Luta para controlar incêndio em ilha da Grécia entra no 3º dia


Por France Presse

15/08/2019 06h50  Atualizado há 4 horas


Bombeiro remove cabras de uma fazenda enquanto um incêndio florestal atinge aldeia de Makrimalli, na ilha de Eubeia, na Grécia, na quarta-feira (14)  — Foto: Costas Baltas/ Reuters

Bombeiro remove cabras de uma fazenda enquanto um incêndio florestal atinge aldeia de Makrimalli, na ilha de Eubeia, na Grécia, na quarta-feira (14) — Foto: Costas Baltas/ Reuters

Quase 400 bombeiros, com o apoio de aviões de combate às chamas da União Europeia (UE), lutam contra o incêndio que pelo terceiro dia consecutivo devasta uma reserva natural na ilha grega de Eubeia.

“Estamos mais otimistas hoje porque o vento perdeu força”, afirmou Yiorgos Kostopoulos, diretor do Serviço de Defesa Civil da ilha, que fica 100 km ao noroeste de Atenas.

Os bombeiros conseguiram isolar o fogo em um barranco próximo da localidade de Platana.

A luta contra as chamas inclui, além dos 400 bombeiros, 100 caminhões, nove helicópteros e nove aviões-tanque.

“Fazemos o possível para criar novas defesas contra o fogo perto da cidade”, disse Kostopoulos.

O incêndio, que não provocou vítimas até o momento, atingiu a floresta de pinheiros de Agrilistsa, o que provocou danos incalculáveis para a reserva natural de 550 hectares.

“A floresta foi devastada”, afirmou Dimitris Yiannoutsos, funcionário do governo local.

O incêndio começou na manhã de terça-feira na ilha, a segunda maior da Grécia, depois de Creta, o que forçou a retirada de moradores de quatro municípios.

A Grécia registrou nos últimos dias vários incêndios provocados pela combinação de elevadas temperaturas, fortes ventos e seca.

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Após derrota em prévias e turbulência nos mercados, Macri anuncia medidas econômicas

Por Laura Naime, G1

Após a derrota sofrida nas prévias eleitorais de domingo, e de dois dias de forte turbulência nos mercados, o presidente da ArgentinaMauricio Macri, anunciou nesta quarta-feira (14) uma série de medidas econômicas destinadas aos trabalhadores e às pequenas e médias empresas.

“As medidas que tomei e que vou compartilhar agora são porque os escutei. Escutei o que quiseram dizer no domingo. São medidas que vão trazer alívio a 17 milhões de trabalhadores e suas famílias. E a todas as pequenas e médias empresas, que sei que estão passando por um momento de muita incerteza”, afirmou Macri em pronunciamento.

Entre as medidas anunciadas, serão pagos bônus de até 2 mil pesos extras aos trabalhadores entre setembro e outubro. Informais e desocupados receberão dois pagamentos extras do benefício que recebem por seus filhos. E empregados públicos e das forças armadas receberão um abono de 5 mil pesos no final do mês.

Macri também anunciou que o salário mínimo será elevado, mas não informou o valor. Segundo ele, o conselho de salário será convocado nesta quarta para decidir o aumento.

Para as pequenas e médias empresas, um novo plano vai permitir o pagamento das obrigações tributárias em até dez anos.

Além disso, o preço da gasolina será congelado por 90 dias, “para que ele não seja afetado pela desvalorização” da moeda argentina, segundo Macri. A medida deve manter o preço do combustível estável até depois das eleições presidenciais do país, marcada para 27 de outubro.

‘Momento difícil’

“São medidas de alívio que tomamos neste momento difícil”, disse Macri. O presidente lembrou que fez várias promessas aos argentinos durante as últimas eleições, e que não pôde cumprir todas.

“Em 2015 acreditaram que seria mais fácil, eu também acreditei. Mas o ponto de partida foi como estar no décimo subsolo”, disse.

“Sobre o resultado da votação, quero que saibam que eu os entendi. Saibam que respeito profundamente os argentinos que votaram em outras alternativas”, afirmou. “É pura e exclusivamente responsabilidade minha”.

Turbulências

As medidas vêm depois de dois dias de forte desvalorização da moeda argentina frente ao dólar. Na segunda-feira, o peso caiu 15,27% – e na terça, mais 4,29%, encerrando a 55,9 pesos por dólar.

Os mercados financeiros também sofrem: o principal índice de ações do país registrou na segunda a maior queda de sua história (-37,93%), com todos os componentes no vermelho, enquanto o custo de proteção contra um calote da dívida soberana da Argentina disparou para o nível mais alto em mais de 10 anos.

