Estudante sem-teto é selecionado por universidades e recebe US$ 3 milhões em bolsas nos EUA

Por BBC

Adolescente passou a morar na rua depois que seu pai morreu, em 2017 — Foto: J.MONE PHOTOGRAPHY

Adolescente passou a morar na rua depois que seu pai morreu, em 2017 — Foto: J.MONE PHOTOGRAPHY

Um adolescente que perdeu sua moradia após a morte do pai recebeu ofertas de bolsas de estudo totalizando mais de US$ 3 milhões (algo em torno de R$ 12 milhões) de universidades americanas, além de vagas em mais de 40 faculdades.

Tupac Mosley, de Memphis, no Estado americano de Tennessee, era o melhor aluno de sua turma – e nunca deixou de estar entre os melhores da sala, mesmo depois que seu pai morreu, em 2017, e ele ficou sem moradia permanente.

A família passou por dificuldades financeiras e, em fevereiro desse ano, teve de se mudar para uma acomodação temporária.

O estudante de 17 anos disse que um dos pontos mais “baixos” de sua vida foi dormir no chão de hotéis baratos, mas ele continuou a se dedicar na escola.

“Se não fosse pelos meus amigos, família, professores e mentores, que me incentivaram, eu talvez não estivesse onde estou agora”, afirmou. “Eles me deram a coragem de seguir e não desistir nunca.”

“Ver todo o meu esforço de uma maneira quantificável é tão gratificante! É uma ótima sensação.”

Esforço e perseverança

Em sua formatura na escola, Tupac agradeceu a diretora da escola e um acampamento em Memphis onde a família conseguiu se hospedar por um período.

“O diretor soube da minha situação e nos deixou ficar lá enquanto eu levantava fundos”, disse.

Apesar dos problemas pessoais pelos quais passava, Tupac permanecia como o melhor de sua sala. A mentora que lhe ajudou com suas inscrições para bolsas e para a universidade disse que está imensamente orgulhosa dele.

“Sou conselheira há 11 anos e ele é o primeiro aluno que recebe uma resposta tão grande”, afirmou. “Ele é naturalmente inteligente e talentoso, mas tudo está ligado a sua perseverança.”

Mas Tupac se mudou para seu próprio apartamento essa semana, apesar de ter uma série de faculdades que poderia escolher. Ele decidiu ficar perto de seus amigos e familiares.

“Tenho um apoio muito grande aqui”, explicou. “Eles me ajudaram a conseguir tudo isso, então vou continuar perto deles.”

Ele aceitou a oferta de estudar na Tennessee State University, onde deverá cursar engenharia elétrica.

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Brasil vota contra decisão da OMS que pede apoio de saúde à Palestina

Por G1

O Brasil votou contra um projeto apresentado na Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece uma série de medidas de apoio médico-hospitalar à Palestina. Apesar do voto brasileiro contrário, a proposta foi aprovada na quarta-feira (22) por 96 votos a favor e 11 contra, além de 21 abstenções.

Aprovado com o título “Condições de Saúde nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e no Golã Sírio Ocupado”, o texto pede à Direção-Geral da OMS que:

  • Forneça apoio aos serviços de saúde da Palestina;
  • Assegure o fornecimento de vacinas, medicamentos e equipamentos médicos em linha com padrões e leis internacionais;
  • Garanta assistência técnica para o atendimento médico aos palestinos, inclusive detentos;
  • Apoie o desenvolvimento de um sistema de saúde nos Territórios Palestinos, com foco no desenvolvimento e na alocação de recursos humanos e financeiros.

A delegação brasileira em Genebra (Suíça) justificou o voto ao dizer que “a OMS deve priorizar temas relacionados à saúde, em conformidade com os mandatos da Organização”.

“O Brasil considera que o acordo constitutivo da OMS confere à Organização mandato abrangente para acompanhar a situação de saúde em qualquer região do globo, à luz de critérios técnicos e do quadro objetivo no terreno”, afirmou o Itamaraty.

O voto contrário do Brasil está em linha com a decisão de países como Estados Unidos, Israel, Alemanha e Hungria. A favor do texto, votaram representantes de delegações como Rússia, China, França e Japão – além das 26 nações de maioria muçulmana que apresentaram o texto junto com Bolívia, Cuba e Venezuela.

