Ativista Greta Thunberg muda descrição no Twitter para ‘pirralha’ após declaração de Bolsonaro

Por G1

10/12/2019 12h21  Atualizado há uma hora


Greta Thunberg muda sua descrição biográfica no Twitter após Bolsonaro chamá-la de 'pirralha'. — Foto: Reprodução/Twitter

Greta Thunberg muda sua descrição biográfica no Twitter após Bolsonaro chamá-la de ‘pirralha’. — Foto: Reprodução/Twitter

A ativista sueca Greta Thunberg mudou na manhã desta terça-feira (10) a sua descrição biográfica no Twitter para “Pirralha” após declaração do presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro se referiu à Greta como “pirralha” quando foi questionado por jornalistas, nesta terça, se estava preocupado com as mortes de dois indígenas da etnia Guajajara em um atentado ocorrido no sábado (7) no Maranhão.

“A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí, pirralha” – Jair Bolsonaro, presidente

Em seguida, Bolsonaro afirmou que “qualquer morte preocupa” e que seu governo deseja “cumprir a lei”, posicionando-se contra desmatamento e queimadas ilegais.

No mesmo dia das mortes, Greta compartilhou um vídeo nas redes sociais sobre o crime e escreveu que os indígenas estavam sendo assassinados ao tentarem proteger a floresta do desmatamento ilegal.

Em uma postagem na internet, Greta disse que índios estão sendo assassinados por tentarem proteger a floresta — Foto: Reproduçaõ/Twitter

Em uma postagem na internet, Greta disse que índios estão sendo assassinados por tentarem proteger a floresta — Foto: Reproduçaõ/Twitter

“Indígenas estão sendo mortos por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal. De novo e de novo. É uma vergonha que o mundo permaneça calado sobre isso” – Greta

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de mortes de lideranças indígenas em 2019 é o maior em pelo menos 11 anos. Das 27 pessoas que morreram por conflitos no campo neste ano, 7 eram líderes indígenas, contra 2 em 2018, segundo a entidade.

Para o coordenador da CPT, Paulo Moreira, os crimes estão relacionados ao acirramento da violência na disputa pela terra, embora nem todas as mortes tenham ocorrido em territórios indígenas. Ele também avalia que o assassinato de lideranças têm um impacto ainda maior: envolve a tentativa de enfraquecer o grupo.

Declaração do Trump

Esta não é a primeira vez que Greta se apropria das críticas e altera a descrição biográfica no Twitter.

Em setembro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ironizou o discurso da adolescente na Cúpula de Ação Climática da ONU.

Na ocasião, Greta afirmou que “pessoas estão sofrendo, pessoas estão morrendo, ecossistemas inteiros estão entrando em colapso” ao pedir que os líderes tomassem medidas contra o aquecimento global.

Trump, que retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris – compromisso internacional para a redução das emissões de gases do efeito estufa – ironizou a fala de Greta em uma rede social: “Ela parece uma garota jovem e muito feliz que espera um futuro brilhante e maravilhoso. Tão bonito de ver!”, escreveu Trump.

A ativista, então, acrescentou a frase à sua descrição biográfica e escrevendo que era “uma garota jovem e muito feliz que espera um futuro brilhante e maravilhoso”.

Confira abaixo o discurso de Greta na Cúpula das Ações Climáticas, da ONU:

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Impeachment: Democratas apresentam acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso contra Trump

Por G1

Os democratas da Câmara de Representantes dos Estados Unidos apresentaram, nesta terça-feira (10), as acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso contra o presidente americano, Donald Trump, que serão votadas na Casa contra ele.

O Comitê Judiciário da Câmara vai votar, provavelmente a partir desta quarta (11), se recomenda ou não que a Câmara aceite as acusações – chamadas de artigos de impeachment – e denuncie Trump formalmente por crimes e delitos. (Veja gráfico mais abaixo).

Se isso acontecer, ele será o terceiro presidente a passar por isso na história americana – depois de Richard Nixon e Bill Clinton.

Abuso de poder

Em setembro, os democratas anunciaram a abertura de um processo de impeachment contra Trump porque ele pediu à Ucrânia que lançasse uma investigação sobre seu adversário políticoJoe Biden – um dos favoritos à indicação democrata para enfrentá-lo na eleição presidencial de 2020.

Os rivais do presidente consideraram que ele abusou do poder de seu cargo ao pedir intervenção estrangeira nas eleições americanas.

“É um crime passível de impeachment o presidente exercer os poderes de seu cargo público para obter um benefício impróprio e pessoal enquanto ignora ou prejudica o interesse nacional”, afirmou Jerrold Nadler, democrata da Câmara, que apresentou os artigos de impeachment.

“Isso é exatamente o que o presidente Trump fez quando solicitou e pressionou a Ucrânia a interferir em nossas eleições de 2020 – prejudicando a segurança nacional, minando a integridade da próxima eleição e violando seu juramento ao povo americano”, disse Adler.

O democrata Adam Schiff, que detalhou as ações de Trump em relação à Ucrânia, acrescentou que “nós estamos aqui hoje porque o abuso contínuo do presidente de seu poder não nos deixou escolha. Não fazer nada nos tornaria cúmplices do presidente no abuso de seu alto cargo, da confiança pública e da nossa segurança nacional”, afirmou.

Obstrução do Congresso

Os democratas concluíram que Trump tentou, sistematicamente, interromper a investigação do pedido feito à Ucrânia – ordenando que as autoridades do governo não testemunhassem e se recusando a entregar documentos requeridos pela Câmara relacionados ao assunto.

