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Ondas de calor na Índia e no Paquistão causam falta de luz e escassez de água para milhões de pessoas

Países registram temperaturas superiores a 45ºC na última semana e sofrem com eventos extremos.

Por g1*

Uma onda de calor está atingindo a Índia e o Paquistão na última semana, com temperaturas que ultrapassam os 45ºC. As altas temperaturas já causam cortes de eletricidade e escassez de água para milhões de habitantes.

Os especialistas apontam que o fenômeno deverá ser registrado cada vez com mais frequência no futuro, consequência das mudanças do clima.

Na última semana, Nova Délhi chegou a registrar 46ºC. O calor extremo afetou o noroeste e o centro da Índia, de acordo com o departamento meteorológico do país. Uma lojista local disse à Agência France Presse que é “a primeira vez” que sentia tanto calor em abril.

Índia enfrenta onda de calor sem precedentes

Já no Rajastão, no noroeste da Índia, os cortes de energia foram impostos nas fábricas para reduzir o consumo. De acordo com a imprensa local, as principais usinas estão enfrentando escassez de carvão.

Além disso, 1,4 bilhão de pessoas passam por uma diminuição no abastecimento de água, o que se agravará até as chuvas previstas para junho e julho. Na última quinta-feira (28), os bombeiros precisaram trabalhar para conter o fogo nos enormes aterros sanitários da capital indiana.

Nova Délhi, que tem mais de 20 milhões de habitantes, não tem infraestrutura moderna para tratar as 12 mil toneladas de resíduos que produz diariamente.

Além do incêndio registrado na semana passada, outros três já haviam ocorrido em menos de um mês na região.

Paquistão, 48 graus

Já no Paquistão, a onda de calor já bateu a casa dos 48ºC.

As temperaturas estão cerca de 8ºC acima do normal em algumas partes do país, de acordo com a Sociedade Meteorológica do Paquistão. Os agricultores terão de gerir o abastecimento de água — a agricultura empresa cerca de 40% da população local.

“A saúde pública e a agricultura do país enfrentarão sérias ameaças pelas temperaturas extremas deste ano”, disse Sherry Rehman, ministra de Mudanças Climáticas do Paquistão.

O Escritório Meteorológico do Paquistão já havia informado que março foi o mês mais quente já registrado desde 1961.

Cada vez mais calor

As ondas de calor já mataram mais de 6,5 mil pessoas na Índia desde 2010. Os cientistas dizem que, devido às mudanças climáticas, os eventos extremos estão se tornando mais frequentes e mais severos – não apenas no país, mas em todo o planeta.

“As mudanças climáticas estão tornando as altas temperaturas mais prováveis na Índia”, disse Mariam Zachariah, do Instituto Grantham do Imperial College de Londres.

“Antes das atividades humanas aumentarem as temperaturas globais, calor como o que atingiu a Índia no início deste mês só era observado uma vez a cada 50 anos”, acrescentou.

Em agosto do ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) divulgou um relatório em que afirma que todas as regiões do globo já são afetadas por eventos extremos como ondas de calor, chuvas fortes, secas e ciclones tropicais provocadas pelo aquecimento global.

Além disso, as centenas de cientistas que assinam o material afirmaram que cada uma das últimas quatro décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer outra década que a precedeu desde 1850. A previsão, segundo o IPCC, é que a temperatura continue a subir até meados deste século em todos os cenários projetados para as emissões de gases de efeito estufa.

*com informações da France Presse

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A polêmica campanha contra ‘encaradas’ no metrô de Londres (e por que isso é considerado assédio sexual)

Uma campanha no metrô de Londres expõe as pessoas que olham fixamente para outras, como um assédio sexual. A polícia local busca erradicar esse tipo de comportamento em toda a rede de transporte.

Por BBC

As “encaradas” no transporte público podem representar uma forma de assédio sexual — e devem ser denunciadas à polícia. Esse é o aviso de uma polêmica campanha que pode ser vista no metrô de Londres, na Inglaterra.

Os cartazes fazem parte de um esforço nacional para impedir diferentes tipos de assédio e comportamentos indesejados na rede de transporte público da capital britânica que afetam principalmente — mas não exclusivamente — as mulheres.

Os olhares com conotação sexual são um desses problemas. Há outros também, como os assobios e a exposição de partes íntimas.

No Brasil, assim como em outros diversos países, também já foram feitos diferentes tipos de campanha para tentar coibir o assédio sexual no transporte público. Por aqui já houve iniciativas como a “chega de fiu fiu” e até orientações de entidades governamentais sobre como denunciar esse tipo de conduta.

Em Londres, o objetivo da campanha é “enfrentar a normalização desses comportamentos”, diz a Transport for London (TfL), entidade responsável pela gestão do sistema de transporte local.

A campanha em Londres gerou reações a favor e contra.

Muitos elogiaram a medida por destacar um problema enfrentado por muitas mulheres, enquanto outros acham que é uma campanha muito questionável.

“A criminalização de olhar para outras pessoas em um espaço público é preocupante”, diz um artigo publicado recentemente na revista britânica The Spectator.

Mas as pessoas afetadas pelos olhares obscenos de estranhos no metrô descrevem a situação como angustiante.

‘Podia sentir como o homem me olhava’

Bex voltava do teatro para casa durante a noite quando um homem sentado em sua frente começou a encará-la.

Ele olhou para ela durante a viagem de cerca de 10 minutos.

“Eu estava no meu celular, tentando olhar para qualquer lugar, menos para ele”, diz ela. Quando ela chegou ao seu destino, os olhares persistentes do homem a deixaram tão constrangida que ela esperou até o último minuto para se levantar.

Quando ela saiu, ele a seguiu. Então, Bex esperou cinco minutos no saguão da estação antes de entrar no ônibus que a levaria para casa.

O homem parou, a menos de um metro de distância, e continuou olhando para ela.

Depois, ela subiu as escadas correndo. “Me virei e ele estava lá, acenando para mim”, se recorda.

A princípio, Bex se preocupou por pensar que “estava exagerando”, mas diz que, ironicamente, um dos cartazes da campanha contra os olhares invasivos estava logo acima do homem que a olhava.

“Ver isso me fez sentir que tenho o direito de me sentir incomodada”, diz.

Um caso semelhante é o de Lucy Thorbun, que estava viajando em um vagão do centro de Londres por volta das 9h, quando recebeu um olhar invasivo de outro passageiro.

Lucy diz que durante a viagem de 25 minutos o homem “não tirou os olhos” dela.

“Depois de 10 minutos comecei a me sentir muito incomodada”, se recorda.

“Olhar fixamente a alguém pode não parecer ‘tão ruim’ para alguns, mas pode ser o começo de algo mais. Já fui alvo desse tipo de olhares e logo depois me seguiram”, acrescenta.

