Coronavírus: saiba quais são os sintomas e como os países afetados tentam se proteger

Por G1

O 2019-nCoV, novo vírus da família dos coronavírus, atingiu mais de 800 pessoas desde a primeira detecção, em 31 de dezembro. A doença tem sintomas similares a outras síndromes respiratórias e, em casos, pode desencadear pneumonia e insuficiência renal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25% dos casos notificados são considerados graves.

Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Ciclo do novo coronavírus – transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Até a quinta-feira (23), foram registrados casos na China e em outros oito países: Estados Unidos, Japão, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul, Vietnã, Singapura e Arábia Saudita.

Na China, havia registro da doença em ao menos 14 localidades: Liaoning, Tianjin, Shandong, Pequim, Hubei, Chongquing, Sichuan, Hunan, Yunnan, Macau, Guangdong, Jiangxi, Zheijang e Wuhan.

Há ainda casos suspeitos em Hong Kong, nas Filipinas e na Austrália.

Raio X do novo coronavírus — Foto: Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1

Raio X do novo coronavírus — Foto: Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1

A transmissão de pessoa para pessoa foi “provada”, admitiu o cientista chinês Zhong Nanshan à rede estatal CCTV em 20 de janeiro.

O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão.

“O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?” – Leonardo Weissmann, infectologista.

Weissmann lembrou o caso do sarampo. Apesar de ser um vírus diferente, os cientistas sabem que um paciente pode transmitir para até outras 20 pessoas, o que o torna um vírus bastante contagioso.

Sobre o 2019-nCoV, não há ainda uma estatística do tipo, nem taxa de letalidade prevista pelos cientistas.

Perfil

Homens idosos e com problemas de saúde são mais da metade dos mortos. A idade média das vítimas é de 75 anos, segundo o Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China.

Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo, Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas serem homens pode ser explicado por fator cultural. “Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China.”

Incubação prolongada

Ainda de acordo com o órgão chinês, a maioria das vítimas passou mais de uma semana internada até morrer. Pelo menos duas vítimas ficaram no hospital por um mês ou mais e somente dois morreram apenas quatro dias depois de serem diagnosticados.

O tempo de tratamento desde o surgimento dos sintomas até a morte é algo que chama a atenção para o infectologista. “Um mês de tratamento é muito tempo para uma doença respiratória viral. O tempo de incubação do vírus da gripe, por exemplo, é de 24 a 48 horas.”

Porém, o tempo de incubação prolongada “não quer dizer que o coronavírus é um vírus mais fraco que os que têm tempo de incubação menor”, explica Granato.

Como se proteger

Por enquanto, o Brasil não tem casos confirmados. O Ministério da Saúde descartou cinco casos sob suspeita em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os países com registros oficiais da doença têm recomendado algumas medidas:

  • Uso de máscara descartável, com troca a cada duas horas
  • Lavar as mãos
  • Em caso de suspeita, ficar em casa e evitar locais de grande circulação
  • Cobrir a boca e o nariz ao espirrar com um lenço, depois descartá-lo no lixo e lavar as mãos
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies frequentemente

Tratamento

Por enquanto, não há um tratamento específico para o coronavírus, nem uma vacina para a prevenção. A maioria das pessoas – 4% dos infectados morreram até então no surto – irá se recuperar por conta própria. Os sintomas podem ser aliviados com algumas medidas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês):

  • Uso de análgésicos para dor e febre
  • Uso de umidificador de ambiente e banho quente para aliviar a dor de garganta e tosse
  • Ingestão de bastante líquido

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Sobe para 25 o número de mortos por coronavírus com mais de 800 casos na China

Por G1

O número de mortes devido ao coronavírus na China aumentou para 25, com 835 casos confirmados e 1.072 suspeitas, segundo informações da agência estatal CGTN divulgadas na noite desta quinta-feira (23). O Ministro da Saúde do Japão confirmou o segundo caso no país – um homem de 40 anos de Wuhan, cidade mais afetada, que visitava Tóquio. A agência de notícias da Coreia do Sul “Yonhap” também noticiou mais uma infecção.

CGTN@CGTNOfficial

#CoronavirusOutbreak in China:
–  835 confirmed cases, including 5 in HK, Macao and Taiwan
–  25 deaths
–  1,072 suspected cases

more: https://bit.ly/2NTWlDL  #Coronavirus

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2669:24 PM – Jan 23, 2020Twitter Ads info and privacy400 people are talking about this

Mais cedo, na manhã desta quinta-feira, a China havia atualizado o número de vítimas para 18, com mais de 600 casos.

O país isolou cerca de 20 milhões de pessoas na região de Wuhan, onde surgiu um novo vírus que já deixou 25 mortos e que começou a se espalhar pelo mundo, gerando mobilização das autoridades sanitárias internacionais.

Desde a manhã de quinta, nenhum trem ou avião deixou Wuhan, metrópole de 11 milhões de habitantes situada no centro da China. Os pedágios nas saídas da cidade estão fechados.

