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NUVEM DE TAGS

Partido no poder na Suécia aprova candidatura à Otan

Decisão permitirá que o governo apresente um pedido de adesão junto com a Finlândia.

Por France Presse

O Partido Social-Democrata, que governa a Suécia, deu sinal verde neste domingo (15) para a candidatura do país a ingressar na Otan, o que permitirá que o governo apresente um pedido de adesão junto com a Finlândia.

Durante reunião extraordinária realizada neste domingo, a direção decidiu que o partido “colaboraria em uma candidatura da Suécia à Otan”, informaram os social-democratas em um comunicado que manifestava uma mudança em sua posição.

O partido explica que é contrário à instalação de bases permanentes da Otan e de armas nucleares no território sueco, o que não é exigido para integrar a aliança.

Uma consulta interna revelou as divisões no partido, com vozes críticas que denunciaram o que consideram uma decisão precipitada, apenas para seguir o calendário da Finlândia.

Mas a autorização da direção do partido continua sendo aguardada.

A primeira-ministra sueca e líder do partido, Magdalena Andersson, concederá uma entrevista coletiva nas próximas horas em Estocolmo.

Com a mudança de postura do partido, a maioria a favor da entrada na Otan está garantida no Parlamento.

A direita já era favorável à adesão e o partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD) afirmou que também é favorável se a iniciativa acontecer em conjunto com a Finlândia.

O governo da Finlândia anunciou neste domingo sua candidatura “histórica” de adesão à Otan, que será apresentada ao Parlamento na segunda-feira.

A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um aumento considerável do apoio à Otan na opinião publica, tanto na Suécia como na Finlândia.

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Economia sob bloqueio: brasileiros contam como têm ‘driblado’ os impactos das sanções à Rússia

Problemas passam por reflexos diretos do conflito, como o reforço à inflação de produtos básicos, mas chegam ao sumiço de marcas e à dificuldade de enviar dinheiro depois do bloqueio ao universo financeiro russo.

Por Raphael Martins, g1

15/05/2022 08h00  Atualizado há 9 horas


Russos fazem fila para tirar dinheiro após sanções de outros países por causa da guerra na Ucrânia — Foto: Victor Berzkin/AP Photo

Russos fazem fila para tirar dinheiro após sanções de outros países por causa da guerra na Ucrânia — Foto: Victor Berzkin/AP Photo

Restrições a transferências bancárias, falta de produtos nas prateleiras, preços em alta: a guerra na Ucrânia, que se arrasta há mais de 2 meses, também provoca efeitos sobre a economia da Rússia.

Para quem vive no país, foi preciso se adaptar aos impactos do conflito no preço de produtos russos, como petróleo e trigo, mas também às severas sanções econômicas impostas ao país como retaliação à invasão ao país vizinho.

Na semana passada, os Estados Unidos e seus aliados na União Europeia anunciaram que desejam aplicar uma sanção ainda mais forte contra a Rússia, banindo a compra do óleo de Moscou até o final do ano.

SAIBA MAIS

Essas sanções atingem não só a economia local, mas também os cidadãos – e brasileiros que moram ou têm relações com o país.

‘Triangulação’ de dinheiro

As dificuldades impostas pelas sanções podem desafiar a consagrada criatividade brasileira.

Caio Nascimento, de 32 anos, tem uma filha de 4 anos, Jasmine, que mora na Rússia. Mensalmente, ele enviava apoio financeiro à mãe da criança em Moscou.

Antes da guerra, o dinheiro circulava por meio de plataformas comuns de remessa internacional. Quando foi anunciado o bloqueio da Rússia ao Swift, os serviços saíram do ar.

Caio Nascimento foi obrigado a 'triangular' com outro brasileiro o envio de dinheiro para a filha de 4 anos, que mora em Moscou — Foto: Arquivo pessoal

Caio Nascimento foi obrigado a ‘triangular’ com outro brasileiro o envio de dinheiro para a filha de 4 anos, que mora em Moscou — Foto: Arquivo pessoal

Swift é o serviço global de telecomunicações entre instituições financeiras no mundo e a retirada da Rússia dessa cadeia tem o objetivo de “desligar” o comércio do país do resto do mundo.

Na prática, a medida impede a transferência de dinheiro e paralisa os pagamentos entre produtores russos e seus compradores. Impossibilitados de transacionar no Swift, um lado não pode faturar e o outro não pode pagar pelas mercadorias. O mesmo vale para remessas de pessoas físicas.

“Fiz um acordo com um jogador de futsal brasileiro que também não consegue enviar dinheiro para o Brasil. Ele envia os rublos para minha filha e eu mando reais para a família dele”, diz Nascimento.

Além de “triangulações” do tipo, a comunidade brasileira tem se articulado em redes sociais e apps de mensagens para criar soluções.

Alguns partiram para o mercado de criptomoedas. Mas há um sério risco de desvalorização do dinheiro, pois esses ativos são marcadas pelos preços muito voláteis no mercado internacional.

