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OMS confirma mais de 1200 suspeitas de varíola dos macacos na República Democrática do Congo

58 pessoas já morreram no país em decorrência da doença.

Por g1

O órgão da OMS que opera na República Democrática do Congo informou oficialmente que 1284 pessoas com suspeitas da varíola dos macacos. Entre essas, 58 morreram, o que leva a uma taxa de mortalidade de 4,5%, segundo o relatório.

A doença, que tem uma baixa taxa de mortalidade, infectou milhares de pessoas em partes da África central e ocidental nos últimos anos, mas é pouco frequente na Europa e em outros continentes. A maioria dos infectados consegue se recuperar em semanas.

Inicialmente ela surge com sintomas similares aos de gripe como o inchaço nos gânglios, porém, depois começa a despertar erupções na pele do rosto e do corpo.

Ações contra a doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na terça-feira (17) que está trabalhando em coordenação com as autoridades de saúde britânicas e europeias para tentar impedir os novos surtos.

“Precisamos entender melhor a extensão da varíola do macaco nos países endêmicos para entender a verdade sobre como está circulando e o risco que significa para as pessoas, bem como o risco de exportação”, declarou a epidemiologista Maria Van Kerkhove.

O primeiro caso no Reino Unido foi identificado em uma pessoa que viajou para a Nigéria, mas os casos subsequentes foram possivelmente por transmissão comunitária, segundo a Agência de Segurança Sanitária (UKHSA).

“Os casos mais recentes, juntamente com relatos de casos em países da Europa, confirmam nossa preocupação inicial de que a varíola do macaco possa estar se espalhando em nossas comunidades”, comentou Susan Hopkins, consultora médica do governo britânico.

A OMS informou, ainda, que muitos dos casos relatados são de pessoas que se identificam como gays, bissexuais ou homens que fazem sexo com homens.

“Estamos vendo uma transmissão entre homens que fazem sexo com homens”, disse o vice-diretor-geral da OMS, Ibrahima Socé Fall. “Esta é uma nova informação que precisamos investigar adequadamente para entender melhor a dinâmica da transmissão local no Reino Unido e em outros países”.

Primeiro caso na Alemanha

A Alemanha confirmou nesta sexta-feira o primeiro caso da doença no país. Ainda não se tem mais informações sobre a pessoa infectada, porém, o país garantiu estar monitorando a situação.

Outros países da Europa também confirmaram casos da doença.

Veja lista:

  • Reino Unido
  • Portugal
  • Espanha
  • Itália
  • França
  • Bélgica
    Fora da Europa, na América do norte, EUA e Canadá confirmaram, além da Austrália, na Oceania.

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‘Procurei minha irmã por 30 anos, mas a Covid a levou’

Quando criança, Steve Ellis descobriu um segredo de família e, 60 anos depois, a descoberta levou a uma amizade inesperada.

Por BBC

No verão de 1988, Steve Ellis recebeu uma notícia chocante que afetaria sua vida por mais de 30 anos e levaria a uma amizade inesperada.

Ellis estava trabalhando nos escritórios londrinos da revista feminina Bella, quando uma carta chegou para ele. O envelope tinha um carimbo postal de Halifax, no Reino Unido, e Steve reconheceu a caligrafia imediatamente – era de sua mãe.

“Querido Stephen, não tenho orgulho do meu passado e, às vezes, ainda dói muito”, começava a carta.

“Acredite, ninguém sabe da angústia que passei por muitos anos. As pessoas perdoaram a mim e a ele pelo que fizemos, mas posso dizer que o mais difícil é perdoar a si mesmo.”

Steve, um dos editores fundadores da revista, tinha 37 anos quando recebeu a carta. Ele foi criado como filho único por sua mãe solo, Dorothy. Mas em sua carta, Dorothy revelou que ela também deu à luz outra criança – uma menina nascida dois anos depois de seu filho.

Steve e sua irmã tinham o mesmo pai, escreveu Dorothy, mas ele era casado e tinha sua própria família.

“Foi a primeira vez que ela mencionou que teve outro filho”, diz Steve. “Isso estourou uma bolha de silêncio, de algo não dito entre mãe e filho.”

“Stephen, por favor, me perdoe pelo passado, pois não consigo explicar o desgosto que foi para mim”, escreveu Dorothy. “Eu te amo muito.”

Embora a carta de sua mãe tenha sido um choque, Steve não ficou surpreso ao saber que ele tinha uma irmã. Na verdade, ele havia descoberto o segredo de sua mãe mais de 25 anos antes, quando um dia encontrou um maço de cartas no quarto dela.

Entre os documentos estava uma certidão de nascimento de uma pessoa chamada Susan Ellis, nascida em dezembro de 1953 – dois anos depois dele.

“Fiquei tão surpreso. Senti que eu não era a única pessoa no mundo”, diz Steve.

Também havia cartas da Sociedade de Adoção Ashton-under-Lyne, que diziam coisas como: “Sentimos muito por sua ação”, “Este é um ato muito pecaminoso” e “Espero que sua família a perdoe”.

Steve, na época com 10 anos, sabia o que significava adoção, mas havia outras palavras que ele não entendia, e descobrir os segredos de sua mãe o fez se sentir culpado. Ele nunca disse uma palavra à mãe sobre o que havia encontrado.

