Após abandono, parque municipal de Itapetininga é invadido por famílias e sofre devastação

Por G1 Itapetininga e Região

Desativado desde 2012, o antigo Parque São Francisco de Assis, em Itapetininga (SP), que recebe atualmente o nome de Parque Ecológico Municipal Manoel Silvério, já sofre com o abandono e devastação da mata nativa.

Desde o final do ano passado, o local está ocupado por integrantes de um movimento de famílias integrantes da União Nacional Camponesa, filiados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e empreendedores familiares rurais (Conafer).

A suspeita de devastação levou a Polícia Militar Ambiental a notificar os invasores, já que estariam cortando árvores dos 35 hectares de Mata atlântica, com nove nascentes.

O biólogo Carlos Poranga, por exemplo, conta que visita o local há mais de 10 ano e que se preocupa com o corte das árvores nativas.

“A gente identificou algumas que não poderia tirar, porque dá um coquinho que serve de comida para os pequenos mamíferos. Temos dentro do parque pequenos mamíferos que vivem desse coquinho, então jamais poderia ser colhido. Eu vi também uma espécie de Embaúba que dá uma bananinha, muito usado pelos tucanos e esquilos. Então, não poderia jamais ser retirado do ambiente”, explica.

Ele ainda afirma que, no local, há diversas espécies de plantas que precisam ser preservadas.

“Tem muita embaúba, pau-brasil, figueira, pau-jacaré, que é característico daqui. É um lugar único em Itapetininga”, diz.

Em janeiro, a Polícia Ambiental notificou o grupo pelo corte de árvores nativas no local, segundo o sargento Alexandre Oliveira Camilo.

“Foi verificado que eles fizeram uma limpeza da vegetação. Tiraram a vegetação rasteira, deixaram no solo e isso configura a destruição da vegetação ativa do local. Isso é crime, configura crime. Foi feito um ato de infracional ambiental de uma área de aproximadamente 240 metros quadrados. Foi gerado termo de advertência, e agora não pode mexer mais no local”, diz.

O sargento ainda explica que, como o parque é municipal, a fiscalização não é de responsabilidade deles, e que uma operação só é feita quando existe denúncia.

“A nossa fiscalização engloba justamente as infrações ambientais, em tudo aquilo que está tipificado na lei 9.605. O fato da invasão no local para nós não configura uma demanda”, diz.

A líder do movimento, Cássia Maria Alves dos Santos, confirmou que eles estavam limpando algumas áreas. “Essa parte da casa foi a gente, em volta, porque a gente queria reformar a casa”, conta.

Além disso, alguns barracos estão sendo montados no local e vão servir de moradia para 10 famílias. Segundo a líder do movimento, todos vieram do município de Teodoro Sampaio.

Em novembro, eles foram notificados pela prefeitura para saírem do espaço em um prazo de 15 dias, porém o grupo afirma que a Conafer enviou um ofício à Câmara Municipal informando o motivo da ocupação e que seria funcional, já que o parque estaria abandonado.

Em nota, o Presidente da Comissão do Meio Ambiente na Câmara, o vereador Marcos Silvério, informou que notificou a prefeitura, a Secretaria do Meio Ambiente e a Guarda Municipal sobre a invasão no parque.

A prefeitura de Itapetininga, também por meio de nota, afirmou que o caso está sendo avaliado pela Secretaria de Negócios Jurídicos para tomar as medidas judiciais cabíveis.

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No Amapá, gari devolve celular perdido por jovem na rua e história viraliza na web

Por Victor Vidigal, G1 AP — Macapá

Josilene Gomes (à esquerda) e Marcelo Viegas (à direita)  — Foto: Marcelo Viegas/Arquivo Pessoal

Josilene Gomes (à esquerda) e Marcelo Viegas (à direita) — Foto: Marcelo Viegas/Arquivo Pessoal

Um ato de honestidade que aconteceu em Macapá está fazendo sucesso nas redes sociais. A história envolve a gari Josilene Gomes, de 39 anos, que encontrou o celular perdido do estudante Marcelo Viegas, de 19 anos. Numa situação em que muitos podiam se aproveitar, Josilene procurou e devolveu o aparelho ao dono.

A ação, infelizmente incomum na sociedade, fez com que Viegas fizesse um post emocionado no Facebook. A publicação fez sucesso imediato, alcançando quase 4 mil interações, entre curtidas, compartilhamentos e comentários. Dentre as opiniões, várias são reconhecendo a atitude honesta da trabalhadora.

Moradora do bairro Ipê, na Zona Norte, Josilene sustenta com o salário de gari os quatro filhos e o pai. “Sou a mãe e pai da casa”, diz ela.

Ao achar um celular que custa mais de R$ 1 mil na rua, poderia ser a oportunidade dela ganhar um dinheiro a mais na renda mensal, entretanto, o ensinamento deixado pela família foi mais forte .

“A gente deve ficar só com o que é da gente, não com o que é das pessoas alheias. Essa consciência eu tenho. Graças à Deus, minha mãe e meu pai souberam me educar. E a mesma coisa passo para os meus filhos”, conta Josilene.

A história

Foi em 20 de fevereiro, por volta de 22h, quando Marcelo deixou cair o celular na Avenida FAB, esquina com a Rua Leopoldo Machado, no Centro. Ao perceber o vazio no bolso Marcelo se deu conta da perda.