O democrata Jerrold Adler afirmou ainda que, quando a Câmara começou a investigá-lo e abriu o inquérito de impeachment, Trump o “desafiou de forma categórica, indiscriminada e sem precedentes” – o que levou à segunda acusação contra o presidente, a de obstrução do Congresso.

“A prova é tão forte quanto [a de abuso de poder] que o presidente Trump obstruiu o Congresso completamente, sem precedentes e sem base na lei”, disse Schiff. “Se permitido, [isso] iria dizimar a habilidade do Congresso de conduzir supervisão dessa presidência ou de qualquer outra no futuro”.

“Um presidente que declara a si mesmo como acima de ser responsabilizado, acima do povo americano e acima do poder de impeachment do Congresso – que é feito para proteger as nossas instituições democráticas de ameaças – é um presidente que vê a si mesmo como acima da lei”, afirmou Nadler. “Nós devemos ser claros: ninguém, nem mesmo o presidente, está acima da lei”.

Gráfico mostra quais os possíveis desdobramentos do processo de impeachment de Donald Trump — Foto: Guilherme Pinheiro/G1

Gráfico mostra quais os possíveis desdobramentos do processo de impeachment de Donald Trump — Foto: Guilherme Pinheiro/G1

O jornal americano “The New York Times” destacou que os democratas não acusaram Trump de suborno – o crime é explicitamente mencionado na Constituição americana como passível de ser punido como impeachment.

Uma votação a favor do impeachment na Câmara levará a um julgamento no Senado – que tem maioria republicana. Lá, seriam necessários dois terços dos votos de todos os presentes para conseguir o impeachment.

Na quarta-feira (4), o Comitê Judiciário realizou uma audiência na qual três especialistas em direito constitucional convocados por parlamentares democratas disseram que Trump cometeu delitos puníveis com impeachment. Um quarto especialista, convocado pelos Republicanos, classificou o inquérito como apressado e falho.

Trump nega qualquer irregularidade e não coopera com a investigação, que rotulou como uma farsa.

Nesta terça (10), pouco antes do anúncio das acusações, ele escreveu no Twitter que “realizar um impeachment contra um presidente que não fez nada de errado é pura loucura política”, e completou dizendo que a investigação era uma “caça às bruxas”.

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México anuncia maior descoberta de petróleo em 30 anos

Por G1

A petroleira estatal do México, Pemex, anunciou na sexta-feira (6) a descoberta de uma reserva que pode render 500 milhões de barris de petróleo, informou a agência Reuters.

Segundo a empresa, é o maior achado desse tipo em mais de 30 anos no país.

O poço foi encontrado em maio no estado de Tabasco, no sudeste mexicano. A estatal afirma ter comprovado, por meio de estudos, a viabilidade da extração no local.

A Pemex pretende extrair 69 mil barris por dia até o próximo ano e atingir 110 mil barris diários em 2021, segundo o presidente-executivo, Octavio Romero Oropeza.

A revitalização da Pemex, que registra um declínio constante da produção há mais de uma década, é considerada uma das prioridades do governo do atual presidente do México, Andrés Manuel Lopez Obrador.

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Exportações chinesas registram queda em novembro em plena guerra comercial com EUA


Por RFI

O excedente chinês em relação aos Estados Unidos teve uma queda significativa (-6,9%), passando de US$ 26,42 bilhões para US$ 24,61 bilhões em um mês, de acordo com números divulgados pelas autoridades chinesas neste domingo (8). A notícia deve agradar o presidente americano, Donald Trump, que iniciou uma guerra comercial com Pequim em 2018, baseada na imposição de tarifas. O presidente americano afirma que seu objetivo é, principalmente, reequilibrar o comércio bilateral.

As vendas da China no exterior em geral retrocederam 1,1% no mês passado em um ano, após um recuo de 0,9% em outubro, em um contexto de menor demanda mundial. As importações chinesas passaram, por sua vez, para o outro lado da balança (+0,3%) após seis longos meses de queda. Também aqui, os analistas esperavam a tendência contrária, prevendo um recuo de 1,4%.

“Estes números são um pouco surpreendentes”, comentou Zhou Hao, economista do Commerzbank em Singapura, citado pela Bloomberg. “A situação ainda pode melhorar em relação às importações de dezembro, devido a uma base comparativa favorável com o ano anterior. Em geral, porém, não há uma melhora significativa à vista”, acrescentou.

EUA e China buscam acordo preliminar

Os números são divulgados no momento em que as duas principais economias do mundo buscam um acordo preliminar que encerre a disputa comercial. Entre as mercadorias afetadas, estão celulares e roupas esportivas. Apesar das recentes tensões diplomáticas bilaterais, devido à política chinesa em Hong Kong e em Xinjiang, o porta-voz do Ministério chinês do Comércio, Gao Fengo, declarou na última quinta-feira que “as equipes de negociação continuam em estreito contato”.

Neste contexto de incerteza, centenas de lideranças políticas, economistas e presidentes de bancos centrais se reúnem em Pequim, nos próximos dias, para um grande encontro anual. Na reunião, deve-se estabelecer metas de crescimento para 2020, assim como sobre política monetária e fiscal.

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Em meio à greve, França está disposta a adiar aplicação de reforma da Previdência


Por Reuters

O governo francês disse que seguirá em frente com a reforma da Previdência que planeja, mas tentou aliviar a fúria dos sindicatos prometendo uma introdução gradual do novo sistema que motivou greves nacionais.