O bitcoin, por exemplo, ronda as cotações mínimas em quase 1 ano. Em meados de fevereiro, quando a guerra começou, a criptomoeda valia cerca de US$ 40 mil. Hoje, gira em torno dos US$ 30 mil. Quem converteu parte do patrimônio nesse intervalo pode ter acumulado uma perda de até 25%.

União Europeia anuncia sexta rodada de sanções à Russia por invasão da Ucrânia

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União Europeia anuncia sexta rodada de sanções à Russia por invasão da Ucrânia

Saída de empresas

Danilo Ribeiro está livre dos entraves do Swift, pois não precisa enviar dinheiro aos familiares em São Paulo. Nem por isso está imune aos aborrecimentos financeiros.

Dentre as mais de 1 mil empresas que suspenderam ou reduziram operações na Rússia — como registra um relatório recente da Universidade de Yale — estão as principais bandeiras de cartão de crédito e alguns bancos.

“Até fui ao McDonald’s no último dia de operação. Descobri depois que eles ainda funcionam em aeroportos e estações de trem”, diz ele, que mora em Moscou.

Mais que o fechamento de empresas, os primeiros impactos das sanções causaram uma corrida por dólares no país e uma severa desvalorização do rublo. Com medo do aperto econômico, Ribeiro pensou em voltar ao Brasil.

“Quando anunciaram as sanções, houve um pânico geral. Muitas coisas sumiram das prateleiras e o preço dos alimentos subiu muito. Com o tempo, a vida voltou ao normal, mas mais cara”, diz.

Danilo Ribeiro é professor de inglês e mora na Rússia desde 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Danilo Ribeiro é professor de inglês e mora na Rússia desde 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Ribeiro desistiu de voltar porque sua clientela como professor de inglês é majoritariamente russa. Seria necessário, portanto, refazer toda a carteira de clientes do zero. O jeito foi aguentar o aumento de custo de itens básicos — sem esquecer que em terras brasileiras o fenômeno também acontece.

Na sua cesta de produtos, ele destaca o café e o papel para a preparação de aulas, que dobraram de preço. Mesmo com a queda do poder de compra, avaliou que ainda teria melhor rendimento ao ficar na Rússia, apesar de alguns incômodos.

“Eu fazia pagamentos internacionais em uma plataforma que parou de funcionar e não consigo mais pagar meu terapeuta, que fica no Brasil. E também sinto falta de marcas de roupa. Ficaram só as russas, que não atendem ao meu biotipo”, conta.

Segundo ele, a perspectiva para os próximos meses, ainda assim, é boa. Ribeiro diz que a chegada do verão faz a economia russa se reaquecer, o que abastece o país com produtos domésticos. “Quando chegar no próximo inverno, as sanções podem pesar mais, porque o país precisa de mais importações e o preço pode complicar a situação”, afirma.

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O polêmico muro que divide dois países em ilha no Caribe

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, viajou para a fronteira entre a República Dominicana e o Haiti, dois países que compartilham uma ilha e que em breve serão separados por um muro.

Por Daniel García Marco, BBC

Não era um dia comum na República Dominicana.

Em 20 de fevereiro de 2022, o presidente do país, Luis Abinader, vestindo um colete amarelo sobre uma camisa branca, apontou uma betoneira cheia de concreto para uma vala sobre a qual foram levantadas finas hastes de aço. O público ao redor tirou muitas fotos dele.

Esse foi o primeiro passo para a construção da “cerca perimetral inteligente”, estrutura que vai separar a República Dominicana do Haiti e que todos chamam de “muro” na fronteira. Ao fundo, a música de Juan Luis Guerra, dois bispos e a liderança militar acompanhavam atentamente as ações do presidente e da betoneira.

A construção é um novo episódio na conflituosa e histórica relação entre os dois países que compartilham a Ilha de Hispaniola (também conhecida como Ilha de São Domingos), além de uma fronteira porosa de mais de 390 quilômetros.

“A República Dominicana não pode assumir a crise política e econômica daquele país (Haiti) ou resolver o resto de seus problemas”, disse Abinader em um ato com forte simbolismo patriótico em que o hino nacional foi cantado vigorosamente a poucos metros do Haiti, o país mais pobre das Américas.

Segundo os últimos dados do Banco Mundial e do governo dominicano, 60% da população haitiana vive na pobreza, contra 24% na dominicana. A pobreza extrema chega a 24% no Haiti enquanto é de 3,5% do outro lado da fronteira.

54 quilômetros

Os primeiros metros da cerca já podem ser vistos em Dajabón, no noroeste da República Dominicana, um dos principais pontos de fronteira com o Haiti.

Oito dias após o início da construção, a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, visitou o local. O trabalho havia sido interrompido. Apenas uma escavadeira permaneceu com o motor ligado. Dois soldados entediados guardavam a área. Vacas mugiam e lixo plástico foi armazenado no terreno ao lado.

A poucos passos do muro e do lugar de onde Abinader discursou, algumas crianças haitianas tomavam banho e algumas mulheres lavavam suas roupas no rio Masacre, cuja escassa corrente de água forma uma fronteira flexível entre os dois países.

O muro promete ser muito mais firme.