O banco central do país vendeu um total de US$ 255 milhões de suas reservas desde segunda-feira, num esforço para ajudar a estabilizar a moeda.

“Sim, a Argentina é uma economia pequena. No entanto, a última coisa que os mercados globais querem é que outro governo favorável ao mercado sucumba ao populismo e/ou a problemas geopolíticos”, disse à Reuters o estrategista do Rabobank Michael Every.

Dados da Refinitiv mostraram que os títulos, as ações e o peso da Argentina não registram o tipo de queda simultânea observada na segunda-feira desde a crise econômica de 2001.

Tensão política

As tensões econômicas têm fundo político. No domingo, as eleições primárias realizadas na Argentina deram larga vantagem ao candidato de oposição, Alberto Fernández. Na leitura do mercado, a derrota do presidente Macri coloca em risco a agenda de reformas da Argentina.

As eleições Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso) definem oficialmente quem serão os candidatos de cada partido nas eleições nacionais que acontecem em outubro e funcionam como uma grande pesquisa eleitoral.

Apesar das dificuldades de Macri para endireitar a economia do país sul-americano, investidores vêem a candidatura do peronista de centro-esquerda como uma perspectiva mais arriscada, uma vez que Fernández é visto como menos comprometido com os ajustes econômicos.

Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como sua companheira de chapa, disse em uma entrevista na segunda-feira que estava disposto a colaborar com o atual governo depois que sua vitória no domingo afetou o peso, as ações e os títulos do governo.

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Catedral de Notre Dame ainda corre risco de colapso, alerta governo francês


Por France Presse

A catedral de Notre Dame de Paris, que sofreu um incêndio em abril, registrou quedas de pedras durante a recente onda de calor que afetou a França e continua correndo o risco de desabamento, advertiu o governo francês nesta quarta-feira (14).

O ministério da Cultura da França destacou a necessidade urgente de retomar as obras para consolidar a estrutura da catedral, que foram suspensas em 25 de julho por causa do temor de expor os trabalhadores aos resíduos de chumbo.

“Recentemente aconteceram novas quedas de pedras das abóbadas da nave após a onda de calor do fim de julho”, afirmou o ministério da Cultura.

As obras, que deveriam ser retomadas na próxima semana, recomeçarão em 19 agosto, se ficar assegurado que “os requisitos de segurança serão cumpridos”, afirmaram as autoridades locais na semana passada.

“As recomendações da inspeção de trabalho já foram em grande parte levadas em consideração e serão aplicadas durante todo o processo de restauração”, respondeu nesta quarta o ministério da Cultura.

O ministério também justificou o ritmo de trabalho das obras iniciadas em 16 de abril, um dia depois do incêndio, determinado pela “urgência” do risco persistente de colapso da catedral, que teve sua construção iniciada no século XII.

incêndio na igreja em 15 de abril fez com que várias toneladas de chumbo contidas na torre e no teto do edifício se fundissem e dispersassem na forma de partículas na atmosfera.

As autoridades iniciaram na terça-feira os trabalhos de limpeza do chumbo dos arredores de Notre Dame de Paris, uma medida adotada de maneira tardia segundo os críticos.

Duas escolas próximas à catedral foram fechadas depois que foram detectados níveis perigosos de chumbo. Os estabelecimentos recebiam 180 crianças para cursos de verão.

As autoridades da área de Saúde recomendam que as pessoas expostas a mais de 70 microgramas, um nível superado em parte do centro de Paris, façam exames de sangue.

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Carros-bomba explodem no sul da Somália e deixam mortos; Al-Shabab reivindica autoria do ataque

Por G1

Uma explosão de carros-bomba em uma base militar no sul da Somália deixou mortos nesta quarta-feira (14), informou a Reuters, mas ainda não se sabe o número de vítimas.

Um oficial militar de uma cidade na região, que confirmou as mortes, também disse que o grupo Al-Shabab, que assumiu a autoria do ataque, cortou parte das telecomunicações.

De acordo com o militar, as bombas explodiram do lado de fora da base, que fica no estado de Lower Shabelle, em Awdhigle, distrito agrícola a cerca de 70km a sudoeste da capital, Mogadíscio. Segundo a Reuters, o ataque ocorreu no meio da manhã (horário local).