No dia seguinte ao recebimento da carta, Steve foi de carro encontrar a mãe no apartamento dela em Halifax. Em meio às lágrimas, Dorothy contou a ele como havia amamentado sua filha por 10 semanas em casa, antes de levá-la embora.

“Um segundo filho ‘ilegítimo’, nascido em uma casa geminada de dois quartos com sete ocupantes era demais para ela”, diz Steve.

Na época, ele e a mãe moravam com os pais de Dorothy e três ou quatro irmãos dela. A avó de Steve era faxineira, enquanto seu avô alimentava caldeiras em uma fábrica de tapetes. Dorothy não tinha emprego e eles simplesmente não podiam se dar ao luxo de alimentar outra boca.

Dorothy vivia com um “horrível fardo de culpa”, ela disse a ele, além de ter que suportar o estigma de ser uma mãe solo que doou um de seus filhos. Tinha sido difícil encontrar trabalho porque muitos empregadores não aceitavam mães solteiras, e alguns dos amigos de Dorothy não falavam com ela há anos.

“As pessoas atravessaram a rua e se recusavam a falar com ela porque ela teve um filho ilegítimo”, diz Steve. “Ela era uma mulher rejeitada.”

Steve sempre se perguntou sobre o paradeiro de sua irmã Susan. Ele perguntou a Dorothy se ela gostaria que ele tentasse encontrá-la, e sua mãe disse que sim.

Em poucos dias, Steve estava preenchendo formulários em um serviço público para localizar pessoas no Reino Unido. Ele entrou em contato com advogados, falou com uma agência de detetives particulares e até colocou um anúncio no jornal Manchester Evening News com um palpite de que Susan estava morando naquela área.

“Não recebi nenhuma resposta”, diz Steve.

Com o passar dos anos, Steve muitas vezes se perguntava se sua irmã poderia ser uma estranha que passava por ele na rua. Ele ansiava por encontrar Susan, não apenas para seu próprio bem, mas também para sua mãe.

“Não consigo imaginar que houve um dia em que ela não tivesse pensado na filha”, diz ele.

“De certa forma, é pior do que a morte. Alguém que você deu à luz está lá fora, mas você não sabe como ela é, se os pais adotivos foram legais ou desagradáveis, se ela foi bem-sucedida. Ela está lá, mas também não está.”

Em 2019, Steve estava com quase 70 anos e se resignou ao fato de que talvez nunca encontrasse sua irmã. Mas durante os anos seguintes, a lei mudou para permitir que agências intermediárias ajudassem a rastrear pessoas separadas por adoção antes de 30 de dezembro de 2005.

Quando Steve percebeu que essa ajuda estava disponível, ele entrou em contato com uma agência e contou tudo o que sabia sobre Susan Ellis. Dentro de alguns meses um pesquisador teve notícias dela.

“Minha irmã estava viva”, diz Steve.

O investigador o avisou que teriam que agir com cuidado. Susan podia não saber que havia sido adotada. Eles enviaram uma carta delicada e esperaram, mas a resposta de Susan não foi a que Steve desejava.

“Ela ficou muito zangada e chocada”, diz ele.

Susan havia sido informada pelos pais adotivos de que foi colocada para adoção após a morte de sua mãe biológica. Ela não fazia ideia de que tinha parentes vivos – disse que precisava de tempo para considerar a abordagem de seu irmão.

Steve esperava que Susan voltasse e eles pudessem finalmente construir um relacionamento de irmãos, mas quando mais de cinco meses se passaram sem nenhuma notícia, ele começou a perder a esperança.

Em um dia ensolarado de abril, apenas algumas semanas após o primeiro lockdown no Reino Unido por causa da pandemia de Covid-19, em 2020, o investigador o procurou novamente. Mas não era uma boa notícia. Susan tinha morrido três dias antes.

“Sentei-me no jardim chorando”, diz Steve. “Perdi minha irmã.”

O investigador disse a Steve que Graham, o marido de sua irmã, gostaria de falar com ele, e mais tarde naquela noite os dois homens conversaram.

Sarah – cujo nome havia sido mudado quando foi adotada – estava pensando em entrar em contato com Steve, disse Graham, mas sua saúde estava se deteriorando após uma complicada operação de ponte de safena – ela foi internada em um hospital.

“Como estava ficando mais doente, ela foi mais conciliadora e queria fazer contato”, diz Steve. “Mas então sua saúde se deteriorou a ponto de se tornar tarde demais.”

Sarah morreu isolada. Oficialmente, a causa da morte foi Covid-19.

Em luto, Graham respondeu às perguntas de Steve sobre Sarah e criou uma imagem da irmã que Steve nunca conheceu. Ela era emotiva, calorosa e amigável, disse Graham, e gostava da vida.

“Foram 66 anos de história condensados ​​em 90 minutos de conversa. Foi incrível”, diz Steve.

Sarah foi criada por pais adotivos amorosos. Seu pai era diretor de uma escola e eles moravam em uma casa grande e isolada.

“Há uma ironia maravilhosa nisso, desses contrastes na vida dela e na minha”, diz Steve. “Fui deixado neste casebre lotado em Halifax, enquanto minha irmã partiu para uma vida bastante luxuosa.”

Depois de frequentar uma escola particular, Sarah passou três anos como oficial da RAF (Força Aérea Real) e depois administrou seu próprio café.