Voto em linha com Israel

O voto do Brasil na OMS condiz com a nova postura do país nas relações internacionais desde o início do governo de Jair Bolsonaro, com forte aproximação de Israel, entre outras mudanças.

Em março, o Brasil votou contra resoluções apresentadas no Conselho de Direitos Humanos da ONU que pediam a condenação de Israel por repressão a civis na fronteira da Faixa de Gaza.

No dia da votação, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comentou a votação em uma rede social. “Apoiar o tratamento discriminatório contra Israel na ONU era uma tradição da política externa brasileira dos últimos tempos”, escreveu.

“Estamos rompendo com essa tradição espúria e injusta, assim como estamos rompendo com a tradição do antiamericanismo, do terceiromundismo e tantas outras”, disse Araújo na ocasião.

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Americano que integrou o Talibã sai da prisão depois de 17 anos

Por G1

John Walker Lindh, de 38 anos, o “talibã americano” capturado enquanto lutava com insurgentes radicais islâmicos em novembro de 2001, foi solto, nesta quinta-feira (23), após 17 anos de prisão, informou a imprensa americana, citando seu advogado, Bill Cummings.

A rede CNN e o jornal “The Washington Post” informam que Lindh deixou o presídio federal de segurança máxima em Terre Haute, estado de Indiana. Ele ficará na Virgínia sob rígidos termos de liberdade condicional que limitam sua possibilidade de entrar em contato com outros militantes islâmicos, por quaisquer meios.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que a soltura de Lindh é “inexplicável e irracional”.

“Pelo que eu entendo, ainda ameaça os Estados Unidos da América e ainda continua comprometido com a mesma jihad à qual se uniu, e que matou um grande americano e um grande oficial” disse Pompeo ao canal Fox News, em referência ao agente de elite da CIA Johnny Spann.

“Tem algo profundamente preocupante e ruim nele (Lindh)”, acrescentou. “Eu dirigi a CIA. Johnny Micheal Spann era um dos nossos, um homem incrivelmente honesto e corajoso”, disse.

“Agora permitimos a saída da prisão de alguém que esteve envolvido em sua morte depois de uma sentença relativamente curta”, disse, pedindo a “revisão” da decisão.

Depois de ser capturado em 2001, John Walker Lindh foi detido junto com outros talibãs em uma prisão perto de Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Foi interrogado por Spann,que foi assassinado pouco depois num motim de presos, tornando-se o primeiro americano a morrer na “Guerra Global ao Terror” lançada por George W. Bush.

Ferido durante a rebelião, Lindh foi enviado de volta para os Estados Unidos para ser julgado e condenado, em outubro de 2002.

No julgamento, ele se declarou culpado de ter auxiliado o Talibã e carregado armamento. Os promotores não conseguiram provar que ele tentou matar norte-americanos. Na época da sentença, ele disse que nunca lutou contra os EUA.

“Nunca apoiei o terrorismo em nenhuma forma, e nunca apoiarei. Cometi um erro ao me filiar ao Talibã. Se eu tivesse me dado conta do que sei agora, nunca teria me unido a eles.”

Lindh fez um acordo e teve uma sentença de 20 anos, mas foi solto mais cedo por bom comportamento.

Norte-americano conheceu Bin Laden no Afeganistão

O norte-americano se recusou a assinar compromissos para não sair dos Estados Unidos porque isso o impediria de, algum dia, fazer a peregrinação a Meca, a cidade sagrada para os muçulmanos.

Lindh é filho de pai católico e mãe budista. Converteu-se ao Islamismo depois de ler a autobiografia do líder dos direitos civis Malcolm X, e partiu para o Oriente Médio para estudar língua árabe e religião.

Quando estava no Paquistão, em 2000, escreveu para a família dizendo que tinha dó da sociedade norte-americana.

Ele disse posteriormente à rede de TV CNN que quando estava em uma madrassa (escola religiosa) “seu coração ficou ligado” ao Talibã.

Lindh viajou para o Afeganistão para lutar por um estado islâmico puro. Ele treinou nos campos da Al-Qaeda e conheceu o terrorista Osama Bin Laden.

Foi no Afeganistão que Lindh foi preso, meses após o ataque às Torres Gêmeas em Nova York. As imagens mostravam um jovem sujo sendo detido.