Prisão e condenação

Nas últimas semanas, a campanha esteve no centro das atenções, após um homem ser preso por olhar fixamente para uma mulher em um trem e bloquear a sua saída.

O caso ocorreu em um trajeto entre Reading e Newbury, no sul da Inglaterra.

O homem foi considerado culpado por assédio e condenado a 22 semanas de prisão.

Olhar fixamente não é ilegal no Reino Unido — ou em outros países —, mas olhares invasivos de natureza sexual, que causam alarme ou angústia, podem ser classificados como uma ofensa à ordem pública.

Uma investigação da TfL revelou que os olhares invasivos são um dos tipos mais comuns de comportamento sexual indesejado, principalmente em relação às mulheres.

Fiona Vera-Gray, da Unidade de Estudos de Abuso Infantil e Feminino da Universidade Metropolitana de Londres, diz que eles são uma forma sutil de “assédio sexual público”.

“É uma sensação de estar sob vigilância, sendo observado e avaliado.”

Afroditi Pina, da Universidade de Kent, diz que um olhar invasivo “pode ​​causar ansiedade e medo”.

Um porta-voz da Polícia de Transportes britânica disse que “erradicar” todas as formas de assédio sexual na rede de transporte é uma prioriodade e, por isso, todos os incidentes relatados são registrados para ajudar a mapear a ocorrência desse tipo de comportamento ofensivo.

* Com reportagem de Sophie Gallagher, da BBC News.

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Como um quimono revelou passado de campos de concentração para japoneses nos EUA

EUA aprisionaram nipo-americanos durante a 2ª Guerra Mundial. Novas gerações agora resgatam a memória de seus antepassados.

Por BBC

Há 80 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos aprisionou cidadãos nipo-americanos, forçando famílias inteiras a viver em campos de concentração. Agora, a geração mais jovem luta para garantir que esse capítulo sombrio da história americana não seja esquecido.

Quando o avô de Shane “ShayShay” Konno faleceu em 2013, a família foi até a casa do ancião para cuidar de seus pertences. No jardim, o galpão estava tão cheio que só uma pessoa conseguia entrar por vez.

Como adolescente ágil, Konno recebeu a tarefa de entrar no espaço e passar os itens mais volumosos aos membros da família, para que fossem levados para dentro da casa.

Escondida bem no fundo da prateleira mais distante, havia uma mala de papelão com um decalque na tampa que dizia “Universidade de Michigan”. Ao abrir a mala, Konno viu que dentro havia um pano. “Uma toalha de mesa chique!”, pensou.

Entrando na casa, tirou o tecido da mala na frente de todos: era um quimono, uma tradicional vestimenta formal japonesa.

Todos ficaram impressionados com o tecido brilhante e como ele refletia a luz, com flores de pessegueiro bordadas à mão em fios de prata.

“Eu nunca tinha visto um quimono na vida real, muito menos tocado em um”, diz Konno à BBC.

No total, havia sete quimonos de seda na mala. Ninguém na família os reconheceu, o que significava que o tesouro havia sido guardado em segredo por todo aquele tempo.

Quando Konno examinou a mala mais de perto, percebeu que sob o decalque da Universidade de Michigan havia um nome desconhecido, “Sadame Tomita”, escrito grosseiramente em tinta branca, junto com cinco dígitos: 07314. Alguém havia coberto os números deliberadamente com o adesivo.

“Esse era o nome japonês de sua avó”, Konno foi informado pelo tio. “E este era o número de registro da família dela nos campos.”

‘Nissei’

Konno nunca conheceu sua avó japonesa, pois ela morreu antes de ele nascer. Ela era nissei, uma nipo-americana de segunda geração, que passou sua adolescência nos campos de encarceramento.

Após a guerra, ela passou a usar o nome ocidental Helen.

Foi a única mala que ela pôde levar para os campos, Konno soube mais tarde. E ela guardou-a por toda sua vida.

Seu futuro marido, o avô de Konno, também era adolescente quando foi confinado no Centro de Relocação Campo Amache, no Colorado. Eles se conheceram depois da guerra.

Konno queria saber mais, mas sua família não queria reviver o passado.

“Minha avó guardava segredos até de seus próprios filhos. Por que ela escondeu seu nome? Por que manteve secretos aqueles quimonos?”

‘Shikata ga nai’

Outros estão fazendo as mesmas perguntas que Konno.

Em uma vigília à luz de velas organizada pela campanha Stop Asian Hate (Não ao Preconceito Contra Asiáticos, em tradução livre), após um aumento recente dos ataques contra essa parcela da população nos Estados Unidos, Konno notou que outros nipo-americanos estavam presentes e que havia algo que eles queriam desentalar de suas gargantas.

“A primeira pergunta que nos fizemos foi: ‘Em que campo sua família foi internada?'”, diz Konno.

“A segunda pergunta foi: ‘Quanto sua família te contou?'”

“Nunca tive a chance de falar com meu avô sobre sua experiência enquanto ele estava vivo”, diz Konno.

“Se eu faço perguntas [à minha tia], ela é especialista em mudar de assunto. Meu pai e meu tio acham que desenterrar o passado não vai mudar nada. Por respeito à minha família, não pressiono por respostas.”

Alguns dos issei — imigrantes japoneses de primeira geração — e nissei mantiveram suas experiências nos campos em segredo, não querendo passar memórias dolorosas para as gerações futuras.

O termo japonês shikata ga nai se traduz em “não pode ser desfeito”.

‘Sansei’ e ‘yonsei’

O pai e os tios de Konno são sansei, ou terceira geração.

“Para a geração do meu pai, é fácil não fazer muitas perguntas. O trauma aconteceu com os pais deles. Para eles, isso não faz parte da história que você pode ler”, diz.

É por isso que Konno acredita que cabe aos yonsei, a quarta geração, manter vivo esse legado.

“Sou da geração que está longe o suficiente para ver o passado de forma diferente e também para gritar contra essa injustiça.”

Evacuação

Em 19 de fevereiro de 1942, dois meses após o ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbor, no Havaí, o presidente americano Franklin Roosevelt emitiu a Ordem Executiva 9066.

O documento autorizava a “evacuação” de nipo-americanos de comunidades ao longo da costa Oeste dos Estados Unidos, argumentando que a medida visava proteger o país contra espionagem.

Na realidade, as leis foram motivadas por racismo, histeria de guerra e medo. Nenhum nipo-americano foi condenado por traição ou por qualquer ato sério de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial.

Canadá, México e vários países sul-americanos também tiveram programas semelhantes.

Entre 1942 e 1946, cerca de 120 mil nipo-americanos foram retirados à força de suas casas e transferidos para campos administrados pelo governo. Milhares eram crianças e idosos. Vários prisioneiros foram mortos a tiros por guardas.

