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Hospital de referência para Covid-19 em Natal fecha as portas do pronto-socorro

Todos os leitos de UTI e até os leitos de enfermaria estão ocupados no Hospital Giselda Trigueiro.

Por Jornal Nacional

Hospital de referência para Covid-19 em Natal fecha as portas do pronto-socorro

Em Natal, o hospital de referência para Covid-19 fechou as portas do pronto-socorro para novos pacientes.

Todos os leitos de UTI e até os leitos de enfermaria estão ocupados no Hospital Giselda Trigueiro. Jodan tentou e não conseguiu que a mãe de 70 anos fosse atendida. Dona Maria é hipertensa e, desde quinta-feira (14), está com febre e falta de ar.

“Encaminharam a gente para uma UPA. Lá disseram que não estavam fazendo teste. Conseguimos fazer particular porque uma amiga da minha mãe se prontificou a pagar os exames”, contou Jodan Dantas.

A Secretaria de Saúde do estado orientou que pacientes com sintomas de Convid-19 procurem uma unidade de pronto atendimento. Para tentar desafogar o hospital de referência, o governo do estado está transferido 20 leitos de enfermaria de outras doenças para um hospital universitário.

A ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em Natal é crítica. Até às 19 horas desta segunda (18), não havia nenhuma unidade de terapia intensiva disponível no sistema de regulação da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte. A prefeitura de Natal diz que tinha seis vagas, mas que não aparecem no sistema por serem leitos novos.

Em Mossoró, segunda maior cidade do estado, desde domingo (17) não há vagas em leitos de UTI para Covid na rede pública. O Rio Grande do Norte tem mais de 3 mil casos e 148 mortes confirmadas pela Covid-19.

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Auxílio Emergencial: governo começa a pagar a segunda parcela do benefício

Pagamentos começam para beneficiários que recebem o Bolsa Família. Para trabalhadores no Cadastro Único e inscritos via app e site, créditos serão feitos a partir de quarta-feira (20).

Por G1

Começa a ser paga nesta segunda-feira (18) a segunda parcela do Auxílio Emergencial de R$ 600. Os primeiros a receber serão os beneficiários do Bolsa Família cujo NIS é terminado em 1. Na terça, serão pagos os recursos aos beneficiários do bolsa com NIS terminado em 2.

Já os trabalhadores que estão no Cadastro Único e não recebem o Bolsa Família, assim como os que se inscreveram no Auxílio Emergencial através do site ou aplicativo, começam a receber a parcela apenas na quarta-feira (20).

O calendário da segunda parcela vale apenas para quem recebeu a primeira parcela até 30 de abril. O governo não informou quando vai pagar a segunda parcela para quem receber a primeira depois desta data.

SÃO 3 CALENDÁRIOS DE PAGAMENTO:

  1. um para depósito em poupança social
  2. um para saque em espécie para beneficiários do Bolsa Família
  3. um para saque em espécie para poupança social e transferência de recursos

Diferente da primeira parcela, todos os trabalhadores que não recebem o Bolsa Família vão receber os recursos em poupança social digital da Caixa. Inicialmente, será permitido usar esse recursos apenas para pagamentos de contas, boletos e compras por meio de cartão de débito virtual.

Tanto saque quanto transferência desse dinheiro para outras contas só poderá ser feito mais tarde (veja no calendário 3 abaixo) – para quem recebeu a primeira parcela em outra conta, o recurso será transferido automaticamente na mesma data de liberação para saque.

VEJA OS CALENDÁRIOS:

1. Calendário para depósito em poupança social

 — Foto: Economia G1

— Foto: Economia G1

2. Calendário para pagamento aos beneficiários do Bolsa Família

 — Foto: Economia G1

— Foto: Economia G1

3. Calendário para saque e transferência da poupança social

Auxílio Emergencial segunda parcela - saque e transferência da poupança social — Foto: Economia G1

Auxílio Emergencial segunda parcela – saque e transferência da poupança social — Foto: Economia G1

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Rodízio de carros tradicional volta a vigorar nesta segunda em São Paulo; veja placas que podem circular

Mudança foi anunciada neste domingo (17) após medida mais restritiva e ampliada não surtir efeito no índice de isolamento. Prefeito enviou à Câmara projeto que prevê antecipação de feriados municipais para tentar fazer a ‘cidade parar’.

Por Lívia Machado e Tahiane Stochero, G1 SP — São Paulo

O rodízio tradicional volta a vigorar às 7h desta segunda-feira (18) em São Paulo. Carros com as placas final 1 e 2 não podem circular no centro expandido da cidade das 7h às 10h e depois das 17h às 20h (veja lista completa abaixo).

O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou neste domingo (17), o rodízio ampliado e mais restritivo, que entrou em vigor na segunda-feira (11), não surtiu efeito no índice de isolamento da cidade, que se manteve abaixo do esperado pela gestão municipal.

“Não tem sentido a gente exigir esse esforço sobrenatural das pessoas se, do ponto de vista prático, a única razão para qual o rodízio (ampliado) foi feito, que é aumentar o isolamento social, não foi cumprida. Continuamos abaixo dos 50%”, disse Covas.

Com o novo decreto, o rodízio volta a restringir a circulação de veículos de acordo com o número final da placa e o dia da semana, apenas no centro expandido e nos horários de pico, como era realizado anteriormente:

  • Segunda-feira: final de placa 1 e 2
  • Terça-feira: final de placa 3 e 4
  • Quarta-feira: final de placa 5 e 6
  • Quinta-feira: final de placa 7 e 8
  • Sexta-feira: final de placa 9 e 0

Na semana passada, na tentativa de desestimular a circulação de pessoas, a Prefeitura de São Paulo endureceu as regras de circulação de carros na cidade.

Pela determinação, veículos com placas de final par só poderiam rodar em dias da semana pares, e veículos com final ímpar, nos dias ímpares. A medida valia por toda a cidade, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos.

Entretanto, os índices seguem semelhantes aos contabilizados anteriormente, quando o governo já se preocupava com o desrespeito da população à quarentena.