O AlShabab, grupo autor do ataque e que é ligado à Al-Qaeda, afirmou que 50 pessoas morreram, além de dois de seus membros, mas o grupo terrorista e o governo somali tendem a dar números de mortes diferentes para ataques.

Ainda de acordo com o Al-Shabab, dois veículos militares foram queimados.

O ataque ocorreu no meio da manhã (horário local) no estado de Lower Shabelle, em Awdhigle, distrito agrícola que fica a cerca de 70km a sudoeste da capital somali, Mogadíscio.

“Ouvimos duas explosões e tiros [vindos] da direção da base militar somali. Vi vários soldados fugindo da base para escapar, mas não sabemos quantos foram mortos”, declarou o ancião Aden Abdullahi, de Awdhigle, à Reuters, logo após o atentado.

O Al Shabab tenta impor uma interpretação estrita da lei islâmica enquanto luta com o fraco governo da Somália, que é apoiado pela ONU.

Esta reportagem está em atualização.

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Candidato de oposição na Argentina chama Bolsonaro de racista, misógino e violento


Por Reuters

O candidato da oposição de centro-esquerda à presidência da Argentina Alberto Fernández, que no domingo (11) obteve uma esmagadora vantagem sobre o atual presidente liberal Mauricio Macri nas eleições primárias do país, criticou na segunda-feira (12) o presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou de “racista, misógino e violento”.

As declarações foram feitas em um programa de televisão horas após Bolsonaro ter dito que o Brasil poderia ver uma onda de imigrantesfugirem da Argentina se políticos de esquerda vencerem as eleições presidenciais de outubro.

“Com o Brasil, teremos uma relação esplêndida. O Brasil sempre será nosso principal sócio. Bolsonaro é uma conjuntura na vida do Brasil, como Macri é uma conjuntura na vida da Argentina”, disse Fernández em uma entrevista ao programa “Corea del Centro”, da emissora Net TV.

Presidente Jair Bolsonaro durante discurso em evento em Pelotas (RS) no Rio Grande do Sul na segunda-feira (12) — Foto: Reprodução/RBS TV

Presidente Jair Bolsonaro durante discurso em evento em Pelotas (RS) no Rio Grande do Sul na segunda-feira (12) — Foto: Reprodução/RBS TV

“Agora, em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento…”, declarou Fernández.

Na entrevista, Fernández também criticou o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, que classificou como um bom líder para seu país, mas não para o mundo.

O “Frente de Todos”, de Fernández, que tem como candidata a vice a ex-presidente Cristina Kirchner, conseguiu no domingo 47,66% dos votos contra 32,09% do “Juntos pela Mudança”, de Macri.

Embora ainda faltem dois meses para as eleições gerais, as primárias são vistas como um levantamento preciso do que pode acontecer em outubro na Argentina, onde uma crise econômica afetou a imagem de Macri no último ano e revitalizou o peronismo de oposição.

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Corpo de turista adolescente é achado após 10 dias de desaparecimento na Malásia


Por France Presse

Nora Quoirin, de 15 anos, que desapareceu do quarto dela — Foto: Divulgação

Nora Quoirin, de 15 anos, que desapareceu do quarto dela — Foto: Divulgação

O corpo de uma turista adolescente franco-irlandesa desaparecida há 10 dias na Malásia foi encontrado nesta terça-feira (12) em um barranco, informou a polícia.

“A família confirmou que é o corpo de Nora Quoirin, que havia desaparecido de um hotel na floresta tropical na madrugada de 4 de agosto”, afirmou o chefe de polícia do estado de Negeri Sembilan, Mohamad Mat Yusop, à AFP.

A adolescente, que tinha dificuldades de aprendizado, estava na Malásia para passar férias.

Ela morava em Londres com os pais, um casal franco-irlandês.

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O líder indígena que morreu por causa do contato com o mundo exterior


Por BBC

Chagabi Etacore era um líder 'resoluto e determinado', ainda que 'reservado' — Foto: Gerald Henzinger/Survival International/via BBC

Chagabi Etacore era um líder ‘resoluto e determinado’, ainda que ‘reservado’ — Foto: Gerald Henzinger/Survival International/via BBC

Chagabi Etacore era uma criança em 1986 quando ouviu um helicóptero pairando sobre sua casa na floresta do Chaco, no Paraguai.

Membro da tribo ayoreo totobiegosode, Chagabi nunca tinha visto o mundo exterior, fora da floresta. Sua família era nômade, dormia em volta de uma lareira e cultivava melões no solo arenoso da mata. A chegada do helicóptero marcou o fim da vida que Chagabi conhecia até então.