Rede de TV revela cartas sobre o Estado Islâmico

A rede de TV NBC News relatou que em 2015 que Lindh enviou uma carta a um canal afiliado com elogios ao Estado Islâmico. Foram três textos, em que ele dizia que o grupo terrorista estava cumprindo a obrigação de estabelecer um califado pelo conflito armado, que, segundo o autor, seria o único método correto.

Um senador do Partido Republicano pediu para que Lindh fosse mantido preso, assim como a família de um agente da CIA que foi assassinado no Afeganistão.

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Presidente da Câmara dos EUA acusa Trump de descumprir a Constituição

Por Agência EFE

A presidente da Câmara dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, acusou nesta quinta (23) o presidente Donald Trump de descumprir a Constituição do país por tentar obstruir as investigações sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2016.

“O que o presidente está fazendo é um assalto à Constituição dos Estados Unidos. Ele é um mestre da distração”, disse Pelosi durante entrevista coletiva.

“Acredito que o presidente tem uma bolsa cheia de truques para distrair todos dos temas importantes.”

A líder da oposição democrata ainda afirmou que Trump cometeu crime de obstrução à Justiça ao trabalhar para impedir que integrantes do governo prestem depoimentos no Congresso sobre a investigação do caso Rússia, conduzida pelo promotor especial Robert Mueller.

“Sim, essas podem ser infrações imputáveis e motivo de impeachment. Mas, entre os democratas, acreditamos que devemos estar preparados desde o início, e ainda não estamos nessa fase.”

Pelosi fala em ofensa à Constituição, mas não quer abrir processo de impeachment

Pelosi resiste em abrir um processo para destituir Trump, mas aumentou a pressão sobre o presidente desde o início de maio.

Na quarta (22), a congressista democrata acusou o republicano de esconder documentos e considerou que esta é uma ação passível de impeachment.

“Acreditamos que é importante acompanhar os fatos e que ninguém está acima da lei. E acreditamos que o presidente dos Estados Unidos está envolvido em um encobrimento.”

Trump cancela compromissos com democratas

Em resposta, Trump cancelou de última hora uma reunião com a oposição para discutir o plano acertado em abril para gastar US$ 2 trilhões em melhorias nas infraestruturas do país. O presidente dos EUA receberia Pelosi e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, mas voltou atrás após as declarações da opositora.

Além disso, Trump afirmou que não trabalhará com os democratas no Congresso até que eles encerrem as investigações contra ele. Ele ainda disse que a insistência dos democratas pode dificultar a aprovação de algumas de suas prioridades, como o T-MEC, acordo comercial assinado com México e Canadá para substituir o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).

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Falta de exames, tratamento irregular e ‘remédio caseiro’: venezuelanos com HIV contam como enfrentam a crise em seu país

Por Letícia Macedo, G1

Os programas de assistência às pessoas que têm HIV na Venezuelasofreram um forte impacto da crise econômica e das sanções internacionais impostas ao país. Após uma gravíssima crise de desabastecimento de antirretrovirais em 2018, os medicamentos voltaram a ser distribuídos pelo governo em 2019, mas as pessoas que dependem deles ainda enfrentam a irregularidade no serviço.

Pacientes contaram ao G1 que é preciso recorrer ao mercado negro, à ajuda de amigos e a países vizinhos para dar continuidade ao tratamento. Eles também enfrentam a indisponibilidade de testes de carga viral e das células de defesa, que são fundamentais para que os médicos estabeleçam tratamento adequado.

O governo de Nicolás Maduro não divulga números oficiais atualizados, mas o Unaids, programa da ONU voltado para o combate dessa doença, afirma que, em 2017, 120 mil soropositivos viviam no país e mais da metade deles (65 mil) não estava conseguindo fazer os tratamentos como deveriam.

Os primeiros meses de 2018 foram o auge do desabastecimento de antirretrovirais. Esses medicamentos, quando tomados de maneira combinada, impedem a multiplicação do vírus.

A falta de um tratamento constante debilita a saúde dos soropositivos, que ficam mais suscetíveis às chamadas “doenças oportunistas” (que se aproveitam da fragilidade do sistema imunológico).

Com isso, a taxa de portadores do vírus que precisaram ser hospitalizados disparou e se calcula que entre 20 e 30 pessoas morram por dia por doenças relacionadas à falta de tratamento adequado.

