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Geólogos e técnicos do IPT auxiliam no 8º dia de buscas por vítimas de deslizamentos em Guarujá, SP

São 44 mortos e 34 pessoas desaparecidas. Equipes de busca localizaram, na noite de segunda-feira, o corpo do cabo Marciel de Souza Batalha, soterrado enquanto resgatava mãe e filho no Morro do Macaco Molhado, em Guarujá.

Por G1 Santos

As buscas pelas vítimas soterradas após deslizamentos durante o temporal que atingiu a Baixada Santista, no litoral de São Paulo, continuam nesta terça-feira (10). Até o momento são 44 pessoas mortas, segundo o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil do Estado de São Paulo. Ainda há 34 pessoas desaparecidas. Geólogos e técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) auxiliam as equipes a definir as melhores estratégias de trabalho neste 8º dia de buscas.

O último corpo encontrado foi o do bombeiro Marciel de Souza Batalha, na noite desta segunda-feira (9). Batalha morreu enquanto tentava resgatar Thatiana Lopes de Lima Gomes, de 25 anos e o filho dela, Arthur Rafael de Lima, de 10 meses, que também vieram a óbito.

Desta forma, as buscas foram encerradas no Morro do Macaco Molhado, em Guarujá, passaram a ser concentradas apenas na Barreira do João Guarda. As buscas em Santos e São Vicente foram encerradas no sábado (7), após os corpos das pessoas desaparecidas terem sido encontradas.

Moradores e voluntários ajudam os bombeiros nas buscas pelas vítimas utilizando equipamentos de segurança como capacete e luvas. Máquinas também são utilizadas para ajudar nos trabalhos de remoção nos morros.

Na manhã desta terça-feira, as equipes continuaram no trabalho de retirada de terra e lama na Barreira do João Guarda. Geólogos e técnicos do IPT e da Defesa Civil, que monitoram o local desde os deslizamentos, fizeram uma nova vistoria. O foco é verificar exatamente a origem da água, no alto do morro. Eles planejam mudar o curso água para facilitar as buscas.

No domingo (8), o comando do Corpo de Bombeiros que estava sediado na Escola Municipal Profª Dirce Valério Gracia, onde estão sendo abrigadas as famílias vítimas da tragédias, foi transferido para a Barreira João Guarda para poder auxiliar as equipes de buscas e, ainda, se aproximar da população.

Também no domingo, a Defesa Civil de Guarujá interditou mais de 140 moradias localizadas em áreas de risco em diversos pontos da cidade. De acordo com a prefeitura, a ação é realizada com o objetivo de reduzir o risco de mais deslizamentos nos morros.

Veja onde ocorreram as mortes:

  • Guarujá: 33 mortes
  • Santos: 8 mortes
  • São Vicente: 3 mortes

Ajuda do Exército

Na manhã de sábado, a pedido da prefeitura, soldados do Exército chegaram à cidade para oferecer ajuda humanitária. As equipes foram para a Escola Municipal Profª Dirce Valério Gracia, onde estavam os 336 desabrigados do município. Serão cerca de 25 militares atuando na ação diariamente.

“Foi solicitada pela Prefeitura de Guarujá o apoio de militares do exército à Defesa Civil do município. A ajuda foi autorizada pelo comando militar do Sudeste, e o exército está sempre pronto para auxílio. Vamos ajudar na seleção dos donativos, preparação dos kits e entrega das doações nas comunidade impactadas”, explicou o tenente coronel Carlos Rocha, comandante da Fortaleza de Itaipu.

De acordo com a Defesa Civil do Estado, até a tarde deste domingo (8), havia 336 pessoas desabrigadas em Guarujá e 185 em Santos. Eles estão sendo recebidos em abrigos e escolas. Em Peruíbe, são 102 desabrigados, que deixaram temporariamente suas casas e foram recebidos no Centro Comunitário do Caraminguava.

Fim das buscas

Em São Vicente, o corpo da terceira e última vítima da tragédia na cidade foi encontrado na região do Parque Prainha, no sábado. Segundo a prefeitura, trata-se de um homem de 69 anos, que morreu no deslizamento de solo. Com isso, o capitão do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, informou que as buscas foram encerradas na cidade. Os agentes foram deslocados para o Guarujá.

Além deste senhor, morreram outras duas pessoas em São Vicente: uma mulher de 60 anos, que faleceu no mesmo deslizamento de solo, e um idoso de 86 anos, que estava em uma clínica de repouso particular na Vila Valença, quando o chão de um cômodo cedeu.

Em Santos, as quatro pessoas que estavam desaparecidas foram encontradas entre a madrugada e manhã deste sábado. O município registra 8 vítimas da tragédia e, com a localização das quatro últimas vítimas, que seriam da mesma família, o trabalho do Corpo de Bombeiros foi encerrado no Morro São Bento.

Em Guarujá, a última vítima foi localizada no Morro do Macaco Molhado na noite da última segunda-feira. O cabo Marciel de Souza Batalha foi soterrado enquanto tentava resgatar uma mãe e bebê, que também vieram a óbito. Com a localização de Batalha, as buscas no morro foram encerradas e passam a ser concentradas no Morro da Barreira do João Guarda.

Em um período de 24h, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), choveu 320 mm em Guarujá, valor muito acima da média de 263 mm prevista para março. Em Santos, choveu 239 mm, perto da média de 257 mm. Já em São Vicente, foram registrados 207 mm de chuva, abaixo da média de 257 mm prevista para o mês todo.

Dados das chuvas na Baixada Santista — Foto: Reprodução/TV Globo

Dados das chuvas na Baixada Santista — Foto: Reprodução/TV Globo

Doações

As cidades da Baixada Santista estão recebendo doações para as famílias que foram prejudicadas pelo forte temporal. Há uma necessidade maior de doações de colchões, travesseiros e roupa de cama para as vítimas do temporal. Também são necessários itens como roupas de banho, alimentos em geral, água e produtos de higiene pessoal.

Há postos de coleta em Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá. Confira os postos aqui.

Governo do Estado

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), esteve em Guarujá na quinta-feira (5) e anunciou R$ 50 milhões para investimento em infraestrutura para os municípios atingidos pela chuva. Doria também criticou o presidente Jair Bolsonaro por não ter se pronunciado diretamente com ele sobre as mortes e os efeitos das chuvas na Baixada Santista.