Em uma primeira fase, com conclusão prevista para o primeiro semestre deste ano, segundo o governo dominicano, serão construídos 54 quilômetros de betão armado e estrutura metálica, como o traçado em Dajabón. Além disso, haverá 19 torres de vigia e 10 portões de acesso. O muro não vai cobrir toda a extensa fronteira territorial, mas se elevará acima das “áreas mais populosas e sensíveis”.

Na segunda fase, que deve começar assim que a primeira estiver concluída, serão construídos mais 110 km de muro, com um investimento total de cerca de US$ 30 milhões (R$ 145,1 milhões), segundo dados do governo.

“É um muro que vai beneficiar os dois países. Vai controlar o comércio bilateral, regular os fluxos migratórios para combater as máfias que traficam pessoas, além de lidar com o narcotráfico e a venda ilegal de armas, e proteger a criação e as colheitas de pecuaristas e produtores agrícolas”, disse Abinader.

‘Não gosto do muro’

Nenhum membro do governo haitiano esteve presente no ato de 20 de fevereiro. Também não comentou a construção do muro, erguido em solo dominicano.

Mapa da Ilha de São Domingos — Foto: BBC

Mapa da Ilha de São Domingos — Foto: BBC

Haiti tem um governo interino desde que o presidente Jovenel Moise foi assassinado, em julho do ano passado. As eleições para um novo presidente foram adiadas devido ao elevado nível de violência no país, segundo o atual Poder Executivo chefiado por Ariel Henry.

A crise econômica em curso no Haiti, os desastres naturais e os conflitos políticos historicamente fizeram com que muitos haitianos buscassem uma vida melhor, ou pelo menos uma maneira de ganhar dinheiro, no país com o qual compartilham a ilha.

Uma dessas pessoas é Novilia, uma haitiana que mora na República Dominicana. Ela vive uma casa feita de chapa e piso de areia, a poucos metros da primeira vala da cerca que Abinader inaugurou.

“Os haitianos fazem negócios com os dominicanos aqui. Por que temos que erguer um muro? Não temos presidente no Haiti e as coisas estão difíceis”, diz a mulher, que está no país vizinho há 12 anos.

“Eu não gosto (do muro), é ruim para os negócios, todo mundo tem dificuldade, todo mundo está procurando alguma coisa aqui (na Dominicana)… Não é bom”, diz, ao lado de um vizinho e amigo, também haitiano. O rapaz afirma ser capaz de limpar três casas dominicanas em uma única manhã.

Como centenas de haitianos em Dajabón e milhares em toda a República Dominicana, a dupla reflete os laços econômicos que unem os dois povos, especialmente ao longo da fronteira.

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Imigrantes na República Dominicana, em 2017 havia meio milhão de haitianos no país, representando 87% da população estrangeira. Mas, cinco anos depois e com o acirramento dos problemas no Haiti, especialistas dizem que esse contingente de imigrantes pode ser 25% maior.

Esses haitianos são fundamentais para a economia dominicana, a segunda que mais cresceu na América Latina e no Caribe na última década. Estima-se que 80% da força de trabalho nos setores agrícola e de construção civil na República Dominicana seja haitiana.

Em 2021, o Haiti foi o terceiro maior destino das exportações dominicanas depois da Suíça e dos Estados Unidos, segundo dados da Direção Geral de Alfândegas.

Mas a balança comercial é extremamente favorável à República Dominicana, algo de que se queixa o Haiti, que pede mais ajuda financeira para exportar rum, cerveja e tabaco, sobretudo, para o outro lado da fronteira.

Em 2021, a República Dominicana gastou US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões) em importações de produtos haitianos. Por outro lado, exportou US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em produtos nacionais ao país vizinho.

Necessidade mútua

Para além da economia, a relação entre haitianos e dominicanos acontece em um nível mais modesto na fronteira.

“O dominicano precisa do haitiano, o haitiano precisa do dominicano”, resume Novilia em sua humilde casa.

Apesar dessa realidade ser aceita por quase todos na ilha, muitos haitianos enfrentam problemas para regularizar sua situação imigratória e, às vezes, convivem com hostilidade de seus vizinhos do leste.

Em um pasto com dezenas de gados, Ernesto Alfonso Martínez Peña destaca a necessidade mútua de ambos os lados da linha.

“O presidente (Abinader) deve canalizar legalmente quem vem trabalhar na fazenda. Se os haitianos não vierem, a produção de leite, a agricultura e a construção vão cair”, diz Martínez, que é a favor do muro porque sofreu com roubos de gado – crime que ele atribui aos haitianos.

Um mercado sem muro

Ernesto Peña, o fazendeiro, não é o único que defende a construção do muro.

Santos tem 58 anos, é dominicano e dirige uma das milhares de barracas do Mercado Binacional de Dajabón, que abre todas as segundas e quintas-feiras para reunir comerciantes dos dois lados da fronteira.

Às 8h da manhã, a ponte sobre o rio Masacre se enche de haitianos que, carregando fardos de mercadorias nos ombros, cruzam o local e correm diante do olhar vigilante e às vezes ameaçador de soldados dominicanos armados e vestidos com terno de campanha marrom-claro.