‘Sentença de morte’

Soropositivo que mora na cidade venezuelana de Tachira mostra medicamentos comprados na Colômbia — Foto: Carlos/ Arquivo Pessoal

Soropositivo que mora na cidade venezuelana de Tachira mostra medicamentos comprados na Colômbia — Foto: Carlos/ Arquivo Pessoal

“É cruel, mas é verdade: ter o diagnóstico de HIV na Venezuela é receber sua sentença de morte. Mas isso não acontece só com soropositivos, mas também com quem tem câncer e diabetes. Ou compramos no mercado negro ou não tomamos e morremos lentamente”, afirma o engenheiro civil Carlos*, morador de San Cristóbal, no estado de Táchira, no oeste do país.

Carlos conta que, quando recebeu o diagnóstico em 2011, não havia escassez de medicamento. “Recebia os antirretrovirais e suplementos vitamínicos e proteicos. A situação foi se agravando aos poucos. Em 2015, passei a receber só os antirretrovirais.”

Em 2015, com a baixa acentuada no preço do petróleo (base da economia do país), o Ministério da Saúde venezuelano reduziu a compra de medicamentos em geral, priorizando apenas a aquisição de antirretrovirais. Porém, deixou de adquirir kits para que se faça o diagnóstico de Aids e seu controle, assim como comprar preservativos, o que tem impacto na prevenção da doença).

O problema se agravou drasticamente nos anos seguintes. Entre o fim de 2017 e 2018, a distribuição do tratamento para HIV foi praticamente suspensa.

Nesse período, Carlos chegou a ficar 12 meses sem medicação, porque não conseguia pagar seu tratamento com o salário mínimo que ganha, de 18 mil bolívares (US$ 5).

“Fiquei muito preocupado, porque tinha medo de morrer na Venezuela sem poder tomar os medicamentos. Nessa época, a minha carga viral subiu e minhas células de defesa caíram. Cheguei a perder 10 kg.”

Ele fazia o que podia na tentativa de se manter saudável. “Passei a tomar um chá que tem muitas vitaminas e minerais. Também fazia exercícios e me esforçava para me alimentar bem apesar da escassez de alimentos. Com ajuda de amigos, passei a comprar o que precisava para me manter saudável”, lembra.

Carlos descobriu, então, que pessoas com HIV estavam conseguindo atravessar a fronteira e comprar os medicamentos em Cúcuta, na Colômbia. Há dez meses, com ajuda dos amigos, ele passou a adquirir Tenofovir, Efavirenz e Lamivudina (medicamentos que devem ser tomados combinadamente) por 150 pesos colombianos (cerca de US$ 50). “Sai mais barato do que comprar na Venezuela”, afirma.

Quando Maduro decidiu fechar a fronteira, a situação ficou ainda mais complicada. “Para entrar na Colômbia, é preciso pagar os militares para que nos deixem passar pelo rio e entrar ilegalmente no país. Só assim conseguimos comprar remédios e comida”.

Além da dificuldade para conseguir o seu coquetel, Carlos convive com a angústia de não conseguir pagar seus exames periódicos de controle da sua carga viral em uma clínica particular.

“Faz cinco meses que estou tomando o tratamento antirretroviral. Agora estou no meu peso ideal. Estou recuperando o tempo perdido, mas ainda não consegui fazer os testes para ver o nível da minha carga viral, porque eles custam muito caro nos laboratórios privados. Desde maio de 2017 que eu não faço. Estou economizando e pensando em fazer um empréstimo para isso.”

Certo alívio em 2019

Entre o fim de 2018 e início de 2019, uma combinação de várias ações colaborou para que os pacientes com HIV venezuelanos tivessem um certo alívio. O governo concluiu uma compra de medicamentos através de um fundo mantido pela Organização Pan Americana da Saúde (Opas). A administração também contou com a cooperação técnica de Unaids, ONGs internacionais e a sociedade civil para retomar a distribuição dos medicamentos.

“No geral, cerca de 85% dos pacientes conseguiram neste ano receber sua medicação, entre eles, os recém-diagnosticados e aqueles que estavam com tratamento irregular por causa da crise no abastecimento”, afirmou ao G1 a representante do Unaids na Venezuela, Regina Lopez de Khalek.

