Procurado pela Interpol, foragido de penitenciária em Pernambuco é preso em resort no Rio Grande do Norte

Por G1 PE

Um homem de 33 anos procurado em Pernambuco e presente na Difusão Vermelha da Interpol foi preso na tarde da quinta-feira (21), em um resort em Natal, no Rio Grande do Norte. De acordo com a Polícia Federal (PF), o preso é fundador de uma facção criminosa e estava envolvido na explosão do muro da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, no Grande Recife, em 2016, para a fuga de detentos.

Segundo a PF, o preso vivia uma vida de luxo nos locais em que se hospedava. Gastando dinheiro com produtos de valor elevado, ele costumava alugar carros em nome de terceiros para dificultar a identificação de sua localização.

No momento em que foi preso, o homem usava um documento de identidade falso. Ao perceber a presença dos policiais, o homem reagiu e apontou uma arma para o efetivo policial, mas foi baleado na perna pelas equipes.

O preso foi levado a um hospital para receber atendimento médico e, na manhã desta sexta (22), está sob custódia na sede da PF no Rio Grande no Norte, onde fica à disposição da Justiça.

Envolvimento em crimes

De acordo com a PF, o preso já havia sido detido em março de 2007 por porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Em abril de 2008, foi preso novamente por porte ilegal de armas, tráfico de drogas e resistência à prisão.

Em 2016, esteve envolvido na fuga de 53 presos da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, onde havia uma embarcação esperando na maré para colaborar com a fuga de alguns dos detentos.

Em março de 2019, a Polícia Militar de Pernambuco prendeu seis integrantes da facção criminosa de que o homem fazia parte. Na ação, também foram apreendidos dois fuzis, uma metralhadora, sete pistolas de calibres restritos, carregadores e munições, além de 60 tabletes de maconha.

O preso, segundo a PF, é responsável pelo abastecimento de pasta base de cocaína e de maconha oriundas da Bolívia e do Paraguai, na Zona Sul do Recife.

Depois de fugir do Grande Recife, o preso firmou residência nos dois países em momentos distintos, onde conheceu fornecedores de drogas e, mensalmente, enviava 60kg de pasta base de cocaína e uma tonelada de maconha. A droga era descarregada no Ibura, na Zona Sul do Recife.

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Trio é preso no Recife por suspeita de integrar quadrilha que rouba e clona carros sob encomenda

Por G1 PE

Arma foi apreendida com o trio preso no Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Arma foi apreendida com o trio preso no Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Três homens foram presos no bairro do Jiquiá, na Zona Oeste do Recife, por suspeita de integrar uma quadrilha que roubava carros, clonavam os veículos e os enviavam para compradores no interior de Pernambuco. De acordo com a Polícia Civil, o grupo era investigado há dois meses e tem a peculiaridade de atuar sob encomenda, roubando e clonado carros das marcas escolhidas previamente pelos compradores.

As prisões ocorreram na terça (19) e foram divulgadas nesta quinta (21). Segundo o delegado Igor Leite, todos os três presos têm antecedentes criminais.

Italo de Cássio Cavalcanti Silva, de 20 anos, já foi preso por receptação e adulteração de sinal de veículo; Herlon Alexandre do Nascimento, de 20 anos, já foi detido por tráfico de drogas e receptação de veículo; e Jean Marcos da Silva, de 18 anos, já tinha sido apreendido por receptação de veículo.

Carro foi roubado duas horas antes de os três homens serem presos no Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Carro foi roubado duas horas antes de os três homens serem presos no Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

“Eles recebem a encomenda de um veículo, o tomam de assalto e clonam antes de enviá-lo para o interior de Pernambuco. Duas horas antes de serem presos, eles assaltaram um carro no Engenho do Meio [na Zona Oeste do Recife]. No momento da prisão, estavam com um revólver utilizado no assalto do veículo e um carro usado no assalto, também roubado e clonado”, afirma o delegado.