Caminhões então entraram no local. Outro grupo de indígenas correu para a clareira onde a tribo de Chagabi havia montado o acampamento. Esses povos indígenas, anteriormente cooptados por missionários, tentaram capturar toda a tribo ayoreo totobiegosode.

Uma batalha se seguiu, mas os ayoreo totobiegosode acabaram se rendendo. Foram forçados a entrar nos caminhões. Depois, foram levados para uma base montada por um grupo de cristãos fundamentalistas americanos conhecido como Missão Novas Tribos.

Os missionários haviam enviado indígenas já evangelizados em uma “caçada” para capturar a tribo de Chagabi.

Na missão, Chagabi e sua comunidade viveram durante anos em servidão não remunerada e foram expostos a doenças para as quais não tinham imunidade. Muitos índios morreram nesse processo. Chagabi contraiu uma infecção pulmonar crônica da qual sofreu pelo resto da vida – e que pode ter causado sua morte na semana passada.

Apesar de sua idade exata ser desconhecida, acredita-se que Chagabi tinha pouco mais de 40 anos.

“Chagabi queria um mundo em que os direitos humanos fossem respeitados”, disse Lucas Bessire, professor associado de antropologia da Universidade de Oklahoma, que passou muito tempo morando com os ayoreo e trabalhou em estreita colaboração com Chagabi. “Um mundo onde pessoas de qualquer origem tivessem a oportunidade de realizar seus próprios objetivos em seus próprios termos.”

Na década de 1990, Chagabi foi uma força motriz no empenho para que alguns ayoreo totobiegosode pudessem se afastar a missão cristã para criar suas próprias comunidades.

Em sua curta vida, Chagabi conseguiu realizar muita coisa em diversas áreas de atuação: ele foi professor, agente de saúde, cineasta, ativista contra o desmatamento, negociador político, tradutor e pai de três filhos.

Líder da luta contra o desmatamento

Chagabi foi o primeiro ayoreo totobiegosode a fazer treinamento de enfermagem — Foto: Survival International/via BBC

Chagabi foi o primeiro ayoreo totobiegosode a fazer treinamento de enfermagem — Foto: Survival International/via BBC

As florestas do Chaco, do Paraguai e da Bolívia, são habitadas por cerca de 5 mil ayoreo, dos quais os totobiegosode – tribo de Chagabi – formam um subgrupo. O nome da tribo significa “pessoas da terra dos porcos selvagens”.

Como alguns membros da comunidade ainda estão vivendo em isolamento, eles são oficialmente um dos últimos povos indígenas isolados nas Américas fora da Amazônia. Mas ainda não está claro quantos ainda vivem nessa condição.

Desde que agricultores cristãos menonitas se estabeleceram no Chaco pela primeira vez na década de 1940, a área se tornou uma das florestas que mais rapidamente foram degradadas no mundo.

Durante a ditadura de 35 anos do general paraguaio Alfredo Stroessner, que terminou em 1989, a região norte do Chaco foi dividida e vendida principalmente a pecuaristas paraguaios e brasileiros. Uma área equivalente a duas vezes e meia o tamanho de Hong Kong é destruída a cada ano.

Nas últimas décadas, integrantes dos ayoreo, anteriormente isolados, tiveram de sair da floresta para fugir das escavadeiras, equipamentos que eles chamam de “feras com pele de metal”, usados na destruição de suas aldeias.

Chagabi desempenhou um papel crucial na luta pela devolução da posse de 550 mil hectares de terra aos ayoreo totobiegosode, em 1993. Por falar espanhol razoavelmente, ele era frequentemente usado como intermediário entre a tribo e a sociedade local.

Houve pequenas vitórias. Em abril, os ayoreo totobiegosode receberam documentos de posse de 18 mil hectares de floresta. Mas isso é insignificante comparado aos 250 mil hectares de floresta do Chaco que são destruídos a cada ano.

“Ele estava muito decidido e determinado a tentar salvar o máximo de floresta possível, em parte porque ele tinha parentes que ainda vivem na região”, disse Jonathan Mazower, da ONG Survival International.

Chagabi também foi um ativista na batalha contra a extração ilegal de madeira. Ele chegou a montar um ponto de controle bem na entrada da floresta e construiu casas para que os ayoreo totobiegosode pudessem se revezar no monitoramento de qualquer atividade ilegal.

‘O primeiro enfermeiro’

“Chagabi era alguém que passou por um trauma extremo”, disse Xilo Clarke, da Survival International. Mas, como profissional de saúde, “ele fornecia suporte para salvar vidas”.