“Bateu aquela tristeza quando percebi que havia perdido. Pensei no esforço que a minha mãe tinha feito para comprar e sabia que não ia ter um novo tão cedo”, relata o estudante de enfermagem.

Enquanto a tristeza batia em Marcelo, Josilene começava mais uma noite de trabalho. Ela fazia a limpeza do meio-fio da Rua Leopoldo Machado, quando percebeu um objeto que não era uma simples sujeira.

De primeira pensou ser apenas a capa de um celular (algo comum de se encontrar nos trabalhos). Após pegar o objeto viu se tratar de um celular.

Ela mostrou o achado para as colegas de trabalho, guardou na mochila e voltou ao serviço, imaginando que o dono fosse ligar.

E foi o que aconteceu, Marcelo ainda ligou três vezes para o número do celular, mas ninguém atendeu. Por volta de 23h, no intervalo de trabalho da gari, ela pegou novamente o aparelho e viu as chamadas perdidas. Dessa vez segurou o celular nas mãos, esperando uma nova ligação.

Foi quando o jovem ligou e conseguiu falar com Josilene. A partir disso tudo correu bem. Ele foi até o local onde a gari estava e conseguiu recuperar o aparelho. Com a intenção de retribuir a ação ele deixou com a mulher todo o dinheiro que tinha no bolso: R$ 20.

“Agradeci muito ela, não tinha palavras para tanto agradecimento. Ela foi um verdadeiro anjo na minha vida. Nunca poderia esperar que alguém fosse me devolver o celular, sem nem mesmo me cobrar. Por isso vou ser eternamente grato a ela”, falou Marcelo.

Josilene conta que em momento algum passou pela cabeça ficar com o aparelho. Ela se colocou no lugar do jovem, que tinha perdido algo tão valioso para o cotidiano dele.

“Geralmente quando isso acontece as pessoas jogam o chip fora e ficam com o telefone. Eu sei o quanto é difícil a gente ter um celular desse, e a mesma coisa que eu não queria que acontecesse comigo eu não queria que acontecesse com ele. Por isso devolvi tranquilamente”, reiterou.

Alguns comentários da publicação feita por Marcelo Viegas em Macapá — Foto: Facebook/Reprodução

Alguns comentários da publicação feita por Marcelo Viegas em Macapá — Foto: Facebook/Reprodução

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Rota da cocaína ‘Natal-Holanda’ tem nova apreensão e volume passa de 10 toneladas em 4 meses, diz Receita Federal

Por Anderson Barbosa, G1 RN

A polícia holandesa apreendeu nesta semana 2,4 toneladas de cocaína no Porto de Roterdã. Esta foi a quarta vez, desde outubro do ano passado, que drogas são encontradas escondidas dentro de contêineres, em meio a carregamentos de frutas que embarcaram no Porto de Natal, o que totaliza quase 7 toneladas do pó.

Somando este total às 3,3 toneladas de cocaína descobertas no terminal marítimo potiguar na semana passada, o volume passa de 10 toneladas em menos de 4 meses. As informações foram confirmadas ao G1 pelo setor de vigilância e repressão da Receita Federal.

rota marítima internacional de drogas Natal-Holanda foi revelada pela Polícia Federal também na semana passada, justamente com a descoberta de drogas no Porto de Natal. De acordo com a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), estas foram as primeiras apreensões de entorpecentes da história do terminal, aberto desde 1932.

Por causa das apreensões ocorridas em Natal, as exportações de mercadorias e produtos para a Europa estão suspensas. Segundo o Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte, a única empresa transportadora que atua no terminal com rota de exportação de frutas potiguares para a Europa, a CMA-CGM, tem uma remessa de 400 contêineres prevista para março, mas o envio deixará de ser feito pelo Porto de Natal e passará para o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, no Ceará. Segundo a própria Codern, cerca de 43 mil toneladas de frutas são embarcadas, por mês, no Porto de Natal. O G1 não conseguiu falar com a empresa.

Já no Porto de Roterdã, ainda de acordo com a Receita Federal, a primeira apreensão de drogas que se tem notícia – feita em meio a um carregamento de frutas que partiu de Natal – aconteceu em outubro de 2018. Na ocasião, foram encontrados 2,3 toneladas de cocaína. Depois, em janeiro, foram descobertos mais 408 quilos. E ainda houve, no dia 13 deste mês, a apreensão de 1.850 quilos.

Rota do tráfico internacional de cocaína tem o Porto de Natal como ponto de embarque — Foto: Rodrigo Cunha/G1

Rota do tráfico internacional de cocaína tem o Porto de Natal como ponto de embarque — Foto: Rodrigo Cunha/G1

Segundo a Polícia Federal, o tráfico marítimo entre Natal e a Europa vêm ocorrendo sempre de forma semelhante. Primeiro, a cocaína é embalada em tabletes. Depois, tudo é escondido em meio a carregamentos de frutas que são exportadas dentro de contêineres, que por sua vez atravessam o Oceano Atlântico em navios cargueiros.

Além de desembarcarem em Roterdã, muitas vezes os contêineres que saem de Natal também são descarregados no Porto de Antuérpia, na Bélgica. Neste último, apesar da apreensão de 50 toneladas de entorpecentes somente em 2018, ainda não há registro de drogas que teriam partido da capital potiguar.