Raio X do novo coronavírus — Foto: Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1

Raio X do novo coronavírus — Foto: Amanda Paes e Cido Gonçalves/Arte G1

Em Huanggang a circulação de trens de longa distância que partem ou chegam à cidade foi interrompida. A medida vale até o final desta quinta e poderá ser estendida pelas autoridades locais. Do outro lado do rio Yangtzé está a cidade de Ezhou, que também amanheceu com a estação central de trens fechada.

Segundo o “New York Times”, a medida afeta ainda duas cidades menores, Chibi e Zhijiang. Antes, o governo chinês já havia adotado medidas para isolar Wuhan, onde começou o surto da doença.

O governo da capital chinesa decidiu cancelar as festas populares que estavam previstas para a celebração do Ano Novo chinês que começariam na sexta-feira (25) como medida de proteção diante do alto número de casos. Todos os anos, milhares de habitantes de Pequim se espalham por parques e espaços públicos para assistir aos tradicionais bailes do leão e do dragão.

Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta da doença em 31 de dezembro de 2019, depois que as autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Foram, então, adotadas medidas como isolamento de pacientes e realização de exames para identificar a origem da doença.

Ministério descarta casos brasileiros

Ministério da Saúde afirmou que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no Brasil. De acordo com a pasta, o nível de alerta é 1 (inicial), em uma escala que vai de 1 a 3. O nível mais elevado é ativado quando são confirmados casos transmitidos em solo nacional. Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde, afirmou que cinco casos suspeitos da doença no Brasil foram descartados.

“O vírus sofreu uma pequena mutação e não se sabe ainda a forma de transmissão, se ele se assemelha à transmissão do Sars e do Mers, [outras variações de coronavírus, que são transmitidos por gotículas] e portanto mais limitada, ou se pode adquirir habilidade maior de transmissão, como o vírus da influenza, por aerossol”, afirma Julio Henrique Rosa Croda, secretário substituto de Vigilância em Saúde.

Os registros estavam sendo investigados em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Croda frisou que os casos suspeitos do Brasil foram descartados seguindo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo ele, os parâmetros são: registro de febre e sintomas gripais; e critérios epidemiológicos, como se a pessoa suspeita de infecção viajou para Wuhan – cidade considerada o epicentro da doença, na China –, e se teve contato com infectados.

Na China, segundo Croda, a transmissão ocorreu entre familiares e profissionais de saúde, comportamento semelhante a outros vírus da família coronavírus.

Não foram feitos registros de casos transmitidos sem o contato com infectados, o que descarta o risco de uma pandemia.

Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

Ciclo do novo coronavírus – transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

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Justiça Federal autoriza plantio de maconha medicinal em casa para mãe tratar filho com doença no cérebro

Por G1 PE

Plantio de maconha medicinal em casa foi autorizado pela Justiça federal em Pernambuco para tratamento de uma criança de 9 anos — Foto: G1 Rio

Plantio de maconha medicinal em casa foi autorizado pela Justiça federal em Pernambuco para tratamento de uma criança de 9 anos — Foto: G1 Rio

Mais uma mãe conseguiu na Justiça Federal em Pernambuco o direito de cultivar maconha medicinal, em casa, para extrair o óleo da planta e permitir o tratamento de uma criança. A decisão, de caráter liminar (provisório) beneficia um garoto de 9 anos que tem hemimegalencefalia (aumento do volume do hemisfério cerebral) e apresenta um histórico de crises convulsivas graves desde os dez meses.

Esta é a segunda liminar proferida pela Justiça Federal em Pernambuco, que garante o plantio da cannabis para fins medicinais. A primeira foi emitida pela 4ª Vara Federal, em dezembro de 2019, e beneficiou uma criança de 4 anos que tem crises convulsivas.

De acordo com a sentença, proferida na terça-feira (21 pela juíza da 36ª Vara Federal, Carolina Malta, a família da criança poderá plantar a cannabis medicinal sem sofrer punições previstas em lei. O benefício foi conquistado depois de uma ação impetrada pela Defensoria Pública da União (DPU).

Ainda de acordo com a Justiça Federal, “após inúmeras tentativas frustradas com remédios convencionais, apenas o tratamento com óleo da cannabis resultou melhora significativa no seu estado de saúde”.

A decisão, informou a Justiça Federal, foi emitida “sob o fundamento do estado de necessidade, tendo em vista que a paciente havia adotado todas as providências legais que estavam em seu alcance, inclusive ajuizamento de ação cível e requerimento de autorização na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], não conseguindo êxito”.

Segundo o texto publicado no site da Justiça Federal em Pernambuco, a magistrada justificou a decisão, informando que “há constitucionalidade das normas e tipicidade da conduta”.

Ela destacou que “há injustificável omissão do Estado brasileiro no que toca à adequada regulamentação do parágrafo único do art. 2° da Lei nº 11.343/06, recusando-se a regulamentar o cultivo, inviabilizando o acesso aos medicamentos pela quase totalidade da população, sem fornecer, alternativamente, o acesso de forma gratuita pelo SUS”.

Diante dos argumentos, a juíza federal declarou que que concedeu o direito ao plantio da maconha medicinal e que “as autoridades coatoras se abstenham de adotar qualquer medida voltada a cercear a sua liberdade de locomoção, na ocasião da importação de sementes ou no recebimento de sementes/mudas junto a associações com autorização regulamentar ou judicial para tal fornecimento”.

