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Inflação se espalha e afeta 8 em cada 10 itens pesquisados pelo IBGE

Índice de difusão saltou para 78,7%, maior patamar já registrado para meses de abril e maior nível desde fevereiro de 2003, o que indica que a inflação deve continuar pressionada pelos próximos meses.

Por Darlan Alvarenga, g1

A inflação segue sem dar trégua no país e passou a afetar uma quantidade maior de preços. O índice de difusão da inflação, que mede a quantidade de produtos e serviços que subiram no mês em relação ao total de itens pesquisado pelo IBGE, saltou para 78,7% em abril, de acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, que é considerado a prévia da inflação oficial do país.

Isso significa que praticamente 8 em cada 10 itens pesquisados ficaram mais caros.

Levantamento do Banco Modal, a partir da série histórica do IPCA-15, mostra que o índice de difusão foi o maior já registrado para meses de abril e o mais elevado para um mês desde fevereiro de 2003, quando ficou em 78,9%.

Em abril do ano passado, estava em 61%. Em dezembro de 2021 ainda estava abaixo de 70% e, em março deste ano, chegou a 75,5%.

Mais do que refletir a escalada dos preços, o indicador revela que a inflação está mais espalhada. “Um índice de difusão maior representa que o processo inflacionário está mais disseminado, dificultando o seu controle”, explica Felipe Sichel, economista-chefe do banco Modal.

Ou seja, as altas que eram mais pontuais ou concentradas em alguns grupos ou “vilões” ganharam um efeito dominó e estão sendo transmitidas para o conjunto geral de preços.

Dos 367 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, 289 ficaram mais caros em abril. Veja aqui a inflação para cada um dos grandes grupos.

O resultado da inflação oficial de abril será divulgado pelo IBGE no dia 11. Puxada pela alta dos combustíveis, a prévia da inflação registrou a maior alta para o mês desde 1995, com a taxa no acumulado em 12 meses chegando a 12%. Já são 8 meses seguidos com a inflação anual acima dois dígitos.

Índices de difusão acima de 75% costumam ser raros. O levantamento do Modal mostra que, desde o final de 1999, taxas nesse patamar só foram registradas 11 vezes. O pico histórico foi registrado em dezembro de 2002 (86,7%).

O especialista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE) explica que a inflação tem se sustentado em patamares mais elevados em meio aos choques provocados pela pandemia de coronavírus e pela guerra na Ucrânia.

“O índice está superalto, quase encostando em 80%. Acima de 70% é raramente visto. Isso mostra o espalhamento das pressões inflacionárias. A inflação está bem espalhada entre todos os segmentos de despesas”, afirma Braz.

Preço médio da gasolina sobe 33% nas bombas em um ano, aponta ANP

Inflação vai dar trégua?

O Itaú, por exemplo, projeta IPCA de 1,01% em abril, recuando para 0,29% em maio e passando para 0,46% em junho.

Apesar da inflação persistente e mais espalhada, a expectativa dos analistas é que ela apresente alguma desaceleração a partir dos próximos meses.

Entre os fatores que devem contribuir para uma menor pressão inflacionária está o fim da bandeira tarifária escassez hídrica e início de bandeira verde, o que tende a baratear ao menos temporariamente o custo da energia elétrica e atenuar os reajustes nas contas de luz.

“Outro fator importante é que os preços dos combustíveis estão mais estáveis. A gasolina e o diesel não estão no radar com tendência de alta. Isso vai fazer com a que a participação deles na inflação também desacelere um pouco. Com isso, a expectativa é que o índice de difusão também deve ceder um pouco”, avalia Braz.

Para tentar frear a inflação, o Banco Central tem elevado a taxa básica de juros, que está atualmente em 11,75% e deve subir novamente nesta semana. O mercado projeta a Selic chegando a 13,25% ao ano no final de 2022.

“Mais do que dizer se o índice de difusão subirá mais ou menos, pode-se dizer que o índice de difusão tão elevado provavelmente indica que a inflação ficará pressionada pelos próximos meses“, alerta Sichel.

mercado financeiro elevou para 7,89% a estimativa para a inflação fechada neste ano, de acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central. Foi a 16ª alta seguida no indicador. No entanto, desde o ano passado, os analistas já preveem que a inflação fechará pelo 2º ano seguido acima do teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.

Em 2021, o IPCA somou 10,06%, o maior desde 2015.

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Condomínio na Bahia tem prédios com nomes de empregadas domésticas que lutaram por direitos

‘Reconhecimento por tudo que passamos’, diz trabalhadora que mora no Conjunto Habitacional 27 de abril, no bairro do Doron, em Salvador.

Por João Souza, g1 BA

O Conjunto Habitacional 27 de abril, no bairro do Doron, em Salvador, é diferente de todos os outros da localidade: as donas dos 80 apartamentos são todas mulheres e trabalhadoras domésticas.

Como nome alusivo ao Dia Nacional das Domésticas, o condomínio é formado por quatro blocos. Cada prédio recebeu o nome de ex-diretoras fundadoras do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado da Bahia (Sindoméstico-BA). Maria José Alves, Maria das Graças e Teófila Nascimento foram homenageadas após a morte por causa da luta pelo direito das trabalhadoras no estado.

O nome do quarto prédio também homenageia uma trabalhadora doméstica, Lenira Carvalho. Essa, pernambucana, mas que teve atuação inspiradora para o movimento sindical na Bahia.