Em duas apreensões, as primeiras e únicas feitas no Porto de Natal, a PF encontrou 3,3 toneladas de cocaína seriam levadas para a Europa em navios. Droga estava escondida em meio a frutas, dentro de contêineres — Foto: PF-RN/Divulgação

Em duas apreensões, as primeiras e únicas feitas no Porto de Natal, a PF encontrou 3,3 toneladas de cocaína seriam levadas para a Europa em navios. Droga estava escondida em meio a frutas, dentro de contêineres — Foto: PF-RN/Divulgação

DNA da droga

Na semana passada, em entrevista ao G1, o delegado federal Agostinho Cascardo, da Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF no Rio Grande do Norte, revelou que, pelo DNA da coca, foi possível descobrir que a cocaína que chega ao Rio Grande do Norte para depois ser consumida na Europa é produzida na Colômbia, Peru e Bolívia. Porém, o delegado preferiu não traçar um percurso específico percorrido pela droga antes de chegar a Natal.

Falta de escâner

Para a PF, a falta de um escâner de contêineres para auxiliar no trabalho de fiscalização de mercadorias no Porto de Natal é um dos motivos que levaram os traficantes a escolher o terminal potiguar como ponto de partida para o envio de cocaína para a Europa. A posição geográfica de Natal como a capital brasileira mais próxima do Velho Continente também ajuda, segundo a Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF no Rio Grande do Norte.

De acordo com o gerente de Infraestrutura e Suporte Operacional do Porto de Natal, Emerson Fernandes, a Codern tenta adquirir um escâner de contêiner desde 2007, quando foi criada a Secretaria dos Portos. Mas, nunca houve orçamento suficiente para a compra. “Custa cerca de R$ 11 milhões”, disse ele.

“Agora, a partir dessa apreensão de cocaína, e com o empenho conjunto da Receita Federal, Polícia Federal, Marinha e Governo Federal, acredito que vamos conseguir viabilizar o escâner para aumentar a fiscalização no Porto de Natal”, declarou.

Porto de Natal não possui escâner para auxilar na vistoria dos contêineres — Foto: Receita Federal

Porto de Natal não possui escâner para auxilar na vistoria dos contêineres — Foto: Receita Federal

Consórcio

Ainda durante a entrevista ao G1, o delegado Agostinho Cascardo afirmou que os traficantes que atuam na remessa de drogas para a Europa não pertencem a facções criminosas que dominam o comércio de drogas dentro do país. “Não estamos falando, necessariamente, destas facções internas que atuam dentro e fora dos presídios. Nada disso. São traficantes internacionais. O que existe é um consórcio de quadrilhas, criminosos que se unem para fazer o negócio cada vez mais lucrativo para eles”, disse.

Como prova da existência de várias quadrilhas, o delegado contou que foram encontrados adesivos coloridos pregados nas embalagens da droga – como uma espécie de assinatura desses grupos. “É como se cada adesivo indicasse uma propriedade diferente. A cor vermelha é para a quadrilha X. Já o adesivo azul vai para a quadrilha Y. E assim por diante. Eles usam essas marcações para não misturar as encomendas”.

Cascardo, no entanto, não detalhou a forma como as drogas foram parar dentro dos contêineres. “É o que estamos investigando. Pode ter sido na fazenda, ainda durante o carregamento, ou mesmo no caminho, até chegar no porto. E também pode ter sido feito dentro do próprio porto. Somente as investigações irão nos dar esta resposta”.

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Prefeitura de SP faz nova vistoria em Ponte da Casa Verde após caminhão colidir contra estrutura

Por Lívia Machado, G1 — São Paulo

A Prefeitura de São Paulo realizou, nesta quinta-feira (21), uma nova vistoria na Ponte da Casa Verde, na Zona Norte da cidade, após um caminhão colidir contra a estrutura. O resultado da avaliação está previsto para ser concluído até a tarde desta sexta-feira (22).

Os bombeiros receberam um chamado no início desta tarde para verificar avarias na ponte. Uma equipe da corporação esteve no local e acionou a gestão municipal.

Segundo a Prefeitura, a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, a CET interditou a faixa da direita da Ponte da Casa Verde, sentido bairro-centro.

Em nota, a Prefeitura afirma que “por precaução, a faixa foi interditada para que a empresa Engeti Consultoria e Engenharia S/S Ltda., – contratada para fazer o laudo estrutural da ponte -, possa realizar os cálculos e verificar se as colisões causaram algum dano.”

Lista das pontes e viadutos

Metade das 16 pontes e viadutos está localizada na Zona Oeste da cidade. A lista foi concluída após vistoria de 33 estruturas na cidade e o número atualizado pela Secretaria de Infraestrutura e Obras no final da tarde desta no início de fevereiro.

Há um prazo de até 4 meses, a partir da emissão da ordem de serviços, para que esses laudos fiquem prontos.

Interdições

No dia 23 de janeiro, a gestão municipal interditou a ponte que dá acesso à Rodovia Presidente Dutra pela pista expressa da Marginal Tietê.

A alça de acesso fica na pista sentido Rodovia Ayrton Senna. A interdição foi feita pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb) após vistoria apontar rompimento de uma viga de apoio da estrutura num pilar.