Além disso, ela estabeleceu que a mãe poderá fazer o cultivo da “dentro da sua residência, adstrito o salvo-conduto à quantidade suficiente para a produção do seu próprio óleo, com fins exclusivamente medicinais”.

Foi autorizado também o direito ao “porte, transporte/remessa de plantas e flores para teste de quantificação e análise de canabinóides a órgãos e entidades de pesquisa, ainda que em outra unidade da Federação, para fins de parametrização laboratorial, com a verificação da quantidade dos canabinóides presentes nas plantas cultivadas, qualidade e níveis seguros de utilização dos seus extratos”.

Defensoria

De acordo com a justificativa da DPU, a criança que vai usar o óleo de maconha medicinal começou a ter crises convulsivas aos 10 meses de vida. Elas eram, segundo a defensoria, contínuas de difícil controle, que “acabaram causando atraso no seu desenvolvimento psicomotor”

Ainda segundo a justificativa da DPU, a mãe do garoto precisou parar de trabalhar para cuidar dele. Apesar dos cuidados com medicações e terapias, o quadro de saúde da criança não apresentou melhoras. Em 2015, a família tomou conhecimento de casos de crianças que vinham sendo tratadas com o óleo da cannabis e passou a acompanhar esse tipo de tratamento.

A DPU disse, ainda, que, por causa do “valor elevado do medicamento”, a mãe entrou na Justiça para que o Estado fornecesse a medicação prescrita. O pedido de liminar, no entanto, foi negado, na época, e , por isso, a “ação continua pendente de julgamento”.

A defensoria Pública da União destacou também que a mãe também pediu à Anvisa uma autorização de importação do medicamento prescrito, “mas ainda não houve resposta”. Em 2019, a família conseguiu prescrição médica para uso do medicamento, após o médico ver a melhora de saúde do menor com o óleo da cannabis.

Segundo a defensora pública federal Tarcila Maia Lopes, que atua no caso com os defensores de direitos humanos de Pernambuco (DRDH/PE) André Carneiro Leão e Francisco de Assis Nascimento Nóbrega, essa é a segunda liminar conquistada em três casos já ajuizados.

Ela informou ter sido procurada por dez famílias com essa mesma necessidade. O resultado do terceiro pedido está sendo aguardado. Os demais casos são avaliados pela defensoria, de acordo com a defensora pública federal.

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Vírus letal se espalha pelo contato humano, diz China

Luiz Nogueira, editado por Matheus Luque

Olhar Digital

Centenas estão infectados, incluindo pessoas da área da saúde que trataram de pacientes com o vírus

Autoridades chinesas confirmam que o vírus misterioso, surgido no país recentemente, é contagioso, e pode ser transmitido entre pessoas. A preocupação aumenta na mesma proporção do número de casos confirmados até o momento – eles chegam a 198 apenas na cidade de Wuhan.

Zhong Nanshan, especialista em doenças respiratórias, que lidera a investigação do governo chinês sobre o vírus, confirmou à mídia estatal que as pessoas expostas aos pacientes infectados começaram a ficar doentes.

Isso representa uma verdadeira ameaça, já que uma doença, que pode se espalhar através do contato humano, é muito mais difícil de conter e parar, como evidenciado pelo crescente número de casos.

Reprodução

Médicos inspecionam aviões que deixam a China – Foto: Futurism

“O recente surto de nova pneumonia por coronavírus em Wuhan e em outros lugares, deve ser levado a sério”, disse o presidente Xi Jinping em declaração transmitida na TV estatal. “Comitês do partido, governos e departamentos relevantes em todos os níveis devem colocar a vida e a saúde das pessoas em primeiro lugar”.

Até recentemente, todos os casos registrados da doença – chamada de 2019-nCoV – podiam ser rastreados até um mercado de frutos do mar em Wuhan, China. Na época, não havia relatos de transmissão entre seres humanos, por esse motivo, alguns especialistas esperavam que o vírus fosse facilmente contido.

Até agora, seis pessoas morreram na cidade como resultado. Entretanto, o vírus não está restrito apenas à China. Há casos registrados na Coreia do SulTailândia e Taiwan. Nesta terça-feira (21), os Estados Unidos também registraram o primeiro caso da doença.

Dentre os infectados estão familiares de pacientes ou profissionais de saúde que tratavam quem tinha o vírus. 

“A fonte do novo tipo de coronavírus não foi encontrada, não entendemos completamente como o vírus é transmitido. As mutações que podem ocorrer ainda precisam ser monitoradas de perto”, descreve uma declaração da Comissão Nacional de Saúde da China.

Via: Futurism

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Coronavírus na China: perguntas e respostas sobre doença pulmonar


Por BBC

Um vírus desconhecido pela ciência até há pouco vem causando uma doença pulmonar grave em centenas de pessoas na China, e já foi detectado em outros cinco países.

Ao menos 17 pessoas morreram em decorrência do vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan.

Há centenas de casos confirmados da doença, e o número deve subir, segundo especialistas, para quem o surgimento de vírus que levam pacientes a terem pneumonia é sempre motivo de preocupação.

