Coreia do Norte: Kim Jong-un usa rede clandestina para comprar produtos de luxo


Por RFI

O jornal “Le Figaro” desta sexta-feira (19) explica como o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, consegue comprar carros e outros artigos de luxo, apesar do embargo instituído no país em 2006 pelo Conselho de Segurança da ONU.

“Como Kim compra seus Rolls-Royce?” é o título da reportagem do jornal francês, assinada pelo correspondente do “Le Figaro” em Pequim, Philippe Grangereau. A resposta foi dada parcialmente em um relatório publicado na última terça-feira (16) pelo Centro de Estudos Avançados de Defesa, em Washington.

O instituto buscou informações sobre a venda das duas Mercedes utilizadas atualmente pelo líder norte-coreano, avaliadas em torno de € 900 mil (cerca de R$ 3,7 bilhões, pela cotação atual). A identidade dos compradores dos dois veículos não pôde ser determinada pelo centro americano. Sabe-se que os carros deixaram o Porto de Roterdã, na Holanda, em 2018. Dois contêineres selados, contendo as duas limusines, foram levados de caminhão para um embarcadouro, e entregues à companhia de transporte chinesa Cosco.

O carregamento desembarcou 41 dias mais tarde no porto de Dalian, na China, onde permaneceu mais de um mês. No dia 26 de agosto, um navio levou os contêineres para Osaka, no Japão, onde trocaram de navio em Busan, na Coreia do Sul. É nesse ponto do trajeto, destaca a reportagem, que atua uma rede clandestina que provavelmente opera em Pyongyang.

Em Busan, os carros foram entregues a uma companhia registrada nas ilhas Marshall, e embarcados em um navio congolês, com destino a um porto russo, perto de Vladivostok. Mas, no mar, a embarcação desligou seu sistema de identificação automática, se tornando invisível para os satélites.

Rede clandestina também encaminharia materiais nucleares

De acordo com o relatório americano, o governo norte-coreano pagaria o carregamento com carvão natural. O responsável pela negociação seria Danil Kazatchuk, um executivo que atua no setor da comercialização marítima e das minas de carvão. É difícil obter provas concretas, ressaltam os investigadores do centro americano, mas tudo indica que as limusines de Kim Jong-un desembarcaram na Rússia e depois foram levadas de avião para Pyongyang.

Em outubro de 2018, três aviões cargos da companhia nacional norte-coreana, Air Koryo, embarcaram o misterioso carregamento para levá-lo à capital norte-coreana. A estimativa é de que cerca de 800 veículos de luxo foram importados pela Coreia do Norte através dessa rede. O relatório conclui que o embargo surtiu pouco efeito na prática, e que a mesma rede é utilizada para encaminhar materiais usados pela Coreia no enriquecimento de urânio e na construção de bombas nucleares.

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Paris fará ‘limpeza profunda’ em escolas perto da Notre-Dame após denúncia de contaminação de chumbo


Por RFI

Notre-Dame  — Foto: Reprodução/JN

Notre-Dame — Foto: Reprodução/JN

A prefeitura de Paris anunciou que fará uma “limpeza profunda” nas escolas vizinhas à catedral Notre-Dame, até o final de julho. O objetivo é avaliar a contaminação por chumbo após o incêndio que destruiu parcialmente o monumento há três meses. De acordo com o site investigativo francês Mediapart, taxas de concentração superiores à média foram registradas em creches, pré-escolas e outros estabelecimentos.

Segundo o subsecretário para a Saúde da prefeitura de Paris, Arnaud Gauthier, a limpeza é uma medida de precaução, “para assegurar que o risco é mínimo”. A declaração foi dada nesta quinta-feira (18) em uma coletiva de imprensa. Ele garante que amostras já foram retiradas do local e não justificam nenhum “alerta”. A limpeza de rotina, diz, já foi realizada nas escolas, como preconizam as recomendações das autoridades sanitárias. O representante da prefeitura assegura que, até o dia 26 de julho, será feita uma limpeza “a alta pressão” nos pátios e outra, de 26 a 30 de agosto, antes da volta às aulas, prevista para o início de setembro.

O prefeito adjunto de Paris, Emmanuel Grégoire,que também participou da entrevista, afirmou que não há riscos para a saúde dos alunos. “Se houvesse o menor risco, as escolas estariam e continuariam fechadas”, disse. O site Mediapart publicou uma investigação nesta quinta-feira (18) revelando que taxas de concentração dez vezes superiores ao limite foram detectadas nas escolas próximas à Notre Dame. Na reportagem, intitulada “A prefeitura de Paris não protegeu as crianças do chumbo”, o veículo acusa o órgão de não ter efetuado uma limpeza profunda nas redondezas da catedral depois do incêndio, em 15 de abril.

Na coletiva de hoje, o representante da prefeitura assegurou à imprensa que o nível médio de chumbo nos estabelecimentos não ultrapassa 70mg de chumbo por metro quadrado – como recomendam as autoridades de saúde francesas. A questão agora, lembra a reportagem, é se há necessidade de realizar testes de depistagem na população.