Formado por quatro blocos, cada prédio recebeu o nome de ex-diretoras fundadoras do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos — Foto: João Souza/g1

No condomínio, os relatos das moradoras sobre situações vividas no ambiente de trabalho são semelhantes. As lembranças são do passado marcado por humilhações e ameaças.

“Eu conheci a liberdade depois que a vizinha da minha patroa me ajudou a fugir, isso tem anos. Se não fosse por ela, hoje eu seria uma Madalena”, conta a doméstica e cuidadora de idosos, Valdirene Boaventura, moradora do condomínio.

Madalena Santiago da Silva, citada pela doméstica, foi resgatada de uma situação análoga à escravidão, em 2021, após trabalhar 54 anos sem receber salário. A história da doméstica repercutiu após ela afirmar, durante entrevista à TV Bahia, que tem medo de pegar na mão de pessoas brancas.

Após tantas situações que trouxeram decepções com o trabalho de doméstica, as moradoras do condomínio em Salvador contam que o momento de felicidade chegou em suas vidas quando conseguiram conquistar um lar seguro.

A construção do Conjunto Habitacional 27 de Abril foi concluída em 2012, através do Programa Casa da Gente, do governo estadual. O empreendimento é resultado de uma luta de sete anos do Sindoméstico-BA e foi, especialmente, destinado às trabalhadoras domésticas, com renda familiar de zero a três salários mínimos.

“Eu brinco que esse apartamento foi um pagamento, um reconhecimento por tudo que passamos. As histórias de todas as moradoras são bem semelhantes”, revela Valdirene Boaventura.

A seleção de beneficiárias dos apartamentos foi realizada pelo sindicato e obedeceu critérios como: trabalhadora com a carteira de trabalho assinada, moradora de aluguel ou na casa dos patrões.

Dos 80 apartamentos, 55 foram destinados a trabalhadoras domésticas cadastradas pelo Sindoméstico-BA e as outras 25 são mulheres cadastradas pela Conder, que também são domésticas profissionais.

Ainda antes da inauguração, em 2011, o projeto foi premiado com o Selo de Mérito da Associação Brasileira de Companhias e Agentes Públicos de Habitação (ABC), durante o Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social, em Brasília (DF).

Os apartamentos contam com dois quartos, cozinha, banheiro e área de serviço. Todos registrados nos nomes das mulheres.

“Algumas são casadas, moram com os maridos e filhos, mas todos os apartamentos são registrados nos nomes das mulheres”, conta a moradora e uma das representantes do sindicato, Maria do Carmo.

Laiara Oliveira não é doméstica, mas mora no apartamento da mãe, Valdete Oliveira Barbosa, de 59 anos. A dona do imóvel trabalhou por anos como doméstica e atualmente reside na Ilha de Itaparica, na Região Metropolitana de Salvador.

“Minha mãe começou novinha e trabalhou por anos. Ela parou após problemas na visão devido ao contato com muito vapor”, contou.

“Esse apartamento foi o pagamento por todo trabalho duro dela”, disse Laiara, enquanto escolhia e mostrava fotos da mãe.

Junto aos quatro prédios também há uma creche, um parque para crianças e estacionamento.

Valdirene Boaventura conta que a construção da creche foi a novidade que ela mais comemorou. No entanto, 10 anos após a inauguração, as atividades ainda não começaram por falta de documentações.

De acordo com o sindicato, existem cerca de 25 crianças que moram no condomínio, com idades de creche. A categoria afirma que a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) ainda não autorizou o funcionamento da unidade.

O g1 entrou em contato com a companhia para saber o motivo da demora da autorização para o funcionamento da creche, mas não recebeu respostas até a última atualização desta reportagem.

‘Comia a sobra da família’

Projetos e expectativas marcaram a saída de Valdirene Boaventura da cidade de Camacan, no sul da Bahia, para Salvador. Para ela, deixar o município do interior baiano significaria uma nova vida de dedicação aos estudos e formação da família na capital baiana. No entanto, a realidade na nova cidade foi de uma rotina de humilhações, agressões e ameaças.

Valdirene ainda relembra o que a motivou deixar Camacan. Ela foi abusada sexualmente, quando criança, pelo marido da ex-patroa.

“Eu contei para ela [a patroa] e ela me bateu. Fui devolvida para a minha mãe, que não tinha condições de cuidar de mim e de meus irmãos”, disse a doméstica.

Valdirene Boaventura é doméstica e cuidadora de idosos — Foto: João Souza/g1

Valdirene Boaventura é doméstica e cuidadora de idosos — Foto: João Souza/g1

A chegada em Salvador aconteceu anos depois. Já adolescente, ela foi mantida em cárcere privado após pedir voltar para Camacan. O motivo: descumprimento de promessas como pagamento de salário e matrícula em uma escola.

“Eu tive que fugir após um vacilo da minha patroa, passei por um buraco que tinha no estacionamento. O apartamento fica na Federação e toda vez que passo pelo Vale da Muriçoca eu falo que ali é o caminho da minha liberdade, foi por onde passei”, relembra.

“Eu não posso dizer que eu apanhei, mas fui muito humilhada, ameaçada, trancada no quarto. O sindicato me ajudou muito, isso foi em 1996 e o processo foi arquivado”, conta Valdirene.

A doméstica lembra que ainda foi colocada como a culpada durante a audiência.

“Eu ainda tive que ouvi a promotora falar: ‘Esse é o preço que paga quem quer ajudar essas meninas do interior’. Ela não queria me ajudar, ela me explorou, me enganou”, reforça.

