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Donos de imóveis em Berlim deverão reduzir seus alugueis

2ª etapa da lei que definiu teto para aluguéis na capital alemã entra em vigor, e milhares de proprietários serão forçados a reduzir valores excedentes. Mas batalha legal em torno da legislação continua.

Por Deutsche Welle

Desde segunda-feira (23), proprietários de imóveis em Berlim que cobrem de seus locatários valores excessivamente altos – ou seja, que excedam um teto estabelecido em mais de 20% – deverão reduzir seus alugueis ou enfrentarão multas pesadas.

Isso porque o tribunal constitucional alemão rejeitou as tentativas das associações de proprietários de deter as reduções que deveriam ter sido aplicadas no final de outubro.

Cerca de 85% dos habitantes da capital alemã moram em imóveis alugados e, segundo a Associação de Locatários de Berlim (BMV, na sigla em alemão), aproximadamente 365 mil apartamentos na cidade são elegíveis para a redução do aluguel, conforme a lei do teto aprovada neste ano.

Mas esse número é contestado: um estudo da consultoria imobiliária F+B estima que mais de 500 mil imóveis sejam alugados por valores excedentes que deverão ser reduzidos.

“É um golpe de sorte para os inquilinos de Berlim que tenhamos um teto de aluguel aqui, à luz da crise econômica causada pela pandemia de covid-19”, disse o chefe da BMV Reiner Wild em nota, acrescentando que a redução dos valores é “apropriada, justificável e sensata”.

Sob as novas medidas, os cortes deverão atingir principalmente os contratos de locação assinados nos últimos cinco ou seis anos, uma vez que os aluguéis em Berlim aumentaram drasticamente nesse período: de 2014 a 2019, os valores de novos contratos aumentaram em média 30% – especialmente se os apartamentos foram renovados ou reformados, afirmou a BMV.

O teto máximo não se aplica a edifícios concluídos depois de 2014. O aluguel de um apartamento médio de 60 metros quadrados custa cerca de 850 euros (R$ 5.475), aproximadamente um terço do rendimento familiar médio na capital alemã.

Peso para os inquilinos

Mas muitos proprietários em Berlim parecem esperar que seus inquilinos simplesmente não se deem conta das novas regras. Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela plataforma de direitos do consumidor Conny apontou que três quartos de seus clientes elegíveis para uma redução de aluguel não foram informados por seus proprietários.

Isso significa que cabe aos locatários verificaram os valores de seus aluguéis por conta própria, o que pode ser feito por meio de um site lançado pelo governo de Berlim, pela BMV ou por um dos vários serviços de consultoria que surgiram neste ano. Inquilinos que pagarem valores que excedam o limite poderão processar seus senhorios e pedir o excedente de volta.

“É muito provável que nem todos os proprietários sigam a lei”, afirmou o presidente da Conny, Daniel Halmer, em comunicado.

“Tememos que os fornecedores privados, em particular, não reduzam o aluguel por conta própria”, disse, por sua vez, Reiner Wild, da BMV, pedindo aos inquilinos que chequem o valor de seus aluguéis.

Peso para os proprietários

A redução dos aluguéis faz parte da segunda etapa da lei do teto, que entra em vigor agora. A primeira fase da legislação, introduzida em fevereiro deste ano após sua aprovação em janeiro, congelou pelos próximos cinco anos os preços pagos por 1,5 milhão de apartamentos em Berlim.

Enquanto isso, os proprietários têm estado ocupados contabilizando a perda potencial em suas receitas. Segundo o índice da consultoria F+B publicado nesta segunda-feira, donos de imóveis poderão perder um total de 250 milhões de euros por ano, ou 40 euros por apartamento por mês.

Mas os proprietários também têm seus meios para combater as novas medidas. A emissora pública RBB reportou na semana passada que algumas centenas de proprietários solicitaram a um banco de investimento estatal que sejam autorizadas a cobrar aluguéis mais caros a fim de evitar dificuldades econômicas – um instrumento do Estado para proteger pessoas que dependem de aluguéis para sua subsistência. Essa é uma pequena minoria dos donos de imóveis: o governo de Berlim estima que apenas cerca de 200 mil pessoas vivam da renda de suas locações.

Apesar das novas medidas, uma decisão crucial do tribunal constitucional ainda está pendente, e só deverá ser conhecida no próximo ano: permanece em aberto legalmente se o governo de Berlim, como um governo estadual, tem o direito de impor um teto para o valor de aluguéis.

Como resultado, muitos proprietários estão agora incluindo “valores fantasmas” em seus anúncios de novos apartamentos, alertando que, se a Corte mais tarde decidir a seu favor, eles poderão exigir de seus inquilinos a diferença nos valores do aluguel de forma retroativa, referente aos meses de contrato que a lei do teto esteve “injustamente” em vigor.

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Tailândia convoca líderes de protestos para depor sob a acusação de crimes de lesa majestade

Sete dos organizadores das manifestações contra o governo tailandês foram intimados nesta terça-feira (24); eles são investigados por ‘insultos à monarquia’, o que pode dar até 15 anos de prisão no país.

Por G1

As autoridades da Tailândia convocaram ao menos sete dos líderes de protestos contrários ao governo do país para prestar depoimento nesta terça-feira (24), sobre supostos “insultos à monarquia”, segundo fontes da polícia e de movimentos sociais confirmaram à agência de notícias Reuters.

A intimação vem um dia antes de uma grande manifestação, que está marcada para acontecer nesta quarta-feira (25), em Bangkok. Com protestos há quatro meses, a capital vive um aumento da pressão popular contra o governo e a família real.

Os manifestantes foram chamados para depor sob a suspeita de que tenham cometido crime de lesa majestade – eles teriam insultado a monarquia tailandesa durante os protestos. Caso sejam considerados culpados, poderão pegar até 15 anos de prisão.

Parit “Pinguim” Chiwarak é um dos sete convocados pela polícia tailandesa. Ele disse em entrevista à Reuters que, apesar de tanto ele como sua família terem recebido a intimação policial, não está preocupado.

“Isso vai expôr a brutalidade do sistema feudalista tailandês para todo o mundo”, disse Chiwarak. “Nós vamos seguir lutando.”