A Organização Mundial da Saúde cogita declarar nesta quarta-feira uma situação de emergência de saúde pública de caráter internacional em torno do vírus, assim como fez com a gripe suína e o ebola.

Mas esse é mais um caso de doença “que vem e passa” ou é o primeiro sinal de algo muito mais perigoso?

O que é esse vírus?

Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.

Amostras do vírus foram coletadas de pacientes e analisadas em laboratório, e autoridades da China e da Organização Mundial da Saúde concluíram que a infecção é um coronavírus.

Os coronavírus são uma ampla família de vírus, mas sabe-se que apenas seis deles (com o novo descoberto são sete) infectam humanos.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (conhecida pela sigla em inglês Sars), que é causada por um coronavírus, matou 774 das 8.098 infectadas em uma epidemia que começou na China em 2002.

“Há uma memória forte da Sars, e é daí que vem muito medo, mas nós estamos muito mais preparados para lidar com esses tipos de doenças”, afirmou Josie Golding, da Wellcome Trust, organização não governamental sediada no Reino Unido.

Quais os sintomas?

O vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.

Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal.

A situação é grave?

Coronavírus podem causar desde um resfriado comum até a morte do paciente infectado.

O novo vírus aparentemente está em algum lugar no meio do caminho entre esses dois extremos.

“Quando encontramos um novo coronavírus, buscamos saber quão severos eram os sintomas, e eles são mais parecidos aos de um resfriado, o que gera preocupação, mas não são tão graves quanto os da Sars”, afirmou o professor Mark Woolhouse, da Universidade de Edimburgo.

De onde ele surgiu?

Novos vírus são descobertos a todo momento.

Grande parte pula de outras espécies, onde passam despercebidos, para os humanos.

“Se tivermos em mente as epidemias passadas, e se este é um novo coronavírus, ele terá vindo de um outro animal”, afirmou Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.

A Sars passou para os humanos a partir de um animal selvagem conhecido como civeta (ou gato-de-algália, parente do guaxinim) — que era considerado uma iguaria na região de Guangdong, na China.

Já a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que matou 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012, geralmente pula de dromedários.

E de que animal ele vem?

Uma vez que é identificado o animal reservatório, como é chamado o ser vivo onde um agente infeccioso vive e se multiplica, é muito mais fácil lidar com isso.

Os casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan.

Ainda que alguns mamíferos aquáticos possam portar o coronavírus, como a baleia-beluga, também são comercializados no mercado outras classes de animais selvagens vivos, o que inclui galinhas, morcegos, coelhos e cobras — e são apontados como fontes mais prováveis.

E por que a China?

Woolhouse, da Universidade de Edimburgo, afirmou que a China tem mais casos desse tipo por causa do tamanho de seu território, de sua densidade populacional e do contato próximo que algumas pessoas têm com animais infectados.

“Ninguém fica surpreso que o próximo surto seja na China ou naquela parte do mundo”, disse.

Essa doença se alastra facilmente?

Autoridades chinesas afirmam que há casos de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, envolvendo inclusive profissionais de saúde que foram infectados durante o tratamento de pacientes com a mesma doença.

Autoridades de Wuhan afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais.

Há uma grande preocupação em torno de novos vírus que infectam pulmões, já que tosses e espirros são meios altamente eficazes de alastramento de uma doença.

Ainda é muito cedo, no entanto, para estimar quantas pessoas podem ficar doentes.

De acordo com Li Bin, vice-chefe da Comissão Nacional de Saúde, estima-se que quase 2,2 mil pessoas tenham tido contato com pacientes infectados.

E não foi identificado nenhum “super espalhador”, ou seja, um paciente que tenha transmitido o vírus para mais de dez pessoas.

E a doença está se espalhando rapidamente?

Estimava-se que o surto fosse limitado, mas novos casos têm sido registrados desde dezembro.

Ainda que as notificações estejam concentradas em Wuhan, há casos registrados na Tailândia, no Japão, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa.

Especialistas afirmam que deve haver mais casos que ainda não foram identificados — estima-se que a cifra esteja em torno de 1,7 mil pessoas infectadas.

Um relatório do Centro do Imperial College de Londres para Análise de Doenças Infecciosas Globais diz: “É provável que o surto em Wuhan de um novo coronavírus tenha causado substancialmente mais casos de infecções respiratórias moderadas e graves do que foi divulgado”.

Há uma grande preocupação em torno do Ano Novo chinês, no fim de janeiro, período em que centenas de milhões de pessoas viajam.

Cingapura e Hong Kong tem escaneado passageiros que chegam de avião de Wuhan, medida que autoridades dos Estados Unidos passaram a adotar desde a última sexta-feira em três grandes aeroportos em San Francisco, Los Angeles e Nova York.

No Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informa que não há nenhum caso suspeito, mas a pasta diz que enviou comunicado às representações da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior e para a “revisão dos principais aeroportos de conexão provenientes da China para identificação e mensuração dos riscos”.

Como as autoridades chinesas têm respondido ao surto?