Chagabi foi o primeiro ayoreo totobiegosode a iniciar um treinamento de enfermagem, servindo uma comunidade que sofre com altas taxas de doença e mortalidade. Discriminação contra povos indígenas, além de problemas com tradução, dificultam os cuidados com a saúde dos ayoreo.

Excluídos da economia de mercado, os ayoreo estão presos entre dois mundos, explicou Xilo, mas Chagabi agiu como uma ponte entre os dois, enquanto também lutava para proteger os membros da tribo ainda em isolamento. Chagabi também mostrou habilidade artística quando fez um filme sobre a importância da água para sua comunidade.

Xilo conheceu Chagabi em abril e filmou uma entrevista com ele. Nela, ele se deparou com um homem relutante, obrigado a assumir o papel de uma figura paterna para os ayoreo. Xilo descreveu-o como “humilde e estóico”.

No vídeo, Chagabi não mostrou raiva ou ressentimento em relação às pessoas que o forçaram a sair da floresta e que o expuseram à doença que o estava matando. Ele expressou empatia e perdão. E disse entender que os missionários queriam que os ayoreo vivessem fora da floresta para que pudessem levar uma “boa vida”.

“Eles acreditavam que viver na floresta era difícil para nós, pois não ouvíamos a palavra de Deus, e da a Bíblia”, disse ele. “Eles pensaram que, forçando-nos a sair da floresta, poderíamos ser salvos.”

Ainda assim, o líder indígena acrescentou: “Não queremos esse contato e ainda estamos sofrendo seus efeitos, suas consequências”.

Uma ‘vítima da negligência do Estado’

A Missão Novas Tribos foi renomeada para Ethnos360. A entidade não respondeu aos questionamentos da BBC News.

Em 1987, o diretor da Missão Novas Tribos, Fred E. Sammons, disse ao jornal americano New York Times: “Nunca forçamos nossa religião a ninguém”. Ele afirmou que os ayoreo viviam “com medo de espíritos malignos e com medo de morte violenta, porque sua cultura é matar. Mas quando eles vêm conosco, eles aceitam um novo modo de vida”.

No entanto, alguns antropólogos argumentam que levar os ayoreo para o mundo exterior os forçou à marginalização e eliminou grande parte de sua cultura. Em sua crônica da vida ayoreo, o professor de antropologia Lucas Bessire escreveu que testemunhou um “mosaico de violência”. E que viu cenas em que meninas trocavam sexo por dinheiro e “papagaios de estimação que imitavam a tosse de tuberculose”.

Ticio Escobar, ex-ministro da cultura do Paraguai, também afirmou que os ayoreo mostraram “todos os efeitos colaterais da perda da identidade cultural: alcoolismo, desorganização social, apatia, violência, suicídio, prostituição e marginalização”.

Em 2007, o Paraguai votou a favor da declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, mas, durante uma visita em 2014, a relatora especial da ONU, Victoria Taulo-Corpuz, expressou preocupação sobre os direitos à terra dos povos indígenas paraguaios e seu acesso a serviços sociais e ao Judiciário.

Na entrevista em vídeo de abril, era visível que a doença de Chagabi já mostrava certo impacto sobre seu corpo. Sua respiração parecia difícil. Xilo disse que o índio se esforçava para conseguir falar.

A morte de Chagabi era evitável, diz Xilo. “Ele deveria ter recebido cuidados durante toda a vida. O governo não fez o suficiente.”

Mas ela se lembrou de como Chagabi era caloroso apesar do seu sofrimento, e de que sua morte foi resultado de negligência do Estado. Xilo diz estar esperançosa de que a luta dos ayoreo continue sem Chagabi, ecoando a mensagem final de líder em sua última entrevista.

“Minha esperança para o futuro é que nossos jovens, as crianças, nossas novas gerações, não se envergonhem de nossa cultura”, disse Chagabi.

“Espero que os jovens continuem praticando a nossa cultura ayoreo, porque, se eles a esquecerem, será muito difícil recuperá-la depois.”

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Chefe de direitos humanos da ONU pede investigação imparcial sobre a violência em Hong Kong

Por G1

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça-feira (13) uma “investigação imparcial” sobre o uso de gás lacrimogêneo contra manifestantes de maneiras proibidas pela lei internacional na repressão das manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Em um comunicado, Bachelet afirmou que as forças de segurança foram vistas “jogando bombas de gás lacrimogêneo em áreas fechadas e lotadas e diretamente em manifestantes individuais em várias ocasiões, criando um risco considerável de morte ou ferimentos graves”.