Alguns dias depois, Graham enviou a Steve uma fotografia de Sarah – a primeira que ele viu.

“Quando apareceu na tela, eu desabei”, diz Steve. “Acho que foram 60 anos de emoção reprimida. Foi a sensação mais surpreendente, nunca tive isso antes e nunca mais tive desde então. Ela ganhou vida para mim, embora estivesse morta.”

Através de um link de vídeo a partir da casa onde moravam, Steve e sua esposa puderam ver Graham, sozinho, no crematório no dia do funeral de Sarah. Então os dois homens passaram a se falar por telefone todos os dias, e o vínculo entre eles cresceu.

Graham convidou Steve para ficar na casa que ele e Sarah tinham compartilhado. Ao passar um tempo com seu marido de 25 anos, vasculhando fotografias e visitando lugares onde ela esteve, Steve se sentiu mais próximo de sua irmã do que nunca.

Ele descobriu paralelos interessantes também – ambos tocavam piano de ouvido e adoravam cozinhar – e quando Steve viu algumas das pinturas de Sarah, ficou impressionado com a semelhança entre o estilo dela e o dele.

“Você não seria capaz de dizer se foi ela ou eu quem tinha pintado um quadro”, diz ele.

Dorothy, a mãe de Steve, morreu dois anos antes dele encontrar sua irmã, levando sua culpa para o túmulo. Steve se sente triste por não ter sido capaz de tranquilizar sua mãe sobre como as coisas aconteceram para o bebê que ela precisou doar.

“Teria sido maravilhoso se ela soubesse que a filha foi criada por pais gentis e amorosos”, diz ele.

Steve é ​​grato pelo relacionamento com seu cunhado, que cumpriu os desejos de Sarah, tornando possível a “peregrinação” de Steve para conhecer um pouco sua irmã.

“Eu nunca vou conhecê-la pessoalmente, nunca vou conseguir falar com ela, e isso será uma fonte de arrependimento para sempre”, diz Steve, que agora tem 70 anos.

“No entanto, eu conheci Sarah depois de sua morte, porque seu marido Graham abriu seu coração e sua casa para me permitir descobrir o máximo possível sobre minha irmã há muito perdida – foi um ato de incrível generosidade”.

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Covid na Coreia do Norte: sem remédios e vacinas, governo recomenda chá e água salgada

Mais de 2 milhões de pessoas adoeceram e pelo menos 65 morreram por Covid-19, mas o governo central de Pyongyang tem chamado a doença apenas de “febre”, segundo a imprensa estatal.

Por BBC

Sem vacinas e remédios, a Coreia do Norte tem sido duramente atingida pelo avanço da Covid-19. Mais de 2 milhões de pessoas adoeceram e pelo menos 65 pessoas morreram, mas o governo central de Pyongyang tem chamado a doença apenas de “febre”, segundo a imprensa estatal.

No início do ano 2020, o país fechou suas fronteiras para tentar isolar o país da pandemia que afetava o resto do mundo. A Coreia do Norte compartilha fronteiras terrestres com a Coreia do Sul e a China, que registraram grandes surtos. A China agora está enfrentando uma onda de ômicron, com lockdowns em suas principais cidades.

Mas até hoje as autoridades da Coreia do norte têm rejeitado apoio médico estrangeiro.

Analistas apontam que norte-coreanos estão mais vulneráveis ao vírus devido à falta de vacinas e à precariedade do sistema de saúde. Um lockdown nacional está em vigor no país, mas não há informações precisas se a estratégia tem surtido efeito.

Além disso, a imprensa estatal disse que o líder do país, Kim Jong-un, tem responsabilizado autoridades de saúde por “atrapalhar” a distribuição das reservas nacionais de medicamentos.

O BBC Reality Check tem monitorado a mídia controlada pelo governo norte-coreano, que tem recomendado diversos tratamentos tradicionais contra doenças comuns, como chá quente e gargarejo com água salgada, mas sem eficácia comprovada contra a covid-19.

Bebidas quentes e o alívio de sintomas leves

Para aqueles que não estão gravemente doentes, o jornal estatal Rodong Simnun recomenda se tratar com chá quente com gengibre ou madressilva ou uma bebida à base de folhas de salgueiro.

Bebidas quentes podem aliviar alguns sintomas mais leves da covid, como dor de garganta e tosse, e ajudar a hidratação de algumas pessoas doentes.

Gengibre e folha de salgueiro também podem aliviar a inflação e reduzir a dor.

Mas eles não são tratamentos para o vírus em si, como os antivirais adotados ao redor do mundo, a exemplo do paxlovid e do molnupiravir.

Gargarejo com água salgada e sua eficácia limitada contra sintomas

A mídia estatal norte-coreana exibiu uma reportagem em que um casal entrevistado recomenda gargarejo com água salgada de manhã e de noite para combater a covid-19.

“Milhares de toneladas de sal” foram enviadas para Pyongyang a fim de ser produzida a “solução antisséptica”, anunciou a agência estatal de notícias.

Por um lado, alguns estudos apontam que o gargarejo com água salgada e a lavagem das narinas com soluções salinas podem ajudar a combater vírus que causam resfriados comuns.

Mas não há evidência de sua eficácia contra a covid-19.

Além disso, enxaguantes bucais, que também foram recomendados, se mostraram eficazes contra o vírus em laboratório. Mas, novamente, não há qualquer evidência de sua eficácia contra a covid-19 em humanos.