Pessoas infectadas têm sido submetidas a tratamentos com isolamento a fim de minimizar o risco de alastramento da doença.

Em Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas.

O mercado de frutos do mar local foi fechado para limpeza e desinfecção, e há operações de esterilização e ventilação de transportes públicos.

Autoridades chinesas também têm recomendado à população que pare de viajar em direção a Wuhan (ou saindo dela) e evite aglomerações na cidade, onde vivem 11 milhões de pessoas — a título de comparação, o município mais populoso do Brasil, São Paulo, tem 12,3 milhões de habitantes.

A orientação em locais de risco é evitar o contato “desprotegido” com animais ou com pessoas com sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado. Além disso, recomenda-se que carnes e ovos só sejam ingeridos depois de devidamente cozidos.

Quão preocupados estão os especialistas?

Por enquanto, a Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem.

Uma eventual declaração de situação de emergência de saúde pública global pela OMS pode tanto facilitar a coordenação internacional e a arrecadação de verbas para o combate à disseminação de uma doença, por exemplo, quanto dar início a uma série de recomendações que devem ser seguidas pelos países afetados e seus vizinhos.

Golding, da Wellcome Trust, afirmou que, por ora, “até termos mais informações, como a fonte, é muito difícil saber quão preocupados nós devemos ficar”.

Para Ball, da Universidade de Nottingham, “nós devemos nos preocupar com qualquer vírus que chegue aos humanos pela primeira vez, porque ele superou uma primeira grande barreira”.

“Uma vez dentro de uma célula humana e se replicando, pode começar a gerar mutações que podem permitir que ele se espalhe mais facilmente e se torne mais perigoso.” E completa: “Nós não queremos dar ao vírus essa oportunidade”.

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Governo encontra zika e herpes em macacos achados mortos em Aldeia e descarta febre amarela

Por Marina Meireles, G1 PE

A hipótese de que os macacos encontrados mortos em Aldeia, no Grande Recife, estavam infectados pelo vírus da febre amarela foi descartada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Dos 17 animais encontrados mortos entre dezembro e janeiro, seis tiveram material genético analisado e, em cinco deles, foi encontrado o vírus da zika, o que, até então, não havia acontecido no estado

A informação foi divulgada, nesta quarta-feira (22), pelo secretário estadual de saúde, André Longo, e pela secretária-executiva de Vigilância em Saúde, Luciana Albuquerque. Além da zika, também foi encontrado o vírus do herpes em três dos seis macacos que tiveram material analisado. Em dois dos seis animais, houve detecção dos dois tipos de vírus.

Apesar de os macacos estarem infectados, o secretário de Saúde informou que não é possível cravar que a morte foi motivada por um ou pelos dois vírus. A hipótese de envenenamento também não foi descartada pela SES.

“O que é importante destacar aqui é que o que mais nos preocupava, a febre amarela, foi descartada, mas ainda estamos aguardando análises para entender o que motivou a morte dos animais”, afirmou Longo.

Apesar de haver estudos que comprovam que o vírus da zika pode deixar os macacos mais frágeis, o fechamento do ciclo silvestre, ou seja, a presença do vírus nos mosquitos da região, não foi comprovada pela SES.

“Estamos analisando para entender se havia no organismo dos macacos uma quantidade de vírus suficiente para matar os animais e também se os mosquitos estavam carregando o vírus. O que é importante frisar aqui é que a zika continua circulando no nosso estado e que precisamos manter a rotina de cuidados”, disse Luciana.

O material genético dos macacos também passa por análise para detectar raiva, mas o resultado ainda não foi divulgado. “Esperamos ter o resultado até o fim do mês”, declarou o secretário.

Com o descarte de febre amarela, a secretaria informou que não serão mais feitas ações de vacinação dentro de condomínios em Camaragibe, mas a imunização segue ocorrendo nos postos de saúde. A vacinação contra a doença, no entanto, segue inclusa no calendário de Pernambuco e tem início em março em todo o estado.

Neste mês de janeiro, mais de 28,3 mil pessoas foram vacinadas contra febre amarela no estado. Somente em Camaragibe, nos dois condomínios em que os macacos foram encontrados mortos, 2,3 mil pessoas foram imunizadas.

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Arboviroses: 67,5% das cidades de Pernambuco têm risco ou alerta para surto de infestação por Aedes aegypti

Por G1 PE

Em Pernambuco, 125 cidades estão em situação de alerta ou em risco de surto de infestação pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da denguezika chicungunha. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (20), no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES). O número equivale a 67,5% do total de 184 municípios pernambucanos, mais o distrito de Fernando de Noronha.

O boletim divulgado diz respeito à segunda semana epidemiológica de 2020, que vai de 5 de janeiro ao dia 11 do mesmo mês. O estado é uma das nove unidades da Federação, que, segundo o Ministério da Saúde, poderão ter um surto de dengue em 2020.

De acordo com o Índice de Infestação Predial do 6º ciclo do Liraa (Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti), 34 cidades estão em situação de risco de surto, enquanto 91 municípios estão em situação de alerta e outros 59, em situação satisfatória.