O sistema de transportes foi paralisado pelo quarto dia, neste domingo (8), com sindicatos da ferrovia estatal SNCF e do sistema de transportes público de Paris, RATP, estendendo a greve contra as mudanças.

“Estou determinado a completar a reforma da Previdência”, disse o primeiro-ministro Edouard Philippe, ao Journal du Dimanche.

“Se não implementarmos uma reforma minuciosa, séria e progressista hoje, outra pessoa fará uma amanhã, mas realmente brutal.”

Na quarta-feira (11), Philippe apresentará um esboço detalhado da reforma, que busca encerrar regimes especiais sob os quais alguns trabalhadores podem se aposentar por volta dos 50 anos e colocar em ação um sistema unificado, com direitos iguais para todos.

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Homem é preso com 890 ‘bananas’ de dinamite, avaliadas em R$ 267 mil pela polícia

Por G1 PE

'Bananas' de dinamite foram encontradas em Moreno, no Grande Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

‘Bananas’ de dinamite foram encontradas em Moreno, no Grande Recife — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Um homem de 43 anos de idade foi preso em flagrante na cidade de Moreno, no Grande Recife, por comercialização de explosivos que seriam usados para roubos a instituições financeiras.

Com ele, segundo a Polícia Civil, foram apreendidas 890 “emulsões”, materiais popularmente conhecidos como “bananas” de dinamite.

Cada unidade do material, segundo a polícia, vale R$ 300. Se fossem vendidos a esse valor, os explosivos renderiam R$ 267 mil.

Ainda segundo a Polícia Civil, Everaldo Souto Maior de Lima Júnior, de 43 anos, tem passagem pelo sistema prisional por crimes como roubo e de receptação. Ele é considerado “perigoso” pela corporação.

A prisão foi comandada pelo delegado Cláudio Castro, após denúncias sobre a venda de artefatos explosivos para assaltos a bancos, carros-fortes e para a explosão de muros de unidades prisionais, para o “resgate” de presos.

Everaldo foi encaminhado ao Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), onde foi autuado em flagrante. Ele seguiu para audiência de custódia em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que, em audiência de custódia realizada no Fórum de Jaboatão, Everaldo teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

Ele foi autuado por porte de artefato explosivo e encaminhado ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife.

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Como é o interior da maior prisão do Afeganistão, que abriga 2 mil presos do Talibã


Por BBC

Mawlawi Fazel Bari (à direita) lidera várias rezas para outros prisioneiros — Foto: BBC

Mawlawi Fazel Bari (à direita) lidera várias rezas para outros prisioneiros — Foto: BBC

Alerta: Esta reportagem contém descrições que alguns leitores podem achar perturbadoras

A prisão Pul-e-Charkhi, na periferia de Cabul, é cercada por paredes de pedra cinzas e arame farpado, monitorada por torres de vigilância e protegida por gigantes portões de aço. Dos 10 mil presos, um quinto pertence ao Talibã —o grupo insurgente islâmico linha dura do Afeganistão.

O preso Mawlawi Fazel Bari, um dos membros do Talibã no local, diz que não nasceu lutando, mas depois de cinco anos na prisão, ele nunca se sentiu mais pronto para morrer.

“Tornei-me uma pessoa tão frustrada. Nunca achei que fosse cometer um atentado suicida, mas agora, juro por Deus que vou”, ele diz.

Por enquanto, Bari permanecerá encarcerado na prisão de segurança máxima. Mas essa prisão é uma entre várias pelo país que está soltando prisioneiros do Talibã em números sem precedentes, como parte de um gesto de cooperação por parte de um governo que se fechou para negociações de paz.

O objetivo a longo prazo do Talibã é restaurar o Emirado Islâmico no Afeganistão —seu sistema de governo enquanto estiveram no poder entre 1996 e 2001 — que introduziu a sharia, ou lei islâmica, e um regime em que mulheres eram banidas da vida pública e punições incluíam apedrejamentos e amputações. Não está claro como um regime do Talibã funcionaria.

Centenas de milhares de pessoas morreram no Afeganistão desde que forças americanas derrubaram o governo do Talibã em 2001, incluindo dezenas de milhares de civis.

A reportagem da BBC entrou em Pul-e-Charkhi, que é a maior prisão do Afeganistão, para entender: quem são esses jihadistas, e que futuro enxergam para o Ageganistão?

Durante a visita da BBC, os prisioneiros do Talibã se abriram sobre suas motivações e lamentos, mas foram relutantes em responder sobre atividades específicas. Sabemos, no entanto, que Mawlawi Fazel Bari se juntou ao Talibã 15 anos atrás e se tornou comandante do grupo na província de Helmand, lutando contra forças afegãs e internacionais naquela região.

A pequena cela de Bari é lotada de homens, todos membros do Talibã. Há filas para o corredor — alguns homens estão abaixados em passagens, outro estão olhando de suas treliches. Um preso mais velho está sentado no chão, rezando silenciosamente com suas contas de oração.

O chão é um mar de almofadas e tapetes vermelhos, e sobre quatro paredes há um mosaico de pôsteres mostrando imagens de lugares sagrados para o islã, como Meca e Medina, além de cenas idílicas genéricas, como cachoeiras, buquês de flores, cones de sorvete.

Os presos decoraram sua cela de maneira para que ela evoque uma visão do paraíso, refletindo sua crença fundamental de que se forem mortos em ação, vão direto para o céu.