O Governo de São Paulo já disponibilizou 21,2 toneladas em materiais de ajuda humanitária para o atendimento às vítimas das chuvas que caíram na Baixada Santista. Com apoio das prefeituras e de entidades assistenciais, o Governo do Estado está providenciando a remessa de colchões, cobertores, cestas básicas, água sanitária e água potável aos municípios afetados.

Governo Federal

O Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), reconheceu o estado de calamidade pública em Guarujá e a situação de emergência em Santos e São Vicente, por conta das fortes chuvas. A decisão foi publicada na edição da quinta-feira (5) do Diário Oficial da União.

Com a medida, as localidades poderão ter acesso a recursos federais para ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais à população e reconstrução de estruturas públicas danificadas.

Chuva na Baixada

O temporal começou na noite de segunda (2) e se estendeu durante toda a madrugada e manhã de terça-feira (3). Moradores registraram alagamentos, e ruas ficaram intransitáveis em toda a Baixada Santista. Passageiros de um ônibus mostraram o rápido aumento do nível da água no interior do veículo. Diversas linhas de ônibus e itinerários foram comprometidos pelo temporal.

Houve quedas de barreira nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos e Guarujá-Bertioga, que fazem a ligação de cidades da Baixada Santista com outras regiões do Estado de São Paulo. As rodovias precisaram ser interditadas.

Arte: Por que ocorrem os deslizamentos — Foto: Juliane Monteiro/Arte G1

Arte: Por que ocorrem os deslizamentos — Foto: Juliane Monteiro/Arte G1

Chuvas no Sudeste

A ausência de variações de temperatura no Oceano Atlântico e o aquecimento global explicam as fortes chuvas que atingiram a região sudeste do Brasil no mês de fevereiro, segundo especialistas consultados pelo G1.

Já no começo de março, as chuvas também continuaram castigando a região. Quatro pessoas morreram no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo no dia 2 de fevereiro.

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Suspeito de matar ex-mulher e mãe dela alega à polícia que briga foi motivada por ser proibido de ver filho

Jovem e mãe foram mortas a tiros dentro de casa na véspera do Dia Internacional da Mulher. Segundo suspeito alegou à polícia, visitas a filho de 1 ano do casal motivou crime.

Por G1 Bauru e Marília

Homem é suspeito de atirar na ex-mulher de 27 anos e na mãe dela, de 44, em Sabino  — Foto: Facebook / Reprodução

Homem é suspeito de atirar na ex-mulher de 27 anos e na mãe dela, de 44, em Sabino — Foto: Facebook / Reprodução

O suspeito do de matar a ex-mulher e a ex-sogra, na madrugada de sábado (7), em Sabino (SP), relatou à polícia que cometeu o crime porque a vítima o estava proibindo de ver o filho do casal, de 1 ano. Ele foi preso no domingo (8) após acionar a polícia e se entregar.

Débora Cristina Pavanelli Mazo, de 27 anos, e a mãe dela Lucia Pavanelli, de 44, foram mortas com tiro na cabeça dentro de casa depois que o ex-marido da jovem, Washington Luís Mello, invadiu o imóvel. O crime aconteceu às vésperas do Dia Internacional da Mulher.

Segundo o delegado responsável pelo caso, André Hauy, o suspeito de 34 anos confessou o crime e contou à polícia que ele e Débora tinham se separado recentemente.

De acordo com o relato de Washington à polícia, o casal estava discutindo por conta das visitas ao filho e havia algumas semanas que a vítima o teria proibido de ver o menino de 1 ano.

Por causa disso, Washington, que é caminhoneiro, chegou de viagem na madrugada de sábado (7) e invadiu a casa da ex-mulher, onde aconteceram os crimes, segundo a polícia.

Além disso, o delegado informou que Débora já tinha registrado um boletim de ocorrência por agressão depois de uma discussão com a ex-sogra. Segundo a polícia, a mãe de Washington teria a procurado para falar sobre as visitas à criança e a agredido durante a conversa.

De acordo com uma amiga de Débora, o suspeito não aparentava ser violento. Ela contou ao G1 que sabia que o casal estava tendo algumas divergências na separação, mas que nunca imaginou que o crime pudesse acontecer.

Mãe e filha foram enterradas no Cemitério Municipal de Sabino  — Foto: Indianara Campos / TV TEM

Mãe e filha foram enterradas no Cemitério Municipal de Sabino — Foto: Indianara Campos / TV TEM

Os corpos de Débora e de Lucia foram enterrados no Cemitério Municipal de Sabino na tarde de sábado.

Prisão

Washington foi preso pela polícia de Lins no domingo (8) em um condomínio em Sabino. Segundo a Polícia Civil, o próprio suspeito acionou a polícia para se entregar.

Ele confessou o crime e como não houve situação de flagrante, o delegado André Hauy fez o pedido da prisão temporária, que foi decretada pela Justiça.

Segundo a polícia, o suspeito não estava com a arma utilizada no crime, mas informou o local onde teria deixado o objeto. Buscas foram feitas com o auxílio do Exército, que utilizou um detector de metais, mas a arma não foi encontrada.

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Suspeito foge algemado da delegacia após ser preso em Novo Hamburgo; homem está foragido

Homem foi preso em flagrante, na tarde de segunda-feira (9), mas quebrou uma cadeira e deixou o local após reunião com o advogado, horas depois. Ele é investigado por envolvimento em possível homicídio, diz polícia.

Por G1 RS

Um homem fugiu da Delegacia de Polícia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DPHPP) de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana, na noite desta segunda-feira (9). O suspeito, que é investigado por envolvimento em um possível assassinato, se soltou de uma cadeira e escapou, ainda algemado, por volta das 22h. O homem está foragido.

A Polícia Civil não informa nome e imagem dos suspeitos com base na lei de abuso de autoridade.

“Como não temos cela, os presos ficam algemados em cadeiras. Ele conversou com o advogado em uma sala reservada, saiu, voltou para o corredor e, em um momento de distração, conseguiu arrebentar um pedaço da cadeira e fugiu. Acreditamos que tenha sido pela porta”, diz o delegado Márcio Niederauer.

O suspeito, que tem antecedentes criminais por estelionato, é investigado por um crime ocorrido na madrugada de sexta-feira (6). Segundo o delegado, ele aparece em imagens de uma câmera de segurança deixando o apartamento onde mora com a esposa e filha com sacolas nas mãos.

“Encontramos elementos de que uma pessoa havia sido baleada no local. Trabalhamos com [a hipótese de] um homicídio. Até o momento não encontramos o corpo”, afirma Niederauer.

