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Explosão em comunidade na Nigéria deixa mortos e feridos, diz mídia local

Informações primária apontam para uma explosão de gás. O alvo ainda não foi confirmado oficialmente.

Por g1

Uma explosão em uma construção na região de Kano, na Nigéria, deixou ao menos 3 pessoas mortas, segundo informações da mídia local.

O comissário da polícia da região afirmou que o acidente foi causado por uma explosão de gás.

O jornal local Daily Trust diz ter ouvido testemunhas que alegam que o ataque ocorreu contra uma escola.

Equipes de resgate já estão no local para ajudar a socorrer possíveis vítimas e tirar outras que estão presas nos escombros.

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Vítimas de ataque a igreja na Califórnia eram de origem taiwanesa

Durante este domingo um atirador abriu fogo contra uma Igreja em Laguna Woods, nos EUA.

Por France Presse

Uma pessoa morreu, quatro ficaram gravemente feridas e uma teve ferimentos leves em um ataque a tiros neste domingo (15) em uma igreja perto de Los Angeles.

Todas as vítimas são de origem taiwanesa, afirmou nesta segunda-feira em Taipé o ministério das Relações Exteriores de Taiwan.

“O escritório de nossa representação em Los Angeles verificou imediatamente com a polícia local e outras autoridades que a pessoa morta e os cinco feridos são de origem taiwanesa”, afirma um comunicado do ministério.

Os fiéis participavam em uma refeição após o culto matinal quando o atirador começou o ataque em uma igreja de Orange County, a 70 quilômetros de Los Angeles, segundo as autoridades.

As pessoas presentes conseguiram deter o agressor, “amarraram suas pernas com um cabo e retiraram pelo menos duas armas dele” antes que os policiais chegassem ao local para prendê-lo, disse o subcomandante do condado de Orange, Jeff Hallock.

“Esse grupo de fiéis mostrou heroísmo e coragem excepcionais”, disse Hallock. “Eles certamente evitaram ferimentos e mortes adicionais”.

Atirador é preso depois de abrir fogo em igreja nos EUA

Os investigadores ainda tentam determinar a motivação do ataque, disse o subcomandante, antes de informar que suposto agressor, que não ficou ferido, seria um adulto de origem asiática na casa dos 60 anos.

“Uma pessoa morreu no local”, disse Hallock. “Outras quatro vítimas ficaram gravemente feridas e uma teve ferimentos leves. Todos adultos”.

As autoridades disseram que receberam uma ligação de emergência da igreja presbiteriana Geneva às 13h26 (17h26 no horário de Brasília) de domingo.

O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou que trabalha com as autoridades locais para monitorar a situação.

“Ninguém deveria ter medo de ir ao seu local de culto. Nossos pensamentos estão com as vítimas”, tuitou a conta do governo estadual.

A congressista democrata Katie Porter, que representa o condado de Orange em Washington, descreveu o ataque como uma “notícia terrível e perturbadora, especialmente menos de um dia depois de um tiroteio em massa em Buffalo”.

O tiroteio na Califórnia aconteceu depois que, no sábado, um homem branco de 18 anos abriu fogo e matou 10 pessoas e feriu outras três – quase todos afro-americanos – em um supermercado em Buffalo, Nova York, no que as autoridades chamaram de ataque racista.

Atirador mata dez pessoas em supermercado no estado de Nova York

Tiroteios em massa viraram algo frequente nos Estados Unidos, onde os esforços para regulamentar a posse de armas não conseguiram superar o poderoso lobby da indústria, mesmo após massacres.

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Rússia afirma que candidaturas de Suécia e Finlândia à Otan são ‘grave erro’

Os dois países aprovaram no domingo (15) a adesão à aliança militar. O Kremlin já prometeu represálias ‘sem precedentes’. Finlândia e Suécia, próximos geograficamente da Rússia, adotavam a neutralidade até o começo da guerra na Ucrânia.

Por g1

Premiê da Suécia anuncia intenção do país em ingressar na Otan

As candidaturas de Suécia e Finlândia para integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) são um “grave erro” que escalarão ainda mais as tensões da Rússia com o Ocidente, afirmou nesta segunda-feira (16) o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov.

Riabkov disse que “o nível de tensão” entre seu país e o Ocidente aumentará caso as novas adesões aconteçam.

“É um grave erro adicional, cujas consequências terão um longo alcance”, declarou o vice-ministro, segundo a agência de notícias Interfax.

Também nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia “acompanhará de perto” as candidaturas de Finlândia e Suécia para a Otan, que, segundo ele, não fortalecerão a “arquitetura da segurança da Europa”.

Riabkov disse que a resposta da Rússia “dependerá das consequências práticas da adesão” dos dois países nórdicos à aliança militar ocidental.

“Para nós, está claro que a segurança da Suécia e da Finlândia não será reforçada por esta decisão”, afirmou.

Fronteira entre Rússia e Finlândia — Foto: Arte/g1

Fronteira entre Rússia e Finlândia — Foto: Arte/g1

No domingo (15), a Finlândia reafirmou a intenção de pedir adesão à Otan. No mesmo dia, o partido social-democrata da Suécia, do governo, aprovou no Parlamento do país a candidatura à aliança militar.

Ambos os países mantinham à década o modelo de neutralidade, pelo qual não aderiam a nenhuma aliança militar e nem enviavam tropas ao exterior. Os dois não entraram para a Otan nem durante a Guerra Fria.

A mudança de rumo, considerada o principal movimento da geopolítica mundial em decorrência da invasão da Rússia à Ucrânia, é considerada uma grande ameaça pela Rússia, que alega que a Otan vem buscando se aproximar de seu território nos últimos anos.

Finlândia, vizinha da Rússia, compartilha 1.300 quilômetros de fronteira com o país.

Rússia justificou, entre outras alegações, a ofensiva contra a Ucrânia por sua aproximação da Otan e pelou apoio político, diplomático e militar da organização ao governo ucraniano. Moscou pretendia, desta maneira, afastar os ocidentais de suas fronteiras.

Os países da Aliança também estão fornecendo grandes quantidades de armas às forças ucranianas que lutam contra o exército russo há quase três meses.

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Após 3 décadas, McDonald’s anuncia saída total da Rússia

Rede de fast food norte-americana afirmou que venderá todos os seus negócios em território russo e que processo já foi iniciado.

Por g1

McDonald’s anunciou nesta segunda-feira (16) que vai se retirar totalmente da Rússia. A rede de fast food dos Estados Unidos afirmou que já iniciou o processo para a venda de seus negócios em território russo.

Em março, após o início da guerra na Ucrânia, o McDonald’s já tinha anunciado o fechamento de seus 850 restaurantes na Rússia e a suspensão de todas as suas operações no país, seguindo o passo de várias multinacionais que decidiram se distanciar de Moscou após a invasão russa da Ucrânia.

A gigante do fast food apontou para a crise humanitária causada pela guerra, dizendo que manter seus negócios na Rússia “não é mais sustentável, nem é consistente com os valores do McDonald’s“.

A rede de fast food empregava 62 mil funcionários na Rússia, país onde estava presente há mais de 30 anos. O primeiro McDonald’s no país foi aberto logo após a queda do Muro de Berlim e foi um símbolo poderoso do alívio das tensões da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, que entraria em colapso em 1991.