“Há muito tempo somos invadidos. Há mais haitianos aqui do que no Haiti“, exagera Santos, que vende molhos e conservas no mercado.

“Quem tem trabalho aqui são os haitianos. É ruim para nós. O que podemos ganhar está sendo ganho por eles”, reclama.

No entanto, ele também admite que “viver junto é bom”.

“É isso que você vive na fronteira: negócios com haitianos”, ele nos conta.

Ela divide sua barraca no mercado – onde a música alta esconde o burburinho das compras e vendas na fronteira – com um amigo haitiano, que troca dinheiro.

Santos é uma das muitas pessoas na fronteira que se beneficiam do comércio com os haitianos, mas ao mesmo tempo se distanciam deles.

A acadêmica britânica Bridget Wooding, pesquisadora da imigração haitiana na República Dominicana, resume essa forma do dominicano de se relacionar com o vizinho, que oscila entre a convivência e o repúdio. “Os haitianos são necessários, mas indesejados”, diz.

Outras paredes

Wooding vê o muro como um elemento “extremo” na dura história dominicana em relação aos haitianos, em sua maioria negros. Essa história remonta aos tempos do ditador Rafael Leónidas Trujillo (1930-1961) e seu projeto do branqueamento da sociedade dominicana.

Mais recentemente, continuou com a polêmica decisão de 2013 que “desnacionalizou” mais de 130 mil dominicanos de ascendência haitiana.

O Tribunal Constitucional dominicano entendeu que pessoas nascidas no país desde 1929 e cujos pais estrangeiros não tivessem personalidade jurídica não correspondiam à nacionalidade dominicana.

Em maio de 2014, o Congresso dominicano aprovou uma lei de naturalização em resposta a essa decisão que causou críticas internacionais. No final de 2013, também foi decretado um plano de regularização para estrangeiros.

Mas nada disso gerou processos eficazes ou simples para milhares de haitianos e descendentes nascidos na República Dominicana.

“Eles tiveram que se registrar como estrangeiros no país onde nasceram e, depois de dois anos, naturalizar-se como dominicanos”, explica Wooding, que conhece os trâmites burocráticos.

Uma dessas pessoas é Zuleica Jiménez.

Ela mora com o marido Rafael e seus filhos na comunidade rural de Pinzón, perto de Comendador, na província dominicana de Elías Piña, centro do país.

Seus pais haitianos foram documentados na República Dominicana, onde ela nasceu. Zuleica, no entanto, nunca foi registrada e agora não possui os documentos que comprovem sua nacionalidade.

“Nasci e cresci em Elías Piña, mas não tenho documentos e me sinto mal porque tenho meus filhos sem declarar”, diz Zuleica, ao lado do marido, em sua precária casa à beira de uma estrada de terra, a poucos metros da fronteira – área em que Haiti e República Dominicana se misturam até se fundirem.

Após a lei de 2014, Zuleica tentou regularizar sua situação. “Gastei muito dinheiro com isso em vão… Depois de levar os papéis para Santo Domingo (capital dominicana), nada aconteceu.”

Ela é a favor do muro, mas preferiria que o governo de seu país, que não a reconhece e a mantém apátrida, gastasse o dinheiro de forma diferente.

“Estou mais interessado em gastá-lo no processo. O muro é importante, mas estou interessado no processo.”

Por que agora?

Em 2019, o então presidente Danilo Medina já havia construído alguns quilômetros de um muro na província de Elías Piña, que agora será superado pela moderna cerca tecnológica.

Mas Abinader, eleito em julho de 2020, foi mais longe ao apostar no muro como nenhum político local havia feito.

A Presidência e os ministérios da Defesa e de Relações Exteriores não responderam aos inúmeros pedidos de entrevistas da BBC News Mundo para falar sobre o muro e os processos de regularização como o de Zuleica Jiménez, bem como sobre as recentes deportações de mulheres grávidas haitianas.

Bridget Wooding, diretora do Centro de Pesquisa Aplicada em Dinâmica Migratorias (Obmica), afirma que o “muro perimetral faz parte de um projeto que tenta mostrar o haitiano como um invasor”.

“Há muito preconceito contra um grupo étnico e seus descendentes, os haitianos, devido às complexidades da história sociocultural”, diz.

O sociólogo dominicano Juan Carlos Pérez, professor da Universidade Autônoma de Santo Domingo e graduado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, argumenta que há um sentimento anti-hiatiano entre parte da elite dominicana.

“Os políticos tentam ganhar o apoio do voto usando um discurso que divide para que os daqui se sintam protegidos dos de lá. É uma forma de desviar a atenção dos problemas reais de um país, usando uma população migrante como causador do mal”, afirma.

E ele alerta para as consequências do novo.

“Nenhuma política de boa vizinhança pode ser promovida a partir da política do muro. Isso tem um efeito simbólico de agressão, violência e maus-tratos à população que vive do outro lado.”

O muro econômico

Essa opinião é compartilhada por Lesly Theogene, diretor do Ministério do Comércio e Indústria do Haiti, que prefere falar como cidadão e não como membro do governo interino.