No local, foram encontradas armas e mais de R$ 2 milhões em dinheiro de diversos países. A mulher, de 35 anos, foi presa em flagrante por porte ilegal de arma e lesão corporal, e a filha, que tem 16 anos, foi apreendida.

Após três dias de buscas, o suspeito foi localizado em uma garagem, no centro de Novo Hamburgo, por volta das 15h30 de segunda-feira. Ele estava com outro homem tentando dar partida em um automóvel C180, já que a chave do veículo tinha sido apreendida na noite de sexta.

Ambos foram detidos em flagrante com seis armas com numeração raspada — incluindo uma pistola com silenciador, item que é de uso proibido no Brasil —, moedas de diversos países, documentos e placas veiculares. O outro homem segue detido.

Um pedido de prisão preventiva deve ser encaminhado à Justiça pela Polícia Civil. A Brigada Militar e outras forças policiais fazem buscas ao suspeito.

Armas, dinheiro, documentos e placas veiculares foram encontradas no apartamento do suspeito em Novo Hamburgo — Foto: Sd Carlos Zoch / Com Soc VRS

Armas, dinheiro, documentos e placas veiculares foram encontradas no apartamento do suspeito em Novo Hamburgo — Foto: Sd Carlos Zoch / Com Soc VRS

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Morador de rua emociona ao fazer doação para vítimas de temporal: ‘tudo o que ele tinha’

O morador em situação de rua, identificado apenas como Francinaldo, causou emoção ao doar dois cobertores para as vítimas de deslizamentos de terra em Guarujá, SP.

Por Gabriel Gatto, G1 Santos

Morador de rua emociona ao fazer doação para vítimas de deslizamento em Guarujá

Morador de rua emociona ao fazer doação para vítimas de deslizamento em Guarujá

Um morador em situação de rua chamou a atenção de comerciantes de Guarujá, no litoral de São Paulo, ao fazer uma doação às vítimas das fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista. Identificado apenas como Francinaldo, o morador entregou dois de três cobertores que recebeu para que fossem levados aos desabrigados.

Ao G1, o empresário e advogado Erasmo Fonseca Junior, de 42 anos, conta que o caso aconteceu na noite de quarta-feira (4), em uma padaria que ele possui na Avenida General Rondon, 650, no bairro Astúrias, e que havia sido transformada em um ponto de entrega de doações às vítimas dos deslizamentos.

Segundo Erasmo, o morador chegou enquanto a esposa dele recebia e preparava as doações. Ele chamou a atenção da comerciante e disse que havia ganhado três cobertores, mas que precisava somente de um e gostaria de doar os outros aos desabrigados. “Minha esposa começou a chorar na hora em que ele falou isso”.

Morador em situação de rua doa cobertor para vítimas de deslizamentos em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Morador em situação de rua doa cobertor para vítimas de deslizamentos em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Sem sequer pedir algo em troca das doações, Francinaldo contou ao comerciante que era egresso do sistema prisional e que estava em busca de uma oportunidade de emprego. “Ele contou que é azulejista e tem experiência como sushi man, e que quer reconstruir a vida dele”.

“Na hora, eu só consegui orar pela vida dele e agradecer pela doação. Ele entregou tudo o que tinha, humilhou a sociedade inteira. Eu mesmo fiz doações, ajudei a levar comida para os moradores dos morros, mas acabava que era o que sobrava da padaria. O Francinaldo doou tudo o que tinha”, conta o comerciante.

Erasmo aponta que, após a entrega, Francinaldo chegou a receber uma doação de R$ 70 e afirmou que iria recuperar os documentos em um Poupatempo no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Desde então, o advogado perdeu o contato com o morador.

“Esse caso me emocionou muito e eu compartilhei nas redes sociais, e muitas pessoas me procuraram para ajudar o Francinaldo, mas não o vi mais. Vou tentar encontrar ele. Tudo o que ele queria era uma oportunidade para trabalhar e refazer a vida. O que fazemos é pouco perto do sacrifício dele”, finaliza Erasmo.

Morador em situação de rua emociona ao fazer doação para vítimas de deslizamento em SP — Foto: Arquivo Pessoal

Morador em situação de rua emociona ao fazer doação para vítimas de deslizamento em SP — Foto: Arquivo Pessoal

Chuva na Baixada

O temporal começou na noite de segunda e se estendeu durante toda a madrugada e manhã de terça-feira. Moradores registraram alagamentos e ruas ficaram intransitáveis em toda a Baixada Santista. Passageiros de um ônibus mostraram o rápido aumento do nível da água no interior do veículo. Diversas linhas de ônibus e itinerários foram comprometidos pelo temporal.

Houve quedas de barreira nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos e Guarujá-Bertioga, que fazem a ligação de cidades da Baixada Santista com outras regiões do Estado de São Paulo. As rodovias precisaram ser interditadas.

Arte: Por que ocorrem os deslizamentos  — Foto: Juliane Monteiro/Arte G1

Arte: Por que ocorrem os deslizamentos — Foto: Juliane Monteiro/Arte G1

Chuvas no Sudeste

A ausência de variações de temperatura no Oceano Atlântico e o aquecimento global explicam as fortes chuvas que atingiram a região sudeste do Brasil no mês de fevereiro, segundo especialistas consultados pelo G1.

Já o começo de março as chuvas também seguem castigando a região. Quatro pessoas morreram no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo nesta segunda-feira (2).

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Receita abre consulta a lote residual de restituições do Imposto de Renda nesta segunda-feira

Órgão pagará R$ 240 milhões a 72.546 contribuintes em 16 de março. Desse montante, R$ 151,9 milhões se referem ao Imposto de Renda do ano passado.

Por G1 — Brasília

A Receita Federal abre às 9h desta segunda-feira (9) as consultas ao primeiro lote residual do Imposto de Renda de Pessoa Física, incluindo as restituições dos exercícios de 2008 a 2019.

Os lotes residuais são os de contribuintes que caíram na malha fina do IR, mas depois regularizaram as pendências.

Ao todo, 72.546 contribuintes receberão R$ 240 milhões em 16 de março, de acordo com a Receita. Destes, R$ 151,98 milhões são referentes ao IR 2019, pagos a 43.904 contribuintes.

Assim que abertas, as consultas poderão ser feitas por meio da página da Receita na internet ou pelo telefone 146. O órgão disponibiliza, ainda, um aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar as informações sobre a restituição do IR e a situação cadastral no CPF.