Nos últimos meses, o país também passou a ter acesso a uma nova droga de baixo custo chamada TLD, que combina diferentes retrovirais e que pode ser utilizada por cerca de 60% dos pacientes.

“Nos próximos meses, a expectativa é de que ao menos umas 50 mil pessoas passem a utilizar essa nova droga”, disse Regina.

Porém, o medicamento novo tem restrições. “Ele não pode ser tomado, por exemplo, por mulheres nos primeiros meses de gravidez. Por isso, estamos trabalhando com o Unicef e com a Organização Pan Americana da Saúde (Opas) para conseguir tratamento para elas”, afirmou.

Pacientes muito antigos também não podem se beneficiar do TLD. “São pacientes cujos corpos conhecem todas as drogas e cujo tratamento exigem combinações diferentes”, explicou Regina.

Outro problema grave que persiste é a falta dos exames de controle da carga viral e para monitoramento das células de defesa. A Unaids estima que 4 mil pacientes começaram a tomar TLD há quase três meses e ainda não fizeram nenhum exame para constatar a eficácia do tratamento.

Deixar o país

Carlos Perez, um médico infectologista que cuida de centenas de soropositivos em um hospital público no oeste de Caracas, acompanhou o drama dos seus pacientes nos últimos anos. Ele avalia que, principalmente em 2018, a qualidade do atendimento a esses pacientes “era digna dos países muito subdesenvolvidos”.

No auge da crise, ele sugeria aos pacientes que tomassem uma bebida à base de folhas de uma planta guasimo, que é rica em polifenóis e teria propriedades antivirais, anti-inflamatórias e anti-oxidantes. Ela funcionaria como terapia coadjuvante.

“Não promovemos a substituição do tratamento antirretroviral, mas, tendo em vista que não havia outro tratamento disponível, muitos o utilizavam como único tratamento”, lembra.

Ainda que medicamentos estejam sendo distribuídos nos últimos meses, ele diz recomendar aos pacientes que tenham condições, que deixem o país.

“Atualmente, lidamos com a falta da diversidade de medicamentos, como se existe em outros países da América Latina, por exemplo. A Venezuela está ficando para trás na qualidade da atenção com os pacientes com HIV”, lamenta Perez.

Durante um mês, o G1 acompanhou um grupo no WhatsApp em que profissionais da saúde, soropositivos e ativistas trocavam dicas sobre como se manter saudável, falavam sobre a irregularidade na distribuição dos medicamentos pelo governo e faziam desabafos sobre a situação política no país.

O cientista social Pablo, que mora em Caracas, por exemplo, contou que acompanha com preocupação a disputa de Maduro e o líder da oposição, Juan Guaidó, e está cansado da dificuldade para conseguir o seu tratamento. Ele seguiu o conselho do doutor Perez e contou ao G1que planeja deixar a Venezuela em breve, como já fizeram por volta de 7 mil soropositivos.

Pablo recebeu o diagnóstico em 2012 e, sob orientação médica, começou a fazer seu tratamento em maio de 2014.

Em 2018, ele chegou a ficar três meses sem tomar os remédios. “De abril até julho, eu fiquei sem fazer meu tratamento, o que me impulsionou a fazer terapias alternativas, como tomar chá de guasimo”.

“No começo, eu me sentia enjoado ao tomar. Agora, se dissesse que me senti melhor ou pior com relação à doença, estaria mentindo. Isso eu poderia ver com a realização dos exames, mas eu não tenho condições de fazer.”

Em julho, ele veio ao Brasil a trabalho e conseguiu uma doação de uma ONG suficiente para que pudesse tomar a medicação por três meses.

Depois disso, ele conta que tinha que ir várias vezes ao hospital para conseguir seu medicamento.

“Com os medicamentos que consegui no Brasil, consegui contornar os atrasos na entrega e dar prosseguimento ao tratamento”, conta.

Em julho, ele voltará ao ao Brasil a trabalho. Sua ideia é conseguir ganhar dinheiro suficiente para comprar passagens aéreas e deixar seu país.

“Acompanhar a política na Venezuela é muito estressante por causa da incerteza. Com o dinheiro que ganhar no Brasil, pretendo seguir para a Colômbia ou Espanha, onde tenho família, para continuar o meu tratamento. Vou deixar o meu país por causa da minha saúde”.