“Achamos que Abinader poderia construir um muro econômico, não um muro eletrificado que vai causar mortes”, diz ele, sobre a ponte que liga os dois países em Dajabón, a cidade fronteiriça onde começa o muro e que reflete as tensões, mas sobretudo os laços de benefício mútuo entre os dois povos.

Santiago Riverón, prefeito da cidade fronteiriça dominicana, concorda com ele.

“Um muro não vai separar esses dois países. Bem ou mal, estamos condenados a viver juntos, eles no país deles e nós no nosso.”

Riverón, de chapéu e voz grossa, faz parte do partido do presidente Abinader.

No entanto, ele não concorda que a cerca vai parar a imigração ilegal e diz que o que é necessário é “um muro econômico”, ou seja, um projeto de desenvolvimento empresarial que beneficie os dois países e que torne desnecessária a migração.

Ele cita como exemplo a zona franca, que no meio da fronteira de Dajabón emprega 18 mil trabalhadores haitianos e da qual dependem cerca de 40 mil pessoas na área.

“Essas pessoas que estão trabalhando lá nunca vão deixar sua terra natal.”

Jocelin é um dos haitianos que deixaram o país — ele tinha 12 anos. Como ele, muitas crianças haitianas continuam a atravessar sozinhas a ponte de Dajabón para a República Dominicana todos os dias para trabalhar em qualquer emprego.

“Passei fome no Haiti“, recorda Jocelin, prestes a completar 18 anos, em um centro de acolhimento em Ouanaminthe, no lado haitiano da fronteira, onde se vê claramente o contraste com o lado dominicano: há poucas ruas pavimentadas, muito mais lixo nas ruas e falta de saneamento básico.

Jocelin engraxava sapatos no país vizinho. Ele acabou em um orfanato em Dajabón, onde hoje muitas crianças haitianas são vistas vagando sozinhas ou em grupos, sem nenhum adulto. Elas se oferecem principalmente para engraxar sapatos, mas muitos são vítimas de trabalho e exploração sexual.

De volta ao Haiti, no centro de acolhimento Lakay Jezy (A Casa de Jesus), Jocelin encontrou três refeições por dia, um luxo para muitas crianças haitianas, e a obrigação de sair das ruas e voltar à escola.

Agora ele se tornou costureiro e quer ganhar a vida como alfaiate. Seus colegas adolescentes pedem para ele ajeitar seus jeans para que fiquem mais apertados e elegantes.

“Na República Dominicana há pessoas que nos tratam bem e outras que nos tratam mal”, diz, de maneira tímida.

“Quero trabalhar, ter independência pessoal, quero ficar no Haiti, amo o Haiti“, diz quando questionado sobre o futuro.

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As crescentes mortes e lesões em tentativas de pular ‘muro de Trump’ para entrar nos EUA

Casos de fraturas e ferimentos graves, alguns fatais, aumentaram cinco vezes nos últimos três anos na Califórnia, onde uma cerca de metal de 9 metros foi erguida durante o governo de Donald Trump.

Por BBC

]Quando Héctor Almeida Gil estava no alto da cerca da fronteira entre os Estados Unidos e o México, de repente ele avistou diversas pessoas tentando subir, desesperadas.

O dentista cubano de 33 anos estava com um grupo de imigrantes tentando pular uma das barreiras de 9 metros de altura que separam o México e os EUA no Estado da Califórnia.

A cerca é a mais alta da fronteira erguida durante o governo de Donald Trump, que dizia que esse “belo muro” que ele mandou construir seria “intransponível”.

Mas muitos migrantes tentam pular a cerca quase todos os dias. Alguns conseguem. Outros ficam presos nela e um número preocupante de pessoas fica gravemente ferida ao tentar.

Almeida Gil escalou a cerca no final de abril com ajuda de uma escada usada comumente por traficantes de migrantes.

Quando a polícia mexicana se aproximou do local, várias pessoas subiram correndo as escadas e o cubano só conseguiu se segurar nas barras para evitar uma queda mais forte.

Ele teve um pouco de “sorte”, porque “só” quebrou uma perna. Mas ele viu uma mulher cair e quebrar os dois membros, e outro homem sofrer um grave ferimento na cabeça.

Almeida foi internado em um hospital da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), cidade que possui dois condados que fazem fronteira com o México, onde foram registrados 375 feridos e 16 mortes de 2019 a 2021, a maioria vítimas de quedas do muro.

Isso é cinco vezes mais do que o registrado entre 2016 e 2018, e coincide com a instalação da cerca de 9 metros, que é mais perigosa de escalar do que as que existiam antes, de 3 a 5 metros, segundo um estudo liderado por Amy Liepert, da UCSD.

“As lesões mais comuns são as fraturas nas extremidades, principalmente nas pernas. Em geral, são fraturas bastante graves, não uma simples quebra de uma parte do osso”, explica ela à BBC News Mundo.

O muro “impenetrável”

A partir da década de 1990, o governo dos EUA começou a construir vários tipos de barreiras em sua fronteira com o México.

Uma das mais comuns é uma cerca metálica de barras verticais instaladas em áreas urbanas e algumas áreas montanhosas ou desérticas, nos Estados da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas.