A covid-19 é principalmente transmitida pelo ar, invadindo o corpo tanto pelo nariz quanto pela boca. Então, gargarejo só atacaria um dentre vários pontos de entrada.

Além disso, uma vez que o vírus tenha entrado no corpo humano, ele se replica e se espalha profundamente por outros órgãos, onde essa estratégia não terá alcance nem eficácia.

Analgésicos e antibióticos sem eficácia contra covid-19

A TV estatal norte-coreana também tem aconselhado pacientes a usar analgésicos e antitérmicos como ibuprofeno e antibióticos como amoxicilina.

O ibuprofeno (e paracetamol) pode reduzir a temperatura e aliviar sintomas como dor de cabeça ou dor de garganta. Mas eles não eliminarão o vírus ou impedirão que ele se desenvolva.

Antibióticos são eficazes em infecções causadas por bactérias, e não em infecções causadas por vírus.

Além disso, usar antibióticos de forma desnecessária eleva o risco de surgirem micróbios resistentes a medicamentos.

Um amplo estudo com o antibiótico azitromicina, por exemplo, descobriu que fazia pouca ou nenhuma diferença nos sintomas da covid-19, na probabilidade de internação hospitalar ou nas chances de morrer pela doença.

Existem atualmente alguns medicamentos aprovados em diversos países, incluindo o Brasil, para evitar que pessoas com covid-19 acabem no hospital:

– antivirais: paxlovid, molnupiravir e remdesivir

– terapias de anticorpos que imitam o sistema imunológico

Mas a eficácia varia bastante a depender do perfil do paciente e do momento em que o tratamento teve início em relação ao dia da infecção.

Sistema de saúde em dificuldade

O sistema de saúde da Coreia do Norte foi criado para oferecer assistência médica gratuita, desde serviços básicos em vilarejos até tratamento especializado em hospitais governamentais (geralmente em centros urbanos).

Mas a economia nacional declinou nos últimos anos por causa de sanções econômicas internacionais e condições climáticas extremas, como secas.

Além disso, o fechamento das fronteiras do país e medidas rígidas de lockdown também acarretam impactos negativos.

Sem a mesma estrutura da capital Pyongyang, o sistema de saúde no resto do país sofre com escassez de pessoal, medicamentos e equipamentos.

Kee Park, professor de Saúde Global e Medicina Social da Universidade Harvard, diz que a Coreia do Norte é um país de baixa renda com um sistema de saúde limitado.

“Apesar de uma densidade relativamente alta de profissionais de saúde, o sistema teria dificuldades para lidar com o aumento de pacientes”, diz ele.

Alistair Coleman, especialista em Coreia do Norte, explica que a resposta de Pyongyang à covid sempre foi negar que o vírus exista no país.

“A resposta do Estado foi fechar as suas fronteiras e implementar uma estratégia de higiene para prevenir infeções, pulverizando locais públicos como estações de trem, escolas, hospitais, etc.”

Mas o país não poderia estar menos preparado para combater a doença.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), no ano passado, dizia: “Algumas das fábricas farmacêuticas, de vacinação e de aparelhos médicos não atingem o nível de boas práticas da OMS [Organização Mundial da Saúde] e também não atendem à demanda local”.

Muitos desertores norte-coreanos para a Coreia do Sul disseram ter que pagar por medicamentos ou encontrar tratamento e remédios restritos a membros privilegiados do partido no poder.

A mídia estatal, por outro lado, diz que tem aumentando a produção de medicamentos.

Recusa a ajuda internacional

País de quase 26 milhões de habitantes, a Coreia do Norte recusou 3 milhões de doses de vacinas fabricadas na China no ano passado – e acredita-se que tenha rejeitado outras ofertas ligadas ao Covax, o esquema global de compartilhamento de vacinas.

A Coreia do Sul diz que não teve resposta à sua oferta de vacinas, suprimentos médicos e pessoal.

Coreia do Norte teria enviado recentemente três aviões para coletar suprimentos médicos de Shenyang, na China. Só que não havia “suprimentos antipandemia”, disse o Ministério das Relações Exteriores da China. De todo modo, o país vizinho disse estar “pronto para trabalhar com a Coreia do Norte… na luta contra o coronavírus”.

Como consequência da rejeição de Pyongyang à ajuda da comunidade internacional para vacinar a população, a imunidade coletiva no país é extremamente baixa.

Apesar dos rumores de que alguns membros da elite da Coreia do Norte foram vacinados, a grande maioria dos norte-coreanos não recebeu nenhuma dose contra a covid.

De fato, durante a pandemia, a mídia estatal alertou de forma enganosa sobre a ineficácia e os perigos das vacinas contra a covid.

Sem casos confirmados de covid-19 nos últimos dois anos, a população é “imunologicamente frágil ao vírus Sars-Cov-2” e todas as suas variantes, diz o professor de Harvard Kee Park.

“Até agora eles não tiveram nenhum surto, então ninguém desenvolveu imunidade. Além disso, eles ainda precisam vacinar a população. Eles essencialmente não têm proteção imunológica”, acrescenta.

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Foto de satélite indica que China construiu modelo de avião do Japão para treinar ataque, diz site

Imagens por satélite mostram que chineses construíram uma réplica de um avião militar japonês em uma região desértica.