Do valor total de restituições, R$ 104,18 milhões referem-se a contribuintes com prioridade no recebimento (pessoas com mais de 80 anos; contribuintes entre 60 e 79 anos; pessoas com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave e aqueles cuja maior fonte de renda seja o magistério).

Malha fina

No fim do ano passado, a Receita Federal informou que 700 mil declarações estavam retidas na malha fina do IR de 2019 devido a inconsistências nas informações prestadas.

Nos últimos anos, a omissão de rendimentos foi o principal motivo para cair na malha fina, seguido por inconsistências na declaração de despesas médicas.

Para saber se está na malha fina, o contribuinte pode acessar o “extrato” do Imposto de Renda no site da Receita Federal, no chamado e-CAC (Centro Virtual de Atendimento).

Para acessar o extrato do IR é necessário utilizar o código de acesso gerado na própria página da Receita Federal, ou certificado digital emitido por autoridade habilitada.

Após verificar quais inconsistências foram encontradas pela Receita Federal na declaração do Imposto de Renda, o contribuinte pode enviar uma declaração retificadora.

Quando a situação for resolvida, o contribuinte sai da malha fina e, caso tenha direito, a restituição será incluída nos lotes residuais do Imposto de Renda.

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Abrigo sigiloso no Rio é destino de mulheres que temem morrer vítimas de violência doméstica

Casa Viva Mulher Cora Coralina, itinerante e com endereço secreto, recebe mulheres em risco iminente de morte. G1 ouviu histórias de sobreviventes; veja VÍDEO.

Por Elisa Soupin e Marcos Serra Lima, G1 Rio

Uma casa e uma vida deixadas pra trás, muitas vezes só com a roupa do corpo. Uma nova residência de endereço desconhecido. Sem celulares ou comunicação e com saídas monitoradas.

A descrição pode parecer a vida de uma pessoa fugitiva, mas se trata, na realidade, do que acontece com parte das mulheres vítimas de violência doméstica, em casos com grave iminência de morte na cidade do Rio de Janeiro.

Para receber essas mulheres vítimas, que temem morrer caso permaneçam em casa, o abrigo municipal Casa Viva Mulher Cora Coralina existe em um endereço sigiloso e itinerante no Rio. Nem mesmo a equipe de reportagem teve acesso ao local, por questões de segurança.

G1 conversou com mulheres que moram ou já passaram por este abrigo e conta, neste domingo, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a história de quem precisou deixar a própria vida no passado para sobreviver. Todas precisam falar sem ter as identidades, rostos e vozes reveladas.

VEJA O VÍDEO ACIMA.

A faxineira B., de 31 anos, viveu um relacionamento de 13 com o ex-companheiro. Negra, lidou com o racismo e as agressões do ex-marido.

“Veio o primeiro filho e, desde a barriga, ele me batia, colocou as coisas do neném pra fora, quebrou carrinho. Aí veio o segundo e puxou mais a mim, eu sou negra e ele é branco dos olhos verdes. O (filho) branco já não servia, o que era da minha cor também não serviu. Ele falava que não era dele. São muitas coisas, se fosse para falar desses 13 anos, a gente não saía daqui”, lembra ela.

B. tem várias marcas pelo corpo da noite em que, depois de anos de agressão, entendeu que precisava dar um basta à situação ou iria morrer.

“Eu estava conversando em família, gesticulando, e ele queria mandar até nos meus gestos: ‘Está balançando o dedo por quê?’ e ele virou meu dedo. Fui pra casa da minha prima e quando voltei, pensando que estava tudo tranquilo, ele estava me esperando com um facão, me deu muita facada. Chamei a polícia, me levaram ao hospital. De manhã, voltei pra casa, ele estava com um facão de novo, me esfaqueou, me falou ‘some daqui’, fui para a casa do meu pai, ele foi atrás de mim, veio que nem bicho. Disse: ‘Merece morrer mesmo, foi piranhar na rua'”, relembra ela, que leva nas pernas, braços e costas as marcas da violência.

Ela foi para a delegacia pela segunda vez, e, lá, ficou sabendo da existência do abrigo. A polícia passou em sua casa, conversou com o ex-marido e pegou seus dois filhos, só com a roupa do corpo. Desde fevereiro, ela vive no abrigo sigiloso, sem contato com a vida que deixou para trás.

“Eu me sinto uma prisioneira. Como se eu tivesse cometido algum crime. Não posso fazer nada. A casa tem regras, a gente tem que seguir, mas é pro nosso bem. Mas eu me sinto presa, como se eu tivesse matado, roubado alguém. É uma mudança muito grande. Me sinto indignada, ele está solto, pode andar pra lá e pra cá. E eu?”, pergunta ela.

As regras de que B. fala incluem horário para acordar e dormir, horário para as refeições, tarefas domésticas, dias agendados para sair, sempre com a presença de educadores, entre várias outras limitações estranhas à vida adulta independente.

Um recomeço, uma transição

A psicóloga Denise Lages, que há 11 anos se dedica ao combate da violência à mulher, 8 dos quais na Casa Cora Coralina, defende a visão de que a permanência na casa é um momento transitório importante e afasta a ideia de que o abrigo seja uma espécie de cadeia.

“Nós trabalhamos em cima da mudança do olhar, de que ela não está ali presa, ela está ali para reorganizar a vida dela. Há todo um trabalho feito pela equipe multidisciplinar, para mostrar que há condições de refazer uma vida, que ela é capaz. É fundamental essa pausa para que ela se reconheça e consiga se fortalecer e entender que ela pode sair daquela situação”, diz.

O tempo médio de permanência é de quatro meses, mas não há regras. Algumas ficam muito mais, outras bem menos.

‘Lá batem? Se não baterem, eu vou’

Essa foi a única pergunta que a também faxineira S., de 45 anos, fez quando soube da existência de um abrigo para onde poderia ir. Ela precisava urgentemente fugir do marido.

“Fiquei com ele cinco anos e as agressões duraram quatro. Um dia, ele me bateu de 23h às 5h. Gritava: ‘Hoje eu vou beber teu sangue, hoje eu vou acabar com você’. Ali eu vi a morte. Ele me jogou no chão e ele me pisava”, conta ela.

Muito machucada, ela foi ao hospital e depois a uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).