Mortes notificadas

A SES divulgou, ainda, que em 2020, houve duas notificações de mortes por arbovirose. Uma delas foi a de um idoso de 69 anos, que morreu no dia 6 de janeiro, no Recife.

A outra vítima também foi um idoso, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana. Ele tinha 70 anos e morreu no dia 8. Houve 50% de aumento com relação ao mesmo período de 2019, quando houve um caso.

Ambos os casos, segundo a secretaria, estão em investigação. A pasta afirmou, ainda, que, mesmo em caso de exame laboratorial positivo para as doenças, não necessariamente a arbovirose foi a causa da morte.

Além das mortes, foram notificados 173 casos de dengue no mesmo período, sendo que 14 foram confirmados e 19 descartados, em 41 municípios. Houve redução de 69,5% em comparação com o período de 2019, quando houve 568 casos suspeitos.

Em relação aos casos de chicungunha, houve 33 notificações, uma confirmação e nove descartes, em 16 cidades. No mesmo período de 2019, foram 119 notificações, o que representa redução de 72,2%.

Também foi notificado, entre 5 de janeiro e o dia 11, um caso de zika. A redução é de 98,5% com relação ao mesmo período de 2019, quando foram notificados 67 casos.

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Coronavírus na China: após casos triplicarem, o que se sabe sobre a misteriosa doença


Por BBC, G1

Um misterioso vírus que causa problemas respiratórios tem colocado a China e o mundo em estado de alerta: o coronavírus já se espalhou de seu ponto inicial, a cidade de Wuhan (centro-leste chinês), para outras grandes metrópoles como Pequim e teve mais de 200 casos oficialmente registrados, com três mortes confirmadas.

Além disso, a China confirmou que o vírus — que causa um tipo de pneumonia — é transmitido de pessoa para pessoa.

Uma grande preocupação é com o Ano-Novo Lunar chinês, cuja celebração começa nesta semana e que leva centenas de milhões de chineses a viajarem pelo país para as festividades.

Há registros de casos do coronavírus no Japão, na Tailândia e na Coreia do Sul. E o fato de o vírus ter se espalhado para além da China faz cientistas britânicos acreditarem que o número de infectados seja maior do que o divulgado oficialmente e se aproxime de 1,7 mil casos.

No Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informa que não há nenhum caso suspeito, mas a pasta diz que enviou comunicado às representações da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior e para a “revisão dos principais aeroportos de conexão provenientes da China para identificação e mensuração dos riscos”.

O que é o coronavírus?

Membros de uma equipe médica transportam um paciente para o hospital Jinyintan, onde pacientes infectados por um vírus misterioso estão sendo tratados, em Wuhan, na província central de Hubei, na China, neste sábado (18) — Foto: AFP

Membros de uma equipe médica transportam um paciente para o hospital Jinyintan, onde pacientes infectados por um vírus misterioso estão sendo tratados, em Wuhan, na província central de Hubei, na China, neste sábado (18) — Foto: AFP

Chamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.

Parece ser uma nova cepa de um coronavírus que não havia sido previamente identificado em humanos — coronavírus são uma ampla família de vírus, mas poucos deles são capaz de infectar pessoas.

Até agora, os cientistas acreditam que a fonte primária do vírus seja animal, provavelmente de um mercado de alimentos em Wuhan, mas ainda não foi identificado o caminho inicial de transmissão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorreram também “limitadas transmissões de humano para humano”. Isso também foi confirmado pela agência de notícias Xinhua, que citou dois casos. É uma novidade: anteriormente, as autoridades chinesas sustentavam que a transmissão vinha se dando pelo contato com animais infectados em um mercado de alimentos em Wuhan.

Por isso, a orientação em locais de risco é evitar o contato “desprotegido” com animais ou com pessoas com sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado. Além disso, recomenda-se que carnes e ovos só sejam ingeridos depois de devidamente cozidos.

O estado de alerta atual traz à tona memórias do vírus Sars (também um coronavírus), que matou 774 pessoas em 2002 em dezenas de países, a maioria deles na Ásia. E análises genéticas do novo vírus mostram que ele tem mais parentesco com o Sars do que qualquer outro coronavírus humano.

Por enquanto, a OMS não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem.

Aeroportos em Cingapura, Tóquio e Hong Kong estão examinando passageiros aéreos vindos de Wuhan, e autoridades americanas anunciaram medidas semelhantes em três grandes aeroportos do país: San Francisco, Los Angeles e Nova York.

As infecções

Autoridades de Wuhan, cidade central chinesa com 11 milhões de habitantes — e que é o epicentro da epidemia —, afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais.

Até a noite de domingo, 170 pessoas estavam internadas em hospitais de Wuhan, nove delas em estado crítico.

Em Pequim, são ao menos cinco casos confirmados. Um paciente foi diagnosticado com a doença em Xangai (uma mulher vinda de Wuhan).

No exterior, há quatro registros de casos: dois na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa.

Nesta segunda-feira, o presidente chinês, Xi Jinping, fez seu primeiro pronunciamento público sobre o surto, dizendo que o vírus deve ser “decididamente contido”.