Por g1

Imagens feitas com satélites mostram que os chineses construíram um modelo semelhante a um avião que as forças aéreas do Japão usam em seu sistema defesa, de acordo com uma reportagem publicada no site Nikkei Asia nesta terça-feira (19).

Reprodução do site que publicou reportagem sobre um modelo de avião construído na China. À esquerda, o modelo no deserto de Xinjiang, na China. À direita, o avião real numa base japonesa, para efeito de comparação — Foto: Reprodução/Nikkei Asia

Acredita-se que a área da China onde a fotografia foi feita é uma zona especial controlada pelos militares chineses.

A imagem mostra uma estrutura com a forma de um avião, com dois motores e um radar em forma de disco, que é uma característica de um modelo específico de avião da força aérea japonesa.

O modelo chinês parece ter sido inspirado na aeronave E-767 das forças aéreas japonesas, um avião de fabricação da Boeing. Há quatro aviões no mundo, e todos estão em uma base aérea em Hamamatsu, de acordo com informações do Ministério da Defesa japonês.

O avião tem capacidade de interceptar outras aeronaves. Em uma hipotética situação de conflito, esses modelos seriam empregados para fazer buscas por outros aviões em regiões distantes dos confrontos.

Modelos como esse podem ser usados pelos militares chineses como uma forma de simular ataques aos aviões da força aérea do Japão com mísseis, de acordo com um ex-oficial de alta patente das forças armadas japonesas que foi entrevistado pelo site Nikkei Asia, mas pediu para não ser identificado.

As fotos são da empresa de imagens por satélite Planet Labs, dos Estados Unidos.

Precedentes

No deserto de Xinjiang também foi fotografado anteriormente um modelo em escala real de um navio porta-aviões americano e de um navio menor, de combate, também americano.

Os EUA alertaram que nos últimos meses a China tem expandido rapidamente suas forças armadas, incluindo suas capacidades nucleares, à medida que a tensão aumenta no Mar do Sul da China.

No início deste ano, a China foi considerada suspeita de realizar um teste de míssil hipersônico com capacidade nuclear — mísseis que podem voar na atmosfera com velocidade superior a mais de cinco vezes a do som — o que gerou preocupação em Washington.

Posteriormente, o governo chinês negou as acusações e disse que se tratava de uma verificação de rotina.

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Covid na Coreia do Norte: 3 questões para entender a preocupante explosão de casos no país

A Coreia do Norte relatou oficialmente seus primeiros casos de covid na semana passada; hoje a situação parece fora de controle.

Por BBC

Depois de anos enfrentando a pandemia de Covid-19, muitos países encerraram suas quarentenas e estão lentamente voltando ao normal. Mas na Coreia do Norte a história é diferente.

Após dois anos sem relatar um único caso de Covid, Pyongyang informou em 16 de maio que mais de um milhão de pessoas adoeceram com o que é chamado na imprensa estatal de “febre”.

Os números reais podem ser muito maiores do que os oficiais, já que o governo do país de 25 milhões de habitantes é conhecido por seu sigilo. Além disso a Coreia do Norte possui capacidade de teste limitada.

OMS diz que altos níveis de transmissão e poucas vacinas, como na Coreia do Norte, criam risco maior de variantes

Até agora, pelo menos 56 pessoas morreram, mas não se sabe quantos desses casos suspeitos testaram positivo para o vírus.

Coreia do Norte anunciou apenas na semana passada seus primeiros casos confirmados de covid, embora especialistas acreditem que o vírus provavelmente esteja circulando há algum tempo.

“A propagação desta epidemia maligna é a maior reviravolta que aconteceu em nosso país desde sua fundação”, disse Kim Jong-un, líder do país, segundo a agência de notícias oficial KCNA.

Consequentemente, seu governo impôs um controle de “emergência máxima” em nível nacional. A Coreia do Norte já é o país mais isolado do planeta.

Liz Throssell, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), expressou preocupação na terça-feira (17/5) sobre o “provável impacto nos direitos humanos” do confinamento imposto pelas autoridades.

Três questões ajudam a entender como a Coreia do Norte chegou neste ponto.

1. Rejeição da ajuda internacional

Coreia do Norte rejeitou a ajuda da comunidade internacional para fornecer vacinas ao país, acreditando que poderia manter o vírus sob controle apenas com o fechamento de fronteiras imposto em janeiro de 2020.

Alistair Coleman, especialista da BBC em Coreia do Norte, diz que as razões do país Norte para rejeitar ofertas de doses de vacinas do exterior não são claras.

“Algumas fontes acreditam que eles estão esperando por vacinas de mRNA mais eficazes, em vez de imunizar a população com injeções menos eficazes”, explica.

“Outra linha de pensamento é que os suprimentos estrangeiros de vacinas vêm com condições inaceitáveis ​​para Pyongyang.”

Para Kee Park, professor de Saúde Global e Medicina Social da Universidade de Harvard, há outros motivos. Em primeiro lugar, a tradicional teoria filosófica norte-coreana conhecida como “juche” enfatiza a autossuficiência.

“Pedir ajuda não é fácil para eles”, explica o professor em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Além disso, ele explica que desde o início da pandemia, a entrada de carga humanitária na Coreia do Sul foi reduzida porque as autoridades veem a entrada de carga e pessoal externo como uma possível via de entrada para o vírus.