Ponte que liga Marginal Tietê à Via Dutra está interditada — Foto: TV Globo/Reprodução

Ponte que liga Marginal Tietê à Via Dutra está interditada — Foto: TV Globo/Reprodução

Na ocasião, a Prefeitura afirmou que o problema é semelhante ao ocorrido no viaduto da Marginal Pinheiros que cedeu em novembro do ano passado. “No entanto a estrutura não cedeu e o pilar está preservado”, dizia comunicado.

Além de levar ao Rio de Janeiro, a Dutra é utilizada por motoristas que vão ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

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Desastre de Brumadinho: número de mortos identificados vai a 176

Por G1 Minas — Belo Horizonte

Bombeiros usam cães e máquinas na tentiva de localizar corpos em Brumadinho — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

Bombeiros usam cães e máquinas na tentiva de localizar corpos em Brumadinho — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil informou, no início da noite desta quinta-feira (21), que o número de mortes confirmadas e de corpos identificados na tragédia de Brumadinho (MG) subiu de 171 para 176.

De acordo com o último balanço do órgão, 134 pessoas que desapareceram depois do rompimento da barragem da Vale no último dia 25 de janeiro seguem desaparecidas.

Nesta quinta-feira, as buscas entraram no 28º dia. Nesta manhã, o Corpo de Bombeiros informou que um almoxarifado da Vale foi localizadodebaixo do mar de lama que assolou Brumadinho e que há indícios de corpos sob a estrutura do imóvel.

O total do efetivo nesta quinta foi 140 militares – 111 de Minas Gerais e 29 de outros estados.

Números da tragédia

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Vice-prefeito de Sumaré faz vídeo quebrando radar móvel: ‘Na minha cidade, não!’

Por G1 Campinas e Região

O vice-prefeito de Sumaré (SP), Henrique Stein Sciascio, o “Henrique do Paraíso”, utilizou sua página oficial em uma rede social para fazer um vídeo nesta quinta-feira (21) onde aparece chutando e quebrando um radar móvel instalado na avenida Fuad Assef Maluf, na região do Jardim Picerno.

“Na minha cidade, não!”, grita o político, que diz agir a mando do prefeito, Luiz Dalben, e determina ao secretário de transportes que retire todas as “porcarias móveis” da cidade.

Ele ainda leva o equipamento e avisa. “Retira dentro do meu gabinete, que eu quero ver quem vai retirar.”

O vice-prefeito ainda diz aos funcionários da empresa responsável pelo radar que o sistema de monitoramento móvel “não é moral”.

“A gente tem que fazer uma fiscalização justa, digna e com moralidade, não fazer isso aqui, não.”

O político leva o equipamento até a caçamba de uma caminhonete e a transmissão é encerrada.

Henrique do Paraíso, vice-prefeito de Sumaré (SP), quebra radar móvel na cidade — Foto: Reprodução/Facebook

Henrique do Paraíso, vice-prefeito de Sumaré (SP), quebra radar móvel na cidade — Foto: Reprodução/Facebook

‘Objetivo cumprido’

Questionada sobre o episódio, a Prefeitura de Sumaré emitiu uma primeira nota, às 17h57, em que afirma que “o vice-prefeito é responsável pelos seus atos” e que o prefeito ainda não havia assistido ao vídeo.

Às 20h16, a Prefeitura emitiu nova nota, dizendo que ao término de sua agenda de compromissos, o prefeito Luiz Dalben tomou conhecimento do vídeo e convocou o vice ao seu gabinete “para prestar esclarecimentos.”

“Isso porque havia uma determinação anterior do prefeito Luiz Dalben, para que o vice fosse até os locais onde os aparelhos estavam instalados e retirasse os radares móveis das vias. Entretanto, o vice explicou ao prefeito que, ao ouvir as reclamações dos munícipes e a falta de transparência na colocação do aparelho – o que vai contra os princípios desta Administração – exaltou-se e acabou tomando a atitude registrada na gravação”, diz o texto.

O comunicado termina afirmando que prefeito e vice ressaltam que o objetivo, “que era retirar os radares móveis, foi cumprido”.

“A Prefeitura preza por uma gestão clara e transparente e trabalha para oferecer serviços que não prejudiquem os moradores”, completa a nota.

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Prédio é evacuado no ABC após 50 funcionários pularem ao mesmo tempo em palestra motivacional

Por Glauco Araújo, G1 SP — São Paulo

Funcionários da CVC, em Santo André, evacuam prédio na Rua Catequese após sentirem tremor durante palestra motivacional — Foto: Redes sociais

Funcionários da CVC, em Santo André, evacuam prédio na Rua Catequese após sentirem tremor durante palestra motivacional — Foto: Redes sociais

Uma palestra motivacional com cerca de 50 funcionários da CVC fez tremer o último andar do prédio ABC Tower, na manhã desta quinta-feira (21), na Rua Catequese, no Bairro Jardim, em Santo André. Sem saber o que estava acontecendo, os demais funcionários que estavam no local saíram assustados. Por medida de segurança, o prédio foi evacuado às 10h.

Segundo a empresa, uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local e fez uma vistoria no prédio, liberando em seguida o acesso. Cerca de 300 pessoas estavam no prédio, que tem 13 andares.