Maria do Carmo se aposentou após 30 anos de contribuição — Foto: João Souza/g1

Maria do Carmo se aposentou após 30 anos de contribuição — Foto: João Souza/g1

Maria do Carmo, já aposentada, mas que trabalhou desde os 10 anos como doméstica, deixou Cruz das Almas, no recôncavo baiano, com a mesma esperança. No entanto, em Salvador, a realidade foi semelhante a de Valdirene.

“Eu comia a sobra da comida da família que me pegou aqui em Salvador. Vi um dia ela raspando os pratos colocando pra eu comer. Tinha até cuspe no prato”, lembrou.

Maria do Carmo conta que, na ocasião, negou o prato de comida e disse que não iria mais se alimentar no local.

“Eu falei para ela que onde eu morava, quem comia o resto da comida era os porcos. Ela me disse que os mendigos que comiam assim, mas eu não era mendiga”.

A situação mudou quando Maria do Carmo fez uma greve de comida por 15 dias.

“O marido da minha patroa viu que eu não estava comendo, nem bebendo água e brigou com ela. Falou que eu não ia mais passar por isso. Eu não sei como aguentei tanto tempo sem comer. Me arrastei pelo chão e bebi água quando já estava desesperada”, relembra a aposentada.

Durante os 30 anos em que trabalhou como doméstica, Maria do Carmo passou por vários episódios de humilhações. Ela lembra que já foi demitida porque apareceu com um nódulo no peito.

“A moça que eu trabalhava disse que não ia ficar comigo porque eu estava doente. Uma outra me contratou, no primeiro mês foi tranquilo, mas depois não quis mais deixar eu fazer as revisões da cirurgia”, diz.

Agora as duas lutam pelo direito das domésticas para que outras mulheres não passem pelo que passaram.

“Eu gosto de dizer que lutei muito pela minha vida e sou autora da minha história. A situação das domésticas já melhorou muito com a chegada das leis, mas ainda pode melhorar”, conclui Valdirene Boaventura.

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Chamado de ‘vagabundo’ por Boulos, Weintraub perde ação de indenização e terá que pagar R$ 10 mil

Ex-ministro pedia uma indenização por danos morais e direito de resposta por causa de duas publicações feitas nas redes sociais. Juíza determinou ainda que Weintraub pague as custas processuais e honorários advocatícios de Guilherme Boulos (PSOL).

Por g1 SP — São Paulo

A Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização de Abraham Weintraub (PMB), ex-ministro da Educação e pré-candidato ao governo de São Paulo, contra Guilherme Boulos (PSOL), coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e pré-candidato a deputado federal.

A decisão é do dia 2 de maio e assinada pela juíza Luciana Biagio Laquimia.

Weintraub pedia uma indenização de R$ 10 mil por danos morais e direito de resposta por causa de publicações feitas por Boulos nas redes sociais.

Em uma delas, postada no Twitter no dia 22 de maio de 2020, Boulos se referiu ao ex-ministro como “vagabundo”.

“Weintraub é o maior vagabundo do Brasil. Fora!” “O Brasil corre o risco de ficar sem vacinas suficientes por falta de insumos da China por causa de Jair Bolsonaro e três imbecis. Dudu Bananinha, Ernesto Araújo e Weintraub”.

A postagem era em resposta ao comentário feito por Weintraub, que havia, à época, usado o mesmo adjetivo contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nota-se que as pretensões vêm deduzidas por pessoa pública a qual, entre outros, entrou para a história como o Ministro de Estado que, durante uma reunião oficial em dependência da Presidência da República, em auge da pandemia de Covid-19, foi registrado em vídeo exprimindo o seguinte: ‘Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF‘”, destaca a juíza na decisão.

Uma vez rejeitada a ação, a Justiça determinou que Weintraub pague R$ 10 mil de custas processuais e honorários advocatícios para Guilherme Boulos.

“Fica ao autor carreada integralmente a responsabilidade pelo pagamento das custas processuais e honorários advocatícios ora arbitrados em R$ 10.000,00, diante do baixo valor atribuído à causa, valor inestimável das pretensões cominatórias desacolhidas.”

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Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos este ano

Em 2021, marca só foi atingida em 19 de maio, segundo a Associação Comercial de São Paulo, que mantém o ‘Impostômetro’.

Por g1

Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos este ano — Foto: Reprodução

Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos este ano — Foto: Reprodução

Os brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos desde o início deste ano. O valor foi atingido à 1h37 desta terça-feira (3), segundo cálculo do Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em 2021, marca só foi alcançada em 19 de maio.

O valor corresponde ao total pago para a União, estados e municípios na forma de impostos, taxas, multas e contribuições.

Em nota, a ACSP diz que a maior arrecadação observada neste ano tem como base a inflação elevada – atualmente, está acima de 10%.

“Quanto maior o preço, maior o imposto embutido. Alguns itens estão extremamente tributados, como o caso dos combustíveis e da energia elétrica”, afirmou Marcel Solimeo, economista da ACSP.

O Impostômetro

O impostômetro foi criado em 2005 e busca estimar o valor total de impostos, taxas, contribuições e multas que a população brasileira paga para a União, os estados e os municípios.

O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet, na página do Impostômetro (www.impostometro.com.br). Na ferramenta, criada em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), é possível acompanhar quanto o país, os estados e os municípios estão arrecadando com tributos e também saber o que dá para os governos fazerem com todo o dinheiro arrecadado.