Bachelet “condena qualquer forma de violência (…) e exige que as autoridades de Hong Kong iniciem uma investigação rápida, independente e imparcial” sobre o comportamento das forças de segurança, afirmou o porta-voz da Alta Comissária, Rupert Colville, durante uma entrevista coletiva em Genebra.

O porta-voz da alta comissária ainda ressaltou que os comentários da China de que via sinais de terrorismo entre os manifestantes de Hong Kong não são úteis e correm o risco de inflamar ainda mais a situação.

No domingo (11), a polícia lançou gás lacrimogêneo nas ruas de comércio e os manifestantes responderam jogando tijolos. Em uma estação de metrô usaram os extintores de incêndio e as mangueiras contra os agentes.

Uma fonte do governo de Hong Kong informou que 45 pessoas ficaram feridas nos confrontos, duas delas em estado grave.

Aeroporto volta a suspender check-in

aeroporto internacional de Hong Kong chegou a retomar suas operações na manhã desta terça-feira (13), mas o serviço de check-in voltou a ser suspenso por causa de novos protestos contra o governo. Na segunda-feira (12), todos os voos foram cancelados após milhares de manifestantes pró-democracia invadirem as dependências do terminal aéreo, onde desde sexta-feira acontecem protestos.

Série de protestos

Os protestos, cada vez mais violentos, mergulharam o centro financeiro asiático em sua mais séria crise política em décadas, representando um desafio para o governo central em Pequim.

As manifestações populares começaram depois que o governo local apresentou um projeto de lei – atualmente suspenso – que permitiria a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China continental.

O governo recuou do projeto, mas os manifestantes ampliaram a pauta de reivindicações e dizem que lutam contra a erosão do arranjo “um país, dois sistemas” – que confere certa autonomia a Hong Kong desde que a China retomou o território do Reino Unido em 1997.

Os manifestantes querem barrar a influência de Pequim, que eles consideram crescente, e impedir a redução das liberdades dos cidadãos que vivem no território semiautônomo. Eles também passaram a pedir a renúncia da governante de Hong Kong, Carrie Lam, acusada de não defender os interesses internos.

Sem um líder, os manifestantes utilizam as redes sociais para coordenar os protestos e, até agora, conseguiram poucas concessões do poder político. Eles já invadiram o Parlamento local, decretaram uma greve geral que travou os transportes públicos e fizeram um protesto pacífico utilizando canetas com laser.

Neste fim de semana, as forças de segurança entraram em confronto com manifestantes e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar o protesto. Os revoltosos responderam jogando tijolos e, em uma estação de metrô, usaram os extintores de incêndio e as mangueiras contra os agentes, de acordo com relato da France Presse.

O porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, Yang Guang, afirmou que “manifestantes radicais de Hong Kong recorreram em diversas ocasiões a objetos extremamente perigosos para atacar os policiais, o que constitui um crime grave e revela sinais incipientes de terrorismo”.

A China, que apoia o governo local, tem endurecido o tom com os manifestantes nas últimas semanas. Os protestos foram descritos por Pequim como um plano violento, orquestrado por fundos estrangeiros para desestabilizar o governo central.

As autoridades chinesas advertiram os manifestantes de Hong Kong para que não subestimem “a firme determinação e a imensa força do governo central da China” e “não brinquem com fogo”, em uma clara ameaça de intervenção direta na repressão das manifestações.

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Aeroporto de Hong Kong reabre após protestos e cancelamento de voos


Por France Presse

O aeroporto de Hong Kong retomou suas operações ao amanhecer desta terça-feira (noite de segunda, 12, no Brasil), informaram as autoridades aeroportuárias, um dia depois de o tráfego aéreo ter sido interrompido quando milhares de manifestantes pró-democracia invadiram as salas de desembarque.

“Retomamos os check-ins”, informou um porta-voz do aeroporto. Nos monitores informativos da zona de decolagens, anunciava-se o embarque imediato para vários voos, enquanto os demais mostravam os novos horários de partidas.

Ao comentar o incidente, a chefe do governo local, Carrie Lam, declarou que “a violência, seja seu uso ou sua justificação, levará Hong Kong por um caminho sem retorno e afundará sua sociedade em uma situação muito preocupante e perigosa”.

