Idosa é atingida por bala na cabeça em São Gonçalo, RJ

Por Bom Dia Rio

Uma mulher de 65 anos foi internada em estado grave após ser baleada na cabeça na tarde de terça-feira em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio (30). Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.

A vítima, que não foi identificada, foi atingida na Rua Osório Dutra 373, no bairro Mutuaguaçu. Ela foi levada para o Hospital Estadual Alberto Torres, no bairro Colubandê.

São Gonçalo tem enfrentado problemas com a violência nos últimos dias, principalmente após a morte do traficante Schumaker, no complexo do Salgueiro.

A guerra pelo controle do conjunto de favelas deixou moradores sem sair de casa, com a instituição de toques de recolher e o fechamento do comércio, como aconteceu na terça-feira. Quatro corpos carbonizadosforam encontrados no bairro Jardim Catarina, próximo ao Salgueiro.

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Marido diz à polícia que ‘grandes ondas’ impediram resgate de Caroline

Por Arthur Costa, G1 Vale do Paraíba e região

Modelo Caroline BIttencourt caiu da lancha onde estava om o marido na tarde de domingo (28) — Foto: Reprodução/ Instagram

Modelo Caroline BIttencourt caiu da lancha onde estava om o marido na tarde de domingo (28) — Foto: Reprodução/ Instagram

O relato feito pelo empresário Jorge Sistini à polícia, após a localização do corpo da esposa Caroline Bittencourt no mar, aponta que ‘devido as grandes ondas’ a modelo foi perdida de vista durante a tentativa frustrada de resgate durante o vendaval que o litoral norte de São Paulo.Caroline foi cremada na tarde desta terça-feira (30) em Embu das Artes (SP).

G1 teve acesso ao boletim de ocorrência registrado por Jorge na segunda-feira (29), depois que o corpo foi encontrado perto da praia das Cigarras, em São Sebastião – a cerca de 4 quilômetros de onde ela tinha sido vista pela última vez.

O empresário, que ainda não deu entrevistas sobre o assunto, declarou à polícia que ele e a mulher navegavam pelo canal de Ilhabela, perto da marina Igarerecê, na altura do bairro Pontal da Cruz, em São Sebastião, quando ‘em razão dos ventos fortes, a vítima veio a cair no mar’.

Essa versão desmente o boato que dá conta que ela teria pulado na água para resgatar um cachorro.

Jorge contou ainda à polícia que ficou no mar por cerca de duas horas, tentando achar a esposa, quando foi resgatado por uma lancha particular que o encontrou.

Modelo Caroline Bittencourt é encontrada morta após cair no mar — Foto: Igor Estrella/G1

Modelo Caroline Bittencourt é encontrada morta após cair no mar — Foto: Igor Estrella/G1

Inquérito

Um inquérito foi instaurado nesta terça-feira para investigar a morte da modelo. Jorge será chamado a prestar depoimento ao delegado. A data não foi definida ainda.

O delegado Wanderley Pagliarini, responsável pelo inquérito, já adiantou que considera que houve uma ‘tragédia’.

“Nosso trabalho policial tem como foco avaliar se houve alguma irregularidade ou crime. Sabemos que o acontecimento se resume numa tragédia, mas o estado é responsável por apurar o que e como ocorreu efetivamente”, disse.

Além de Jorge, outra testemunha também deve ser ouvida: o marinheiro Roberto Tenório, que salvou o empresário.

A Marinha também faz uma investigação paralela, no âmbito administrativo, e fez uma perícia na embarcação que levava o casal na manhã desta terça-feira. Nenhuma informação sobre o trabalho foi divulgada pela Capitania dos Portos de São Sebastião.

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Hospitais de Porto Alegre autorizam visitas de animais de estimação a pacientes internados

Por Janaína Lopes, G1 RS

Phoebe e a dona Marieta Pasqualoti participaram de projeto do Hospital São Lucas, em Porto Alegre  — Foto: Divulgação/PUCRS

Phoebe e a dona Marieta Pasqualoti participaram de projeto do Hospital São Lucas, em Porto Alegre — Foto: Divulgação/PUCRS

Enfrentar uma internação hospitalar fica muito mais fácil com a companhia de animais de estimação. É no que apostam hospitais de Porto Alegre, em que a prática de permitir a visita de pets aos pacientes vem ganhando espaço. O São Lucas da PUCRS, por exemplo, anunciou recentemente que passou a autorizar a visita de cachorros de estimação aos pacientes.

Internados há mais de sete dias podem pedir para receber seus animais, no projeto batizado de Pata Amiga. Segundo a equipe do hospital, a iniciativa proporciona um contato que serve como terapia.

“A capacidade de brincar e doar amor diminui muito o estresse”, explica a diretora assistencial da instituição, Simone Ventura.

Para participar, é preciso ter autorização do médico que atende o paciente. O processo, esclarece o hospital, é acompanhado por colaboradores e de acordo com o combinado com a família. O animal precisa estar vacinado, com atestado veterinário e estar de banho tomado.

Marieta Pasqualotti, que passou por uma internação no hospital, recebeu a visita de Phoebe, sua cachorra. “Toda vez que a minha mãe tem que ficar internada, a nossa cadelinha fica muito triste”, conta a filha da paciente, Marilene.

“Quando ficamos sabendo que poderíamos trazer a Phoebe, a nossa família ficou muito feliz e, no dia da visita, foi muito emocionante para todos. A mãe se emocionou ao ver ela”, comenta a filha.

Uma das coordenadoras da iniciativa, a enfermeira Roberta Marco comenta que existem estudos sobre os benefícios psicológicos e fisiológicos das visitas dos animais de estimação para pessoas hospitalizadas.