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‘Perdi vaga de emprego porque estudei no EJA’: o estigma relatado por quem não completou o ensino na idade regular

Em 2019, o Encceja – exame que garante diplomas da educação básica – bateu recorde de participantes – como a ex-BBB Maria. Entretanto, essas pessoas encontram resistências no mercado de trabalho e no ensino superior, diz especialista.

Por Emily Santos, g1 — São Paulo

Maria Elizângela cumpria dupla jornada trabalhando em uma escola durante o dia e frequentando aulas em outra durante a noite para concluir o ensino médio enquanto buscava o sonho de ser professora. A piauiense cursou o EJA, educação de jovens e adultos, e só pôde ingressar no curso de pedagogia em 2018, aos 43 anos.

“Não era fácil. Eu trabalhava como zeladora em Teresina durante o dia, pegava condução e ia direto para a escola que eu estudava, no meu bairro. Chegava em casa quase 22h e tinha que estar pronta para sair no dia seguinte às 6h”, lembra.

Ela conta que parou de estudar aos 15 anos e viu na modalidade — que funciona como um supletivo público, com versões resumidas do conteúdo didático dos ensinos fundamental e médio — a chance de sonhar com o ensino superior. Mas houve quem criticasse a decisão.

“Um parente me disse que eu peguei um atalho por ter feito EJA. Que atalho, se eu voltei [a estudar] de onde parei? Eles esperam que, aos 40 e poucos, a gente já tenha a vida decidida e ganha. Mas e quando a gente não tem dinheiro e precisa esperar nossa vez?Sobre isso, eles não falam.”

Nesta reportagem, você vai ler sobre:

  • preconceito contra educação de jovens e adultos
  • depoimento da ex-bbb e cantora Maria sobre sua experiência no Encceja
  • o que é EJA e Encceja
  • a importância da educação para pessoas acima da idade regular estimada

A discussão sobre o preconceito em relação a quem faz educação de jovens e adultos chamou a atenção nas redes sociais após recentemente após a ex-BBB Maria comentar a experiência dela no Encceja (saiba mais abaixo).

Na faculdade, Elizângela conta que também não foi fácil.

“No começo, me olhavam com desconfiança, como se aquele não fosse meu lugar. Eu não conseguia me integrar e fazer amigos. Quando tinha trabalho em grupo, era um sacrifício. Em 2020, as coisas já eram melhores, mas veio a pandemia e eu tranquei o curso em 2021. Voltei neste ano, quando surgiu a chance de eu conseguir um estágio. Mas, ao mesmo tempo, já tinham colegas minhas de 20 anos em sala de aula há muito tempo”.

Agora, prestes a fazer 48 anos, a estudante anseia terminar o ciclo que recomeçou com o EJA.

Elizângela não está sozinha na decisão de voltar a estudar após não concluir o ensino básico na idade regular estimada. A administradora Alessandra Petroni, de 34 anos, completou o ensino fundamental e médio pelo EJA antes de se graduar em 2020. Hoje, ela é responsável pelo lava-rápido e borracharia da família em Bacabal, no Maranhão.

“Estou, finalmente, podendo ajudar minha família da melhor maneira que consigo. Mesmo estando formada há pouco tempo, agora me sinto útil. Sem o EJA, nem sei se eu teria sido capaz de enfrentar o ensino regular e perseguir esse sonho”, diz ela.

Na época da faculdade, Alessandra correu atrás para acompanhar os colegas. “A diferença de idade não era tanta, mas a de oportunidade, sim. Eu tinha me esforçado para concluir [o ensino médio] enquanto trabalhava e tentava me organizar para fazer faculdade, e tinha gente na minha sala que nem sabia o que era EJA”, diz ela, que considera a disparidade de oportunidade uma discriminação social.

EJA é opção para quem não terminou os estudos e quer voltar a estudar

No mercado de trabalho, não foi diferente. Ela lembra de quando perdeu uma vaga de emprego porque o gerente não conhecia o EJA.

“Eu tinha terminado o 3º ano e o gerente de um restaurante disse que não podia me contratar porque havia inconsistências no meu currículo. Ele não entendeu como eu tinha concluído o ensino médio menos de dois anos depois de terminar o fundamental. A vaga pedia ensino médio completo e eu tinha, mas perdi a vaga porque estudei no EJA. Quando levei o documento que mostrava [que havia concluído], ele já tinha contratado outra pessoa”.

Participantes do Encceja também relatam preconceito

Outra opção para quem não conseguiu o diploma do ensino básico em idade regular é o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), modalidade que a atriz, cantora e ex-participante do BBB 22 Maria recorreu para obter o certificado de ensino médio em 2019.

A prova, que concede diploma de conclusão de ensino fundamental e médio, chegou a bater recorde de participantes naquele ano, chegando a 1.185.945, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No começo de abril, Maria falou em uma publicação em uma rede social sobre sua experiência com o exame.

“Gosto de contar a minha história com verdade porque incentiva mais pessoas a conhecerem uma forma gratuita de concluir os estudos e a importância dele. Mas também não teria nada de errado se não tivesse concluído, pois meu intelecto não é menor por isso”, escreveu.

Em um papo com o g1, Maria — nome artístico de Vitória Nascimento — diz que era constantemente “diminuída” quando contava para as pessoas que não tinha o ensino médio completo, e foi um dos motivos que a levaram a fazer a prova.