Nesta semana, a maioria dos chineses iniciará os festejos (de uma semana) pelo Ano-Novo Lunar, quando viajarão pelo país para visitar familiares. Isso desperta o temor de mais contaminação e de que as autoridades chinesas tenham dificuldade em monitorar o avanço da doença.

Em Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas.

‘Inquietante’

Especialistas britânicos que estão monitorando a doença afirmam que há sinais para “inquietação”, embora a capacidade de resposta a epidemias do tipo tenha crescido.

“Até o momento, é difícil saber o quão preocupados devemos estar. Até termos a confirmação da fonte (primária da doença), ficaremos com essa inquietação”, disse à BBC Josie Golding, da fundação de pesquisas médicas Wellcome Trust. Ela agrega, porém, que “estamos (comunidade médica) muito mais preparados para lidar com esse tipo de doença” do que no início dos anos 2000, quando houve a epidemia de Sars.

Jonathan Ball, epidemiologista da Universidade de Nottingham (Reino Unido), afirma que “devemos nos preocupar com qualquer vírus que exploram os humanos pela primeira vez, porque (isso significa que) eles superaram uma grande barreira inicial”.

“Quando o vírus está dentro de uma célula (humana) se replicando, ele pode gerar mutações que permitam que se espalhe de modo mais eficiente e se torne mais perigoso”, afirmou Ball.

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Entenda as diferenças entre o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol, encontrados em cervejas de Belo Horizonte

Por G1

As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais na fábrica da cervejaria Backer, de Belo Horizonte, identificaram contaminação de cervejas com duas substâncias químicas, o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol.

Suspeita-se que o consumo dessas cervejas esteja relacionado a casos da chamada “síndrome nefroneural”, que atingiu diversas pessoas que consumiram a bebida. Os sintomas incluem náusea, vômito e dor abdominal, que evoluem para insuficiência renal e alterações neurológicas.

A Polícia Civil confirmou, nesta quinta-feira (16), quatro mortes por suspeita de síndrome nefroneural em Belo Horizonte. E o Ministério da Agricultura identificou dietilenoglicol e monoetilenoglicol em oito rótulos produzidos pela cervejaria Backer.

Embora ambas sejam tóxicas para os seres humanos, o dietilenoglicol é ainda mais nocivo para a saúde humana. Abaixo, entenda as diferenças.

O que são o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol?

São substâncias parecidas, resultantes de um mesmo processo químico e bastante usados na indústria como anticongelantes. Sua temperatura de ebulição é acima de 190ºC e a de fusão, abaixo de -10ºC.

Eles são usados como arrefecedores de radiadores de carros e também em fluidos hidráulicos e solventes de tintas.

São substâncias de cor clara, viscosa, não têm cheiro e têm um gosto adocicado. Ambos são tóxicos e presentes em vários produtos químicos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o dietilenoglicol é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar a morte quando ingerido.

De acordo com o professor do departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cláudio Luis Donnici, o dietilenoglicol pode ser um subproduto do monoetilenoglicol.

“O mesmo processo de produção pode ser usado para obtenção de ambos. Variando-se as condições reacionais, pode-se obter um ou outro, conforme a preferência. Assim, um deles pode ser vendido, e o outro derivado é considerado um subproduto”, explica.

Quais são as diferenças?

A principal diferença é o nível de toxicidade. O dietilenoglicol é mais tóxico para os seres humanos. Ou seja, se uma pessoa consome a mesma quantidade das duas substâncias, o dietilenoglicol causará mais problemas do que o monoetilenoglicol.

Ambos são metabolizados no fígado.

Segundo Donnici, uma pessoa de 80 kg teria que ingerir 8 gramas de dietilenoglicol para morrer, em média. “A quantidade é muito alta”, avalia. “Há um caso de 1985 em Viena, na Áustria, de produção de vinho contaminada com altas doses de dietilenoglicol e que levou a retirar milhões de garrafa de vinho do comércio”, recorda.

Já os custos de um e de outro também podem variar, mas tendem a ser parecidos. O valor vai depender do nível de pureza do produto. Em geral, o dietilenoglicol tende a ser um pouco mais barato.

Como eles são usados pela indústria de cerveja?

Na fabricação de cervejas, as substâncias podem ser usadas no processo de resfriamento da bebida. Elas podem ser misturadas na água e colocadas dentro das “serpentinas”, que são os tubos gelados ao redor dos tanques de cerveja.

A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. A mistura dentro dos tubos, a rigor, não tem contato direto com a cerveja.

Segundo Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso dessas substâncias não é comum em cervejarias. “Os produtos têm uma toxicidade diferente, mas ambos são tóxicos. Penso que os dois têm que ser banidos [da indústria cervejeira]”, comenta.

Lapolli acrescenta que a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos.

“Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria. Por isso, colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante”, conta.

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Curativo feito com impressão 3D em Ribeirão Preto usa células-tronco contra feridas crônicas

Por Rodolfo Tiengo, G1 Ribeirão Preto e Franca

Impressora 3D produz biocurativos em startup de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Leonardo Vilela/EPTV

Impressora 3D produz biocurativos em startup de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Leonardo Vilela/EPTV

Uma tecnologia desenvolvida por uma startup de Ribeirão Preto (SP) em parceria com unidades de referência na saúde como o Hemocentro, na USP, tem o potencial de combater queimaduras graves e feridas crônicas em pacientes com doenças como diabetes, por meio de um biocurativo produzido com impressora 3D a partir de células-tronco.