Mais da metade eram cidadãos americanos: qualquer pessoa com mais de 1/16 de ascendência japonesa era elegível para internação compulsória, o que significava que qualquer pessoa com um tataravô japonês poderia ser detida em casa e enviada para viver a quilômetros de distância.

Campos de concentração

Em questão de meses, dez campos foram construídos na Califórnia, Arizona, Wyoming, Colorado, Utah e Arkansas.

Enquanto estavam em construção, as famílias eram frequentemente enviadas para “centros de reunião” improvisados: alojamentos temporários em áreas com estábulos ao redor de pistas de corrida de cavalos. Cada família recebia um estábulo para dormir.

A avó de Konno foi enviada para o hipódromo de San Mateo.

“Os cavalos tinham sido removidos no dia anterior, e o cheiro era horrível”, Konno soube mais tarde. “Quando eles foram realocados, os campos devem ter parecido agradáveis em comparação.”

Pedido de desculpas

Apenas em 1988, quase 50 anos depois, o presidente americano Ronald Reagan emitiu um pedido de desculpas e uma compensação de US$ 20 mil (cerca de US$ 40 mil ou R$ 200 mil em valores atuais) foi paga a mais de 80 mil nipo-americanos que foram internados compulsoriamente ou, em alguns casos, a seus herdeiros.

Brian Niiya, que leciona sobre a história dos campos na Universidade da Califórnia em Los Angeles, diz que, na época, a comunidade nipo-americana ficou feliz com o pedido de desculpas e o acordo.

“Tinha sido uma possibilidade tão remota… as pessoas nunca pensaram que veriam algo assim em suas vidas”, diz ele à BBC.

Mas o legado complicado dos campos significa que ainda há muito trabalho a ser feito. “Muitas pessoas ainda não conhecem a história dos campos, mas progressos estão sendo feitos”, diz Niiya.

Contar a história

A Califórnia aprovou recentemente uma legislação que implementa programas de estudos étnicos em escolas de ensino médio, onde essa história será ensinada.

Livros didáticos específicos sobre essa época estão sendo publicados, o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos está erguendo memoriais e exibições de filmes sobre os campos também têm ajudado a resgatar a memória.

“Esperamos que até o 100º aniversário [do ataque à Pearl Harbor e aprovação da política de evacuação forçada e aprisionamento], todos os americanos saibam sobre os campos”, diz Niiya.

Passado em chamas

Konno assumiu a responsabilidade de aprender sobre esse legado. Ao encontrar seu sobrenome em um livro sobre os campos, inicialmente sentiu um certo orgulho por seu ancestral ter feito algo digno de registro.

Mas lendo a passagem inteira, tudo mudou. Temendo ser vistas como estrangeiras, algumas comunidades queimaram seus pertences japoneses.

Konno descobriu que seu bisavô havia visitado uma comunidade japonesa próxima para convencer as pessoas a destruir fotos de família, cartas e documentos escritos em japonês.

Um dicionário japonês grosso levou uma semana para queimar. Facas de sashimi e equipamentos de kendô, a tradicional arte marcial japonesa, também foram jogados ao fogo, pois as pessoas temiam que as autoridades considerassem os objetos como armas.

“Minha própria família ajudou a tomar a horrível decisão de destruir esses itens sentimentais, e foi tudo em vão, porque eles foram forçados a viver nesses campos de qualquer maneira”, diz Konno.

Peregrinação

A destruição da cultura japonesa afetaria as gerações futuras. Os avós de Konno falavam japonês, mas depois da experiência nos campos decidiram não ensinar o idioma aos filhos.

“A vó achava que falar japonês não contribuiria para o sucesso dos filhos na América.”

Agora, Konno tenta recuperar gerações de conhecimento perdido. “Posso entender as decisões que meus avós tomaram, eles fizeram o que achavam que nos protegeria”, diz.

Em 2019, Konno pediu a um amigo que dirigia para fazer uma peregrinação especial. “Eu queria finalmente ir para [o campo de realocação de] Manzanar.”

Agora um museu administrado pelo Serviço Nacional de Parques, Manzanar foi o primeiro campo de concentração nipo-americano construído nos EUA. Localizado aos pés das montanhas de Sierra Nevada, na Califórnia, a maioria dos que ali viveram veio de Los Angeles, a cerca de 370 km.

Embora Konno tivesse visto fotografias dos campos, foi chocante ver pessoalmente as condições de vida, recriadas para educação histórica.

As famílias moravam em longos barracões de madeira, dividindo os espaços com lençóis, enquanto o vento chacoalhava as paredes e a poeira entrava pelas frestas.

“Eles tinham que varrer o espaço duas vezes por dia para tirar a poeira”, disseram a Konno.

Os campos eram cercados por cercas de arame farpado de 2,5 m de altura, curvados para dentro no topo. Não havia saída.

‘Gaman’

A avó de Konno e suas duas irmãs eram adolescentes no campo de concentração. Ela ficou presa dos 15 aos 18 anos, três irmãs dividindo espaço com os pais no quarto improvisado.

Os banheiros comuns eram espaços abertos, com chuveiros e vasos sanitários, sem paredes ou privacidade.

As mulheres pacientemente faziam fila do lado de fora para permitir que a pessoa que estivesse dentro tivesse um momento de discrição, o que significava que as pessoas tomavam banho em horários estranhos durante toda a noite.

Olhando para fora dos abrigos, Konno viu restos de jardins zen japoneses. “Eles tentaram deixar esta prisão hostil um pouco mais bonita.”

Konno traduz o termo japonês gaman que significa “enfrentar dificuldades com dignidade”.

“Nesses campos, as famílias nipo-americanas eram tratadas como menos que humanas. Mas eles ainda tentavam respeitar uns aos outros e ajudar uns aos outros neste lugar horrível”, diz Konno, com amargor.

O que não sabia era que, anos atrás, seu pai também havia visitado Manzanar. “Ele absorveu tudo e guardou para si mesmo”, diz.

Konno entendeu então que as gerações anteriores prestam seu respeito aos antepassados à sua própria maneira.

‘Recordar é honrar’

Mais recentemente, depois que Konno começou sua própria busca por respostas, seu pai e o tio foram para onde seus parentes paternos ficaram temporariamente encarcerados, no Centro de Reuniões Merced.

Os campos foram destruídos há muito tempo, mas uma estátua de uma menina sentada em uma pilha de malas serve como memorial para as famílias que foram presas lá.

Em uma parede atrás dela, os nomes dos 1.600 nipo-americanos, incluindo bebês nascidos no campo, estão gravados em pedra.

O pai e o tio pararam para procurar seu sobrenome e tiraram fotos para enviar a Konno.

Olhando para trás, Konno se pergunta se parte da razão pela qual levou tanto tempo para começar a investigar foi porque supunha que suas perguntas não seriam bem recebidas.

Mas o que descobriu é que a geração de seus pais tinha o mesmo desejo de saber.