Impacto financeiro

A companhia espera um impacto financeiro entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,4 bilhão ao deixar a Rússia.

Rússia, onde o McDonald’s administra diretamente mais de 80% de seus restaurantes que levam seu nome, representa 9% do faturamento total da empresa e 3% de seu lucro operacional.

O CEO Chris Kempczinski disse que a “dedicação e lealdade ao McDonald’s” dos funcionários e centenas de fornecedores russos tornaram difícil a decisão de sair. “No entanto, temos um compromisso com nossa comunidade global e devemos permanecer firmes em nossos valores”, afirmou.

A rede disse que continua pagando os salários integrais de seus funcionários no país. A empresa disse que busca um comprador russo para contratar esses trabalhadores, mas não deu informações sobre potenciais compradores.

Com informações da AP

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A assombrosa história da espanhola que planejou ‘filha perfeita’ e depois a matou

Aurora Rodríquez Carballeira era tida como intelectual brilhante; a filha, Hildegart, que tinha 18 anos quando morreu, uma jovem prodígio que despontava como escritora e pensadora. O crime comoveu a Espanha. Mas por que Aurora matou Hildegart?

Por BBC

Na madrugada de 9 de junho de 1933, Aurora Rodríguez Carballeira acordou em sua casa em Madri, na Espanha, tomou banho, vestiu-se e mandou sua empregada levar os cachorros para passear. Imediatamente em seguida, assassinou a própria filha.

Ela atirou à queima-roupa enquanto a filha dormia, três vezes no rosto e uma no peito. E, calmamente, foi visitar seu amigo e advogado José Botella Asensi.

“Vim contar que matei minha filha, para que você não pense que estou maluca e para que me diga o que tenho que fazer”, confessou ela, relatando todos os pormenores, sem omitir nenhum detalhe que pudesse inocentá-la. Em nenhum momento, negou sua responsabilidade.

O assassinato comoveu a Espanha — e não só pela “falta de causas lógicas, se é que pode haver lógica em um assassinato da própria filha”, nas palavras do jornal espanhol La Tierra.

Até aquele dia, a assassina era “o modelo do que poderia ter sido a mulher espanhola: autossuficiente, extremamente culta e inteligente, uma intelectual brilhante que não se esquiva da esfera pública”, segundo a escritora Almudena Grandes, cujo romance La madre de Frankenstein (“A mãe de Frankenstein”, em tradução livre) é baseado em Aurora Rodríguez — que era, na opinião dela, uma mulher “fascinante”.

A filha assassinada, Hildegart Rodríguez, era uma jovem prodígio de 18 anos, importante ativista engajada na liberação sexual das mulheres e em causas sociais, além de prolífica escritora.

“É uma história extraordinária, tão fabulosa que ninguém poderia tê-la inventado”, afirmou Grandes, uma das mais famosas escritoras espanholas contemporâneas, cuja morte em novembro de 2021 comoveu o mundo literário.

Aurora Rodríguez Carballeira

Quando tinha 35 anos de idade, Aurora Rodríguez, que nasceu aproximadamente em 1879 em Ferrol, na Galícia (Espanha), concebeu mais que uma filha: traçou um plano.

Ela admirava as ideias da eugenia, teoria voltada para o aperfeiçoamento da espécie humana por meio de intervenção manipulada e métodos seletivos. Nessa época, a eugenia era um tema bastante popular entre intelectuais de várias correntes ideológicas.

Mais tarde, Adolf Hitler (1889-1945) as colocaria em prática durante o Holocausto, o assassinato em massa de milhões de judeus, bem como homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová e outras minorias, durante a 2ª Guerra Mundial, a partir de um programa de extermínio sistemático patrocinado pelo partido nazista.

Aurora Rodríguez queria gerar e criar a filha em condições ideais e convertê-la na “mulher mais perfeita, que, como uma estátua humana, fosse o padrão, a medida da humanidade e a redentora final”, como ela diria posteriormente a seus psiquiatras.

Ela escolheu um homem com as características consideradas necessárias: “fisicamente perfeito, com idade madura, plena vitalidade, inteligência com um toque de astúcia e cultura extensa e pouco profunda”, segundo Carmen Domingo, autora do ensaio biográfico Mi Querida Hija Hildegart (“Minha querida filha Hildegart”, em tradução livre), explicou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Quando ficou grávida, Aurora mudou-se para Madri e colocou em prática “uma série de técnicas que faziam parte da eugenia, sobre como levar a cabo uma boa gravidez e assegurar a geração de uma menina”, segundo Domingo. Essas técnicas incluíam dietas restritivas e exercícios.

Mas por que Aurora Rodríguez queria uma menina se, para ela, “a mulher, por mais doloroso que seja confessá-lo, é o pior da espécie humana” e se ela vivia em um mundo dominado pelos homens?

“Porque ela estava convencida de que quem poderia mudar o mundo precisaria ser capaz de reproduzi-lo — e só as mulheres podem ter filhos”, explica Domingo.

Hildegart Rodríguez Carballeira

Em 9 de dezembro de 1914, Aurora deu à luz a filha que desejava. Deu a ela o nome de Hildegart e dedicou-se a repassar ao que chamava de sua “estátua de carne” os conhecimentos que havia acumulado devorando a biblioteca do seu pai — já que ela própria nunca teve educação formal.

O trabalho de Aurora Rodríguez começou a ter resultados. Antes de completar dois anos de idade, Hildegart já sabia ler e, aos três, já escrevia. Aos oito anos, falava inglês, francês e alemão.

“O que a menina estudava eram temas concretos, pois tudo era encaminhado para que se tornasse uma superdotada para redimir a humanidade”, segundo Domingo.

Aos 13 anos, Hildegart Rodríguez já era formada com excelentes qualificações e, aos 14, começou a estudar Direito, com uma licença especial devido à sua pouca idade. Foi nessa época que ela também entrou na vida pública e política, como militante socialista (e, posteriormente, republicana).

Segundo a escritora Rosa Montero, que incluiu a história de Aurora e Hildegart Rodríguez no seu livro Nosotras (“Nós, mulheres”, em tradução livre), Aurora “treinou-a desde o berço com mãos de ferro de uma domadora circense, até convertê-la em um exemplar anômalo e excepcional, uma pobre menina prodígio”.

‘Não tive infância’

Além de estudar na universidade, Hildegart dava palestras e escrevia artigos para uma série de revistas e periódicos. Ela também foi autora de 16 monografias.

Aos 17 anos, ela terminou a faculdade de direito com louvor e começou mais duas: medicina e filosofia e letras.

Nessa época, Hildegart já era famosa. Feminista de vanguarda, ela defendia conceitos como educação sexual, controle da natalidade, esterilidade e divórcio, e escrevia ensaios sobre temas variados, de “A rebeldia sexual da juventude” até “Malthusianismo e neomalthusianismmo”, passando por “Como curar e evitar as doenças venéreas”.

A eugenia estava presente nos seus escritos, pois, segundo ela, era fundamental para formarmos uma sociedade mais justa e igualitária, como afirma no livro O problema eugênico: pontos de vista de uma mulher moderna, publicado em 1930.