* Os nomes dos entrevistados foram alterados.

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Após cinco anos de proibição, Botsuana volta a permitir caça de elefantes

Por France Presse

Elefantes africanos — Foto: Pixabay

Elefantes africanos — Foto: Pixabay

Botsuana retirou nesta quarta-feira (22) a proibição à caça de elefantes. Prevaleceu o argumento de que as populações do animal aumentaram demais. Além disso, alega-se que os meios de subsistência dos agricultores estão sendo afetados.

A proibição da caça de elefantes foi estabelecida no país do sul da África em 2014 pelo então presidente conservacionista Ian Khama. Mas os deputados do Partido Democrático de Botsuana (PDB), atualmente no poder, pressionaram para que a proibição fosse revogada, argumentando que as populações se tornaram incontroláveis em algumas áreas.

O presidente Mokgweetsi Masisi assumiu o cargo após Khama, em abril do ano passado. O novo presidente se distanciou das políticas de defesa da fauna selvagem iniciadas por seu predecessor e, cinco meses depois, foi iniciada uma revisão pública da medida.

“Botsuana tomou a decisão de revogar a suspensão da caça”, disse o Ministério do Meio Ambiente do país sul-africano, em comunicado.

Botsuana tem a maior população de elefantes da África, com mais de 135 mil animais em liberdade, em seus parques e amplos espaços abertos, mas especialistas estimam que a população pode chegar a 160 mil animais.

O número de paquidermes no país, famoso destino de safáris de luxo, quase triplicou nos últimos 30 anos. Agricultores lutam para manter os elefantes fora de seus campos, onde comem produtos agrícolas e, às vezes, podem colocar as pessoas em risco.

Segundo o governo, uma revisão do comitê do gabinete revelou que “o conflito entre humanos e elefantes aumentou em número e intensidade e estes animais afetam cada vez mais os meios de subsistência [da população]”.

“O consenso geral […] foi que a proibição da caça devia ser retirada”, acrescentou o ministério, prometendo que a prática seria restabelecida “de um modo ordenado e ético”.

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Líder do governo britânico na Câmara renuncia por discordar da proposta de May para o Brexit

Por G1

A líder do governo do Reino Unidona Câmara dos Comuns, Andrea Leadson, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (22) por divergências em relação ao novo acordo sobre o Brexit proposto pela primeira-ministra Theresa May.

Em carta enviada à premiê e publicada nas redes sociais, Leadson – que é do Partido Conservador, o mesmo de May – afirmou não acreditar mais que as ações do governo entregarão o resultado do referendo de 2016, quando os eleitores britânicos votaram pela saída da União Europeia.

“Eu não acredito que nós nos tornaremos um Reino Unido verdadeiramente soberano pelo acordo proposto agora”, afirmou Leadson.

Leadson é contrária à ideia de um segundo referendo – a possibilidade de uma nova votação pública para aprovar ou não a decisão final do Parlamento está entre os tópicos da nova proposta de May (leia mais adiante sobre o novo plano).

A parlamentar também criticou a forma com a qual May vem lidando o tema com correligionários e opositores.

“A tolerância com aqueles no Gabinete favoráveis a políticas contrárias à posição do governo levou a uma destruição completa da responsabilidade coletiva”, reclamou Leadson.

Nova proposta do Brexit

Theresa May apresentou na terça-feira a nova proposta para o Brexit a ser submetida ao Parlamento na primeira semana de junho. Entre os itens, a premiê propõe que os parlamentares votem – após a aprovação da íntegra do texto – se o documento final deverá ou não passar por um segundo referendo.

Uma proposta de novo referendo para ratificar o que for aprovado pelo Parlamento já foi rejeitada, no entanto, em uma votação em março. Além disso, será a quarta vez que May tenta aprovar o acordo firmado com a União Europeia – os parlamentares rejeitaram três vezes o texto.

Desta vez, May considera a nova proposta de acordo uma “última chance” para evitar que o Reino Unido deixe o bloco de maneira desordenada.