Próximo às paredes, há estantes improvisadas com livros pesados de literatura islâmica e o Corão.

Um poster de Medina em uma cela na prisão Pul-e-Charkhi — Foto: BBC

Um poster de Medina em uma cela na prisão Pul-e-Charkhi — Foto: BBC

Bari começa a pregar e todos os olhos se viram para ele. Ele costumava ser um acadêmico, e por isso seus colegas presos o têm em alta conta.

“Eu te digo isso”, ele fala, “enquanto houver um soldado estrangeiro no Afeganistão, a paz não é possível.”

O Talibã afegão foi acusado de dar um santuário a Osama Bin Laden e ao grupo al-Qaeda — culpado pelos ataques extremistas coordenados nos Estados Unidos em setembro de 2001. Depois de 19 anos de guerra entre o Talibã e as forças americanas, o conflito no Afeganistão agora é o mais longo da história dos EUA.

O presidente americano, Donald Trump, parecia próximo de fechar um acordo com o Talibã em setembro. Mas ele cancelou as negociações de paz repentinamente, depois que os combatentes admitiram responsabilidade por uma explosão em Cabul que matou 12 pessoas, incluindo um soldado americano. Na última semana, Trump anunciou ter feito uma visita ao país asiático para retomar os diálogos de paz.

Os EUA dizem que têm ao menos 13 mil tropas no país. Como parte de um acordo com o Talibã — agora fora da mesa de negociações, depois que as conversas cessaram — o país prometeu reduzi-las para 8.600 dentro dos primeiros cinco meses do acordo. Durante sua campanha em 2016, Trump prometeu que acaria com a guerra dos EUA no Afeganistão.

Mas muitos críticos dizem acreditar que, sem envolver o governo afegão, que por enquanto não foi incluído nas negociações, a retirada de tropas poderia levar o país ao caos.

A sensação de entrar na ala Seis do presídio é a de entrar em um território do Talibã. Os longos corredores são repletos de presos do Talibã andando livremente — fazendo a barba, tomando banho, cozinhando.

Os colegas de cela de Bari são de todo tipo. São professores, agricultores, comerciantes e motoristas que foram julgados e condenados por pertencerem ao Talibã — considerados culpados de exercer uma variedade de papéis, como cobrar impostos, patrulhando como um soldado, plantando bombas.

Membros “sênior” como Bari coordenam o cronograma da prisão, liderando presos pelas horas de reza e estudos islâmicos.

Do nascer do sol ao pôr do sol, rezas são levadas a cabo cinco vezes por dia, intercaladas com estudos que muitas vezes envolve memorizar o Corão. Durante as refeições e banhos de sol, a política costuma dominar as conversas.

Os prisoneiros na ala seis foram condenados por atuar em vários papéis para o Talibã — Foto: BBC

Os prisoneiros na ala seis foram condenados por atuar em vários papéis para o Talibã — Foto: BBC

Muitos dizem que entraram no Talibã motivados pela vingança, às vezes em retaliação por bombardeios aéreos em seu país.

“Quando as Forças americanas bombardearam minha vila [há 15 anos], meu vizinho e suas duas mulheres morreram, mas seu filho mais novo, um menino chamado Rahmatullah, sobreviveu”, diz Bari.

“Eu adotei o menino e o ajudei a estudar. Mas todas as vezes que ele ouvia o som dos helicópteros, ele corria na minha direção gritando: ‘Eles vieram me matar!’.”

Ele diz que quis entrar na guerra depois de ver “mesquitas demais sendo destruídas, e mulheres e crianças sendo mortas”.

Outro membro antigo do Talibã na prisão, Mullah Sultan, também diz que ele queria enfrentar as “atrocidades” que testemunhava.

“Como sou afegão, eu vi que era meu direito levantar a voz e dizer que não aceitava esses invasores”, ele diz.

Na última década, a retirada gradual de tropas estrangeiras pela coalizão liderada pelos EUA foi ofuscada por um aumento de bombardeios aéreos, que frequentemente são imprecisos, incluindo perdas civis substanciais.

Na primeira metade de 2019, a ONU disse que mais civis foram mortos pelas forças afegãs e americanas do que pelo Talibã.

No entanto, quando considera-se a última década, forças insurgentes, incluindo o Talibã, foram responsáveis por mais mortes de civis, de acordo com a ONU.

Se os presos do Talibã dizem que o que acontece na guerra os está motivando a entrar no grupo, também está abastecendo seus planos na prisão.

Acredita-se que líderes como Bari recebem sermões de seus superiores, e até de Hibatullah Akhundzada, o líder supremo do Talibã, e passam o que aprendem diretamente para os prisioneiros.

Notícias sobre as conversas de paz, quando estavam sendo levadas a cabo, foram compartilhadas com empolgação.

“Sabemos que os estrangeiros estão cansados”, diz Mullah Sultan.

“Acreditamos que estão de joelhos e logo vão embora. Nós, afegãos, vivemos juntos sob o guarda-chuva da sharia [lei islâmica] e um sistema islâmico”, ele diz.

Mullah Sultan diz que quer reinstalar a "sharia" no sistema de governo do Afeganistão — Foto: BBC

Mullah Sultan diz que quer reinstalar a “sharia” no sistema de governo do Afeganistão — Foto: BBC

Os prisioneiros do Talibã parecem desfrutar de maiores privilégios que outros prisioneiros, controlando seu próprio cronograma, administrando a madraça (escola religiosa), e tendo acesso a melhores cuidados de saúde e auxílio legal.

