte da pesquisa.”

Ao todo, há 41 iniciativas no mundo em busca da vacina, diz Consuelo. São várias as estratégias: há testes com vírus enfraquecido, com o vírus inativado (ou seja, morto) e com a vacina de DNA — quando apenas o material genético é introduzido no imunizante.

O Instituto Butantan também faz análises preliminares com uma vacina pentavalente — que deverá ser usada contra todos os sorotipos da dengue e também contra o vírus zika.

Mutação e dificuldades

Sendo um vírus de RNA, o zika é mais suscetível a mutações mas, segundo a pesquisadora, não são mutações robustas o suficientes — pelo menos até agora — para afetar a resposta da vacina. “Às vezes, é o deslocamento de uma proteína”, diz.

Também, desde 1947, quando o zika foi identificado numa floresta homônima, não foram registrados outros sorotipos do vírus, o que também poderia aumentar a complexidade de se obter a vacina.

Agora, uma questão a ser analisada em estudos em humanos será se a vacina anti-zika poderá gerar uma infecção “amplificada” em populações previamente expostas a outros flavivírus, como é o caso da brasileira.

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Brasil tem mais de 4 mil suspeitas de alterações devido à zika e apenas 391 confirmações em 2017; entenda o motivo

Por Carolina Dantas, G1

 

Especialista observa exame de imagem de um bebê com microcefalia em hospital do Recife, em foto de 26 de janeiro de 2016 (Foto: Reprodução TV Globo)Especialista observa exame de imagem de um bebê com microcefalia em hospital do Recife, em foto de 26 de janeiro de 2016 (Foto: Reprodução TV Globo)

Especialista observa exame de imagem de um bebê com microcefalia em hospital do Recife, em foto de 26 de janeiro de 2016 (Foto: Reprodução TV Globo)

Desde de que os casos de zika e microcefalia explodiram no Brasil, a confirmação da relação entre a malformação e o vírus ocorreu em 20% das suspeitas enviadas ao governo. Neste ano, a taxa é de 9,3% — são 4.221 notificações e 391 confirmações. O que dificulta que seja confirmado o diagnóstico das alterações no crescimento e desenvolvimento causado pelo vírus da zika?

De acordo com o Ministério da Saúde, já é esperado que as investigações levem um certo tempo para serem concluídas. Deve-se considerar que diversos exames precisam ser feitos para a efetividade do diagnóstico, incluindo de imagem e laboratoriais.

 (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

Sequência ideal

Os médicos Antonio Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia, e Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses explicam que, para garantir uma confirmação de que as alterações no crescimento e desenvolvimento normal do bebê foram causadas definitivamente pela zika é necessário um conjunto de informações e, às vezes, um cenário ideal.

O primeiro passo para a detecção da influência do zika durante a gestação é o diagnóstico de que a mãe realmente foi infectada. Para isso, a mãe precisa desenvolver os sintomas e, então, fazer os exames necessários — sorológico e molecular (chamado de PCR).

“Se você tem a informação durante a gravidez, já no momento em que a mãe está com o vírus, é mais fácil. Mas, muitas vezes, a infecção é silenciosa e não tem sintomas”, diz Sáfadi.

Depois, caso a infecção seja detectada, é preciso acompanhar o crescimento do feto e seu desenvolvimento. O ultrassom pode ajudar a ver se há algum problema. Os médicos chamam a atenção para a importância do pré-natal.

“O médico obstetra acompanha as medidas do bebê, como o padrão para crescimento, o desenvolvimento do Sistema Nervoso Central, assim como alterações dentro do crânio. Esse acompanhamento é feito uma vez por mês. Em uma criança que vai até o final da gestação e não apresenta nada disso, é muito pouco provável que tenha sido afetada pelo zika”, explicou Bandeira.

As dificuldades

Como aponta Sáfadi, muitas vezes a mãe é assintomática — é infectada pelo zika, mas não sentiu uma febre que seja. A suspeita vai surgir, muitas vezes, quando o vírus nem está mais no organismo da gestante, mas só quando o bebê passa a apresentar as malformações.

Sem a possibilidade de fazer o teste em PCR e/ou sorologia e confirmar a infecção durante a gravidez, surgem diversas possibilidades: existem outras doenças que causam as mesmas alterações no feto, como a sífilis, a toxoplasmose e a infecção por citomegalovírus.

“A gente sabe que a microcefalia pode ter várias causas. As possibilidades são muito variadas. Outros casos têm a ver com malformações congênitas, hereditárias, e outras situações têm a ver com outras infecções como sífilis”, avalia Bandeira. O médico diz, no entanto, que o número dos casos de microcefalia aumentou muito após o início da zika, e que não se pode acreditar que o índice inferior de confirmações está inteiramente ligado a outras doenças.