Prevenção de riscos

De acordo com Bruno Cortois, especialista em prevenção de riscos químicos do Instituto Nacional de Pesquisa e Segurança (INRS), citado pelo site francês, “fazer uma média do nível das concentrações de chumbo é dar a informação pela metade”, afirma. O incêndio da catedral gótica, de mais de 850 anos, provocou a fusão de centenas de toneladas de chumbo. Uma exposição crônica a níveis elevados, por inalação ou ingestão, pode provocar problemas digestivos, problemas nos rins ou lesões no sistema nervoso, além de anomalias reprodutivas.

Risco de desabamento

Em uma reportagem publicada nesta quinta-feira (17), o jornal The New York Times relata que o monumento quase desabou e que os bombeiros correram sérios riscos, arriscando todas a possibilidades, para evitar o pior. A reportagem detalha etapa por etapa da operação que permitiu conservar parte da catedral centenária, situada no coração de Paris, graças à coragem das equipes de resgate parisienses.

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Empresa aérea da Holanda provoca polêmica após pedir que mães se cubram para amamentar


Por Agência EFE

18/07/2019 12h02  Atualizado há 23 horas


Imagem de mãe amamentando recém-nascido — Foto: Pixabay/Divulgação

Imagem de mãe amamentando recém-nascido — Foto: Pixabay/Divulgação

A KLM, companhia aérea da Holanda, passou a pedir às mães que se cubram enquanto amamentam seus filhos durante o voo para “garantir que passageiros de todos as origens se sintam cômodos a bordo”.

Em resposta a uma pergunta de uma usuária sobre a política da companhia aérea para a lactação materna em uma rede social, a companhia afirmou que é permitido amamentar nos voos, mas que, às vezes, é necessário pedir às mães que se cubram “caso outros passageiros se ofendam com isso”.

A primeira denúncia sobre esta política foi feita no começo da semana por uma mãe do estado americano da Califórnia, em uma mensagem que foi bastante compartilhada. Ela relatou que, em um voo de São Francisco para Amsterdã, amamentou sua filha de um ano.

“Antes de decolar, uma aeromoça se aproximou com uma manta e me disse que se desejasse continuar, precisaria me cobrir. Eu me neguei porque minha filha não gosta de ser coberta, e isso a incomodaria quase tanto como não dar o peito”, continuou a mulher.

Angel apresentou uma queixa formal à KLM e a resposta foi que “a reação desta aeromoça está em linha com a política da companhia”, o que levou a mãe a publicar a denúncia e a resposta da companhia holandesa.

A mãe lamentou que a companhia aérea “prefira manter valores antiquados que envergonham os corpos das mulheres” e pediu a outras mães que não voem com a KLM se pretendem amamentar seus filhos durante a viagem.

Origens de passageiros motiva a aérea a pedir para que mães se cubram

Um porta-voz da companhia ressaltou que a companhia aérea internacional transporta “passageiros com uma variedade de origens” e garantiu que “se queixam com o pessoal” da cabine se virem uma mãe amamentar.

“Para manter a paz a bordo, em tais casos, tentaremos encontrar uma solução aceitável para todos e que mostre respeito à comodidade e ao espaço pessoal de todos. Isso pode incluir pedir a uma mãe que cubra seu peito”, acrescentou o porta-voz.

Desde quarta-feira (17), a companhia recebe uma chuva de críticas nas diferentes redes sociais, na maioria exigindo transferir a outro assento o passageiro que se queixe e não a mãe que está amamentando o bebê, e lamentando que a companhia “não apoie” a lactação materna.

Heather Yemm@HeatherYemm · Jul 16, 2019

@KLM What is your policy regarding breastfeeding?

Royal Dutch Airlines@KLM

Breastfeeding is permitted at KLM flights. However, to ensure that all our passengers of all backgrounds feel comfortable on board, we may request a mother to cover herself while breastfeeding, should other passengers be offended by this.2755:44 AM – Jul 16, 2019Twitter Ads info and privacy3,934 people are talking about this

Como gesto de protesto, dezenas de mulheres de diferentes países estão compartilhando fotografias amamentando seus filhos em respostas a mensagens da conta oficial de uma rede social da KLM .

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Francês de 72 anos atravessa o Atlântico em um tonel sem motor, levado pelas correntes e pelo vento


Por RFI

Imagem da embarcação em forma de barril — Foto: Jean-Jacques Savin / Facebook

Imagem da embarcação em forma de barril — Foto: Jean-Jacques Savin / Facebook

Como uma garrafa abandonada nas Ilhas Canárias, Jean-Jacques Savin cruzou o oceano Atlântico e foi parar no Caribe. O aventureiro – que apesar dos 72 anos, tem ousadia de garoto – foi o primeiro a fazer a travessia a bordo de um tonel, levado apenas pela força das correntes marítimas e os ventos.

O equipamento, especialmente concebido para a proeza, tem apenas dois metros de altura e uma área de 6 metros quadrados – um desafio e tanto para quem passou 127 dias em uma viagem solitária. Savin partiu de El Hierro, na Espanha, e desembarcou no norte de Porto Rico. Ele se inspirou na façanha de seu conterrâneo Alain Bombard, que há quase 70 anos tentou reproduzir a experiência de um náufrago e se lançou no mar praticamente sem infraestrutura.