Sua união e cadeias de comando aparentam dar-lhe mais influência dentro da prisão. Como resultado, eles às vezes representam toda a população de Pul-e-Charkhi para pedir por melhores condições. Os guardas reconhecem que eles são uma frente unida, que, como outro membro antigo do Talibã, Mawlawi Mamur, conta à BBC, “morreria pelos direitos dos outros”.

Os guardas dizem que o relacionamento entre eles e os prisioneiros do Talibã é de colaboração.

“O senso de cooperação é muito forte entre nós e os líderes de prisão do Talibã”, diz o guarda Rahmudin, de 28 anos, que cuida da ala Seis.

“Aqui há 2 mil prisioneiros em um dado momento, então precisamos de sua cooperação para resolver os problemas.”

Mas greves constantes por prisioneiros do Talibã em Pul-e-Charkhi sobre suas condições sugerem que o relacionamento nem sempre é tranquilo.

Os prisioneiros disseram à BBC que frequentemente fazem greves de fome costurando seus lábios ou aros de bicicleta pelas suas bocas para protestar contra cuidado médico que dizem ser inadequado, andamento judicial demorado e o tratamento ruim por guardas de prisão.

Também há relatórios de prisioneiros do Talibã atacando guardas da prisão, às vezes tomando o controle de parte da prisão. A BBC entrou em contato com o Ministério do Interior para verificar essas alegações mas não recebeu uma resposta. No entanto, regularmente recebe fotos das greves e ligações e mensagens pedindo por ajuda.

Mais cedo neste ano, brigas entre prisioneiros e guardas resultaram na mortes de quatro prisioneiros e ferimentos em outras 33 pessoas, incluindo 20 policiais. Relatos não confirmados dizem que prisioneiros estavam protestando contra a falta de tratamentos de saúde, mas um porta-voz do Ministério do Interior disse à BBC na época que as brigas foram resultado de uma verificação de drogas e foi instigada por traficantes na prisão.

Viver tantos anos em condições tão voláteis serviu para endurecer as atitudes desses prisioneiros.

E alguns deles já foram, ou ainda serão, soltos em volume inédito. O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, disse em junho que 887 prisioneiros do Talibã seriam libertados de Pul-e-Charkhi e outras prisões pelo país. É tradicional que o presidente anuncie dezenas de libertações de prisioneiros para que celebrem o festival islânico de Eid, mas esse foi um gesto que críticos interpretaram como uma demonstração de poder por um governo excluído das conversas de paz entre os Estados Unidos e o Talibã.

O Talibã se recusou a negociar com o governo, já que não reconhece sua legitimidade.

Bari vai servir sua sentença por mais dois anos, embora ele deixe claro que, quando for libertado, continuará sua jihad, ou guerra santa.

“Quando eu for libertado, vou voltar para o combate. Antes eu estava 20% comprometido, mas agora estou 100% em seguir com a jihad e defender meu país.”

Território Talibã

Um dos que foram soltos sob perdão presidencial é seu amigo e colega de cela, Qari Sayed Muhammed, 32, agora em casa em território talibã, na província Balkh, no norte do Afeganistão, depois de seis anos na prisão Pul-e-Charkhi.

Qari Sayed Muhammed com suas filhas — Foto: BBC

Qari Sayed Muhammed com suas filhas — Foto: BBC

Como o único membro homem de sua família — seu pai e dois irmãos foram mortos enquanto ele estava na prisão — ele diz que, por agora, ele deve ficar em casa e administrar a fazenda da família.

Ele diz acreditar que, daqueles prisioneiros liberados recentemente, ele é um dos poucos que ainda estão vivos.

“Eu acredito que 95% dos que saíram da prisão entraram de novo no Talibã e muitos deles já morreram”, ele diz só 20 dias depois de voltar pra casa.

Enquanto seu colega de cela Bari foi motivado por vingança, Muhammad diz que ele entrou inicialmente no Talibã —aos 18 anos, ao lado de 15 de seus amigos— como uma forma de escapar do assédio policial.

“O assédio faz parte da vida na vila. Frequentemente, quando uma pessoa conta para a polícia mentiras sobre nós, a polícia vinha e nos ameaçava. Então pensamos que, se vão nos prender, de qualquer forma, podemos agarrar nossos destinos com as próprias mãos.”

Violência e corrupção dentro das forças afegãs foram reconhecidas por diversas organizações de direitos humanos como um problema que atinge todo o país.

Existem, contudo, várias razões para um jovem afegão se juntar ao Talibã: a reação a tiros, bombardeios, desemprego, desejo por equipamentos de guerra, como armas, veículos e munição, que eles podem vender mais tarde, e pressão de amigos.

Um dos primeiros trabalhos de Muhammed para o Talibã foi recolher seus impostos mandatários. De moto em um grupo de seis homens ou menos, ele pedia dinheiro de cada fazenda de ópio —legal em território do Talibã— em quatro distritos.

Como um soldado, ele seguia uma clara linha de comando, de governador até seu comandante militar, até diversos tenentes. Muhammed diz que não havia salário oficial, mas seus gastos eram cobertos, de munição a combustível e crédito de celular.

Ele diz que três anos depois —com uma guerra se intensificando pelo país— sua motivação mudou, e ele abraçou o jihad do Talibã ou guerra santa contra todas as tropas externas.