“No São Lucas, as experiências vêm sendo muito positivas. Temos inúmeros relatos das equipes médicas sobre casos em que a ação trouxe uma grande e positiva evolução assistencial nesses pacientes”, diz.

Ações parecidas já aconteceram no Hospital Centenário, em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Há pouco mais de dois anos, a equipe médica se mobilizou para levar o cavalo de um paciente, que ganhou alta logo após a visita, em Porto Alegre.

Segundo o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre, além do São Lucas, o Hospital Conceição e o Independência possuem protocolos que permitem a visita de animais.

Cãozinho Buzz para alegrar crianças

As crianças atendidas pelo Instituto do Câncer Infantil do Hospital Criança Conceição recebem a visita do cãozinho Buzz uma vez por mês.

“Para as crianças que ficam a maior parte do tempo dentro de um hospital, o animalzinho traz um ambiente de humanização, dá mais força para o tratamento deles, deixando-os mais alegres”, contou Regina Jaeger, técnica em educação do HCC, que organiza as atividades lúdicas para os pacientes.

Uma internação representa um período em que a pessoa deixa sua rotina e precisa se privar de alguns hábitos em função do tratamento médico, como lembra Valquíria Inês Pacheco Martins, integrante da Gestão de Risco Assistencial do Hospital Nossa Senhora Conceição.

“É um momento em que ele sai de todo o seu contexto social. Contato e convívio com amigos, familiares, hábitos que estão acostumados entre outras coisas. Isso afeta nossos pacientes, pode gerar ansiedade, desconforto e aflição”, avalia.

A presença de um animal de estimação retoma o contexto de vida da pessoa, segundo Valquíria. “Traz benefícios ao paciente e até mesmo abrevia sua internação”, confirma.

Alzemiro Timm da Silva, 84 anos, foi um dos pacientes do Conceição que recebeu a visita de sua cachorrinha Júlia, durante uma internação após ter um infarto. “Ele é muito ligado com a cachorrinha. Ela adoeceu junto com eles [a esposa de Alzemiro, Marina Santos da Silva, também está internada]”, conta o filho do casal, André Santos da Silva. Foi aí que surgiu a ideia de trazer a cachorra para visitar Alzemiro. Alguns dias depois, ele teve alta.

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Mulher é atingida na cabeça por bala perdida no Recife

Por G1 PE

Delegacia do Ibura, na Zona Sul do Recife, investiga o caso — Foto: Reprodução/Google Street View

Delegacia do Ibura, na Zona Sul do Recife, investiga o caso — Foto: Reprodução/Google Street View

Uma mulher de 46 anos de idade foi atingida na cabeça por uma bala perdida no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife. O caso ocorreu na comunidade da Cohab, na noite da segunda-feira (29), e foi divulgado pela Polícia Civil nesta terça-feira (30).

A vítima foi identificada como Marilene Maria da Conceição Souza, de acordo com a polícia. Ela foi levada ao Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, no Centro do Recife. A bala ficou alojada entre a pele e um osso da cabeça, mas o crânio da mulher não chegou a ser perfurado pela munição, segundo a corporação.

O caso é investigado pela Delegacia do Ibura. O G1 entrou em contato com o Hospital da Restauração para obter informações sobre o estado de saúde da mulher e aguarda resposta.

Vítima foi levada para o Hospital da Restauração, na área central do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Vítima foi levada para o Hospital da Restauração, na área central do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Criança atingida por bala perdida

Na noite de domingo (28), uma menina de 10 anos foi atingida por uma bala perdida, em Camaragibe, no Grande Recife. Segundo a Polícia Civil, Ana Karoline Oliveira estava em um carro com a família na área onde tiros foram disparados contra um jovem de 18 anos. Lucas José da Silva, que era o alvo do crime, também ficou ferido.

O caso ocorreu perto de uma praça no bairro de Jardim Primavera. Lucas José, segundo a polícia, estava no local quando houve a abordagem. Ana Karoline deu entrada no HR, onde passou por cirurgia e tem quadro clínico estável. O hospital para onde Lucas foi levado não foi informado.

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Desemprego sobe para 12,7% em março e atinge 13,4 milhões de brasileiros

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,7% no trimestre encerrado em março, atingindo 13,4 milhões de pessoas, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da maior taxa de desemprego desde o trimestre terminado em maio de 2018, quando a taxa também ficou em 12,7%, reforçando a leitura de perda de dinamismo e recuperação mais lenta da economia neste começo de ano.

A taxa ficou 1,1 ponto percentual acima da registrada no 4º trimestre, quando o desemprego estava em 11,6% da força de trabalho. Frente a um ano antes, porém, o índice está 0,4 ponto percentual menor. No 1º trimestre do ano passado, a taxa estava em 13,1%.

O resultado apurado para os três primeiros meses de 2019 ficou ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. Média das previsões de 25 consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data apontava para uma taxa de 12,8% no primeiro trimestre deste ano.

Segundo o IBGE, a alta do desemprego no 1º trimestre representa a entrada de 1,2 milhão de pessoas na população desocupada na comparação com o trimestre encerrado em dezembro.

No trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego verificada pelo IBGE foi de 12,4%, atingindo 13,1 milhões de brasileiros.

A maior taxa de desemprego já registrada no país foi a do trimestre terminado em março de 2017 (13,7%). Já a mínima foi alcançada em dezembro de 2013, quando ficou em 6,2%.Evolução do número de desempregados.

população ocupada no país somou 91,9 milhões de pessoas, queda de 0,9% (meno 873 mil pessoas) em relação ao trimestre de outubro a dezembro.