A última vez em que alguém foi condenado com base na lei de lesa majestade, que pune severamente qualquer difamação contra um membro da família real, foi em 2018. Um homem pegou 35 anos de prisão por postar e comentar no Facebook críticas sobre a monarquia.

Manifestações pró-democracia

Há quatro meses sem mostrar cansaço, os protestos contrários ao governo tailandês continuam. Eles foram incentivados pela dissolução de um partido de oposição popular entre os jovens e as consequências econômicas da pandemia da Covid-19.

O confinamento do país afetou duramente o turismo, peça fundamental da economia da Tailândia, o que também deixou mais claro as desigualdades sociais no país.

No mês passado, mais de 10 mil manifestantes “pró-democracia” fizeram uma caminhada até a sede do governo para celebrar o 47º aniversário do levante estudantil de 1973.

Em um momento do protesto, um automóvel que transportava a rainha Suthida não conseguiu evitar a manifestação e permaneceu parado por alguns instantes, quando dezenas de ativistas fizeram a saudação com os três dedos inspirada no filme “Jogos Vorazes”, em desafio à autoridade da realeza.

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Universidade de Cambridge denuncia roubo de cadernos de Darwin

Originais desapareceram da biblioteca da universidade há 20 anos e eram procurados até hoje. Um deles contém o desenho da “árvore da vida”, que se tornou o símbolo da teoria da evolução.

Por G1

A Universidade de Cambridge classificou como “roubados” dois cadernos de Charles Darwin (1809-1882) que desapareceram de sua biblioteca há 20 anos. Um deles contém o desenho da “árvore da vida”, que se tornou o símbolo da teoria da evolução.

“Depois de uma busca exaustiva, a mais importante da história da biblioteca, os curadores chegaram à conclusão de que os cadernos, cujo desaparecimento foi relatado pela primeira vez em janeiro de 2001, foram provavelmente roubados”, anunciou a universidade nesta terça-feira (24).

O desaparecimento foi denunciado à polícia e os cadernos, avaliados em vários milhões de libras, foram adicionados ao arquivo da Interpol de obras de arte roubadas.

“Lamento profundamente que esses cadernos continuem desaparecidos, apesar das inúmeras buscas em grande escala nos últimos 20 anos, incluindo a maior da história desta biblioteca no início deste ano”, afirmou Jessica Gardner, diretora do serviços bibliográfico.

O anúncio foi feito no “dia da evolução”, que comemora o aniversário da primeira publicação do livro de “A Origem das Espécies”, e a universidade lançou um convite à participação dos cidadãos para encontrar as obras.

A grande obra do naturalista inglês foi publicada pela primeira em 24 de novembro de 1859.

Página do livro 'A Origem das Espécies', do biólogo e naturalista inglês Charles Darwin — Foto: Domínio público

Página do livro ‘A Origem das Espécies’, do biólogo e naturalista inglês Charles Darwin — Foto: Domínio público

Cambridge diz que os dois cadernos foram retirados em setembro de 2000 da sala onde os livros mais valiosos eram guardados e, durante uma verificação de rotina em janeiro de 2001, foi descoberto que a pequena caixa que os preservava não estava em seu devido lugar.

Por muitos anos, os bibliotecários acreditaram que os cadernos haviam sido colocados no lugar errado da biblioteca, que abriga cerca de 10 milhões de livros, mapas, manuscritos e outros itens.

A obra de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, possibilitou entender que o ser humano não estava no centro da vida.

No verão de 1837, quando voltou de uma viagem pelo mundo a bordo de um navio científico da Marinha britânica, Darwin esboçou em seu caderno uma “árvore da vida” que forma a base de sua teoria da seleção natural.

Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832 e em 1836, e se encantou com a natureza, mas mencionou em seus relatos muita irritação com a corrupção e a burocracia do país.

A viagem a bordo do navio de pesquisa HMS, que significa His Majesty’s Ship (“Navio de Sua Majestade”) —, durou quatro anos e nove meses e incluiu também países como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

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China lança sonda para coletar amostras na Lua

A sonda chinesa deve pousar no satélite natural da Terra no final de novembro, e a devolução das amostras deve ocorrer no começo ou em meados de dezembro.

Por France Presse

China declara que lançamento da missão para colher amostras do solo da Lua foi um sucesso

China lançou, na tarde de segunda-feira (23), uma sonda à Lua para coletar rochas, na primeira operação do tipo em mais de 40 anos. O foguete “Longa Marcha 5” lançou a sonda Chang’e-5 do centro de lançamento espacial Wenchang, na ilha tropical de Hainan, no sul do país, informou a agência estatal Xinhua.

O lançamento foi às 17h30 da segunda-feira (23), no horário de Brasília (04h30 desta terça (24) no horário de Pequim).

A sonda chinesa deve pousar na Lua no final de novembro. A devolução das amostras à Terra deve ocorrer no começo ou em meados de dezembro.

A missão Chang’e-5, batizada em homenagem a uma deusa da lua na mitologia chinesa, é a próxima etapa do ambicioso programa espacial da China. No início de 2019, o país conseguiu pousar uma nave no lado oculto lunar, uma novidade mundial.

A sonda que será enviada desta vez foi projetada para coletar cerca de 2 kg de poeira e rochas lunares, escavando o solo a uma profundidade de dois metros e, em seguida, enviando-as de volta à Terra.

Essas amostras poderão ajudar os cientistas a entender melhor a história da Lua.

Ambições espaciais

É a primeira tentativa de trazer de volta rochas lunares desde 1976, quando a missão não tripulada Luna 24 foi realizada com sucesso pela antiga União Soviética.

Não é a primeira vez que a China lança uma espaçonave para a Lua. As missões Chang’e 3 (em 2013) e Chang’e 4 (iniciadas em 2018) já conseguiram pousar no satélite natural da Terra dois pequenos robôs de controle remoto, os chamados “Coelhos de Jade”.

O gigante asiático está investindo bilhões em seu programa espacial para alcançar Europa, Rússia e Estados Unidos. Em 2003, enviou seu primeiro astronauta ao espaço, e, em 2022, espera montar uma grande estação espacial. A China também quer enviar homens à Lua dentro de dez anos.