“Eu não conhecia o exame, fiquei sabendo através do Twitter. Na época, as inscrições estavam abertas, então, me inscrevi, esperei o dia e fiz a prova, sem me preparar. Fiquei angustiada com a parte de exatas, que não é o meu forte, mas fiquei muito feliz quando o resultado saiu e eu havia conseguido uma boa pontuação em todas as áreas”, afirma.

Defensora de oportunidades como o Encceja, EJA e outros supletivos, a artista acredita que é preciso mais investimento e divulgação nas modalidades.

O jovem João Pedro Melthias, o JP, de São Mateus, zona Leste de São Paulo, concorda. Ele diz que o Encceja foi a chance de voltar a pensar em um futuro, mas só ficou sabendo da prova por uma amiga da época da escola.

“Eu estudei como pude. Consegui [ser aprovado] de primeira por sorte. Ainda não consigo fazer faculdade, mas quero fazer o Enem esse ano. Agora vou tentar me planejar, dentro do que minha realidade permite. Ter um futuro é bom, mas primeiro tenho que pensar no meu presente, né?”, reflete o jovem de 23 anos.

JP confidencia que nunca sonhou em cursar o ensino superior. “Isso ainda não faz parte da minha realidade. Eu tive que parar de estudar com 16 anos, antes de terminar os estudos, para trabalhar e ajudar nas contas de casa. Eu consegui me virar com um bico ou outro, mas não tive como voltar para a sala de aula, de frequentar a escola”, diz.

Apesar de considerar que o futuro está mais próximo, o paulista já sentiu que havia ficado para trás. “As pessoas acham que perdi minha vez. Meus amigos estão na faculdade, alguns até já terminaram os estudos e estão trabalhando, e eu estou aqui. Ainda sou jovem, mas sentia o olhar das pessoas quando eu falava que estava estudando para o Encceja e não para o vestibular“.

Maria critica quem pensa desse jeito e defende que “grau de ensino não mede intelecto”.

“Muito triste que muita gente ainda tenha essa visão antiquada do que a gente precisa do ensino regular para provar nosso conhecimento, já que nem todo mundo tem a oportunidade de continuar o ensino. Existem vários ‘atravessamentos’ que fazem as pessoas largarem a escola. Ninguém faz isso por querer”, diz ela.

“Acho que é muito importante que as pessoas se formem, porque gera mais oportunidade de emprego, acesso a outros níveis de ensino, mas que isso não seja visto como uma prova de intelecto. Um diploma não quer dizer que uma pessoa seja mais inteligente do que a outra. E a inteligência não se busca apenas na sala de aula. Então, acho que as pessoas deveriam abrir mais a mente pra isso”, completa.

Estigmas afetam alunos de todas as idades, diz especialista

Para a professora do EJA em Curitiba, Joana Silva Agostin, que estuda a importância da educação para maiores de 60 anos, são vários os desafios para essas pessoas no ambiente escolar.

“As pessoas idosas sofrem um preconceito diretamente relacionado à sua idade, algo que fecha as portas em situações de saúde, bem estar, educação e até no mercado de trabalho. Afinal, essas pessoas também têm direito à vida profissional. Mas, geralmente, as dificuldades que levam à conclusão dos estudos apenas nessa fase da vida começaram lá atrás, na infância e na adolescência, como para muitos dos jovens de 20, 30 anos que também precisam recorrer ao EJA para conseguir o certificado de ensino médio”, explica.

Por isso, ela defende que a escola deve ser receptiva para todas as pessoas.

“Vejo o estigma que meus alunos enfrentam, tanto os que têm 22 anos, quanto os que têm 66. Já tive aluno que só conseguiu dizer para a família que estava estudando quando conseguiu o diploma. E outros que nunca disseram no emprego que fizeram EJA, porque há uma cobrança e uma valorização dos métodos ‘convencionais’ que não considera as diferentes realidades dos estudantes brasileiros”, diz.

Segundo a especialista, o ensino regular não é inverso de modalidades como EJA e Encceja, mas complementar. “As pessoas optam por esta forma de ensino porque precisam, não porque querem passar menos tempo na escola. Pelo contrário, geralmente são pessoas que valorizam tanto o ambiente escolar que enfrentam a falta de transporte, de merenda e o cansaço para estar ali. O que precisamos é de políticas públicas que correspondam a este esforço”, finaliza.

Sobre o EJA e o Encceja

Em 2019, quando Maria fez o exame, o número de participantes foi recorde, chegando a 1.185.945, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A edição seguinte, aplicada apenas em 2021 devido a pandemia de Covid-19, teve 474.079 inscritos. Nas edições de 2017 e 2018, o exame teve 1.573.862 e 1.695.607 inscrições respectivamente.

Encceja concede certificação de ensino fundamental e de ensino médio, através da avaliação de conhecimentos de língua portuguesa e estrangeira, arte, história, geografia e outros. Quem consegue a pontuação mínima em cada categoria pode emitir um certificado de conclusão daquele nível.

Já o EJA é muitas vezes comparado com um supletivo por ser uma versão de menor duração dos níveis de ensino básico para quem não completou essas etapas em idade regular. Em 2021, 2,9 milhões pessoas se matricularam, menor número dos últimos anos.

Matrículas no EJA nos últimos 5 anos — Foto: Arte: g1

Matrículas no EJA nos últimos 5 anos — Foto: Arte: g1

As modalidades são opções para pessoas que não concluíram as fases em idade regular, mas querem conquistar a certificação de conclusão do ensino básico ou ensino médio.