De acordo com o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, a queda na ocupação já era esperada, devido a um movimento sazonal recorrente. “Sempre na passagem do 4º trimestre do ano para o primeiro trimestre há a dispensa de trabalhadores temporários que foram contratados para os eventos de final de ano”, afirmou.

O IBGE apontou também que a população fora da força de trabalho alcançou 65,3 milhões de pessoas, ficando estável frente ao trimestre encerrado em dezembro e crescendo 1% (mais 649 mil pessoas) na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

28,3 milhões de subutilizados, número recorde

Segundo o IBGE, a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 25% no trimestre encerrado em março, a maior já registrada pela série histórica iniciada em 2012, com alta de 1,2 p.p. em relação ao trimestre anterior (23,8%).

A população subutilizada também atingiu o número recorde de 28,3 milhões, com alta de 5,6% (1,5 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 3% (mais 819 mil pessoas) na comparação anual.

O grupo de trabalhadores subutilizados reúne os desempregados, aqueles que estão subocupados (menos de 40 horas semanais trabalhadas), os desalentados (que desistiram de procurar emprego) e os que poderiam estar ocupados, mas não trabalham por motivos diversos.

A subutilização foi puxada pela desocupação e pela força de trabalho potencial. O número de pessoas desalentadas subiu 3,9% (180 mil pessoas a mais) em relação ao trimestre anterior, atingindo 4,8 milhões de brasileiros. Já o contingente de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas se manteve estável em 6,8 milhões.

“Amanhã é dia do trabalho. Temos 28 milhões de pessoas que não devem comemorar a data”, disse Azeredo, que enfatizou ser o número da subutilização o “retrato mais real do mercado de trabalho”.

Subutilização recorde no paísem número de brasileirosDesempregados: 13.387Subocupados (que trabalham menos de 40 h por semana): 6.768Desalentadas: 4.843Fora da força de trabalho potencial: 3.326Fonte: IBGE

Cai número de empregados

Os números do IBGE mostram que houve queda tanto no emprego formal como no informal. Somando os trabalhadores do setores público e privado, houve uma redução de 771 mil no número de empregados no trimestre.

O número de empregados com carteira assinada caiu 0,1% na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, reunindo 32,9 milhões de pessoas, em meio à fraqueza da economia neste começo de ano.

O número de carteira assinada no país segue praticamente estável há 9 meses. Ela caiu até o trimestre terminado em junho do ano passado e a última vez em que ela cresceu foi no trimestre terminado em junho de 2014.

“A grande expectativa da retomada é quando voltar a crescer o número de carteira assinada. Esse vai ser o primeiro sinal de lanternas verdes no mercado de trabalho”, destacou Cimar Azeredo.

Já o número de empregados sem carteira assinada (11,1 milhões) caiu -3,2% em relação ao trimestre anterior (menos 365 mil pessoas).

Setor público lidera corte de vagas

Na análise por setor, as maiores quedas no número de ocupados foram na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com menos 332 mil pessoas, seguido por construção (perda de 228 mil pessoas), comércio (menos 195 mil pessoas), serviços domésticos (menos 112 mil pessoas ) e indústria (menos 110 mil pessoas)

A categoria dos trabalhadores por conta própria ficou estável na comparação com o trimestre anterior, reunindo 23,8 milhões. Em 1 ano, entretanto, houve crescimento de 3,8%, ou um acréscimo de 879 mil pessoas nessa condição.

O número de trabalhadores domésticos para 6,1 milhões, queda de 2,4% (menos 149 pessoas) na comparação com o trimestre anterior.Ocupação no Brasil por posiçãoEm número de pessoasEmpregado com carteira setor privado: 32.918Empregado sem carteira setor privado: 11.124Conta própria: 23.750Empregado setor público: 11.362Trabalhador doméstico: 6.108Empregador: 4.435Trabalhador familiar auxiliar: 2.166Fonte: IBGE

Rendimento

O rendimento médio real habitual (R$ 2.291) cresceu 0,7% frente ao trimestre anterior e avançou 1,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A massa de rendimento real habitual (R$ 205,4 bilhões) ficou estável contra o trimestre anterior e cresceu 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2018.

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Após passar por violência doméstica e câncer, mulher fica 5 anos em abrigo sigiloso para vítimas e cursa psicologia em SP

Por Glauco Araújo, G1 SP — São Paulo

Aos 22 anos, Claudia Cesar Costa foi apresentada pela madrinha a um rapaz com quem se casaria dois meses depois em Diadema, no ABC Paulista, em 1997. A lua de mel durou um ano e meio até ela receber o primeiro tapa no rosto. Em 10 anos de união, ela conta que foi espancada, teve o rosto cortado com faca, foi obrigada a vender drogas e ficou dois meses sem comer enquanto fazia quimioterapia para curar um câncer de mama.

Em momento de desespero após ouvir o marido dizer que a mataria, ela incendiou o barraco onde morava e se trancou com o ex-marido dentro em julho de 2007. Ela foi socorrida, prestou queixa à polícia e foi levada para para um dos dois imóveis do Programa Casa Abrigo, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Claudia ficou cinco anos no endereço, que é sigiloso para garantir a segurança das mulheres vítimas de violência.

Com a saída de três prefeituras do Consórcio, o Programa Casa Abrigo correu risco de acabar e, em abril deste ano, teve o orçamento anual reduzido de R$ 1,3 milhão para R$ 1 milhão (leia mais abaixo).

Nos 15 anos de funcionamento do Programa Casa Abrigo, 1.150 mulheres receberam assistência após sofrerem violência doméstica e 2 mil crianças também passaram pelo atendimento. Os dados são do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, no período entre janeiro de 2004 a fevereiro de 2019 (leia mais abaixo).