“Lá, me perguntaram: ‘Você tem lugar pra ir?’ ‘Não tenho, eu não volto pra casa, vou pra rua’. Ali, me mandaram para um outro abrigo'”, lembra.

Desse abrigo, ela foi encaminhada para a Casa Cora Coralina. “Me perguntaram: ‘Você conhece?’ E eu falei: ‘Só uma pergunta: lá batem? Se lá não batem, eu quero ir pra lá'”, conta.

S. está há dois meses na casa Cora Coralina. Chegou com a roupa do corpo e ganhou outras vestimentas, sapatos e todos os itens de que precisava. Lá, há seis refeições por dia. Também recebeu ajuda para comer, se vestir, tomar banho e pentear os cabelos, quando estava machucada demais para fazer essas coisas sozinha.

‘Muito difícil deixar nossa casa e nossa cama’

Ponto fora da curva, a dona de casa L., de 43 anos, nunca sofreu uma agressão física, mas viveu uma rotina de humilhações e duras agressões verbais, que se transformaram em ameaças de morte diárias no fim de seu casamento de 16 anos.

“Era bebedeira e noitada, ele chegava em casa quebrando tudo. Eu comecei a ficar com medo, porque ele chegava tarde e foi piorando, piorando. Ele me ameaçava, falava que me matava, que matava todo mundo e se matava”, conta a mãe de dois filhos.

Ela conta que não sabia que vivia uma situação de violência doméstica. “Eu achava que casamento era isso: marido que bebia, sumia, gritava, quebrava as coisas e batia nas crianças. Eu achava que era normal.”

O medo veio ao ver casos parecidos com o seu nos noticiários e entender que as ameaças poderiam terminar em morte.

“Ele falou para os amigos: ‘Vou matar ela agora’. Dois amigos dele entraram lá em casa e falaram pra ele não fazer isso. Tive que tomar uma atitude porque meu filho não estava mais dormindo e tinha muito medo do pai. Ele falou: ‘Mãe, estou com medo do meu pai te matar.”

Ela, que já fazia acompanhamento psicológico em um posto de saúde perto de casa, conversou com a psicóloga, que a encaminhou para a Casa Cora Coralina, junto aos dois filhos.

“O nome abrigo assusta. Porque [quando se fala de abrigo] a gente imagina mendigo, uma coisa precária e não é assim. As mulheres que estavam lá eram como eu, precisando de ajuda. [A Cora Coralina] era uma casa grande. É muito bonita, bem preparada.”

L. acredita que a Casa foi essencial para que ela saísse da situação em que se encontrava. “É muito difícil deixar nossa casa e nossa cama. Só mesmo tendo um lugar certo para ficar’, diz ela, que durante os seis meses que morou na instituição, economizou todo o dinheiro que ganhava do programa social Bolsa-família e juntou às economias que tinha em sua poupança para alugar um novo lugar para morar.

“Tive medo de retomar a vida, mas a gente tem que enfrentar a vida. Medo a gente tem, mas parada, piora”, diz ela, que voltou a saber do ex por conta dos filhos, mas se manteve distante.

Serviço

Se você precisa de ajuda para sair de uma situação de violência doméstica, esses são os dois caminhos diretos para chegar à Casa Viva Mulher Cora Coralina:

  • CEAM Chiquinha Gonzaga, na Rua Benedito Hipólito, 125 (térreo), Praça Onze.
  • Plantão judiciário Cejuvida R. Dom Manuel, 37 – Centro, Rio de Janeiro, de 18h às 11h.

Há, ainda, uma rede de proteção à mulher, que inclui o MPRJ, hospitais, DEAMs e justiça que podem indicar a entrada da mulher para o abrigo. Procure ajuda.

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Atendimento inicial de programa de aborto legal em SP tem desconhecimento da lei, erros e recusa por falta de profissionais

G1 testou atendimento telefônico em rede referendada pela Prefeitura de SP. ‘Na prática, serviço de saúde ainda não garante que as mulheres tenham acesso a esse direito’, aponta defensora pública.

Por Lívia Machado, G1 SP — São Paulo

O hospital municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo.  — Foto: Divulgação/Prefeitura

O hospital municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo. — Foto: Divulgação/Prefeitura

“Procura outro hospital ou, se quiser, liga em 15 dias”. A orientação foi dada pelo telefone por uma profissional do atendimento à violência sexual e ao aborto legal do Hospital Tide Setúbal, na Zona Leste, um dos cinco centros médicos municipais indicados pela Prefeitura de São Paulo para prestar o serviço e acolhimento às mulheres na cidade.

Pelo Código Penal Brasileiro, de 1940, o procedimento é permitido em caso de risco à vida da gestante e gravidez decorrente de estupro. Em 2012, o aborto de feto sem cérebro (anencefalia) também deixou de ser considerado crime. Até então, só era realizado após autorização da Justiça.

A reportagem do G1 testou o atendimento inicial e telefônico dos hospitais municipais referendados (veja lista completa abaixo). Dos cinco hospitais indicados pela prefeitura, apenas um – o Hospital Mario Degni, no Jardim Sarah – repassou corretamente as informações.

No Hospital Tide Setúbal, a funcionária explicou que o atendimento está temporariamente interrompido por conta da ausência de uma das profissionais da equipe, que está de férias.

“A gente no momento precisa de uma equipe completa, e nossa psicóloga está de férias”. Sem substitutos, a orientação é esperar o fim do recesso ou buscar atendimento em outro hospital.

Questionados se o aborto era permitido para gravidez decorrente de violência sexual do marido ou namorado, a funcionária demonstrou desconhecimento da lei. “Aí entram situações que a gente tem que avaliar”.

Depois, o G1 conversou com uma assistente social do Hospital, que orientou o retorno em uma semana.

Repórter: Eu queria saber como é que eu faço pra fazer um aborto legal

Assistente: Nós temos o programa aborto legal tá?! Mas é importante fazer o agendamento e tem atendimento com uma equipe técnica.

E como é que eu faço?

Olha, são casos específicos definidos por lei, que é em caso de diagnóstico de feto com anencefalia, ou em situações em que oferece risco pra mãe ou em situações de violência sexual.

E se for meu próprio namorado?

Não é autorizado porque a gente entende que é uma relação consentida

Mesmo que eu não tenha consentido?

Ah, não consentida? Aí entram situações que a gente tem que avaliar. Então nesse caso é como eu tinha te dito inicialmente, nós agendamos um atendimento com a equipe multiprofissional que é a psicóloga, o assistente social e o médico, ai você é avaliada, os exames realizados, tá?! O atendimento não consiste em apenas uma única data, então são alguns critérios que são avaliados

E até que semana eu posso fazer?