Na terça-feira, 6 de maio, a taxa registrada foi de 47%, assim como na terça, 12. Nesta sexta (14), na capital, o número sofreu queda em relação ao dia anterior e chegou a 48%. No sábado (16), o índice de isolamento chegou a 52%.

“Houve apenas uma pequena melhora no único índice que temos. O único índice disponível para medir o isolamento, baseado em localização de celulares em relação à antenas de sinal. Comparando a sexta-feira dia 8, com a sexta-feira dia 15, subimos apenas dois pontos percentuais, passando de 46% para 48% de isolamento, mantendo-se abaixo de 50%”, afirmou o prefeito neste domingo.

O rodízio foi a segunda estratégia da prefeitura para tentar ampliar a taxa de isolamento social. Dias antes, a gestão municipal chegou a fazer bloqueios em grandes vias da cidade. A medida foi bastante criticada, pois afetou profissionais de serviços essenciais, principalmente da área da saúde.

Multas

Ainda de acordo com Covas, as multas aplicadas durante os sete dias em que o rodízio restritivo permaneceu em vigor serão mantidas. “Quem foi multado, foi multado”, garantiu.

Covas disse, porém, que os recursos solicitados para liberação durante tal período serão avaliados e os prazos só começarão a contar após o término da pandemia.

Lockdown

Durante a coletiva, Covas defendeu a necessidade de paralisação para conter o avanço da doença. O prefeito disse que a gestão municipal, após duas tentativas de controle de fluxo, se vê com poucos recursos para alterar o índice.

“Precisamos ampliar o isolamento. Precisamos rápido e estamos ficando sem alternativas.”

E destacou que a gestão municipal não tem estrutura para fechar a cidade isoladamente.

“Antes de pensarmos em abrir, precisamos parar. Mas é preciso dizer que a prefeitura, sozinha, não tem todos os principais instrumentos para fechar totalmente a cidade. Nossa competência constitucional em segurança é muito limitada. Não há no mundo caso de autoridade pública sem poder de polícia, sem segurança pública, que consiga implantar um lockdown. Além disso, a capital não é uma ilha como a Nova Zelândia. Não somos isolados do mundo.”

Antecipação de feriados

O prefeito disse que enviou, neste domingo (17), à Câmara Municipal, um projeto em regime de urgência propondo a antecipação de feriados municipais como estratégia para alterar a taxa de isolamento social, enquanto um possível fechamento da cidade é elaborado pelo governo.

“A cidade de São Paulo é sócia-minoritária, mas não controla o Metrô nem os trens. São Paulo precisa desacelerar ainda mais por um dias para diminuir novamente o ritmo de contágio e salvar vidas. Enquanto devemos nos preparar para essa tarefa gigantesca e inédita, precisamos ser criativos e usar todos os instrumentos que estão ao nosso alcance.”

A ideia, de acordo com Covas, é fazer uma “pausa forçada” na cidade. “Me resta na manga o uso de feriados municipais. Estou enviando para a Câmara o projeto de lei para antecipar os dois últimos feriados municipais de Corpus Christi e Consciência Negra. [Eles] seriam neste ano como pontos facultativos. Vamos manter as datas, mas sem o feriado obrigatório”, afirmou.

O prefeito afirmou que vai sugerir ao governador João Doria (PSDB) que faça o mesmo no feriado de 9 de Julho, data do aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932.

O presidente da Câmara, o vereador Eduardo Tuma (PSDB), também presente na coletiva, disse que o projeto entra em pauta no legislativo municipal já nesta segunda-feira (18). A expectativa do governo é a de conseguir aprovação até terça (19).

Risco de colapso

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse neste domingo (17) que as mortes por coronavírus subiram 432% em menos de um mês na cidade de São Paulo.

Segundo o secretário, há muito mais casos suspeitos da doença do que confirmados até então.

Ele também informou que o sistema de saúde municipal poderá estar comprometido em 15 dias se novas medidas não forem tomadas.

Cidade de São Paulo (casos de Covid-19):

  • 135.348 pessoas suspeitas da doença
  • 38.479 casos confirmados
  • 2.766 óbitos confirmados
  • 3.143 óbitos suspeitos

“De 9 de abril a 15 de maio, houve aumento de 432% no número de mortos na nossa cidade. Como disse o prefeito, dos 840 leitos, 89% deles estavam ocupados. Sendo que, em 6 hospitais, chegamos à capacidade de leitos operacionais de 100% da ocupação”, disse Aparecido.

“Até 23 de abril, tínhamos a média de 812 casos de notificação por dia. Chegamos na noite de ontem à notificação de 3.867 casos por dia”, salientou o secretário.

“Em 15 dias, o sistema de saúde de São Paulo estará profundamente comprometido, mesmo com todo o esforço feito até agora na ampliação de leitos. Isso tudo será insuficiente para o grau de evolução que nós temos neste momento da doença”, acrescentou Aparecido.

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Brasil tem 16.118 mortes e 241.080 casos confirmados de novo coronavírus, diz ministério

Em 24 horas, foram mais 485 mortes registradas. Há dois meses, Brasil registrou a primeira morte pela covid-19.

Por G1

Foram mais 485 mortes registradas em 24 horas. — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

Foram mais 485 mortes registradas em 24 horas. — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

O Ministério da Saúde divulgou neste domingo (17) o mais recente balanço dos casos de novo coronavírus no Brasil.

Os principais dados são:

  • 16.118 mortes, eram 15.633 mortes no sábado (16).
  • Foram mais 485 novos registros de mortes acrescentados em 24 horas.
  • 241.080 casos confirmados, eram 233.142 no sábado (16).
  • Foram 7.938 casos incluídos no balanço em 24 horas.
  • Em São Paulo são 4.782 mortes e 62.345 casos. (Veja abaixo os dados dos outros Estados).

Ministério da Saúde: Brasil tem 16.118 mortos por coronavírus

Foram  7.938 casos incluídos no balanço, em 24 horas. — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

Foram 7.938 casos incluídos no balanço, em 24 horas. — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

De acordo com o ministério, há 130.840 pacientes em acompanhamento (54,3% do total)️ e 94.122 recuperados (39,0%).