Veja os principais pontos da proposta:

  • Após o Parlamento aprovar o acordo, os parlamentares votam se o texto será apresentado aos eleitores britânicos em um segundo referendo, com a promessa de que o governo honrará a decisão
  • Manutenção de uma união aduaneira temporária e limitada com a União Europeia até que um próximo governo apresente uma nova proposta.
  • Uma obrigação legal para o Reino Unido sugerir uma alternativa ao dilema da Irlanda do Norte até o fim de 2020
  • Caso o “backstop”, ou seja, um plano à parte seja necessário para a Irlanda do Norte, o governo terá de assegurar de que a regra para aquela região estará em linha com o restante do Reino Unido
  • A legislação garante direitos idênticos ou melhores aos trabalhadores depois do Brexit, e que não haverá piora nos padrões ambientais
  • Uma obrigação legal para mudar a declaração política de relações futuras, presente no acordo com a União Europeia, para garantir o alinhamento com a posição final do Parlamento britânico

Apesar de a proposta de May tentar justamente um meio termo, a oposição liderada pelo Partido Trabalhista nem mesmo correligionários do Partido Conservador reagiram bem à proposta.

A ideia de possibilitar um novo referendo irritou alguns dos conservadores mais favoráveis ao Brexit. Segundo o “The Guardian”, mesmo parlamentares que vinham apoiando as tentativas de May em chegar a um acordo acharam a ideia ruim.

Para dificultar ainda mais a situação de May, os trabalhistas também não sinalizaram nenhum apoio – mesmo com a promessa da premiê em garantir direitos trabalhistas iguais ou melhores depois do Brexit. Isso após a primeira-ministra se reunir, mais de uma vez, com o líder da oposição, Jeremy Corbyn.

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Justiça nega pedido de comutação de pena de Battisti, segundo jornais da Itália

Por G1

Battisti admitiu envolvimento em quatro assassinatos — Foto: Reprodução/JN

Battisti admitiu envolvimento em quatro assassinatos — Foto: Reprodução/JN

A Justiça italiana confirmou a sentença definitiva de prisão perpétua para Cesare Battisti pelo homicídio de quatro pessoas na década de 1970, segundo o “Corriere Della Sera” e outros jornais da Itália.

A defesa do italiano havia pedido para trocar a sentença para 30 anos, mas não foi contemplada. Depois de quatro anos de detenção, ele poderá começar a protocolar benefícios de cumprimento de pena.

Battisti foi preso na Bolívia em janeiro deste ano e extraditado para a Itália, depois de 37 anos em que ele conseguiu evitar a polícia –parte deles, no Brasil.

Ele chegou ao país em 2004, e viveu aqui durante 14 anos como refugiado. Era considerado foragido desde 14 de dezembro de 2018, quando o então presidente Michel Temer assinou decreto de extradição. Battisti, então, teve o nome incluído na lista da Interpol.

Em março, ele confessou a um procurador italiano que esteve envolvido em quatro homicídios quando integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

Ele havia sido condenado em 1993 pelos assassinatos de um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

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Confrontos após reeleição de Widodo deixam mortos na Indonésia

Por G1

Seis pessoas morreram e outras 200 ficaram feridas em confrontos de eleitores contrários à reeleição do presidente da Indonésia, Joko Widodo, e a polícia, em Jacarta, entre a noite de terça-feira (21) e esta quarta (22).

O governador da capital do país, Anies Baswedan, divulgou o balanço de vítimas em conversa com a imprensa local após visitar o hospital Tarakan, no centro da capital. A polícia informou que pelo menos 60 pessoas foram detidas, de acordo com a Efe.

O candidato à presidência derrotado, o ex-general Prabowo Subianto, acusou Widodo de fraude nas eleições do dia 17 de abril e anunciou que pedirá a impugnação do resultado perante o Tribunal Constitucional, enquanto seus partidários se manifestavam desde ontem nas ruas.

Os incidentes começaram à noite no fim de um protesto pacífico de seguidores de Prabowo, liderados por grupos islâmicos, que se reuniram em frente à sede da Agência de Supervisão Eleitoral na capital e da comissão eleitoral.

Milhares de pessoas ainda estavam nesta manhã jogando pedras e coquetéis molotov na polícia, que responderam atirando balas de borracha e gás lacrimogêneo.

A situação se acalmou com a chegada de um contingente de soldados que foram colocados entre a polícia e os manifestantes.