O que Claudia viria a saber no futuro é que ela era uma vítima potencial de feminicídio, mas escapou do ciclo da violência. Em São Paulo, o número de casos de assassinatos de mulher aumentou 76% no 1º trimestre de 2019, de acordo com levantamento feito pelo G1 e pela GloboNews. Nos primeiros três meses do ano, 37 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em 2018, foram 21.

“As educadoras do Casa Abrigo fizeram o papel da minha família. Quando fui para o abrigo eu pensei: ‘eu vou mudar de vida e vai ser aqui. Não queria mais aquela vida. Eu não tinha estudo, não sabia o que me falaram.'”

Claudia Costa, 43 anos, comemora a vida após sofrer tortura e violência doméstica durante 10 anos. Agressor está preso e hoje ela cursa psicologia — Foto: Glauco Araújo/G1

Claudia Costa, 43 anos, comemora a vida após sofrer tortura e violência doméstica durante 10 anos. Agressor está preso e hoje ela cursa psicologia — Foto: Glauco Araújo/G1

Hoje com 43 anos, ela considera o atendimento que recebeu nos cinco anos no Programa Casa Abrigo como essenciais para sua recuperação física e psicológica. “As educadoras do Casa Abrigo fizeram o papel da minha família. Quando fui para o abrigo eu pensei: ‘eu vou mudar de vida e vai ser aqui. Não queria mais aquela vida. Eu não tinha estudo, não sabia o que me falaram.'”

No período em que recebeu assistência, ela disse ter abraçado todas as oportunidades que lhe foram oferecidas para viver fora do ciclo da violência doméstica. “Na Casa Abrigo eu estudei, fiz curso de hotelaria, de gestão empresarial. Fiz o EJA [Educação de Jovens e Adultos], voltei a fazer o primário e fazendo a quimioterapia. Fiz o ensino médio pelo EJA também”, disse Claudia.

Emocionada, ela lembra do momento em que descobriu ter conseguido uma vaga na faculdade. “A educadora falou para a gente se inscrever no Enem e eu me inscrevi. Aí no dia da prova, eu fiz o as duas etapas do Enem mesmo sem ter como estudar. Eu não tinha os livros. As educadoras pegavam os livros delas e me emprestavam, o motorista trazia os livros que tinha e todo dia eles me cobravam a leitura.”

“Sabe preso quando sai em liberdade? Eu gritava na porta da faculdade: ‘eu passei, eu passei, era uma alegria tão grande. Para mim, passar na faculdade era fora da minha realidade. Então, eu fiquei eufórica. Eu chorava. Um dia me viram chorar de tristeza e depois me viram chorar de alegria.'”

Como as duas unidades do Programa Casa Abrigo ficam em endereços sigilosos, nenhuma mulher assistida pode acessar a internet. “Então, as educadoras me faziam estudar da meia noite até 1h. Quando fiz a prova e veio o resultado, elas começaram a gritar quando viram que eu tinha passado.”

Por conta das agressões sofridas ao longo dos 10 anos de casamento violento, Claudia ficou com sequelas no corpo. As assistentes sociais conseguiram que ela recebesse o Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), um salário mínimo, segundo Claudia.

Por conta disso, ela não teve direito ao Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo Federal. “Eu dizia que iria fazer faculdade. O moço me avisou que eu já tinha entrado na faculdade só com a nota do Enem. Sabe preso quando sai em liberdade? Eu gritava na porta da faculdade: ‘eu passei, eu passei, era uma alegria tão grande. Para mim, passar na faculdade era fora da minha realidade. Então, eu fiquei eufórica. Eu chorava. Um dia me viram chorar de tristeza e depois me viram chorar de alegria.”

“Em outro momento, ele quebrou a testa de um homem com uma pedrada, quando chegamos em casa ele riscou meu rosto com uma faca.”

O câncer

Antes de chegar à sala de aula, Claudia precisou encontrar forças que nem ela sabe de onde tirou para superar a violência do ex-companheiro e o tratamento de radioterapia e quimioterapia contra o câncer. O primeiro tapa que recebeu do ex-marido foi em 1998, depois de quatro anos, ele riscou o rosto dela com uma faca e passou a ameaçá-la de morte com um revólver.

“Ele usava drogas e estava na casa do vizinho. De lá ele achou que tinha um homem em casa e veio procurar esse homem, que não existia. Em outro momento, ele quebrou a testa de um homem com uma pedrada, quando chegamos em casa ele riscou meu rosto com uma faca”, disse ela.

Claudia lembra que o ex-marido era muito violento e agia dessa maneira cada vez mais impetuosamente. Além da tortura física, o ex-marido a agredia psicologicamente com tanta intensidade que ela passou a acreditar no que ele dizia. “Eu acreditava que aquela vida era a que eu tinha. Não tinha perspectiva de vida, não tinha nada. Meu ex-marido vivia me chamando de burra. Eu apenas acreditei por longos anos que eu era burra.”

Ela descobriu o câncer de mama há 12 anos, fazendo o autoexame. A pressa com o tratamento era latente, pois o nódulo já tinha sete centímetros. “Descobri o nódulo no fim de 2005. Como era fim de ano, tive de marcar consulta no começo de 2006. Falei para a ginecologista que tinha achado um nódulo e ele já estava um pouco grande. Da primeira consulta com a ginecologista até chegar ao hospital Mário Covas demorou um ano. Cada exame demorava cerca de 3 meses. Quando fui chegar ao especialista, o oncologista, já era outubro de 2006.”

“Eu acreditava que aquela vida era a que eu tinha. Não tinha perspectiva de vida, não tinha nada. Meu ex-marido vivia me chamando de burra. Eu apenas acreditei por longos anos que eu era burra.”