O Brasil chega a dois meses de registro de morte pela Covid-19. A primeira morte foi no dia 17 de março, um mês depois, eram 2.141. De 17 de abril até este domingo (17) foram mais 13.977 mortes (86,5%) .

Dados dos Estados  — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

Dados dos Estados — Foto: Rodrigo Sanches/ G1

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Cientistas alertam para aumento nas mortes por Covid-19 em SP nos últimos dias e possibilidade de pico de mortes virar ‘platô’

Pesquisadores alertam que SP abandonou tendência de achatamento da curva de casos e mortes por Covid-19. Entenda a diferença entre pico de casos e platô.

Por Patrícia Figueiredo, G1 SP — São Paulo

Curva de mortes no estado de SP — Foto: Arte/G1

Curva de mortes no estado de SP — Foto: Arte/G1

Pesquisadores que acompanham a evolução do novo coronavírus no estado de São Paulo alertam que a curva de mortes causadas pela doença, que chegou a entrar em processo de achatamento, teve forte aceleração nos últimos 15 dias. Os cientistas admitem a possibilidade de que o vírus não cause um pico de contaminação, mas sim um platô, como os especialistas classificam uma situação de pico contínuo, que demora a cair. Nesse caso, o número de novos casos por dia se mantém alto por várias semanas seguidas e a capacidade da rede hospitalar se esgota, levando ao colapso do sistema.

Nas últimas duas semanas o estado de São Paulo viu a taxa de contágio – que é o número de pessoas para as quais um infectado transmite o vírus – aumentar, o que causou recordes nos números de mortes e casos confirmados. Porta-vozes do governo, como o secretário da Saúde, José Henrique Germann, também demonstram preocupação com o aumento dos casos fora da capital: dados do governo estadual mostram que doença está se propagando 4 vezes mais rápido no interior e litoral.

Em uma semana, São Paulo registrou mais de mil mortes chegando a 4.782 óbitos neste domingo (17) contra 3.709 no domingo anterior (10). O estado passou o número de óbitos da China e se fosse um país, São Paulo seria o 13º do mundo com mais mortes por coronavírus.

Em 20 de março, o infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, chegou a prever que o pico dos casos e mortes de coronavírus no estado ocorreria entre abril e maio. “O pico deve ser mais pro final de abril, meio de abril, e também maio. Isto é previsão”, disse Uip.

Mas a imunologista Ester Sabino, que coordenou o primeiro sequenciamento genético do novo coronavírus no Brasil, avalia que a situação de São Paulo pode ser diferente daquela verificada em países como a China e a Coreia do Sul, que já tiveram uma primeira onda de casos e mortes por Covid-19.

“O que pode ocorrer é não termos um pico de mortes, mas um platô, uma curva que fica um tempão lá no alto, com muitas novas mortes por dia. A gente queria que esse platô de casos ficasse sempre abaixo da capacidade das UTIs, mas não é essa a tendência que está se desenhando em São Paulo”, afirma Sabino, que é professora na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Ela explica que países como a China e a Coreia do Sul tiveram um pico de casos seguido por uma rápida diminuição porque tomaram medidas drásticas para conter a propagação do vírus.

“Aqui a gente seguramente vai ter novas ondas, e eu não sei nem se vamos poder chamar de ondas, porque pode ser que esse vírus consiga ficar mais num formato de platô, que nunca chegue a terminar a primeira onda”, avalia. “Na Itália, só conseguiram fazer parar de subir com o lockdown”. O país restringiu a circulação em todo seu território no dia 9 de março.

O professor de física na USP, José Fernando Diniz Chubaci, acompanha os dados do estado de São Paulo desde o início da pandemia e também acredita que os picos de casos e óbitos podem ser duradouros.

“O que ocorre é que depois do pico o gráfico demora muito tempo para descer. Isso define que vai demorar muito mais para você deixar de ter casos novos. Você vê que o gráfico da Itália, por exemplo, tem repiques: mesmo depois da semana de pico você tem dias que superam os dias anteriores”, explica.

Segundo Chubaci, o crescimento de casos e óbitos em São Paulo acelerou nas últimas duas semanas.

“Analisando gráficos em escala linear pude ver que os casos em São Paulo tiveram uma inclinação na semana passada muito mais íngreme que em toda a história dos dias analisados. No gráfico em escala logarítmica dá para perceber que o crescimento é exponencial, ele parou de ‘baixar’ como nas semanas anteriores”, afirma Chubaci.

Projeções feitas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que, se for mantida a taxa de contágio observada nos trinta dias anteriores a 10 de maio, São Paulo contabilizará 53,5 mil novas infecções por dia no final de junho.

Desses, 20,8 mil casos diários serão no município de São Paulo. O número de óbitos diários atingirá 2,5 mil no estado, dos quais 1,1 mil ocorrerão na cidade de São Paulo.

A projeção concluiu que a adoção de lockdown obrigatório no estado seria inevitável caso o nível de isolamento social não suba significativamente nas próximas semanas, segundo o matemático Renato Pedrosa, professor do Instituto de Geociências da Unicamp e coordenador do Programa Especial Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPESP.

As estimativas foram feitas com um modelo desenvolvido por Pedrosa que permite estimar a dinâmica de transmissão do vírus em diferentes locais, levando em conta variáveis climáticas, como temperatura e umidade absoluta, a densidade populacional e a linha do tempo da propagação da doença, com informações como a data em que o país ou a região atingiu a marca de 100 casos.

Curvas de casos de coronavírus em São Paulo — Foto: Arte/G1

Curvas de casos de coronavírus em São Paulo — Foto: Arte/G1

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‘Há um mês não vejo minha filha’: enfermeiros vivem rotina de longas jornadas, baixos salários e, agora, solidão

Com medo de infectar familiares, muitos desses profissionais se isolaram e têm experimentado grande sobrecarga emocional e de trabalho. Último balanço aponta que 10 mil foram afastados com covid-19.

Por Camilla Veras Mota, BBC

Braulita Braga está há um mês e meio sem ver a filha, Luize.

Desde que a pandemia de Covid-19 chegou à cidade de Fortaleza, a enfermeira está isolada da família — inclusive dos pais, com quem costumava almoçar sempre que os horários pouco convencionais que a profissão permitia.