A gente pode agendar pra próxima semana, sempre pela manhã

Amanhã não dá?

Não, porque assim, existe uma equipe que faz parte desse programa, então são profissionais específicos pra esse atendimento, não são todos os profissionais do hospital que estão autorizados ou disponíveis para o atendimento, compreendeu?

E amanhã de manhã o pessoal não tá aí pra me atender?

Não, nós não temos os profissionais na data de amanhã, nós só temos com agendamento, mesmo porque, repito, a equipe que está disponível para atender, principalmente a equipe médica que vai pedir solicita exames já te atenderia também e já faria exames, até pra evitar que você compareça em outras datas ou datas além do necessário, nós só poderíamos agendar pra próxima semana

Caso você queira procurar, nós temos outros hospitais na região, tem o hospital do Tatuapé, tá?! Que você também pode procurar.

No Hospital do Tatuapé, a atendente citou os três casos previstos em lei e afirmou não ter mais informações sobre o serviço.

Outros dois hospitais também apresentaram erros no encaminhamento das pacientes ou falta de conhecimento.

No Hospital Fernando Mauro Pires da Rocha, o serviço social disse que as informações só são passadas por ginecologistas do hospital, após atendimento que deve ser feito pelo pronto-socorro.

No Hospital Escola Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva, na Zona Norte, a funcionária afirma que o procedimento, nos casos de gestação decorrente de violência sexual, é realizado somente até a 20° semana de gravidez.

O Ministério da Saúde estabelece, em norma técnica de atenção humanizada ao abortamento, que o procedimento pode ser feito até a 22ª semana de gravidez ou feto pesando até 500 gramas. A limitação de período está prevista apenas para casos de gravidez decorrente de estupro.

No ano passado, o G1 mostrou que entre 1º de abril e 18 de outubro de 2019 Polícia Militar registrou 102.751 chamados de casos de violência doméstica em todo o estado de São Paulo. O número indica uma média de um pedido de socorro a cada 2 minutos e 49 segundos.

Denúncias recorrentes

Recusa, reencaminhamento, além de erros de informação e até desconhecimento da lei (de 1940) e da norma técnica do Ministério da Saúde (de 2005) estão entre as principais denúncias contra os serviços públicos responsáveis pela garantia do direito ao aborto legal em São Paulo recebidos pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

“Criação de quesitos que não existem, negativas que não são explicadas, serviços que são considerados referência pela própria secretaria de Saúde estadual e municipal, mas que quando as mulheres acessam, elas não conseguem atendimento adequado”, destaca Paula Machado, defensora e coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção dos Direitos da Mulher (NUDEM) da Defensoria Pública de São Paulo.

“Na prática, o serviço de saúde ainda não garante que as mulheres tenham acesso a esse direito. Por ser um tema ainda de muito tabu, há resistência da equipe multidisciplinar que acolhe essas pacientes”, afirma a defensora.

Ela revela ainda que é cada vez mais crescente o número de mulheres que recorrem ao NUDEM em busca de informações ou relatos de falhas no serviço. Por conta disso, em 2018, o Núcleo criou uma cartilha que visa orientar os funcionários do serviço de saúde e a população em relação ao tema.

“O atendimento humanizado dessas mulheres precisa acontecer desde o primeiro canal de comunicação (…) As portas de entrada são via telefone, nos portais, nos site. Essas informações têm de estar atualizadas. Se essa informação não estiver correta, a mulher pode perder o direito por conta da má informação”, afirma a defensora.

A falta de acesso à informação sobre o direito à interrupção da gravidez reflete a espiral de um problema crônico não apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil, avalia a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo.

“Sem informações sobre esse direito e sem saber a quais serviços públicos de saúde recorrer, essas vítimas têm negado um direito previsto no código penal desde 1940. Pode-se dizer que em São Paulo e no Brasil há um boicote explícito na rede de pública de saúde que impossibilita a essas mulheres acessar os serviços de aborto previsto por lei. Na maioria dos hospitais da rede SUS as mulheres encontram desde a recusa de atendimento, fornecimento de informações imprecisas e até desconhecimento da norma técnica do Ministério da Saúde sobre a interrupção da gravidez prevista em lei”, destaca.

Estatísticas

De acordo com a secretaria municipal da Saúde, foram realizados 72 abortos por razões médicas e legais em 2017; 59 em 2018 e 74 procedimentos em 2019. Mais de 80% dos procedimentos foram realizados em decorrência de violência sexual.

Já a secretaria estadual da Saúde afirma que em todo o estado, entre 2015 e 2019 foram realizados mais de 2 mil procedimentos de aborto legal. Cerca de metade deles feitos no Hospital Pérola Byington, um dos principais da rede estadual, por meio do programa “Bem me quer”.

A pasta ainda afirma que o procedimento é também realizado por serviços estaduais de saúde, como Hospital de Base de São José do Rio Preto, e os HCs de São Paulo, Campinas, Botucatu, entre outros.

Psicóloga do Pérola desde o início da carreira, Daniela Pedroso atua há 23 anos no atendimento às mulheres grávidas decorrentes de violência sexual. Segundo ela, o hospital recebe vítimas de todo o Brasil.

“A gente recebe mulheres do país todo, que muitas vezes buscaram serviço de referência em seus estados e municípios e não encontraram”, pontua.

Na avaliação da especialista, o número de atendimentos feitos pelo Hospital não condiz com o montante de mulheres que teriam direito a realizar tal procedimento no país.

“Não expressam a realidade, pois o número de mulheres vítimas de estupro que ficam grávidas e desejam interromper a gestação é muito maior se olharmos a realidade da violência no país”, diz.

Ainda de acordo com Daniela, a maioria das vítimas atendidas no Pérola são mulheres jovens, na faixa dos 22 anos de idade, que professam alguma religião – católica ou evangélica – , e que trazem relato de violência sexual em atividades do cotidiano, indo ou voltando no caminho da escola ou trabalho.

Elas recorrem ao hospital após buscas espontâneas realizadas na internet sobre aborto, sem ter nenhum conhecimento dos casos em que o procedimento é garantido por lei. “As mulheres ainda desconhecem o direito ao aborto em caso de estupro”, relata.