Claudia disse que sempre teve esperança de que o ex-marido melhorasse o comportamento e, principalmente, deixasse de lado as agressões físicas e psicológicas. “Meu ex-marido me proibiu de estudar, de trabalhar, teve uma época que ele me trancava em casa. Quando eu falei para ele que eu estava com câncer de mama, na minha inocência, eu achava que ele iria melhorar, mas piorou. O homem que era violento ficou ainda mais violento.”

“Só que eu já estava muito desgastada para a quimioterapia, nesse período ele disse que não iria comprar mais nada para comer em casa, então eu fiquei dois meses sem comer nada, nada, nada.”

Claudia não realizou a cirurgia por causa de mais um efeito da violência e tortura sofrida por ela dentro de casa. “Não pude fazer a cirurgia porque estava com anemia. O oncologista disse que eu ia fazer radioterapia, quimioterapia e um monte de exame. Lembro que eu perguntei quanto tempo eu tenho de vida e o médico disse que 50% estava nas minhas mãos e os outros 50% estavam na mão de Deus.”

Ela fez todo o tratamento escondida do ex-marido. “Ele começou a me ver saindo de casa para ir ao hospital, mas ele achava que eu estava com outro homem ao invés de estar me tratando. Meu tratamento estava previsto para durar um ano, mas não foi isso que aconteceu.”

Claudia disse que em julho de 2007 já tinha feito os primeiros ciclos de quimioterapia. Foram oito meses. “Só que eu já estava muito desgastada para a quimioterapia, nesse período ele disse que não iria comprar mais nada para comer em casa, então eu fiquei dois meses sem comer nada, nada, nada. Teve um período que uma vizinha me dava comida e falava para eu não lavar a louça para que meu ex-marido não desconfiasse. Ele me dava tapa, soco.”

“Estou livre! Agora eu posso ser quem eu sou, quem eu quero ser: a Claudia, que estava morta! Eu renasci.”

Coragem para denunciar

Em junho de 2007, Claudia completou dez anos de casamento com a violência. E, e em julho do mesmo, ela resolveu dar um basta. “Eu ouvi ele falar para um vizinho que iria me matar. A gente morava num barraco, aí no dia seguinte eu resolvi botar fogo em tudo. Lembro que coloquei álcool nas cortinas e risquei um fósforo. Fiquei em pé na porta e tranquei por dentro e falei: agora você vai ver quem mata quem.”

Claudia lembra que só não morreu porque a fumaça chamou a atenção de quem morava no bairro. “Por Deus minhas vizinhas foram conversar na frente de casa e começaram a tentar abrir a casa. Teve uma hora e eu estava em pé na porta, o fogo passou por trás de mim, atingiu a porta, mas não me queimou. Eu chorava descontroladamente e conseguiram me salvar depois de tanto molhar a madeira.”

Ela lembra que no dia seguinte avisou ao então marido que iria denunciá-lo à polícia. “Fui até a delegacia e fiz a denúncia. Os investigadores foram até a minha casa e acharam uma arma no armário. Eu comecei a prender meu marido neste dia. Peguei um saco com pertences pessoais, meu pote de remédios e fui embora.”

O ex-marido foi preso em 2012 após ser condenado pela Leia Maria da Penha. “Estou livre! Agora eu posso ser quem eu sou, quem eu quero ser: a Claudia, que estava morta! Eu renasci.”

12% das vítimas atendidas voltam a viver com o agressor

Segundo o levantamento feito pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, 38% das mulheres vítimas reportaram violência psicológica e 37% relataram violência física. Do total, 57% delas precisaram passar por atendimento de saúde por conta da gravidade das agressões.

Ainda de acordo com o Consórcio, 41,5% das mulheres têm entre 30 e 39 anos e 42% estão na faixa etária de 19 a 29 anos.

Entre as vítimas assistidas pelo programa, 41% tinham ensino médio e 36% tinham até o fundamental 2.

O levantamento também apontou que 49% das vítimas eram brancas e 36,5% eram pardas, de acordo com definição preconizada pelo IBGE.

A renda familiar de 1 a 2 salários mínimos foi registrada em 35% dos casos, até 1 salário mínimo em 34% dos casos.

Quando saem do atendimento do programa, 38% ficam com familiares, 31,5% conquistam a independência, mas 12% voltam a morar com o autor da violência.

Precarização do Programa Casa Abrigo

Desde 2004 as duas casas abrigo que atendem as mulheres vítimas de violência doméstica funcionam com orçamento compartilhado entre as sete prefeituras do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra).

No ano passado, uma crise política no Consórcio provocou a saída das prefeituras de Diadema, de São Caetano do Sul e Rio Grande da Serra, a entidade correu risco de deixar de existir durante a gestão do ex-presidente Orlando Morando. Com a eleição do atual presidente, Paulinho Serra, a entidade ganhou sobrevida e, por consequência, o Programa Casa Abrigo também.

A garantia da continuidade do programa só foi possível com a restruturação do orçamento anual, que era de R$ 1,3 milhão e passou a R$ 1 milhão desde março. Edgar Brandão, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, garantiu a continuidade do funcionamento do Programa Casa Abrigo.

“O atual orçamento, a licitação, foi preparada em 2012 e 2013, era outra realidade. Como vamos fazer uma nova licitação, mas não vamos cortar o programa, mas vamos otimizar o funcionamento. Por exemplo, temos uma van fixa para transporte, então, vamos alterar isso para uso de aplicativos”, disse ele.

Segundo Brandão, o valor da planilha de custo do programa será menor e com o mesmo atendimento e qualidade. “A Casa Abrigo é o carro-chefe do Consórcio. A violência contra a mulher está aumentando e jamais haveria corte desse tipo de atendimento. A gente foi ao Ministério da Família para pedir verba para abrir uma nova casa no ABC.”