“Foi uma comunhão comigo mesmo e com a natureza. Pude me esvaziar durante quatro meses e gostaria que o Atlântico fosse ainda mais extenso e o trajeto fosse de 7 mil quilômetros, e não 5,5 mil, porque foi uma plenitude. Foi fabuloso”, conta o marinheiro e ex-militar paraquedista, em entrevista à RFI.

Sujeita aos caprichos da natureza, a aventura durou um mês a mais do que o previsto – o que significa que o francês ficou sem mantimentos. Ele capturou muitos peixes ao longo do trajeto, mas os equipamentos para pesca também terminaram.

O projeto só não foi abortado porque dois navios pararam para dar alimentos a Savin.

Na solidão, amizade é com cardumes

No caminho, apreciou como poucos a biodiversidade marinha e a experiência de viver ao lado dos peixes.

“Eu tinha quatro janelinhas e a tampa do tonel, como se fosse um imenso aquário, que era a minha televisão. Pude ver uma baleia, tartarugas, duas baleias jubarte e o tonel até foi atacado por um tubarão. Mas o que mais vou lembrar é dos cardumes de pequenos peixes que me acompanharam durante dois meses, cada um”, relembra o francês. “É nesses momentos que a natureza dialoga com você. A cada vez que eu saía para limpar o casco do tonel das algas, os peixes ficavam com medo, no início. Mas, logo, eles perceberam que a limpeza trazia comida para eles e vinham direto na minha mão. Era uma alegria, uma felicidade para eles.”

A comunhão com seus “amigos peixes” foi tal que, ao ser resgatado por um petroleiro americano, no fim da viagem, Savin saltou novamente à agua para dizer adeus aos companheiros de viagem.

“A gente acaba se apegando a qualquer coisa, quando não tem nada em volta e a comunicação com o exterior é tão limitada”, indica. “Mas o que mais me fez falta foi não ter encontrado nenhuma sereia. Poderíamos ter passado uma boa noite”, brinca o marinheiro, que ao ser perguntado sobre se a idade não foi uma barreira, respondeu que ela “é apenas um número”. “Idade é um estado de espírito.”

Sem tempo para tédio

Ao contrário do que possa parecer, Savin garante: não teve um único momento de tédio. Mais de 25 mil fãs acompanharam a travessia pelas redes sociais, possível graças ao telefone por satélite pelo qual o ex-militar se comunicava com a equipe de apoio em terra firme.

“Os dias passam super rápido. A contemplação é simplesmente magnífica. Todos os dias, o nascer e o pôr do sol são diferentes, o mar está sempre mudando”, frisa. “É um prazer incrível poder nadar com 6 mil metros de profundidade abaixo dos seus pés. Você está no meio daquele imenso azul, que te embebeda.”

Tempestade mostra que “tudo passa”

Em todo o trajeto, Savin só enfrentou uma noite de tempestade em alto mar. O tonel se virou três vezes de lado, mas acabou retornando à posição correta, sempre na superfície. Muito mais do que um susto, para o aventureiro francês, a experiência reforçou a lição de que “tudo passa” na vida.

“Ninguém se acostuma com uma tempestade. É um momento que é bastante singular. Também peguei ventos de 70 km/h”, relata. “Passar por isso é difícil, mas depois voltam os ventos mais tranquilos, de 40 ou 50km/h, e tudo fica bem. Você sabe que vai passar e fica sereno. Uma tempestade ou uma depressão duram isso: uma noite, ou várias horas.”

A experiência de Jean Jacques Savin vai virar um livro e, já no ano que vem, ele planeja voltar ao mar – ainda não decidiu se para o Atlântico norte ou o Pacífico.

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Pinguins ‘assaltam’ restaurante de sushi na Nova Zelândia

Por G1

Pinguins da Nova Zelândia "assaltam" restaurante de sushi pela segunda vez — Foto: Reprodução/TVNZ

Pinguins da Nova Zelândia “assaltam” restaurante de sushi pela segunda vez — Foto: Reprodução/TVNZ

Policiais da Nova Zelândia receberam um chamado inusitado vindo de um restaurante de sushi nesta quarta-feira (17). Dois pinguins invadiram pela segunda vez o estabelecimento especializado em comida japonesa.

Nesta época do ano, os animais da espécie pinguim-azul (Eudyptula minor) saem em busca de lugares para se reproduzir e construir seus ninhos.

“Eles estão próximos da área de desova e pensaram que este seria um espaço seguro”, explicou à agência Associated Press (AP) Jack Mace, gerente de operações do Departamento de Conservação neozelandês.

O conservacionista disse que os pássaros teriam encontrado uma toca confortável no porão da loja e que a escolha do local não foi condicionada aos pedaços de peixe cru vendidos no andar de cima.

Páginas policiais

O curioso caso foi considerado pela polícia de Wellington como “vadiagem”, afinal os animais eram reincidentes e insistiram em se aninhar no restaurante mesmo depois de capturados e escoltados de volta ao oceano.