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França quer punir delito de ‘ecocídio’

Proposta apoiada pelo governo prevê pena de até dez anos de prisão e multa de até 4,5 milhões de euros para quem causar danos graves ao meio ambiente.

Por Deutsche Welle

Membros do governo francês anunciaram neste domingo (22) que pretendem promover um projeto de lei para punir o “delito de ecocídio” com o objetivo de combater danos graves e intencionais ao meio ambiente, com previsão de penas de até dez anos de prisão e multas entre 375 mil e 4,5 milhões de euros.

A lei foi uma recomendação da Convenção de Cidadãos pelo Clima, grupo criado pelo governo há um ano que reúne 150 pessoas da população francesa para discutir questões ligadas ao meio ambiente.

Os detalhes do plano foram revelados pelos ministros Eric Dupont-Moretti (Justiça) e Barbara Pompili (Transição Ecológica) em uma entrevista conjunta ao Journal du Dimanche.

“Vamos criar um delito geral de poluição”, disse Dupont-Moretti. “A punição será escalonada de acordo com as intenções do perpetrador.”

“No passado poluir compensava, no futuro quem poluir, pagará até dez vezes o lucro que teria obtido se tivesse despejado os seus resíduos no rio”, disse o ministro da Justiça.

Na proposta original, os membros da Convenção de Cidadãos tinham feito a equivalência do ecocídio como um crime, mas o governo vai adaptar a proposta. “O entusiasmo do cidadão que foi expresso deve ser seguido de uma tradução jurídica no código penal”, disse o ministro da Justiça, apontando um problema de constitucionalidade no que diz respeito à palavra “crime”.

No sistema francês, existem três categorias de infrações penais, que variam de acordo com a gravidade: crime, delito e contravenção.

O governo francês também pretende acrescentar um delito na linha de “colocar o meio ambiente em risco”, disse Pompili, segundo a qual os infratores em potencial podem ser punidos antes mesmo de cometer atos de poluição ilegal.

Ele ainda explicou que o judiciário francês será reforçada para permitir que os tribunais melhorem o tratamento de casos de poluição e reivindicações civis, incluindo a criação de jurisdições ambientais especiais.

A Convenção de Cidadãos apresentou 149 propostas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao presidente Emmanuel Macron, que disse que converteria 146 delas em política governamental.

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75 anos dos julgamentos de Nuremberg: o que exames psicológicos revelaram sobre nazistas?

Em 20 de novembro de 1945, teve início o processo histórico contra os autores de atrocidades sem precedentes cometidas na 2ª Guerra. Em paralelo, uma análise psiquiátrica e psicológica tentou encontrar as origens do mal.

Por BBC

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a devastação foi tão grande e os crimes de guerra tão extensos que as forças aliadas vitoriosas determinaram que era necessário impor alguma forma de punição aos responsáveis pela geração dessa máquina de destruição e extermínio contra a humanidade.

Houve um cabo de guerra político entre os Aliados sobre o que fazer com os líderes nazistas capturados.

A certa altura, havia aqueles que defendiam as execuções sumárias, mas no final um julgamento por um Tribunal Militar Internacional foi considerado importante para educar o mundo sobre o que havia acontecido.

Esses foram os julgamentos de Nuremberg, que começaram em 20 de novembro, 75 anos atrás.

Pouco se sabe, no entanto, de um extraordinário processo de análise psiquiátrica e psicológica dos prisioneiros que foi realizado em paralelo para tentar encontrar as origens de seu mal.

Horas e horas de entrevistas, exames e observações geraram inúmeros documentos que foram esquecidos e, em 2016, foram resgatados no livro Anatomia do mal: O Enigma dos Criminosos de Guerra Nazistas.

Seu autor, Joel Dimsdale, professor emérito de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em San Diego, conversou com a BBC.

Contato íntimo com o ‘mal’

Nuremberg foi escolhida como sede dos julgamentos por seu valor simbólico, já que a cidade da Baviera havia sido palco de grandes paradas e comícios políticos dos nazistas no prelúdio da 2ª Guerra.

Mas também havia um motivo pragmático: o Palácio da Justiça, que havia sobrevivido milagrosamente ao bombardeio aliado e no qual o Tribunal Militar Internacional seria instalado, tinha uma prisão anexa que permitia o confinamento seguro e a vigilância dos acusados que seriam julgados.

O primeiro processo foi contra 22 líderes nazistas e, embora as sentenças tenham sido previsíveis (12 deles foram condenados à morte por enforcamento), houve também um chamado para a realização de uma investigação psicológica dos presos para tentar entender a origem de sua maldade e as razões dos horrores que cometeram.

“Cada prisão teve a presença de um psiquiatra e de um psicólogo para manter o ânimo dos presos para que eles possam enfrentar os seus julgamentos e participar na sua defesa”, explica Dismdale.

Mas, em Nuremberg, aconteceu algo extraordinário: o trabalho conjunto de dois analistas brilhantes cuja obsessão, iniciativa e ambição pessoal os levaram a empreender uma investigação minuciosa, com incontáveis horas de entrevistas, observações, testes e avaliações de cada um dos acusados.

De um lado estava Douglas Kelley, psiquiatra militar, um especialista de renome mundial no teste de Rorschach, uma avaliação de personalidade baseada na interpretação do paciente de uma série de manchas.

Kelley foi o primeiro a ter acesso aos líderes nazistas, mas, como ele não falava alemão, foi designado para ajudá-lo um psicólogo militar igualmente brilhante de pais judeus austríacos: Gustave Douglas.

“Seu trabalho os colocou em contato íntimo com personalidades tão perversas que alguns pensaram que havia algo profundamente danificado neles, que eles tinham algum tipo de disfunção cerebral ou doença mental”, afirma Dismdale.

“Essa preocupação adicionada à magnitude de sua maldade foi o que provocou a investigação de seu estado psiquiátrico e psicológico.”

Diferenças e rivalidades profissionais

Apesar de Kelley e Douglas serem colegas de trabalho, eles se odiavam e desenvolveram uma rivalidade muito competitiva sobre quem era o dono do trabalho executado. Eles também se envolveram em discussões filosóficas sobre a natureza do mal e a interpretação das evidências do Rorschach.