Todos os voos haviam sido cancelados na segunda depois que milhares de manifestantes invadiram a área de desembarque para protestar contra a violência policial, em meio a uma mobilização sem precedentes que abala a ex-colônia britânica.

Segundo a polícia, cerca de 5 mil manifestantes sentaram de forma pacífica no aeroporto para sensibilizar os viajantes, alguns carregando cartazes onde se lia: “Hong Kong não é seguro” ou “Vergonha da polícia”.

Os manifestantes foram abandonando o aeroporto pouco a pouco durante a noite, sem a intervenção da polícia, e na manhã desta terça restavam apenas alguns poucos participantes do protesto.

O fechamento do oitavo aeroporto mais movimentado do mundo, conhecido por sua eficácia, foi anunciado no momento em que o governo central chinês afirmou observar “sinais de terrorismo” no movimento de protesto nesta região semiautônoma.

Em um comentário publicado esta madrugada, a agência Nova China considerou que o futuro de Hong Kong estava em um “momento crítico”.

O cancelamento de voos e os pronunciamentos da China evidenciam uma nova escalada da crise que começou em junho, a mais grave em Hong Kong desde sua devolução a Pequim em 1997, com 10 fins de semana consecutivos de protestos, incluindo muitos que terminaram em confrontos entre radicais e forças de segurança.

Há quatro dias o aeroporto, que registrou 74 milhões de passageiros em 2018, é cenário de manifestações que buscam sensibilizar os viajantes a sua causa. A polícia afirmou que mais de 5.000 manifestantes entraram nesta segunda-feira no terminal aéreo.

Na sala de embarque

A autoridade aeroportuária anunciou, em um comunicado, que as operações no terminal aéreo tinham sido “gravemente perturbadas” pela manifestação e que “todos os voos foram cancelados pelo resto do dia”, exceto as viagens com embarque concluído e os voos de chegada já a caminho de Hong Kong.

Kong Wing-cheung, diretor de Relações Públicas da polícia, afirmou em uma entrevista coletiva que os manifestantes, que inicialmente estavam nas áreas de desembarque, também entraram nas salas de embarque.

Iniciada pela rejeição a um projeto de lei que autorizava extradições para a China, a mobilização de Hong Kong ampliou suas reivindicações para denunciar um retrocesso nas liberdades e a interferência da China.

Pelo princípio “Um país, dois sistemas”, que regulamentou a retrocessão, Hong Kong goza de liberdades inexistentes na China, em tese até 2047. Mas um setor da população acredita que Pequim mina cada vez mais os direitos.

“Sinais de terrorismo”

Nas últimas semanas, Pequim endureceu o tom de seu discurso e das ameaças de intervenção.

“Os manifestantes radicais de Hong Kong recorreram em diversas ocasiões a objetos extremamente perigosos para atacar os policiais, o que constitui um crime grave e revela sinais incipientes de terrorismo”, afirmou em Pequim o porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, Yang Guang.

Yang, que na semana passada afirmou que “quem brinca com fogo morre queimado”, declarou que uma “minoria minúscula” representa um “grave desafio à prosperidade à estabilidade de Hong Kong”. Ele denunciou que manifestantes lançaram bombas incendiárias contra a polícia.

Desde sexta-feira (9), os manifestantes recebiam no aeroporto os passageiros com cantos, gritos de ordem e panfletos para explicar o movimento.

Depois de passar pela Alfândega, os visitantes eram recepcionados por uma multidão vestida com roupa preta. “Bem-vindo à cidade do gás lacrimogêneo”, afirmava um cartaz.

“Olho por olho”

Nesta segunda-feira, os manifestantes também elevaram o tom e denunciaram a violência policial. “Hong Kong não é um lugar seguro”, adverte uma faixa. “A polícia é uma vergonha”, afirma um cartaz.

A polícia lançou gás lacrimogêneo no domingo (11) nas ruas de comércio e os manifestantes responderam jogando tijolos. Em uma estação de metrô usaram os extintores de incêndio e as mangueiras contra os agentes.

Uma fonte do governo de Hong Kong informou que 45 pessoas ficaram feridas nos confrontos, duas delas em estado grave.

Fotos que mostram uma mulher no chão com o rosto ensanguentado foram usadas na internet para convocar novas manifestações. “Olho por olho”, afirmava um panfleto que convocava os protestos no aeroporto.

Um membro do alto escalão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu hoje a “todas as partes” que evitem a violência em Hong Kong, fazendo um apelo para que respeitem as “diversas opiniões políticas”.