Em 1932, Hildegart foi uma das fundadoras da Liga Espanhola para a Reforma Sexual com Bases Científicas, em conjunto com o famoso médico e cientista Gregorio Marañón.

Mas ela pagou um preço alto por suas conquistas.

“Não tive infância”, declarou certa vez Hildegart Rodríguez ao jornalista Eduardo de Guzmán, autor do livro Aurora de Sangre (“Aurora de sangue”, em tradução livre). “Precisei usar [a infância] toda para estudar sem descanso, dia e noite.”

Ela também não teve a liberdade que permeava as causas que ela defendia. Vivia à sombra da mãe, que controlava toda a sua vida e nunca se separava dela. Aurora a acompanhava nas aulas, reuniões sociais e políticas… e até dormiam no mesmo quarto.

Julián Besteiro, político espanhol que foi professor de Hildegart na universidade, comentou: “nos estudos, Hildegart é simplesmente formidável, mas esse fenômeno de ser tão ligado a sua mãe me evoca a imagem de um filhote de canguru preso na bolsa invisível com o cordão umbilical intacto”.

Diversos pesquisadores suspeitam que essa proximidade era transmitida até para as obras de Hildegart, que, embora tenham sido assinadas por ela, provavelmente foram escritas por Aurora.

Uma das obras que mais chamaram a atenção a este respeito é o artigo intitulado “Injustiças: Caim e Abel”, publicado em 19 de maio de 1933 no jornal La Tierra. Foi o último texto publicado por Hildegart naquele periódico, mas Aurora confirmaria posteriormente que ela fora a autora, dizendo que ali estava uma pista que apontava para morte da filha.

O artigo exalta a “paixão e grandeza” de Caim, o “homem que mais uma vez se igualou a Deus ao retirar a vida [do seu irmão Abel]”.

“Se você o ler conhecendo a história, pode ver as duas ali, com a mãe dizendo ‘isso não está caminhando bem e vai acabar mal'”, ressalta a biógrafa Carmen Domingo. “Ao assinar este artigo, Hildegart assinou sua sentença de morte.”

O artigo finaliza dizendo: “Evoquemos, pois, com adornos de simpatia, a figura progressista, de traços audazes, do Caim rebelde que atingiu a maestria na tríplice arte de Amar, Lutar e Matar”. E, 21 dias depois, o mesmo jornal noticiaria: “acontecimento dolorosíssimo: Hildegart está morta”.

O motivo

Muitos estudiosos apontam esse artigo como a declaração pública das intenções de Aurora Rodríguez, mas ele não esclarece de forma alguma suas motivações, sobre as quais ela nunca deu uma resposta clara.

O que teria levado Aurora a matar “a menina na qual depositei todas as minhas ilusões sobre a mulher com quem sonhava com espírito messiânico, com impulsos sobre-humanos, capaz de traçar novos caminhos para os homens oprimidos e escravizados”, como diria no seu julgamento? Por que fazê-lo se, segundo ela, “sua morte era, em grande parte, meu fracasso”?

Diversas pessoas imaginaram que talvez tenha sido porque Hildegart havia se apaixonado, o que, para Aurora, colocaria em risco a missão da sua vinda à Terra. Entre os candidatos a seus namorados secretos, estavam um cientista norueguês, um escultor que fazia um busto de Hildegart e um escritor e político de Barcelona, na Espanha.

Outros acreditam que não tenha sido por amor, mas sim porque o escritor H. G. Wells e o sexólogo Havelock Ellis a haviam convidado a passar uma temporada na Inglaterra e, na mente de Aurora, isso era parte de uma conspiração para torná-la uma agente secreta e prostituí-la.

Ou talvez tenha sido por desentendimentos políticos, ou porque Hildegart se cansou de sua mãe e quis emancipar-se. Ou simplesmente porque teve vontade de sair para ver o mundo.

Todas essas hipóteses e outras mais foram e continuaram sendo analisadas, mas, para Carmen Domingo, Aurora assassinou sua filha “porque era fruto da época em que viveu, das suas circunstâncias e da sua patologia”.

“Tudo isso era um coquetel Molotov que explodiu quando Hildegart decidiu seguir um caminho diferente do que ela havia previsto. Um caminho que nunca saberemos qual seria, porque não existe menção de qual foi o gatilho específico que fez com que Aurora matasse sua criação”, afirma ela.

Mas Aurora Rodríguez parecia ter intimamente claras as razões para matar sua filha, que não havia sido “produto de uma paixão sexual cega, mas sim um plano perfeitamente preparado, executado com precisão matemática e com um objetivo concreto”, como diria ela própria décadas depois ao jornalsta Eduardo de Guzmán.

“Eu a criei, fiz e formei ao longo dos anos. Sei perfeitamente aonde devia chegar”, segundo ela. Era sua obra e, na sua mente, tinha o direito de destruí-la. “Ela nasceu com uma missão ideal, da qual não podia desviar-se por nenhuma debilidade humana.”

Quando o advogado Asensi levou Aurora Rodríguez à polícia para confessar a autoria do assassinato de sua filha, perguntaram a ela os motivos. A resposta foi: “eu os tive e de gravidade correspondente ao acontecido”.

Julgamento peculiar

Embora a notícia repercutisse em todos os jornais, as manchetes daquela época eram ocupadas por uma crise no governo que havia acabado de acontecer e afetaria o julgamento de Aurora Rodríguez.

Segundo Domingo, “o momento político espanhol era muito complicado”.

“Vínhamos da [proclamação da] república e a Europa considerava a Espanha um dos países mais modernos do mundo ocidental. Tínhamos sufrágio universal, que ainda não existia na maioria dos países europeus. Mas, quando Aurora Rodríguez matou sua filha, houve uma mudança de governo, da esquerda moderada para a direita”, explica.

“Quando o julgamento começou [em 1934], houve uma situação muito curiosa”, conta Domingo. “Os advogados e psiquiatras de defesa de Aurora eram modernos, de esquerda e progressistas, e desde o primeiro momento acreditaram que ela sofria de um problema mental.”

“Mas o advogado da promotoria, ou seja, do governo e seu psiquiatra eram de direita e interessava à direita demonstrar que ela não estava louca, mesmo que estivesse, devido aos ganhos políticos que eles obteriam se uma senhora de esquerda houvesse matado sua filha”, afirma a biógrafa.

O promotor era José Valenzuela Moreno, que, para defender-se das críticas, publicou naquele mesmo ano El asesinato de Hildegart visto por el fiscal de la causa (“O assassinato de Hildegart visto pelo promotor da causa”, em tradução livre). Nele, Valenzuela escreveu que Aurora tinha “um cérebro desordenado pela intoxicação de mil leituras mal digeridas”.

“Oh, o lado perigoso dos livros! Seria muito proveitoso um estudo ponderado dessa questão interessantíssima… É cem mil vezes preferível a inteligência natural de um analfabeto que a mente enlameada de um leitor sem preparação moral e intelectual anterior”, escreveu ele.