O psicólogo acreditava que os testes mostravam que os réus nazistas eram “outros” — ou seja, seres qualitativamente diferentes dos demais humanos — enquanto o psiquiatra os via mais como carreiristas dispostos a fazer o que fosse necessário para avançar profissionalmente, mas sem nada particularmente monstruoso em seu comportamento.

Devido a essa competição e sua diferença de opinião, os resultados dos testes de Rorschach foram praticamente esquecidos, até que Dimsdale recebeu uma visita inesperada.

“Estava em meu consultório em Harvard quando um homem veio sem hora marcada, bateu e entrou com uma maleta de transporte de armas”, diz o professor. “Ele me perguntou: ‘Você é Dimsdale?’ Eu disse que sim. Ele se sentou no meu sofá e disse: ‘Eu sou o carrasco. Eu vim atrás de você’, e ele abriu a maleta e mostrou uma série de documentos da 2ª Guerra Mundial.”

O homem era um dos responsáveis pelas execuções em Nuremberg.

Dimsdale concentrou suas primeiras investigações nos sobreviventes dos campos de concentração, mas motivado por este “carrasco”, decidiu vasculhar arquivos secretos sobre os resultados da psicanálise de criminosos de guerra para entender o que havia acontecido.

‘Alguns podiam ser charmosos, outros eram desagradáveis’

Todos os réus de Nuremberg apresentaram casos igualmente interessantes. Mas, para seu livro, Dismdale decidiu estudar quatro que eram diametralmente opostos em termos de origens, comportamentos e reações ao julgamento a que foram submetidos.

Eles eram: Robert Ley, líder do Reich e chefe da Frente Trabalhista Alemã; Julius Streicher, fundador do diário antissemita Der Stürmer, parte central do aparato de propaganda nazista; Rudolf Hess, substituto do Führer; e Hermann Göring, a figura mais poderosa do Partido Nazista e Chanceler da Alemanha após a morte de Hitler.

O que mais surpreendeu Dimsdale ao estudar esses quatro indivíduos é que o mal não parece ser algo monocromático.

“Presume-se que todos fossem monstros do mesmo tamanho, mas o fato é que eles tinham origens diferentes, estilos de relacionamento diferentes”, diz ele.

“Alguns podiam ser charmosos quando lhes convinha, outros eram tão desagradáveis que até seus próprios colegas os desprezavam. Fiquei surpreso que pudessem ser tão variados, mas ao mesmo tempo eram igualmente responsáveis por eventos tão monstruosos.”

Personalidade complexa

Ley controlava 95% da força de trabalho do país. Ele ordenou o assassinato de sindicalistas que não apoiavam o Partido Nazista e ajudou no estabelecimento de fábricas de trabalhos forçados. Ele era fanaticamente leal a Hitler e considerava o Partido Nazista “nossa ordem religiosa, nosso lar sem o qual não podemos viver”.

Mas ele tinha uma personalidade complexa, porque também defendia os direitos dos trabalhadores, um salário justo para as mulheres e mais tempo de férias.

Na 1ª Guerra Mundial, Ley sofreu um ferimento na cabeça que o deixou com uma gagueira e um comportamento errático pelo resto de sua vida, estando sujeito a ataques repentinos de raiva. Seus problemas com o álcool também eram famosos.

Durante seus interrogatórios na prisão, ele foi bastante perspicaz sobre a derrota nazista. Ele aceitou ser considerado um inimigo, mas se sentiu humilhado por ser considerado um criminoso.

No final, ele reconheceu sua culpa e expressou remorso. Embora os prisioneiros estivessem sob observação 24 horas por dia e houvesse controle rígido sobre quem entrava em contato com eles, Ley conseguiu se matar enforcando-se com uma corda.

“Seu cérebro foi analisado depois para ver se havia alguma patologia”, diz Dimsdale. “Resumindo, pensava-se que talvez houvesse mudanças sutis no cérebro, mas nada foi encontrado.”

‘Erva daninha’

Um dos réus mais originais foi Streicher. “Talvez o mais nojento dos criminosos de guerra”, diz Dimsdale. Ele era considerado o mais antissemita do gabinete nazista — e havia muita competição por esse título, mas ele era “o pior dos piores”.

Sua presença em Nuremberg não foi a primeira perante um tribunal. Ele se gabou de ter sido processado várias vezes por difamação, sadismo, estupro e outros crimes sexuais. No entanto, em suas entrevistas com Kelley, ele disse que dormia muito bem na prisão devido à sua “consciência limpa”.

Kelly o classificou como paranoico e questionou como ele teria conseguido manter influência sobre milhares de alemães “sensatos”. Por sua vez, Gilbert o descreveu como rígido, insensível e obsessivo.

Em uma ocasião, ele se declarou um sionista, disse que amava os judeus e achava que eles deveriam viver em seu próprio país, algo estranho em um homem que por décadas fez os mais violentos e violentos discursos antissemitas.

Em seu livro, Dimsdale diz que, em outro contexto, Stricher teria sido considerado simplesmente uma “erva daninha” — alguém brigão, violento, corrupto e depravado.

Antes que a forca fosse colocada em seus pescoços, os condenados foram questionados sobre seus nomes. Streicher gritou desafiadoramente: “Heil Hitler! Você conhece bem o meu nome!”

Fingindo insanidade?

O terceiro líder nazista que Dimsdale estudou foi Hess, o vice-Führer, e um dos dois réus cuja faculdade mental para enfrentar o julgamento foi questionada.

Ele era um líder sênior do Partido Nazista. Foi preso com Hitler na década de 1920 e o ajudou a escrever Minha Luta. Apesar de sua estranha aparência “cadavérica” e excentricidades, ele era um orador popular em famosos comícios nazistas. Gilbert declarou que ele “tinha uma devoção canina a Hitler”.

Mas sua influência começou a diminuir e, no início da guerra, Hess voou secretamente para a Inglaterra, onde pousou de paraquedas com a intenção de chegar a um acordo de paz com os britânicos. Lá, ele foi preso por anos em um hospital psiquiátrico.

Após sua transferência para Nuremberg, ele se queixou constantemente de amnésia intermitente, dor, e acusou os Aliados de tentarem envenená-lo, porque eles seriam controlados pelos judeus através de hipnose.