Ainda de acordo com Igor Leite, a quadrilha realizada clonagens especializadas. “A clonagem só conseguia ser detectada através de equipamentos específicos de perícia, pois adulteravam o chassi dos vidros, dos bancos, de tudo”, conta.

O trio preso foi autuado por associação criminosa, roubo majorado, porte ilegal e arma de fogo, receptação e adulteração de sinal de veículos (clonagem). “Todos eles foram para a audiência de custódia e foram para o Cotel”, diz o delegado, referindo-se ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), localizado em Abreu e Lima, no Grande Recife.

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Tubarão é flagrado próximo à faixa de areia em praia de Noronha

Por Ana Clara Marinho, G1 PE

Um tubarão aproximou-se da areia em busca de sardinha para se alimentar, em Fernando de Noronha. O animal chegou a ficar preso no raso, na Praia do Sancho, e o registro foi feito pelo guia de turismo Pedro Oliveira, na quinta-feira (21). Segundo ele, o animal tinha cerca de 2 metros.

“Eu estava mergulhando no Sancho. Quando saí, eu vi o tubarão no meio da sardinha se alimentando, foi quando veio uma onda. Ele estava no raso e encalhou, eu me aproximei e filmei. O animal ficou tentando voltar até que veio uma onda o tubarão retornou para o mar”, conta Pedro Oliveira.

Além do tamanho do tubarão, chama atenção na imagem a presença da turista Camila Marinho, que correu para aparecer no registro. “A adrenalina na hora me fez perder o medo, eu queria aparecer na imagem, corri”, revela Camila.

A turista reconhece que correu risco. “Foi arriscado, mas foi uma cena marcante. Eu sabia que Noronha tinha tubarões grandes, eu arrisquei, fui lá na frente, bem pertinho”, lembra a visitante que é do Recife.

Essa não foi a primeira vez que o guia de turismo presenciou o encalhe de tubarão. “Eu já vi outras vezes, mas essa foi a primeira vez que consegui filmar, fiquei feliz , é um registro extraordinário”, comemora Pedro Oliveira.

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Jaboatão apreende lençóis com suspeita de contaminação em loja

Por G1 PE

Fiscais localizaram lençóis com manchas e 'x' vermelho em loja de Jaboatão, no Grande Recife, nesta quinta-feira (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

Fiscais localizaram lençóis com manchas e ‘x’ vermelho em loja de Jaboatão, no Grande Recife, nesta quinta-feira (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

A Vigilância Sanitária e o Procon de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, encontrou lençóis com manchas e ‘x’ vermelhos em uma loja da Narciso Enxovais em Prazeres, nesta quinta-feira (21). Uma mulher, que havia comprado um lençol e encontrou um esparadrapo escrito ‘contaminado’, foi quem fez a denúncia.

O supervisor de vendas da Narciso, Samarone de Macedo, afirmou por telefone, que a marcação com um ‘X’ em vermelho indica peças com leves defeitos.

Segundo a Prefeitura de Jaboatão, durante a fiscalização foram apreendidos 20 lençóis de solteiro com suspeita de contaminação, que estavam à venda. O material ainda vai ser periciado.

Coordenador de Fiscalização do Procon, Erik Gondim explica que a mulher percebeu as manchas e ‘x’ vermelhos, além da fita, quando foi lavar o lençol. “O Procon recebeu a denúncia dessa senhora e acionou a Vigilância Sanitária para apurar a denúncia. Quando chegamos, constatamos que havia outros tecidos nas mesmas condições”, detalha.

Fiscais analisam lençóis em busca de materiais com marcas e manchas em Jaboatão, nesta quinta-feira (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

Fiscais analisam lençóis em busca de materiais com marcas e manchas em Jaboatão, nesta quinta-feira (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

O material apreendido vai ser encaminhado para o Instituto de Criminalística (IC). “Não temos como afirmar se há contaminação e o que são essas manchas sem a perícia. Cabe ao IC avaliar se essas substâncias [que causaram as manchas] apresentam risco ao consumidor e, caso a resposta seja afirmativa, que riscos são esse”, afirma Gondim.