Fiscalização

A luz de alerta acendeu diante dos olhos de entidades representativas dos direitos das mulheres no Grande ABC.

“As duas unidades atendem 40 vagas, incluindo mulheres e filhos. A gestão delas é feita pelo Consórcio mediante repasse das prefeituras. Desde o começo acompanhamos a implementação do programa, mas desde o ano passado ficamos em alerta com o risco de desmonte do consórcio e consequentemente a política do programa Casa Abrigo poderia ruir”, disse Cristina Pechtoll, ativista do Movimento de Mulheres e da Frente Regional de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher no ABC.

Ela teme que a redução do orçamento do programa possa refletir no atendimento destinado à mulher. “Lutamos pela continuidade com qualidade. Esperamos que a redução do orçamento não precarize ao atendimento. Isso nos preocupa muito, principalmente para não haver redução de vagas. O corte orçamentário é de 1/3, que chega a R$ 500 mil por ano”, afirmou Cristina.

“Fazemos uma avaliação sistêmica, pois está reduzida a política de divulgação de serviços assistenciais, como os Centros de Referência de Assistência Social (Creas). Se a população não sabe a da existência desses serviços, a demanda acaba diminuindo, mas não por falta de necessidade, mas por falta de informação. O perigo é que, com isso, a Casa Abrigo pode ter vaga ociosa, o que não reflete a realidade das mulheres que estão em risco de morte”, disse Cristina.

Para Dulce Xavier, militante do movimento feminista do Grande ABC e ex-secretária adjunta de políticas para mulheres na Prefeitura de São Paulo, “as casas abrigos são muito importantes porque é o local que abriga a mulher que está em risco de morte. Queremos a garantia de que esse programa não deixe de funcionar.”

Ele está preocupada com o crescente número de casos de violência contra a mulher e de feminicídios. “No momento em que em 2018 cresceu o número de violência contra a mulher e em 2019 a gente não para de ver os casos de feminicídio, a gente não pode imaginar que o programa como esse seja diminuído, na verdade, ele precisa ser aumentado. É preciso mais divulgação de espaços como esse. A mulher precisa se sentir segura para o tipo de apoio que ela irá receber para o rompimento da violência.”

Perfil das mulheres atendidas pela Casa Abrigo no ABC Paulista — Foto: Wagner Magalhães/ Arte G1

Perfil das mulheres atendidas pela Casa Abrigo no ABC Paulista — Foto: Wagner Magalhães/ Arte G1

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Hospital improvisa incubadora com recipiente plástico para atender bebê em UTI neonatal

Por Fabiana Figueiredo e Ângelo Fernandes, G1 AP — Macapá

Hospital de Santana improvisa incubadora com recipiente de plástico em UTI neonatal para atender bebê — Foto: CRM-AP/Divulgação

Hospital de Santana improvisa incubadora com recipiente de plástico em UTI neonatal para atender bebê — Foto: CRM-AP/Divulgação

Entre paredes com mofo e infiltrações e crianças internadas pelos corredores do Hospital Estadual de Santana, uma cena chama a atenção: uma recém-nascida, de apenas 900 gramas, é mantida viva com ajuda de uma incubadora improvisada de recipiente plástico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.

A cena é o retrato do que os profissionais do hospital fazem para tentar manter a saúde de prematuros e outras crianças com os recursos que têm disponíveis. O Governo do Estado do Amapá (GEA) afirma que investe em reformas estruturais e que demanda reforço de profissionais (veja o posicionamento completo no fim desta reportagem).

Ala de pediatria é a mais preocupante do Hospital Estadual de Santana — Foto: CRM-AP/Divulgação

Ala de pediatria é a mais preocupante do Hospital Estadual de Santana — Foto: CRM-AP/Divulgação

O flagrante foi feito durante uma vistoria dos conselhos regionais de Medicina (CRM) e de Enfermagem (Coren) do Amapá, na sexta-feira (26). Na fiscalização, as entidades identificaram mais de 80 irregularidades na unidade de saúde que funciona da região central do município que fica a 17 quilômetros de Macapá.

Na UTI neonatal do hospital, cinco bebês precisam de incubadora, mas só uma estava em pleno funcionamento na sexta-feira. Para tentar salvar as crianças, os médicos improvisam para garantir a respiração e temperatura dos bebês.

“O número de leitos é insuficiente. […] Isso é uma gambiarra. É muito frequente profissionais da saúde fazerem isso para a gente poder dar uma chance de vida àquele prematuro. Essas crianças precisam de atenção, precisam manter a temperatura, e sem isso, compromete o tratamento”, relata o presidente do CRM no Amapá, Eduardo Monteiro.

Mãe cuida de bebê internado; banco de madeira virou leito — Foto: CRM-AP/Divulgação

Mãe cuida de bebê internado; banco de madeira virou leito — Foto: CRM-AP/Divulgação

O Hospital Estadual de Santana é uma unidade que possui setores para atendimentos de urgência e emergência (pronto-socorro), laboratório, UTI e semi-intensiva adulto, UTI neonatal, e enfermarias adulto e infantil.

Além da situação do setor que atende as crianças prematuras, a vistoria apontou infiltrações, paredes com mofo, fiações elétricas expostas, folhas de compensado no lugar de janelas, torneiras danificadas, aparelhos quebrados e falta de remédios, equipamentos e de profissionais, entre outros.

Na pediatria, o setor com mais irregularidades, há superlotação com falta de leitos; e dois médicos e uma equipe reduzida de enfermeiros e técnicos que atendem, em média, 250 crianças no período de 24 horas.

