Sem zaga titular e com Matheus Carvalho, Dal Pozzo arma Náutico para final

Por Rômulo Alcoforado — Recife

Globo Esporte

Náutico começou a tomar forma para o jogo da volta da final da Série C, contra o Sampaio Corrêa, no domingo. Nesta quarta-feira, o técnico Gilmar Dal Pozzo armou o time com três mudanças em relação ao duelo do último final de semana – em que, dentro de casa, o Timbu venceu por 3 a 1 e abriu boa vantagem na decisão.

Duas das mudanças foram no miolo da zaga. Camutanga e Diego Silva não treinaram por conta de desgaste muscular. São dúvidas para a partida. Fernando Lombardi e Rafael Ribeiro começaram, portanto, no time titular.

A outra alteração é no ataque: de volta após cumprir suspensão, Matheus Carvalho ocupou a ponta direita, no lugar de Danilo Pires.

A escalação alvirrubra foi a seguinte: Jefferson; Hereda, Fernando Lombardi, Rafael Ribeiro e Wilian Simões; Josa, Jhonnatan e Jean Carlos; Matheus Carvalho, Wallace Pernambucano e Álvaro.

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Guto Ferreira dá atenção especial a Adryelson para melhorar passe no Sport

Por Lucas Liausu e Emerson Paixão — Recife

Globo Esporte

Uma cena diferente marcou o treino do Sport desta terça-feira, no Centro de Treinamento José de Andrade Médicis. Enquanto todos os jogadores do elenco faziam um trabalho de aquecimento antes de iniciar de fato a movimentação com bola, Adryelson trabalhava em separado ao lado do técnico Guto Ferreira e de André Luís, um dos auxiliares do clube. O objetivo era fazer com que ele melhorasse o passe para que o time não sofra tanto com a saída de bola contra o Vitória, na próxima quinta-feira.

Adryelson vinha sendo titular do Sport desde o começo do ano, mas na última partida, diante do Operário-PR, perdeu a posição para Eder. A justificativa de Guto foi justamente por conta do passe na saída de bola.

– Adryelson estava sendo o ponto de aperto dos adversários nos últimos três jogos. Ele, embora esteja jogando pela esquerda, jogou a vida toda pela direita. Vem desempenhando bem, mas na saída de bola estava perdendo a confiança. O objetivo da entrada de Éder foi justamente melhorar isso. Tanto é que a nossa equipe não foi pressionada – disse Guto logo depois da vitória conta o Operário-PR.

A atenção especial no treinamento tem uma outra justificativa. Adryelson já vai precisar voltar ao time titular contra o Vitória, já que Eder foi expulso diante do Operário-PR e precisa cumprir suspensão automática.

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Com caras conhecidas, Santa Cruz fecha elenco para Copa Pernambuco

Por Daniel Gomes — Recife

Globo Esporte

A Copa Pernambuco começa neste sábado e, para o Santa Cruz, essa é a última oportunidade de colocar em ação quem ainda tem contrato com o clube e não está em atividade desde o final da Série C. Por isso o elenco coral para a disputa da competição tem algumas caras conhecidas entre os 24 nomes.

A única situação pendente é a do meia-atacante Luiz Felipe. Ele, que teve o contrato encerrado na última segunda-feira, ainda conversa com a diretoria sobre uma possibilidade de renovação. Jogadores como o lateral-direito Augusto Potiguar, os volantes Kadu e Italo Henrique e o meia-atacante Hericles, que estavam no elenco profissional, são nomes confirmados.

O goleiro Maycon – que também fazia parte do elenco profissional mas era quarto goleiro e quase nunca era relacionado para os jogos – é um dos atletas da base que vão jogar a Copa Pernambuco. Outros jogadores como o lateral-direito Carlos Augusto, o lateral-esquerdo Antônio Neto, o volante Zé Augusto e os meias Leozinho e Diniz eram do Sub-23. Atletas do Sub-20 também “subiram”: Italo Melo, Glawber e Rodrigo são exemplos.