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Indígenas denunciam ameaças após a morte de três caçadores na reserva Parakanã

Os três estavam desaparecidos desde o dia 24 de abril, quando saíram para caçar. A Federação dos Povos Indígenas do Pará denunciou que os indígenas da região de Novo Repartimento estariam sendo alvo de ataques nas redes sociais.

Por Jornal Nacional

Indígenas denunciam ameaças após a morte de três caçadores na reserva Parakanã

Indígenas denunciaram o recebimento de ameaças depois da morte de três caçadores que estavam dentro da reserva Parakanã, no Pará.

Muitas pessoas acompanharam o velório e o enterro dos três caçadores no fim da noite de domingo (1º).

“É um momento de angústia, dor e desespero. Eu peço que nos ajude, para que tenhamos Justiça por esses rapazes”, disse Aline Teixeira, irmã de uma vítima.

Mais cedo, centenas de moradores protestaram por Justiça nas ruas de Novo Repartimento, cidade no sudeste do Pará, onde as vítimas moravam.

“Eu vi o que a população fez na passeata, é de dar dó. Ele não está junto, do meu lado, mas está no meu coração. É triste para um pai”, afirmou Sebastião Câmara, pai de uma vítima.

No último sábado (30), uma força-tarefa coordenada pela Polícia Federal encontrou os corpos de William Santos Câmara, José Luiz da Silva Teixeira e Cosmo Ribeiro de Sousa dentro da Terra Indígena Parakanã. Eles estavam enterrados em covas rasas, cobertas por folhas, em uma área de mata fechada. Os três estavam desaparecidos desde o dia 24 de abril, quando saíram para caçar.

Polícia Federal ainda não disse quando vai concluir o laudo sobre a causa das mortes. Informou apenas que está trabalhando, da forma mais rápida possível, para esclarecer as circunstâncias e os responsáveis pelo crime.

O Estatuto do Índio, uma lei federal, proíbe a qualquer pessoa estranha às comunidades indígenas a prática da caça, pesca ou coleta de frutos, assim como atividade agropecuária ou extrativista dentro dos territórios.

Funai disse que acionou os órgãos de segurança assim que soube do desaparecimento dos caçadores e que repudia qualquer forma de violência e conduta ilícita.

A Força Nacional informou que está na região da Terra Parakanã para garantir a segurança.

A Federação dos Povos Indígenas do Pará manifestou solidariedade às famílias das três vítimas e denunciou que o povo Awate-Parakanã estaria sendo alvo de ataques nas redes sociais. Ainda segundo a federação, profissionais de saúde que atuam na Terra Indígena saíram do local com medo de represálias.

“Repudiamos mais uma vez qualquer ato de violência contra qualquer ser humano que seja. Exigimos que o território do povo Parakanã seja protegido dessas ameaças e de qualquer ato, qualquer atrocidade contra o povo Parakanã”, disse o coordenador da Federação dos Povos Indígenas do Pará, Ronaldo Amanaye.

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Morre menina indígena que estava internada em tratamento contra a raiva humana em BH

Dos três casos confirmados, nenhum paciente sobreviveu; Secretaria de Saúde investiga mais um caso, em adolescente de 11 anos.

Por Guilherme Pimenta, g1 Minas — Belo Horizonte

A menina indígena, de 12 anos, diagnosticada com a raiva humana, não resistiu à doença. Ela estava internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital João Paulo II, no Centro de Belo Horizonte, desde o início do mês de abril, mas morreu na última sexta-feira (29).

O caso da adolescente foi notificado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) no dia 5 de abril, quando ela fez os exames para diagnóstico da raiva. O resultado foi divulgado no dia 19 de abril, confirmando a doença.

A menina foi a segunda paciente em Minas Gerais diagnosticada com a raiva humana nos últimos 10 anos.

Ela e Zelilton Maxacali, também com 12 anos, viviam em uma aldeia indígena, em uma comunidade rural na cidade de Bertópolis, no Vale do Mucuri. O menino morreu no dia 4 de abril. Segundo a SES-MG, ambos os casos estão relacionados à mordedura pelo mesmo morcego.

Uma criança de 5 anos, que também morava na aldeia, morreu no dia 17 de abril. A SES-MG passou a investigar o caso, ainda que a vítima não tivesse apresentado os sintomas.

O resultado saiu na terça-feira (26) e foi divulgado na quinta-feira (28), confirmando a terceira morte por raiva humana. O caso segue sob investigação epidemiológica para identificar as circunstâncias do contágio, já que a criança não apresentava sinais de mordedura ou arranhadura por morcego.

Mais um caso

Um caso suspeito permanece em investigação, também na área rural de Bertópolis. Este foi notificado no dia 21 de abril.

A paciente é uma menina de 11 anos, que apresentou sintomas como febre e dor de cabeça. Devido ao parentesco com o segundo caso confirmado, ela foi encaminhada para o hospital e passou por exames. A criança segue internada em leito clínico, estável e em observação.

Cuidados

De acordo com a SES-MG, no último domingo (24), foram enviadas mais doses de vacina antirrábica humana para completar o esquema vacinal da comunidade rural de Bertópolis. Até o dia 28 de abril, 982 pessoas das 1.037 que vivem na comunidade já haviam sido vacinadas coma primeira dose. Outras 802, já tomaram a segunda dose. O intervalo entre as aplicações é de sete dias.

A pasta disse também que já forneceu vacina e soro antirrábico humano para a população exposta e vacina antirrábica animal para cães e gatos da região.