Com 20 anos de experiência como intensivista, trabalhando dentro de UTIs, ela se divide entre dois hospitais da rede privada na capital cearense.

Foi Luize, que completou 17 anos no último dia 25 de abril, que decidiu se mudar temporariamente para a casa “da mãezinha e do paizinho”, como chama os avós, para poupar a mãe de mais uma preocupação.

“Eu sinto saudade… ela me liga às vezes chorosa. Fico com o coração pequeno, me dá uma certa angústia — mas ao mesmo tempo força, porque eu sei que tudo isso vai acabar. Precisa acabar.”

Braulita faz parte de um exército de mais de 1 milhão de profissionais de enfermagem que estão na linha de frente contra o novo coronavírus. Histórias como as dela têm se repetido com frequência durante a pandemia.

Com medo de infectar os familiares, muitos desses profissionais se isolaram e têm vivido nas últimas semanas uma mistura de angústia e solidão. À sobrecarga emocional — que vem do temor de ser infectado, da hostilidade por que muitos passam no transporte público ou mesmo em casa, pelo companheiro — se somam o esgotamento que vem do trabalho em si e, em muitos casos, a alta exposição ao risco representado pelo novo coronavírus.

Na estimativa mais recente da Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cerca de metade dos 2,3 milhões de enfermeiros, técnicos e auxiliares registrados no país estão atuando nos hospitais e unidades de saúde no combate à doença neste momento.

É o maior grupo de profissionais que lidam com a doença — para se ter uma ideia, há no Brasil, ao todo, cerca de 400 mil médicos.

Cento e oito profissionais de enfermagem já morreram por Covid-19

Os profissionais de enfermagem são em sua maioria absoluta mulheres — 86,6% do total, de acordo com a pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, realizada em 2015 pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

A predominância tem sido destacada pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) em seus últimos relatórios de acompanhamento da pandemia de Covid-19 por conta da inserção desse grupo no mercado de trabalho.

São as mulheres muitas vezes as responsáveis pela criação dos filhos — quando estão separadas ou mesmo juntas dos companheiros. Com frequência, elas também acabam assumindo a maior parte das tarefas domésticas.

Segundo a OIT, as mulheres gastam em média quase 4 horas e meia por dia em chamados “trabalhos não remunerados” — o cuidado com a casa e com a família, por exemplo —, enquanto os homens despendem cerca de uma hora e 20 minutos nessas mesmas funções.

Menos de dois salários mínimos

No Brasil, além da dupla ou tripla jornada, os profissionais de enfermagem também convivem com baixos salários.

Mais de 60% ganham menos de R$ 2 mil por mês (62,2%) e mais de um terço (38,7%) têm jornadas superiores a 41 horas semanais. Cerca de 3,5% recebem mais de R$ 5 mil por mês.

“A questão da remuneração me chamou atenção — absolutamente fora de qualquer padrão ético que pudesse ser aceitável”, diz a pesquisadora da Fiocruz Maria Helena Machado, coautora do trabalho publicado em janeiro deste ano em que constam os dados sobre os salários da categoria.

“E não há muita diferença entre quem é formado e quem tem nível médio ou técnico”, acrescenta a socióloga, que coordenou o Perfil da Enfermagem no Brasil e estuda as profissões ligadas à saúde há mais de 20 anos.

Os profissionais da enfermagem assistiram a um processo de achatamento salarial nas últimas décadas em uma magnitude que os colegas médicos, odontólogos e fisioterapeutas não experimentaram, acrescenta ela.

As razões para isso vêm da própria estrutura da carreira. O fato de concentrar um enorme contingente de trabalhadores — que poderia aumentar o poder de barganha da categoria — muitas vezes joga contra no momento da negociação de reajustes.

No caso do setor público — o maior empregador, englobando cerca de 55% dos profissionais da área —, os gestores municipais e estaduais alegam com frequência que aumentos salariais mais expressivos não cabem nos cofres públicos.

A isso se une o fato de a profissão ser bastante “institucionalizada”, diz a pesquisadora. Ou seja, os profissionais de enfermagem dificilmente conseguem trabalhar fora dos hospitais e contornar a rotina de plantões e dos pagamentos “tabelados”.

A situação não se restringe ao Brasil. “É uma vocação da América Latina pagar mal os enfermeiros”, ressalta Maria Helena. Na Europa e nos Estados, acrescenta, o diferencial de rendimentos entre médicos e enfermeiros é significativamente menor.

Como resultado, grande parte dos profissionais da enfermagem no país tem dois ou três empregos e faz jornadas semanais que vão muito além das 40 horas.

Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19

Altas taxas de infecção

Até o dia 6 de maio, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) contabilizava mais de 10 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem afastados por Covid-19 no país.

As mortes chegam a 88, o dobro do registrado na Itália.

Para a instituição, os números refletem a escassez de equipamentos de proteção individual para os profissionais. Nas últimas semanas, o Cofen recebeu milhares de denúncias de todo o país.

Uma delas veio de uma enfermeira em Campinas (SP) que vinha recebendo uma máscara cirúrgica por turno de trabalho — as máscaras comuns devem ser trocadas de duas em duas horas ou quando ficarem úmidas.

“O avental também não tinha a gramatura apropriada para evitar que as gotículas passassem”, diz ela, que trabalhava em um serviço de ambulâncias e, após se queixar das condições de trabalho, foi desligada da empresa.

A entidade chegou a entrar com ações civis públicas para garantir afastamento de profissionais da rede pública e privada que estavam em grupo de risco e lidavam diretamente com pacientes infectados.

Mesmo quem conta com todo o aparato adequado de EPI, contudo, tem vivido uma rotina de angústia.

“Na hora de tirar é uma tensão, porque a hora da contaminação é quando a gente tira os EPIs”, diz Braulita.

Dias depois de conversar com a reportagem, a enfermeira foi afastada com sintomas levas de Covid-19 e espera para fazer o teste diagnóstico.