“Eu tinha 21 anos quando coloquei uma arma sobre meu ombro. Lembro de pensar que estava entrando em uma batalha contra infiéis pela defesa dos muçulmanos. Esse pensamento ficou comigo e ficará até o fim.”

Seguindo a ideologia de um jihadista, ele diz que quando temia por sua vida, tentava evitar preocupações com a família e pensava que estaria cumprindo seu dever religioso se fosse morto.

Ele descreve a missão durante a qual sua unidade foi vítima de uma emboscada, e estavam atirando nele com uma metralhadora russa.

“É durante esses momentos que seu cérebro começa a trabalhar muito rápido. Você começa a pensar: ‘O que vai acontecer com minha casa? Meus filhos? Minha mulher?’ É quando o diabo tenta te distrair, te tentando a pensar sobre sua família. Mas eu tentei focar toda minha atenção para o fato de que eu estava servindo Alá.”

Muhammed foi capturada pelo serviço de inteligência afegã em 2013 e foi enviado para a prisão Pul-e-charki.

Ele diz acreditar que, dos 15 jovens homens que saíram de sua vila com ele para entrar no Talibã, só dois estão vivos.

Território do governo

Depois de décadas de guerra, o Afeganistão se tornou um mosaico de diferentes territórios. Só 20% a 30% do país é controlado pelo governo, e o Talibã agora controla ou contesta mais território no Afeganistão do que jamais chegou a controlar desde 2001, segundo pesquisas de outubro do site de notícias americano Long War Journal, que informa sobre a guerra ao terror.

Divisão geopolítica do Afeganistão — Foto: BBC

Divisão geopolítica do Afeganistão — Foto: BBC

Oportunidades para jovens homens nesse Afeganistão destruído pela guerra são rarefeitas, e portanto muitos sentem que a escolha óbvia é se juntar ao combate. Muitas vezes, no entanto, o lugar onde um homem nasce pode determinar de que lado ele ficará na luta.

Aos 24 anos e morando mora na província Kunar, no leste do Afeganistão, Nematullah decidiu dedicar sua vida ao Exército nacional do país.

Sua história reflete o potencial de caos burocrático em uma nação em turbulência.

Depois de três anos viajando e lutando por diversas partes do Afeganistão, Nematullah e sua unidade foram enviados para proteger um posto na região montanhosa de Chinartu, na província Uruzgan.

Pequenas células do Talibã frequentemente atacavam o posto. Nematullah e seus colegas soldados se acostumaram à rotina de troca tiros até que seus adversários recuassem.

Uma noite, porém, o Talibã promoveu um grande ataque. E a unidade de Nematullah foi surpreendida.

“O combate durou para sempre, até que o sol nasceu e nossa munição acabou”, conta ele.

“Eles nos algemaram e nos venderam. E nos bateram com a parte de trás de suas armas. Nos chamaram de infiéis, escravos dos não muçulmanos. Enquanto nos guiavam, eu estava contando cada passo em direção à morte.”

Só dias depois, a família de Nematullah foi contatada pelo Ministério da Defesa do Afeganistão, que lhe informou que seu filho havia sido morto e eles deveriam ir recolher seu corpo no necrotério.

A família recebeu um caixão fechado e realizou um funeral para o filho que perdeu. Disseram que o caixão havia sido lacrado porque seu corpo não estava em um estado em que poderia ser reconhecido.

Durante 18 meses, sua família, incluindo sua noiva, continuaram a fazer visitar diárias a seu túmulo, levando flores e rezando.

Enquanto isso, em Uruzgan, Nematullah havia sido levado para as profundezas das montanhas, em uma rede intrincada e gigante de carvernas. Junto com outro 54 prisioneiros, ele foi obrigado a cavar nas pedras sua própria cela.

Por um ano e meio, ele compartilhou a cela que ele mesmo construiu com 11 outros homens —todos do Exército afegão ou da polícia. Suas mãos e pés ficavam acorrentados durante quase 24 horas por dia.

Nematullah se lembra de que o Talibã lhes dava pouquíssimo pão para comer, e da monotonia do cativeiro ser tão ruim quanto a fome. Até que finalmente, uma noite, perto da meia-noie, ele e seus companheiros de cela foram acordados pelo som ensurdecedor de explosões ao redor deles.

Eles estavam diretamente sob um ataque aéreo, e a destruição que causou permitiu com que eles se libertassem.

A primeira coisa que ele fez foi ligar para seu pai.

“‘Sou eu, Nemat’, eu disse. E meu pai respondeu: ‘Que Nemat?’. ‘Seu filho’, eu disse. Mas ainda assim ele não acreditou em mim.”

Só depois de várias selfies enviadas por ele, seu pai finalmente acreditou que seu filho estava vivo.

Quando voltou para a casa em Kunar, no primeiro dia do feriado sagrado de Ramadã, a informação de que ele estava vivo já havia se espalhado. Uma festa foi organizada para ele, mas antes de reencontrar sua família, Nematullah tinha uma importante visita a fazer — ao túmulo de seu companheiro, o soldado que foi confundido com ele, para lhe oferecer uma oração.

Nematullah no túmulo de um soldado cujo corpo foi tomado como se fosse o dele — Foto: BBC

Nematullah no túmulo de um soldado cujo corpo foi tomado como se fosse o dele — Foto: BBC

Desde seu retorno, Nematullah e sua esposa, com quem casou recentemente, não cessaram as visitas diárias ao túmulo do soldado não identificado. Eles dizem que agora ele é seu irmão e é responsabilidade sua.