“É ruim a situação. Não só pra mim, mas para todas as mães que estão aqui”, comentou a dona de casa Selma Viegas, que acompanhava o filho no hospital.

Vistoria identificou infiltrações e mofo nas paredes do hospital em várias alas — Foto: CRM-AP/Divulgação

Vistoria identificou infiltrações e mofo nas paredes do hospital em várias alas — Foto: CRM-AP/Divulgação

Por falta de leitos na enfermaria, 44 pacientes eram atendidos em cadeiras improvisadas e bancos de madeira pelos corredores na sexta-feira.

“Eu passei a noite com a criança no colo. Quem vai conseguir dormir num pau desses? Tá vendo como está esse banco? Tá horrível o banco, né? E a criança tem que ficar no banco”, relatou a diarista Railane Martins.

Problema dividido com a dona de casa Ariane Ribeiro, que está há dias com o filho de 11 meses internado com pneumonia.

“É muito ruim. É péssimo. Porque tem muita gente, muita criança aqui, muitas bactérias circulando aqui, aí meu filho pode contrair uma outra doença, além da que ele tem”, reclamou.

Apesar de ter camas, quartos também têm bancos que são usados como leitos — Foto: CRM-AP/Divulgação

Apesar de ter camas, quartos também têm bancos que são usados como leitos — Foto: CRM-AP/Divulgação

Enquanto os corredores estão lotados de crianças, o laboratório da unidade está quase vazio. Com equipamentos em falta, uma funcionária não identificada conta como os materiais descartáveis são reaproveitados.

“Esses aqui são os tubos de hemograma. A gente lava. Despreza o sangue e lava. Esse aqui tudo bem, que vai na estufa. Mas os coletores de urina, esses aqui, só são lavados com água sanitária e sabão porque eles não vão para a estufa porque são plástico. É reaproveitado. Não tem. O que a gente pode fazer?”, detalhou.

Os problemas, segundo o CRM, são consequências da falta de estrutura, de equipamentos e de pessoal, o que arrisca a vida dos pacientes que precisam do serviço. Ele cita que o município já deveria ter um hospital infantil.

“Não eram leitos, eram cadeiras, bancos, macas. É uma preocupação grande porque quando se tem um número grande de pacientes a serem internados com número insuficiente de profissionais, a probabilidade de cometer algum equívoco é muito grande, assim como proliferação de doenças”, ressaltou o presidente só CRM.

Vistoria cita superlotação e alta demanda para hospital — Foto: CRM-AP/Divulgação

Vistoria cita superlotação e alta demanda para hospital — Foto: CRM-AP/Divulgação

Os conselhos informaram que encaminhariam o relatório com os apontamentos ao governo do Estado na segunda-feira (29). O texto também será enviado ao Ministério Público do Amapá (MP-AP) e ao Ministério Público Federal (MPF) para que tomem medidas judiciais.

Enquanto a situação não melhora, a dona de casa Divina Silva Santos, que divide um banco com duas crianças internadas, lamenta a situação.

“Com essa quantidade de crianças doente é difícil a situação. A gente tem que ficar no corredor. Tem muita gente no corredor de um lado para o outro. Está bem difícil a situação. Criança chegando a todo momento. Não sai. Só chega, chega”, lembrou.

O que diz o governo?

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou, em nota, que até o início da tarde de segunda-feira, ainda não havia recebido o relatório referente à inspeção no Hospital Estadual de Santana.

O documento também afirma que a Sesa, dentro da capacidade financeira orçamentária, tem realizado readequações como a reforma de setores da unidade, reforço de servidores de enfermagem, reabilitação e administrativo, além da aquisição de mobília e equipamentos hospitalares.

A Sesa reforçou ainda que não tem medido esforços para manter a qualidade e celeridade na prestação dos serviços que são indispensáveis para a população.

A pasta reitera, porém, que as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) – de responsabilidade da prefeitura – são os locais responsáveis pelos atendimentos primários de menor complexidade. As demandas da atenção básica representam mais de 60% dos atendimentos do Hospital de Santana, o que compromete a assistência de urgência e emergência, lembrou a Sesa.

Problema crônico

No fim de 2018, o acompanhante de um paciente fez imagens da pediatria com corredor e banheiro sujos, muito papel jogado no chão, e piso com lama. Em setembro de 2018, uma visita da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) registrou o mesmo cenário de sexta-feira, crianças sendo atendidas nos bancos e corredores da unidade.

As dificuldades enfrentadas pelo Hospital de Santana podem ser vistas em outras unidades de saúde, como o Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima, o maior do estado, que fica em Macapá; o Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e o Hospital de Emergência em Macapá também na capital; e em lugares como a Unidade Mista do município de Amapá, mostrado este mês pelo G1.

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Decisão do Supremo sobre IPI não contribui para resolver problema fiscal, diz Paulo Guedes

Por Yvna Sousa, TV Globo — Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (29) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de validar um incentivo tributário para a compra de insumos da Zona Franca de Manaus não contribui para resolver o problema fiscal do país.

Na semana passada, o STF reconheceu o direito de contribuintes aos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de insumos produzidos na Zona Franca de Manaus.

Na prática, a decisão permite às empresas que compram componentes das indústrias da região o recebimento de crédito tributário, como se o valor do IPI tivesse sido pago.

“Eu não vou criticar o Supremo do ponto de vista jurídico. Agora, do ponto de vista econômico, você devolver impostos que não foram pagos, você não contribui para resolver o problema fiscal brasileiro”, declarou Guedes.

Impacto da medida

Segundo Paulo Guedes, com a decisão do Supremo, será criado um “buraco adicional” de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões nas contas públicas, o que “dificulta” a solução do problema fiscal.