“As pessoas precisam se conscientizar da gravidade do problema. O que nós estamos vivendo é uma pandemia, gente. Fiquem em casa, quem puder. A doença hoje não escolhe idade, não são só os idosos que adoecem. A gente está perdendo tanta gente nova por falta de cuidados, por falta de conhecimento, às vezes por não querer acreditar que tudo isso está acontecendo”, desabafa Braulita.

“Fiquem em casa. Não é fácil pra vocês, mas também não é fácil pra gente que está na linha de frente”, conclui.

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Prematuro que já passou por 5 internações se recupera da Covid-19 no Ceará

O pequeno Bernardo teve melhora no quadro clínico e recebeu alta médica, na terça-feira (12), após 13 dias internados.

Por Rodrigo Rodrigues, G1 CE

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Bebê prematuro se recupera da Covid-19 após 13 dias internado em hospital de Sobral

O pequeno Bernardo, de 1 ano e 4 meses de vida, faz jus ao significado de seu nome: “forte como um urso”. É o que garante a mãe do menino, a dona de casa Luana Furtado, 32. Após quatro reinternações por questões cardiorespiratórias, o pequeno, que nasceu prematuro de 27 semanas, precisou superar mais um desafio: o diagnóstico positivo para a Covid-19. No dia 30 de abril, ele foi internado, mais uma vez, na Clínica Pediátrica do Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, onde passou 13 dias, 5 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Mas no dia 12 de maio, Bernardo recuperou-se e teve alta hospitalar.

Ceará chegou neste sábado (16) a 23.795 registros de Covid-19 e 1.614 mortes, segundo a mais recente atualização da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde, às 17h30 deste sábado (16).

“Isso nunca passou pela minha cabeça. Os sintomas que ele tava apresentando eram semelhantes aos problemas que já tem por ser prematuro”, conta Luana. “Levei a um médico, em Ipu, e ele disse que a respiração estava boa. É uma característica de quem está com a Covid, a ausculta pulmonar não altera muito”, afirma a mãe de Bernardo.

Mesmo com sintomas leves – cansaço e moleza no corpo, Bernardo foi encaminhado ao HRN e fez o teste para saber se estava com a Covid-19, suspeita que se confirmou. “Fez o teste e no dia seguinte ficou internado. Já começaram o tratamento com antibióticos”, lembra a mãe. “Quando recebi a notícia tomei um susto, mas também agradeci porque os sintomas eram leves e ele reagiu muito bem e rápido. O Bernardo é muito forte”.

“Eu vivo de quarentena por ele”

Família não acompanhou o pequeno Bernardo enquanto ele estava internado com coronavírus — Foto: Arquivo Pessoal

Família não acompanhou o pequeno Bernardo enquanto ele estava internado com coronavírus — Foto: Arquivo Pessoal

Por conta do histórico de problemas respiratórios ocasionados pela prematuridade, Bernardo chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital cearense, onde permaneceu durante cinco dias. Para a mãe, que nas outras quatro internações esteve fisicamente ao lado do filho, não poder fazer o mesmo por conta do risco de contágio foi difícil. “Desde que ele nasceu, eu nunca fiquei distante. Eu vivo de quarentena por dele. O cuidado tem que ser redobrado”, conta.

Cuidado que fez com que Luana, seu esposo, o enteado e Bernardo mudassem do Rio de Janeiro ao Ceará, no último dia 20 de abril, para morar próximo à família, na cidade de Hidrolândia: “Estamos construindo nossa casa em cima da dos meus pais. A gente tá concluindo a obra”, explica Luana.

É lá onde, em breve, toda a família irá se reunir. Bernardo teve melhora no quadro clínico e recebeu alta médica, na terça-feira (12). Deixando o corredor da unidade sob aplausos, a mãe segurou a plaquinha com a seguinte frase: “Sou prematuro extremo e venci a Covid-19″.Casos de coronavírus no Ceará.

Agora, já em casa, a família segue tomando todos os cuidados, mantendo o distanciamento social, utilizando máscaras e higienizando com frequência as mãos. Felizmente, nenhum outro familiar apresentou sintomas da doença, afirma Luana.

Agravamento

A médica pediatra do HRN, Thais Saldanha, explica que estudos iniciais mostram que crianças com comorbidades cardiorrespiratórias, como no caso de Bernardo, podem apresentar maiores complicações se infectados com o novo coronavírus. As recomendações são buscar imediatamente auxílio de especialistas em “caso de dificuldade para respirar ou sinais de desidratação, como diminuição da diurese, recusa de líquidos, irritabilidade ou sonolência excessiva”, elenca.

Para diminuir o risco de contágio, a enfermeira indica que cumprir o distanciamento social ainda é o mais seguro. “O mais importante é respeitar a medida, evitando não só o contato direto das crianças com outras pessoas, mas também de seus cuidadores. Em caso de extrema necessidade de sair do domicílio para consultas médicas, por exemplo, crianças maiores de dois anos também devem usar máscara e seguir todas as recomendações de higiene preconizadas pelo Ministério da Saúde”, ressalta Saldanha.

Coronavírus: infográfico mostra principais sintomas da doença — Foto: Foto: Infografia/G1

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21 estados e o DF propõem projetos para multar quem divulga ‘fake news’ na pandemia

Levantamento do G1 mostra que as regras para penalizar a publicação de informações falsas já estão valendo em cinco desses estados: Acre, Ceará, Paraíba, Roraima e Rio Grande do Norte. Especialistas dizem ter preocupação com a liberdade de expressão, propõem debate mais amplo sobre a regulação da desinformação no Congresso e destacam experiências internacionais.

Por Gabriela Caesar, G1

Um levantamento feito pelo G1 aponta que 21 estados e o Distrito Federal discutem ou já aprovaram a aplicação de multa para quem divulga informações falsas na internet sobre pandemias, epidemias e endemias. A legislação abrange desinformações sobre o atual momento, com a pandemia da Covid-19.

Em 16 estados e no DF, o assunto é debatido nas Assembleias Legislativas e pode virar lei. Em cinco estados, a norma que prevê punição para quem publica fake news já está valendo: Acre, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Roraima.