Em nota, a CVC informou que “o edifício ABC Tower, onde fica baseada parte de sua equipe de colaboradores, possui os laudos necessários de vistoria e operação, e que o prédio foi evacuado por medida de segurança preventiva, após relatos de tremor sentido por alguns colaboradores nesta manhã”.

Ainda de acordo com o comunicado, “a empresa também esclarece que, no momento, realizava em seu último andar, um treinamento para uma turma de 50 colaboradores, o que pode ter causado essa sensação de tremor.”

G1 ouviu funcionários da CVC, e eles informaram que o episódio aconteceu quando um palestrante motivacional pediu aos participantes que pulassem e batessem o pé no chão. A atividade, feita ao mesmo tempo por todos os 50 participantes, teria estremecido o chão, assustando os funcionários que estavam no andar inferior.

Segundo a nota, a CVC disse que “de forma preventiva, a empresa dispensou hoje os colaboradores alocados neste edifício, para que seja feita uma vistoria complementar junto aos Bombeiros, de forma que as atividades possam ser retomadas dentro da normalidade”.

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PF faz operação para apreender 47 aeronaves usadas no tráfico internacional de drogas

Por Vilma Nascimento, Ana Paula Rehbein e Camila Bomfim, TV Anhanguera e TV Globo

Aeronaves que, segundo a PF, eram usadas por quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas — Foto: Divulgação/PF

Aeronaves que, segundo a PF, eram usadas por quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas — Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal tenta apreender nesta quinta-feira (21) 47 aeronaves em operação contra uma quadrilha especializada em transportar drogas da Colômbia e da Bolívia para o Brasil, os Estados Unidos e a Europa. Os agentes também buscam prender 55 pessoas envolvidas no esquema.

João Soares Rocha, apontado como chefe da quadrilha, foi preso em Tucumã, no Pará. Além dele, outras 14 pessoas foram presas até o momento.

Segundo a investigação, a quadrilha transportou mais de 9 toneladas de cocaína entre 2017 e 2018, em 23 voos que carregavam 400 quilos da droga, em média, cada um.

Além de pilotos, a organização contava com mecânicos que adulteravam as aeronaves para aumentar a autonomia dos voos e ocultar o prefixo original dos aparelhos, para despistar as autoridades. O grupo usava Palmas e Porto Nacional, no Tocantins, como pontos de apoio.

As investigações indicam que a rota do transporte de drogas passava pelos países produtores (Colômbia, Bolívia), países intermediários (Venezuela, Honduras, Suriname e Guatemala) e países destinatários (Brasil, Estados Unidos e União Europeia).

A operação envolve 400 policiais e conta com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás. Os mandados foram expedidos pelo juiz federal Pedro Felipe de Oliveira Santos, da 4ª Vara de Palmas. As investigações também tiveram apoio da agência americana DEA (Drug Enforcement Administration) e da agência surinamesa CTIU (CounterTerrorism Intelligence Unit).

Os mandados são cumpridos no Ceará, no Distrito Federal, em Goiás, no Pará, no Paraná, em Roraima, em São Paulo e no Tocantins. Além da apreensão das aeronaves, o juiz determinou o sequestro de 13 fazendas e de cerca de 10 mil cabeças de gado.

Segundo a PF, os investigados devem responder por tráfico transnacional de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança do transporte aéreo.

A operação foi batizada de Flak, termo que, de acordo com a PF, era usado durante a Segunda Guerra Mundial para identificar a artilharia antiaérea alemã.

O esquema

As investigações da Polícia Federal apontam que o grupo agia dividido em quatro núcleos. O primeiro era comandado por João Soares Rocha e tinha a função de gerenciar as operações de transporte e de distribuição de cocaína. Eles eram responsáveis pela comunicação com produtores e varejistas do tráfico, organização do transporte aéreo, recrutamento de pilotos e mecânicos para tarefas operacionais, definição das estratégias de fuga, seleção das pistas de pouso e pontos de apoio, além de outras funções gerenciais.

O segundo núcleo era composto de pilotos e ajudantes que prestam serviços regulares ao núcleo empresarial. Eles eram responsáveis pela condução das aeronaves adulteradas com drogas e dinheiro, além da elaboração de planos de voos irregulares, mapeando rotas para escapar do controle aeronáutico.

Mecânicos que adulteravam a estrutura dos aviões para prolongar a autonomia do voo integravam o terceiro núcleo. Eles também faziam manutenção das aeronaves e adulteravam os prefixos.

Os produtores ou compradores de cocaína, que contratam os serviços do núcleo logístico para o transporte e a distribuição da droga, são apontados pela PF como quarto núcleo.

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Caso Marielle: PF faz operação para cumprir mandados de busca e apreensão

Por G1 Rio

A Polícia Federal realiza uma operação, na manhã desta quinta-feira (21), para cumprir oito mandados de busca e apreensão relacionados aos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

De acordo com a PF, o objetivo é apurar suposta tentativa de obstruir a investigação do crime. No próximo dia 14, os assassinatos de Marielle e Anderson completam um ano.

As medidas foram autorizadas pela Justiça Estadual após serem submetidas ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

A investigação sobre os autores do crime, os mandantes e a motivação está a cargo da Secretaria de Segurança do RJ. Coube à Polícia Federal a parte sobre obstrução nesse trabalho.