Ele se comportou de forma tão estranha que alguns questionaram se ele estava fingindo, então, trouxeram uma equipe de psiquiatras de todo o mundo para entrevistá-lo. “Algo estava profundamente errado com Hess”, observa Dimsdale, “mas não tão errado que ele não pudesse participar de sua defesa”.

O tribunal o condenou à prisão perpétua em Spandau, em Berlim, onde permaneceu até agosto de 1987, quando se enforcou, aos 93 anos.

‘Psicopata amigável’

Göring foi o réu de maior patente a ser julgado em Nuremberg e o quarto a ser estudado por Dimsdale no seu livro.

Foi presidente do Reichstag (Parlamento), fundador da Gestapo (polícia secreta), comandante-em-chefe da Luftwaffe (Força Aérea), coordenador da Conferência de Wansee (onde a “solução final” para o extermínio dos judeus foi elaborada) e o criador dos primeiros campos de concentração.

Ele era muito inteligente, imaginativo e, ao mesmo tempo, brutal, com um desprezo total pela vida humana. Um viciado em opioides com uma personalidade exuberante, escreve Dimsdale em seu livro. “Um homem corrupto com gosto pelo luxo e pelo roubo.” Ele saqueou peças de arte a torto e a direito. Mas ele também era “simpático, expansivo, excêntrico e engraçado”, diz o autor.

Um “psicopata amigável” foi como Gilbert o descreveu. Sua reação a este réu, assim como aos outros, foi de “repulsa”, disse Dismdale.

Antes de ser condenado, Göring perguntou o que seus testes de Rorschach haviam revelado ao psicólogo, que respondeu: “Honestamente (…) embora mostrem que você tem uma mente ativa e agressiva, você não tem coragem de enfrentar sua responsabilidade (…) você fez a mesma coisa durante a guerra, drogando sua mente para não enfrentar atrocidades (…) você é um covarde moral”.

Kelly, por sua vez, o rotulou como um “indivíduo narcisista agressivo (…) dominado pela fixação em si mesmo”. No entanto, ele desenvolveu sentimentos muito positivos em relação ao prisioneiro, observa Dimsdale. “Göring até pediu a Kelly que adotasse sua filha (algo que ele não fez).”

Göring ficou indignado e sentiu-se humilhado porque não seria executado perante um pelotão de fuzilamento, mas enforcado. Horas antes de subir na forca, ele cometeu suicídio mordendo uma cápsula de cianeto. Especulou-se que Kelly poderia ter dado o veneno a ele como um gesto de compaixão.

Contratransferência

As diferentes percepções de Gilbert e Kelly sobre o acusado podem ser causadas pela possível “contaminação” que pode afetar os especialistas pelo contato próximo com o paciente.

“Quando você se senta com alguém por horas a fio, algo passa para você como terapeuta”, explica Dimsdale.

“Todos nós temos sentimentos quando interagimos. Podemos não saber nada sobre o assunto (que analisamos), mas algo em sua voz ou como ele se comporta nos lembra de alguém que nós conhecemos no passado e fazemos uma transferência de como isso nos faz sentir. Às vezes são sentimentos positivos, outras vezes muito negativos.”

Como uma anedota perturbadora, Dimsdale observa que Kelly teve uma carreira bastante ativa nos dez anos seguintes após os julgamentos. Ele ministrou inúmeros seminários sobre o assunto, destacou-se como professor de Criminologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cercado de objetos coletados em Nuremberg.

Seu ritmo de trabalho era intenso, assim como seu alcoolismo e irritabilidade. No Ano Novo de 1958, após um acesso de raiva, ele cometeu suicídio na frente de sua família com cianeto.

“Deve haver algo incomum em sentar-se em uma prisão com esses criminosos de guerra”, diz Dimsdale.

“Eram celas pequenas, úmidas e escuras. Ambos se sentavam em uma pequena cama para conversar interminavelmente, em entrevistas e testes psicológicos, e dificilmente se pode imaginar o sentimento de horror destes psicólogos e médicos que tiveram que estar lado a lado com pessoas que perpetraram atos terríveis.”

No entanto, eles também ficaram incomodados por não terem encontrado uma “marca de Caim” definitiva nesses criminosos de guerra, afirma Dimsdale.

“Acho que eles ficaram surpresos por não estarem sentados ao lado de monstros.”

Resultados ocultos

Talvez por causa disso e das diferentes conclusões a que Kelly e Gilbert chegaram, os resultados do teste de Rorschach dos líderes nazistas seguiram secretos. Em diferentes momentos, houve tentativas de reanimar o interesse, mas nenhum dos analistas que receberam os testes quis responder sobre o que viram.

Décadas depois, a psicóloga Molly Harrower decidiu fazer uma “análise cega” dos resultados. Ela primeiro apagou os nomes que identificavam a qual criminoso os resultados pertenciam e os misturou com os resultados de outras pessoas, incluindo pastores religiosos, estudantes de Medicina, enfermeiras, executivos e delinquentes juvenis. Em seguida, ela os enviou a especialistas pedindo que os classificassem em grupos diferentes.

“Basicamente, não havia diferenças palpáveis entre os criminosos de guerra e o resto”, disse Dimsdale. “O resultado dessa experiência não revelou nada sobre as características psicológicas dos líderes nazistas.”

Hoje, os testes de Rorschach não são amplamente usados, de acordo com Dimsdale. Desde a década de 1980, são realizadas entrevistas diagnósticas psiquiátricas, e existe um Manual de Diagnóstico Estatístico para o estudo e tratamento de transtornos mentais que é atualizado anualmente.

“No campo da neurociência, o trabalho é feito no cérebro e no comportamento”, diz o professor. “Existem imagens cerebrais que podem ser apresentadas em tribunal como uma forma de defesa para argumentar que a pessoa acusada não é má, mas tem um cérebro defeituoso e, assim, consegue algum tipo de clemência. Este tipo de coisas acontecerá mais no futuro, será assunto de debate nos tribunais”, afirma.

“Teria sido mais confortável concluir que havia algo absolutamente, definitivamente único, profundamente maligno, patologicamente horrível nesses líderes nazistas”, diz ele.