Em apenas cinco estados ainda não há debate sobre multa para quem publica desinformação durante pandemias: Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

Assembleias discutem projetos de lei sobre multa a quem divulga fake news — Foto: Cido Gonçalves/G1

Assembleias discutem projetos de lei sobre multa a quem divulga fake news — Foto: Cido Gonçalves/G1

No Acre, a lei ainda impede a pessoa que não quitou a multa de participar de concurso ou assumir cargo público. No RN, porém, o assunto foi tratado por decreto, e não por projeto de lei. Isso é inconstitucional, segundo Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC-SP. O governo do RN diz que o decreto tem “caráter informativo” e “menos punitivo”, apesar de criar uma multa.

Nesses cinco estados, os valores das multas são os seguintes:

  • Acre: de R$ 1,1 mil a R$ 7,4 mil
  • Ceará: de R$ 224 a R$ 2,2 mil
  • Paraíba: de R$ 1 mil a R$ 10 mil
  • Rio Grande do Norte: de R$ 5 mil a R$ 25 mil (pessoa); e de R$ 25 mil a R$ 50 mil (empresa)
  • Roraima: de R$ 224 a R$ 2,2 mil

Serrano explica que os estados podem estabelecer multa para quem divulga informações falsas em pandemias – e não de forma mais ampla – porque a saúde pública é um tema de competência de municípios, estados e União. Um projeto de lei mais amplo, porém, precisa ser analisado no Congresso, e não nas assembleias.

Cinco estados têm legislações em vigor sobre multa para quem divulga fake news; especialistas dizem que legislação deve focar nas plataformas, e não nas pessoas — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Cinco estados têm legislações em vigor sobre multa para quem divulga fake news; especialistas dizem que legislação deve focar nas plataformas, e não nas pessoas — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Desde o início da pandemia, a equipe do Fato ou Fake tem lidado com um volume grande de mensagens falsas nas redes. Quase 200 boatos já foram verificados. Todas as checagens sobre o coronavírus podem ser conferidas na página: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/coronavirus/

Os especialistas ouvidos pelo G1 destacam alguns pontos em relação aos projetos estaduais:

  • é preciso tomar cuidado para não restringir a liberdade de expressão
  • o assunto deve ser discutido no Congresso, e não nas assembleias
  • a legislação deve buscar uma cooperação das empresas de tecnologia
  • essas empresas devem fornecer dados de redes de desinformação
  • as iniciativas de checagem de informações são cruciais
  • a educação midiática ou a alfabetização digital são importantes

Liberdade de expressão

Taís Gasparian, advogada com experiência em liberdade de expressão e internet, critica as leis estaduais sobre multa para quem publica informações falsas e diz que, primeiro, é preciso definir na legislação brasileira um conceito sobre o que é desinformação.

Para ela, sem essa definição, há risco para a liberdade de expressão e jornalistas podem sofrer pressão por ameaça de estar “espalhando fake news”. Taís também destaca que o termo “fake news” já tem sido usado por políticos para criticar o trabalho da imprensa.

“Em vez de chamar de ‘fake news’, eu prefiro chamar de ‘desinformação’ porque é uma atitude que tem o propósito de confundir a notícia. Inclusive, não se deve nem chamar de notícia. Ou é uma informação mentirosa na origem, ou é uma informação com o contexto mentiroso. E há a intenção de espalhar o desentendimento, a desinformação.”

Já Rafael Goldzweig, coordenador de pesquisa em democracia e redes sociais na Democracy Reporting International, reforça a necessidade de se combater a desinformação sem ameaçar a liberdade de expressão. “Legislar sobre o conteúdo pode ser muito perigoso a depender do contexto político, pois você pode acabar colocando nas mãos do Estado/Judiciário a responsabilidade de definir fatos.”

Ele cita Bangladesh, Quênia, Singapura e Rússia como exemplo de países que usaram leis contra desinformação para criminalizar o trabalho de jornalistas e perseguir grupos da sociedade críticos ao governo.

Para Goldzweig, o Brasil precisa ter leis que aumentem a transparência sobre o funcionamento e as decisões das plataformas, como WhatsApp, Google e Facebook, quanto às redes de páginas falsas e ao uso massivo de robôs.

“É importante que as plataformas de redes sociais e os aplicativos compartilhem esses dados com centros de pesquisa tanto acadêmicos quanto com organizações da sociedade civil, para que se entenda mais sobre esses fenômenos”, diz.

Para especialistas, plataformas devem ajudar no combate à desinformação; informações falsas são compartilhadas em sites e aplicativos — Foto: Reprodução/TV Globo

Para especialistas, plataformas devem ajudar no combate à desinformação; informações falsas são compartilhadas em sites e aplicativos — Foto: Reprodução/TV Globo

‘Infodemia’

O coordenador de pesquisa lembra ainda que mentiras e fake news sempre existiram na história. Mas agora há uma diferença primordial: as redes sociais dão a elas uma escala e uma velocidade nunca antes vistos e permitem campanhas de desinformação em massa.

Durante a pandemia, acrescenta Goldzweig, essas informações falsas podem até levar à morte, como no caso de quem acredita que cocaína é eficaz para prevenir o vírus.

“Com a pandemia da Covid-19, esse problema se tornou global, uma vez que todos os países passaram a identificar compartilhamento em massa de informações falsas ao mesmo tempo, com efeitos reais sobre a saúde das pessoas. A Organização Mundial da Saúde chegou a alertar que a ‘infodemia’, ou compartilhamento viral de informações falsas, é tão perigosa quanto o vírus”, alerta Goldzweig.

Taís Gasparian lembra ainda que uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) identificou que as informações falsas se espalham mais rápido do que as verdadeiras. Ela destaca que as checagens, que mostram os motivos pelos quais aquelas informações são mentirosas, não ganham tantos ‘likes’ ou compartilhamentos.

Goldzweig destaca que as iniciativas de checagens de informação são importantes, mas que “a informação verificada raramente chega àqueles que consumiram a mensagem falsa, e ainda que chegue, nem sempre convence o leitor sobre a verdade”. Segundo um levantamento do “Duke Reporters’ Lab”, ligado à Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), havia 237 organizações de verificação de fatos em 78 países em abril deste ano.