“Uma coisa eu garanto: são 4 mil suspeitas neste ano, com certeza não é outra causa que está por trás disso. Um número bastante significativo é zika”, diz.

A importância do cordão umbilical

Se o bebê nasceu sem a realização das etapas anteriores (detecção do vírus na mãe e o pré-natal) — cenário comum em algumas partes do país –, os médicos chamam a atenção para a importância de detecção do vírus no momento do nascimento.

“É um momento oportuno para você colher o exame. Mesmo assim, a amostra pode não ser conclusiva. Nem sempre a coleta do cordão umbilical vai conseguir identificar o vírus”, explica Sáfadi.

Bandeira lembra que, mesmo que os exames sejam feitos na mãe e no bebê, na gestação e no cordão umbilical, muitos estados não têm acesso ao PCR, apenas à sorologia. Segundo ele, o molecular é mais preciso e seguro, enquanto a sorologia pode dar um “falso positivo” ou não acusar o vírus.

“A grande maioria dos casos não vai ter uma confirmação, mas terão o zika. Por questões também de infraestrutura, que o próprio Ministério deveria estar equipando”, questionou o infectologista.

“Você não precisa liberar o teste molecular em todas as maternidades do Brasil. Mas você pode ter um sistema de coleta, armazenamento do material e envio para um laboratório central público que faça o teste molecular em cada estado”.

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Jovem de 20 anos morre com suspeita de meningite, em Salgueiro

Por G1 Petrolina, Salgueiro

Uma jovem de 20 anos morreu na madrugada desta terça-feira (8), na UTI do Pronto Socorro São Francisco, em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco. Na quinta-feira (3), Cristiane Nascimento passou mal e deu entrada no Hospital Regional da cidade. A médica Patrícia Belford, que fez o atendimento, percebeu os sintomas de meningite. Após a realização de alguns exames, a jovem foi encaminhada para a UTI, onde passou oito dias internada.

“Recebemos a paciente com um histórico de febre de cinco dias, dor de garganta e crise convulsiva em repetição. Não sabíamos a causa e iniciamos a investigação. Os exames mostraram uma infecção e a paciente cumpria a clínica de uma meningite”, explicou a médica, lembrando que o agente causador da infecção ainda é desconhecido. Só o exame de LCR vai determinar a causa.

De acordo com o secretário de saúde de Salgueiro, Felipy Sampaio, ainda não é possível confirmar que a morte da jovem tenha sido causada pela meningite. “Não existe nenhum exame comprovatória. Exite a suspeita clínica. Estamos aguardando o exame laboratorial”, disse o secretário.

A Secretaria estadual de saúde disse, através de nota, que notificou o caso suspeito de meningite bacteriana no último dia 3 e que, durante o internamento, foram coletadas amostras para realização de exames e confirmação do diagnóstico. ” A SES, junto à secretaria municipal de saúde, está realizando a investigação epidemiológica do caso e irá adotar todas as medidas necessárias”.

Casada e mãe de uma menina de cinco anos, Cristiane foi sepultada na tarde da terça-feira.

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Fiocruz descobre que pernilongo pode transmitir zika

Os mosquitos do gênero Culex foram colhidos na Região Metropolitana do Recife, já infectados com o vírus Zika.

Da Agência Brasil
O genoma do vírus Zika, coletado no organismo de mosquitos do gênero Culex, foi sequenciado por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. Com o sequenciamento, foi descoberto que o vírus consegue alcançar a glândula salivar do animal, o que indicaria, segundo a instituição, que o pernilongo pode ser um dos transmissores do vírus Zika.

Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (9) na revista Emerging microbes & infections, do grupo Nature. O artigo é intitulado “Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil” e pode ser encontrado na íntegra na internet.

Os mosquitos do gênero Culex foram colhidos na Região Metropolitana do Recife, já infectados. A equipe do Departamento de Entomologia da instituição conseguiu, então, comprovar em laboratório que o vírus consegue se replicar dentro do mosquito e chegar até a glândula salivar. Foi fotografado por microscopia eletrônica, também pela primeira vez, a formação de partículas virais do Zika na glândula do inseto.

Também foi comprovada a presença de partículas do vírus na saliva expelida do Culex, coletadas pelos cientistas. De acordo com a Fiocruz, o artigo “demonstra” a possibilidade de transmissão do vírus Zika por meio do pernilongo na cidade. Será analisado agora “o conjunto de suas características fisiológicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus Zika”, como informou a instituição em seu comunicado.

Histórico da pesquisa

O genoma do zika já havia sido sequenciado em 2016 pelo Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow, mas na ocasião foi usada uma amostra humana. Esse sequenciamento é uma espécie de mapa de cada gene que forma o DNA do vírus. Agora, pela primeira vez no mundo, o mapeamento é feito a partir do mosquito.

Mais detalhes serão concedidos à imprensa nesta tarde, na sede da Fiocruz Pernambuco, no Recife.

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