Outros foram trazidos pelo treinador do Sub-23, Paulo Massaro, que também vai comandar o time na Copa Pernambuco. Entre os principais, estão o zagueiro Rangerson, que estava na base do Vitória e o atacante Tonzar, que estava no URT-MG emprestado pelo Botafogo-SP. O goleiro Samuel, o lateral-esquerdo Luizinho, o volante Leno foram outros trazidos.

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Jean Carlos afirma ter acerto encaminhado para seguir no Náutico em 2020

Por Rômulo Alcoforado — Recife

Globo Esporte

Um dos destaques da reta final da Série C do Náutico, o meia Jean Carlos já tem permanência nos Aflitos encaminhada para o ano que vem. O próprio jogador admitiu nesta terça-feira que conversou com a diretoria e que o acerto está engatilhado.

– Não posso mentir. Conversamos, sim, e já está tudo certo para ficar.

Jean, no entanto, preferiu não falar detalhes.

– Eu não posso mentir, mas também não posso falar toda a verdade. O que posso dizer é que está bem encaminhado, só faltando alguns detalhes.

Jean chegou no Náutico no decorrer da Série C. Ele disputou 10 jogos e marcou dois gols, um contra o Santa Cruz e outro, mais importante, diante do Paysandu – em pênalti cobrado aos 49 minutos do segundo tempo, que levou a disputa para os pênaltis, após os quais o Timbu conseguiu o acesso à Série B.

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Bruno Peres é elogiado por condição física, mas não tem data para estrear pelo Sport

Por Lucas Liausu — Recife

Globo Esporte

Sem jogar desde março, quando entrou em campo por 25 minutos no jogo do São Paulo contra o São Caetano, ainda pelo Campeonato Paulista, o lateral-direito Bruno Peres se apresentou ao Sport colocando uma dúvida de como estaria fisicamente. A condição física do atleta agradou o departamento físico do clube depois dos primeiros testes, mas ele ainda não será utilizado nos próximos jogos..

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– A gente fez algumas avaliações com Inaldo (Freire, fisiologista do clube) e achamos (Bruno Peres) com um nível bom, mas com alguns ajustes para a gente ir fazendo. Vamos ver se o mais breve possível, dentro do que a gente achar que seja uma margem de segurança, ele já seja inserido em situações de jogo – comentou Valdir Júnior, preparador físico do Sport.

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Apesar dos primeiros testes positivos, Bruno ainda tem sido observado com atenção pelos preparadores físicos do Sport. E os trabalhos de campo vão pesar nas decisões dos profissionais.

“Ele (Bruno Peres) está fazendo os treinamentos abertos e com durações maiores. Ele vai se familiarizando com os jogadores e com o sistema de jogo. Tem a avaliação que a gente faz de força, composição corporal, mas estamos de olho nas situações de campo. Ele é um jogador que tem lastro e isso é muito importante”, disse o preparador Valdir Júnior.

Por enquanto, é certo que o lateral-direito não vai jogar contra Vitória e CRB, nas próximas quinta e segunda-feira, mas deve ficar à disposição do técnico Guto Ferreira já depois disso.

– Essa semana é certeza que ele fica ainda um pouco com a gente na parte física e um pouco em campo. A partir da semana que vem acredito que a gente já possa dar uma data.

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Santa Cruz e executivo de futebol Nei Pandolfo se aproximam de acerto

Por Daniel Gomes — Recife

Globo Esporte

Santa Cruz está perto de anunciar Nei Pandolfo como novo executivo de futebol. É esperado que ele se encontre pessoalmente até o final desta semana com o presidente tricolor, Constantino Júnior, para bater o martelo. A informação foi confirmada pelo próprio Nei.