Os setes tipos de desinformação classificados pelo First Draft, organização sem fins lucrativos que dissemina boas práticas para elaborar e analisar conteúdo verossímil na internet — Foto: First Draft

Os setes tipos de desinformação classificados pelo First Draft, organização sem fins lucrativos que dissemina boas práticas para elaborar e analisar conteúdo verossímil na internet — Foto: First Draft

O advogado Ricardo Campos, professor assistente da Faculdade de Direito da Goethe-Universität Frankfurt am Main (Alemanha), defende que o Brasil precisa criar mecanismos legais para “assegurar uma esfera pública plural e de qualidade”.

“Uma democracia sem uma esfera pública saudável está condenada a viver em instabilidade com consecutivas crises. A informação plural e de qualidade é atualmente o recurso escasso das democracias modernas”, diz o coautor do livro “Fake News e Regulação”.

Regulação de fake news

Para Campos, “deve haver regulação de fake news” e o principal desafio é “criar uma regulação que não restrinja a liberdade de expressão”. Ele diz que o ideal é uma legislação federal, e não estadual, que abranja todos os estados e traga mais segurança jurídica e eficácia.

“Houve, de fato, uma verdadeira explosão de projetos sobre o tema nos últimos dois anos. Mas não houve uma ampla, profunda e técnica discussão em torno do tema. Isso se reflete na qualidade dos projetos”, diz Campos.

O professor da Goethe-Universität Frankfurt am Main também destaca que a legislação brasileira precisa focar nas plataformas, como WhatsApp, Google e Facebook, e não no indivíduo. Ele afirma que o Brasil precisa criar normas para que haja uma “cooperação efetiva” de sites e aplicativos ao aumentar a transparência e fornecer “dados sobre atividades anormais, cadeias de desinformação em massa e quem paga por isso”.

“O foco deve ser o meio [plataformas], e não o indivíduo. Para uma investigação judicial adentrar nesse âmbito tecnológico sem a devida cooperação efetiva das plataformas é, de fato, um esforço hercúleo quase sempre fadado ao fracasso. Focando no meio [plataformas], a questão individual se torna num segundo momento mais simples. Uma lei deve focar, portanto, na escala industrial e na maior transparência das plataformas. A cooperação das plataformas não pode ser algo extralegal, como um selo de boas intenções de relações públicas.”

O professor acrescenta ainda que o Brasil deve observar experiências pelo mundo antes de aprovar novas leis. Ele afirma que uma possibilidade é a criação de uma espécie de Conar, órgão de autorregulação publicitária, para tratar as questões relacionadas a fake news.

“No direito alemão e europeu há o instituto da autorregulação regulada, que oferece um mecanismo dinâmico de regulação para âmbitos tecnológicos. O que não se pode no Brasil é tentar inventar a roda novamente.”

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Policial que trabalhava na Papuda é 56ª morte por Covid-19 no DF

Servidor público tinha 45 anos e morava em Santa Maria. Ele estava internado no Hospital Regional da Asa Norte desde 28 de abril e faleceu neste domingo (17).

Por G1 DF e TV Globo

Distrito Federal registra primeira morte de agente penitenciário por Covid-19

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal divulgou, no começo da tarde deste domingo (17), a 56ª morte por Covid-19 na capital. A vítima é um policial penal, de 45 anos, que trabalhava no Complexo Penitenciário da Papuda (veja abaixo lista das mortes desde o início da pandemia).

A identidade da vítima foi confirmada ao G1 pelo subsecretário do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe) Adval Cardoso de Matos. Segundo ele, o servidor público faleceu às 11h, na UTI do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) .

Francisco Pires de Souza era agente da PDF 1 e foi internado no dia 28 de abril. Segundo a Secretaria de Saúde, ele não tinha comorbidades. Este foi o primeiro caso de morte pela Covid-19 no Sistema Penitenciário do Distrito Federal.

De acordo com o último boletim da secretaria, até o começo da noite de sábado, eram 4.140 casos de coronavírus na capital.

Conforme a pasta, no painel de óbitos pela Covid-19 constam 57 mortes, no entanto, uma das vítimas era moradora do Novo Gama (GO) e estava internada no Distrito Federal. “A contagem de mortos pela pandemia no DF é de 56 pessoas”, diz a pasta.

Mortes por Covid-19 registradas até começo da tarde de domingo (17), no Distrito Federal:

  1. 23 de março: mulher de 61 anos
  2. 29 de março: homem de 77 anos
  3. 31 de março: homem de 73 anos
  4. 1º de abril: homem de 82 anos
  5. 2 de abril: homem de 50 anos
  6. 2 de abril: mulher de 77 anos
  7. 3 de abril: mulher de 61 anos
  8. 3 de abril: homem de 67 anos
  9. 3 de abril: mulher de 61 anos
  10. 4 de abril: homem de 84 anos
  11. 5 de abril: homem de 37 anos
  12. 5 de abril: homem de 49 anos
  13. 8 de abril: mulher de 81 anos
  14. 9 de abril: mulher de 76 anos
  15. 12 de abril: homem de 78 anos
  16. 12 de abril: homem de 94 anos
  17. 13 de abril: homem de 54 anos
  18. 14 de abril: mulher de 73 anos
  19. 14 de abril: mulher de 79 anos
  20. 15 de abril: homem de 69 anos
  21. 15 de abril: homem de 87 anos
  22. 15 de abril: mulher de 57 anos
  23. 16 de abril: mulher de 84 anos
  24. 17 de abril: mulher de 60 anos
  25. 18 de abril: mulher de 89 anos
  26. 22 de abril: homem de 101 anos
  27. 22 de abril: homem de 85 anos
  28. 25 de abril: mulher de 63 anos
  29. 26 de abril: mulher de 67 anos
  30. 29 de abril: homem de 63 anos
  31. 30 de abril: mulher 85 anos
  32. 1º de maio: jovem de 22 anos
  33. 2 de maio: homem de 67 anos
  34. 4 de maio: homem de 53 anos
  35. 6 de maio: homem de 68 anos
  36. 8 de maio: mulher de 73 anos
  37. 9 de maio: homem de 75 anos
  38. 9 de maio: homem de 34 anos
  39. 10 de maio: mulher de 67 anos
  40. 10 de maio: mulher de 71 anos
  41. 10 de maio: mulher de 90 anos
  42. 9 de maio: mulher de 92 anos
  43. 10 de maio: homem de 72 anos
  44. 10 de maio: mulher de 89 anos
  45. 11 de maio: homem de 72 anos
  46. 12 de maio: mulher de 80 anos
  47. 12 de maio: homem de 52 anos
  48. 13 de maio: mulher de 92 anos
  49. 13 de maio: homem de 38 anos
  50. 13 de maio: homem de 45 anos
  51. 14 de maio: homem de 84 anos
  52. 14 de maio: mulher de 63 anos
  53. 14 de maio: homem de 70 anos
  54. 14 de maio: homem de 84 anos
  55. 15 de maio: mulher de 84 anos
  56. 17 de maio: homem de 45 anos