Os agentes foram notificados de um pinguim à solta na cidade, que foi encontrado e liberado no mar. Em seguida, a polícia foi avisada de dois clientes não solicitados no restaurante Sushi Bi, que está ao lado de uma movimentada estação de trem.

Um dos proprietários da loja disse não fazer ideia que os animais subaquáticos se interessariam pelo seu produto: “Eu estava em pânico, não sabia o que fazer”, contou Long Lin.

O empresário relatou que estava arrumando o estoque quando foi surpreendido por um barulho próximo ao tanque de água. Era o casal fugitivo.

Ele chamou as autoridades e se machucou tentando evitar que os animais escapassem.

“Foi um pouco selvagem”, disse Long Lin.

Os guardas retiraram as aves de baixo do freezer da loja e as levaram em uma caixa especial até o porto, que fica a cerca de 200 metros da loja. Os pinguins não foram vistos desde então.

A população dos pinguins-azuis se recuperou em Wellington graças aos esforços na remoção de predadores e com esforços de conservação que incluem a construção de ninhos artificiais.

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Câmara dos EUA derruba resolução de impeachment contra Trump


Por Reuters

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira (17) para efetivamente derrubar por ora uma resolução de impeachment contra o presidente norte-americano, Donald Trump, mas sem enterrar a questão que tem dividido democratas.

O autor da resolução, o deputado democrata Al Green, buscava capitalizar sobre a crescente crítica contra Trump após os ataques recentes que ele fez a deputadas democratas que pertencem a minorias.

A Câmara votou por 332 votos a 95 para derrubar a medida.

Green já tinha fracassado duas vezes na tentativa de aprovar uma resolução de impeachment, mas a desta quarta marcou a primeira vez que a Câmara tratou dessa questão desde que os democratas assumiram a maioria na Casa, neste ano.

Com a votação, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, teve novamente de arbitrar um conflito entre seus colegas de Partido Democrata, desta vez a discussão sobre a resolução de impeachment contra Trump.

Pelosi há muito tempo tenta evitar que democratas iniciem um processo de impeachment contra Trump, aguardando um resultado de uma investigação do Comitê Judiciário da Câmara sobre se Trump teria conspirado com a Rússia no caso das interferências nas eleições presidenciais de 2016 e cometido obstrução de Justiça na investigação do procurador especial Robert Mueller sobre o assunto.

Perguntada por jornalistas no Capitólio na manhã de quarta-feira se ela apoiava a resolução de Green, Pelosi disse: “Não, eu não apoio… Minha posição te surpreende?”.

James Clyburn, o Democrata número 3 da Câmara e um importante aliado de Pelosi, disse que preferia que a resolução fosse engavetada. “Eu não acho que estamos prontos para debater isso no momento”, disse.

Clyburn acrescentou que parte do motivo para isso era que Mueller deve depor ao Congresso na semana que vem.

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Brasileiro achado inconsciente em hospital no Marrocos com lesão cerebral deixa a UTI, diz filha

Por Sérgio Pais, G1 Bauru e Marília

Mecânico brasileiro Alexandre Luís Pereira em foto com a equipe médica que o atendeu na UTI do hospital de Casablanca: "Feliz" — Foto: Arquivo pessoal

Mecânico brasileiro Alexandre Luís Pereira em foto com a equipe médica que o atendeu na UTI do hospital de Casablanca: “Feliz” — Foto: Arquivo pessoal

A filha do mecânico brasileiro Alexandre Luís Pereira de 46 anos, que foi encontrado inconsciente em um hospital no Marrocos, recebeu nesta quarta-feira (17) um áudio enviado pelo pai informando que ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após 13 dias de internação pelo diagnóstico de lesão cerebral.

Segundo Thaís Alves Pereira, que mora em Bauru (SP), a mensagem do pai veio acompanhada de uma foto em que mostra ele, ainda na cadeira de rodas, cercado pela equipe médica marroquina que o atendeu na UTI.

“Já estou sendo transferido para o setor de neurologia e fiquei muito feliz. Já estou de roupa e com as muletas, só esperando arrumar o quarto”, disse Alexandre no áudio enviado à filha.

Thais Pereira conta que, aos poucos, a memória do pai está retornando, já que que havia perdido desde que desmaiou no hotel pertencente à companhia aérea onde ficou hospedado durante a conexão de 24 horas de duração que faria em Casablanca.

“Ele está recobrando aos poucos a consciência e a memória, mas ainda não entendeu completamente tudo o que aconteceu. Quando me conta, chora muito e diz que sofreu muito”, diz Thais.

Alexandre Luís Pereira passou a conversar online com a filha Thais após ganhar um celular de um conhecido em Marrocos — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Alexandre Luís Pereira passou a conversar online com a filha Thais após ganhar um celular de um conhecido em Marrocos — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Ainda de acordo com a filha, ela começou a falar com o pai no fim de semana, depois que ele ganhou um celular de uma pessoa conhecida que mora no Marrocos, a cerca de 300 quilômetros de Casablanca.