“Está tudo se encaminhando. Não sei se vou ao Recife nesta semana ou se o Constantino vem para São Paulo, mas ficamos de nos encontrar pessoalmente para definir algumas questões e, se tudo der certo, bater o martelo”, disse Nei Pandolfo.

O executivo e o Santa Cruz começaram a conversar há cerca de duas semanas. Na última sexta, o então executivo coral, Luciano Sorriso, confirmou o desligamento do clube.

Como jogador, Nei Pandolfo defendeu clubes como Guarani, Bragantino, Santos, Ponte Preta e Coritiba. Ele foi auxiliar técnico de Santos, Palmeiras e Atlético-MG, além de gerente de futebol no Bragantino, no Santos e no Botafogo-SP.

Como executivo de futebol, trabalhou no Sport, entre 2014 e 2016, quando ficou conhecido em Pernambuco. No Leão, conquistou a Copa do Nordeste de 2014 e o Campeonato Pernambucano do mesmo ano. Depois trabalhou no Bahia e no Guarani.

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Após cumprir suspensão, Matheus Carvalho deve voltar ao time titular do Náutico

Por Daniel Gomes — Recife

Globo Esporte

Náutico deve ter o retorno de Matheus Carvalho para a decisão da Série C, às 16h deste domingo, no estádio Castelão, em São Luís, no Maranhão. O atacante cumpriu suspensão no primeiro jogo da final – a vitória por 3 a 1, nos Aflitos, no último domingo – e, sendo assim, deve retornar à equipe na vaga de Danilo Pires. A confirmação só vai acontecer ao longo dos treinamentos da semana.

Neste ano, Matheus Carvalho já fez 20 partidas. Só na Série C foram 15, sendo 13 como titular. Os números mostram que ele deve ser utilizado na decisão. Outros jogadores que possuem o status de titulares vão ficar sob análise do departamento médico.

O primeiro é o zagueiro Camutanga, autor do segundo gol da vitória de 3 a 1. Ele saiu de campo sentindo dores musculares e ainda será reavaliado para saber se reúne condições de jogo.

– Vamos ver a avaliação do médico, espero que não seja problema para o jogo de lá – disse o zagueiro.

Outros dois jogadores que serão reavaliados pelo departamento médico são os atacantes Thiago e Rafael Oliveira. O primeiro ainda sente dores no tornozelo e o segundo está na transição física depois de sofrer uma lesão na panturrilha direita.

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Givanildo Oliveira conta história de quando lançou Richarlison: “Moleque danado”

Por GloboEsporte.com — Recife

Sem trabalhar desde que deixou o América-MG, em maio, o técnico Givanildo Oliveira relembra com carinho do dia em que fez surgir para o futebol um dos principais atacantes do Brasil: Richarlison, que atualmente defende o Everton, da Inglaterra, e a seleção. O jogador é cria do próprio Coelho, à época (2015) também comandado pelo treinador. A história foi contada no podcast Embolada.

– Teve um dia que eu perdi dois atacantes, coloquei Mancini e ele sofreu um estiramento. Eu tinha ido duas vezes no campo de cima, que era onde a base trabalhava. Um dia eu ouvi uma gritaria e perguntei ao Claudinho, que era auxiliar, e fui ver um jogo contra um time da segunda divisão. Ele (Richarlison) estava trabalhando pelo lado direito, eu não sabia nem o nome dele. Ele sempre foi aquilo ali (de ir para cima). Ele foi para dentro, os dois zagueiros bateram um no outro e eu disse: Que moleque danado.

O desempenho de Richarlison naquela partida em questão, agradou tanto que ele ganhou uma chance de ir para o banco de reservas na partida seguinte. E a esperada chance de jogar apareceu.

“Eu disse: ‘Claudinho (assistente), avisa ao Milagres (técnico da base) que eu quero esse moleque’. Ele ia fazer 18 anos. Ele foi para o banco. No jogo, Mancini não aguentou. A gente estava ganhando, aí ele entrou, fez outro e tranquilizou. Daí para frente ele disparou.”