“Com o vírus já dentro do país, eles teriam que reavaliar o risco e o benefício da ajuda externa”, acrescenta Park.

Nos últimos dias, um grupo de aviões da Air Koryo, companhia aérea estatal norte-coreana, fez vários voos para a China, depois de ficarem estacionado por mais de dois anos.

“Esses voos podem sugerir uma mudança na disposição da Coreia do Norte em aceitar carga aérea”, diz o especialista.

Segundo ele, isso poderia ter implicações significativas se eles finalmente decidirem aceitar a ajuda de outras organizações internacionais.

2. Deficiências do sistema de saúde

Atualmente, a Coreia do Norte não tem capacidade de testar sua população, aumentando a escassez de medicamentos e equipamentos essenciais para lidar com o coronavírus.

O professor Kee Park diz que a Coreia do Sul é um país de baixa renda com um sistema de saúde limitado.

“Apesar de uma densidade relativamente alta de profissionais de saúde, o sistema teria dificuldades para lidar com o aumento de pacientes”, diz ele.

Alistair Coleman, especialista em Coreia do Norte, explica que a resposta de Pyongyang à covid sempre foi negar que o vírus exista no país.

“A resposta do Estado foi fechar as suas fronteiras e implementar uma estratégia de higiene para prevenir infeções, pulverizando locais públicos como estações de trem, escolas, hospitais, etc.”

Mas o país não poderia estar menos preparado para combater a doença.

“O sistema de saúde é bem terrível”, diz Jieun Baek, fundador da Lumen, uma ONG que monitora a Coreia do Norte.

“É um sistema muito deficiente. Fora os dois milhões de pessoas que vivem em Pyongyang, a maior parte do país tem acesso a cuidados de saúde de muito baixa qualidade.”

Pessoas que fugiram da Coreia do Norte afirmaram no passado que as agulhas de seringa são reutilizadas até enferrujar e que as garrafas de cerveja são transformadas em recipientes improvisados ​​​​de soro.

Além de uma população não vacinada, há escassez de medicamentos e equipamentos de proteção individual.

E os testes são muito limitados: apenas 64 mil testes foram realizados desde o início da pandemia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Em comparação, a Coreia do Sul realizou até agora 172 milhões de testes.

3. Baixa imunidade coletiva

Como consequência da rejeição de Pyongyang à ajuda da comunidade internacional para vacinar a população, a imunidade coletiva no país é extremamente baixa.

Apesar dos rumores de que alguns membros da elite da Coreia do Norte foram vacinados, a grande maioria dos norte-coreanos não recebeu nenhuma dose contra a covid.

De fato, durante a pandemia, a mídia estatal alertou sobre a ineficácia e os perigos das vacinas contra a covid.

Sem casos confirmados de covid-19 nos últimos dois anos, a população é “imunologicamente frágil ao vírus Sars-Cov-2” e todas as suas variantes, diz o professor de Harvard Kee Park.

“Até agora eles não tiveram nenhum surto, então ninguém desenvolveu imunidade. Além disso, eles ainda precisam vacinar a população. Eles essencialmente não têm proteção imunológica”, acrescenta.

A Organização Mundial da Saúde expressou nesta segunda-feira sua “preocupação” com a situação na Coreia do Norte, já que a variante ômicron parece já ter afetado quase 1,5 milhão de pessoas no país asiático desde o final de abril.

“Como o país ainda não iniciou a vacinação contra a covid-19, existe o risco de o vírus se espalhar rapidamente, a menos que seja reduzido com medidas imediatas e adequadas”, alertou o diretor regional da OMS, Khetrapal Singh, em comunicado.

Liz Throssell, porta-voz do ACNUDH, destacou que, na ausência de uma campanha de vacinação, a propagação da pandemia “poderia ter um impacto devastador na situação dos direitos humanos no país”.

Em comunicado publicado na terça-feira, Throssell apelou às autoridades norte-coreanas para discutirem com as Nações Unidas a abertura de canais de apoio humanitário, incluindo medicamentos, vacinas, equipamentos e outros apoios para salvar vidas.

“Também pedimos às autoridades que facilitem o retorno de funcionários internacionais e das Nações Unidas para ajudar na prestação de apoio, incluindo populações vulneráveis ​​e aqueles que vivem em áreas rurais e de fronteira.”

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Hackers pró-Rússia derrubam sites do governo da Itália, diz polícia italiana

Por g1

Hackers pró-Rússia fizeram ataques a sites institucionais e do governo da Itália nesta sexta-feira (20), afirmou a polícia italiana.

Os sites do Ministério de Relações Exteriores e de diversos órgãos do Poder Judiciário do país estavam fora do ar.

Segundo o grupo de segurança cibernética italiano Yarix, que trabalha junto com a polícia na investigação, os ataques foram feitos pelo grupo hacker russo Killnet.

O grupo ainda não se pronunciou sobre a autoria dos ataques.

Nesta semana, o Kremlin expulsou dezenas de diplomatas italianos da Rússia, depois de o governo italiano declarar apoio à entrada da Finlândia e da Suécia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que Moscou é contra.

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Ataque ‘indiscriminado’ com faca deixa três feridos na Noruega

Por France Presse

Pelo menos três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, em um ataque “indiscriminado” com faca nesta sexta-feira (20) no sudeste da Noruega, anunciou a polícia local.