“As sociedades se beneficiam melhor quando se respeitam os diversos pontos de vista políticos e podem se expressar de maneira livre e pacífica. Os Estados Unidos pedem a todas as partes que evitem a violência”, disse este mesmo funcionário, que pediu para não ser identificado.

Trump se manteve em relativo silêncio diante da crescente insatisfação em Hong Kong, alegando que é um assunto interno da China. Reconhece, porém, que os manifestantes “estão buscando democracia”.

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Intervenção do exército do Reino Unido na Irlanda do Norte completa 50 anos


Por France Presse

A primeira mobilização dos soldados do Reino Unido na Irlanda do Norte completou 50 anos nesta segunda-feira (12).

As forças de Londres iniciaram a operação após três dias de manifestações em Londonderry, cidade considerada um reduto católico no lado britânico da ilha irlandesa – o catolicismo, majoritário na vizinha República da Irlanda, é celebrado por uma minoria no Reino Unido.

A operação Banner, inicialmente projetada como uma intervenção limitada, durou 38 anos, tornando-se a operação mais longa da história do exército britânico. Veja a cronologia abaixo:

A batalha do Bogside

Londonderry, única cidade da Irlanda do Norte de maioria católica, já tinha sido cenário de distúrbios em outubro de 1968. Os protestos se intensificaram após a repressão da Polícia a uma manifestação fno local.

Em 12 de agosto de 1969, a raiva voltou a explodir por ocasião de uma tradicional marcha protestante organizada perto do gueto católico de Bogside.

Durante três dias e duas noites, foram registrados violentos confrontos entre a Polícia, apoiada por ativistas protestantes, e os católicos, principalmente jovens, refugiados atrás de barricadas.

A agitação se estendeu a outras sete cidades, entre elas a capital da província, Belfast, onde os primeiros mortos foram reportados em 15 de agosto.

Superado, o governo norte-irlandês lançou, em 14 de agosto, um pedido de ajuda ao premiê britânico, Harold Wilson. Nesse mesmo dia, 300 soldados britânicos chegaram a Londonderry. No momento mais intenso de sua presença, cerca de 30 mil foram enviados ao Ulster.

IRA retoma as armas

Em um primeiro momento, os católicos de Londonderry reservaram uma “acolhida calorosa aos soldados britânicos” e comemoraram “cantando e dançando” a retirada da polícia, acusada de estar ao lado dos protestantes, segundo testemunhos de jornalistas da AFP que estiveram no local há meio século.

Mas a opinião pública mudou rapidamente e o exército britânico foi, por sua vez, acusado de parcialidade a favor dos protestantes.

O ano de 1970 viu o aparecimento do IRA “provisório”, nascido das cinzas do antigo Exército Republicano Irlandês, cuja guerrilha tinha conduzido em 1921 a divisão da ilha em uma república independente no sul e um território do Reino Unido no norte.

A organização clandestina lançou uma campanha de atentados contra as forças da Coroa, matando um primeiro soldado em fevereiro de 1971. No campo unionista, as milícias de extremistas protestantes respondem.

Domingo Sangrento

No domingo, 30 de janeiro de 1972, paraquedistas britânicos atiraram contra uma manifestação pacífica de católicos em Londonderry, deixando 14 mortos.

Três dias depois da data conhecida como Domingo Sangrento, a embaixada britânica em Dublin foi reduzida a cinzas por uma multidão enfurecida.

Em 24 de março, o governo britânico suspendeu as instituições do Ulster e impôs sua administração direta.

Em 1974, o IRA estende seus ataques mortais à Grã-Bretanha. Os atentados nos bares de Guilford, Woolwich e Birmingham deixaram cerca de 30 mortos.

Em 27 de agosto de 1979, a organização atinge pela primeira vez a família real: Lorde Mountbatten, primo da rainha Elizabeth II e último vice-rei das Índias, foi morto na explosão de uma bomba colocada em um barco no noroeste da Irlanda. No mesmo dia, 18 soldados britânicos morreram no Ulster.

Sexta-feira Santa

Em 10 de abril de 1998, depois de anos de difíceis negociações, Londres, Dublin e os dirigentes leais e separatistas norte-irlandeses assinaram em Belfast um acordo de paz apoiado pelo IRA.

O acordo da “Sexta-feira Santa” pôs fim a um conflito que deixou mais de 3,5 mil mortos.

Em 2005, o IRA ordenou o desmonte de seu arsenal, e o Reino Unido reduziu progressivamente o número de seus soldados.

A operação Banner terminou oficialmente em 31 de julho de 2007.

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