No Brasil, o aborto é permitido em três casos:

  • Gravidez decorrente de um estupro
  • Risco à vida da gestante
  • Anencefalia do feto

Acesso à informação

A lista da rede referendada pela Prefeitura só é encontrada no site da gestão municipal por meio de buscas usando ‘aborto’ como palavra-chave. Na página destinada à violência sexual e doméstica, o direito ao aborto nos casos previstos em lei sequer é mencionado.

O mesmo ocorre no site do Hospital Estadual Pérola Byington, um dos principais centros de referência em saúde da mulher e atendimento às vítimas de violência sexual do país. O site da secretaria estadual de Saúde não contém informações sobre o serviço.

Em nota, a secretaria estadual da Saúde afirma que as informações estão em links específicos, como o do programa “Bem me quer”, do Pérola Byington, em subpáginas relacionadas à violência sexual – os links direcionam à arquivos em PDF com normas técnicas e artigos, mas não informam, de forma objetiva, onde é possível encontrar atendimento.

Histórico

A cidade de São Paulo foi a primeira a implantar o serviço de atendimento às mulheres para interrupção da gravidez nos casos previstos em lei.

Criado em 1989 durante a gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo, o programa de abortamento legal foi iniciado no Hospital Saboya, popularmente conhecido como Hospital Jabaquara, na Zona Sul. No local, o serviço foi descontinuado em 2017, durante a gestão de João Doria (PSDB).

Hoje dona de uma das cadeiras da Câmara dos Deputados pelo PSOL, Erundina recorda a resistência enfrentada, há três décadas, para viabilizar o projeto dentro da rede municipal.

“Eu sofri pressão também, mas como eu tinha um governo constituído de pessoas que havia uma identidade de compromissos, de princípios que norteavam nosso governo, a política de saúde era encaminhada nos termos mais modernos, avançados. (…) Eu encontrei resistência não interna ao governo, mas externa, mesmo no próprio hospital onde se instalou o serviço. (…) O governo bancou. Foi uma decisão política do governo de operacionalizar na prática, um direito das mulheres, sobretudo das mulheres pobres.”

Na avaliação da deputada, porém, com o avanço de pautas conservadoras no cenário político nacional, a resistência, hoje, tornou-se maior do que a enfrentada por ela na década de 80.

“[Atualmente] É muito maior. Piorou, sobretudo com essa conjuntura de um governo fundamentalista, ultrapassado. (…) Nós estávamos saindo de uma Ditadura, estávamos na vigência de uma nova Constituição, de 88. (…) Era um outro tempo, uma outra visão que se tinha e uma outra sensibilidade a respeito desses problemas. Então, [hoje] temos que recorrer e enfrentar isso na Justiça, no Ministério Público”.

“É lamentável que a gente tenha passado 31 anos de um serviço que está previsto desde 1940, que é o Código penal brasileiro, em seu artigo 128. Não é favor nenhum que governo faça atendimento, isso é uma exigência legal. Mas as pessoas não têm as informações, e o poder público, que é quem deveria prestar não só o atendimento, mas informar as pessoas e sensibilizar os serviços de saúde. Mas isso não ocorre. A gente lamenta pela ineficiência, ineficácia da legislação. Por descuido, por desinteresse do poder público”, afirma a deputada em entrevista ao G1.

Rede referendada

REGIÃO SUL

• H.M. DR. Fernando Mauro Pires Da Rocha – Campo Limpo

  • Endereço: Estrada de Itapecerica, 1661 – Campo Limpo
  • Fone: 3394-7503 / 7504 / 7730 – serviço social (localizado no Pronto-Socorro)

REGIÃO OESTE

• H.M. Prof. Mario Degni – Hospital Jardim Sarah

  • Endereço: Rua Lucas De Leyde, 257 – V. Antonio
  • Fone: 3394-9394 (ramais 9395/ 9396/ 9397) – serviço social (localizado próximo à recepção)

REGIÃO SUDESTE

• H.M. Dr. Carmino Caricchio – Tatuapé

  • Endereço: Av. Celso Garcia, 4815 – Tatuapé
  • Fone: 33947149 ou 33946980

REGIÃO LESTE

Hospital Municipal Tide Setúbal- São Miguel Paulista

  • Endereço: Rua Dr. José Guilherme Eiras, 1123
  • Fone: (11) 3394-8840 – serviço social (localizado no primeiro andar)

REGIÃO NORTE

• H.M.M. Escola Dr. Mario De Moraes Altenfelder Silva

  • Endereço: Av. Deputado Emilio Carlos, 3.100 – V. Nova Cachoeirinha
  • Fone: 3986-1151 – serviço social (localizado no ambulatório – sala 12)
  • (11) 3986-1128 / 3986-1159 – Pronto-Socorro

Região central

Rede de referência estadual – Hospital Pérola Byington

Hospital:

  • Avenida Brig. Luís Antônio, 683
  • Bela Vista – São Paulo Referência: Próx. Metrô Liberdade
  • Tel: 3248-8000

Ambulatório:

  • Rua Santo Antônio , 630
  • Bela Vista – São Paulo Referência: Próx. Metrô Anhangabaú ou Terminal de Ônibus Bandeira
  • Tel: 3292-9000

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Pescador é atingido por bala de borracha na cabeça ao entrar em área militar no RJ, diz Marinha

Segundo a Marinha, embarcação invadiu área restrita e não respeitou ordem de parada. Esposa diz que ele foi perseguido até Paquetá. Estado de saúde dele é estável.

Por G1 Rio

Um pescador foi baleado por uma bala de borracha na cabeça na noite de sábado (8). Segundo a Marinha, ele invadiu área de segurança militar, próximo à Ilha do Boqueirão em Magé, na Baixada Fluminense, e não atendeu a uma ordem de parada.

“Foi necessário o emprego de armamento não letal para que os procedimentos de segurança fossem cumpridos”, diz a nota (veja a íntegra no fim da reportagem).

Edilson Aderaldo Marques Filho estava embarcado com o irmão. Os dois estariam em local permitido, perto de um terminal de gás.

A esposa de Edilson diz que eles foram perseguidos por militares até a Ilha de Paquetá, aos tiros. Ferido, ele teria sido detido e levado para Ilha do Governador.

A vítima foi levada para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. O estado de saúde é estável, segundo a Secretaria de Saúde.

Veja a íntegra da nota da Marinha:

“A Marinha do Brasil (MB), por intermédio do Comando do 1º Distrito Naval, informa que, na madrugada de ontem (07) 07), uma embarcação não identificada invadiu, sem autorização, a Área de Segurança Marítima do Centro de Munição da Marinha.