“As oportunidades para conversar com aqueles que viveram isso estão desaparecendo passados 80 anos. Agora é ainda mais urgente descobrir as coisas por mim mesmo, não apenas ouvir histórias de segunda mão”, afirma. “Essa é para mim uma missão de vida.”

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Rússia obriga moradores de região conquistada da Ucrânia a adotar o rublo

Os moradores da cidade de Kherson vão poder usar a moeda russa e também a ucraniana durante quatro meses, mas depois disso, será só o rublo, disse o comandante que governa a região.

Por g1

As forças da Rússia na Ucrânia introduziram o rublo como moeda na região da cidade de Kherson neste domingo (1º), embora também permita o pagamento com a moeda ucraniana. Os russos buscam estabelecer o domínio nas regiões que o exército já dominou.

Foi Kirill Stremousov, que governa Kherson, que anunciou que a cidade seria “integrada à zona do rublo”, segundo a agência estatal russa RIA Novosti.

Civis escondidos em bunkers de siderúrgica na Ucrânia conseguem escapar

Ele anunciou um um período de quatro meses durante o qual a moeda ucraniana poderá ser utilizada, mas depois disso acontecerá uma mudança completa para o rublo.

Ucrânia reconheceu que as forças russas capturaram várias cidades na região do Donbass e pede ao Ocidente mais ajuda militar para reforçar suas defesas.

Uma área do ministério da Defesa russo na região de Belgorod, perto da fronteira com a Ucrânia, sofreu um incêndio, que deixou um ferido, segundo o governo local.

Conflito no leste

A essa altura da guerra, o conflito está concentrado no leste e no sul da Ucrânia, embora os bombardeios russos continuem em todo o país, principalmente com o objetivo de destruir infraestruturas e vias de abastecimento.

Para os russos, a conquista total da cidade portuária de Mariupol permitiria unir os territórios conquistados no sul, em particular a península da Crimeia, anexada em 2014, com as repúblicas separatistas pró-Rússia de Donetsk e Lugansk, ao leste (veja mais sobre Mariupol abaixo).

No flanco leste o exército russo é numericamente superior ao adversário ucraniano e tem melhores equipamentos de artilharia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou no sábado que os russos “acumularam reforços na região de Kharkiv, tentando aumentar a pressão no Donbass”.

Esta é a segunda fase do que a Rússia chama de “operação militar especial”, após a retirada das tropas de Moscou do norte da Ucrânia e da região de Kiev.

Um comandante militar ucraniano relatou ao chefe do Estado-Maior conjunto dos Estados Unidos, Mark Milley, sobre a “situação difícil no leste, particularmente nas áreas de Izium e Sieverodonetsk, onde o inimigo concentrou esforços máximos”.

Kharkiv foi cenário de muitos bombardeios no sábado. As forças ucranianas também reconquistaram territórios nos últimos dias, em particular ao redor da cidade.

Uma das áreas recuperadas foi o vilarejo de Ruska Lozova, que de acordo com os moradores permaneceu sob ocupação por dois meses.

Civis foram retirados de Mariupol

Inteligência britânica aponta que a Rússia está reagrupando as tropas na Ucrânia

Quase 100 civis foram retirados do complexo siderúrgico de Azovstal, que é usado como o último reduto das forças ucranianas na cidade de Mariupol.

O local também abriga civis que se refugiaram lá. A saída de uma parte deles foi anunciada neste domingo (1º) pelo presidente Volodymyr Zelensky.

A ONU confirmou que uma “operação de retirada estava em curso” em Azovstal, em coordenação com a Cruz Vermelha, com as tropas russas e com as forças ucranianas, sem revelar mais detalhes.

Mariupol, no sul do país, que é controlada pela Rússia, a única área que ainda está sob domínio de ucranianos é a usina siderúrgica.

As condições de vida na rede de túneis sob a siderúrgica foram descritas como brutais. Analistas acreditam que centenas de civis permanecem ao lado de combatentes ucranianos no complexo. Os esforços anteriores para a retirada de civis haviam fracassado.

Zelensky afirmou que na segunda-feira ele vai se encontrar com os primeiros civis que foram retirados de Azovstal em Zaporizhzhia.

O ministério russo da Defesa informou que 46 civis saíram do local no sábado em dois grupos.

Bombardeio

O Papa Francisco fez menções a Mariupol neste domingo. “Meus pensamentos estão com a cidade ucraniana de Mariupol, cidade de Maria, bombardeada e destruída de forma bárbara. Eu reitero meu pedido de abertura de corredores humanitários seguros”, disse ele, no Vaticano.

Imagens de satélite da empresa americana Maxar registradas na sexta-feira mostram a devastação em Mariupol, com Azovstal praticamente destruída.

A invasão iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro deixou milhares de mortos e milhões de deslocados. Os países ocidentais e seus aliados se mobilizaram para entregar ajuda bélica à Ucrânia e adotaram duras sanções contra a Rússia.

“Não se deixem intimidar por ‘bullies'”, afirmou a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, em uma entrevista na Polônia depois de visitar a Ucrânia no sábado, onde se encontrou com o presidente Zelensky.

Pelosi ocupa o terceiro cargo de representação mais importante dos Estados Unidos, depois do presidente e da vice-presidente. Ela expressou a solidariedade inequívoca de seu país com a Ucrânia.

“O governo dos Estados Unidos é um líder no sólido apoio à Ucrânia na luta contra a agressão russa”, disse o presidente ucraniano em uma mensagem que inclui um vídeo que o mostra no momento em que recebeu Pelosi e a delegação do Congresso na entrada da sede da presidência em Kiev.

Zelensky celebrou os “sinais muito importantes” apresentados pelos Estados Unidos e o presidente Joe Biden, que pediu na quinta-feira ao Congresso US$ 33 bilhões adicionais para a Ucrânia, dos quais US$ 20 bilhões serão destinados a armamento, quase sete vezes mais do que a quantidade de armas e munições já fornecidas à Ucrânia desde o início da invasão russa.

Pelosi prometeu que vai trabalhar para a aprovação da proposta.

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Avião espião russo viola espaço aéreo da Suécia

Ministro da Defesa da Suécia, Peter Hultqvist, disse ser totalmente inaceitável que o espaço aéreo sueco seja violado. País decide no próximo mês se apresenta candidatura para a Otan.

Por France Presse

Um avião de reconhecimento russo violou brevemente o espaço aéreo sueco na sexta-feira (29), informaram neste sábado (30) autoridades do país escandinavo, que estuda a possibilidade de ingressar na Otan desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Um avião a hélice AN-30 russo violou o espaço aéreo sueco na sexta-feira”, disse o Ministério da Defesa sueco em comunicado, acrescentando que suas equipes registraram todo o incidente e tiraram fotos.

“O avião estava a leste de Bornholm (uma ilha dinamarquesa no Mar Báltico) e depois seguiu em direção ao território sueco”, detalhou o comunicado.