Um suspeito foi detido, informou a polícia, que ainda não revelou os motivos do ataque.

“Até o momento: três pessoas feridas, uma pessoa ferida em estado grave”, afirma a conta no Twitter da polícia.

Poucos minutos depois, a força de segurança anunciou que tinha o “suposto autor da agressão sob controle”.

Testemunhas ouvidas pela imprensa norueguesa afirmaram que diversas viaturas policiais e ambulâncias, assim como três helicópteros de assistência médica, foram enviadas ao local.

A agressão, “indiscriminada” segundo a polícia, aconteceu no vale de Numedal, na localidade de Nore.

A região fica ao norte de Kongsberg, cidade donde um ataque com arco e flecha deixou cinco mortos em outubro do ano passado.

O autor do crime, um dinamarquês com problemas psiquiátricos segundo especialistas, está sendo julgado na Noruega.

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Tiroteio em universidade dos EUA deixa 5 feridos

Incidente foi registrado na Temple University, instituição de ensino superior da Filadélfia.

Por g1

Um tiroteio deixou ao menos cinco pessoas feridas em uma universidade dos Estados Unidos nesta quarta-feira (18), informaram as autoridades americanas.

O incidente foi registrado na Temple University, instituição de ensino superior da Filadélfia. Um alerta da universidade pede que estudantes não circulem pelo campus.

Não há, até a última atualização desta reportagem, informações sobre a origem dos tiros e o estado de saúde das vítimas. A polícia foi acionada, segundo um tuíte da Temple University.

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‘Por que Putin está fazendo isso conosco?’: moradores de Kharkiv vivem há quase três meses em uma estação de metrô

Desde o início da guerra, um terço da população de Kharkiv já deixou a cidade. Os que ficaram vivem em condições de extrema precariedade.

Por RFI

A situação segue tensa em Kharviv, segunda maior cidade da Ucrânia. Mesmo que os bombardeios das forças russas tenham diminuído, os moradores, que tiveram suas casas destruídas, vivem em refúgios subterrâneos improvisados, inclusive em estações de metrô, e dependem totalmente de ajuda humanitária.

Diante da resistência das forças de Kiev, desde o início da semana os russos estariam transferindo suas tropas dos arredores de Kharkiv para Luhansk, mais ao norte, segundo um conselheiro da presidência ucraniana. Mas isso não significa que a situação melhorou para os moradores.

Desde o início da guerra, que já se aproxima do seu terceiro mês, um terço da população de Kharkiv já deixou essa cidade do leste do país. E os que ficaram vivem em condições de extrema precariedade.

Sentada em um colchão no chão, Elena, 49 anos, chora agarrada a um cachorro enquanto assiste a um vídeo de sua família na tela do celular. Essa ucraniana conta que está celebrando seu aniversário longe dos filhos, que deixaram o país. Já seus próprios pais ficaram bloqueados em um vilarejo que segue ocupado pelos russos, e por isso ela não deixa a Ucrânia. “Eu não posso abandonar meus pais. Isso não seria justo. Estarei feliz apenas quando estivermos todos reunidos”, diz.

Ela faz parte das centenas de pessoas que vivem atualmente dentro de uma estação de metrô da cidade, que de acampamento provisório já está se tornando a residência para alguns. “Não temos mais casa. Tudo foi queimado. E como não temos mais trabalho, estamos sem dinheiro para alugar outra moradia”, resume uma das “vizinhas” de Elena, com quem divide um pedaço da plataforma do metrô, em meio a um amontoado de colchões, cobertores e sacolas.  

“Aqui é muito barulhento. Tem muita gente e não tem ar suficiente”, reclama Zoya, uma senhora de 75 anos, que há quase três meses vive no subterrâneo. Doente, ela finalmente decidiu voltar para casa, mesmo se seu apartamento não tem mais janelas. “Gostaria de perguntar a Putin: por que ele está fazendo isso conosco”, desabafa, enquanto reúne seus pertences.

Horas esperando distribuição de ajuda alimentar

Os raros momentos em que esses moradores do metrô saem do refúgio é para buscar comida. Centenas, eles aguardam durante horas diante de um centro de distribuição de alimentos.

Após uma manhã inteira esperando, Anne, 73 anos, finalmente recebe um pacote entregue por voluntários. “Tem quatro latas de ensopado de carne em conserva, duas de leite concentrado, um quilo de açúcar, um quilo de arroz, um quilo de macarrão, um pacote de chá e um pacote de trigo”, lista a moradora. Em seguida, o voluntário desenha uma cruz em sua mão, como prova que ela já recebeu o seu pacote. “Eu trabalhei a vida inteira. Devo ter trabalhado uns 50 anos e me aposentei”, conta a moradora, como se tentasse entender a situação na qual se encontra. “Agora estou aqui porque tudo no meu bairro foi destruído. Não tem mais lojas, mercados ou farmácias”, relata.

Do centro de distribuição de alimentos é possível ouvir as bombas explodindo, mesmo se ninguém na fila reage, habituados às deflagrações que pontuam o dia. Na fila, como nos refúgios, a maioria é idosa e diz não ter muita escolha, por isso continua em Kharkiv. “É preciso dinheiro para fugir e encontrar um refúgio na Europa”, lança Valentina. “Então é melhor ficar aqui”, desabafa a idosa, antes de abraçar seu pacote de comida e voltar para seu refúgio junto com marido.