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Especialistas do RJ alertam sobre possibilidade de contaminação em larga escala do novo coronavírus através do esgoto

Transmissor da Covid-19 já foi encontrado no esgoto de Niterói. Cedae fará verificação da presença do vírus nas redes da companhia.

Por Carlos Brito, G1 Rio

Técnicos da Fiocruz e da Prefeitura de Niterói encontraram o novo coronavírus na rede de esgotos da cidade. — Foto: Reprodução

Técnicos da Fiocruz e da Prefeitura de Niterói encontraram o novo coronavírus na rede de esgotos da cidade. — Foto: Reprodução

Especialistas em recursos hídricos alertam para o risco de uma contaminação em larga escala pelo novo coronavírus no Estado do RJ — e também no Brasil. Um dos que fazem essa afirmação é o médico, suplente de vereador e ex-presidente da Frente Parlamentar de Saneamento Municipal, Alexandre Arraes.

“Um estudo publicado este mês pela Universidade de Stirling, da Escócia, registrou o caso de um paciente cujas fezes continham o coronavírus 11 dias depois de apresentar os primeiros sintomas”, alertou Arraes.

“O mesmo estudo encontrou o vírus 33 dias depois de o teste ter dado negativo, ou seja, com a pessoa em tese já curada. Essa situação liga um alerta, uma vez que o esgoto fica contaminado. Ainda não é possível afirmar que a contaminação possa se dar por esse meio, mas não podemos ignorar que estamos diante de um risco real”, explicou.

Uma análise da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já apontou a presença do novo coronavírus nos esgotos de Niterói, Região Metropolitana do Rio. A descoberta é um indício do espalhamento do patógeno causador da Covid-19 no estado.

Os pesquisadores disseram que esse tipo de análise só é possível em cidades em que uma parcela significativa da população é atendida por rede de esgoto e a operadora do serviço tem controle sobre o sistema. Em Niterói, a rede cobre 95% do município.

Testes

Cientistas da Fiocruz analisam material colhido na rede de esgoto de Niterói — Foto: Divulgação

Cientistas da Fiocruz analisam material colhido na rede de esgoto de Niterói — Foto: Divulgação

Ainda assim, segundo a Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), estudo semelhante deverá ser feito na capital e em outros locais do estado.

“A Cedae, a Fiocruz, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Secretaria de Saúde de Estado do Rio de Janeiro estão atuando em conjunto, em um grupo de trabalho coordenado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Rio de Janeiro, para viabilizar a verificação da presença do novo coronavírus nas redes de esgotos da companhia. O objetivo é que as informações obtidas possibilitem a Secretaria de Saúde realizar planejamento preventivo no combate ao Coronavírus (Covid-19)”, afirmou a Cedae, por meio de nota.

“Testes como esse são importantes para a prevenção de surtos, caso a contaminação por esgoto venha a ser comprovada em algum momento. Essa situação que vivemos agora também mostra importância do esgoto tratado – a colocação de cloro, tanto na água consumida quanto no esgotamento sanitário de dejetos, mata o coronavírus. Infelizmente, nem todos os consumidores têm acesso a esse serviço”, lamentou Arraes.

Segundo ele, os serviços de tratamento de esgoto da Cedae atingem 92% da cidade do Rio de Janeiro – ou seja, um percentual de moradores da capital não teria acesso ao esgoto tratado com cloro, ficando mais exposta ao coronavírus.

“No entanto, não temos certeza sobre esse percentual, uma vez que a Cedae não considera as áreas informais, como favelas, alegando que não tem como fazer a aferição nesses locais”.

G1 questionou a Cedae sobre qual a extensão da rede de esgotos nas favelas do Rio. A companhia não ofereceu um número preciso, mas admitiu a dificuldade para chegar nesse locais:

“Com relação às comunidades, a Cedae atua regularmente para reforçar o abastecimento. O crescimento desordenado com ações contínuas do uso indevido do solo em locais não edificáveis, cuja fiscalização não é de responsabilidade da Cedae, impacta na prestação do serviço e, muitas vezes, dificulta a expansão da infraestrutura para estas localidades. Para reforçar o abastecimento dessas regiões, a companhia adotou as seguintes medidas: contratou novos caminhões-pipa que estão atendendo solicitações prioritariamente de comunidades, 250 trabalhadores atuam somente atendendo comunidades, lançou o programa de instalação de sistemas alternativos de abastecimento que já estão em operação nas comunidades do Brejo (Cidade de Deus), Rio das Pedras, Vila dos Pinheiros (Complexo da Maré), Camarista Méier, Juramentinho e Muzema”.

Brasil: só 46% do esgoto é tratado

Ainda de acordo com a Cedae, toda água distribuída e esgoto tratado pela companhia recebe a aplicação de cloro.

“Em termos de investimentos em tratamento de esgoto, ainda estamos bem atrasados. Sem dúvida, encontrar o material genético do novo coronavírus nos esgotos é uma situação preocupante para a saúde pública em geral”, explicou o representante do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho, instituição que estuda os avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.

Segundo dados do instituto, 46% do esgoto produzido no Brasil recebe tratamento e possui destinação adequada.

“É difícil imaginar o tamanho do problema que teremos se a contaminação da Covid-19 por meio do esgoto não tratado se confirmar”, finalizou Pinho.

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