O ministro da Defesa sueco, Peter Hultqvist, denunciou a ação russa.

“É totalmente inaceitável que o espaço aéreo sueco seja violado. Esta ação não é profissional e, dada a situação geral de segurança, altamente inadequada. A soberania sueca deve sempre ser respeitada”, escreveu Hultqvist à televisão pública SVT.

Guilherme Casarões: ‘A possível entrada da Suécia e Finlândia na OTAN vira o jogo’

“Obviamente, vamos protestar pelos canais diplomáticos”, acrescentou.

No início de março, quatro aviões de guerra russos entraram brevemente no espaço aéreo sueco, a leste da ilha báltica de Gotland.

A invasão russa da Ucrânia provocou na Suécia, país não-alinhado, uma mudança de posição quanto à possível adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Atualmente, 54% dos suecos concordam com a adesão, de acordo com uma pesquisa do instituto Novus publicada neste sábado.

O governo sueco definiu 24 de maio como prazo para tomar uma decisão sobre sua candidatura à Otan.

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Líder norte-coreano alerta para uso ‘preventivo’ de armas nucleares

Kim Jong-un disse a militares que o país deve buscar ‘musculatura militar esmagadora que nenhuma força no mundo possa provocar’. Declaração ocorre cinco dias depois de Kim falar sobre o uso de arsenal nuclear.

Por France Presse

Em dia de desfile de armas, Kim diz que vai acelerar desenvolvimento de arsenal nuclear

O líder norte-coreano Kim Jong-un advertiu que Pyongyang pode usar de maneira “preventiva” suas armas nucleares contra forças hostis, informou neste sábado (30) a imprensa estatal.

Kim disse a comandantes militares que, para “manter a superioridade absoluta” das Forças Armadas norte-coreanas, o país deve ter a possibilidade de “conter e frustrar todas as tentativas perigosas e ações ameaçadoras (…) de necessário”, informou a agência oficial de notícias KCNA.

Pyongyang deve continuar construindo o próprio arsenal para ter “musculatura militar esmagadora que nenhuma força no mundo possa provocar”, acrescentou.

Os comentários foram feitos poucos dias depois de um desfile militar, em 25 de abril, quando Kim afirmou que poderia usar o arsenal nuclear caso o país considere seus “interesses fundamentais” ameaçados.

Kim se reuniu com o comando militar para exaltar seu trabalho no desfile de segunda-feira, que celebrou o aniversário de 90 anos das Forças Armadas do país e exibiu mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).

Apesar das sanções, a Coreia do Norte prossegue com o projeto de modernização militar, com uma série de testes de armas proibidas executados desde o início do ano, ao mesmo tempo que ignora as propostas dos Estados Unidos para negociações.

Pyongyang testou em março um ICBM de pleno alcance pela primeira vez desde 2017. E imagens de satélites mostraram atividade em uma área de testes nucleares.

Coreia do Norte divulga vídeo mostrando lançamento de novo míssil

A série de testes acontece no momento em que o presidente eleito da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, se prepara para assumir o poder. Ele prometeu adotar uma linha mais dura a respeito de Pyongyang.

Analistas dizem que as advertências de Kim indicam que não está aberto ao diálogo com o futuro governo de Seul.

“As declarações de Kim demonstram que não tem interesse em uma relação com o governo de Yoon na Coreia do Sul, nem em falar sobre desnuclearização com os Estados Unidos”, afirmou Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Ewha de Seul.

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Presidente do Peru volta de carro do Equador para evitar destituição

Sem conseguir viajar de avião, Pedro Castillo correu o risco de descumprir o prazo dado pelo parlamento para visitar o país vizinho. Líder peruano poderia ter enfrentado uma moção de ‘vacância presidencial’.

Por France Presse

O presidente do PeruPedro Castillo, precisou voltar de carro às pressas para o país de uma viagem ao Equador para evitar ser cassado pelo Congresso, depois que o mau tempo o impediu de viajar de avião.

Em um país onde os presidentes são frequentemente removidos do cargo, Castillo arriscava infringir a Constituição se não retornasse ao Peru antes da meia-noite de sexta-feira (02h de sábado, no horário de Brasília).

Estava perto da hora de expirar a permissão dada pelo Parlamento ao presidente esquerdista para visitar seu vizinho no Equador, onde chefiou um gabinete binacional com seu homólogo Guillermo Lasso na cidade de Loja, a 264 quilômetros por estrada da fronteira peruana.

Exceder o prazo teria dado aos opositores que controlam o Legislativo um pretexto para proceder à destituição de Castillo, já que a Carta Magna peruana não contempla exceções por causas meteorológicas.

Como o avião presidencial não conseguiu decolar devido ao mau tempo, Castillo teve de passar por uma viagem de carro de cinco horas para chegar à fronteira peruana a tempo.

Uma hora antes do fim do prazo, Castillo chegou ao posto fronteiriço de Tumbes, segundo a mídia local, o que o liberou de enfrentar uma nova moção de “vacância presidencial” (destituição), a terceira em seus nove meses no poder.

Presidente peruano, Pedro Castillo, consegue escapar de impechment pela segunda vez

As moções de “vacância” se tornaram habituais no Peru e causaram a queda dos presidentes Pedro Pablo Kuczynski (direita), em 2018, e Martín Vízcarra (centro) em 2020, o que aumenta a instabilidade no país.

Desde dezembro de 2017, os parlamentares peruanos apresentaram seis moções de vacância ao Congresso, duas delas contra Castillo.

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Drones trazem nova era e riscos nos combates armados

Veículos aéreos não tripulados podem espionar e bombardear alvos inimigos sem qualquer risco direto para os combatentes. Ucrânia investe pesado neles para defender-se da invasão russa, mas equipamentos trazem desafios éticos.

Por Hannah Fuchs, Deutsche Welle

Veículos aéreos não tripulados podem espionar e bombardear alvos inimigos sem qualquer risco direto para os combatentes. Ucrânia investe pesado neles para defender-se da invasão russa. Mas drones trazem desafios éticos.

Os Estados Unidos desenvolveram um novo tipo de drone que corresponde às exigências das Forças Armadas da Ucrânia e que será otimizado para se adequar ainda mais. “Em conversas com os ucranianos sobre suas necessidades, nossa opinião foi que esse sistema especial seria muito apropriado, sobretudo para o leste do país”, informou o porta-voz do Pentágono John Kirby.

O desenvolvimento da Phoenix Ghost já começara antes da guerra russa na Ucrânia, a intenção agora é impulsioná-lo para que se adapte ainda melhor à situação real. Mais de 120 unidades serão fornecidas no âmbito de um novo pacote de ajuda militar de Washington de 800 milhões de dólares.