Segundo ela, ele apenas se lembra que passou mal no restaurante do hotel porque ficou nervoso ao perder uma bolsa com todos os seus documentos e dinheiro. Relatou também que, durante o pânico, sofreu uma convulsão e desmaiou.

Thais afirma ainda que não definiu quando embarca para o Marrocos para buscar o pai porque ainda depende da definição de sua alta completa, o que só deve acontecer após a conclusão de exames que o mecânico fará, agora no setor de neurologia.

Caso

De acordo com a família, Alexandre estava sumido desde o dia 4 de julho, quando embarcou em um voo de Portugal para o Brasil, mas deixou de mandar notícias e “desapareceu” após uma conexão em Casablanca, no Marrocos.

Filha de mecânico brasileiro fez post na web pedindo ajuda para encontrar o pai que desapareceu após conexão no Marrocos — Foto: Facebook/Reprodução

Filha de mecânico brasileiro fez post na web pedindo ajuda para encontrar o pai que desapareceu após conexão no Marrocos — Foto: Facebook/Reprodução

Com chegada prevista para o dia 5, os familiares de Alexandre foram até o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde ele deveria desembarcar às 21h45, mas ele não estava no avião e também não deu notícias sobre seu paradeiro.

Alexandre estava há um ano e meio trabalhando como mecânico em Setúbal, Portugal, mas decidiu retornar ao Brasil.

A família então mobilizou as redes sociais em busca para tentar encontrar o mecânico. Em menos de 24 horas, a postagem da filha teve quase mil compartilhamentos e mais de mais de 500 comentários.

Após procurar o pai e fazer apelo na internet, Thaís Alves Pereira foi informada apenas na manhã da última quarta-feira (10) pela embaixada brasileira que Alexandre estava hospitalizado com lesão cerebral.

Segundo Thais, a mensagem enviada pela embaixada afirmava que houve visita no hospital universitário onde o pai está internado. Afirmou que ele na ocasião ele estava consciente, mas sonolento por causa da medicação.

Laudo escrito em francês aponta que brasileiro teve uma lesão no cérebro possivelmente causada por uma infecção viral  — Foto: Arquivo Pessoal

Laudo escrito em francês aponta que brasileiro teve uma lesão no cérebro possivelmente causada por uma infecção viral — Foto: Arquivo Pessoal

Uma ressonância magnética escrita em francês apontou também que o brasileiro teve lesões no cérebro provavelmente de origem infecciosa.

Apesar do documento médico não ser conclusivo, a descrição diz que pode tratar-se de um caso de encefalite viral, que é um comprometimento do sistema nervoso central causado por um vírus.

Em nota, a embaixada do Brasil, em Rabat, informou ao G1 que acompanha o caso do brasileiro e está em contato com as autoridades locais, assim como de seus familiares.

Thais Pereira com o pai: mecânico estava em Portugal há um ano e meio para trabalhar — Foto: Arquivo Pessoal

Thais Pereira com o pai: mecânico estava em Portugal há um ano e meio para trabalhar — Foto: Arquivo Pessoal

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OMS declara emergência internacional por surto de ebola na República Democrática do Congo

Por Ana Carolina Moreno, G1

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta quarta-feira (17), que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se tornou uma emergência internacional de saúde pública. Em uma entrevista coletiva com jornalistas por telefone, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, embora ainda não haja registros de transmissão de ebola em países vizinhos, dois casos de pessoas que estiveram na fronteira da RDC com a Ruanda e Uganda e depois foram diagnosticadas com o vírus levaram a organização a tomar a decisão.

“O risco de disseminação na RDC e na região segue muito alto, mas o risco de disseminação fora da região permanece baixo”, ressaltou Ghebreyesus a jornalistas.

Na segunda-feira (15), a OMS havia informado que mais de 1.600 pessoas já morreram desde o início do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo, há um ano. O surto foi declarado oficialmente em 1º de agosto de 2018, e é considerado o segundo maior da doença de todos os tempos.

O diretor-geral explicou que “não há evidência de transmissão” do vírus na Uganda e na Ruanda. “Mas, como os dois eventos indicam uma disseminação do vírus, o comitê pediu que eu declarasse emergência de preocupação internacional.”

Ebola não é ameaça global

Robert Steffen, presidente do Comitê de Emergência de Regulações Internacionais de Saúde da organização, explicou ainda que essa “ainda é uma emergência regional e de forma alguma uma ameaça global”.

Por outro lado, a OMS fez um apelo para que os doadores e governos aumentem as doações de combate ao surto, o que também é uma forma de evitar que o vírus se espalhe pela África ou chegue a outros continentes. “Não é arrecadação, é para prevenir a disseminação internacional da doença”, disse o diretor-geral.

“O governo da República Democrática do Congo está fazendo todo o possível. Mas eles precisam do apoio da comunidade internacional. Isso inclui apoio financeiro”, disse Ghebreyesus. “A menos que a comunidade internacional aumente seus fundos para a resposta agora, vamos pagar por esse surto por um bom tempo ainda.”