A mulher relatou ao Procon preocupação de o material ser lixo hospital. Apesar da suspeita, os materiais não contém nomes de hospitais, como no caso do contêiner de lixo hospitalar apreendido em Suape, em 2011.

O supervisor de vendas da Narciso, Samarone de Macedo, afirma que a empresa aguarda o laudo “com tranquilidade e sem receio”.

“Trabalhamos com esse fornecedor há muito tempo, é 100% confiável. A marcação com um ‘X’ em vermelho indica peças com leves defeitos, apenas. E as manchas podem vir das caixas de papelão onde o produto vem acondicionado. Somente a fita crepe é que achamos estranho. A Vigilância Sanitária e o Procon não acharam nenhum outro produto com algo semelhante. A cliente diz que estava no produto. Vamos aguardar o laudo”, afirmou, por telefone.

A Prefeitura de Jaboatão informou que acionou a Polícia Civil para investigar o caso. O G1 entrou em contato com a polícia e aguarda resposta.

Lençol entregue por mulher ao Procon e Vigilância Sanitária de Jaboatão, nesta quinta (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

Lençol entregue por mulher ao Procon e Vigilância Sanitária de Jaboatão, nesta quinta (21) — Foto: Rafa Léo/Prefeitura de Jaboatão

Apreensão em Suape

Em outubro de 2011, a Receita Federal apreendeu dois contêineres com cerca de 46 toneladas de lixo hospitalar, vindos dos Estados Unidos. O destino da carga era uma empresa em Santa Cruz do Capibaribe, polo têxtil no Agreste de Pernambuco. Os materiais apreendidos foram enviados de volta para a origem no ano seguinte.

Depois dessa apreensão, lençóis e pedaços de tecidos, com nomes de hospitais americanos, foram encontrados em vários locais, inclusive em outros estados.

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Vereadores aprovam aumento de 70,8% no salário do próximo prefeito do Recife

Por G1 PE

Os vereadores aprovaram reajuste salarial para o próximo prefeito da cidade do Recife, vice e secretários municipais, em segunda votação, na quarta-feira (20), com valores entre R$ 18 mil e R$ 25 mil. O projeto de lei segue para o sanção do prefeito Geraldo Julio (PSB). Os aumentos são válidos a partir de 1º de janeiro de 2021.

A lei prevê que o salário do próximo prefeito do Recife seja de R$ 25 mil, um valor 70,8% maior que os R$ 14.635. O atual prefeito abriu mão, ainda no primeiro mandato, da remuneração do cargo, preferindo ficar com o salário de funcionário concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), após polêmica.

Para o vice-prefeito, o reajuste é de R$ 13,9 mil para R$ 22 mil, representando um aumento de 58,3%. Para os secretários municipais ou equivalentes, o valor sobe de R$ 12,9 para R$ 18 mil, ou sejam, 39,5% a mais.

A segunda votação contou com 22 votos favoráveis, três abstenções, sendo de André Régis (PSDB), João da Costa (PT) e Jairo Britto (PT), e dois votos contrários, de Renato Antunes (PSC) e Rinaldo Junior (PRB), segundo a assessoria da Câmara. A primeira votação havia acontecido na terça-feira (21).

Procurada pelo G1, a Prefeitura do Recife informou que a lei “é de autoria da Comissão Executiva da Câmara Municipal do Recife e tem validade apenas a partir de 2021, não interferindo nos vencimentos do atual prefeito e vice-prefeito”. Além disso, o projeto ainda não chegou na prefeitura.

Justificativa do aumento

Os valores atualizados estão disponíveis no site da Câmara Municipal do Recife. Na justificativa do documento, que é assinado pelo presidente da Câmara Eduardo Marques, considera-se que “(…) quando da instalação da legislatura 2021/2025 já estarão decorridos 8 anos sem nenhum acréscimo nessa remuneração, é dever deste legislativo realizar uma correção no seus valores”, diz.