Segundo Kirby, a operação dos veículos aéreos não tripulados exigirá treinamento mínimo. Eles foram desenvolvidos pela empresa americana de armamentos Aevex Aerospace, em cooperação com a Força Aérea do país.

Poder das drones suicidas

Ainda não se sabe muito sobre as especificações da Phoenix Ghost, nem há imagens dela. Sabe-se, porém, que se assemelha às drones Switchblade da AeroVironment, empregadas por unidades especiais americanas no Afeganistão a partir de 2012. Estas são bem conhecidas: pequenas o suficiente para caber numa mochila, pertencem à categoria de loitering munition (munição vagante).

Também denominadas “drones kamikazes” ou “drones suicidas”, por se destruírem ao atingir o alvo, trata-se de armas de controle remoto. Inicialmente lançadas sem destino específico, sobrevoam durante um bom tempo a área em questão (“vagam”), até o operador em terra definir o alvo e atacá-lo com elas. Certos modelos possuem ainda sensores para detectar, classificar e atingir o objeto inimigo de modo autônomo.

“É uma combinação de míssil e drone, explica Arthur Holland Michel, autor e membro associado do Conselho de Ética em Assuntos Internacionais, sediado em Barcelona. A categoria, também denominada loitering weapon, é relativamente nova, só ficando conhecida na guerra de Nagorno-Karabakh, no Cáucaso, em 2020, quando o Azerbaijão a mobilizou em grande quantidade.

Há diversas variantes de drones Switchblade (“canivete” em inglês): o modelo menor, pesando 2,5 quilos, tem alcance de dez quilômetros e autonomia para 15 minutos no ar. O maior pesa 15 quilos, alcança 40 quilômetros e pode pairar durante 40 minutos.

Michel aponta suas vantagens: diferente das drones maiores, não é necessário pista de voo nem infraestrutura para lançá-las. “E, ao contrário de um míssil, tem-se tempo para identificar o alvo, formar uma ideia da situação e então disparar o projétil da drone de modo literalmente manual ou através de detecção de alvo. Desse modo, combinam-se as funcionalidades de ambos os sistemas de armas.”

As drones destinadas à Ucrânia têm especificações um tanto diferentes, como explicou Kirby. O tenente-general reformado David Deptula, decano do Instituto Mitchell de Estados Aeroespaciais e membro da presidência da companhia Aevex Aerospace, forneceu mais algumas informações ao portal Politico, embora até o momento não confirmadas.

Segundo ele, a Phoenix Ghost também seria uma drone descartável, mas com uma autonomia consideravelmente maior, de seis horas. Além disso, seu lançamento vertical economiza espaço, e sensores infravermelhos permitem operações noturnas. A arma seria eficaz contra “alvos terrestres blindados de médio porte”, afirmou Deptula.

Frota internacional de drones da Ucrânia

Entre as drones maiores mencionadas por Michel, também está sendo empregada na Ucrânia a turca Bayraktar TB2, de combate e reconhecimento, com 6,5 metros de comprimento, envergadura de 12 metros e 420 quilos. Desenvolvida pela empresa Baykar em 2014, seu nome significa “porta-estandarte” em turco.

Inteiramente autônoma, ela pode permanecer no ar por 24 horas ininterruptas, a uma altitude máxima de 7,3 mil metros, velocidade de 220 Km/h e alcance de 150 quilômetros. No modo automático, ela é capaz de decolar sem auxílio de um coordenador em terra, voar até o alvo programado, espioná-lo, retornar e pousar.

Em missões de espionagem, o exército ucraniano já utiliza a drone Vector, da firma Quantum Systems, sediada no estado alemão da Baviera. Segundo a rede jornalística Redaktions-Netzwerk Deutschland (RND), o cônsul da Ucrânia em Munique estabeleceu o contato, e até o fechamento do contrato de fornecimento passaram-se apenas cinco dias. Pouco depois, três combatentes ucranianos já enviavam sua selfie ao lado do veículo.

A Vector custa por volta de 180 mil euros, pagos pessoalmente por multimilionários ucranianos, como “doação ao Comando Territorial para a Defesa de Dnipro”, prossegue o artigo da RND. Ela não é uma arma propriamente dita, não sendo capaz de lançar bombas, embora uma conexão digital permita acoplá-la a um sistema armamentista.

Ainda assim, ela é muito cobiçada por suas capacidades avançadas de voo (duas horas) e transferência de vídeo (alta definição em tempo real, a distâncias de até 15 quilômetros). Os ucranianos a empregariam para otimizar a mobilização de sua artilharia, por exemplo, contra tanques russos que se aproximem. Além de poder ser montada sem ferramentas, a Vector não necessita pista de voo pois, apesar de ter três metros de envergadura, decola verticalmente.

Segundo o Ministério da Defesa do Japão, também o país forneceu drones a pedido da Ucrânia, assim como máscaras e vestes protetoras. Contudo os soldados do país invadido pela Rússia também operam drones nacionais, sendo a mais difundida a Leleka-100 (“cegonha” em ucraniano). Pesando cinco quilos, ela é fabricada pela Deviro, sediada em Dnipro, no centro do país.

Por sua vez, a Rússia aparentemente aposta menos em drones. A mais utilizada é a Orlan-10 (“águia” em russo), para reconhecimento e vigilância, fabricada pelo Centro de Tecnologia Especial de São Petersburgo. Com apenas 3,10 metros de envergadura, ela alcança até 100 quilômetros e serve também para precisar melhor disparos de artilharia, sendo dotada de câmeras para fotos aéreas, de vídeo e térmicas.

Terra de ninguém ética?

Paralelamente aos avanços tecnológicos, o emprego de drones abre uma série de desafios éticos e riscos, em decorrência da autonomia crescente dos sistemas armamentistas, ressalta Arthur Holland Michel em seu canal no Twitter.

Por exemplo: os usuários possuem suficiente visão da situação para decidir sobre o emprego de violência? As armas fornecem possibilidades de controle para garantir que as ofensivas sejam efetuadas com cautela? Elas são suscetíveis a ataques e manipulações por hackers, capazes de resultar em acidentes e danos não intencionais?

Se o sistema provocar danos não intencionais, há canais definidos através dos quais indivíduos específicos possam ser responsabilizados? Como eliminar riscos e manter padrões de segurança? Como proteger os civis?

“A cada função autônoma adicional integrada nessas armas, considerações como estas se multiplicam. Assim, eu incentivo os envolvidos a se concentrarem nas funções automatizadas individuais dos sistemas e nos riscos passíveis de ocorrer, caso elas falhem”, adverte o especialista em ética internacional.

O desenvolvimento de sistemas armamentistas por controle remoto ou automáticos progride vertiginosamente, mas as apreensões permanecem. Guerra autônomas de drones são um cenário de horror ético.

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‘Fiquei em pedaços’: o calvário de torturas e amputações de um ucraniano em prisão russa

Nikita Horban foi sequestrado de sua aldeia e levado para a Rússia. Ele voltou sem os dedos dos pés.