Funcionários da área da saúde que atuam na contenção do ebola na África — Foto: AFP

Funcionários da área da saúde que atuam na contenção do ebola na África — Foto: AFP

Ajuda da comunidade internacional

Apesar da declaração de emergência internacional, as duas autoridades recomendaram aos países que, além de aumentar suas doações, não fechem fronteiras nem restrinjam as viagens e negócios com a RDC ou os países vizinhos.

“Isso provocaria um impacto terrível na economia da região”, explicou Steffen, ressaltando que as “consequências negativas” do isolamento da RDC e de outros países da região incluem, por exemplo, menos dinheiro para prevenir a disseminação do vírus.

Além disso, segundo ele, o fechamento de fronteiras ou limitação de viagens estimularia a população a buscar alternativas ilegais de cruzamento de fronteiras, que atualmente estão sendo monitoradas de perto justamente para evitar que pessoas saiam do país portando o vírus.

Por isso, a consequência desse isolamento não afetaria apenas os países já afetados, mas aumentaria o risco de outros países acabarem entrando na zona de transmissão do vírus.

“Mais de 75 milhões de checagens para detectar o ebola já foram feitas em fronteiras e outros checkpoints”, ressaltou Ghebreyesus sobre uma das ações locais para prevenir a epidemia.

Segundo o relatório divulgado pelo comitê nesta quarta, 70 pontos de entrada passam por essa checagem e 22 casos já foram detectados dessa forma. Atualmente, a localidade de Beni é a mais afetada por novos casos (leia mais abaixo).

Recomendações da OMS

Nesta quarta-feira, a OMS divulgou uma lista de recomendações para todos os países em relação ao combate da disseminação do ebola.

Para os países afetados:

  • Continuar fortalecendo a conscientização da população, principalmente em pontos fronteiriços e com pessoas em risco;
  • Continuar a verificação de viajantes nas fronteiras e principais rodovias domésticas;
  • Continuar a coordenação com a ONU e parceiros para reduzir as ameaças e mitigar riscos de segurança no controle da doença;
  • Reduzir o tempo entre o diagnóstico e o isolamento;
  • Estratégias de vacinação para aumentar o impacto de conter o surto devem ser implementadas rapidamente;
  • Mapear postos de saúde e fortalecer outras medidas para aumentar o monitoramento e supervisão de infecções hospitalares.

Para os países vizinhos aos afetados:

  • Trabalhar com urgência com parceiros para se preparar para a detecção e gerenciamento de casos “importados”, incluindo o mapeamento dos postos de saúde e a vigilância ativa;
  • Continuar a mapear o movimento e padrões sociológicos da população para prever riscos de disseminação;
  • Aumentar ações de engajamento e comunicação com a comunidade, especialmente nas fronteiras;
  • Priorizar pesquisas de vacinas e tratamentos.

Para todos os países:

  • Nenhum país deve fechar suas fronteiras ou restringir viagens e negócios, medidas que incentivam o movimento informal e não monitorado de pessoas e produtos entre os países e comprometem as operações de segurança e logística;
  • Autoridades nacionais devem trabalhar com as companhias aéreas e outros meiores de transporte e turismo;
  • Não é necesário implantar medidas de verificação em aeroportos e outros portos de entrada nos países que estão fora da região.
Entenda como o ebola é transmitido nos seres humanos — Foto: Arte G1

Entenda como o ebola é transmitido nos seres humanos — Foto: Arte G1

Disseminação do ebola

O caso mais recente que levou a OMS a aumentar o nível de alerta aconteceu neste domingo (14) em Goma, uma cidade da República Democrática do Congo que fica na fronteira com a Ruanda. Um pastor saiu da cidade de Butembo e viajou por 200 km em um ônibus até Goma.

Ele esteve em contato com pessoas que portavam o vírus, e foi diagnosticado com ebola no domingo, depois que acudiu a um centro de saúde. Segundo Ghebreyesus na tarde desta quarta, o homem morreu em decorrência da doença. Como a cidade tem mais de 2 milhões de habitantes, fica em uma fronteira internacional e representa um importante eixo de transportes no leste da RDC, autoridades locais e ruandesas ficaram em alerta.

O Ministério da Saúde da RDC afirmou que o homem foi rapidamente diagnosticado e isolado, e que 75 pessoas foram foram vacinadas, entre o motorista e os demais 18 passageiros do ônibus e demais indivíduos que entraram em contato com o paciente.

O outro caso, segundo Ghebreyesus, foi de uma mulher que vivia na RDC e cruzou a fronteira com Uganda para comprar peixe. Depois que retornou, ela também foi diagnosticada com ebola e não sobreviveu.

Atualmente, segundo o comitê da OMS, o número de casos nas cidades de Butemo e Mabalako, na RDC, aumentaram, mas o epicentro do surto é a localidade de Beni, que concentrou 46% dos casos nas últimas três semanas.

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Operação contra máfia italiana revela conexões com família nos EUA


Por Agência EFE

Uma operação policial que terminou com a prisão de 18 pessoas na ilha da Sicília, na Itália, e de Thomas Gambino, em Nova York, revelou as novas conexões entre uma das famílias da Cosa Nostra, a máfia siciliana, e os Gambino nos Estados Unidos.