O texto ainda aponta que, além do período e da inflação, os vereadores consideraram que o percentual precisa refletir “os valores das remunerações dos diversos executivos das empresas privadas ensejando, dessa forma, ao administrador municipal, condições de oferecer remuneração compatível aos interesses de pessoas capazes e qualificadas para o auxiliarem na administração municipal”.

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Operação contra tráfico de drogas cumpre mandados na Zona da Mata de PE

Por G1 PE

A Polícia Civil realizou, nesta quinta-feira (21), uma operação contra uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas. Foram emitidos, pela Comarca de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, cinco mandados de prisão. A polícia não informou quantos dos mandados são para pessoas já presas.

As investigações, que resultaram Operação Ponto Quente, começaram em maio de 2018. De acordo com o delegado José Rivelino, a estimativa é de que pelo menos dez inquéritos de homicídio estejam atribuídos ao grupo.

“Com a prisão, esperamos fechar os dez inquéritos. Nesses casos, as motivações geralmente são por disputa de território e dívidas no tráfico de drogas”, explica. A polícia não passou mais informações sobre cada suspeito.

Para cumprir os mandados da ação, foram escalados com 50 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. A Operação é coordenada pela Diretoria Integrada do Interior e supervisionada diretamente pela Chefia de Polícia. Os presos foram encaminhados para o Complexo Policial de Vitória de Santo Antão.

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Da inovação à degradação: Holiday representa marco arquitetônico e social para o Recife

Por Pedro Alves, G1 PE

Construído em 1956, o Edifício Holiday, cuja desocupação e interdição foram determinadas pela Justiça, foi um marco arquitetônico e social para a formação e ocupação da Zona Sul do Recife. Localizado no bairro de Boa Viagem, o prédio contribuiu para a mudança da paisagem da cidade, de formas que vão muito além de sua estética, então, inovadora.

O Edifício Holiday foi projetado por Joaquim Rodrigues e segue uma tradição artística ligada ao modernismo. Com 17 andares e 476 apartamentos, o prédio, junto com o Edifício Califórnia, seu contemporâneo também localizado em Boa Viagem, é um dos primeiros arranha-céus do Recife, hoje fortemente marcado pela verticalização.

A importância do Holiday e de sua arquitetura, nos anos 1950 e 1960, se mistura com a própria história de Boa Viagem, bairro que, atualmente, tem um dos metros quadrados mais caros da capital pernambucana.

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE), Rafael Amaral Tenório, a ocupação do bairro, tendo em vista sua distância em relação ao Centro da cidade num tempo em que vias asfaltadas ainda eram raras, tem relação direta com a instalação de seus primeiros arranha-céus. O nome de Boa Viagem se deve, inclusive, ao fato de que o bairro era utilizado principalmente para veraneio.

“Anos antes da instalação de prédios como o Holiday, Boa Viagem era como a Porto de Galinhas [praia em Ipojuca, no Litoral Sul] da época. O que tinha lá eram fazendas, com casas espaçadas umas das outras. Imagine só, do dia para a noite, colocarem 2 mil pessoas dentro daquele prédio. Isso impactou definitivamente o bairro e ajudou na sua ocupação”, afirma.

De acordo com o arquiteto e professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fernando Diniz, os edifícios Holiday e Califórnia trouxeram ao Recife uma proposta de habitação à classe média: edificações verticais, apartamentos pequenos e, principalmente, a mistura entre comércio e habitação no mesmo local. Os dois edifícios foram pensados para servir como segunda residência, pela proximidade da praia.

Prédios do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e Holiday, no centro — Foto: Reprodução/Google Maps

Prédios do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e Holiday, no centro — Foto: Reprodução/Google Maps

“Eles foram pensados para serem usados como unidades de habitação, um conceito trazido por uma escola carioca no pós-guerra. São edifícios autossuficientes, que misturam comércio e habitação. Era uma proposta nova e o mercado ainda não sabia o que ofertar. A própria altura do Holiday, contrastando com seus apartamentos mínimos, era incomum. Era para quem queria aproveitar a praia, mas com comodidade”, explica.