Semana passada, a Anistia Internacional denunciou problemas nas investigações e a falta de respostas dos agentes públicos no caso. “Onze meses depois, as investigações do caso Marielle Franco parecem que estão mergulhadas em um labirinto longe da solução”, destacou Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional.

Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução/JN

Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução/JN

O que se sabe das investigações

As autoridades informam pouco sobre o crime, cuja apuração corre em sigilo. Do pouco que foi dito das investigações, destacam-se dois momentos:

  1. A delação que acusou o vereador Marcello Siciliano e o miliciano Orlando Curicica – ambos negam.
  2. A afirmação do secretário de Segurança, general Richard Nunes, de que Marielle foi morta por supostamente ameaçar grilagem de terras da milícia.

Antes, um resumo do dia do atentado e das investigações subsequentes.

O DIA 14 DE MARÇO

  • 19h: Marielle chega à Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, Lapa, para mediar debate com jovens negras.
  • Um Chevrolet Cobalt com placa de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, para próximo ao local.
  • Quando Marielle chega, um homem sai do carro e fala ao celular.
  • 21h: Marielle deixa a Casa das Pretas com uma assessora e Anderson. Pouco depois, um Cobalt também sai e segue o carro de Marielle.
  • No meio do trajeto, um segundo carro se junta ao Cobalt e persegue o veículo de Marielle.
  • 21h30: na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, um dos veículos emparelha com o carro de Marielle e faz 13 disparos: 9 acertam a lataria e 4, o vidro.
  • Marielle e Anderson são baleados e morrem. A vereadora foi atingida por 4 tiros na cabeça. Anderson levou ao menos 3 tiros nas costas.
  • Assessora é atingida por estilhaços, levada a um hospital e liberada.
  • Criminosos fugiram sem levar nada.

O QUE FOI APURADO

  • Arma foi utilizada foi uma submetralhadora MP5 9 mm; tiros foram disparados a uma distância de 2 metros.
  • Munição pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. A polícia recuperou 9 cápsulas no local do crime.
  • Ministro da Segurança, Jungmann diz que as balas foram roubadasna sede dos Correios na Paraíba, “anos atrás”.
  • Ministério da Segurança afirma que a agência dos Correios na Paraíba foi arrombada e assaltada em julho de 2017 e que no local foram encontradas cápsulas do mesmo lote de munição.
  • Lote é o mesmo de parte das balas utilizadas na maior chacina do Estado de São Paulo, em 2015, e também nos assassinatos de 5 pessoas em guerras de facções de traficantes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
  • Polícia acredita que assassinos observaram Marielle antes do crimeporque sabiam exatamente a posição dela dentro do carro. Vereadora estava sentada no banco traseiro – algo que não costumava fazer – e o veículo tem vidros escurecidos.
  • Testemunhas: assessora de Marielle e uma segunda pessoa foram ouvidas sobre o caso.
  • Polícia reuniu imagens de câmeras de segurança. Cinco das 11 câmeras de trânsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas.
  • A investigação ganhou um reforço de 5 promotores, a pedido do responsável pelo caso.
  • Vereador e ex-PM miliciano são citados por testemunha.
  • Dois homens são presos suspeitos de envolvimento no caso.

A DELAÇÃO

Quase dois meses após o crime, em maio, uma publicação do jornal O Globo deu indícios do que pode ter sido a articulação para matar Marielle. A reportagem mostrou que uma testemunha deu à polícia informações que implicaram no crime o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Curicica.

A testemunha – que integrava uma milícia na Zona Oeste do Rio e foi aliado de Orlando – contou à polícia ter testemunhado uma conversa entre Siciliano e o miliciano na qual os dois arquitetaram a morte da vereadora. A motivação para o crime, segundo a testemunha, seria a disputa por áreas de interesse na região de domínio de Orlando.

“Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo”, revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Tanto Siciliano quanto Orlando negam ter planejado a morte da vereadora. No mês seguinte à publicação de O Globo, o miliciano foi, a pedido da Segurança Pública do RJ, transferido para uma unidade prisional de segurança máxima.

Inclusive, os dois suspeitos presos em julho têm, segundo a polícia, estreita relação com a milícia de Curicica, chefiada por Orlando. Para investigadores da Delegacia de Homicídios, a dupla matou outros dois integrantes do grupo criminoso a mando do miliciano simplesmente porque havia a suspeita de um “golpe de estado” na quadrilha.

PONTOS DA DELAÇÃO

  • Testemunha diz que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam Marielle morta.
  • Motivação seria avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste.
  • Conversas sobre o crime teriam começado em junho de 2017.
  • Ex-aliado de Orlando citou, além de Siciliano e o miliciano, outras quatro pessoas.
  • Homem chamado “Thiago Macaco” teria levantado informaçõessobre Marielle.

A REAÇÃO DE ORLANDO

Orlando Curicica pediu para ser ouvido pelo Ministério Público Federal. Alegou que estava sendo pressionado pela polícia do Rio para assumir a autoria do assassinato de Marielle.

O Jornal Nacional teve acesso, com exclusividade, ao que Orlando disse a dois procuradores federais no dia 22 de agosto.