Mas “esse cérebro desordenado” não era de uma louca, segundo alegou o promotor com afinco… e com sucesso, já que Aurora Rodríguez acabou condenada como uma pessoa em pleno uso das faculdades mentais, a uma pena de 26 anos, 8 meses e 1 dia de prisão.

Aurora recebeu a sentença com alegria. Ela não só concordava com ela (pois havia passado todo o julgamento protestando contra seu advogado de defesa, negando que estivesse louca), mas tinha já um novo plano: reformar completamente o sistema prisional.

Mas sua passagem pela prisão foi curta. Em 1935 ela foi transferida para o hospital psiquiátrico de Ciempozuelos, perto de Madri, onde ficou internada até a morte, em 1956.

Seu histórico médico das décadas que passou no manicômio foi publicado em 1977 e serviu para enriquecer não apenas o conhecimento sobre ela, mas também o da psiquiatria da época.

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Ação de assassino que matou 10 pessoas nos EUA foi transmitida ao vivo; plataforma interrompeu transmissão

Serviço de streaming Twitch informou, em comunicado, que encerrou a transmissão menos de dois minutos após o ato de violência. Jovem de 18 anos também deixou outras três pessoas feridas em um supermercado de Buffalo, no estado de Nova York.

Por g1

O assassino de 18 anos que matou 10 pessoas e deixou outras três feridas em um supermercado de Buffalo, no estado de Nova York, chegou a transmitir o crime ao vivo na plataforma Twitch, conhecida por realizar transmissões online. Ele foi identificado como Payton Gendron e está preso.

Em comunicado à agência Associated Press, o serviço de streaming afirmou que “encerrou a transmissão de Gendron menos de dois minutos após o início da violência”. O crime foi registrado neste sábado (14).

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, nativa de Buffalo, pediu que a indústria de tecnologia assuma a responsabilidade por seu papel na propagação do discurso de ódio em uma entrevista neste domingo (15) à ABC.

“Os CEOs dessas empresas precisam ser responsabilizados e garantir a todos nós que estão dando todos os passos humanamente possíveis para poder monitorar essas informações. Como essas ideias depravadas estão fermentando nas mídias sociais – está se espalhando como um vírus agora”, disse ela, acrescentando que a falta de supervisão pode levar outros a imitar o atirador.

Investigação

Agentes federais conversaram com os pais do assassino e cumpriram vários mandados de busca. As autoridades tentam confirmar a autenticidade de um manifesto de 180 páginas que foi postado online, que detalhava a trama e identificava o criminoso.

A principal suspeita é de que o crime foi motivado por ódio racial. Uma investigação preliminar descobriu que Gendron visitou repetidamente sites que defendem ideologias de supremacia branca e teorias da conspiração baseadas em raça e pesquisou tiroteios em mesquitas, de 2019, em Christchurch, Nova Zelândia, e o homem que matou dezenas em um acampamento de verão na Noruega, em 2011.

Não ficou claro por que Gendron viajou cerca de 320 quilômetros de Conklin, Nova York, para Buffalo e escolheu aquela mercearia em particular, mas os investigadores acreditam que ele pesquisou especificamente a demografia da população ao redor do Tops Friendly Market e estava procurando por comunidades com um grande número de residentes afro-americanos.

O mercado fica localizado em um bairro predominantemente negro.

“É demais. Estou tentando testemunhar, mas é demais. Você não pode nem ir à maldita loja em paz”, disse Yvonne Woodard, moradora de Buffalo, à AP. “É simplesmente louco.”

Em uma entrevista também neste domingo à ABC, o comissário de polícia de Buffalo, Joseph Gramaglia, disse que Gendron esteve na cidade “pelo menos no dia anterior”.

“Parece que ele veio aqui para explorar a área, para fazer um pequeno trabalho de reconhecimento na área antes de realizar seu ato maligno e doentio”, disse Gramaglia.

A polícia disse que Gendron atirou, no total, em 11 negros e dois brancos no sábado. Capturas de tela supostamente da transmissão do Twitch parecem mostrar um epíteto racial rabiscado no rifle usado no ataque, bem como o número 14, uma provável referência a um slogan de supremacia branca.

“Oramos por suas famílias. Mas depois de orarmos – depois de nos levantarmos – temos que exigir mudanças. Temos que exigir justiça”, disse a procuradora-geral do estado, Letitia James, em um emocionante culto religioso em Buffalo na manhã de domingo.

“Isso foi terrorismo doméstico, puro e simples.”

Veja localização da cidade. — Foto: Arte: g1

Veja localização da cidade. — Foto: Arte: g1

Vítimas

Entre os mortos estava o segurança Aaron Salter – um policial aposentado de Buffalo – que disparou vários tiros contra Gendron, disse Gramaglia no sábado. Uma bala atingiu a armadura do jovem, mas não teve efeito. Gendron, então, matou Salter, antes de caçar mais vítimas.

“Ele se preocupava com a comunidade. Ele cuidava da loja”, disse Yvette Mack, que havia feito compras na Tops no início do sábado, sobre Salter. “Ele fez um bom trabalho, você sabe. Ele era muito legal e respeitável.”

Também foi morta Ruth Whitfield, 86 anos, mãe do comissário aposentado dos bombeiros de Buffalo, Garnell Whitfield.

O prefeito de Buffalo, Byron Brown, disse aos fiéis que viu o ex-bombeiro no local do tiroteio no sábado, procurando por sua mãe.

“Minha mãe tinha acabado de ir ver meu pai, como faz todos os dias, na casa de repouso e parou no Tops para comprar apenas alguns mantimentos. E ninguém ouviu falar dela”, disse Whitfield ao prefeito na época. Ela foi confirmada como vítima no final do dia, disse Brown.

Katherine Massey, que tinha ido à loja para pegar alguns mantimentos, também foi morta, de acordo com o Buffalo News. Os nomes das demais vítimas não foram divulgados.

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Veja como a seca na Índia, 2º maior produtor de trigo, pode impactar o Brasil e o mercado mundial

Índia passa por onda de calor intenso, afetando a agricultura. Para diminuir efeito nos preços locais, o governo indiano bloqueou a exportação de trigo – o que pode beneficiar o agronegócio brasileiro.

Por Aline Macedo, g1

Na Índia, a onda de calor intenso levou os termômetros a registrarem 50°C. Com pássaros caindo do céu e relatos de moradores não conseguindo respirar por causa da fumaça de incêndios naturais, fenômeno apontado como o mais quente nos últimos 100 anos. Ocorrendo desde março, as altas temperaturas têm prejudicado produções de trigo do país.

Para diminuir os impactos dos preços locais do produto, o governo indiano anunciou nesta sábado (14) o bloqueio das exportações de trigo.

Segundo o comunicado, serão permitidas apenas as exportações lastreadas em cartas de crédito já emitidas e também para países que solicitem suprimentos “para atender às suas necessidades de segurança alimentar”.

O governo alerta que a medida não é definitiva e pode ser revisada, disseram funcionários do governo em entrevista coletiva.

Efeitos da seca na produção de trigo

A escassez da matéria-prima no mercado internacional, pode pressionar os países produtores de grãos a aumentar os preços da fabricação externa. O que significa que os cidadãos firam pagar mais caro na hora da compra.