Os elementos arquitetônicos do Holiday também marcaram uma era na estética dos prédios da cidade. O Holiday tem três blocos, com dois térreos e uma torre principal. Em todos os andares, há apartamentos tipo quitinete e com dois quartos.

“O mais marcante do Holiday é sua curvatura. O revestimento de sua base é menos sofisticado, feito num material chamado pó de pedra, mas muito resistente. Até hoje não foi pintado. Ele tem elementos vazados, para ventilação. O arquiteto buscou muitas referências no Copan, em São Paulo“, diz Fernando.

Nos últimos anos, os 476 apartamentos do Holiday serviram de casa para mais de 3 mil pessoas, segundo o condomínio. Na quarta (20), último dia do prazo judicial, restavam 45 famílias que resistiam em deixar suas casas. A administração do prédio entrou com um agravo de instrumento para recorrer da decisão da Justiça de interditar a edificação. A partir desta quinta (21), os moradores podem ser removidos à força pelos agentes de segurança estaduais e municipais.

Os problemas apontados para a interdição vão desde a inundação do subsolo até a falta de componentes básicos de prevenção ao fogo, além de falhas e da sobrecarga das instalações elétricas. Outro problema é a quantidade de botijões no prédio, que tinha quase oito mil quilos de gás na edificação, sendo usados para vários fins, como comércio e produção de alimentos.

Além disso, há apartamentos usados como depósito de material de comércio de praia. Os bombeiros apontam que 80 carroças são guardadas na edificação. de acordo com o presidente do CAU-PE, falhas na gestão do edifício fizeram com que ele chegasse à situação atual, que, segundo a Defesa Civil do Recife, apresenta um grau de risco nível 3, numa escala de 1 a 4. Rafael defende que a interdição é importante para preservar as vidas dos moradores.

“Todos os síndicos deixaram sua contribuição para o Holiday, mas são mais de 400 apartamentos, sem técnicas administrativas. Se temos dificuldades em gerenciar prédios de médio porte, imagine um como o Holiday. A deterioração foi crescendo, e o lugar virou um campo minado. A todo momento, em qualquer lugar, pode acontecer algo. Mais importante é preservar a vida, porque um incêndio no terceiro andar faria todo o prédio pegar fogo em menos de uma hora”, diz.

Desde o início de sua história, o Holiday foi marcado por casos de homicídios, suicídios, roubos, tráfico e consumo de drogas e prostituição, vindo a ser por vezes chamado de “favela vertical”. Segundo Fernando Diniz, as falhas na gestão e conservação ajudaram para isso.

“A má fama do Holiday vem desde, ao menos, os anos 1970. Eu lembro, criança, que a degradação já era presente lá. Também circulam boatos de que muitos senhores usavam o lugar para levar garotas de programa. O fato é que o Holiday era uma oferta muito experimental para a sociedade da época e era de veraneio. Muito rapidamente, famílias mais abastadas foram mudando-se para outros prédios, e os imóveis foram se desvalorizando”, afirma.

Entrave

De acordo com o presidente do CAU-PE, uma alternativa aos moradores do Holiday seria utilizar o Serviço de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social, um direito garantido por lei, para promover orientação de arquitetos e urbanistas em obras de forma gratuita. O entrave de ser um prédio privado impede a realização dessa ajuda.

“O problema é que o Holiday precisa ser qualificado como Habitação de Interesse Social para receber auxílio público. É possível encarar o Holiday como um Minha Casa Minha Vida. Temos a oportunidade de requalificar e dar condições dignas de moradia a mais de 2 mil pessoas. É preciso encontrar um meio-termo entre deixá-los lá, em risco, e tirá-los sem pensar no impacto social”, diz.

Ainda segundo Rafael, a restauração do Edifício Copan, em São Paulo, é um exemplo a ser seguido pelo Holiday. A obra foi orçada em R$ 23 milhões, e a administração do prédio contou com a ajuda da iniciativa privada para obter os recursos.