Os valores estão acima do montante informado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no julgamento da ação, que estimou gasto adicional de R$ 16 bilhões por ano com a medida.

Pela estimativa do governo federal, o déficit nas contas públicas chegará a R$ 139 bilhões neste ano.

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Morte da universitária Natália Costa foi acidental, conclui Polícia Civil do DF

Por Pedro Alves, G1 DF

Natália Costa foi encontrada morta no Lago Paranoá — Foto: Reprodução/Instagram

Natália Costa foi encontrada morta no Lago Paranoá — Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito que investigava a morte da estudante Natália Costa, 19 anos. Segundo as apurações, a jovem se afogou acidentalmente. “Não houve homicídio”, afirmou o delegado-chefe da 5ª DP, Gleyson Mascarenhas.

Apesar da conclusão de óbito acidental, o jovem Wendel Yuri de Souza Caldas, 19 anos, que chegou a ser investigado por envolvimento na morte da estudante, foi indiciado por omissão de socorro. De acordo com o delegado, apesar de estar embriagado, o rapaz deveria ter procurado socorro para a vítima.

“Acreditamos que, naquele momento em que a vítima estava se afogando, ele não tinha condições físicas de prestar socorro. Por estar embriagado. Mas nós também não podemos afirmar que ele não tinha condições de pedir ajuda”, explicou Mascarenhas.

O crime é de menor potencial ofensivo e a pena-base varia entre um e seis meses de reclusão. Como no caso a jovem morreu, a sanção pode ser triplicada. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do DF, que decidirá se apresenta denúncia contra o rapaz.

Investigação

O caso ocorreu no dia 31 de março. Segundo a investigação da polícia, Wendel Yuri estava embriagado e desacordado em um parquinho próximo a um clube da Marinha, no Lago Sul, onde ele e Natália aproveitavam uma festa. Os dois não se conheciam, de acordo com o delegado.

Em determinado momento, a jovem teria se aproximado e jogado um copo de bebida na cabeça dele. A apuração indica que os dois iniciaram então uma brincadeira. Eles teriam rolado na grama juntos e mordido um ao outro.

Depois, decidiram entrar no lago. Segundo a Polícia Civil, ambos mergulharam, mas Natália não retornou à superfície.

A investigação apontou que existe um declive entre 2,5 metros e 3 metros próximo à região onde os dois mergulharam, o que pode ter causado o afogamento da jovem.

A polícia diz que após perceber que a estudante não havia retornado, Yuri teria tentado procurá-la. Sem sucesso, ele acabou saindo do lago e retornando à festa. O corpo de Natália foi encontrado no dia seguinte.

Críticas

Ao informar as conclusões do inquérito, o delegado também comentou afirmações críticas feitas por representantes da família da vítima, que pediam mais “transparência” nas investigações. Segundo o delegado, o inquérito foi bem fundamentado.

“Com relação a essa alegação de que a polícia não investigou a fundo, ela não tem base nenhuma. Nós ouvimos 35 pessoas durante a investigação, 32 delas estavam no churrasco. Foram produzidos diversos laudos. A questão é que as investigações às vezes não agradam determinada parte”, argumentou.

O delegado também afirmou que o pedido da família de Natália para que fosse realizada uma reconstituição dos fatos “não tem utilidade nenhuma”. De acordo com Gleyson Mascarenhas, a dinâmica do ocorrido já foi esclarecida e a única pessoa que poderia participar da reconstituição, o jovem Wendel Yuri, já indicou que não tem interesse.

No último dia 24, familiares de Natália Costa fizeram uma manifestação em frente à 5ª DP, onde o caso era investigado. O ato ocorreu no dia em que a jovem completaria 20 anos de idade. Além de pedir mais clareza na investigação, o grupo soltou balões brancos, bateu palmas para homenagear a estudante e fez uma oração.

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Torcedores do Corinthians que voltavam de jogo contra o Bahia em Salvador ficam feridos após ônibus tombar na BR-116

Por TV Sudoeste

Torcedores do Corinthians ficam feridos após ônibus tombar na BR-116, no sudoeste da Bahia  — Foto: Divulgação/PRF

Torcedores do Corinthians ficam feridos após ônibus tombar na BR-116, no sudoeste da Bahia — Foto: Divulgação/PRF

Torcedores do Corinthians ficaram feridos depois que o ônibus em que eles estavam tombou, na madrugada desta segunda-feira (29), no Km-805 da BR-116, região da cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus envolvido no acidente foi fretado pela torcida do Corinthians para ir à partida entre o time paulista e o Bahia. O jogo foi realizado na tarde de domingo (28), na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Conforme a polícia, 14 pessoas ficaram feridas. Algumas foram levadas para o Hospital Regional de Vitória da Conquista, enquanto outras foram divididas entre uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da cidade e o Hospital São Vicente, também no município. Não há detalhes de quantas pessoas estão em cada unidade, nem o estado de saúde delas.

Após a partida, que terminou por volta das 18h, a torcida entrou no veículo com destino a São Paulo. Por volta das 4h desta segunda, havia um nevoeiro na rodovia, e o motorista do coletivo perdeu o controle da direção, fazendo com que o ônibus tombasse na pista.

O coletivo caiu em um desnível de área verde, próximo ao acostamento da rodovia. O acidente não bloqueou o trânsito.

O veículo perdeu o para-brisas, mas a polícia não detalhou se foi por conta do impacto ou foi quebrado para possibilitar a saída dos feridos.

Torcedores ficaram feridos após ônibus tombar na BR-116, em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano — Foto: Divulgação/PRF

Torcedores ficaram feridos após ônibus tombar na BR-116, em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano — Foto: Divulgação/PRF

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