Para além dos alimentos feitos à base de trigo, como pães, massa e farinha a falta do grão pode trazer efeitos para o consumidor na compra da carne.

O encarecimento do trigo, impacta indiretamente na criação de animais que se alimentam com rações à base de trigo, como é o caso boi.

Efeitos positivos para o Brasil

A cadeia de desabastecimento global de grãos ainda sofre com a crise geopolítica causada pelo conflito na Ucrânia.

Segundo autoridades mundiais de agricultura, com o bloqueio das exportações indianas, a tendência é provocar um desabastecimento global — o que, para o Brasil, pode ser favorável, já que é um grande exportador de trigo.

Neste ano, a exportações do agronegócio brasileiro ultrapassaram US$ 10 bilhões em fevereiro e bateram recorde para o mês. As exportações do cereal superaram as importações: US$ 246,3 exportados (836,6 mil toneladas), contra US$ 141,58 milhões importados (498,8 mil toneladas).

Em janeiro e fevereiro de 2022, as exportações recordes de trigo, em valor e em volumes (1,48 milhão de toneladas; + 184,2%), apresentaram como principais destinos: Arábia Saudita (US$ 85,63 milhões; 19,6% de participação); Marrocos (US$ 68,16 milhões; 15,6%); e Indonésia (US$ 65,70 milhões; 15%). O Paraná responde por quase metade da produção de trigo brasileira e 30% do volume de moagem.

Com o passar dos anos, a plantação brasileira começou a ser aperfeiçoada melhorando a qualidade das variedades de diferentes cultivos do trigo, também chamada de “cultivares ” .

“As nossas cultivares no Brasil melhoraram muito em termos de qualidade nos últimos anos então a gente espera um ganho de produtividade e um aumento da área plantada. Então estamos otimistas que a safra seja excelente”, analisa Paloma Venturelli, vice-presidente do Sinditrigo-PR.

Desabastecimento global

Considerado o segundo maior produtor de trigo do mundo, atrás apenas da China, a decisão da Índia pode elevar preços mundiais para novos patamares e atingir países mais pobres, como Ásia e África.

Os índices do trigo na Índia subiram para patamares recordes, em alguns mercados spot atingindo 25.000 rúpias (320 dólares) por tonelada, bem acima do preço mínimo do governo de 20.150 rúpias.

Mesmo sendo uma medida provisória, ministros de agricultura do G7 criticaram a decisão e disseram que a medida “agravará a crise” de abastecimento mundial de grãos provocada pela guerra na Ucrânia.

“Se todos começarem a restringir suas exportações ou a fechar seus mercados, a crise se agravará e isso também prejudicará a Índia e seus agricultores”, disse o ministro alemão, Cem Özdemir, após uma reunião com os representantes do grupo em Stuttgart.

“Instamos a Índia a assumir suas responsabilidades como membro do G20”, acrescentou.

Os compradores globais estavam apostando no fornecimento do segundo maior produtor de trigo do mundo depois que as exportações da região do Mar Negro caíram após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro. Antes da proibição, a Índia pretendia embarcar um recorde de 10 milhões de toneladas este ano.

As autoridades acrescentaram que não houve queda dramática na produção de trigo este ano, mas que as exportações não regulamentadas levaram a um aumento nos preços locais.

O aumento dos preços de alimentos e energia empurrou a inflação anual no varejo da Índia para perto do maior nível em oito anos em abril, fortalecendo as expectativas de que o banco central aumentará as taxas de juros de forma mais agressiva.

Em fevereiro, o governo previu produção de 111,32 milhões de toneladas, sexta safra recorde consecutiva, mas reduziu a previsão para 105 milhões de toneladas em maio.

Um aumento nas temperaturas em meados de março significa que a safra pode ficar em torno de 100 milhões de toneladas ou até menos, disse um trader de Nova Délhi.

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Os riscos que a Europa corre ao se endividar com a China

Ofertas de investimento de Pequim precisam ser ponderadas pelos países europeus.

Por BBC

Bilhões de dólares em dinheiro chinês estão impulsionando algumas economias europeias — mas alguns dos acordos que estão sendo fechados têm um problema.

Os críticos dizem que muitos projetos são “armadilhas da dívida”, em que a China tem poder para decidir o que acontece quando os empréstimos não são pagos. Pequim insiste, no entanto, que é um parceiro de investimento confiável.

Há também acusações de exploração de trabalhadores e danos ambientais em empreendimentos com participação chinesa.

Um caso ocorre no porto grego de Pireu, perto de Atenas. É um daqueles momentos de câmeras de segurança em que logo se percebe que um desastre está prestes a acontecer.

Um trabalhador portuário pode ser visto caminhando pelo cais ao lado de uma enorme pilha de contêineres.

De repente, o estivador olha para cima e vê um deles caindo em sua direção, e logo depois outro contêiner cai. Ele corre e escapa por pouco de ser esmagado pelas duas caixas enormes — que desabam com força em um caminhão vazio.

No ano passado, outro trabalhador em Pireu não teve tanta sorte. Dimitris Dagklis, de 45 anos, não escapou e morreu em um acidente com um guindaste.

“Sua morte foi resultado da intensificação do nosso trabalho e do fato de não haver medidas de segurança suficientes”, lamenta Markos Bekris, presidente do sindicato dos estivadores do porto.

Desde a morte de Dagklis, os sindicatos entraram em greve contra a redução de pessoal no porto, que pertence majoritariamente à estatal chinesa Cosco.

Em toda a Europa, enquanto os governos se preocupam com a invasão da Ucrânia pela Rússia no pós-pandemia, Pequim está expandindo seu portfólio. Gerindo portos e minas na Europa, construindo estradas e pontes e investindo onde outros não investem.

Mas os países estão tendo que pesar as recompensas — e os riscos — de assinar acordos com a China.

Muitos governos estão cada vez mais cautelosos com as chamadas “armadilhas da dívida”, em que os credores — neste caso o governo chinês — podem extrair concessões econômicas ou políticas se o país receptor do investimento não puder pagar.

As reclamações sobre funcionários que seriam explorados por empresas chinesas passam por remuneração, condições e pessoal suficiente para o trabalho.

Fizemos perguntas a Cosco sobre a morte de Dimitris Dagklis, a quantidade de empregados no Pireu e preocupações ambientais sobre a expansão do porto. A empresa respondeu que não nos daria uma entrevista.

O presidente do sindicato dos estivadores do porto não culpa apenas Pequim pelo que ele chama de erosão dos direitos trabalhistas.

Ele argumenta que o sistema capitalista pós-crise financeira global teria permitido que qualquer empresa estrangeira entrasse e maximizasse o lucro às custas dos trabalhadores.

Não há dúvida de que o investimento de Pequim impulsionou um renascimento no porto desde que o governo grego foi forçado a vendê-lo, assim como outros ativos públicos, após a turbulência econômica que atingiu a Grécia em cheio em 2008.

À medida que percorremos a costa em uma pequena lancha, logo encontramos uma fila de enormes navios porta-contêineres alinhados no horizonte aguardando ancoradouros — um gigantesco estacionamento aquático, cheio de centenas de milhares de toneladas de mercadorias, principalmente chinesas, que em breve serão enviadas para todos os cantos da Europa.