Ex-PM e miliciano Orlando de Curicica — Foto: Reprodução TV Globo

Ex-PM e miliciano Orlando de Curicica — Foto: Reprodução TV Globo

No depoimento, Orlando de Curicica contou que o responsável pela Divisão de Homicídios, Giniton Lages, esteve no presídio de Bangu em maio. O delegado queria ouvi-lo confessar que matou Marielle a mando do Siciliano. Ele se referia ao vereador Marcelo siciliano, do PHS, e à delação que acusou ambos.

Orlando acusa a testemunha de ser um miliciano que se desentendeu com ele. Orlando disse ter respondido ao delegado Giniton Lages que não tinha envolvimento com o caso e que o delegado teria pedido então para ele acusar o vereador Marcelo Siciliano:

“Fala que o cara te procurou, pediu para você matar ela, você não quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela”.

Orlando recusou e disse que foi ameaçado. Falaram que iam transferi-lo para um presídio federal e colocariam mais três ou quatro homicídios na conta dele.

Orlando acusa a testemunha de ser um miliciano que se desentendeu com ele. Orlando disse ter respondido ao delegado Giniton Lages que não tinha envolvimento com o caso e que o delegado teria pedido então para ele acusar o vereador Marcelo Siciliano:

“Fala que o cara te procurou, pediu para você matar ela, você não quis, e o cara arrumou outra pessoa. Mas que o cara que pediu para matar ela”.

Orlando recusou e disse que foi ameaçado. Falaram que iam transferi-lo para um presídio federal e colocariam mais três ou quatro homicídios na conta dele.

GRILAGEM COMO MOTIVAÇÃO

Em entrevista ao “Estado de S.Paulo” em dezembro, o secretário de Segurança, general Richard Nunes, afirmou que a vereadora Marielle Franco foi morta por milicianos que viam nela uma ameaça a negócios de grilagem de terras na Zona Oeste do Rio.

Secretário Richard Nunes dá entrevista para a GloboNews — Foto: Reprodução/GloboNews

Secretário Richard Nunes dá entrevista para a GloboNews — Foto: Reprodução/GloboNews

A ENTREVISTA

Nunes falou ao “Estadão” no dia 14 de dezembro.

“Era um crime que já estava sendo planejado desde o final de 2017, antes da intervenção”, disse Nunes ao “Estadão”.

“Ela estava lidando em determinada área do Rio controlada por milicianos, onde interesses econômicos de toda ordem são colocados em jogo”, prosseguiu. “O que leva ao assassinato da vereadora e do motorista é essa percepção de que ela colocaria em risco naquelas áreas os interesses desses grupos criminosos”, emendou.

“A milícia atua muito em cima da posse de terra e assim faz a exploração de todos os recursos. E há no Rio, na área oeste, na baixada de Jacarepaguá, problemas graves de loteamento, de ocupação de terras. Essas áreas são complicadas”, continuou Nunes.

Ainda segundo o secretário, Marielle vinha conscientizando moradores sobre a posse da terra. “Isso causou instabilidade e é por aí que nós estamos caminhando. Mais do que isso eu não posso dizer”, afirmou.

OPERAÇÃO OS INTOCÁVEIS

Em 22 de janeiro, cinco pessoas foram presas em uma operação contra milícia que age em grilagem de terras no Rio. Entre eles, estava um major da PM e um tenente reformado.

Agentes da Polícia Civil que trabalham no caso Marielle Franco consideraram a prisão do major Ronald Paulo Alves Pereira estratégica para a investigação. Eles suspeitam da participação dele na morte da vereadora, mas não especificaram qual seria o nível de envolvimento.

De acordo com o Ministério Público, o major Ronald era um dos principais envolvidos no mercado imobiliário ilegal na região de Rio das Pedras.

O major Ronald foi homenageado em 2004 pelo deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que propôs uma moção de louvor a ele na Assembleia Legislativa do RJ (Alerj). O ex-capitão Adriano da Nóbrega, que está foragido, recebera a mesma homenagem do filho do presidente um ano antes.

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Anúncio de fechamento da Ford já gera queda em comércio de São Bernardo do Campo, dizem comerciantes

Por Glauco Araújo, G1 SP — São Paulo

Comerciantes vizinhos à montadora Ford, no Bairro Taboão, em São Bernardo do Campo, dizem já sentir os reflexos negativos do anúncio feito pela empresa nesta terça-feira (19) de fechar as portas da unidade no ABC Paulista.

No começo dos anos 1960, São Bernardo do Campo ficou conhecida como a “Capital do Automóvel”, recebendo plantas das montadoras Mercedes Benz, Willys, Karmann Ghia, Volkswagen e Fiat. Em 1967, a Ford adquiriu a fábrica da Willys-Overland e se estabeleceu na cidade. Foram mais de 50 anos de atividades em São Bernardo do Campo.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a saída da Ford pode atingir 30 mil vagas de empregos indiretos, como fábricas de autopeças e no comércio da região.

Menos de 24 horas depois do anúncio da montadora, uma imobiliária já recebeu uma ligação de cliente, que é funcionário da Ford, que vai entregar o apartamento que alugava perto da fábrica. A dona da padaria, que fica 50 metros da portaria da Ford, viu o movimento cair em mais de 50% nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (21), o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), vai se reunir com o presidente da Ford, Lyle Watters, e o governador João Doria para discutir um possível plano de permanência da montadora na cidade.

Zenir Camargo da Silva e o marido compraram uma padaria perto da entrada da Ford imaginando que estariam investindo com segurança os mais de 20 anos de economias.