Do dia em que foi chamado por Givanildo em diante, Richarlison não voltou para o banco de reservas. Ao todo, foram 24 jogos e nove gols pelo Coelho. De lá, foi transferido para o Fluminense e logo em seguida para o Watford. Desde 2018 está no Everton. A carreira no futebol inglês, no entanto, é uma incógnita para Givanildo.

– Quando ele entrou não saiu mais. Ele é muito habilidoso. Acompanhei os jogos dele no Fluminense, mas não sou muito chegado a assistir a esses jogos.

Tentando se recolocar no mercado de trabalho, Giva foca em assistir aos jogos da Série B. O motivo, segundo o próprio treinador, é que a competição é o alvo para buscar um novo clube.

– Eu assisto mais os jogos da Série B. Tenho que ser sincero, meu ramo é a Série B. Série A já trabalhei, mas muito pouco. Eu tenho que ver onde vem trabalho para mim. Tenho que assistir, porque é importante.

A entrevista completa, com histórias de bastidores inéditas do treinador, você pode escutar no Podcast Embolada.

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Dos perigos na periferia ao brilho no Japão: a história de Anderson Lopes, “irmão” de Walter

Por Daniel Gomes — Recife

Globo Esporte

O ano é 1999. Ladrões cercam um carro com armas apontadas para o motorista. Um deles entra no veículo enquanto o outro foge a pé. Respiração ofegante, revólver na mão, pernas velozes. Durante a fuga, o bandido corta um campo de futebol, interrompendo uma pelada disputada por crianças.

Debaixo de um sol de rachar, olhos pequenos ficam vidrados no revólver preto e brilhante.

– Anderson, sai logo daí! Corre para casa! – grita um conhecido.

E o garoto obedece. Apesar do perigo da situação, não esboça medo. A cena que acabou de presenciar é comum na comunidade do Coque, localizada na Ilha de Joana Bezerra, bairro do Recife.

Corta para 2019.

Anderson tem 26 anos. Com 16 gols em 22 jogos, é um dos destaques do Consadole Sapporo, do Japão. Da infância pobre e cercada de perigos, o refúgio para uma vida melhor é do outro lado do mundo. Longe da família. Muito longe do Coque. É ídolo em outro país – completamente diferente -, quando na própria cidade é um desconhecido.

A “culpa” de ter se tornado um jogador de futebol profissional é de Walter, revela Anderson. Para ele, 70% ou 80% da carreira está na conta do atacante que brilhou por Goiás, Fluminense e Athletico Paranaense – hoje afastado dos gramados por cair no doping.

Comportamento difícil na infância, amor pelo avô e pelo Sport

Anderson era uma criança difícil de lidar. Na escola, colecionava confusões. Vivia na sala da diretoria. Certa vez, foi até a dependência da limpeza, pegou uma garrafa de cloro e jogou na farda de um colega de turma. No meio da briga, rasgou a bolsa e o caderno dele. O motivo? Xingou a mãe de Anderson.

– Ele era assim. Fazia isso para me defender. Sempre foi muito apegado à família – relata Sônia, mãe do jogador.

Fora da escola, o jovem só queria jogar bola. Era amigo de vários meninos da comunidade. Uma rua depois da casa 17 da rua Vista Alegre, morava um parceiro em especial. Era Walter.

Os dois viviam para cima e para baixo nas ruas do Coque. Quase sempre reunidos em alguma pelada, no meio da rua ou no único campo de terra do bairro. Juntos, presenciaram várias cenas de violência.

“Uma vez, eu estava voltando para casa depois de uma pelada. Então vi um amigo nosso sentado na beira da calçada. Encostou um cara e deu três tiros nele. Isso em plena luz do dia. Todo mundo saiu correndo, foi um alvoroço. Lá no Coque era assim”, lembra Anderson.

– Esse rapaz que morreu era muito amigo de Anderson… – acrescenta Sônia.