O último caso de óbito por raiva humana em Minas Gerais tinha sido registrado em 2012, em Rio Casca, na Zona da Mata.

Segundo a SES-MG, em caso de qualquer incidente com mamíferos silvestres ou domésticos, sobretudo morcegos, cães e gatos, é importante procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação da necessidade de adoção de medidas profiláticas, como administração de vacina e soro.

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Cabral deve ser transferido de volta para Bangu nesta segunda depois de indícios de regalias em Unidade Prisional da PM

Uma fiscalização encontrou no presídio celulares, anabolizantes, cigarros eletrônicos e listas de encomendas a restaurantes.

Por g1 Rio

Sérgio Cabral deve ser transferido para presídio de segurança máxima nesta segunda (2)

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral deve ser transferido de volta para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste, nesta segunda-feira (2), depois que uma fiscalização encontrou indícios de regalias na Unidade Prisional da PM, onde ele é mantido. Outros presos da mesma ala do batalhão também serão transferidos.

As denúncias foram reveladas com exclusividade pelo Fantástico neste domingo (1º).

Uma fiscalização encontrou no presídio celulares, anabolizantes, cigarros eletrônicos e listas de encomendas a restaurantes.

Fantástico teve acesso a vídeos que mostram algumas dessas irregularidades.

Em uma das imagens, obtidas com exclusividade, mostram a equipe da Vara de Execuções Penais entrando no presídio. O ex-governador estava em uma área externa com um outro preso, o tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira, condenado a 36 anos de prisão pela morte da juíza Patricia Acioli, assassinada em 2011.

“Nesse momento que os fiscais entraram na galeria, eu vi que havia uma porta ao lado e, antes de eu entrar, eu vi esse policial que é preso recebendo uma sacola verde. Quando ele me viu, ele ficou sem ação e jogou a sacola por cima da cerca. Mas acho que ele se assustou e não jogou com tanta força. Ela caiu dentro da unidade. E ao lado dessa área onde se encontrava esse policial, nós vimos, nas filmagens, que só se encontravam o senhor Sergio Cabral e o coronel Claudio. Então há um indício de que esse material fosse deles”, afirma o juiz Marcelo Rubioli, que determinou a realização da transferência de Cabral nesta segunda para uma unidade de segurança máxima.

Dentro da sacola, além dos dois celulares, estavam mais de R$ 4 mil em dinheiro e vários cigarros de maconha. Em uma das mesas, na área onde Cabral e o coronel estavam, os agentes encontraram um caderno com registros de pagamentos em dinheiro, crédito, débito e até para um aplicativo de comida. Um dos recibos era relativo a um verdadeiro banquete árabe, pedido na semana passada: esfihas, kafta, lentilha – um pedido com o valor total de R$ 1.508.

Nas celas de vários detentos foram encontradas outros itens irregulares.

Enxoval personalizado

Cabral está no Batalhão Especial Prisional da PM, em Niterói, na região Metropolitana do Rio, desde setembro do ano passado. Antes, ele cumpria pena em Bangu 8. A transferência foi autorizada pelo juiz federal Marcelo Bretas, cumprindo uma decisão do ministro do STF, Edson Fachin. O ministro entendeu que procedia um pedido da defesa do ex-governador para que ele se mantenha afastado de pessoas mencionadas em depoimentos de seu acordo de delação premiada.

A Unidade Prisional da PM, também conhecida como BEP, mantém presos policiais militares e também detentos com direito à prisão especial.

Os mais conhecido é Cabral, condenado por vinte e dois (22) processos criminais na Lava Jato, como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas somadas chegam a quatrocentos e sete (407) anos.

Na cela de Cabral, além do material apreendido, a fiscalização encontrou outros itens suspeitos, como toalhas bordadas com o nome do ex-governador.

“Achamos condições diferentes do que se espera para uma pessoa que está presa, não é?”, diz Rubioli.

A Vara de Execuções penais, o MP e a corregedoria da PM, também participaram de uma fiscalização na ala dos oficiais, onde estão oito presos. Lá, encontraram sete celulares e cigarro eletrônico.

Os agentes identificaram que o teto de todas as celas é revestido com isopor, usado para diminuir o calor.

Esse revestimento já tinha sido encontrado numa fiscalização anterior, como mostrou o RJTV no dia 11 de abril.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa do ex-governador Sérgio Cabral alegou que não foi encontrada qualquer irregularidade na cela dele e diz que nenhum dos objetos apreendidos nas áreas comuns foi relacionado a ele e desconhece objetos encontrados fora da galeria dos oficiais.

Em relação ao tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira, a defesa afirma que nenhum dos materiais informados pela reportagem estavam na cela dele.

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Peixe natural da Ásia ataca pescadores e preocupa cientistas brasileiros

O peixe-leão é um predador voraz em águas brasileiras e vem provocando acidentes com pescadores.

Por Fantástico

Um predador voraz em águas brasileiras. Quais os riscos do peixe-leão?

O peixe-leão vem de longe, do Oceano Índico. É um animal bonito, disputado por aquaristas. As nadadeiras são longas. O perigo está nas pontas, que têm uma toxina. Uma defesa para o peixe-leão, um sofrimento para quem se espeta. No Índico, uma espécie de tubarão come o peixe-leão e garante o equilíbrio do ecossistema. O problema é que, desde a década de 1980, começaram a aparecer exemplares de peixe-leão no Caribe. A tese é que eles tenham sido descartados de aquários e jogados no mar.