Após a ordem de parada não atendida, foi necessário o emprego de armamento não letal para que os procedimentos de segurança fossem cumpridos. O invasor atingido recebeu os primeiros socorros ainda na Organização Militar e, em seguida, foi encaminhado em estado de saúde estável ao Hospital mais próximo.

A Marinha esclarece ainda que a embarcação foi apreendida e que instaurou processo administrativo para apurar os fatos. A MB ressalta também que adota todos os procedimentos baseados na Lei e nas suas normas de segurança.”

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Brasileiros já pagaram R$ 500 bilhões em impostos este ano

Valor foi atingido na manhã desta sexta-feira (6).

Por G1

Os brasileiros já pagaram R$ 500 bilhões em impostos este ano, segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O valor foi atingido por volta das 8h30 desta sexta-feira (6) – três dias antes da data em que foi alcançado no ano passado.

Impostômetro - R$ 500 bilhões — Foto: ACSP/Reprodução

Impostômetro – R$ 500 bilhões — Foto: ACSP/Reprodução

Em nota, Emilio Alfieri, economista da ACSP, afirma o aumento na arrecadação pode ser visto de forma positiva, uma vez que não houve elevação das alíquotas. Outro aspecto positivo é que o déficit público vem caindo: está em 0,7%, em janeiro, enquanto no ano passado estava em 1,2%.

No entanto, ainda segundo o economista, o cenário político atual está atrapalhando a retomada do crescimento, que poderia ser ainda mais acentuada se as reformas administrativas, e outras necessidades em discussão no Congresso, já tivessem sido implantadas.

Em todo o ano passado, os brasileiros pagaram um recorde de cerca de R$ 2,5 trilhões em impostos, segundo os cálculos da entidade. O valor corresponde ao total pago para a União, estados e municípios na forma de impostos, taxas, multas e contribuições.

O Impostômetro

O impostômetro foi criado em 2005 e busca estimar o valor total de impostos, taxas, contribuições e multas que a população brasileira paga para a União, os estados e os municípios.

O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet, na página do Impostômetro (www.impostometro.com.br). Na ferramenta é possível acompanhar quanto o país, os estados e os municípios estão arrecadando com tributos e também saber o que dá para os governos fazerem com todo o dinheiro arrecadado.

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Sete suspeitos são mortos durante tentativa de assalto a bancos em Paraí

Homens estariam armados com fuzil e pistolas. Nenhum policial ficou ferido.

Por Samuel Vettori e Roger Ruffato, RBS TV e G1 RS

Segundo Brigada Militar, suspeitos tentaram assaltar duas agências bancárias  — Foto: Divulgação/BM

Segundo Brigada Militar, suspeitos tentaram assaltar duas agências bancárias — Foto: Divulgação/BM

Sete suspeitos morreram em uma tentativa de assalto a bancos, na madrugada desta sexta-feira (6), em Paraí, na Serra do Rio Grande do Sul. Segundo a Brigada Militar, eles estavam armados com quatro espingardas calibre 12, uma metralhadora e duas pistolas. Nenhum policial ficou ferido.

A BM informou que três suspeitos estavam dentro do Banco do Brasil e outros quatro próximo ao Sicredi quando ocorreu o confronto. As agências ficam a 110 metros de distância uma da outra.

A polícia monitorava o grupo. As câmeras instaladas pela prefeitura na entrada da cidade ajudaram no monitoramento. Eles estavam em dois carros com placas de Porto Alegre. De acordo com a BM, um dos veículos havia sido roubado no dia 20 de fevereiro bairro Vila Jardim na capital e estava e tinha as placas clonadas.

Segundo o Comandante Geral da BM, coronel Rodrigo Mohr Picon, os homens começaram o confronto ao verem as equipes da polícia chegando.

“A polícia tinha informações através do trabalho de inteligência e tinha a área toda e tinha a área toda mobilizada de efetivo a partir dessas informações. Participaram o 4º batalhão de caxias, a força tática do 3º batalhão de áreas turísticas de Bento Gonçalves e mais a área de inteligencia do comando serra”, disse.

O comandante afirma que os policiais cumpriram a lei. “Cumprir a lei é utilizar os meios de formas progressiva e nunca o objetivo é matar. Mas quem escolhe o confronto é o criminoso, não a Brigada. Nós vamos para prender, mas se ele reagir e colocar em risco a vida de um policial ou de um terceiro, legalmente nós agimos. Quem escolhe o confronto e o final da ocorrência é o criminoso.”

Alguns suspeitos estavam com touca ninja e três vestiam moletons com a identificação da Polícia Civil.

O vendedor Allan Zandoná contou que percebeu uma movimentação estranha na noite. Ele mora há duas quadras de onde ocorreu o confronto. “Estava deitado e ouvi os tiros. Rapidamente os moradores começaram a se comunicar por whats. E quando cheguei na loja para trabalhar pela manhã estavam as marcas de tiros”, disse.

Um carro que estava estacionado na frente foi atingido pelos disparos e diversas lojas tiveram os vidros quebrados.

O delegado Arthur Reguse afirmou que as vítimas ainda não foram identificadas.

“Preliminarmente não estão identificados, mas há uma possível informação que dois deles sejam oriundos de Guaporé”, informou.

O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi acionado para desarmar explosivos que foram deixados nos bancos. Segundo a polícia, havia três artefatos na agência do Sicredi. No Banco do Brasil, ainda não havia informação. Cerca de nove quadras da cidade foram isoladas para trabalho da perícia.

Suspeitos estavam armados, segundo a polícia — Foto: Divulgação/BM

Suspeitos estavam armados, segundo a polícia — Foto: Divulgação/BM

Outro roubo

Em Segredo, no Vale do Rio Pardo, um grupo invadiu uma agência bancária e explodiu um caixa eletrônico na madrugada desta sexta. Não há informações se os suspeitos conseguiram levar o dinheiro.

Cinco homens participaram do crime. Segundo a polícia, a quantidade de explosivos foi tão grande que o dinheiro pode ter sido queimado no momento da explosão. O local está isolado para que uma perícia seja feita.

Conforme as autoridades, a ação durou 15 minutos e os criminosos fugiram em direção a Lagoão, município vizinho, por uma estrada de chão batido. Até o momento, eles não foram localizados. As autoridades fazem buscas pela região.

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