“Eles têm que ser monstros. Isso é o que queremos que eles sejam. Se eles fossem qualquer coisa menos do que isso, temos que enfrentar a questão de ‘O que eu teria feito? Eu teria chegado tão longe?’ Essa é uma pergunta muito dolorosa e perturbadora para as pessoas.”

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Após derrota, Trump pede nova recontagem de votos na Geórgia

Vitória de Joe Biden no estado sulista já até foi certificada, mas Trump teve o direito de pedir mais uma contagem porque a margem se manteve abaixo de 0,5 ponto percentual. Derrotado nas urnas, o presidente americano acumula revezes na Justiça na tentativa de reverter a conquista democrata.

Por G1

A equipe de campanha de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos derrotado na tentativa de se reeleger, pediu no sábado (21) mais uma recontagem dos votos na Geórgia.

O estado no sudeste americano deu vitória ao presidente eleito Joe Biden. Porém, como a margem foi inferior a 0,5 ponto percentual, as cédulas foram contadas manualmente uma segunda vez. A nova contagem não viu mudanças significativas no resultado e manteve a vitória do democrata — que foi, inclusive, oficialmente certificada.

Ainda assim, a vantagem continuou dentro de 0,5 ponto percentual, e Trump teve direito a pedir mais uma recontagem. O procedimento, historicamente, não muda o resultado de eleições nos EUA. Desta vez, a nova apuração ocorrerá eletronicamente.

“O presidente Trump e sua campanha continuam a insistir em uma recontagem honesta na Geórgia, que precisa incluir a verificação de assinaturas e outras salvaguardas vitais”, disse a equipe do republicano.

É muito difícil que uma nova contagem mude o resultado das urnas, até porque a Geórgia já certificou a vitória de Biden por uma diferença de pouco mais de 12 mil votos. Até agora, as autoridades estaduais — que têm maioria republicana, mesmo partido de Trump — não encontraram nenhum indício de irregularidade.

“O sistema eleitoral da Geórgia nunca foi tão seguro e confiável”, garantiu o secretário de Estado, Brad Raffenspenger, que é do mesmo Partido Republicano de Trump.

Apesar da derrota, Trump insiste em batalha legal

As projeções do Colégio Eleitoral apontam que Biden venceu as eleições por 306 votos a 232 — a mesma margem que Trump obteve sobre Hillary Clinton em 2016. Mesmo assim, o atual presidente insiste que não perdeu a disputa e que foi vítima de fraude, sem no entanto apresentar nenhuma comprovação de qualquer irregularidade.

No sábado, o republicano perdeu mais uma ação judicial na Pensilvânia. Um juiz federal se recusou a descartar milhões de votos enviados por correio no estado — prática permitida há anos nos EUA — por falta de consistência na petição. Trump disse que vai recorrer, mas há poucas chances de que o resultado mude.

O presidente também viu fracassar sua tentativa de convencer lideranças republicanas de Michigan, outro estado-chave vencida por Biden, de que a eleição foi fraudada. Os parlamentares até admitiram que todo indício deve ser investigado, mas disseram que, até o momento, nenhuma irregularidade capaz de mudar o resultado foi encontrada.

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Gripe espanhola: a viagem em que o ‘navio da morte’ Demerara venceu bombardeios alemães e trouxe a doença ao Brasil

Romance histórico relembra trajetória do transatlântico britânico que, em 1918, fez um trajeto marcante entre a Europa e a América do Sul, onde desembarcou com um vírus mortal.

Por BBC

Os editores do jornal Gazeta de Notícias (1875-1942), do Rio de Janeiro, não estavam exagerando quando disseram, na edição do dia 16 de setembro de 1918, que o Demerara fez uma “péssima viagem”. Quando zarpou de Liverpool, no dia 15 de agosto de 1918, rumo a Buenos Aires, o comandante do navio inglês, J.G.K. Cheret, não fazia ideia dos percalços que enfrentaria pelo caminho.

Já no dia seguinte, 16 de agosto, levou o primeiro susto: por volta das oito da manhã, o Demerara foi atacado por dois submarinos alemães, em plena Primeira Guerra Mundial. Um deles chegou a disparar um torpedo que, segundo jornais da época, passou “a um metro da proa”. Os passageiros entraram em pânico e, temendo o pior, saíram à procura de “cintas salva-vidas” – o correspondente da época aos nossos coletes salva-vidas.

Com 562 passageiros e 170 tripulantes a bordo, o Demerara provavelmente teria afundado ali mesmo não fosse a intervenção salvadora de um porta-aviões inglês e de seis torpedeiros americanos, que abateram um dos submarinos e obrigaram o outro a bater em retirada. O jornalista e escritor Wagner G. Barreira explica que aquela não foi a primeira vez que o navio inglês travou uma autêntica batalha naval com submarinos alemães. “O Demerara foi o primeiro navio da marinha mercante britânica a afundar um u-boat. O capitão foi condecorado, ganhou prêmio. Mas, o vapor virou alvo da marinha alemã”, relata o jornalista.

O avô de Wagner, o galego Bernardo Gutiérrez Barreira, chegou ao Brasil numa das muitas viagens do Demerara e, quase um século depois, inspirou o neto a criar o protagonista de seu primeiro romance histórico, Demerara (Editora Instante, 2020).

Passado o susto inicial, o Demerara seguiu viagem. De propriedade da Royal Mail, o serviço postal do Reino Unido, o transatlântico fazia a rota Liverpool-Buenos Aires e transportava, além de passageiros, mercadorias (açúcar, por exemplo) e correspondências. Na viagem de volta a Europa, levaria carne e café, entre outras provisões.

“O movimento dos vapores, pelo menos de acordo com os registros da Autoridade Portuária de Vigo, na Espanha, diminuiu muito durante a guerra. Em primeiro lugar porque era perigoso cruzar o Atlântico, por causa dos submarinos alemães. Depois, porque os principais países da Europa estavam em guerra e os jovens – a massa de imigrantes – haviam sido convocados para as trincheiras”, contextualiza o jornalista.