O boom no Pireu — incluindo oportunidades de emprego para os habitantes locais — reflete uma transformação mais ampla nas fortunas financeiras da Grécia. O país tem agora uma das economias da União Europeia que mais crescem.

Mas, como todos os seus vizinhos europeus, a Grécia também está lutando para lidar com o impacto da guerra na Ucrânia.

As nações estão reavaliando o que significa fazer negócios com Pequim — que em fevereiro declarou uma nova ordem global, em conjunto com sua aliada Moscou.

No dia de abertura de seus próprios Jogos Olímpicos de Inverno, a China declarou uma parceria “sem limites” com a Rússia e prometeu colaborar mais em uma posição contra o Ocidente. Desde então, a China se recusou a condenar o ataque do presidente Putin à Ucrânia.

Em Pireu, os supostos danos ambientais causados pela expansão do porto levaram a uma ação legal da população local contra os chineses da Cosco. Existem preocupações em especial com a dragagem descontrolada do fundo do mar e a poluição tóxica, bem como o aumento do tráfego marítimo e terrestre.

A advogada Anthi Giannoulou, que brincava no litoral rochoso quando criança, teme pelo futuro de sua comunidade a longo prazo.

“[O investimento] não vai beneficiar o Pireu. Vai beneficiar outras pessoas que não moram aqui. Pireu é uma cidade muito pequena e as pessoas que ainda vivem aqui estão aqui há muitas gerações. Portanto, não podemos ser expulsos por um investimento sem sermos questionados sobre isso.”

No saguão de mármore de um prédio do governo no centro de Atenas, somos recebidos pelo ministro das Relações Exteriores da Grécia, Nikos Dendias.

Ele explica que o investimento no Pireu foi mutuamente benéfico, e lembra que a China foi o único investidor a se apresentar no momento em que o governo grego foi forçado a vender o porto.

“Em nossas relações econômicas, acho que ambas as partes se beneficiam. A China tem um ponto de entrada para seus produtos na União Europeia, nos Bálcãs e na Europa Central e Oriental. E nós temos um grande porto comercial moderno.”

Após o crash de 2008, a chamada “troica europeia”, formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, foi inflexível quanto à venda do porto para ajudar a pagar as dívidas crescentes da Grécia.

“A verdade é que a China assumiu o Pireu e agora o Pireu é um dos maiores portos da Europa e — se o que eles dizem for verdade, e não tenho motivos para duvidar — provavelmente será o número um, ou o número dois, em toda a Europa. Portanto, isso é uma grande melhoria e o investimento é substancial.”

Mas e as potenciais “armadilhas da dívida” que podem vir com qualquer futuro investimento chinês na Grécia? O porto de Pireu é o ponto alto das relações de Atenas com Pequim?

O ministro admite que seu governo não assinou outros grandes acordos, mas sugere que avaliará oportunidades futuras caso a caso.

“Não há nenhum investimento chinês mais substancial na Grécia, mas julgamos o investimento em termos comerciais. Quero dizer, se os chineses querem investir, somos um país livre e uma economia livre.”

Chineses na Sérvia

A Grécia não é a única parte da Europa onde os bilhões de Pequim estão sendo investidos.

De pé em uma colina com vista para a cidade de Bor, na Sérvia, é possível pensar que fomos transportados para uma província chinesa. Os trabalhadores gritam instruções em mandarim, as bandeiras são vermelhas e os escritórios administrativos lembram templos.

A China está despejando dinheiro na mina de cobre que define a cultura local há décadas. A extração do metal deixou a água de alguns lagos e reservatórios próximos com um tom de ferrugem.

Isso serve também uma metáfora de como o vermelho do Partido Comunista Chinês está deixando sua marca em todo o continente.

Na Europa, mas fora da UE, a Sérvia não tem o mesmo nível de direitos trabalhistas de lugares como Dublin, Madri ou Viena.

Isso ficou bem claro quando encontramos um vietnamita de 35 anos nas sombras de um prédio abandonado na cidade de Zrenjanin, ao norte da capital Belgrado.

“A empresa chinesa nos trata muito mal. Eles não nos respeitam”, diz o pai de três filhos em voz baixa.

Dung (nome fictício) disse que recebeu o equivalente a R$ 7.500 para ir à Sérvia, em um trabalho de construção na fábrica de pneus Ling Long. Mas logo se arrependeu.

“Eles nos forçaram a trabalhar mais, mas não forneceram suprimentos suficientes. Quando cheguei aqui, eles davam o dobro de comida [do que recebo hoje].”

Dung explicou que os cerca de 400 trabalhadores vietnamitas recrutados ganhavam menos do que os funcionários chineses no mesmo local.

“Há 20 ou 30 trabalhadores morando juntos em cada contêiner. Eles nos tratam como escravos.”

Ele tentou deixar o emprego depois de cinco meses, mas alega que seu empregador lhe disse que não havia chance de um voo de volta ao Vietnã. Ele ficou preso a milhares de quilômetros de casa.

Desde então, ouvimos que Dung conseguiu voltar para sua família — mas somente depois de tomar um empréstimo de mais de R$ 8 mil para a viagem.

Não são apenas as condições precárias que estão alarmando algumas entidades. Os contratos que os trabalhadores são solicitados a assinar também são ruins.

Documentos de emprego que vimos na Sérvia, um país com ambições de aderir à UE, parecem cópias idênticas daqueles usados para trabalhadores estrangeiros em países do Oriente Médio que têm pena de morte.

Organizações sem fins lucrativos sérvias que nos avisaram sobre as condições na fábrica de pneus Ling Long dizem que ficaram chocadas quando perceberam o que estava acontecendo lá.

“É o caso mais visível de tráfico de pessoas e exploração de trabalhadores que tivemos no país até agora”, diz Danilo Curcic, da ONG A 11 Initiative. Ele diz que o que aconteceu na fábrica serve como um alerta para o restante da Europa, na medida em que os negócios chineses se expandem pelo continente.

“Se você está recebendo empresas chinesas e não tem instituições fortes o suficiente para impedir violações de direitos humanos ou violações de normas trabalhistas, provavelmente haverá uma precarização também nas outras empresas.”

A fábrica de Ling Long não respondeu às alegações feitas por Dung. Mas a imprensa local na Sérvia noticiou que a empresa disse que estava comprometida com altos padrões de bem-estar dos trabalhadores.

O governo sérvio argumenta que o investimento da China acelerou seu crescimento econômico. O presidente Aleksandar Vucic diz que mais investimentos chineses não devem ser prejudicados por um pequeno número de trabalhadores vietnamitas.

Essas supostas violações de direitos humanos na Europa pela China ecoam o tratamento dado aos muçulmanos uigures na China, na província de Xinjiang.

Mas há outras coisas preocupantes.

Richard Moore, chefe da agência de espionagem estrangeira do Reino Unido MI6, alerta não apenas sobre as armadilhas da dívida da China, mas também sobre as “armadilhas de dados”. Ele disse à BBC no ano passado que a China tinha a capacidade de “coletar dados de todo o mundo”.

A China rejeita essas acusações.