Durante a madrugada na Itália, a Polícia de Palermo e o FBI prenderam 19 pessoas sob a acusação de associação criminosa, extorsão agravada e transferência fraudulenta de bens e valores.

A polícia explicou que as investigações permitiram conhecer os contatos entre a família mafiosa de Passo dei Rigano, em Palermo, e a Gambino Crime Family de Nova York.

Entre os detidos estão Tommaso Inzerillo e seu primo Francesco, que tiveram que fugir para os EUA após uma guerra da máfia nos anos 1980.

Ao retornar à Itália, no começo de 2000, os dois primos Inzerillo conseguiram estabelecer contatos com alguns dos últimos membros de um grupo rival, os irmãos Gaetano e Giuseppe Sansone, e reconstruir as fileiras da família mafiosa de Passo dei Rigano.

Desde esta cidade, controlavam distribuidoras de alimentos, gerenciavam jogos de apostas e sorte e também praticavam extorsões.

As investigações também documentaram as relações estáveis entre os mafiosos de Passo dei Rigano e membros da família Gambino, como Frank Cali (assassinado em março em Nova York), e Thomas Gambino.

Thomas Gambino, um dos chefes do clã, cumpre prisão domiciliar em sua residência de Staten Island, segundo o comunicado.

Foi encontrado um vídeo de agosto de 2018 no qual Gambino, de Nova York, e Tommaso Inzerillo conversam em um bote no mar da Sicília. Eles falam sobre como dividir os lucros da venda de um terreno na República Dominicana que estava em nome de Frank Cali.

Dois intermediários faziam contatos entre os sicilianos e os americanos.

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El Chapo é sentenciado à prisão perpétua nos EUA

Por G1

O traficante de drogas mexicano Joaquín “Chapo” Guzmán, conhecido como “El Chapo”foi sentenciadonesta quarta-feira (17) à prisão perpétua, por um tribunal federal em Nova York, nos Estados Unidos. Ele ainda pode recorrer da sentença, segundo o “The New York Times”.

Além da prisão perpétua, Chapo também foi sentenciado a mais 30 anos de prisão por porte de armas de fogo e a entregar US$ 12,6 bilhões (R$ 47,4 bilhões), disseram os procuradores.

Momentos antes de a sentença ser anunciada, El Chapo falou, por meio de um tradutor, sobre os dois anos e meio que passou em uma prisão americana. O traficante foi preso em 2016 e extraditado do México para os EUA em 2017, e desde então ficou praticamente isolado do mundo exterior, em prisão solitária, por ter um histórico de fugas de cadeias mexicanas.

“Foi uma tortura mental, emocional e psicológica 24 horas por dia”, declarou. Ele afirmou ter sido submetido a tratamento “cruel e desumano” , diz a Reuters.

Chapo também declarou que um julgamento justo lhe tinha sido negado.

O veredito desta quarta-feira atende ao pedido feito pelos procuradores, que, além da prisão perpétua pelos crimes relacionados ao tráfico, tinham pleiteado mais 30 anos de prisão para o mexicano pelo uso de armas de fogo. Chapo é um dos fundadores do cartel de Sinaloa, considerado o maior do mundo.

Antes do anúncio da sentença, uma ex-sócia do traficante descreveu como ele pagou US$ 1 milhão (R$ 3,76 milhões) a uma gangue para que ela fosse executada.

A expectativa, segundo a imprensa americana, é de que ele cumpra a sentença na Instalação Máxima Administrativa Penitenciária dos Estados Unidos, no Colorado, que é conhecida como ADX, a mais restritiva no país. Ninguém conseguiu escapar de lá desde que foi inaugurada, em 1994.

Se ficar preso na ADX, conhecida como a “Alcatraz dos Estados Montanhosos”, El Chapo estará no mesmo lugar que o “Unabomber” e autores de diversos atentados, como o 11 de setembro e o da maratona de Boston, em 2013.

Os presos são tipicamente confinados por cerca de 23 horas por dia em celas solitárias, cada uma com uma janela estreita de cerca de 107 cm de altura e anguladas para cima, de modo que apenas o céu é visível.

Os prisioneiros não podem se movimentar sem serem escoltados, e contagens de cabeça são feitas pelo menos seis vezes por dia.

“É justiça não só para o governo mexicano, mas para todas as vítimas de Guzmán [Chapo] no México”, disse Raymond P. Donovan, agente encarregado do escritório de Nova York da Administração de Repressão às Drogas, que teve papel fundamental em duas prisões do traficante, segundo o “The New York Times”.

Condenação

Chapo foi condenado em fevereiro, quando um júri o declarou culpado de dez acusações, incluindo traficar ou tentar traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos Estados Unidos, principalmente cocaína.

Depois da condenação, a duração da sentença ainda precisava ser determinada, o que ocorreu nesta quarta (17).

À época do julgamento, também foi condenado por conspiração — para lavagem de dinheiro e tráfico de drogas —, uso de armas de fogo e por liderar empreendimento criminoso. Esta última condenação inclui 26 violações relacionadas a drogas e uma conspiração para assassinato.