“O Copan se modernizou ao longo do tempo. Hoje, ele tem uma população muito heterogênea, de pessoas muito pobres a ricas. Tem muitos estabelecimentos comerciais, restaurantes. É um prédio que atua de forma mista para abrigar comércio e residência”, declara.

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Às vésperas da interdição do Holiday, 70% dos moradores deixaram o prédio, diz síndico

Por Luna Markman e Ronan Tardin, TV Globo

Na véspera do prazo final para interdição e desocupação voluntária do Edifício Holiday, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, cerca de 70% dos moradores deixaram o prédio, segundo balanço parcial informado pelo síndico do local, José Rufino Neto, na noite desta terça-feira (19). A Justiça determinou que, até a quarta-feira (20), todos os 476 apartamentos sejam esvaziados.

De acordo com José Rufino, um laudo deve ser feito na quarta-feira (20), para confirmar a quantidade de pessoas que resistem a deixar o edifício. Antes da determinação judicial, mais de 3 mil pessoas moravam no local.

“Vou ter um laudo mais detalhado, com a inspeção que eu pedi que fosse feita. O laudo é sobre quantas pessoas ainda temos e quantas já saíram. Mas cerca de 70% dos moradores já deixaram os apartamentos”, diz o síndico.

O prédio foi construído em 1956, tem 17 andares e apresenta uma série de problemas estruturais relatados pelos órgãos públicos desde 1996. A partir da quinta-feira (21), caso não deixem o Holiday, os moradores podem ser removidos à força pelos agentes de segurança estaduais e municipais.

Edifício Holiday fica no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Edifício Holiday fica no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Ainda segundo o síndico, engenheiros e técnicos, todos voluntários, fizeram estudos sobre as mudanças necessárias no edifício. Eles defendem que a reforma do Holiday pode ser feita sem desocupação.

“Os engenheiros, técnicos e eletrotécnicos passaram o dia estudando e elaborando um laudo para ser enviado às advogadas. Agora, é com elas”, afirma Rufino.

Segundo o síndico, o drama pelo qual passam os moradores do Edifício Holiday tem provocado perturbações em quem convive, diariamente, com a situação.

“Todo tipo de sentimento ruim a gente está tendo aqui. É caos, tristeza, dor, sofrimento, é esse conjunto. A batalha é tentar conscientizar a população, depois de uma triste nota que a prefeitura nos deu, de que vai estudar o caso e, depois, ver o que acontece. É totalmente difícil”, declara.

Audiência pública

Em audiência pública realizada na sede da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no Centro do Recife, representantes da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) voltaram a falar de ligações clandestinas, fiação exposta e do sistema que conecta a rede distribuidora de energia elétrica à parte comum do prédio.

O encontro reuniu, além dos deputados estaduais, representantes da Defesa Civil, bombeiros, prefeitura do Recife, Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Crea), movimentos sociais, moradores e a administração do Holiday.

A gerente-geral da Defesa Civil do Recife, Elaine Hawson, afirma que a desocupação do edifício foi determinada para que os moradores não corram risco de morte. “Não é segura a permanência das famílias no prédio, então, precisa-se retirá-las, para que elas fiquem em segurança e os serviços possam ser executados”, diz.

Audiência pública sobre o Edifício Holiday ocorreu na sede da Alepe, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Audiência pública sobre o Edifício Holiday ocorreu na sede da Alepe, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

A ambulante Jeane da Silva, que mora no local, pediu ajuda dos órgãos públicos. “Eu preciso de ajuda, de socorro. Preciso para ontem, porque eu só tenho até amanhã para mudar esse quadro”, afirma.

A reunião não tem força de lei, para mudar a decisão judicial. Ainda assim, o que foi discutido na audiência segue para a Justiça. Segundo a codeputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas (PSOL), a Comissão de Direitos Humanos da Alepe, presidida pelas deputadas, espera tomar outras medidas a favor do Holiday.

“O que a gente traz aqui para a audiência pública é para mostrar à sociedade o que está acontecendo aqui no Recife”, diz.