No Reino Unido, a gigante chinesa de telecomunicações Huawei foi banida da infraestrutura 5G britânica. A empresa também enfrenta um escrutínio contínuo sobre suas práticas de segurança e sobre supostas ligações com o governo chinês, o que ela nega.

Os EUA impuseram sanções à Huawei.

De volta a Belgrado, vemos algumas das 8 mil câmeras de segurança que foram instaladas nas ruas. Grupos de direitos humanos estão preocupados que a tecnologia biométrica da Huawei possa ser usada junto com as câmeras, mas o governo sérvio diz que recursos de reconhecimento facial não serão introduzidos tão cedo.

Quanto às armadilhas da dívida chinesa, os críticos de Pequim apontam para outro grande projeto na Europa. Tal como acontece com a Sérvia, ele está fora da órbita das regras e regulamentos da UE: em Montenegro.

Dirigir pela única autoestrada do país é uma experiência surreal. Temos a estrada só para nós, além de um rebanho de ovelhas.

A ideia da via rápida para impulsionar o comércio — ligando o porto de Bar, no mar Adriático, no sul, à fronteira com a Sérvia, no norte — é antiga. Mas sucessivos estudos de viabilidade europeus concluíram que o projeto seria complexo e caro demais.

Mas a China se apresentou com US$ 1 bilhão. Não foi um presente para Montenegro, mas sim um empréstimo a ser reembolsado.

No entanto, seis anos após o início das obras, apenas cerca de 40 km foram construídos, tornando-se uma das autoestradas mais caras do mundo.

Depois de passar por pontes e túneis escavados no trecho que foi construído, chegamos literalmente ao fim da estrada. O projeto é repleto de acusações de corrupção e propinas, e já está com dois anos de atraso. Alguns se perguntam se um dia o projeto será concluído.

Os termos do acordo com a China afirmam que, se Montenegro não pagar as parcelas do empréstimo, a decisão sobre reparações caberá a Pequim. A China poderia apreender outros ativos, incluindo o porto de Bar.

Um ministro do governo montenegrino que herdou este projeto é Milojko “Mickey” Spajić, de 34 anos. Ele conta que garantiu um acordo de reembolso que impedirá seu país de decretar falência por causa do projeto.

Para ele, a posição de Montenegro é emblemática de muitos países menores que buscam financiamento para iniciar projetos de infraestrutura e impulsionar suas economias.

“Nós precisamos de investimentos. Se os chineses são os únicos interessados em investir, eu digo: vamos em frente. Mas é preciso tomar cuidado com os termos desses investimentos, as condições e tudo precisa estar de acordo com nossas políticas gerais.”

Na semana passada, porém, Spajić perdeu o emprego quando um novo governo minoritário foi formado. Construir o restante da rodovia, e pagar a dívida chinesa, agora será um problema para seu sucessor.

Apesar de todas as críticas dirigidas à China, há um projeto que alguns consideram um exemplo de boas práticas de construção e cooperação efetiva entre Oriente e Ocidente, na Croácia.

Embora seja um domingo quando visitamos, o trabalho na ponte de Pelješac está em pleno andamento — com caminhões passando por cima dela e vigas sendo colocadas.

Este é o maior projeto de infraestrutura da Croácia e unirá a península de Pelješac ao continente croata. Atualmente, para chegar ao continente, os croatas da península precisam passar por um trecho de costa pertencente à vizinha Bósnia.

A maior parte da conta da nova ponte foi paga pela UE (a Croácia é membro), mas foi construída em Pequim, até o último parafuso. O exército de trabalhadores na obra é todo chinês.

No entanto, este projeto não está livre de polêmicas.

A licitação da estatal chinesa The China Road and Bridge Corporation foi 20% mais barata que seu concorrente mais próximo. Rivais europeus acusaram irregularidades, mas não conseguiram impedir o negócio.

Para Branimir Vidmarovic, professor da Universidade de Pula, na Croácia, a Ponte Pelješac é um exemplo de onde os países europeus podem encontrar um equilíbrio entre Oriente e Ocidente sem alienar os EUA, o maior mercado do mundo.

“Se excluirmos tecnologias críticas, se cooperarmos em coisas físicas como ferrovias, projetos de infraestrutura, não acho que haja problema em satisfazer tanto a UE, a Otan, os EUA e a China”, diz ele.

Mas a Casa Branca de Biden, herdando uma guerra comercial com a China do governo de Donald Trump, não suavizou sua posição sobre Pequim em muitas áreas e pediu à Europa que se afaste do financiamento da China.

Esperávamos falar com um diplomata chinês de alto escalão para descobrir mais sobre o que pensa Pequim. Mas nenhum dos cinco embaixadores chineses que abordamos estava disponível.

Seja dentro da UE, como Grécia e Croácia, ou em sua periferia, como Sérvia e Montenegro, as nações europeias terão que pesar os prós e os contras de firmar acordos com os chineses.

O fato de o melhor amigo declarado do presidente Xi Jinping ser Vladimir Putin — o homem que mergulhou a Europa em sua maior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial — é um fator que pesará em todas as decisões tomadas.

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Associação que presta serviço gratuito de auxílio a brasileiros em Portugal completa 30 anos

Criada em 1992, a ‘Casa do Brasil’ oferece informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas, além de orientar como ter acesso a serviços de saúde, educação e segurança social.

Por RFI

Casa do Brasil, em Lisboa — Foto: Reprodução/Instagram

Casa do Brasil, em Lisboa — Foto: Reprodução/Instagram

A Casa do Brasil chega a três décadas de atividades como a maior associação da comunidade brasileira em Portugal, onde residem, legalmente, cerca de 210 mil brasileiros, que representam a maior comunidade migrante no país. Para os próximos anos, um dos desafios da Casa do Brasil de Lisboa é ser um espaço de todas as nacionalidades. 

Associação de imigrantes sem fins lucrativos, a Casa do Brasil de Lisboa foi criada em 1992 por um grupo de brasileiros e portugueses que discutiam a regularização dos profissionais que chegavam do Brasil. Eram “publicitários, dentistas, que tinham essa dificuldade de reconhecimento da profissão” em Portugal, conta Cyntia de Paula, presidente da Casa. 

Desde então, a grande missão da Casa do Brasil é a garantia de direitos às pessoas migrantes de todas as nacionalidades. Além disso, a associação tem um trabalho muito forte na “luta contra todos os tipos de discriminação, contra o racismo, a xenofobia e outros sistemas opressores como o machismo, a LGBTfobia e tantos outros”, destaca de Paula.

Orientação e encaminhamento

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

A sede da Casa do Brasil fica no Bairro Alto, localizado na parte antiga e central da capital portuguesa. Tem quase 6 mil associados e atende cerca de 2 mil pessoas por ano. Para isso, conta com nove funcionários e 15 voluntários. Parte da equipe trabalha no Gabinete de Orientação e Encaminhamento (GOE), criado para ser fonte de informação segura para quem chega a Portugal.

O gabinete “auxilia a pessoa migrante que chega e que precisa de informações mais variadas para desvendar o que é ser imigrante”, diz Cyntia.

O GOE oferece, por exemplo, informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas em Portugal, além de orientar migrantes a como ter acesso a serviços de saúde, educação, segurança social e muitos outros.