Era normal “confundirem” Anderson com alguns acusados de roubo. Na comunidade que viveu e cresceu, o garoto era enquadrado por policiais. Era comum ser revistado.

– Eu tinha que dizer que morava perto. Que estava na minha rua. Que minha mãe e minha avó moravam perto. Sempre era preciso dar uma explicação a eles (os policiais), que toda vez vinham dizendo: “Mas você parece muito com fulano”. Isso era direto. Walter também já viu isso acontecer várias vezes.

A mãe de Walter, dona Edith, sustentava a casa com a venda de cosméticos. Batia de porta em porta com uma cesta na cabeça. Uma das portas que bateu, foi a de Sônia. Logo as duas se tornaram amigas.

Quando não estava com Walter, jogando bola, Anderson estava com o avô, José Edson – conhecido como Edinho. Rubro-negro doente, levava sempre o neto para a Ilha do Retiro. Gostava profetizar: “Um dia você vai jogar aí”, dizia ao garoto.

Gostava, ainda, de mandar recado. Só quem podia levar Anderson ao estádio era ele. Os amigos também iam, mas para outro setor. “Você só vai com seus amigos quando eu morrer”, bradava.

Quando Anderson tinha 15 anos, o avô, seu maior fã, faleceu.

– Sei que ele morreu porque atiraram nele. Mas até hoje eu não sei direito o motivo.

O garoto herdou a paixão pelo Sport. Certa vez, a patroa da mãe de Anderson – empregada doméstica de uma mesma casa por 25 anos – deu uma bola de futebol ao garoto. O problema: a bola tinha o escudo do Santa Cruz.

De tanta raiva, Anderson encheu o pé e soltou uma bomba tão forte que a bola, “dente de leite”, estourou na quina da parede.

– Eu sou Sport e a senhora me dá isso?

Walter, o empresário

A primeira cria do Coque a dar frutos foi Walter. Passou pela base do Vitória, do Internacional, foi seleção brasileira de base. E sempre que voltava para casa, enchia Anderson de mimos. Era perfume, creme, camisas e jaquetas de times. O tinha como um pupilo no futebol. Até que a coisa começou a ficar séria.

Anderson jogava na escolinha de futebol do Sport. Quem pagava a mensalidade era Roseana, então patroa da mãe de Anderson. Um olheiro o viu disputando um campeonato. E pediu o endereço da casa do garoto, que encheu os olhos com a oportunidade.

Chegando na casa de dona Sônia, o olheiro disse que Anderson tinha futuro. Queria fazer do garoto um jogador profissional. Então com 15 anos, Anderson insistiu para que a mãe o deixasse ir.

– Desculpa, meu senhor. Mas meu menino não vai. Eu nem lhe conheço e você quer tirar ele de mim?

O rapaz voltou a insistir. Foi na casa da mãe do menino outras duas vezes. Prometeu-lhe cestas básicas todo mês, além de R$ 50.

– Eu não moro debaixo da ponte e nem estou passando fome. Meu menino não vai.

Walter apareceu na história.

E garante que a história não foi bem assim. E que Sônia, mãe de Anderson, ficou balançada com a proposta do olheiro.

– A gente era muito simples. Eu tinha passado pelo São José, mas já estava no Internacional. Fui ao Recife nas férias e decidi levar Anderson comigo. A mãe dele ficou um pouco tentada a aceitar a condição do empresário, mas eu não deixei. Se o cara ofereceu R$ 50, eu disse que dava R$ 100, se fosse preciso, para deixar Anderson ir comigo, não com ele. E eu disse: “A senhora deixa ele ir?”

Sônia balançou. Disse que ia pensar. Anderson, ao lado da mãe, insistia para ir. E Walter também.

– O moleque joga bola, dona Sônia. Eu sei disso. Ele tem futuro – disse Walter naquele dia.