Por BBC

Nikita Horban está sentado de pernas cruzadas em uma cama de hospital antiquada de aço, passando os dedos sobre a parte plana do curativo onde antes ficavam seus dedos dos pés.

Ele ainda usa as roupas que vestia quando os russos o mandaram para casa — uma camiseta verde militar e calça de agasalho. Ele parece pálido e esquelético, com mais de 31 anos.

“Perdi muito peso”, diz ele, olhando para baixo. “Eu não pareço bem.”

Ele muda de posição na cama. Faz cerca de duas semanas desde a última vez que conseguiu ficar de pé e tem que mover as pernas regularmente para parar a dor.

É um dia claro de primavera em Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, mas os russos bombardeiam a região e as janelas do hospital estão escurecidas. O ar na enfermaria é quente e denso.

Nikita havia sido devolvido à Ucrânia apenas três dias antes, como parte de uma troca de prisioneiros, e levado para este hospital com outro homem.

Eles passaram três semanas sombrias em uma prisão na Rússia. O outro homem, Serhiy Vasylyha, 28, foi devolvido com os dois pés amputados. “Ele não teve a mesma sorte que eu”, diz Nikita.

As trocas de prisioneiros estão sendo negociadas pela vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, que confirmou que Nikita foi enviado de volta da Rússia. “Houve pessoas gravemente feridas nessa troca — membros amputados, sepse, outros ferimentos graves”, conta Vereshchuk.

“Havia sinais claros de tortura”, diz ela. “As histórias que eles nos contaram são terríveis.”

A provação de Nikita começou no início de março, quando o Exército russo entrou em Andriivka, uma pequena vila a oeste de Kiev.

Nikita, que era assistente de laboratório em um hospital de Kiev, estava escondido em um porão frio e úmido sob o jardim com seu pai Sasha, as esposas de ambos e o filho de cinco anos de Nikita. Sasha é o padrasto de Nikita, mas eles se chamam de pai e filho há anos.

Os russos estavam indo de casa em casa e tiraram os dois homens do porão e os espancaram, disse Nikita. “Houve tiroteios, pessoas na aldeia estavam sendo mortas, foi aterrorizante.”

Eles foram vendados e levados sob a mira de uma arma para o que parecia ser um campo, onde foram torturados.

Nikita tem uma cicatriz recente na articulação do dedo, que ele diz ter sido provocada por uma chave inglesa pressionada contra suas juntas pelos russos. Ele ouvia outros ao seu redor, mas não sabia quantos ou quem eram.

“Tudo o que me lembro de pensar é onde está meu pai? E se ele não estiver mais comigo?”

Os russos tiraram suas botas, encheram-nas de água e as colocaram de volta. Em seguida, os prisioneiros foram forçados a deitar de bruços no campo no frio congelante.

“Nós ficamos assim por três ou quatro noites, sob a chuva, ficando cada vez mais frio”, lembra Nikita.

Quando ele não conseguiu mais ouvir os soldados russos por perto, Nikita perguntou baixinho: “Pai, você está aí?”. E a voz de Sasha voltou calmamente. Eles estavam juntos. A partir desse momento, eles continuariam conversando sempre que parecesse seguro, tranquilizando um ao outro.

Enquanto eles estavam no campo, um frio profundo atingiu os pés de Nikita. Logo ele não conseguia mais senti-los. Então os projéteis começaram a cair perto deles, anunciados por estrondos estremecedores.

“Nós ficamos por um longo tempo assim no chão, dizendo adeus às nossas vidas repetidamente”, diz Nikita.

Eventualmente, eles foram puxados do chão e carregados em caminhões. Com os olhos vendados, Nikita tinha dificuldade para avaliar a duração da viagem.

Em algum momento, eles foram combinados com outro grupo de prisioneiros e carregados em helicópteros. A fome estava se instalando — eles só haviam recebido uma tigela de mingau, um pedaço de pão e um biscoito desde que foram levados, conta Nikita.

Dos helicópteros, eles foram transferidos para um avião de carga. Nikita sentiu os motores funcionando e o avião acelerando pela pista e decolando. Ele supôs que estava com cerca de 10 ou 12 outros prisioneiros.

“Você está bem?”, disse ele em voz alta, acima do som dos motores.

“Sim, estou bem”, respondeu Sasha.

De volta à aldeia, as esposas de Nikita e Sasha, Nadia e Svitlana, e o filho de Nikita, Artem, haviam se mudado de seu porão para um abrigo maior no subsolo da casa do vizinho. Elas não tinham ideia de onde seus maridos estavam.

Algumas casas adiante, os pais de Sasha, Nadia e Volodymyr, também estavam começando a se preocupar. Sasha havia parado de atender suas ligações, mas era impossível se aventurar fora de casa para descobrir se ele estava seguro.

Choviam projéteis ao redor da aldeia e, durante as pausas dos bombardeios, os soldados russos saqueavam as casas. Por mais de um mês, durante a ocupação, nenhuma família soube o que estava acontecendo com as outras da vizinhança.

Em algum momento, Nikita e Sasha cruzaram o espaço aéreo russo e o avião de carga começou a descer. Eles foram levados para um campo de detenção onde suas vendas foram finalmente removidas e eles se viram. Eles se abraçaram.

Os russos também usaram a chave inglesa nos dedos de Sasha, diz Nikita, mas de forma ainda pior, e um de seus dedos estava pendurado por uma pequena quantidade de tecido e pele. Ele foi levado para um hospital de campanha para tratamento.

Nikita finalmente pôde ver seus pés. Os dedos dos pés haviam se tornado pretos. Ele sabia que estavam ficando gravemente congelados por causa do frio e pediu atendimento médico. No hospital de campanha, eles secaram e enfaixaram os dedos dos pés, mas foi só isso.

Puseram suas botas de volta e, depois de cinco dias no campo, os prisioneiros foram transportados de caminhão para o Centro de Detenção Pré-Julgamento Número 1 — uma prisão na cidade russa de Kursk.

Os novos presos foram uniformizados e tiveram os cabelos cortados. Foram informados de que seriam “vacinados”, o que acabou se revelando um eufemismo para espancamento, diz Nikita.

Quando ele e Sasha foram trancados em uma cela com outras 10 pessoas, Nikita já imaginava que poderia perder as duas pernas.

“Naquela primeira noite, percebi que não conseguia sentir nem controlar meus pés”, lembrou ele. “E eles começaram a cheirar mal”.

Outros estavam enfrentando a mesma situação sombria. Alguns mais tarde perderiam membros inteiros.

Os cuidados na prisão eram mínimos — uma injeção de antibiótico e trocas de curativos uma vez a cada três dias. De acordo com Nikita, o médico da prisão lhe disse: “Temos bons remédios e tratamento médico aqui, mas não para você”.