Notícias do front

Depois de passar por Lisboa, o navio cruzou o Atlântico rumo ao Brasil. A travessia durou 25 dias. Em 9 de setembro, o Demerara atracou no Recife. Era a primeira das quatro escalas no litoral brasileiro: Recife, Salvador, Rio e Santos. “O Demerara era o navio que trazia e levava cartas do front. Em cada porto onde atracava, multidões aguardavam ansiosas por notícias dos soldados que lutavam na Primeira Guerra Mundial”, explica a médica Dilene Raimundo do Nascimento, doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora de História das Doenças da Fiocruz.

No Rio de Janeiro, onde o Demerara atracou no dia 15 de setembro de 1918, faltaram leitos para atender a tantos doentes e coveiros para sepultar tantos cadáveres — Foto: Biblioteca Nacional

No Rio de Janeiro, onde o Demerara atracou no dia 15 de setembro de 1918, faltaram leitos para atender a tantos doentes e coveiros para sepultar tantos cadáveres — Foto: Biblioteca Nacional

Com o porto do Recife em obras, os passageiros e suas bagagens, entre outras cargas, tiveram que desembarcar dentro de gigantescos cestos de pano içados por guindastes. “Não se tem notícia de quando o vírus (da gripe espanhola) subiu a bordo: se na escala anterior, em Lisboa, ou se o navio já zarpara infectado da Inglaterra”, explica a historiadora Heloísa Murgel Starling, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coautora de A Bailarina da Morte: a Gripe Espanhola no Brasil (Companhia das Letras, 2020), em parceria com a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

“Seja como for, uma vez em solo brasileiro, espalhou-se fácil e rápido, desde o Recife ao Rio de Janeiro, do litoral para o interior, através das ferrovias”.

Do Recife, o Demerara seguiu para Salvador, onde chegou em 11 de setembro. No trajeto, o capitão resolveu limpar a embarcação com creolina. Pouco adiantou. Na capital da Bahia, o descaso se repetiu: passageiros e tripulantes desceram à terra firme sem serem inspecionados pelas autoridades sanitárias. Duas semanas depois, o jornal A Tarde, fundado em 1912, contabilizava cerca de “setecentos enfermos” espalhados por todos os lugares: de quartéis a hospitais, de escolas a igrejas.

“Tanto no Recife quanto em Salvador, os governadores negaram a existência da gripe espanhola. Se o navio estivesse infectado, eles teriam que fechar os portos. Para não comprometer a economia local, preferiram deixar o Demerara partir, como se nada estivesse acontecendo”, registra Heloísa.

Bandeira amarela

O próximo destino era o Rio de Janeiro. Na Baía de Guanabara, em frente à Ilha das Cobras, uma bandeira amarela – sinal de doença a bordo – já tremulava no alto de um dos mastros. O inspetor de saúde do porto, José Maria de Figueiredo Ramos, examinou alguns passageiros – dois deles em estado grave – e constatou que o navio estava infectado.

Mesmo assim, o Demerara foi autorizado a atracar. Era 15 de setembro de 1918. Só na capital da República, desembarcaram 367 passageiros. Uns se queixavam de leve resfriado. Outros reclamavam de dores no corpo. Outros, ainda, com sintomas mais graves, como sangramento pelo nariz, boca e ouvidos, entre outros orifícios, tiveram que ser hospitalizados. Terminado o desembarque, o Demerara prosseguiu viagem. Embora grave, a doença não era contagiosa, garantiu o inspetor. Errado: era, na verdade, altamente contagiosa.

Àquela altura, a gripe espanhola já ganhara os mais inusitados apelidos: “catarro russo”, “mal das trincheiras”, “febre de três dias”… No Rio, deram-lhe mais um: “limpa velhos”, por acreditarem que o novo vírus atacava apenas a população idosa. “Muitos a descreviam como uma gripe corriqueira”, relata o infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro História das Epidemias (Editora Contexto, 2020). “Jamais imaginavam a mortandade de todas as faixas etárias”.

Muitas famílias colocavam seus mortos na calçada de casa para serem recolhidos pelas funerárias. Faltavam leitos para atender a tantos doentes e coveiros para sepultar tantos cadáveres. “De um dia para o outro, todo mundo começou a morrer. Os primeiros ainda foram chorados, velados e floridos. Mas, quando a cidade sentiu que era mesmo a peste, ninguém chorou mais, nem velou, nem floriu. O velório seria um luxo insuportável para os outros defuntos. Era em 1918. A morte estava no ar e repito: difusa, volatizada, atmosférica; todos a respiravam…”, escreveu o jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980) na edição do dia 8 de março de 1967 do jornal Correio da Manhã.

Rastro de destruição

E lá se foi o Demerara, rumo a Montevidéu, onde aportou em 23 de setembro. A bordo, a “bailarina” continuava a contabilizar vítimas. Em águas portenhas, o saldo já era de seis mortos e 22 infectados. Os jornais brasileiros tentaram alertar as autoridades do Uruguai. Mas o diretor de Assistência Pública daquele país, Horácio González del Solar, não lhe deu ouvidos. “Que exagero!”, desdenhou. Quando chegou a Buenos Aires, o Demerara finalmente passou por uma inspeção rigorosa. “As autoridades argentinas fizeram o que as brasileiras não tiveram coragem de fazer: segurar o navio e desinfetá-lo”, afirma Heloísa Starling.

O jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, classificou como "péssima" a viagem do Demerara e motivos para isso não faltaram — Foto: Biblioteca Nacional

O jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, classificou como “péssima” a viagem do Demerara e motivos para isso não faltaram — Foto: Biblioteca Nacional

Pelo menos cinco pessoas morreram durante o percurso: quatro passageiros, os portugueses Antônio Teixeira, Germana Moreira Valente, Gracinda Ferreira e Maria dos Anjos, e um tripulante, o espanhol Juan Cajal. Desses, só um recebeu o diagnóstico de influenza. “Os números de doentes a bordo variam muito de acordo com as fontes. Mas, se você imaginar que a terceira classe costumava lotar e o navio é um ambiente confinado, gerador de aglomeração, dá para intuir que o vírus correu solto”, observa Barreira. “A primeira onda da gripe não foi tão letal quanto a segunda. Derrubava, mas não matava. A segunda foi a que se espalhou pelo mundo, e foi ela que embarcou no Demerara”.