Reunião na Cúria Metropolitana

Na manhã desta terça-feira (19), engenheiros voluntários defenderam a possibilidade de se realizar as obras necessárias no Holiday sem retirar os moradores do local, durante reunião ocorrida na Cúria Metropolitana, no Recife. O Corpo de Bombeiros se posicionou contra e defendeu a interdição do edifício.

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Adolescente desaparece após sair de casa para pegar ônibus no Grande Recife; polícia investiga

Por G1 PE

Evelin desapareceu após sair de casa para pegar ônibus em Jaboatão, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Evelin desapareceu após sair de casa para pegar ônibus em Jaboatão, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

A Polícia Civil investiga o desaparecimento de uma adolescente de 12 anos de idade, que foi vista pela última vez ao pegar um ônibus na segunda-feira (18), em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado na Delegacia de Prazeres.

De acordo com a mãe de Evelin Eduarda Souza de Lima, Wilma de Souza Silva, a garota nunca tinha saído de casa sozinha antes. A família mora no bairro de Barra de Jangada.

“Ela nunca tinha sumido antes. Ela foi vista por algumas pessoas indo para um ponto de ônibus, para ir em direção ao Jordão [bairro de Jaboatão dos Guararapes]”, afirma a mãe da adolescente.

Evelin desapareceu na segunda-feira (18) após sair de casa, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Evelin desapareceu na segunda-feira (18) após sair de casa, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

No boletim de ocorrência registrado, a mãe afirma que amigos informaram à família que a filha dela havia dito que pegaria o primeiro ônibus que passasse. A mulher também conta que o relacionamento com a garota ia bem e não existiam problemas entre elas.

O caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Crimes contra a Criança e o Adolescente de Jaboatão dos Guararapes. Quem tiver informações sobre Evelin pode ligar para a delegacia, no telefone, (81) 3182.5412, para o Disque Denúncia, no número 3421.9595 ou para o Disque 100.

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‘Comíamos uma refeição por dia’, diz pernambucana após passagem de ciclone em Moçambique

Por Marina Meireles, G1 PE

Depois da passagem do ciclone Idai, que deixou mais de 180 mortos na África, uma pernambucana que atua como missionária da comunidade católica Obra de Maria na cidade de Dombe, em Moçambique, tem conseguido, aos poucos, superar as dificuldades que vieram junto com os ventos fortes.

Por cinco dias comendo uma vez por dia e resgatando sobreviventes, Maísa Melo enfrenta os efeitos do fenômeno desde a quinta (14), mas só entrou em contato com parentes e amigos no Brasil na segunda (18).

“Resgatamos pessoas no escuro, mas outras não conseguiram resistir à força da água. Foi um desespero muito grande”

O município de Dombe, no Centro de Moçambique, tem 58 mil habitantes, segundo o censo divulgado em 2014 pelo governo de Moçambique, e fica a 963 quilômetros da capital moçambicana, Maputo. A região de Dombe foi atingida pelo Idai na noite de quinta-feira (14) e, em seguida, o ciclone avançou rumo ao Zimbábue e ao Malawi.

O número de vítimas do ciclone Idai, segundo o presidente de Moçambique, pode chegar a mil. Há, também, cerca 600 mil pessoas afetadas e 100 mil que precisam de ser urgentemente resgatadas perto da cidade de Beira.

“Ficamos em nossas casas até se agravar a situação, daí recorremos à casa dos padres que é o ponto mais alto, no primeiro andar”, conta Maísa, que atua em Moçambique pela Obra de Maria há cerca de dez anos. Com ela, estão outra missionária pernambucana, uma do Rio Grande do Norte e outros dois missionários moçambicanos.