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A médica holandesa que diz que continuará enviando pílulas abortivas a mulheres nos EUA mesmo se direito a interromper gravidez for derrubado

Em pouco mais de um ano (de outubro de 2020 a dezembro de 2021), a Aid Access afirma ter recebido mais de 45 mil pedidos dos Estados Unidos.

Por France Presse

A médica holandesa Rebecca Gomperts, de 55 anos, se dedica há anos à luta pelo acesso ao aborto no mundo.

Famosa por seu “navio do aborto”, como relata o documentário de 2014 “Vessel”, ela e sua equipe – Women on Waves – navegam em águas internacionais nas costas da Polônia, Espanha, México e outros países oferecendo o procedimento a mulheres que não teriam acesso de outra forma.

Nos Estados Unidos, cresce o interesse por sua outra organização, a Aid Access, que desde 2018 oferece pílulas abortivas pela internet.

Por trás deste rápido aumento da demanda parece estar – com base em um vazamento de uma decisão da Suprema Corte – o iminente fim da proteção federal do direito ao aborto.

Depois que a Corte se pronunciar oficialmente, provavelmente em junho, cerca de 20 estados americanos devem proibir ou restringir amplamente o procedimento.

“Já estamos vendo um grande aumento das solicitações”, disse Gomperts à AFP, acrescentando que algumas pessoas estão “em pânico”.

A Aid Access, baseada na Áustria, está trabalhando com médicos para atender às solicitações de vinte estados americanos onde as pílulas abortivas podem ser legalmente prescritas por telemedicina.

Para outros estados, a equipe de Gompert recorre a uma brecha na legislação para enviar pílulas ao exterior.

A demanda já era alta mesmo antes da intenção da Suprema Corte vazar. Em pouco mais de um ano (de outubro de 2020 a dezembro de 2021), a Aid Access afirma ter recebido mais de 45 mil pedidos dos Estados Unidos.

Entre as razões para este volume de pedidos estão os altos custos deste serviço, as dificuldades em viajar longas distâncias até as clínicas de aborto, ou a impossibilidade por motivos de trabalho ou de quem precisa cuidar de crianças.

Após preencher um questionário, as mulheres recebem instruções sobre como tomar as pílulas. O preço é ajustado de acordo como sua capacidade financeira e os comprimidos são enviados da Índia. Em seguida, a Aid Access se comunica com as interessadas.

Milhares de pessoas vão às ruas dos EUA contra possível anulação do direito ao aborto

As mais vulneráveis

As pílulas são facilmente encontradas na Internet, em geral, ao custo de centenas de dólares. Mas estes sites, também com sede fora dos Estados Unidos, não oferecem aconselhamento médico.

Para Gomperts, que em 2020 foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, a luta pelos direitos abortivos é uma questão de “justiça social”.

“O maior problema é que as mulheres não alfabetizadas (..) e que não têm acesso à internet – as mais pobres – não serão capazes de encontrar estas soluções”, afirma Gomperts.

Muitas podem não ter recursos para viajar a um estado onde o aborto continue sendo legal. “Estas são as mulheres que podem ser obrigadas a parir ou que podem tomar medidas drásticas para acabar com sua gravidez”, acrescentou.

O resultado mais provável, disse Gomperts, será um aumento da mortalidade e da vulnerabilidade das mulheres.

Método considerado seguro

De acordo com uma consulta de 2017 com milhares de mulheres dos Estados Unidos, 20% das que tentaram fazem um aborto em casa usaram pílulas, 29% usaram outras drogas, 38% recorreram a infusões de plantas e 20% tentaram métodos físicos (algumas usaram mais de um método, por isso o total excede 100%).

Durante os recentes protestos em frente à Suprema Corte, várias mulheres mostraram um objeto inquietante, parecido a um artefato de outra época: um cabide de metal – símbolo dos abortos altamente arriscados feitos de forma clandestina.

Segundo especialistas, até a décima semana de gestação, as pílulas seriam seguras. Hoje, este método representa a metade dos abortos nos Estados Unidos (a título de comparação, na França, o número é de 70%). Seu uso fora de qualquer ambiente médico é uma opção “muito aceitável”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As pílulas contém componentes ativos que, primeiro bloqueiam os hormônios femininos que sustentam a gestação e de 24 a 48 horas depois, induzem contrações.

Apesar de algumas raras complicações como fluxo de sangue excessivo, infecções ou reações alérgicas, o principal risco seriam as complicações legais.

A ONG If/When/How totalizou 60 casos nos Estados Unidos nos quais mulheres suspeitas de realizarem um auto aborto ou que as assistiram foram presas, condenadas e sentenciadas entre 2000 e 2020.

A organização, que diz prever “um futuro onde todas as pessoas podem determinar suas vidas reprodutivas livres de discriminação, coerção ou violência”, ajuda na busca de representação legal para estas mulheres.

Há temores de que a criminalização do aborto seja ampliada caso a Suprema Corte decida reverter a sentença do caso ‘Roe contra Wade’, que garante o direito à interrupção da gravidez desde 1973 nos Estados Unidos.

Tal decisão, afirma Gomperts, “causa medo nas pessoas e especialmente nos prestadores de serviços de saúde e esse é o maior impacto”.

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