“Faz seis meses que compramos a padaria. Jamais imaginava isso, inclusive, um dos motivos para comprarmos o ponto é porque é do lado da Ford, são muitos funcionários, e quando vem uma notícia dessa é preocupante”, diz a comerciante.

Segundo ela, cerca de 50% dos clientes da padaria são funcionários da Ford. “Para ter uma ideia, no dia do anúncio do fechamento nós servimos 80 refeições. Um dia depois, servimos apenas 30. Já estamos sentindo o efeito desse fechamento.”

Zenir disse que trabalha com encomendas e que “todas foram canceladas”. “Eles vinham tomar café, almoçar, faziam encomendas de pizza e pão. Se sair a Ford daqui, não sei como vai ser, porque se a queda de 50% do movimento permanecer, eu não sei se consigo manter todos os funcionários. É uma cadeia, todos vão pagar um preço.”

Para Ricardo da Silva Santana, gerente de um posto de combustível, a queda do movimento vai ficar em torno de 40%.

“Para a gente é muito ruim, porque eles são nossos clientes. Funcionários abastecem aqui, a montadora também abastecia a frota, os carros novos que eles faziam vinham para cá. Pegou todo mundo de surpresa, ninguém imaginava. O posto existe desde 1975, somos pioneiros na região, viemos juntos com a Ford.”

Ariane Corso Yasuda, gerente de um mercado vizinho à montadora, disse que ficou tensa com o anúncio de fechamento da Ford. “Vai impactar em todos os sentidos, vai cair clientela. Temos muitos clientes que são funcionários, vendemos muito marmitex para eles. Já estamos de cabeça quente. Estamos aqui há 33 anos e só com os rumores já sentimos uma redução do movimento.”

Maíra Godoy Piva, da imobiliária Mix, que fica a um quarteirão da Ford, disse que a montadora representa cerca de 40% da carteira de locação de imóveis. “Vamos sentir bastante o impacto”, disse Maíra, que afirmou que tem uma carteira de 500 imóveis para alugar no entorno da montadora.

“Já acreditamos que a dificuldade de alugar esses imóveis se dá por conta da crise da montadora. O nosso público que liga para imobiliária é originário da Ford. Hoje mesmo já recebemos uma ligação de um funcionário da Ford, que foi demitido ontem e que já vai entregar o imóvel. Acreditamos que nas próximas semanas vamos receber muitas notícias assim.”

A corretora informou que a maioria dos moradores de um condomínio de apartamentos, com 20 torres, é de funcionários da Ford. “Espero que o telefone toque, mas para dizer que a Ford vai continuar aqui.”

Ela disse que a negociação de um cliente que vai encerrar contrato fica mais difícil quando é caso de demissão.

“Normalmente fazemos a retenção do contrato. Quando um cliente quer entregar uma chave, a gente tenta saber o motivo, se ele busca um imóvel maior ou menor, mas quando é caso de demissão não temos como segurar o contrato. Falando especificamente da Ford, com certeza essas pessoas vão voltar para sua cidade natal e com certeza eu vou perder faturamento”, disse Maíra.

O comerciante Francisco de Assis Alves estaciona sua Kombi perto da entrada da Ford há 21 anos. Com clientela fiel de funcionários da montadora, ele teme perder movimento. “Vendo acessórios para carros, sem uma fábrica de carros eu vou perder bastante.”

Apesar disso, ele não pretende sair do local. “Espero que a gente tenha boa notícia e que a Ford continue aqui. Porque se ela sair vai gerar muito desemprego e eu vou perder com isso também.”

Para Manoel Barbosa dos Santos, a decisão de fechamento da Ford deve impactar o movimento do food truck em que trabalha. “Vai ser impactante, porque temos bastante cliente da Ford, desde executivo a chão de fábrica. Fomos pegos de surpresa. Na verdade, está tudo muito silencioso, o trânsito está pequeno, tem pouco movimento na rua, nenhum protesto.”

Ele segue otimista, apesar de já sentir queda no movimento. “Espero que o governo interfira nesse caso para manter a empresa aqui. Muita gente precisa do salário que recebe trabalhando na Ford, que é uma empresa tradicional na região.”

Prefeito tenta reverter

O prefeito Orlando Morando entrou na tarde desta quarta-feira (20) com uma representação endereçada ao Ministério Público do Trabalhopedindo “a adoção de providências voltadas a proteção dos interesses difusos e coletivos, decorrentes do risco de rompimento da relação do emprego e direitos dos empregados da referida empresa”.

A montadora prevê uma despesa extra de US$ 460 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão a câmbio atual) por conta do encerramento das operações.

Desses, cerca de R$ 360 milhões serão gastos na compensação de funcionários demitidos, concessionárias e fornecedores e vão impactar o caixa da empresa. Outros R$ 100 milhões estão relacionados à depreciação acelerada e amortização de ativos fixos – perda de valor de máquinas e estruturas que deixarão de ser utilizadas, por exemplo.

A Ford diz que a maior parte dessas despesas serão contabilizadas em 2019 e que os valores já estão inclusos nos US$ 11 bilhões que ela prevê gastar para reestruturar seus negócios no mundo todo. Desses, R$ 7 bilhões devem afetar o caixa.

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