E Anderson foi. O destino era o São José-RS. Mas, depois de uma semana, o telefone da casa de Sônia tocou.

– Alô, Sônia?

– Oi, quem fala?

– É Rímoli, diretor das categorias de base do São José. Preciso falar sobre seu filho.

– Pode falar. Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu. Seu filho não vai mais ficar aqui. Vamos mandá-lo para o Internacional.

– Como assim? Só se passou uma semana.

– É, seu filho joga muito. Depois desse tempo, aconteceu essa oportunidade e vamos mandar para lá.

– Meu Deus…

– A senhora está achando ruim, é?

– Não, eu não.

E Anderson se foi mais uma vez. E de novo por causa de Walter.

– Eu fui para o Inter e falei de Anderson lá. Disse que ele era forte, canhoto, bom jogador. O pessoal do Inter foi observar e logo quis ele. Em menos de dois meses, Anderson estava no Inter. Eu o tenho como um filho.

Quando foi para o Internacional, Anderson morou na casa de Walter por três meses. E, na época, o garoto dava trabalho. Algumas vezes, para acordar o menino que não queria sair da cama, Walter apelava. Jogava água no rosto dele.

– Eu falava: “Negão, tem treino de manhã. Bora! Acorda!”. E ele ficava desorientado. Além de jogar água no rosto, eu ainda dava uns tapões. Só assim para ele acordar. Dava trabalho, viu?

Carreira embala sob conselhos, pesadelo na Coreia e tombo no Japão

Anderson ficou no Internacional até 2012, no Sub-20. Nunca atuou pelo profissional do Colorado e, em 2013, foi emprestado ao Avaí, mas só fez um jogo. Apresentou-se por 25 minutos, na última rodada da Série B. Quando voltou ao Inter, foi dispensado.

Walter tinha ido jogar no Porto-POR. E Anderson ficou sozinho. Sentiu muito. Começou a se deslumbrar, sentiu a falta de uma figura “paterna” e a produção caiu. Foi parar no Marcílio Dias-SC, no período em que Walter – que tinha perdido o contato com Anderson – foi jogar no Fluminense.

Os dois voltaram a se falar. Segundo Walter, houve muitos conselhos. Uma conversa franca e uma reaproximação. O cuidado com o pupilo, mesmo que de longe, acabou fazendo a diferença. No Marcílio Dias-SC, Anderson fez 15 jogos, marcou seis gols. E voltou para o Avaí, agora comprado e não mais emprestado pelo Inter.

No mesmo 2014, o pernambucano disputou 43 jogos pelo Avaí e fez seis gols. No ano seguinte, 42 partidas e 13 gols. Despertou o interesse do Athletico Paranaense. Não pensou duas vezes. Afinal, Walter estava lá.

“A gente tinha o sonho de jogar juntos no Sport. Mas isso aconteceu no Athletico. E foi tudo maravilhoso. Ali o sonho estava realizado. Ele, que sempre confiou em mim, dividindo o ataque do Athletico. Dois meninos do Coque juntos”, disse Anderson.

No Furacão, Anderson jogou 19 vezes e fez dois gols. Foi campeão paranaense ao lado do amigo, em 2016. E apareceu a primeira proposta do Japão.

O menino do Recife ia jogar em outro país pela primeira vez. O destino era Hiroshima, para atuar no Sanfrecce. No novo país, nenhum problema na adaptação. Três gols em nove jogos. Continuou em 2017. E fez 10, em 39 confrontos. Apareceu uma proposta para renovar, mas abaixo do que Anderson esperava. E aí o FC Seoul, da Coreia do Sul, entrou na disputa. Anderson pensou: “Não deve ser tão diferente do Japão”. Era.

Anderson recebia um bom salário, mas não tinha apoio do clube para resolver problemas extracampo. Com a esposa, Keity, e os dois filhos, Pedro e Marina, o atacante sofreu. Não tinha tradutores disponíveis para fazer tarefas simples, como matricular os filhos no colégio. Ninguém o ajudava.