As provas do processo contra ele, coletadas desde a década de 80, mostraram que, sob suas ordens, o cartel de Sinaloa contrabandeou drogas para os EUA durante os 25 anos em que Chapo esteve ativo.

Além disso, afirmaram os procuradores, seu “exército de sicários” — termo usado em cartéis latinoamericanos para matadores de aluguel — tinha ordens de ordens de sequestrar, torturar e assassinarqualquer um que ficasse em seu caminho.

O julgamento de fevereiro durou 11 semanas, e a identidade dos jurados foi mantida em segredo. A acusação baseou-se, principalmente, em depoimentos de testemunhas. Os jurados ouviram 200 horas de declarações de 56 testemunhas, incluindo 14 testemunhas cooperantes, em sua maioria traficantes e sócios no cartel de Sinaloa.

Um ex-matador de Chapo, Isaías “Memín” Valdez Ríos, garantiu que viu o próprio chefe torturar e executar três traficantes rivais. Um deles foi enterrado vivo depois de ser baleado pelo líder criminoso, outros dois foram espancados a pauladas antes de serem executados e lançados numa fogueira.

A procuradoria garante que el Chapo mandou matar ou torturou e assassinou com as próprias mãos pelo menos 26 pessoas ou grupos de pessoas.

Segundo as provas obtidas pelos procuradores, Chapo levava as drogas para os EUA através de túneis ou escondidas em caminhões-tanque, na parte inferior de carros ou embaladas em vagões de trem que passavam por pontos de entrada legítimos — o que sugere que um muro na fronteira não seria muita preocupação, diz a Associated Press.

Além de cocaína, o mexicano também levava heroína, metanfetamina e maconha para os EUA.

Dois ex-sócios do Chapo contaram como subornaram com milhões de dólares em dinheiro funcionários do alto escalão do governo mexicano para encontrar rivais, expandir o negócio e fugir das autoridades, bem como da polícia judiciária, federal e municipal, militares e até da Interpol.

Segundo outro depoimento, o narcotraficante drogava e estuprava meninas de apenas 13 anos porque achava que fazer sexo com garotas tão jovens fazia bem para sua saúde.

Durante o julgamento, a argumentação da defesa durou apenas meia hora, quando os advogados afirmaram que as testemunhas eram apenas mentirosos tentando reduzir as próprias sentenças. O próprio Chapo não argumentou em defesa própria.

Negócio aos 15 anos

Joaquín Archivaldo Guzmán Loera nasceu em 4 de abril de 1957 em uma família humilde em La Tuna, pequeno povoado rural de Badiraguato, no pobre e violento estado mexicano de Sinaloa. O apelido “El Chapo” significa “o baixinho”, em português.

Em um encontro clandestino em outubro de 2015, ele contou ao ator americano Sean Penn (veja vídeo abaixo) que, quando criança, vendia laranjas, refrigerantes e doces para ajudar sua família, que era “muito pobre”.

Mas, devido à “falta de oportunidades”, aos 15 anos já cultivava e vendia maconha e papoula, um negócio que florescia em seu povoado agrícola.

Adolescente, El Chapo foi recrutado pelo chefe do cartel de Guadalajara, Miguel Angel Félix Gallardo. Quando Gallardo foi preso, em 1989, Chapo fundou com três sócios o cartel de Sinaloa, que cresceu de forma meteórica até se tornar o maior do mundo.

Com o passar do tempo, o mexicano tornou-se o traficante de drogas mais procurado do mundo, acusado de enviar entorpecentes da América Latina para Estados Unidos, Europa e Ásia.

Até 2013, a revista “Forbes” o colocava em sua famosa lista de bilionários, estimando sua fortuna em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3,76 bilhões). Ele permaneceu no ranking por vários anos seguidos.

Embora o estado de Sinaloa tenha criado uma imagem de Robin Hood para o traficante, atribuindo a ele muitas obras sociais para a população local, El Chapo era considerado impiedoso com rivais e traidores.

Mesmo com a queda de Chapo, o cartel de Sinaloa tinha, no ano passado, a maior distribuição nos Estados Unidos, de acordo com o órgão de repressão às drogas americano.

Prisões e fugas

A partir de 1993, a situação começou a se complicar e, em junho daquele ano, El Chapo foi detido pela primeira vez, na Guatemala, e levado para uma prisão mexicana.

Ele fugiu oito anos depois, em 2001, dentro de um carrinho de roupa suja. Passou a viver de esconderijo em esconderijo nas montanhas de Sinaloa, protegido por um exército privado.

Voltou a ser preso em fevereiro de 2014, quando estava com sua esposa e filhas em Mazatlán, Sinaloa. Mas, 14 meses depois, fugiu novamente, desta vez por um túnel de 1,5 km cavado sob o ralo do chuveiro de sua cela.

As autoridades dizem que sua queda pela atriz mexicana Kate del Castillo, com quem trocou mensagens sugestivas e que conseguiu o encontro entre El Chapo e Penn, levou à sua localização e prisão final em janeiro de 2016, até a sua extradição aos Estados Unidos um ano depois.

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