O porta-voz da polícia de Jacarta, Prabowo Argônio Yuwono, disse que eles estavam fazendo a segurança das áreas onde acontecem os distúrbios, no centro de Jacarta, e evitou dar informações sobre mortos e feridos.

Cerca de 32 mil agentes protegem as sedes das duas instituições com arame farpado e veículos de choque, esperando novos protestos durante o dia na capital do país.

Os distúrbios ocorreram depois que a Comissão Eleitoral da Indonésia (KPU, sigla em indonésio) confirmou a vitória de Widodo nas eleições com 55,5% dos votos, contra 44,5% obtidos por Prabowo, que rejeitou assinar a ata dos resultados eleitorais.

Widodo, de 57 anos, é considerado um muçulmano moderado em um país no qual o islã conservador está avançando. O seu vice, Ma’ruf Amin, é um pregador conservador escolhido para conquistar o eleitorado religioso.

Durante a campanha, Subianto, de 67 anos, se aproximou dos grupos islâmicos mais radicais. O seu companheiro de chapa era Sandiaga Uni, um ex-empresário.

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Pesquisa aponta que guerra comercial afeta 75% das empresas dos EUA na China

Por Agência EFE

Mais de sete em cada dez empresas dos Estados Unidos na China (74,9%) estão sendo afetadas negativamente pela guerra comercial entre os dois países, de acordo com uma pesquisa publicada nesta quarta-feira pela Câmara de Comércio Americana na China.

“O impacto negativo das tarifas é claro e prejudica a competitividade das empresas americanas na China”, aponta o relatório divulgado hoje com as conclusões da pesquisa feita pela Amcham China e pela Amcham Xangai para suas empresas associadas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 20 deste mês e nela participaram 250 empresas. Delas, 61,6% estão relacionadas com a manufatura, 25,5% com serviços, 3,8% com a venda no varejo e distribuição, e 9,6% com outras indústrias.

O impacto foi maior para os fabricantes, com 81,5% afetados pelas tarifas americanas e 85,2% pelas tarifas chinesas.

Com o avanço das negociações com a China, no dia 25 de fevereiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou a imposição de tarifas contra produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões que entrariam em vigor no dia 2 de março, mas, finalmente no último dia 10, confirmou o aumento tarifário de 10% a 25% para as importações chinesas de mais de 5 mil produtos.

Portanto, a pesquisa foi realizada após a escalada das tensões desencadeadas por Trump, que por sua vez provocou uma reação das autoridades chinesas com novas tarifas.

O impacto dos impostos é sentida através da redução da demanda por produtos (52,1%), os custos de produção mais elevados (42,4%) e preços de venda mais elevados de produtos (38,2%).

Empresa reconsideram investimentos e presença na China

Para lidar com o impacto das tarifas, afirma a pesquisa, as empresas estão adotando medidas como o atraso ou cancelamento de decisões de investimento (33,2%) ou a adoção de uma estratégia “Na China, para a China” (35,3%), que procura estabelecer a fabricação e o fornecimento dentro do país asiático para servir principalmente ao mercado chinês.

“Essa estratégia é uma opção racional para muitas empresas se isolarem dos efeitos das tarifas e manterem sua capacidade de buscar oportunidades no mercado interno”, aponta o relatório.

Apesar de mais da metade dos entrevistados (53,1%) não ter visto nenhum aumento nas medidas de retaliação não-tarifárias pelo governo chinês, aproximadamente um em cada cinco experimentou um aumento nas inspeções (20,1%) e o trabalho de alfândegas mais lento (19,7%).

Também sentiram uma aprovação mais lenta para licenças ou outros pedidos (14,2%), bem como complicações decorrentes de maior supervisão burocrática ou controle regulatório (14,2%).

Por outro lado, 40,7% dos entrevistados estão considerando mudar ou transferir suas instalações de produção para fora da China, com o Sudeste Asiático (24,7%) e México (10,5%) como os principais destinos. Menos de 6% dos entrevistados disseram que têm ou estão planejando mudar a fabricação nos Estados Unidos.

Sobre esta questão, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, disse que Pequim “continua comprometido em fornecer um ambiente justo, transparente e indiscriminado para todas as empresas”.

Sobre as possíveis resoluções do conflito, 42,7% dos membros apoiam “um retorno ao status quo”, que “mostra que os membros querem um acordo comercial” entre os dois países.

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