Mas há pontos sem qualquer barreira, algo que Donald Trump prometeu mudar com um muro mais alto do que qualquer outro: “É praticamente intransponível”, disse ele, na época que autorizou a construção.

Um dos modelos escolhidos foi uma cerca metálica de 9 metros com placas metálicas no topo, que foi instalada nos Estados da Califórnia e Arizona.

Embora não tenha se provado intransponível para os migrantes, que usam escadas de mais de 9 metros, a barreira mostrou-se perigosa.

“O que descobrimos quando comparamos um período de seis anos é que houve uma grande diferença de 2016, 2017, 2018 em relação a 2019, 2020, 2021. Nesses primeiros três anos, tivemos 67 pacientes com lesões traumáticas por causa do muro”, explica Liepert. “No segundo triênio, foram 375 pacientes.”

Nos últimos três anos, 16 pessoas perderam a vida na fronteira da Califórnia, de acordo com o estudo de Liepert. E no Arizona, em abril passado, um migrante morreu asfixiado depois de ficar pendurado de cabeça para baixo por horas.

Nos três anos anteriores, não houve mortes.

Lesões graves

Liepert explica que as lesões observadas nos últimos anos não são leves e correspondem a quedas graves.

“Os ossos que estamos vendo quebrados costumam estar em vários lugares, com muitas lesões nos tecidos moles, o que é mais condizente com uma queda de grande altura”, explica o médico.

“Mas também vimos fraturas no crânio e lesões cerebrais traumáticas, fraturas faciais, fraturas pélvicas”, continua ele.

Sua investigação é sobre a Califórnia, mas Liepert diz que ouviu falar de casos semelhantes em outros Estados da fronteira dos EUA. “Alguns dados estão começando a sair de outros centros de trauma. Nada disso foi publicado até agora”, aponta.

Do lado mexicano, não houve pesquisa como a publicada no final de abril por Liepert e seus colegas na revista científica JAMA Surgery.

Quando consultada, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos EUA não deu uma resposta.

De acordo com o jornal The Washington Post, o CBP não tem um registro do número de pessoas feridas na tentativa de cruzar a cerca da fronteira.

Mas o número de apreensões de migrantes sem visto atingiu níveis recordes no final de 2020 e nos primeiros nove meses de 2021, o que geralmente serve de indicação de uma onda de migrantes tentando chegar aos EUA.

No ano fiscal de 2021, mais de 1,7 milhão de pessoas foram detidas após cruzar a fronteira, provenientes de 160 países. A maioria eram migrantes da Guatemala, Honduras, El Salvador e México.

Para hospitais como o da UCSD, o tratamento de migrantes em áreas de trauma também se tornou uma despesa crescente pela qual eles não são reembolsados.

“Eles não têm plano de saúde e muitos deles não têm nenhum tipo de autofinanciamento. E, portanto, eles não têm nenhum seguro. Então eu entendo que muitos cuidados não são compensados”, diz a médica.

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Coreia do Norte confirma 1ª morte por Covid-19 desde o início da pandemia

Ao menos mais seis mortes de pacientes que apresentaram febre são investigadas; mais de 187 mil pessoas estão em isolamento sob suspeita de infecção pelo coronavírus.

Por g1

Coreia do Norte confirmou sua primeira morte por Covid-19 desde o início da pandemia nesta sexta-feira (13 local, quinta-feira no Brasil), informaram as autoridades do país.

Ao menos mais seis mortes de pacientes que apresentaram febre são investigadas, mas não há confirmação oficial de que eles foram infectados com a doença.

Segundo as estatísticas oficiais, mais de 187 mil pessoas estão em isolamento sob suspeita de infecção pelo coronavírus.

O anúncio vem um dia após ter sido declarado o primeiro surto de Covid-19 no país desde o início da pandemia.

Surto após dois anos de negação

Coreia do Norte reconheceu na quinta-feira (12) seu primeiro surto de Covid-19 no país desde o início da pandemia e declarou uma “grave emergência nacional”.

O líder norte-coreano Kim Jong-un ordenou o confinamento em todo o país que, desde 2020, fechou ainda mais suas fronteiras para o exterior, o que derrubou sua economia e comércio.

Fábricas, estabelecimentos comerciais e residências devem permanecer fechados e reorganizados para “bloquear de maneira impecável a propagação do vírus maligno”, informou a agência estatal.

Durante toda a pandemia, a Coreia do Norte expressou orgulho por sua declarada capacidade de manter o vírus fora de suas fronteiras.

País pode não ter vacinado população

Analistas acreditam que a Coreia do Norte não vacinou nenhum de seus 25 milhões de habitantes depois de rejeitar as ofertas de doses da Organização Mundial da Saúde (OMS), da China e da Rússia.

Também consideram que o deficiente sistema de saúde do país isolado enfrentaria muitas dificuldades para enfrentar um grande surto de Covid-19.

Coreia do Norte fica próxima de países que enfrentaram ou ainda enfrentam surtos da variante ômicron, como Coreia do Sul e China, onde várias cidades estão em confinamento há várias semanas.