“A gente quer tratar aqueles que já usaram todos os medicamentos disponíveis e mesmo assim a ferida não fecha. No Brasil há 5 milhões de pacientes assim. É muita gente que trata e, com tudo que tem disponível no mercado, a ferida continua sem cicatrizar”, explica a bióloga Carolina Caliari, fundadora da In Situ Terapia Celular e ex-aluna do médico Júlio César Voltarelli [1948 – 2012], um dos pioneiros em pesquisa com células-tronco no país.

Fruto de 14 anos de pesquisas, validação e estudos de viabilidade comercial, a solução ainda depende de testes clínicos e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e pode chegar aos primeiros pacientes por meio de parcerias com hospitais particulares a partir dos próximos dois anos, estima a cientista e CEO da empresa.

Segundo ela, o objetivo é que, em um futuro breve, o biocurativo beneficie pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“É o nosso grande objetivo que todas as pessoas do Brasil tenham acesso ao biocurativo. Nesse primeiro momento provavelmente a gente vai trabalhar em hospitais particulares, mas a ideia é comprovar que o SUS pode economizar utilizando o biocurativo”, diz.

Pesquisa com células-tronco

Carolina se aprofundou por dez anos no tema, período em que fez mestrado e doutorado em imunologia na USP de Ribeirão Preto sob orientação de Voltarelli. Ao encerrar o ciclo acadêmico, sentiu a necessidade de colocar em prática o conhecimento das pesquisas.

Em 2016, ela fundou uma startup e conseguiu investimentos públicos e privados para levar sua ideia adiante.

“Foi uma ideia que demorou dez anos para sair de dentro da universidade. Outro ponto é que a startup é uma forma que a gente tem de tentar fazer com que esse produto chegue ao mercado. Se você desenvolve um produto como esse na universidade, você publica artigo, porque isso é importante, melhora os indicadores da universidade, mas fazer com que ele chegue a quem precisa já é outra etapa que a universidade não faz. Através da startup a gente consegue encurtar um pouco esse caminho”, diz.

Hemocentro no campus da USP em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Hemocentro no campus da USP em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Biocurativos

Diferente de soluções já existentes no mercado, com células do próprio paciente, os biocurativos desenvolvidos por Carolina e mais cinco pesquisadores no interior de São Paulo são à base de células-tronco extraídas de cordões umbilicais de diferentes recém-nascidos, material armazenado para fins de pesquisa pelo Hemocentro e fornecido para a startup instalada no Supera Parque, principal polo de inovação de Ribeirão Preto.

“O Hemocentro tem todo um critério para armazenar essas células, tanto para obter quanto para armazenar, porque, como é um produto biológico, a gente tem que fazer vários testes para mostrar que não tem risco de contaminação da pessoa que vai receber, assim como o sangue. O mesmo critério que o Hemocentro tem com o sangue ele tem para essas células do cordão umbilical”, afirma.

Mantidas vivas sob baixas temperaturas, na técnica conhecida como criopreservação, as células são descongeladas e cultivadas em laboratório, antes de serem misturadas com um gel desenvolvido pela empresa e transformadas em uma biotinta.

Com os cartuchos abastecidos, uma impressora 3D produz os biocurativos. O processo de impressão é concluído em questão de minutos e não acaba com o efeito terapêutico das células, segundo Carolina.

“O formato do curativo é bem simples, porque a ideia é fazer com que ele fique aderido à pele, mas teoricamente a gente poderia imprimir em outro formato”, acrescenta.

De acordo com ela, os testes em laboratório com animais já demonstraram a eficácia do produto, que em contato com o corpo estimula a regeneração das células da pele e ajuda na cicatrização.

“No caso da pele a gente imaginaria que ela [célula-tronco] vai virar uma célula da pele e regenerar a pele. A gente não acredita muito nisso. A gente acredita que a célula vai liberar fatores importantes para o crescimento das células da pele. Ela melhora o ambiente da ferida e faz com que as células da própria pele se proliferem”, explica.

O material é aplicado uma única vez, sem necessidade de reposição como em outros métodos, segundo Carolina.

“O processo de obtenção da célula já é caro e depois o paciente tem que ficar trocando porque é rejeitada [pelo organismo]. No nosso caso não. É única aplicação, porque essa célula do cordão umbilical não é rejeitada, ela pode ser usada de uma pessoa em outra”, diz.

Além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, o curativo pode evitar infecções, amputações e reduzir custos hospitalares com internações e outros procedimentos, segundo a CEO da empresa. Enquanto o produto não chega ao mercado, os pesquisadores buscam soluções que permitam um transporte mais seguro dos curativos sem prejuízo às células-tronco.

“Qual vai ser nosso grande desafio: fazer com que o curativo que a gente produz consiga chegar a lugares distantes, uma vez que são células vivas. Tem todas essas questões de logística, tudo vai ser definido conforme a gente vai evoluindo na pesquisa.”

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