A maldição do Demerara?

Um dos primeiros jornais a noticiar o que todos já desconfiavam foi O Combate, de São Paulo. Na edição de 27 de setembro de 1918, estampou na primeira página: “A ‘espanhola’ já chegou ao Brasil”. Àquela altura, o Demerara já era conhecido pelo macabro apelido de “navio da morte”. Estima-se que, só no Brasil, a gripe espanhola tenha matado 35 mil pessoas. No mundo inteiro, a moléstia teria dizimado, segundo as estimativas mais conservadoras, 30 milhões de pessoas – quase quatro vezes o número de mortos durante a Primeira Guerra (1914-1918).

Em 10 de outubro de 1918, o então diretor geral de saúde pública, Carlos Seidl (1867-1929), o ministro da Saúde da época, convocou uma coletiva de imprensa. Diante de médicos e jornalistas, minimizou a epidemia, questionou os números e chamou os jornais de “irresponsáveis” e “sensacionalistas”.

Uma semana depois, o presidente da República Venceslau Brás (1868-1966) o chamou no Palácio do Catete e o demitiu. Em seu lugar, assumiu o médico Theóphilo de Almeida Torres (1863-1928), que convocou o sanitarista Carlos Chagas (1879-1934) para encabeçar uma força-tarefa contra a gripe espanhola. Na esperança de combater a moléstia, foram testadas as mais variadas receitas: de porções indígenas à base de ervas a um xarope de aguardente, limão e mel que, dizem, não mitigou o problema, mas, em compensação, deu origem à caipirinha.

O Demerara fez sua última viagem no finalzinho da década de 1930. O paquete inglês que, segundo historiadores, trouxe a gripe espanhola ao Brasil em 1918 não foi o único navio a ser batizado com o nome do açúcar originário da Guiana. Em 1872, um foi a pique, na primeira viagem que fez. Outro afundou com menos de um mês de uso. “Encontrei outro Demerara, um veleiro, azarado que só ele, um perrengue a cada viagem e que acabou naufragado”, relata Barreira.

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Terremoto atinge a costa central do Chile

Tremor de magnitude 6,2 teve epicentro no Oceano Pacífico, a 99 km da cidade de Concepción. Apesar da localização, não há alerta do tsunami, dizem autoridades chilenas.

Por G1

MAPA - Tremor no Chile — Foto: G1 Mundo

MAPA – Tremor no Chile — Foto: G1 Mundo

Um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a costa central do Chile neste sábado (21), informou monitoramento do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Nas redes sociais, moradores dos arredores da capital Santiago disseram ter sentido o tremor.

O epicentro está localizado no Oceano Pacífico, a 99 quilômetros da cidade de Concepción, com uma profundidade de 20 km. Apesar disso, segundo as Forças Armadas chilenas, não há risco de tsunami.

Até o momento, não há registro de danos a construções nem vítimas do terremoto. De acordo com o observatório sismológico dos EUA, há risco baixo de que edificações tenham sido afetadas.

O Chile fica localizado no Círculo de Fogo do Pacífico — região com alta atividade sísmica por causa dos encontros de placas tectônicas. Veja no MAPA abaixo.

Mapa identifica a região do Círculo de Fogo do Pacífico — Foto: Ciência/G1

Mapa identifica a região do Círculo de Fogo do Pacífico — Foto: Ciência/G1

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Mundo registra novo recorde de mortes por Covid; África ultrapassa 2 milhões de casos

É o 2º dia seguido que são registrados mais de 11 mil óbitos. Países mais afetados do continente africano são África do Sul (mais de 750 mil casos), Marrocos, Egito e Etiópia.

Por G1

O mundo registrou um novo recorde diário de mortes por Covid-19, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins.

Foram 11.274 óbitos na quarta-feira (18), contra 11.099 no dia anterior. É a quarta vez no mês que são registradas mais de 10 mil mortes em 24 horas.

A universidade americana tem um painel em tempo real que monitora o avanço da pandemia em todo o mundo. Ele é abastecido com dados oficiais e podem ser revisados e alterados.

A alta no número de mortes ocorre no dia em que os Estados Unidos, o país mais afetado pela pandemia, passaram de 250 mil óbitos.

Já são mais de 1,3 milhão de vítimas em todo o planeta, e os países com mais óbitos depois dos EUA são Brasil (167 mil), Índia (131 mil), México (99 mil) e Reino Unido (53 mil).

Balanço da Universidade Johns Hopkins de casos e mortes por Covid em todo o mundo na manhã desta quinta-feira (19) — Foto: Reprodução/jhu.edu

Balanço da Universidade Johns Hopkins de casos e mortes por Covid em todo o mundo na manhã desta quinta-feira (19) — Foto: Reprodução/jhu.edu

600 mil casos por dia

O mundo tem atualmente 56,3 milhões de casos registrados e bateu o recorde diário de infectados por três dias seguidos na semana passada.

Foram 644 mil casos na quarta (11), 646 mil na quinta (12) e 648 mil na sexta (13). Nesta semana, foram 609 mil novos infectados na terça (17) e mais 623 mil ontem.

Os países mais afetados são: EUA: (11,5 milhões de casos), Índia (8,9 milhões), Brasil (5,9 milhões), França (2 milhões) e Rússia (1,9 milhões).

Nesta quinta-feira (19), o Japão registrou pela primeira vez mais de 2 mil novos infectados. Foram 2.179 casos, contra 1.723 do recorde anterior, registrado no sábado (14).

Comparado a outros países, o Japão se saiu bem melhor no combate ao vírus. O país confirmou 122.966 infecções e 1.922 mortes desde o início da pandemia.

Coronavírus na África

A África ultrapassou os 2 milhões de casos e 48 mil mortes. Os dados são dos centros para controle e prevenção de doenças do continente.

Os 54 países africanos, que têm 1,3 bilhão de habitantes, concentram cerca de 4% dos infectados e óbitos do mundo. Os Estados Unidos são responsáveis por 20% do total global.

O país mais afetado é a África do Sul, que tem mais de 750 mil casos e 20 mil mortes. Na sequência vêm Marrocos (mais de 300 mil), Egito (mais de 110 mil) e Etiópia (mais de 100 mil).

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