Os prisioneiros se entretinham na cela falando sobre suas famílias e contando piadas. Eles foram forçados a decorar canções russas patrióticas e apresentá-las para os guardas, disse Nikita.

“O hino da Rússia; outra canção repugnante que glorifica Putin. Eles nos passaram as músicas pela manhã e nos disseram para aprendê-las até a hora do almoço”, diz ele.

Eles eram interrogados duas ou três vezes por dia e espancados, conta. Depois, eram obrigados a assinar documentos declarando que haviam sido bem tratados e alimentados e que não haviam sido feridos. Foi assim que souberam onde estavam, porque os documentos estavam carimbados com “Centro de Detenção Pré-Julgamento 1 de Kursk”.

Depois de três semanas na prisão, a condição dos pés de Nikita piorou dramaticamente, e ele finalmente foi transferido para o hospital com outras duas pessoas. Um cirurgião lhe disse que ia amputar todos os dedos dos pés.

“Eles estavam em condições tão ruins que durante o exame um dos meus dedos do pé simplesmente caiu”, diz Nikita.

Ele passou uma semana no hospital após a cirurgia, antes que um oficial lhe dissesse que ele e vários outros homens gravemente feridos seriam enviados para casa “para serem cuidados por suas famílias”.

Vereshchuk, a vice-primeira-ministra, diz que os russos tentaram trocar reféns civis por prisioneiros militares russos na Ucrânia — uma medida proibida pela Convenção de Genebra.

“É por isso que eles capturaram todos esses reféns — civis, mulheres, funcionários dos conselhos locais, para tentar usá-los”, diz ela.

“Sabemos que há mais de mil reféns lá — incluindo quase 500 mulheres. Sabemos que estão em prisões e centros de detenção preventiva em Kursk, em Briansk, em Riazan, em Rostov.”

Nikita nunca foi levado de volta à prisão em Kursk, onde viu Sasha pela última vez. Do hospital, ele foi carregado mais uma vez em um avião de carga, desta vez para Simferopol, na Crimeia.

As autoridades russas disseram a Vereshchuk que não tinham ambulâncias reservas, então prisioneiros gravemente feridos foram colocados na traseira de caminhões vazios para a viagem de cinco horas até a troca.

No ponto de encontro, os russos colocaram os feridos na estrada em suas macas e foram embora, e os soldados ucranianos vieram buscá-los.

Nikita ainda não acreditava que estava na Ucrânia, diz ele, até o momento em que um dos soldados o olhou nos olhos e disse em ucraniano: “Bem-vindo de volta, amigo”.

“Eu estava em pedaços”, disse ele. “Eu sabia que estava de volta à minha terra natal.”

Mas ele não sabia se sua família estava viva. Ele não sabia nada do que havia acontecido na Ucrânia no mês passado. Nikita deu a um oficial ucraniano o número de sua esposa Nadia e esperou, com o coração batendo forte no peito.

“Eu estava apenas esperando o som de discagem, para saber pelo menos que o telefone dela estava ligado”, disse ele. “Então começou a discar e ela recusou a ligação, e eu sabia que ela estava viva.”

Na segunda tentativa, Nadia atendeu. Ela lhe disse que estava na Bélgica com Artem e eles estavam seguros.

“Por cinco minutos nós apenas choramos no telefone”, diz Nikita. “Tentamos falar um com o outro, mas não conseguimos. Havia lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Só ouvi ela dizer olá e eu não conseguia respirar.”

Nadia ligou para o irmão de Sasha, Vyacheslav, e seus pais, Nadia e Volodymyr, para dar a notícia. Mas ainda faltava um grande pedaço.

“Sabemos que Sasha estava vivo quando Nikita partiu, mas isso foi há duas semanas”, diz a mãe dele. “Então, ainda estamos aqui esperando. Ainda não estamos bem.”

Desde sua chegada à Ucrânia, Nikita vinha tentando conseguir uma transferência de Zaporizhzhia para o hospital em Kiev, onde trabalhava. O pedido parecia estar parado. Então, de repente, na manhã de terça-feira, uma enfermeira entrou para dizer que ele estava indo para casa.

Depois de uma longa viagem de ambulância pelo país, Nikita foi recebido como um herói por seus colegas do Hospital Civil de Kiev nº 5. Ele foi levado para uma sala privada com uma grande janela aberta com vista para os pinheiros.

O chefe de medicina e o cirurgião-chefe vieram visitá-lo. Eles estavam esperando nervosamente por notícias de Nikita, e ambos foram às lágrimas por seu retorno. Dois de seus outros colegas, um casal, haviam sido mortos recentemente com seus filhos por um projétil russo.

“Significa tudo para nós tê-lo de volta”, diz o cirurgião Yuriy Shylenko. “Ele vai precisar reaprender a andar, mas vamos fazer tudo por ele.”

Nikita calça um par de chinelos hospitalares e mostra seu progresso se levantando e dando alguns passos. Os médicos conversam sobre seus planos de recuperação. Mas ele não estava realmente ouvindo.

“Eu só tenho uma coisa em mente”, diz ele, depois que eles saíram. “Voltar para minha esposa e filho.”

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Polícia ucraniana diz ter encontrado corpos de três homens com as mãos amarradas e marcas de tortura perto de Bucha

‘As vítimas foram torturadas durante muito tempo. No final, cada uma recebeu um tiro na têmpora’, afirmou o chefe de polícia de Kiev. Trio foi achado neste sábado (30) em vala comum de cidade que virou símbolo das atrocidades da guerra na Ucrânia.

Por France Presse

Os corpos de três homens com as mãos amarradas e os olhos vendados, visivelmente torturados e baleados, foram encontrados neste sábado (30) em uma vala comum perto da cidade de Bucha, informou a polícia de Kiev.

“As vítimas foram torturadas durante muito tempo […]. No final, cada uma recebeu um tiro na têmpora”, afirmou em um comunicado o chefe de polícia de Kiev, Andriy Nebytov.

Eles tiveram as mãos amarradas, os olhos vendados e mordaças foram colocadas nas bocas.

Os corpos dos três homens foram encontrados em Myrotske, localidade próxima de Bucha, cidade da região de Kiev que virou símbolo das atrocidades da guerra na Ucrânia e onde também foram encontrados os cadáveres de muitos civis.

“De acordo com informações preliminares, os invasores [russos] tentaram ocultar as provas de seus abusos, jogaram os corpos em uma vala e cobriram com terra”, disse Nebytov.

As autoridades ucranianas encontraram dezenas de corpos com roupas civis em localidades ocupadas e depois abandonadas pelo exército russo nos arredores de Kiev. A Ucrânia acusa as tropas russas de massacres, o que o governo da Rússia nega.

Nesta semana, a justiça ucraniana abriu uma investigação contra 10 soldados acusados por supostos crimes cometidos em Bucha.

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