Casos de identidade trocada não são raros —a BBC apurou sobre diversos incidentes do tipo, de soldados afegãos sequestrados voltando para a casa e verem que sua família havia enterrado o corpo errado depois de receber um caixão lacrado do governo. Apesar de vários pedidos, o governo afegão se recusou a comentar.

Quanto a Nematullah, embora esteja traumatizado pelo tempo no cativeiro, ele diz que deve retornar ao combate e continuar a servir seu país.

O preço da paz

Décadas de guerra deixaram muitos civis paralisados, e aqueles com menos poder sujeitos à maior insegurança são mulheres e crianças.

Para aquelas mulheres vivendo em cidades controladas pelo governo, a vida mudou de forma dramática em relação a quando eram controladas pelo Talibã. Com a formação de um governo eleito e forças afegãs e de aliados criando um nível de segurança relativamente bom, mais meninas vão para escolas, e mais mulheres vão trabalhar.

Sob a gestão do Talibã, o acesso à educação das meninas foi quase zero.

Desde então, a alfabetização de meninas adolescentes aumentou para 37%, embora essa taxa ainda seja uma das menores do mundo.

No entanto, para aquelas vivendo nas áreas controladas pelo Talibã, o acesso a educação e ao trabalho ainda é limitado, e muitas temem que onde o grupo ganhar mais poder, sua liberdade será ainda mais limitada.

“As mulheres perderão, é claro”, diz Nargis, uma professora de 30 anos mãe de seis que mora no norte de Cabul.

Nargis (à direita) com sua filha Sola (no centro) e cunhada Shakira (à esquerda) — Foto: BBC

Nargis (à direita) com sua filha Sola (no centro) e cunhada Shakira (à esquerda) — Foto: BBC

“Elas não serão permitidas a receber uma educação ou ir para o trabalho.”

O Talibã já declarou que agora está comprometido com os direitos das mulheres, mas muitos críticos são céticos.

É o caso de Nargis.

“Duvido que o Talibã tenha mudado. Porque enquanto estão em conversas por paz, as explosões continuam, matando nossos irmãos e mães muçulmanos. Que mudança é essa?”

Nargis diz que a chegada do Talibã e a agitação subsequente é a razão pela qual ela não recebeu uma formação.

“Eu estava na quarta série da escola quando o Talibã veio. O combate começou e as escolas foram fechadas. As meninas não podiam deixar suas casas. Eu tinha apenas nove ou dez anos quando tive que usar o lenço e ficar sentada em casa, nunca saindo dali por medo. Depois, migramos para o Paquistão —a escola foi deixada para trás. Depois de voltar para a casa, eu entendo que perdi muito.”

Ela é categórica ao afirmar que sua filha mais nova, Sola, de 8 anos, que atualmente está na escola, não terá o mesmo destino.

Sola, porém, já foi educada sobre a violência da guerra —recentemente, ela testemunhou o horror de um ataque suicida de um homem-bomba do Talibã.

“Eu vi a bomba estourar. Eu vi pessoas jovens morrerem”, ela diz. “Eu estava muito assustada, chorando. Minha mãe me segurou, me colocou dentro de um táxi e nos trouxe para casa.”

Com a violência diária espalhada pelo Afeganistão, negociações de paz parecem ser a única esperança por mudança no país. Colocar primeiro os Estados Unidos e o Talibã para negociarem, e depois incluir o governo afegão nas conversas, contudo, parece uma ordem difícil das coisas.

O governo afegão diz que só se encontrará com o Talibã se um cessar-fogo de um mês for acordado por todos os lados. Em resposta, o Talibã disse que só sentará para negociar com o governo depois de uma retirada completa de tropas estrangeiras do país.

Então, talvez não seja tão surpreendente que civis como Nargis sejam céticos em relação a qualquer mudança duradoura no país.

“Não acho que a paz virá. O Afeganistão virou um pano que cada um puxa para um lado diferente. É difícil distinguir quem é amigo e quem é inimigo”, ela diz.

“Se são os americanos, o Talibã ou o governo que vão tomar o controle, nossa demanda é apenas a paz.”

*Alguns nomes foram modificados.

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Milhares de manifestantes pró-democracia vão às ruas de Hong Kong

Por G1

Dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia foram para as ruas de Hong Kong neste domingo (8). O grande ato é visto como uma tentativa de manter a pressão sobre o governo do território semiautônomo, que recentemente sofreu uma derrota nas eleições distritais.

Os manifestantes se reuniram no Victoria Park na Causeway Bay na tarde deste domingo e continuavam nas ruas após escurecer. Eles carregam cartazes com mensagens como “Free Hong Kong”.

A Frente Civil de Direitos Humanos, o grupo que organizou as marchas de milhões de pessoas na cidade sob controle chinês em junho, conseguiu durante a semana a autorização para a realização da manifestação nesta semana.

A mobilização começou em 9 de junho contra um projeto de lei sobre extradições para a China continental, já retirado, e depois expandiu-se para demandas por maior democracia e contra a interferência de Pequim nos assuntos locais.

Como os atos se tornaram cada vez mais violentos, as autoridades negaram pedidos do grupo para realizar as manifestações.

Desde as eleições distritais, que aconteceram em 24 de novembro, quando candidatos pró-democracia conquistaram quase 90% das cadeiras, uma certa calma se instalou na região.