Maísa Melo atua como missionária da Obra de Maria em Moçambique — Foto: Teresa Maia/Divulgação

Maísa Melo atua como missionária da Obra de Maria em Moçambique — Foto: Teresa Maia/Divulgação

Maísa relata que o grupo ficou sem acesso a água potável durante a passagem do ciclone. “Perdemos a bomba e os painéis solares que o vento forte danificou, mas tínhamos água em botijas na casa do padre. A água que estamos tomando agora é retirada com bombas manuais, mas ainda não sabemos se é seguro tomar”, conta a pernambucana.

Durante a passagem do Idai, a alimentação precisou ser racionada para servir as cerca de 260 pessoas abrigadas no mesmo local em que Maísa. “Servíamos ‘chima’ uma vez por dia”, conta a missionária. Chima é uma espécie de mingau à base de milho e açúcar, servido para incrementar a única refeição do dia, servida por volta das 15h.

“O momento mais crítico foi da sexta [15] para o sábado [16]. Abriram algumas represas de alguns rios e não avisaram à população. Escutávamos as mulheres, as crianças pedindo socorro. Ficamos praticamente ilhados”

“Começamos a fazer canoas com pedaços de árvores e cortamos os troncos das bananeiras para fazer jangadas e resgatar as pessoas que estavam presas em árvores. Agora estamos doando nossas roupas porque as pessoas que chegam aqui não têm o que vestir. Houve muita destruição, mas isso não é nada em relação à questão da vida humana”, diz Maísa.

Em Dombe, no Centro de Moçambique, passagem do ciclone Idai provocou alagamentos — Foto: Obra de Maria/Divulgação

Em Dombe, no Centro de Moçambique, passagem do ciclone Idai provocou alagamentos — Foto: Obra de Maria/Divulgação

Segundo Maísa, a situação começou a melhorar a partir da tarde da segunda (18), quando foi possível sair do local em que elas estavam em direção a um outro povoado. “Lá tinham alguns alimentos e compramos o que deu para trazer. Podemos passar uns dois dias com o que temos, mas nossa preocupação é se vamos conseguir mais. Até agora, não chegou ajuda do governo”, conta.

A preocupação, agora, é com a possibilidade do surto de doenças. “Aqui o saneamento é péssimo. As pessoas fazem as necessidades em buracos e, com a enchente, há muitas fezes a céu aberto. Estamos preocupados com possíveis doenças”, diz Maisa.

População em Dombe, em Moçambique, consegue alimentos através de canoas — Foto: Obra de Maria/Divulgação

População em Dombe, em Moçambique, consegue alimentos através de canoas — Foto: Obra de Maria/Divulgação

As missionárias, no entanto, permanecem ilhadas. “As duas pontes de acesso ao local em que estamos foram destruídas. Algumas pessoas têm se arriscado para passar na estrutura que sobrou, mas é muito perigoso”, afirma a pernambucana.

No país africano, a Obra de Maria atua em dois internatos, um hospital, uma escola e uma creche, além de duas Fazendas da Esperança, locais em que ocorrem atividades educacionais e religiosas voltadas a pessoas pobres. “A creche ficou submersa e a Fazenda da Esperança também foi bastante atingida”, conta a missionária.

O presidente da Obra de Maria, Gilberto Barbosa, relata a aflição sentida durante os dias em que não foi possível entrar em contato com as missionárias em Moçambique. “Não sabíamos se elas estavam vivas ou mortas. Depois soubemos que os alimentos tinham acabado. Agora algumas canoas estão levando uma espécie de papa de milho, que é a base da alimentação de lá”, afirma.

Planejando viajar a Moçambique em abril, Barbosa se sente aliviado por ter se comunicado com as missionárias, mas reconhece que precisa de ajuda para retomar o trabalho em Moçambique. “Cerca de 9 mil pessoas são atendidas nas instituições em que trabalhamos. Damos educação, cuidado, zelo. É uma responsabilidade grande e é um trabalho que não pode parar”.

Pernambucana está na cidade de Dombe, que fica a 963 quilômetros da capital moçambicana, Maputo — Foto: Arte/G1

Pernambucana está na cidade de Dombe, que fica a 963 quilômetros da capital moçambicana, Maputo — Foto: Arte/G1

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