Apoio ao emprego

Para os migrantes que buscam trabalho, a Casa do Brasil também dispõe do Gabinete de Informação Profissional (GIP).

“Além de ajudar a entender o mercado de trabalho português, [o GIP] auxilia na busca de vagas, na elaboração de currículos, na preparação de entrevistas de trabalho, faz esse match com as empresas, também com formações, diálogo com as ordens profissionais”, explica a presidente da associação.

Ativismo

Para garantir os direitos das pessoas migrantes, a Casa do Brasil de Lisboa organiza sessões informativas, promove campanhas e reuniões e cria muitos projetos que contribuem para a integração, como o que orienta brasileiros que estão no Brasil e que planejam migrar, e o que promove o combate ao discurso de ódio. Cyntia de Paula também chama a atenção para o que a associação tem feito no campo do ativismo.

“Há toda uma participação em termos de reivindicações políticas, de melhoria para a vida das pessoas migrantes, desde que nos posicionarmos nas questões dos feminismos, do racismo e das múltiplas discriminações como um todo, desde o nosso diálogo muito constante com os diferentes governos que já passaram nesses 30 anos da Casa do Brasil”, resume a presidente da associação. 

Cyntia lembra que, em 2003, a Casa teve um papel muito importante no que ficou conhecido como “Acordo Lula”. “Foi um ato de ativismo e de lobby. Foi um acordo que possibilitou que mais de 20 mil pessoas do Brasil se regularizassem porque, nessa época, ainda não tínhamos uma lei de migração, em Portugal, nos moldes em que temos hoje.”

Vertente artística

No campo das artes, a Casa tem procurado ser um espaço de acolhimento e convívio de pessoas que trabalham com diversas manifestações artísticas. Tem sido palco para sessões de filmes, exposições, trabalhos literários e aulas de dança.

“Todas as semanas temos aulas de forró, de samba, de expressão corporal, de salsa”, completa Cyntia, que faz questão de esclarecer que a programação da Casa “não está focada na cultura brasileira; ela está focada na cultura como um todo. “

Mudanças

Nos últimos anos, a Casa do Brasil de Lisboa tem passado por mudanças, inclusive com a presença mais forte de mulheres na equipe de trabalho, o que, segundo a presidente da associação, tem sido muito importante “porque temos trazido um olhar na perspectiva de gênero”. Cyntia de Paula é a terceira mulher a presidir a Casa desde a sua criação.

Além de mais espaços ocupados por mulheres, a Casa do Brasil também ganhou um novo modelo de atendimento, que permite chegar aos migrantes que vivem longe de Lisboa. “Construímos um atendimento à distância, que antes não tínhamos. Ou seja, a pessoa já não precisa vir, necessariamente, à nossa sede. Já fazemos atendimento via e-mail, via telefone, via WhatsApp, via Zoom”, afirma de Paula, com entusiasmo.

Desafios

Há quatro anos na presidência da Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia reconhece que há desafios para o futuro. Um deles é reforçar o apoio para o surgimento de mais associações, para que haja mais coletivos. “Poderia ser muito mais, muito mais movimentos associativos pelo país afora”, vislumbra.  

De Paula também planeja tornar a Casa um espaço forte de presença de migrantes de todos os cantos.

“Eu quero que a Casa seja um espaço de representação de todas as pessoas. Não só brasileiras. Que as pessoas possam ver a Casa como, também, um espaço do seu trabalho, da sua luta, e de todas as lutas. Que o movimento feminista, que o movimento LGTBQIA+, que o movimento antirracista e outros também encontrem dentro da Casa o seu lugar. Eu acho que esse também é um grande desafio para os próximos anos”, pontua.

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Conheça as novas regras para obter cidadania de Portugal e veja quem se enquadra nas categorias

Mudanças buscam dar mais acesso a quase todos os grupos —menos aos judeus sefarditas, que agora têm que apresentar vínculos com uma comunidade com origem em Portugal.

Por g1

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Passaporte português — Foto: Reprodução/Consulado de Portugal em Newark

Portugal passou a adotar novas regras para conceder a cidadania do país a descendentes de portugueses e cônjuges —brasileiros interessados devem ser beneficiados.

Para ser beneficiado é preciso pertencer a alguma dessas categorias;

  • Filhos de portugueses;
  • Netos de portugueses;
  • Bisnetos de portugueses que tenham antepassados vivos e com cidadania;
  • Cônjuges de portugueses;
  • Judeus sefarditas;
  • Pessoas que moram legalmente em Portugal há mais de 5 anos;
  • Pessoas que nasceram em Portugal, mas são filhas de estrangeiros;
  • Pessoas que já tiveram a cidadania, mas perderam;
  • Filhos adotivos de portugueses;
  • Pessoas que prestaram serviços relevantes a Portugal

A nova lei entrou em vigor já com um novo sistema, eletrônico.

Até a mudança das regras, os netos de portugueses só podiam obter cidadania se os pais deles também tivessem a nacionalidade reconhecida. Agora, é possível “pular” uma geração.

Cônsul português mostra dicas para brasileiros que buscam a cidadania portuguesa

A advogada Raquel Brito, do escritório Abreu Advogados, de Lisboa, diz que notou que com a nova regra há mais brasileiros que querem ter informação.

O prazo do processo inteiro não se alterou, segundo ela —eram cerca de 2 anos e continua a ser.

Filhos de imigrantes

Até a mudança da regra, mesmo crianças nascidas em Portugal podiam não ter cidadania, mas agora isso foi alterado.

Para que uma pessoa que nasça em Portugal seja considerada portuguesa, os pais precisam estar no país há pelo menos um ano —não importa se isso acontece de forma legal. O prazo vem caindo nos últimos anos: até 2015, se os pais não morassem em Portugal de forma regular há cinco anos, o filho não tinha cidadania.

O sentido da mudança é dar mais importância aos laços com o país do que aos vínculos de sangue, de acordo com a advogada Raquel Brito.

“Ainda não notei um aumento dos títulos de nacionalidade, mas há muitos (brasileiros) que viajam para que os filhos nasçam em Portugal, isso tem se verificado muito —brasileiros que viajam para parir. Agora (os filhos) já nascem regularizados, e isso é significativo”.

Cônjuges

Há dois casos de cônjuges de portugueses que podem obter cidadania:

  • Os que são casados;
  • Os que têm união estável por pelo menos três anos;
  • Os que têm filho português

Nesses casos, é possível pedir cidadania se a união for reconhecida em Portugal.

Judeus sefarditas

O sentido geral das novas regras é facilitar a concessão da cidadania, mas em um dos casos aconteceu o inverso: para os descendentes de judeus sefarditas (aqueles que têm antepassados que viveram na Península Ibérica), está mais difícil.

Eles precisam comprovar a sua ascendência e mostrar um certificado de uma comunidade sefardita de origem portuguesa. Depois disso, devem comprovar vínculos com Portugal.

O russo Roman Abramovich conseguiu cidadania portuguesa em 2021. Depois da guerra na Ucrânia, Portugal foi entender o que havia acontecido. O rabino que avalizou cidadania para Abramovich chegou a ser detido, mas foi liberado após uma interrogação.

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