Moção para afastar Carrie Lam

Na quinta-feira (5), uma moção para afastar a executiva-chefe da cidade, Carrie Lam, não passou pelo Conselho Legislativo de Hong Kong. A emissora local RTHK informou que 36 parlamentares pró-Pequim votaram contra a moção de impeachment e 26 foram a favor.

Embora apoie Lam, o líder do maior partido pró-Pequim também criticou seu governo, dizendo que ele foi incapaz de evitar a “violência desencadeada por arruaceiros”, ainda segundo a TV local.

Ferido em protesto

Um manifestante que foi baleado pela polícia durante uma manifestação em outubro compareceu a um tribunal pela primeira vez para enfrentar acusações de tumulto e de agressão contra um policial. (Veja imagens do incidente no vídeo abaixo)

Tsang Chi-kin deixou a corte de Hong Kong depois de cerca de uma hora. O seu caso foi adiado para fevereiro.

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Homem é preso no Nepal por morte de mulher que foi isolada por estar menstruada


Por Reuters

Uma adolescente de 14 anos dentro de uma barraca para mulheres que estão menstruadas, em imagem de 16 de fevereiro de 2014 — Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

Uma adolescente de 14 anos dentro de uma barraca para mulheres que estão menstruadas, em imagem de 16 de fevereiro de 2014 — Foto: Navesh Chitrakar/Reuters

A polícia do Nepal prendeu o cunhado de uma mulher que morreu depois de ter sido banida para uma “cabana da menstruação”. Foi a primeira prisão decorrente dessa prática do país dos Himalaias.

Parbati Buda Rawat, 21, morreu asfixiada dentro de uma cabana de barro e pedras. Ela havia acendido uma fogueira para tentar se manter quente lá dentro. Seu corpo foi encontrado na segunda-feira (2).

A morte aconteceu no distrito de Achhan.

A prática de isolar as mulheres menstruadas, chamada de chhaupadi, tem séculos, mas ela foi tornada crime em 2005.

“Essa é a primeira vez que prendemos uma pessoa em conexão com uma morte por causa do costume de chhaupadi”, disse o delegado Bhoj Raj Shrestha à Reuters.

O costume ainda existe nas regiões remotas do Nepal, onde as famílias acreditam que terão má sorte e serão atingidas por desastres naturais, a não ser que as mulheres e meninas menstruadas sejam enviadas para abrigos de animais ou cabanas.

A menstruação é vista como algo impuro.

O agente de polícia Janak Shahi disse que Chhatra Rawat, 25, cunhado da vítima, foi preso na capital do distrito, Mangalsen, para que se investiguem se ele foi o responsável por enviá-la para a cabana.

Se ele for considerado culpado, poderá ter que cumprir uma pena de até três meses na cadeia, além de pagar uma multa.

Uma vila no distrito de Doti anunciou que dará um prêmio para cada mulher que se recusar a ser confinada, na esperança de que isso impeça as famílias de seguir com a prática.

Houve outras mortes neste ano decorrentes desse costume: ao menos uma mãe e seus dois filhos morreram, além de uma adolescente.

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Polícia mata suspeitos de estupro coletivo durante reconstituição de crime na Índia


Por France Presse

Frame mostra momento em que suspeitos, acompanhados da polícia, chegam nesta sexta-feira (6) para reconstituição de estupro e morte de veterinária em Hyderabad, na Índia  — Foto: ANI/via Reuters TV

Frame mostra momento em que suspeitos, acompanhados da polícia, chegam nesta sexta-feira (6) para reconstituição de estupro e morte de veterinária em Hyderabad, na Índia — Foto: ANI/via Reuters TV

A polícia anunciou sexta-feira (6) que matou quatro homens acusados de estupro coletivo e pela morte de uma mulher de 27 anos durante a reconstituição do crime na cidade de Hyderabadm no sul da Índia. Os quatro homens, presos na semana passada, foram baleados quando tentaram fugir.

“Eles foram mortos a tiros. Tentaram roubar as armas dos guardas, mas foram mortos. Chamamos uma ambulância, mas morreram antes da chegada dos médicos”, disse Prakash Reddy, vice-comissário da polícia de Hyderabad.

Os quatro homens são acusados pelo estupro e morte de uma veterinária, que foi sequestrada no dia 27 de novembro à noite.

Ela tentava ligar sua motocicleta quando foi abordada por quatro homens, que tinham furado um pneu da moto antes de ela chegar. Quando a jovem apareceu, eles ofereceram ajuda.

A vítima ligou para a irmã para contar sobre os problemas da moto e sobre o grupo que ofereceu ajuda, mas afirmou que estava com medo, declarou a irmã à polícia. Quando a irmã tentou ligar de volta, o telefone estava desligado.

O corpo carbonizado da vítima foi encontrado no dia seguinte debaixo de uma ponte. Os criminosos usaram gasolina e atearam fogo, de acordo com a polícia.

Apesar da rápida detenção dos quatro suspeitos, o caso provocou indignação no país, onde a violência sexual é destaque frequente nos jornais. Um estupro coletivo de uma estudante em um ônibus em Nova Délhi em 2012 provocou consternação internacional.

No sábado (30), a polícia dispersou centenas de manifestantes que tentavam entrar na delegacia onde os quatro estavam detidos.

No Parlamento nacional, a deputada Jaya Bachchan afirmou que os culpados deveriam ser “linchados em público”.

De acordo com os últimos números oficiais, mais de 33 mil estupros foram registrados no país em 2017, com 10 mil vítimas menores de idade.

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