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Após Finlândia, Suécia indica que pedirá ingresso na Otan

Governo entrega ao Parlamento relatório favorável à adesão do país à aliança militar ocidental. País quer neutralizar conflitos no mar Báltico, onde Rússia tem aumentado presença militar desde o ano passado.

Por g1

Um dia depois de a Finlândia anunciar formalmente que irá pedir entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Suécia indicou nesta sexta-feira (13) que fará o mesmo.

A ministra de Relações Exteriores do país, Ann Linde afirmou que seu país está pronto para abandonar a neutralidade e que a entrada da Suécia na Otan vai estabilizar conflitos no mar Báltico.

“A adesão da Suécia à Otan aumentaria o limite para conflitos militares e, portanto, teria um efeito de prevenção de conflitos no norte da Europa”, disse Linde.

Desde o ano passado, Moscou tem aumentado a presença militar e exercícios de suas tropas no mar Báltico, para onde boa parte do território sueco e a costa oeste da Finlândia e da Rússia têm saída.

A expectativa do governo sueco é entregar a candidatura à Otan já na semana que vem.

O ministro da Defesa do país, Peter Hultqvist, disse nesta sexta-feira (13) saber dos riscos para seu país com a adesão à aliança militar, mas afirmou que suas tropas “estão preparadas” para qualquer retaliação de Moscou.

Há duas semanas, o Kremlin prometeu respostas “sem precedentes” caso Finlândia e Suécia se tornem membros da Otan, considerada pelo governo de Vladimir Putin um de seus principais inimigos atualmente.

“Caso a Suécia opte por entrar na Otan, há um risco de reação da Rússia. Mas tenho que frisar que estamos preparados para lidar com qualquer reposta deles”, declarou.

Finlândia

Na quinta-feira (12), a Finlândia formalizou sua intenção de solicitar a entrada na Otan, o que deve acontecer até meados de maio. Os governos dos Estaqdos Unidos, Alemanha e França, que já fazem parte da aliança militar, declararam que vão acelerar os trâmites para que o ingresso do país.

A Finlândia tem uma ampla fronteira, de 1,3 quilômetros, com a Rússia, que já anunciou fortes retaliações caso os dois países escandinavos passem a integrar a Otan.

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Incêndio destrói pelo menos 20 mansões na costa da Califórnia

Fogo atinge um bairro onde casas são avaliadas em milhões de dólares. Ainda não se sabe como o fogo começou.

Por France Presse

Um incêndio destruiu pelo menos 20 mansões em um região luxuosa da Califórnia, e mais de 500 bombeiros lutam contra as chamas na região.

O incêndio da costa começou na tarde de quarta-feira (12) em uma área a cerca de 80 km ao sul de Los Angeles.

Imagens nas redes sociais mostram o rápido avanço do fogo, que consumiu as mansões e vegetação das colinas, assim como densas colunas de fumaça.

Fortalecidas pelo vento que vem do Oceano Pacífico, as chamas avançaram sobre cerca de 80 hectares de vegetação. Moradores de cerca de de mil habitações precisaram ser retirados. Nessa zona residencial, as casas são avaliadas em milhões de dólares.

O tamanho das casas também contribuiu para a propagação do fogo, afirmou Lisa Bartlett, funcionária do condado de Orange.

“Pelo tamanho das casas há muito material combustível que arde rápido, e então o vento reacende as chamas que se espalham de casa em casa”, disse ao “Los Angeles Times”.

O chefe do corpo de bombeiros do condado de Orange, Brian Fennessy, apontou que a propagação do incêndio mostra que, devido à grave seca, a região está vulnerável aos incêndios durante o ano inteiro, e não apenas nos meses da chamada temporada de incêndios. O mesmo acontece em grande parte do oeste dos Estados Unidos.

“É triste ter que dizer que estamos acostumados com isso; o vento é normal, o que observamos é uma propagação que não havíamos visto antes —o fogo se estende rapidamente nesta vegetação tão seca”, disse ele.

A causa do incêndio ainda é desconhecida, mas a Southern California Edison, companhia elétrica local, relatou às autoridades regionais uma atividade nos circuitos no mesmo horário em que o fogo foi registrado.

Apesar de serem comuns no oeste americano, os incêndios estão cada vez mais intensos devido ao aquecimento global, provocado pela ação humana e pelo consumo de energias fósseis, que agrava a seca crônica.

A temperatura média no verão na Califórnia, na costa oeste do país, é 1,6ºC superior à registrada no final do século 19.

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Soldados russos são flagrados matando civis ucranianos com tiros nas costas

‘Meu pai não era em hipótese alguma, um militar. Ele era um pensionista. Eles mataram um homem de 65 anos’, diz Yulia, filha de vigilante assassinado

Por BBC

Câmeras de segurança flagraram o momento em que Leonid Pilats e seu chefe foram mortos com tiros nas costas por militares russos em Kiev.

“Meu pai não era em hipótese alguma, um militar. Ele era um pensionista. Eles mataram um homem de 65 anos”, diz Yulia, filha do vigilante assassinado.