Em 2015, dois exemplares foram encontrados em Arraial do Cabo, na costa do Rio de Janeiro. Ano passado, vários surgiram em Fernando de Noronha, a 400 quilômetros da costa. E, de um mês para cá, o peixe-leão parece ter encontrado um novo lar no litoral do Nordeste. Normalmente, ele prefere morar em recifes e áreas rochosas.

Na divisa do Ceará com o Piauí, o peixe-leão é apanhado em currais. A vítima mais recente foi o Chico, 24 anos. Ele pisou num peixe-leão, e sete espinhos encravaram na sola do pé. “Desmaiei só de dor”, diz Chico. Além da dor, o veneno do peixe leão pode provocar febre e convulsões. Um mês atrás, Valdeci também teve um acidente com um peixe-leão, sem sequer saber do que se tratava.

Na Universidade Federal do Ceará, cientistas estão fazendo o sequenciamento genético dos peixes. “O nosso objetivo no momento é verificar o grau de similaridade genética dela com as demais que já foram encontradas na região, principalmente da América Central”, explica Rafael dos Santos Rocha, técnico em engenharia de pesca Labomar.

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USP reintegra aluna indígena que foi morar na rua após passar por problemas de saúde e ser desligada do curso

Estudante de Letras foi jubilada por ter ficado dois semestres seguidos sem obter créditos após ter um surto psicótico e ser vítima de um acidente de carro. Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP pediu reintegração da estudante, que foi aprovada pela Congregação da USP nesta quinta (28).

Por Patrícia Figueiredo, g1 SP — São Paulo

A Universidade de São Paulo (USP) anulou nesta quinta-feira (28) o desligamento de uma estudante indígena que havia sido jubilada após ficar dois semestres sem concluir matérias.

A reintegração da aluna ao curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) atendeu a um pedido da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, que elaborou um parecer sobre a situação da estudante.

De acordo com a OAB-SP, por ter sido desligada da USP, a aluna não só ficou impedida de se formar no curso, mas também perdeu o direito à moradia estudantil no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e à alimentação subsidiada oferecida na universidade, o que pode ter contribuído para que acabasse morando na rua.

Segundo o parecer, a estudante é portadora de esquizofrenia e teve um surto psicótico em 2014, seguido de um acidente de carro em 2016, que provocou uma fratura exposta em sua perna direita e outra em seu cotovelo. Depois do acidente, que deixou sequelas, a aluna passou a ser considerada uma pessoa com deficiência física. Em 2017, ocorreu seu primeiro desligamento, por não ter obtido créditos por dois semestres consecutivos.

Ao g1, a jovem disse que considera histórica a decisão favorável da Congregação da FFLCH para seu caso.

“É histórico que uma paciente de saúde mental, como é meu caso, que tenho surtos, tenha conseguido essa vitória por meio dos advogados e desses professores queridos que foram pedir por mim”, disse a aluna.

“O mais importante é que a Congregação conseguiu se libertar de uma herança jurídica e institucional de apagamento e realmente olhou para o pedido, julgando com apoio de advogados e pareceres atuais e qualificados, de uma maneira inédita na história da universidade”, completou.

Cronologia do caso

Após o desligamento, a estudante fez, ainda em 2017, um pedido de reingresso, que foi aceito, e no segundo semestre do ano teve uma professora indicada para ser sua tutora. Em um despacho oficial, a docente demonstrou estar ciente dos graves problemas de ordem psiquiátrica da aluna.

No entanto, no despacho seguinte, uma outra professora foi indicada como tutora pela comissão de graduação e pediu o desligamento da aluna por reprovar matérias.

“Indico o desligamento da aluna, uma vez que ela não cumpriu o plano de conclusão e reprovou por nota e por frequência em mais de uma disciplina”, disse a docente, no despacho. A OAB, no entanto, destacou que “não há qualquer menção pela tutora da condição de saúde mental ou de pessoa com deficiência” da estudante.

Em 2019, no mesmo dia em que foi informada do seu desligamento do curso de Letras, a aluna registrou um novo pedido de reingresso, no qual afirma:

“Além dos problemas de saúde, como acidente de carro e esquizofrenia, eu também tentei via JupiterWeb [sistema virtual de matrícula da USP] a vaga para terminar [a disciplina de] Libras e não consegui porque não tinha vaga”.

“Foram momentos muito sérios os que eu passei, por isso gostaria e peço uma nova chance”, disse a estudante, no pedido.

A solicitação, que incluiu a declaração da psicóloga descrevendo o tratamento da aluna desde julho de 2016, foi indeferido porque o regimento geral da USP permite o reingresso apenas uma vez.

Comissão da OAB

Depois de ter o segundo pedido de reingresso recusado, a estudante obteve o auxílio da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, além da Comissão de Direitos Humanos da FFLCH. As entidades, que fizeram sua defesa, conseguiram reverter o desligamento da aluna.

Em seu parecer, a OAB pediu a anulação do jubilamento, com base nos laudos médicos apresentados e a reintegração imediata da aluna ao sistema e à USP.

A comissão argumentou que, em 2017, outro estudante não foi capaz de cumprir seu plano de estudos no segundo reingresso por conta de uma deficiência adquirida após um acidente de carro e teve seu recurso aceito pela Congregação.

O pedido foi acatado pela Congregação da FFLCH em uma reunião virtual do grupo na última quinta-feira (28).

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