– Eu mal sei falar inglês. E na Coreia, só falavam coreano. Como eu ia me virar? Eles pensavam que era só pagar em dia e pronto, você que se virasse. Eu era um estrangeiro, pela primeira vez ali. Foi um tiro no meu pé ter ido para a Coreia.

Certa vez, Pedro, o mais novo (hoje com quatro anos) ficou doente. Anderson pediu dispensa do clube para passar o dia com ele no hospital. Não deixaram. Anderson foi mesmo assim. E foi multado em quase metade do salário.

– Ele sofreu muito lá. Muito, muito. Falar com ele por telefone era uma aflição – lembra dona Sônia.

Quase no fim da temporada, o Consadole Sapporo fez uma proposta. Anderson aceitou. E os japoneses foram buscá-lo na Coreia do Sul.

De volta ao Japão, o começo não poderia ter sido melhor: quatro gols marcados na goleada por 5 a 2, diante do Shimizu S-Pulse. E um acidente. Na comemoração, Anderson pulou a placa de publicidade sem saber que existia um fosso por trás.

– Quando eu vi o vídeo, me assustei. Mas ele voltou logo para o jogo, né? E ainda fez mais gols – brincou a mãe.

Com 15 gols em 22 jogos e uma excelente temporada no Japão, Anderson garante que pouquíssimas coisas o tirariam do outro lado do mundo. A vida está estabilizada, o país é maravilhoso, os dois filhos bem adaptados… Não há motivos para sair de lá. Talvez ir para a Europa. Brasil? Não está nos planos.

– E se vier uma proposta do Sport? – pergunta este repórter.

– Aí você quer me quebrar…

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Santa Cruz quer estender parceria com Athletico para temporada 2020

Por GloboEsporte.com — Recife

A venda do atacante Elias ao Athletico Paranaense pode significar um capítulo importante na relação com o Santa Cruz. A intenção do presidente Constantino Júnior é ter o Furacão como parceiro para trazer peças e reforçar o elenco em 2020.

– Fomos muito bem recebidos (em Curitiba), tanto pelo vice-presidente Marcio Lara como pelo presidente do Conselho Deliberativo, o Mario Celso Petraglia. Sabemos que o Athletico é hoje um exemplo de formação, desenvolvimento do atleta. É importante que a gente estreite parcerias. Eles deixaram as portas abertas pois entendem o Santa Cruz como um clube grande, de tradição – disse Constantino em entrevista à Rádio Transamérica.

Nos últimos anos, Santa Cruz e Athletico acertaram o empréstimo de alguns jogadores. André Luís, que despontou no Tricolor em 2017 e hoje está no Fortaleza, foi emprestado pelo Furacão ao Santa ainda um ano antes, para o time Sub-20.

– Não é servir de ‘barriga de aluguel’. Temos exemplos recentes de atletas que chegaram e deram um passo adiante nas suas carreiras. O Athletico disputa o Estadual com um time Sub-23, com vários valores em desenvolvimento. E para esse processo, ceder a clubes como o Santa Cruz, de torcida, com pressão por resultado, é importante para forma – completou Constantino.

Em 2018, parceria com o Palmeiras

Ultimamente, o Santa Cruz está apostando em parcerias para reforçar o time. Em 2018 foi assim. Só que o clube da vez era o Palmeiras. Ao todo, foram três reforços trazidos: o lateral-direito Maílton, hoje no Operário-PR; o zagueiro Augusto, que está no Londrina-PR; e o volante Jhonny, que voltou para a base palmeirense.

Dos três, Augusto foi quem mais jogou. Jhonny teve uma passagem apagada pelo Arruda. Ainda nesta temporada, o Santa contratou mais um jogador do Palmeiras por empréstimo: o goleiro Anderson, que foi oficializado na última quarta-feira como novo reforço do Athletico Paranaense.

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