O incidente está sendo investigado por promotores ucranianos como possível crime de guerra.

Confira no vídeo acima.

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Entenda por que Finlândia e Suécia mantinham neutralidade e agora querem entrar na Otan

Países eram neutros por questões geográficas e culturais, mas devem abandonar modelo caso ingressem a aliança militar ocidental. Rússia promete fortes retaliações.

Por g1

No início deste ano, tanques do Exército sueco começaram a patrulhar a pacata ilha de Gotland, até então um destino turístico alternativo para suecos no mar Báltico. A movimentação respondia a atividades militares da Rússia crescentes na região.

Era um dos primeiros sinais de que os países escandinavos estavam prestes a abandonar a neutralidade que historicamente adotavam em conflitos mundiais, com o principal objetivo de proteger seu próprio território de uma potencial ameaça russa.

Este é um dos principais reajustes da geopolítica mundial como efeitos indiretos da guerra da Ucrânia. Nesta quinta-feira (12), a Finlândia formalizou a intenção de solicitar “o quanto antes” o ingresso na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental que o Kremlin considera seu principal inimigo atualmente.

Os dois países se mantiveram neutros durante décadas, embora por motivações diferentes.

Suécia mantinha a neutralidade por questões culturais. O país era um dos mais antigos a ter esse modelo, que adotou depois da 1ª Guerra Mundial e, embora formalmente tenha abdicado da neutralidade quando ingressou para a União Europeia, em 1995, o governo sueco já rejeitou propostas de integrar a Otan e seguia sem intervir em conflitos.

Já para a Finlândia, ser um país neutro estava relacionado à sua posição geográfica. O país teme uma fronteira de 1.300 quilômetros com a Rússia, e, desde a escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia, no fim do ano passado, teme estar desprotegida caso Moscou decida aplicar retaliações ao Ocidente.

A população, que sempre se posicionava em maioria a favor da neutralidade, começa a mostrar apoio ao ingresso da Finlândia na Otan. Segundo uma pesquisa recente, 76% dos moradores apoia a adesão à aliança militar.

“Acho uma ótima notícia. Estávamos realmente esperando para que essa entrada na Otan acontecesse há tempo e estamos muito felizes. Isso vai trazer mais segurança para a Finlândia contra agressões da Rússia, e também mostra à Rússia que a Finlândia pode tomar uma decisão sem a interferência deles”, afirmou Niko Ohvo, morador da capital finlandesa.

Em meados de abril, as primeiras-ministras da Finlândia, Sanna Marin, e da Suécia, Magdalena Andersson, anunciaram juntas que debateriam em seus Parlamentos a intenção de ingressar na Otan, o que deve acontecer até meados de maio. A possibilidade, cada vez mais concreta, provocou a ira do governo russo, que fez ameaças veladas aos dois países.

Também nesta quinta-feira (12), os governos dos Estados Unidos, da Alemanha e da França disseram apoiar a candidatura da Finlândia e da Suécia à Otan e afirmaram que se esforçarão para facilitar a entrada de ambos o mais rápido possível. Dessa maneira, caso a Rússia ataque território dos dois países, a Otan pode revidar a agressão.

“Falei ao telefone com o presidente da Finlândia e o assegurei apoio total do governo alemão à entrada na Otan”, declarou o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz.

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Naufrágio em Porto Rico deixa ao menos 11 mortos

As pessoas resgatadas são principalmente do Haiti e da República Dominicana, segundo as autoridades. Suspeita-se que a embarcação levasse imigrantes ilegais.

Por France Presse

Ao menos 11 pessoas morreram nesta quinta-feira (12) e outras 31 foram resgatadas depois que uma embarcação virou com um número indeterminado de passageiros em frente à costa de Porto Rico, informou um porta-voz da Guarda Costeira americana.

O naufrágio ocorreu há cerca de 18 quilômetros ao norte da ilha de Desecheo. Horas depois, iniciou-se a operação de resgate, que contou com helicópteros e navios-patrulha, informou o porta-voz do governo, Ricardo Castrodad.

Mapa mostra a localização da ilha de Desecheo, de Porto Rico — Foto:  g1

Mapa mostra a localização da ilha de Desecheo, de Porto Rico — Foto: g1

Além da Guarda Costeira a polícia fronteiriça e a de Porto Rico também foram empregadas, segundo ele.

As pessoas resgatadas são principalmente do Haiti e da República Dominicana, segundo as autoridades. Suspeita-se que a embarcação levasse imigrantes ilegais.

Um helicóptero da polícia informou sobre o naufrágio após o avistar pessoas na água e um barco virado pela manhã.

Os náufragos pareciam não usar coletes salva-vidas, informou a Guarda Costeira em um comunicado.

Ilha desabitada

Desecheo é uma ilha desabitada no canal La Mona, que separa a República Dominicana do Porto Rico e liga o Mar do Caribe ao Oceano Atlântico.

No sábado, uma mulher haitiana morreu no canal após o naufrágio de um barco no qual viajavam 69 migrantes.

Os outros passageiros foram socorridos pela Guarda Costeira americana e a Marinha dominicana.

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